tem alguém aí?
(quase ouço o eco reverberando pelo vazio, "aí... í... í...")
pois é, estou vivo. andei um tempo cansado de escrever, assoberbado com as tarefas de sair das estatísticas de desemprego do jornal da globo, lavar, passar, cozinhar, e me assombrar com a podridão do congresso (sei que há quem se surpreenda com a minha "ingenuidade". mas no dia em que me acostumar com essa pouca-vergonha, peço para quem estiver mais próximo meter um balaço na minha nuca).
hoje cometi uma ação pouco usual, e não sei se me senti bem depois. hipótese: você entra em uma autarquia, em busca de um serviço qualquer. você entra no tal escritório a um dos inúmeros guichês, em busca de atendimento. o funcionário orienta-lhe a voltar a entrada e retirar uma senha para que o atendimento seja efetivado. você obedece, e ao chegar à maquininha, um outro sujeito, que chegou depois de você, está retirando um número. qual seria sua reação?
a) conformar-se por ter visto o aparelhino depois, retirar sua senha e esperar civilizadamente sua vez, ou
b) pedir para que o rapaz lhe dê a senha dele, alegando que você havia chegado antes.
eu, normalmente, teria optado pela primeira resposta, não sem lamentar minha sorte e falta de atenção. pois bem, hoje fui postar uma carta no correio (que nostalgia...), e me vi na situação do carinha que entra depois. um camarada que havia entrado dez segundos antes de mim, dirigiu-se ao meio da loja, percebeu o equívoco e voltou. ao me ver na maquininha, pediu que eu lhe cedesse a vez, pois ele havia chegado primeiro. detalhe: era um cara saudável, entrado nos quarenta, aparentando ser um profissional liberal de classe média. e só havíamos nós de clientes na agência; não havia viv'alma sendo atendida. fiquei tão perplexo que, por puro impulso, simplesmente retirei a senha para mim, sem sequer dirigir-lhe a palavra. diante do meu gesto, ele indignou-se, e ainda ameaçou-me dizendo que não me iria deixar passar na sua frente.
sentei-me, ainda mudo, mas já disposto a fazer valer minha prevalência, mesmo que só de birra. em alguns segundos, a luzinha anunciou meu número. ao me perceber a caminho do guichê, levantou-se, chamou um funcionário dizendo que havia chegado antes, mas não tinha tirado a senha etc. me emputeci e respondi que quando cheguei ele nem estava lá, e que o problema era dele. e cheguei-me ao balcão, estendendo envelope e senha. ele ainda tentou intimidar-me, falando alto: "ah, vai entra na minha frente, é?" ao que respondi afirmativamente. nisso, um funcionário interveio, oferecendo-lhe outro guichê. ele foi-se, resmungando que era preciso acabar com esse tipo de esperteza pequena.
confesso que senti-me um pouco mal, pois havia tomado uma atitude em completa oposição à minha natureza, mas ao mesmo tempo, meu sangue fervia. rapidamente a carta foi selada, recebi meu troco e me mandei, em silêncio. mas minha vontade era passar por ele e falar algo como "tá vendo, seu chorão? de que adiantou o faniquito?", torcendo para que ele retrucasse algo que me desse motivo para enfiar-lhe um murro na cara. o que é - volto a repetir - o oposto da minha filosofia de vida. na rua, me odiei por não ter sido mais incisivo, de não ter provocado, mesmo porque, sei que esse tipo de pequeno burguês adora latir, mas se a situação sugere qualquer tipo de entrevero físico, afina. é o típico proceder do dito "educado-eunuco", que não tem coragem o suficiente para ser veemente (e não violento, note-se a diferença), na defesa de um ponto de vista. sei disso porque ajo da mesma maneira (e não gosto nem um poucode ser assim). mas desta vez, de certa forma, estava no papel de "aproveitador boçal". fiquei também com raiva de não ter tido a frieza de um roberto jefferson, e tripudiar em cima dele com sutileza, de maneira a desestruturá-lo psicologicamente. técnica básica de retórica, ensinou minha irmã, estudante de direito.
sei que quando cheguei no prédio, subi pelas escadas e fiz umas quinze flexões, para descarregar a adrenalina. bebi água ne liguei a tv. no canal francês tava passando deus e o diabo na terra do sol. conheço a história em linhas gerais, mas ainda não foi dessa vez que consegui escapar às garras do sono e assisti-lo. bem que tentei. acordei com a tati chegando, e comentei-lhe o ococrrido. ela me deu total razão, inclusive na minha reação de não "descer ao nível do bate-boca", o que provavelmente era a intenção dele.
realmente, acho que tenho que parar de ter vergonha de não ceder sempre. e não me intimidar com manifestações pseudo-cidadãs egoístas. enfim, as mulheres hão de achar que essa conversa toda não passa de um conflito entre testosteronas...
*******************************
depois conto as coisas legais dos últimos dias. participei de uma "oficina de roteiro" no sesc com o grande lourenço mutarelli.
********************************
sei que ninguém perguntou, mas quem quiser saber qual a minha posição sobre os dirceus, genoínos, valérios e delúbios, basta ler a entrevista com o plinio de arruda sampaio, na caros amigos de maio. depois eu explico.
13 julho 2005
se cair na área... ou "como não deixar-se enganar por sofismas"
10 junho 2005
gênios da publicidade
o banco de boston deve ser uma espécie de vigário geral.
senão, por que anunciaria algo como "bank boston: é impossível chegar lá sozinho"?
05 junho 2005
la giralda não tem escada!
estou me tornando um leitor involuntário de dan brown. no natal, ganhei do namorado da minha mãe o "anjos e demônios", a gora, no meu aniversário, como fui educado em elogiar a escolha, ele me presenteia com o "fortaleza digital". apesar de não ter lido o famoso "código...", posso considerar-me um conhecedor, depois de ler mais da metade das obras publicadas no brasil.
sua fórmula é fazer uma suposta investigação sobre os mitos modernos que alimentam a paranóia e a curiosidade geral (os illuminatti, as "verdades" sobre j.cristo que a Igreja não conta, os templários, a agência americana que controla o fluxo mundial de comunicação). as histórias se passam em períodos de mais ou menos 24 horas, com ação do início ao fim, e muita correria por cidades turísticas.
aliás, foram as referências utilizadas que me trouxeram a este texto. o mario sergio conti escreveu um artigo no nomínimo (infelizmente já fora do ar, mas tem o do pedro doria), sobre as gafes cometidas pelo dan brown no "código"; erros na geografia de paris (coisas equivalentes a pegar o rebouças em ipanema e sair em bangu), vacilos artísticos e de verificação trivial pela internet, como o número de quadrados da pirâmide do louvre. quando não se conhece os lugares citados, como foi meu caso no "anjos...", engole-se qualquer informação como se fosse verdade.
mas ele escorrega feio no "fortaleza digital": em sevilha, um assasino persegue um dos heróis, que acaba refugiando-se na torre la giralda. e tome perseguição, com pulos pelos vários lances de "degraus íngrimes". só tem um detalhe: la giralda não tem escada!!!!!!!! a torre foi construída pelos mouros com rampas, para que o muezín (o camarada que convoca os fiéis à oração) pudesse subir a cavalo. em 97 eu estive lá e vi. porra, como é que não deram um toque no caboclo? será que ninguém para quem ele mostrou o texto, nem os editores, jamais foram a sevilha?
entretanto, não resta dúvida de que ele domina a carpintaria do estilo roliúdiano de escrever, apesar dos furos, das situações absurdas e dos personagens chapados. mas está longe de ser literatura. é entretenimento. ponto. é como decifrar uma charada de almanaque.
de qualquer forma, louvo a capacidade de levar à leitura pessoas que normalmente têm ojeriza a livros. sempre resta a crença de que o hábito permaneça e que o gosto evolua.
(aliás, nos dois livros só se torce para os vilões. os heróis são patéticos e obscurantistas, para dizer o mínimo.)
29 maio 2005
26 maio 2005
vergonha pelos outros
"Enquanto os guardas o seguravam, ela tirou sua própria blusa, abraçou o detento por trás e pôs a mão na região genital dele. A interrogadora estava menstruada e espalhou sangue tirado de seu corpo no rosto e na cabeça do detento".
retirado de um relato do fbi, datado de abril de 2003, sobre abusos cometidos por uma interrogadora, na base de guantánamo. a notícia inteira está aqui: Documento do FBI relata caso de exemplar do Corão jogado em vaso sanitário (o globo on-line de 25/05 - 20h12m.
aí eu me pergunto, como é que os estados unidos esperam ser respeitados, se continuam tratando todos os demais países na base do big stick? quer dizer, todos, não, porque eles já aprenderam que com os "amarelos", o buraco é mais embaixo. para os coreanos do norte e vietnamitas, eles sabem que têm que pedir "licença" e "se faz favorzinho", e no final, dizer "obrigado".
parece que setembro de 2001 não bastou. ainda não atinaram os barbudos também são orientais, e que com eles não se brinca. atirar o alcorão numa privada seria o equivalente a que cagar na bíblia, limpar a bunda no santo sudário e usar uma pia batismal como bidê. o livro em árabe é considerado a palavra viva de deus, e até para tocá-lo o muçulmano precisa estar de mãos limpas. além do que, o que essa mulher fez, se for verdade, é de uma falta de respeito consigo própria imperdoável; uma vergonha para todas as mulheres. ela não merece o respeito nem de seus pares de tortura.
quantas bombas, quantas vidas desperdiçadas serão necessárias até que essa insanidade acabe? foram onze anos até que a mão da consciência -- ou da opinião pública, como queiram -- baixasse a cabeça do nixon (os franceses aprenderam em oito). fora o sacode de 1991, que não deu em nada e fez os ianques voltarem pra casa com o rabo entre as pernas, já temos dois anos de iraque. pelo visto, há tempo ainda...
enquanto isso, basta pedir para a imprensa vendida substituir as notas da invasão por "michael jackson", em letras garrafais. e nada de fotos de caixões cobertos pela bandeira, com "nossos meninos" dentro.
convocação aos cidadãos
caros, há quase duas semanas, eu e mais cinco nos reunimos no amarelinho para discutirmos formas de reivindicarmos nossa representatividade junto aos políticos. primeiramente unidos pelo site um brasil melhor, os que lá apareceram decidiram primeiramente não falar em nome do grupo, que ainda não dei]via ter mais de um mês de criado, mas que através de uma ferramenta de emails, possibilitava disparar mensagens para todos os parlamentares das duas casas de brasília. ficamos sabendo pelos jornais e até por alguns parlamentares que a inundação (não apenas nossa) surtiu efeito.
outra coisa que decidimos foi agir localmente, pressionando na medida do possível e da disponibilidade de cada um, tanto os membros da câmara dos vereadores quanto a alerj, mandando emails, comparecendo às sessões, interpelando-os ao vivo. ao longo da semana surgiu a idéia de elaborar uma cartilha com dicas para o eleitor se informar sobre os parlamentares, do voto à vigilância do mandato.
neste sábado, dia 28, vamos ter nossa segunda reunião, entre 13h30m e 14h, sob o vão do MAM, no centro. quem quiser aparecer por lá, não se acanhe. o grupo ainda é pequeno, eclético, e inexperiente, mas temos muita gana e criatividade, e estamos todos interessados em construirmos juntos nossa cidadania.
24 maio 2005
nelson motta e o casal molequinho
vale a pena. crônica publicada na folha, em 20/05/2005:
Aleluia, irmãos!
RIO DE JANEIRO - Uma sentença histórica de uma juíza corajosa colocou o roliço casal Garotinho em seu lugar: inelegíveis até 2007. Aleluia, irmãos!
A sentença é exemplar; os argumentos, contundentes; os fatos, irrefutáveis. O que restou a Garotinho, com a leviandade e a arrogância que caracterizam seus julgamentos sobre seus adversários, foi acusá-la, sem qualquer prova, de "terrorismo" e de ter "ligações" com o candidato que os derrotou em Campos. Mas como, se a juíza também cassou-lhe o mandato na mesma sentença? Já Rosinha só conseguiu argumentar que a sentença foi "vingança" e que era uma "insensatez". O que será "sensatez" para Rosinha? Deixar que ela use R$ 165 mil de dinheiro público -meu, seu, de nossos impostos- para atacar, em virulentas matérias pagas de página inteira, um jornal que a acusou exatamente dos mesmos crimes pelos quais a juíza agora a condena? A juíza disse o óbvio: que eles e o PMDB deveriam pagar a conta.
O que aconteceu em Campos foi grotesco, digno de coronéis nordestinos dos anos 50. Ficou provado nos autos que milhares de kits escolares foram distribuídos - em outubro! - por cabos eleitorais do candidato do casal. Mais de 3.000 pobres ingênuos foram cadastrados às pressas com promessas de casas de R$ 1, às vésperas das eleições - mas àquela hora somente em Campos e em nenhuma outra cidade do Estado. Milhares de "cheques-cidadão", esmolas de R$ 100 que o casal dá a seus eleitores com nosso dinheiro, foram distribuídos sem nenhum critério na reta final da eleição.
A sentença da juíza prova o que se desconfiava: que o único projeto deles é manter-se no poder a qualquer custo; e que eles administram o Estado como se fosse um programa de rádio AM que dá esmolas, comida e empregos aos ouvintes. Só que com dinheiro público.
Garotinho acha que Deus está do lado dele. Bush também. Senhor, tende piedade de nós.
caceta dourada!
na verdade, minha vontade era dizer "caralho buceta cu", com muitos pontos de exclamação, mas achei que não ia pegar bem.
o motivo de tanto palavrão é a súbita constatação que, em breve, o sol completa mais uma volta desde que esse filho da mãe e do pai que vos escreve foi posto nesse vale de lágrimas, de risos escondidos e de mãos na bunda.
ainda falta, mas deixo registrado desde já: viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!
finalmente o ano começará.
08 maio 2005
momento recordar é viver
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Grândola Vila Morena - José Afonso
homenagem atrasadíssima aos 31 anos da revolução dos cravos - 25/04/1974.
(vai procurar na rede, ô mané!)
06 maio 2005
verdade, por fausto wolff
Como eu ia dizendo aqui no JB antes de ser rudemente interrompido por 20 anos de ditadura militar e 20 de ditadura branca, talvez ainda haja salvação para o Brasil. Neste meio tempo, para ficar apenas no fundamental, acabaram com a nossa cultura, o nosso futebol e a nossa imprensa. O povo, principalmente o carioca, sempre tão gentil, emburreceu, a classe média vive tão desesperada em sua ânsia de não descer ao inferno do proletariado que não tem tempo para outra coisa além do pobre umbigo. O último estadista, Leonel Brizola - tinha um dedo podre para escolher parceiros mas era um homem de bem - morreu. Em seu vício pelo vício de fazer dinheiro, a televisão agoniza enquanto mostra os seres humanos como se fossem porcos em programas ao estilo de Big Brother que torturam Orwell até depois de morto. O país tem solução? Tem e precisa ser drástica, se não quisermos que, desesperado pela dor da fome, o povo desça e o resto dance. O jornalismo pode ser uma solução. Outro dia perguntaram-me se era possível voltar a fazer do JB o melhor jornal do Brasil. Respondi que sim por dois motivos: primeiro, por causa do insípido e medíocre panorama da nossa imprensa; segundo, se recolocarmos a mocinha, a heroína, a estrela, no centro do palco. Estou me referindo à verdade. O erro dos que se propõem a entrar no ramo é imitar as grandes corporações, que só têm compromisso com o lucro e desabam sobre seu próprio peso, enquanto a maioria dos seus colunistas fala de uma vida que não viveu. Em princípio o jornal é o advogado do povo. É o advogado daquele que tem dinheiro para comprar jornal e não para comprar advogado. Os bandidos têm medo dos jornais, pois podem ser desmascarados por eles. A não ser, é claro, que os jornais sejam sócios dos bandidos, quer os privados quer os da Justiça, do Executivo e do Legislativo. O povo precisa sentir que o jornal é parcial; que está do seu lado; que não trata caricaturas de seres humanos que navegam em naves de papelão como pessoas sérias; que o jornal não admite justiça sem força e força sem justiça. Para começar, por que não dizer a verdade? Severino, o presidente da Câmara, não é uma bizarra exceção. Exceção são os não Severinos. Severino apenas faz escancaradamente o que os senhores pomposos, elegantes e bem falantes - do poder ou não - fazem às escondidas. É isso aí. O Brasil não tem mais a cara de Carmem Miranda, mas sim a cara do Severino, que ri dos que dele riem, pois a cumplicidade é óbvia demais. Como na peça de Ionesco, tornamo-nos uma nação de rinocerontes exatamente porque não temos coragem de nos reconhecermos rinocerontes. No Brasil encenam uma realidade para encobrir a verdade e a verdade está na nossa bandeira. O verde representa os que vivem com menos de dez reais por mês; o amarelo, os que vivem com menos de cem; o azul, os que vivem com menos de mil. E os pontos brancos são os tiranos que sendo tão poucos nos esmagam com tamanha facilidade.
o wolff é capaz de me levar às lágrimas. mas continua um visionário (o que não é demérito nenhum, precisamos deles mais do que nunca), pois fazer jornalismo sério no jb, do jeito que está, só com muita fé.
de qualquer forma, boa sorte, jebão. o jornalismo (e os leitores) agradecem.
05 maio 2005
a casa sendas é o retrato do brasil
quem quiser ver o tamanho do estrago que 500 anos de exploração capitalista fizeram ao brasil, basta fazer compras nas sendas. na hora em que se chega ao caixa, a impressão que se tem é que são escolhidos a dedo os mais lerdos e ineficientes espécimes humanos para integrar o quadro de funcionários. e que a casa direciona todo seu orçamento na reforma e embelezamento das lojas, sem deixar um tostão sequer para o treinamento de pessoal.
às vezes, como aconteceu comigo hoje, não dá nem para ter raiva dos empregados, porque vê-se que o caso não é de má-vontade. é incapacidade mesmo. a falta de alimentação decente nos primeiros anos de vida, com proteína animal (leia-se carne e leite), compromete o desenvolvimento neuronal e limita a capacidade de aprendizado. para piorar, o sistema educacional é uma piada, incapaz de atingir sua meta principal -- adestrar os jovens para tornarem-se mão-de-obra para a produção capitalista (se duvida, é só procurar o significado das siglas sesi, senai, senac, sesc).
a quantidade de carboidratos presentes na cesta básica pode ser boa para dar energia para o trabalho braçal, mas para usar a cabeça... não creio que um exército de peões, ascensoristas, caixas de supermercado e empregados domésticos -- por mais dignas que sejam essas profissões -- seja capaz de elevar o pib de um país. então como é que se espera que uma determinada classe social possa manter-se produtiva (expropriada, sim, mas produtiva) num mundo cada vez mais dependente da tecnologia, sem proverem-na minimamente com condições de desenvolvimento mental e capacitação profissional? será essa uma das tais "contradições do capitalismo"?
04 maio 2005
sobre a tatipiv
não foi nem pelo último comentário recebido, mas há algum tempo desconfio que os leitores da tati devem achar que, se não a esquartejei e comi os pedacinhos num ritual satânico-antropofágico, pelo menos devo tê-la trancafiado numa masmorra, mantendo-a com rações semanais de pão e laranja.
embora ela seja muito gostosa, e às vezes (muito raramente, e sempre por minha causa, mesmo) eu realmente tenha vontade de guardá-la no armário da cozinha junto com as vassouras, o faqueiro de prata e a minha avó, ela está bem, em posse de sua saúde e de suas...hã...faculdades mentais.
o que acontece é que ela está em transição de emprego, e ainda não pintaram os joselitos que alimentam o blog e fazem a alegria da galera. por isso, ela anda um pouco preguiçosa para com seu público.
a propósito, ela é quem deveria ter escrito essa nota, mas depois de tanto gastar meu latim com pedidos, resolvi eu mesmo explicar.
mas ela está bem, eu juro. não fiz nada com ela. quer dizer, nada que ela não tenha pedido.
27 abril 2005
pra quem estiver pelo centro na terça que vem
PT faz consulta popular sobre processo de cassação de Calazans
RIO - Nesta terça-feira (3 de maio), a partir do meio-dia, uma urna será instalada pela bancada do PT na Assembléia Legislativa, no Largo da Carioca. O objetivo, segundo a líder do partido, deputada Inês Pandeló, é questionar a população sobre a votação na Alerj que absolveu o deputado Alessandro Calazans (sem partido) da cassação de mandato por quebra de decoro. Na cédula haverá duas perguntas:
1- A votação para a cassação de parlamentares acusados de quebra de decoro deve ser através de voto aberto ou fechado?
2- O deputado Alessandro Calazans deve ter o seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar?
No dia 14 de abril, 37 parlamentares votaram contra o relatório da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, que propunha a cassação, e absolveram Calazans. Foram 25 votos favoráveis, um nulo e um em branco. A prova contra Calazans é a gravação de uma fita em que negociava a retirada do nome do empresário dos jogos lotéricos Carlinhos Cachoeira do relatório da CPI da Loterj, que investigava irregularidades na instituição. O parlamentar presidia a Comissão.
foi retirado daqui. se a gente não começar pelo pequeno, nunca vai chegar ao grande. mas lembrem-se do que diziam os velhos anarquistas espanhóis, "o mundo só vai ser um bom lugar quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre".
26 abril 2005
arbeit macht frei
o palavrão acima estava escrito sobre os portões dos campos de concentração. seu significado, "o trabalho liberta", é uma piada macabra, cujo contexto, no entanto, caracteriza com exatidão a natureza da produção capitalista.
minha ex-professora, leneide duarte (que depois de seguir para sua tão amada frança incorporou uma onomatopéia de pingo d'água ao sobrenome), escreveu um artigo sobre um documentário que retrata pessoas que deixaram de trabalhar, em recusa à lógica do capital.
é óbvio que, por enquanto, esse tipo de atitude só pode ser tomada em países em que há uma rede de proteção ao cidadão, mas serve de reflexão. outra boa leitura sobre o tema é o "manifesto contra o trabalho", do grupo krisis. o domenico di masi é legalzinho, mas fica na superfície, não chega à raiz do problema, que é a produção capitalista. enquanto não se romper com os poderes que reduzem os homens à sua força de trabalho, o ócio criativo não vai passar de uma extravagância teórica, para alimentar os devaneios dos 20% da população (dos países desenvolvidos) que podem se dar ao luxo de botar o papo pro ar.
a propósito, os filmes citados no artigo já estão disponíveis no emule. vamos copiar e passar adiante!
...nessas horas é que me arrependo de falar francês como o macaco tião.
pergunta que não quer calar
tudo bem que a globo faça um puta estardalhaço pelos 40 anos, afinal, uma empresa de comunicação durar tanto tempo em pindorama é realmente algo para ser comemorado (o que ela fez para alcançar a longevidade são outros quinhentos, mas enfim...). agora -- apesar da ingenuidade extrema, cabe a pergunta -- que ingerência teria a "estrela da morte" (genial expressão tarrada do picadinho) sobre a seleção de futebol, para armar um amistoso comemorativo?
23 abril 2005
se os tubarões fossem homens
texto do brecht (fiquei na dúvida sobre onde colocar o adjetivo "genial", por isso deixei sem, mesmo). ouvi-o da boca do abujamra, livremente adaptado para o provocações.
21 abril 2005
até quando esperar?
Na noite de hoje, Centenas de manifestantes foram até o edifício onde o Parlamento se reuniu e golpearam vários deputados e exigiram que todos os políticos que integram a Câmara renunciem. (...)
Os manifestantes quebraram os serviços de segurança do edifício, quebraram janelas e porta e procuraram "escritório por escritório" pelos políticos, a quem ameaçaram levar a "juízo popular".
tá no globo de hoje.
os congressistas daqui estão muito mal-acostumados. era preciso "importar" alguns manifestantes equatorianos nos ensinar como dar um "choque de realidade" nos parlamentares, só para mostrar que o fisiologismo descarado esgotou nossa paciência.
18 abril 2005
atenção, malucos e hackers de plantão
tem um desocupado(a) que responde pelo ip-alcunha de 201.8.235.224, cuja completa falta do que fazer o(a) trouxe a este blog com comentariozinhos babacóides há algum tempo. nada que me fizesse liberar uma gota de suor a mais, mas hoje a coisa engrossou: duas tentativas de invasão do computador de casa, e adivinhem por quem? aí vão as informações do indivíduo:Search results for: 201.8.235.224
claro que era apenas a mask lá da LACNIC, e então:
OrgName: Latin American and Caribbean IP address Regional Registry
OrgID: LACNIC
Address: Potosi 1517
City: Montevideo
PostalCode: 11500
Country: UYowner: Comite Gestor da Internet no Brasil
até aí, pouco...mas então obteve-se isto:
ownerid: BR-CGIN-LACNIC
responsible: Frederico A C Neves
address: Av. das Nações Unidas, 11541, 7° andar
address: 04578-000 - São Paulo - SP
country: BR
phone: +55 11 9119-0304 []
owner-c: CGB
created: 20020902
changed: 20040415201008016015.user.veloxzone.com.br, Rio de Janeiro
ou seja: amiguinho(a), sabemos quem és e o que fizeste no verão passado:Visitor Detail: 18 April 2005
agora, se mesmo assim, você quiser continuar me assediando, sugiro um analista, ou a escolha de outro objeto de desejo. este pau aqui já tem dona.
HostName : 201008016015.user.veloxzone.com.br
IP : 201.8.16.15
Last Visit : 1 Day(s)
ISP: LACNIC
Country: BRAZIL
Region/State: RIO DE JANEIRO
City: RIO DE JANEIRO
Domain: Brazil
Language: Portuguese
Browser: MSIE [Win XP]
Screen Res: 800x600 4 Billion colors (32 bit)
Javascript: Enabled
Page Views: 2
Daily Visits: 1
Visit Length: 1 minute(s) 40 second
amiguinhos, aceito sugestões sobre como interromper essa paixão indesejada, barrá-lo(a), ou, quem sabe, aprontar-lhe uma travessura. cartas para este endereço.
13 abril 2005
casalzinho ataca outra vez
No dia 26 [de fevereiro], a gente ia receber o Edson Vidigal, que é presidente do Superior Tribunal de Justiça. Então, uma pessoa entrou em contato conosco e disse que teve pessoas - eu não quero citar nomes - de grande poder na polícia que estavam insatisfeitas porque ele vinha conhecer um dirigente de nada, que é um preto favelado, mas não ia conhecer o governador do estado do Rio. No dia 9 de março, nós íamos receber o presidente Lula, que vinha inaugurar o Banco Popular. Então esses contatos que estavam entrando na Rocinha incomodavam. Por isso, eu acho que anteciparam logo a minha prisão.
william de oliveira, presidente da associação de moradores da rocinha, explicando os possíveis motivos que o levaram ao xadrez. retirado do nomínimo.
atenção, meninas!
apesar de não ser candidato à papa, sou altamente papável.
(algo me diz que vou apanhar muito pela gracinha...)
12 abril 2005
evoé, zé celso!
Só duas coisas têm valor na vida…
comida e bebida, comida e bebida…
Comida é terra, Deus é terra,
essa velha conhecida,
que você chama pelo nome que te apraz,
pois com comida ela só lhe dá de mamar,
ela dá de mamar, ela dá de mamar,
aos mortais.
Agora soma pra multiplicar bebida,
que o filho de sêmen, ele trouxe do fruto molhado da vinha...
Embebedando os mortais e liquidando os seus “ais”,
trazendo o sonho e o apagamento
dos endividamentos de cada dia.
Um Deus que aos deuses se dá,
um Deus que se põe ao dispor,
não há melhor drogaria pra dor.
A ele o que se deve e o que se dá e se recebe,
Messias que se bebe.
da entrevista do zé celso martinez, na caros amigos.
a cavalgadura ataca outra vez
"essa história de nepotismo é para os fracassados, para os derrotados que não souberam criar os seus filhos."
palavras do nosso excelentíssimo sr. severino roncinante, presidente da câmara, na posse de seu filho josé maurício cavalcanti na superintendência do ministério da agricultura em pernambuco.
pensando bem, cavalgaduras somos nós, que deixamos isso acontecer sem dizer um "ai".
09 abril 2005
não leia, veja
o consciência net apresenta uma seção em que mete o pau na revista veja. ela merece. é difícil encontrar um reacionarismo tão escancarado na imprensa nacional. acho que só não contrataram o olavo de carvalho como colunista porque ainda deve restar algum senso de zelo editorial (às vezes me acho um otimista incorrigível).
de minha parte, só digo que, no lançamento a revista chamava-se "veja e leia", com o complemento escrito pequenininho, ao lado do título. para mim, o sumiço dessa partícula é sintomático.
veja, mas não leia, senão você vomita.
08 abril 2005
a primeira piada sobre o papa
acho que estou inaugurando, como quis o dude. a idéia surgiu enquanto eu e a tati nos embascávamos com a pompa do enterro do sumo pontífice:
a próxima capa da caras será "papa abre a tampa de sua nova residência".
06 abril 2005
mais gênios da publicidade
eu gosto de implicar com um certo canal de tv a cabo que só passa seriados. mas só porque eles dão motivos. e muitos. é praticamente irresistível.
lá eles exibem um reclame (adoro a palavra) cujo texto diz algo mais ou menos assim, "ninguém vai sair de casa para assistir a duas comédias etc.".
na minha cabeça, a resposta vem automática: "sim, todos vão sair de casa para NÃO assisti-las".
28 março 2005
imeio aos parlamentares
através do site um brasil melhor, enviei o imeio a seguir para todos os políticos das duas casas do cu-de-mãe-joana federal. agora é só aguardar a resposta para desfrutar de uma vida de nababo.
O anterior, há alguns dias, não foi tão simpático.
Candidato a emprego
Caros senhores, seguindo o exemplo do ilustre Presidente da Câmara dos Deputados, o Excelentíssimo Sr. Severino Cavalgante, gostaria de me candidatar a uma vaga em algum ministério ou órgão de sua escolha.
Bem como o rebento do ilustre político e muitos de seus parentes, tenho diploma universitário e pós-graduação, e como Vsa. Excia. declarou com muita propriedade, também poderei prestar grandes serviços à nação.
Caso haja interesse, terei prazer em enviar meu currículo e dados pessoais.
Atenciosamente,
XXXXXXX.
PS: Caso não possa preencher os requisitos de nenhum ministério, contento-me com uma repartição qualquer de segundo escalão. Obrigado.
27 março 2005
24 março 2005
todos os direitos reservados
pela postura que vem mostrando como homem público, o presidente da câmara devia chamar-se severino cavalgante ("cavalganti", se respeitarmos a grafia).
22 março 2005
do noblat, link estreante no pedaço
21/03/2005 23:58
Pensando bem...
Poderia ser pior.
Severino empregou parentes que têm diploma universitário. E acha que fez muito bem. A família dele é pequena para os padrões nordestinos. E se fosse maior? Já pensaram?
Tudo pode ser visto por um lado ruim e outro bom.
No caso, esse é o lado bom.
enviada por Ricardo Noblat
apesar do ódio espumante, devo justiça ao sevé xique-xique, presidente do cu-de-mãe-joana federal (vão ver o dicionário, preguiçosos!): é o único de seus pares que tem coragem de admitir sua lógica tacanha. mais cristalino que seus colegas, que arrotam "moralidade" ao menos sinal de microfone, gravador ou bloco de notas.
que merda, hein, coleguinhas?!
procurando a notícia assistida no jornal da globo sobre uma revolta popular agora à noite, num município entre brasília e goiânia, causada pela aprovação na câmara de vereadores de uma medida que concede mais dois salários à prefeita (?) e ao vice, não achei nada. procurei nas versão online do globo, do jb e do correio braziliense, da folha de são paulo, e nada (o estadão virtual é um nojo! nunca vi um veículo criar tantas dificuldades aos não-assinantes. será que o comercial acredita que, proibindo o conteúdo, vai recuperar a parcela de leitores do impresso. até os gringos estadunidenses sabem que não é por aí o caminho das pedras). no site do próprio jornal da globo, a edição exibida ainda é a de sexta.
em todos, notícias sobre o novo atirador adolescente nos estadozunidos, o ultimato de severino xique-xique ao lula, entre outras notícias de agências. é isso que chamam de jornalismo em tempo real? pagam uns nerds para ficarem traduzindo notícias de agência, enquanto o pau come no quintal.
Update (finalmente, saiu a matéria no jornal da globo. na versão on-line dos impressos, por enquanto, necas de pitibiriba):
A população não gostou
Para quase todos os trabalhadores brasileiros, as regras são muito claras: um salário por mês e no fim do ano, o 13º. Mas no município de Cidade Ocidental, perto de Brasília, os vereadores decidiram dar, com o dinheiro do contribuinte, dois salários a mais ao prefeito e também à vice-prefeita. Acabou em confusão.
Foi uma noite agitada na Cidade Ocidental, município a 40 quilômetros do centro de Brasília. Divisa de Goiás com o Distrito Federal. Moradores revoltados com o resultado da votação tentaram entrar no plenário da Câmara e agredir os vereadores.
A polícia militar de Goiás respondeu com bombas de efeito moral e gás de pimenta. Algumas pessoas ficaram feridas.
O projeto foi aprovado por cinco votos a quatro. O prefeito e a vice-prefeita passam a receber 14º e 15º salários e vão ter aumento toda vez que o salário dos deputados estaduais for reajustado.
Atualmente o prefeito ganha 8.400 reais. Os vereadores também recebiam 15 salários por ano, mas o benefício foi cassado pelo Tribunal de Contas. “Noventa e cinco por cento dos prefeitos do Brasil recebem o 13º, 14º e 15º salários, por que o de ocidental não tem esse direito?”, argumenta o vereador Ney Perez, do PPS.
“Isso é um desrespeito com o povo brasileiro”, diz um morador da cidade.
brega é a mãe! só aceito original...
a primeira (e única vez) que ouvi a canção foi no "meu tio matou um cara". foi paixão à primeira vista, mas sío hoje descobri o autor, através de uma reprise do jô soares. parece que ainda não tem no emule, mas consegui a letra na internet. fiquem com "soraya queimada, de zéu britto:
Eu queria ter um lança chamas,
Eu queria ter uma fogueira.
Eu queria ter somente um fósforo,
Eu queria ter uma vela acesa.
Pra queimar Soraya, pra ver torrar seu couro,
Pra deixar somente o osso exposto ao Sol.
E depois da meia noite Soraya vai voltar...
Ela vem toda queimada se vingar, Se vingar...
Eu quero ver Soraya queimada,
Soraya queimada,
Porque Soraya me queimou...
Eu quero ver, quero ver,
Soraya queimada,
Soraya queimada,
Porque Soraya me queimou...
Eu queria ácido sulfúrico,
E um litro de álcool tubarão.
Eu queria uma tocha iluminada,
Pra deixar Soraya igual carvão.
E depois da meia noite Soraya vai voltar...
Ela vem toda queimada se vingar,
Pode vir,
Se vingar...
Eu quero ver Soraya queimada,
Soraya queimada,
Porque Soraya me queimou...
Eu quero ver, quero ver,
Soraya queimada,
Soraya queimada,
Porque Soraya me queimou...
21 março 2005
não têm pão?... que comam briocos!
recebi por email, do meu amigo candango maguinho. é ou não é o caso de se instituir uma guilhotina em brasília?
21,5 mil de salário, carro com motorista e 3 meses de férias!
"Mas é evidente que a sociedade quer [o aumento do salário]. Ela está aceitando. Não tem sido é bem esclarecido. Não existe essa coisa de posição contra. O que a sociedade não aceita é desonestidade"
Severino Cavalcanti - Presidente da Câmara dos Deputados.
Eles fizeram. O aumento que não saiu no salário foi feito através de ato administrativo elevando a verba de gabinete em R$ 8.837,00. Veja quanto você paga agora mensalmente a cada deputado federal:
R$ 12.847,20 - Salário
R$ 44.187,00 - verba de gabinete
R$ 15.000,00 - verba indenizatória
R$ 3.000,00 - auxílio moradia
R$ 4.278,55 - correios e telefone
-----------------------
R$ 79.312,75 mensais.
Some-se a isso:
13°,14° e 15° salários. Total anual: R$ 38.541,60
Passagens aéreas: São cotas individuais, que variam de acordo com o estado de origem. A média (veiculada no Jornal Hoje) é de R$ 9.000,00 por deputado. Total anual: R$ 108.000,00
Serviço Médico - O deputado tem direito a reembolso de todas as despesas médicas, no Brasil e no exterior, com a apresentação da nota fiscal. NÃO TEM LIMITE.
Publicação e Cópias: Cada deputado tem direito a 200 mil páginas anuais de um livreto e a 15 mil cópias xerográficas por mês. Supondo que cada cópia custa R$ 0,10 temos R$ 1.500,00 mensais mais um livreto anual de R$ 20.000,00. Total anual: R$ 38.000,00
Jornais: Cada deputado tem direito a cinco publicações de sua escolha. Considerando que a uma assinatura média custa R$ 300,00 podemos supor gastos de cerca de R$ 1.500,00 anuais.
TOTAL ANUAL: R$ 1.337.191,25
TOTAL MENSAL POR DEPUTADO: R$ 111.432,60
Enquanto milhões de brasileiros vivem com R$ 260,00 mensais e outros ganham aumento de 0,01%, nossos deputados fazem o que bem entendem com sua própria remuneração. Ficou indignado? Está cansado disso?
O site um brasil melhor está mobilizando os brasileiros indignados com o descaso do poder público para com o população num movimento que visa elevar o padrão de conduta ética e moral de nossos governantes.
No site, com apenas um clique, você envia sua mensagem para TODOS os Deputados e Senadores. Essa é a melhor forma de exercer sua cidadania.
Democracia é o governo para todos e não para alguns como estamos acostumados a ver, por isso, participe, mande sua mensagem, expresse sua indignação como cidadão.
Update:
meu ódio é tanto, e tão grande, que ainda não consegui escrever uma mensagem (in)decente. quando eu parar de tremer, me aguardem.
17 março 2005
estão botando macacos para legendar filmes?
"Ouvi ótimas referências do senhor pelo seu chefe Constable".
do filme bloody sunday, no canal a cabo telecine. a cena mostra a resposta de um general, comandante da brigada pára-quedista, ao ser apresentado a um delegado de derry, na irlanda do norte.
como já tinha assistido ao filme e tinha mais o que fazer, não peguei o nome do estrupício autor da pérola.
16 março 2005
carl solomon - mais fragmentos de um fragmento
não vou ficar explicando quem foi o carl solomon, não. quem quiser, que procure no google.
mas nos anos 50/60, o caboclo já previa o que os modelos defendidos pela sociedade de consumo iam transformar pessoas em pacotes sem vontade própria, cevando medo fornecido pela indústria do infotenimento, através de 150 canais de nada via satélite.
antes, acreditava-se em progresso e evolução, hoje, ensina a besta do mercado, é cada um por si, e seu vizinho pode te apunhalar pelas costas. e não estou falando só dos estadozunidos, não. dóceis macaquinhos globalizados, como o resto do mundo, engolimos todos a mesma porcaria.
Já que nossa sociedade não existe mais, seria melhor nos comportarmos como ela, imitando uns aos outros. Aquele que não imita está perdido, aquele que está perdido não existe, porque estamos criando a ilusão de que existimos todos em uma espécie de espelho que reflete espelho continuamente. Naturalmente é bastante difícil respeitar uma sociedade que pretende que isso exista, ou respeitar-se se você é um membro ou um símbolo dela.
(...)
Quando você existe aos olhos dos que são dirigidos, sua existência é precária, especialmente quando você está nas ruas ou num hospício -- porque esses profissionais, em sua existência dirigida, em seus ternos de flanela cinza, procuram olhar só para eles mesmos, fingindo com que o delinqüente brincando com sua pistola caseira ou o árabe afagando seu punhal (eu poderia nomear outros, mas não o farei porque vocês já ouviram falar demais desses tipos) não existem, e eles não são certamente substitutos para o gênero executivo antiquado que podia prometer a lei e a ordem. Desse modo, você tem o retrato, uma sociedade que não sabe se defender de seus inimigos internos ou externos, encontrando uma solução temporária apenas no conformismo - não na religiosidade, mas no conformismo.
15 março 2005
dois fragmentos de um fragmento - carl solomon
..ou "como se sentir bem tendo apenas uns poucos tostões no bolso".
hoje me dei alta. dos remédios, do medo que trava as palavras e causa inércia, da pornografia de massa que narcotiza o pensamento e transforma homens em eunucos ansiosos. em breve procurarei reatar relações com algumas pessoas, tentar não emendar cacos, mas partir novamente do zero, agora que a cachola parece seguir bem. o inconsciente não é reprodução, é criação, disseram mais ou menos isso deleuze e guattari.
mentira. a verdade é que há semanas, muitas, as engrenagens fluem sem aditivos. mas só hoje me dei conta. o nazismo inventou que o trabalho liberta, o capitalismo comprou a idéia e a martelou tantas vezes que tornou-a verdade. mas não é nada disso, não; o que liberta é a disciplina. meu pai já sabia, e a pedra cantou quando me atingiu a cabeça com uma agenda. baby-steps, um dia de cada vez. cada marca, uma vitória.
então, hoje fui ajudar um amigo que está na foz do iguaçu. na rua, me assombrou o tamanho dos prédios, o calor do dia, mas olhava para tudo e tudo estava bom. na volta, encontrei numa banca "de repente, acidentes" (tradução esperta para perhaps, mishaps), do carl solomon. comprei e peguei um ônibus que fazia um trajeto mais longo, para curtir o ar-condicionado e o livro.
epifania de R$ 12,00. foi de lá que retirei os seguintes trechos sincrônicos:
Os dadaístas achavam que tinham algo a ver com o suicídio. Eu tenho mais a ver com o não-suicídio. Tente o não-suicídio. O grande lance aqui é quando alguém se suicida e você não. Eu tenho vários desses pequenos truques em casa. Como não-inadaptação, não-derrota, não-revolta, não-beatness, não-hipness.
....
Ninguém sabe sobre o que o outro está falando, e toda conversa, mesmo que seja sobre a guerra, é conduzida apenas pelo prazer da discussão. Discutir nos dá a impressão de que pelo menos a verdade, esta enguia escorregadia, é acessível á discussão e será a recompensa do argumentador mais forte. "Eu penso", "Você pensa"... Como se houvesse algo para pensar. Eu nunca vi um pensamento, nem livre nem censurado, e duvido que tal coisa exista. Mas eu vi corpos, de todas as formas e tamanhos, em todos os tipos de posições e apuros, e definiria então um pensamento livre como um corpo sentado em um banco de praça. Enquanto um pensamento censurado seria um corpo preso numa camisa-de-força.
11 março 2005
as pequenas coisas da vida
depois de meses, hoje instalamos telas de proteção em casa. a brisa noturna entrando pela janela do escritório, antes fechada quase o tempo todo, é um orgasmo. com duas gatinhas alopradas em casa, não podíamos facilitar. uma poderia querer brincar de super-homem, pular do quarto andar e acabar como uma versão quadrúpede do christopher reeve.
o modelo das janelas é bem antigo, de madeira, do tipo "guilhotina", dividida ao meio horizontalmente. na sala e no quarto, bastava abrir a folha de cima para ventilar. mas no escritório isso era impossível, porque a de cima não baixava. então, usar o computador era como fazer sauna com belzebu. agora tudo mudou. de noite, pelo menos, parece um ar-condicionado.
eu sabia que tinha razão...
Que raio de coisa é essa TV paga no Brasil? Algumas conversas com pessoas extremamente bem informadas da indústria me revelaram uma resposta simples e dolorosa: um universo de frustrações, conseqüência de um velho erro que pensei que jamais fosse se repetir, a noção de que “América Latina” é uma coisa só, com uma única mente, gostos e hábitos homogêneos.
A minha geração cresceu sob o medo de que o Brasil se tornasse um país de cultura traduzida, e que, depois de se livrar (será?) do risco da tradução do francês, sucumbisse à tradução do inglês ianque. Hoje, no entanto, vemos que esses medos não eram ambiciosos o bastante: estamos vivendo uma cultura traduzida do espanhol que por sua vez traduziu o inglês ianque. Uma tradução de terceira mão, que tal?
Com raríssimas exceções, os canais por assinatura entram aqui fechados, gerados de algum ponto extra-fronteiras, programados para uma “América Latina” que só existe nos power points de seus departamentos de marketing. Produzem pouco, mal, com recursos limitadíssimos, pequenos gestos que nem sonham em tirar uma lasquinha do monopólio vigente. Enquanto isso, fazem parcerias e produzem abundantemente em todo o resto do mundo civilizado.
trecho de artigo da ana maria bahiana, no comunique-se. achei que fosse coisa de crítico ranzinza esbarrando no anti-americanismo. ainda bem que não.
mas tá provado que a mentalidade corporativa é tacanha. não sei se apenas acima do rio bravo, ou, se, por ter sido nascido lá, esse modelo de burrice infecta todos os países.
09 março 2005
lágrimas de crocodilo safado
Hildebrando chora e se diz vítima de perseguição de procurador da República
deu no globo online.
diz a matéria, assinada por rodrigo rangel (será o rodrigão?) e demétrio weber:
Em seu depoimento, Hildebrando negou envolvimento com grupos de extermínio e disse que todas as acusações contra ele são resultado de perseguição do procurador da República Luiz Francisco de Souza e do ex-presidente do Tribunal de Justiça do Acre Jercino Alves da Silva Filho, hoje ouvidor agrário nacional.
- Eles promoveram uma verdadeira campanha publicitária para me caluniar e me difamar perante à opinião pública. Com isso criaram os fatos de que necessitavam para detonar a odiosa e infame perseguição contra mim e minha família - disse Hildebrando, que chegou a chorar durante o interrogatório, que começou por volta do meio-dia desta terça-feira e só deve terminar na sexta.
Ao revisar o teor de suas declarações durante o interrogatório e pedir alterações no texto, com as quais a juíza Maria de Fátima de Paula não concordou, Hildebrando protestou:
- Ah! Então é melhor mandar me matar, excelência!
O ex-deputado federal disse ainda que, se todos os políticos fossem como ele, o país estaria em melhores condições:
- Se todos os políticos fossem iguais a mim, o Brasil estaria melhor. Deveriam estar construindo escolas em vez de presídios - disse.
só não dou risada porque estou a ponto de vomitar sobre o teclado (obrigado, fausto wolff). talvez, ao contrário do pensa (?) o ex-deputado, seus colegas devem realmente ser como ele. depois da eleição de severino, está mais atual do que nunca o ditado candango "ou instala-se a moralidade, ou todos nos locupletamos".
não estará na hora de mudar a letra da canção para "300 hildebrandos com anel de doutor"?
06 março 2005
auto-crítica
pô, velhão, tu andas cheio de opiniões ultimamente, né não? fica falando de si o tempo todo, todo gabola, e cheio de erros de digitação.
eu, hein?
mas, como diria um amigo, "tá bom também".
02 março 2005
polícia para quem precisa
corroborando o que me disse o pimentel na entrevista aqui transcrita, agora que moro perto do batalhão da pm da são clemente, pude contar mais de 15 veículos totalmente esbudegados no pátio da corporação, entre viaturas e micro-ônibus. alguns completamente inutilizados.
tarrado do dudu
que, por sua vez, tarrou de outrem. difícil pacas de sintetizar.
Uma música que:
Me faz dançar: "Superstition" - Stevie Wonder
Me deixa pra cima: "Gotta get you offa my mind" - Solomon Burke
Me faz lembrar de um amigo(a): "Brimful of Asha" - Cornershop
Me faz lembrar de um amor : "Beatriz" - Chico e Edu Lobo, cantada pelo Milton
Me entristece: "O que me importa" - Tim Maia
Me alegra: "Watermelon man" - Mongo Santamaria
É muito sexy: o óbvio infalível, "Je t'aime" - Serge Gainsburg
Me faz sair da deprê: "On the sunny side of the street" pela Billie Holliday
Me faz pensar como o amor é: "Vida noturna" - Aldir Blanc e João Bosco
Me faz ter vontade de pular de paráquedas ou dirigir em alta velocidade: "Crosstown traffic" - Jimi Hendrix
Diz muito sobre mim (ou não): "Doces Olheiras" - Aldir Blanc e João Bosco, "Sometimes I'm happy" - Oscar Peterson
Escreveria: "Indigo" - Peter Gabriel
Pra cantar no karaokê: Nunca fui a um
Tocaria no meu casamento: "Minha teimosia, uma arma pra te conquistar" - Jorge Ben
Faz meus amigos lembrarem de mim: qualquer uma do Jorge Ben
Gostava, mas agora nem tanto: "The dark side of the moon", o disco
Não admito que gosto: Não tenho vergonha de admitir nada, até o Khaled eu assumo.
Me faz lembrar minha infância: "Kid Cavaquinho" - Aldir Blanc e João Bosco, cantada pela Maria Alcina
Parece com a minha adolescência: "I'm the walrus" - Beatles
Muitas pessoas gostam, mas eu não: Ivete Sãogalo e Adriana Paucanhoto
É melhor quando tocada no carro: "Minha fé" - Zeca Pagodinho
Pra me acordar de manhã cedo: "Satellite of love" - Lou Reed
Gosto, e meus pais também: Benito di Paula
Tocou em um dos meus filmes favoritos: "It's been a long time coming" - Otis Redding (Malcolm X) e "Kamata Mariyam" - Fairuz (Antes do anoitecer)
Me faz pensar na lua: "In the wee small hours of the morning" - Oscar Peterson
Me faz pensar no sol: "I can see clearly (Sunshine in day)" - Jimmy Cliff
Me faz pensar na noite: "Rhythm-a-ning" - Thelonious Monk
Me faz querer estar sozinho: "Irene" - Caetano Veloso, "You'll never walk alone" instrumental da Nina Simone.
Me faz sorrir: "Eu bebo sim" - Luiz Antonio e João do Violão, pela Elizeth
Me faz ter vontade de chorar: "La navidad de Luis" - Leon Gieco e "A day in the life" - Beatles
Não é do meu "tipo" mas eu gosto: Fala mansa
Posso cantar bem: Quase todas do Tim Maia e do Jorge Ben, e algum Dorival Caymmi
01 março 2005
minha origem não merece...
me dá uma vergonha, um troço ruim por dentro toda vez que eu escuto "cariocas", da adriana paucanhoto.
25 fevereiro 2005
quantos idiotas mesmo?
contando comigo, são seis bilhões e meio de pessoas no mundo. em 2050, segundo o le monde, serão NOVE bilhões. se já não estiver dando de comer para os vermes, estarei pedindo meu boné.
por isso faço um apelo sério: às vezes, é melhor o esforço de educar crianças que já existem do que botar novas no mundo. é mais barato, mais divertido, e não sacrifica tanto o planeta. por isso sempre fui favorável à adoção.
24 fevereiro 2005
gênios da publicidade (3)
não agüento mais ouvir everybody's talkin', do harry nilsson. é que uma operadora de celular está martelando a bela canção do filme midnight cowboy em sua nova campanha de mídia.
só o primeiro verso é cantado nos comerciais, mas o bucéfalo do marketing que deve ter achado que só ele a conhecia, porque o verso seguinte contradiz o anterior (everybody's talking at me/ I don't hear a word they're saying), e a mensagem da música toda, num sentido geral, fala sobre a incapacidade de comunicação. o efeito da publicidade, pelo menos para mim, é justamente esse. o tiro saiu pela culatra.
receita contra o mau-humor
tá com raiva? nervoso? jururu? com banzo? enfezado? deprimido?
se tiver orkut, entre aqui. passa rapidinho.
frases preconceituosas que me mataram de rir
"Ela é do tipo que só gosta desses mulatinhos fortes pagodeiros, que andam de óculos escuro na cabeça raspada."
"alexandre pires é um preto caladryl."
"como é que eu posso acreditar nessa ministra marina silva falando com voz de erê!"
23 fevereiro 2005
sólo le pido a dios
que não chegue o dia em que eu use esse espaço para comentar seriados americanos a sério.
A Caixa-preta da Polícia Militar
esse foi o título de um dos meus maiores orgulhos na vida. eu e minha amiga bella carter (que por razões profissionais tem que usar esse pseudônimo) entrevistamos o ex-capitão do bope rodrigo pimentel para o exemplar de setembro de 2001 da revista geração (pouco antes dos aviões do bin laden). ele descasca a política de segurança do então governador garotinho. analisem e vejam o que mudou.
o que me deixou prosa mesmo foi saber, pela chefe de reportagem da revista (cujo irmão trabalhava no gabinete de um deputado aliado), que o garotinho leu e ficou puto. depois, esse irmão ensaiou me chamar, numa boa, para trabalhar com o tal parlamentar, mas desconversei, e não rolou.
ei-la:
A Caixa-preta da Polícia Militar
Ex-capitão expõe como a política de segurança do estado contribui para a violência
Rodrigo Pimentel seria como qualquer outro garotão da Zona Sul do Rio, a não ser por um detalhe: os doze anos em que integrou a elite da Polícia Militar, servindo no BOPE (Batalhão de Operações Especiais). Depois de sofrer represálias e prisões que começaram com a sua participação no documentário "Notícias de uma guerra particular", de João Moreira Salles, o capitão Pimentel pediu baixa da PM em abril desse ano. Aos 30 anos, mesmo tendo aposentado a farda, ele não entrega suas armas, mantendo a postura crítica em relação à política de segurança do estado. Pimentel falou à Geração sobre a banda podre da polícia, liberação de drogas, e apresentou soluções para uma cidade mais tranqüila.
Sua participação no documentário "Notícias de uma guerra particular", de João Moreira Salles,foi muito criticada.
Eu fui escalado para acompanhar o João dentro do BOPE, para não deixá-lo muito à vontade dentro do batalhão. Depois de um dia inteiro de filmagens eu falei: "João, tudo o que você viu aqui é uma grande mentira, nada funciona do jeito que você está vendo. A política de segurança pública se resume a operara em favelas. Em matar, matar, matar. Em morrer, morrer, morrer". Quando o general Nilton Cerqueira assumiu a Secretaria Estadual de Segurança Pública (no governo Marcello Alencar), instituiu uma política de confronto que foi de um descontrole total. A prioridade eram as operações em favelas para prender e matar marginais, e apreender armas e drogas. Nós ficamos quatro anos morrendo como nunca morremos, e matando como nunca matamos. Chegamos a ter dois policiais baleados por dia, e um morto a cada dois. Os índices de segurança permaneceram os mesmos e a população continuou a se sentir insegura.
E quando você teve consciência disso?
Eu sempre comentava com meu pai, que era militar, o resultado de nossas operações. "Essa semana matamos cinco, seis marginais..." Foi quando ele disse: "Filho, eu sou da classe média. Não estou preocupado que você vá à favela e mate seis ou sete. Estou preocupado é em caminhar na praia com a sua mãe e ver policiais na rua". Foi aí que vi que estávamos distantes dos anseios da população. Até quando morre um traficante no morro do Alemão, aquilo não diz nada aos moradores. O que eles gostariam é de acordar e ver a polícia trazendo mais tranqüilidade para a comunidade.
Então, qual seria o caminho para a Polícia Militar, hoje?
É fazer exatamente o que a população espera dela. Dar segurança. Se a polícia ouvir mais a sociedade, vai saber o que ela quer. A sociedade não quer uma polícia fazendo operação em favela toda noite. Ela quer uma polícia lá, constantemente.
As "blitzes" dariam esta segurança?
Não. A maioria das pessoas tem medo da blitz. Primeiro, porque elas são facilitadoras da corrupção. O policial que está fazendo a blitz não está devidamente orientado, fica apontando o fuzil quando não deveria apontar. E quando tem apenas um carro, a gente já sabe que é coisa armada. Então, a blitz já deixou de dar segurança. Hoje ela causa desconforto.
Existe algum tipo de controle sobre o que a polícia está fazendo nas ruas?
Não existe nenhum mecanismo de fiscalização. O policial faz o que quiser na rua. Todas as denúncias recentes envolvendo violência ou corrupção policial são feitas pela imprensa, pela população ou pelos próprios traficantes. Nenhuma pela corregedoria da PM. Aí você vê o quanto nossos mecanismos são frágeis. Não tem fiscalização, não tem supervisão. Se a Polícia Militar fosse uma empresa, certamente estaria sofrendo uma auditoria.
Isso não acaba influenciando na questão da honestidade?
A falta de honestidade está diretamente ligada à questão dos baixos salários. Não que um salário alto vá acabar com a corrupção, mas vai acabar com os R$ 20,00 da "cervejinha". Porque hoje, a "cervejinha é a cesta básica, o leite em pó do filho. Se você tivesse um salário de R$ 1500,00, atrairia pessoas da classe média que utilizariam a polícia como uma ponte para outras carreiras. Seriam pessoas mais cultas, menos preconceituosas.
Falta instrução para a PM?
Nunca foi tão fácil entrar para a Polícia. Hoje são admitidos quatro mil policiais por ano. As turmas com o maior nível de escolaridade foram também as de maior evasão. Porque são mais questionadores, se decepcionam rápido. Hoje, o cara já faz o segundo grau pensando em ser PM. Só que não é o segundo grau de 10 anos atrás, é um nível muito mais baixo. E o curso de formação na academia de polícia só dura 90 dias. A PM vai dizer que são seis meses, só que são 90 dias na Academia e o resto é estágio, na rua. Ninguém consegue moldar ninguém nesse tempo.
Quem quer ser policial hoje em dia?
A pessoa que não conseguiu ser trocador de ônibus. O salário é o mesmo e o risco é menor.
Dá para fazer um raio-x da PM hoje?
A Polícia Militar hoje é uma caixa-preta. Ninguém sabe o que acontece lá dentro. Se você ligar para pedir uma estatística de homicídios, você não vai ter.
Mas os números são publicados mensalmente no Diário Oficial.
Os índices da secretaria de Segurança Pública são manipulados. Por exemplo, a Secretaria divulga que acabou com os seqüestros no estado. Mas isso não quer dizer que a polícia esteja mais eficaz. Os seqüestros acabaram porque essa modalidade de crime estava ficando perigosa. E quem era seqüestrador passou a fazer roubo de carga.
A "banda podre" da polícia existe?
Existe.
Mas banda é metade...
Mas eu acho que é a metade. A banda podre existe, sim, mas não é uma organização, tipo "Banda Podre S.A.". Eu prefiro um policial que passa o ano sem prender ninguém, mas que seja decente, honesto, do que um policial bandido que prende dez. Esses caras vão até prender um traficante, mas antes vão "mineirar" (extorquir, na gíria policial) muita gente.
Recentemente, alguns policiais que fazem parte da Força-Tarefa (grupo criado para combater o crime organizado) foram acusados de participar de uma tentativa de seqüestro seguida de extorsão. O que você achou disso?
Isso me deixa chocado. A Força-Tarefa é subordinada ao gabinete do Secretário de Segurança (Josias Quintal, secretário no governo Garotinho, hoje deputado federal pelo PMDB). Pelo menos ali tinha que ter policiais de elite.
O que diferencia um policial comum de um que integra grupos especiais como o BOPE?
Teoricamente, o policial do BOPE era para ter mais treinamento que qualquer outro policial normal. Mas como o BOPE cresceu muito, esse treinamento deixou de existir, e o policial está cada vez mais próximo ao de uma unidade comum. Antes, o policial passava por um cursoonde dava, pelo menos, uns 1500 tiros.
O que você acha dos batalhões especiais?
Se você precisa criar batalhões especiais, é porque alguma coisa não está bem. É o sinal de que o batalhão da área não está trabalhando bem. O GETAM (Grupamento Especial Tático Móvel, criado em 1999 para fazer o policiamento das áreas de alto índice de criminalidade), por exemplo, foi criado para atender a situações emergenciais. Só que se o batalhão da área atendesse à necessidades, você não precisaria do GETAM ali.
Como você avalia o trabalho do GETAM?
O GETAM é uma forma burra de policiamento.
Por que?
Porque engana muito a população. É bom ter dez policiais passando em três carros e depois não passar mais ninguém? Se você dividisse esses homens, ganharia dez ruas com policiamento. Então, essa é uma forma ineficaz de policiamento, que não está presente, que passa e vai embora. Seria melhor diluir esses policiais e ter sempre alguém passando.
Mas isso não funcionaria em toda a cidade...
Não. Há lugares, como a área da [estação de trens] Leopoldina, o buraco Quente da Mangueira, em que você precisa de um policiamento mais forte. Tirando a Zona Sul e o Centro da cidade, a situação do rio hoje é muito perigosa. Não daria para deixar um policial sozinho numa viatura à noite.
Qual seria o lugar mais seguro e o mais perigoso do Rio?
Com certeza os mais seguros são a orla de Copacabana e aLagoa Rodrigo de Freitas. Existe muito policiamento ali. Mas veja bem, só a orla. Se você andar uma rua para dentro, não vê mais ninguém. De perigoso, eu diria que é toda a zona da Leopoldina, Penha, Bonsucesso. O grande Méier, também. Tem muita favela ali, eles fazem muito "bonde" por ali.
Como é que agem os "bondes"?
O objetivo dos bondes é levar armas, drogas e efetivos de uma favela para outra. E se o bonde cruzar com um carro veloz, de quatro portas, ele vai querer levar esse carro. É um roubo com muita violência. Eles querem o seu carro rápido, e estão drogados, nervosos. É bem diferente de um roubo comum.
A secretaria de Segurança gosta muito de anunciar os "inimigos-públicos-número-um". Existe isso mesmo?
Isso é uma mentira. Na primeira vez em que o Marcinho VP foi preso, ele tinha se tornado o inimigo número um por ter dado uma entrevista autorizando o Spike Lee a gravar um clipe [do cantor Michael Jackson] no morro Dona Marta. Aliás, ele foi preso pelo meu batalhão e eu estava de serviço no dia. Ele ofereceu R$ 30 mil para ser solto. Eles simularam que queriam o dinheiro, mas ele não pagou. Não pagou porque não tinha, disse que já tinha sido "mineirado" naquele mês. Que inimigo público número um é esse, que não tem R$ 30 mil para dar pela sua liberdade?
Isso então é um charme da secretaria de Segurança?
É E posso até dizer que o [Fernandinho] Beira-Mar não é tudo isso que dizem.ela não é mais que um varejista de drogas, já passou para um nível intermediário, como o Uê, o Orlando Jogador, o Escadinha [todos líderes de facções do tráfico em diferente épocas, já mortos]. Mas até 1994, só quem tinha servido em Caxias sabia quem era o Beira-Mar. Em 97, conversei com um delegado da Polícia Federal responsável pela Divisão de Entorpecentes e ele não sabia quem era o beira-Mar. Em quatro anos ele ganhou notoriedade, mas não é nenhum Scarface.
Qual foi o maior mico da polícia do Rio?
Sem dúvida o episódio do 174. Ele chocou a população mais do que [os massacres de] Vigário Geral e Candelária. Nesse dois casos foram maus policiais, policiais bandidos que tomaram a iniciativa. O 174 foi uma ação oficial. O que me impressione é que aquilo estava previsto. A única mágoa que eu tenho do tenente-coronel Penteado (José Oliveira Penteado, então comandante do BOPE) é que ele nunca recusou uma missão. Sabia das nossas dificuldades, mas tudo o que mandavam, ele fazia. Isso jogava a nossa eficiência lá embaixo. O Marcelo Santos, policial que errou o tiro, é um ótimo atirador, mas estava cansado. Aliás, estou produzindo um filme com o José Padilha (diretor de "Os carvoeiros", premiado no Sundance Festival) chamado "O outro dia de cão", contando justamente o episódio do 174 [posteriormente, o filme acabou se chamando apenas "Ônibus 174"]. Queremos lançar o filme em junho do próximo ano, perto de completar dois anos da tragédia.
De lá para cá, alguma coisa mudou?
Nada. É uma pena que a morte da Geísa Gonçalves (refém que acabou morrendo no episódio) não tenha servido para nada.a instrução ainda é insuficiente, e o armamento e os equipamentos prometidos na época, até hoje não chegaram.
Você é a favor da legalização das drogas?
Sou. O que já vi de viciado morrer em favela, só para comprar droga, é impressionante. E são pessoas comuns, profissionais liberais, que correm risco à toa. Além disso, o tráfico é o grande facilitador da corrupção policial. A gente tem que parar com essa hipocrisia e repensar esse modelo. Dois terços da população carcerária do Rio são de presos por crimes relacionados ao narcotráfico. Então, com a liberação iria haver também uma redução da população carcerária, o que seria ótimo. O único problema é que haveria um aumento de outras atividades criminosas. Hoje em dia, o cara não assalta banco porque é mais seguro vender cocaína. Mas haveria menos corrupção.
Por que você pediu baixa da corporação?
Eu gostaria de ficar na corporação até o fim da minha vida, como coronel. Mas decidi sair em função da perseguição. Fui preso uma cacetada de vezes por estar pedindo uma polícia melhor. Da penúltima vez, fui preso porque a gente estava recebendo soldados que formaram sem dar um único tiro. É como formar um cirurgião que nunca operou ninguém. O instrumento de trabalho de um policial é a arma. A minha última prisão foi revogada por um juiz que entendeu que o que eu falava era de interesse público. A segurança é pública, pertence à sociedade. Então, porque eu não posso dizer que o governo está comprando essas Blazers, mas não está comprando pneus? Elas estão baixando no batalhão por falta de pneus. Nós ficamos dois anos sem termos baterias. Você chegava no pátio do batalhão e via um monte de carros parados, porque eles não compravam baterias, compravam mais carros.
Você se arrependeu?
Eu acho que tenho que falar muito mais. Essa catarse é importante para quem tenha saído da polícia. Tem muita gente que pensa como eu lá dentro, mas que não fala porque não tem coragem, porque sabe que vai preso. Gente que sabe que a polícia hoje não está bem. Até o Comandante-Geral da PM, coronel Wilton Ribeiro, sabe disso. Ele falou dia desses numa reunião que o padrão de qualidade está caindo, mas que a ordem do governador é contratar o maior número de policiais, mesmo que isso reduza a qualidade.
desabafo na nuca
tô de saco cheio de arrastar esqueletos de histórias mal-resolvidas, de saco cheio de me acovardar, de andar com medo de ser apontado por conta de algum equívoco que ficou mal-esclarecido. vontade de dizer um caralho! puta que o pariu!, mas acho que não pega bem. enfim, é isso mesmo: tem que meter as caras, parceiro! vai tentando remendar as pontas das merdas passadas com ações profiláticas agora. não dá é para bancar a carolina e ficar vendo o tempo passar na janela. o mundo corre, os afetos tão comendo solto, e tem uma porção de coisas a conquistar.
como dizia a velha canção composta por joão e por mim numa longíqua noite de substâncias estupefaciantes, "veja que isso é passado/ veja/ deixa o medo de lado/ enfrenta/ veja, faz tanto tempo".
mas lembre-se: nem só de flauta vive o homem. é preciso empenho e atenção ao processo.
boa sorte para mim mesmo.
22 fevereiro 2005
minuto de silêncio
foi o dude quem me cantou a pedra, via msn: hunter s. thompson, ou raoul duke, morreu na noite do dia 20 (no mesmo dia morria a virginal atriz sandra dee. talvez haja algum tipo de ironia divina nisso, mas, sinceramente, o sentido me escapa). meteu um balaço nos cornos. como hemingway. como maiakovski. pai do jornalismo-gonzo (segundo o próprio thompson, o termo significa "com total comprometimento, total concentração, e uma petulância meio louca"), por baixo da capa de doidão bizarro, o cara era um puta texto. seu livro sobre os hell's angels, de 1967, que agora saiu em português, é uma aula de jornalismo investigativo, sem ser arrogante ou presunçoso.
esse blog está de luto, em homenagem ao jornalista que todos os coleguinhas gostariam de ser.
leiam as notícias abaixo (todas com quase o mesmo lead, reparem):
san francisco chronicle
the guardian
abc news
aspen times
cnn news
blog dvorak uncensored (dia 21/02)
em português:
terra
sobre os livros:
observatório da imprensa
sobrecarga
texto do caboclo:
scream & yell
por enquanto é isso aí, pe-pe-pessoal!
21 fevereiro 2005
desabafo
assistir pela segunda vez o informante reforçou meu comprometimento com a realização da justiça maior, benção e maldição apontada a mim por meu pai xangô (caô cabecile!).
por isso me tornei jornalista; por isso pretendo fazer com que paguem os que tiraram proveito das minhas melhores capacidades, submetendo-me as piores humilhações e à degradação de meu corpo e espírito nos últimos sete meses.
por isso sou contra um sistema cuja principal característica é a exploração do homem pelo homem; por isso tenho como missão maior abrir os olhos dos quem me cercam, para que vejam como somos silenciosamente conduzidos ao moedor que cria monstruosidades a partir dos nossos sonhos. e para que, cada vez menos pessoas sejam vítimas do mesmo conto do vigário em que caí.
podem dizer que estou impregnado de messianismo demagógico, mas foi sobre esse emaranhado torto que construí minha razão de viver. e é a partir dele que construirei as ferramentas que me levarão à redenção, o que quer que isso signifique.
não tenho mais tempo a perder.
19 fevereiro 2005
dedução lógica
Muito já foi dito sobre a responsabilidade do PT e do governo Lula na eleição de Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara. Soberba, incompetência, teimosia, teve de tudo nessa novela com final imprevisto.
Falta registrar apropriadamente a responsabilidade dos cardeais da oposição na eleição desse rei do baixo clero. Que argumentos terão os luminares do PSDB e do PFL para terem votado em Severino?
Será que vale o preço de ter eleito um político como ele para o cargo de presidente da Câmara. A política se resume a esse olho por olho, dente por dente?
Quem são, afinal, os 300 Severinos?
retirado do post de quinta-feira, 17/02 do markun, que por sinal, continua matando a pau.
17 fevereiro 2005
phoder não é para todos
se fosse ser mais objetivo, diria que não é para ninguém; mas certamente uns estão muito menos preparados para recebê-lo do que outros. vide o caso do novo presidente da câmara, severino cavalcanti (quem?), do pp.
o pernambucano, representante do "baixo-clero" da casa, mal esquentou a cadeira e já disparou pérolas de fazer o macaco tião tomar guaraná com formicida: propõe, como plataforma, o aumento do salário dos confrades de 12 para 21 mil estalecas (igualando-o ao de ministro de estado); desaprova a redução do receso parlamentar de 90 para 30 dias; é contra o aborto (inclusive para vítimas de estupro com b.o. lavrado) e a união legal entre homossexuais; e, para coroar, sugere aumentar para seis anos, sem reeleição, o mandato do presidente, a quem se referiu como "dutra". pergunta: essa múmia consegue encontrar o próprio traseiro numa sala mal iluminada?
dessa vez, a oposição na câmara mordeu o próprio rabo. severino cavalcanti é a prova viva do retrocesso e do phoder corporativista do legislativo, e, pelo andar da carruagem, vai conquistar a antipatia da população em pouquísimo tempo. para mais informações sobre o caboclo, procurem o post de 15 de fevereiro do paulo markun, "os trezentos de severino".
até quando a gente vai deixar esses palhaços terem controle sobre nossa vida?
16 fevereiro 2005
preste atenção em quem te sacaneia...
qual não foi minha surpresa, ao tomar conhecimento da aprovação da medida que isenta a cobrança de estacionamento em shoppings, da astúcia do nobre deputado noel de carvalho, líder do garotinho na alerj:
As emendas apresentadas ao projeto foram de Flávio Bolsonaro (PP) que aumentou de 20 para 30 minutos o tempo de tolerância nos shoppings sem pagar estacionamento. A outra, apresentada por Noel de Carvalho (PMDB), retiraria do texto a obrigatoriedade dos shoppings exibirem cartazes informando do benefício, mas foi rejeitada.
a maioria de seus colegas era favorável à medida, que também teve apoio da associação comercial do rio de janeiro, e da associação de lojistas de shopping do estado, noel tentava beneficiar o lobby dos shoppings, levando cidadãos como eu e você à desinformação e ao prejuízo.
já sofri o desprazer de um contato indireto com esse senhor, e não poderia esperar outra atitude. não foi por acaso que, em 2003, ele foi acusado de manter trabalho escravo em uma de suas propriedades. retrato da corriola política que cerra fileiras com o casalzinho que se apossou do estado.
Casal Garotinho vai processar ator da Globo
15/02/2005 - 20h57m
Carla Rocha - O Globo
RIO - A governadora Rosinha Matheus e seu marido, secretário de Governo do Rio, Anthony Garotinho, decidiram processar o ator Eduardo Moscovis que teria dito, numa entrevista à Revista Veja, que se inspirou no casal para compor o personagem Reginaldo, o prefeito corrupto da fictícia Vila São Miguel, da novela Senhora do Destino, da TV Globo. O casal Garotinho já contratou o advogado Sérgio Mazzillo para processar Moscovis por calúnia e difamação.
se esses zinhos estivessem empenhados em governar, em vez de tentar criar uma imagem de oposição ao governo federal, com prejuízo para população carioca e do estado, isso provavelmente não teria acontecido. ora, vão trabalhar, vagabundos!
15 fevereiro 2005
conselho para a (morto) vivo
não adianta patrocinar mil eventos culturais, se a prestação do serviço continua sendo tratado como acessório.
a propósito, dessa operadora eu poso falar mal de carteirinha: deixei-a depois de ter meu saco esmigalhado pelo mau atendimento, pelo descaso com os clientes, e pelas tarifas extorsivas e nebulosas.
vivo, nem morto!
09 fevereiro 2005
malcolm x e a revolução negra
desde que vi o filme malcolm x, do spike lee, a figura do ativista negro me intrigou -- pela militância pelos direitos humanos dos irmãos de cor, e pelo fato de ser muçulmano. recentemente, em viagem de trabalho aos estadozunidos, comprei sua autobiografia, ditada ao jornalista alex haley, autor de um livro sobre suas origens africanas, raízes. é esse mesmo que você pensou, o que depois virou minissérie.
o pau comeu solto aqui em casa, porque sou totalmente favorável à política de fazer pressão, mesmo que isso implique em uso de violência (o que não foi o caso, nem aqui, nem com o malcolm x), e a tati, não. o negócio dela é martin luther king. sou um tipo irascível, que acredita que só se consegue peitar o poder pela força. um dia levarei isso para as minhas resoluções pessoais e profissionais, mas isso é outra história.
enfim, o fato é que, depois do livro, saí em busca de mais informações sobre "al-hajj malik al-shabazz", como o malcolm x se auto-intitulou depois da viagem à meca (a tradução do nome seria algo como "peregrino do senhor da terra sagrada").
uma das coisas que achei foi a canção niggers are afraid of revolution, do grupo "the last poets", cuja letra, um rap dos anos 70, com inserções de discurso do líder negro, reproduzo abaixo (é grande, mas foda-se, tomei algumas, e o que importa é o que importa):
Revolution - The Last Poets
Niggers are scared of revolution
But niggers shouldn't be scared of revolution
Because revolution is nothing but change
And all niggers do is change
Niggers come in from work and change into pimping clothes and hit the streets to make some quick change
Niggers change their hair from black to red to blond and hope like hell their looks will change
Nigger kill other niggers
Just because one didn't receive the correct change
Niggers change from men to women, from women to men Niggers change, change, change
You hear niggers say 'Things are changing? Things are changing?'
Yeah, things are changing
Niggers change into 'Black' nigger things
Black nigger things that go through all kinds of changes
The change in the day that makes them rant and rave Black Power! Black Power!
And the change that comes over them at night, as they sigh and moan: White thighs, ooh, white thighs
Niggers always goin' through bullshit change
But when it comes for real change,
Niggers are scared of revolution
Niggers are actors, niggers are actors
Niggers act like they are in a hurry to catch the first act of the 'Great White Hope'
Niggers try to act like Malcolm
And when the white man doesn't react toward them like he did Malcolm
Niggers want to act violently
Niggers act so coooool and slick causing white people to say: What makes you niggers act like that?
Niggers act like you ain't never seen nobody act before
But when it comes to acting out revolution Niggers say: 'I can't dig them actions!'
Niggers are scared of revolution
Niggers are very untogether people
Niggers talk about getting high and riding around in 'els'
Niggers should get high and ride to hell
Niggers talk about pimping
Pimping that, pimping what
Pimping yours, pimping mine
Just to be pimping, is a helluva line
Niggers are very untogether people
Niggers talk about the mind
Talk about: My mind is stronger than yours "I got that bitch's mind uptight!"
Niggers don't know a damn thing about the mind
Or they'd be right Niggers are scared of revolution
Niggers fuck. Niggers fuck, fuck, fuck
Niggers love the word fuck
They think it's so fuckin' cute
They fuck you around
The first thing they say when they're mad: 'Fuck it'
You play a little too much with them
They say 'Fuck you'
When it's time to TCB,
Niggers are somewhere fucking
Try to be nice to them, they fuck over you
Niggers don't realize while they doin' all this fucking
They're getting fucked around
And when they do realize it's too late
So niggers just get fucked up
Niggers talk about fucking
Fuckin' that, fuckin' this, fuckin' yours, fuckin' my sis
Not knowing what they're fucking for
They ain't fucking for love and appreciation
Just fucking to be fucking.
Niggers fuck white thighs, black thighs, yellow thighs, brown thighs
Niggers fuck ankles when they run out of thighs
Niggers fuck Sally, Linda, and Sue
And if you don't watch out Niggers will fuck you!
Niggers would fuck 'Fuck' if it could be fucked
But when it comes to fucking for revolutionary causes
Niggers say 'Fuck revolution!'
Niggers are scared of revolution
Niggers are players, niggers are players, are players
Niggers play football, baseball and basketball while the white man cuttin' off their balls
When the nigger's play ain't tight enough to play with some black thighs,
Niggers play with white thighs to see if they still have some play left
And when there ain't no white thighs to play with
Niggers play with themselves
Niggers tell you they're ready to be liberated
But when you say 'Let's go take our liberation'
Niggers reply: 'I was just playin'
Niggers are playing with revolution and losing
Niggers are scared of revolution
Niggers do a lot of shootin'
Niggers do a lot of shootin'
Niggers shoot off at the mouth
Niggers shoot pool, niggers shoot craps
Niggers cut around the corner and shoot down the street
Niggers shoot sharp glances at white women
Niggers shoot dope into their arm
Niggers shoot guns and rifles on New Year's Eve
A new year that is coming in
The white police will do more shooting at them
Where are niggers when the revolution needs some shots!?
Yeah, you know.
Niggers are somewhere shootin' the shit
Niggers are scared of revolution
Niggers are lovers, niggers are lovers are lovers
Niggers love to see Clark Gable make love to Marilyn Monroe
Niggers love to see Tarzan fuck all the natives
Niggers love to hear the Lone Ranger yell "Heigh Ho Silver!"
Niggers love commercials, niggers love commercials
Oh how niggers love commercials: "You can take niggers out of the country, but you can't take the country out of niggers"
Niggers are lovers, are lovers, are lovers
Niggers loved to hear Malcolm rap
But they didn't love Malcolm
Niggers love everything but themselves
But I'm a lover too, yes I'm a lover too I love niggers, I love niggers, I love niggers
Because niggers are me
And I should only love that which is me I love to see niggers go through changes
Love to see niggers act
Love to see niggers make them plays and shoot the shit
But there is one thing about niggers I do not love
Niggers are scared of revolution
05 fevereiro 2005
na mira
também tô baixando outro filme da diretora egípcia jehane noujaim (ver bostejo abaixo). é startup.com, documentário de 1999, sobre a famosa "bolha" da internet. a história é contada a partir de dois moleques que criam uma pontocom, que acaba por encarnar essa excrescência econômica em todas as suas fases -- começo mambembe, lucros exorbitantes sem razão de ser, e finalmente, estouro depois de um ano.
para quem estava lidando com algo parecido na época, a coisa promete. veremos.
mídia de guerra
acabei de assistir ao documentário control room, da cineasta egípcia jehane noujaim, sobre a cobertura da guerra do iraque pela rede de tevê al jazeera, do qatar.
trata-se de um importante registro sobre os bastidores de uma cobertura jornalística, sobre manipulação, propaganda (no sentido goebblesiano do termo) e objetividade. o período abordado vai desde os primeiros momentos da invasão até a tomada de bagdá. é interessante ver a primeira emissora independente do oriente médio espremida entre dois fogos, estadozunidense e iraquiano, acusada de parcialidade; e como, em retaliação, as forças do wc bullsh bombardeiam o escritório da emissora na capital iraquiana -- matando o correspondente tarik ayyoub -- e mais outras duas emissoras de tv.
na verdade, a má vontade de bullsh com a al-jazeera não é nova, tendo-se em vista que suas forças militares já haviam feito o mesmo no afeganistão. um trecho da notícia copiada do the guardian (o resto tá aqui):
The antagonism between Washington and Al-Jazeera goes back to the 2001 bombing of Afghanistan when, after the station showed a tape of Osama bin Laden, a US cruise missile hit the Kabul bureau. Then in April, after beaming pictures of Iraqi civilians mutilated by US air raids and tape of American prisoners in Iraqi hands, a US jet targeted the Baghdad bureau, killing a reporter. Al-Jazeera had earlier given the co-ordinates of the offices to the Pentagon to prevent any accidental bombing.
ah, só como curiosidade: apesar de ter papado um monte de prêmios, o filme não foi selecionado para o oscar. um doce para quem adivinhar o motivo... espero que não demore muito a estrear aqui.
02 fevereiro 2005
gênios da publicidade 2
dando segmento ao bostejo anterior, pergunto quem é mais beócio: o marketeiro que cria um slogan para café que diz "faça com amor, faça pimpinela", ou o cliente que o aprova?
UPDATE:
não é "faça com amor...", é pior: "faça bonito, faça pimpinela".
isso não pode ser sério...
01 fevereiro 2005
coisa de viado (gênios da publicidade)
o único seriado que eu assisto é csi (tenho um tesão declarado pela jorja fox, da versão "las vegas"). monk também é legal, mas nunca acerto o horário. enfim, o mesmo canal apresenta outro programa, que se passa nos cassinos da cidade. reparei que, no comercial deste, entre cenas de dados e roletas, aparecem uns maços de dinheiro, seguidos de legendas como "grana", "bufunfa" e "aqüé". o último nome me deixou intrigado, e fui procurar respostas com a mãe das inutilidades -- a internet. eis que descobri a palavra é de uso corrente no mundo gay. pesquisas com outras fonte me levaram à conclusões mais conclusivas: o jargão é de travestis.
acredito que o gênio paulista do marketing que bolou esse comercial deva estar bem familiarizado com a classe, para manjar do "bajubá". ou seja, ele provavelmente deve ser uma "kika" "encubada" acostumada a "morder fronha". mêda!
31 janeiro 2005
email para marilene felinto
marcelo to marilenefelinto
assunto: mais sobre a cerveja
Olá, Marilene
Sou "coleguinha" e seu leitor há algum tempo, não tão assíduo quanto gostaria, mas sempre que posso, saboreio seus artigos. Mais uma vez, não me decepcionei com o "Barriga de cerveja" (não deu para puxar o link), publicado na CA do Olivetto. Outro gol de placa. Só faltou se ater ao eufemismo publicitário do "aprecie com moderação". É uma bela manobra para disfarçar o imperativo "beba", semanticamente associado com vício, desvio. Dizer que alguém "bebe", teve sempre uma conotação depreciativa ou reprovadora. O "aprecie" tenta nos fazer esquecer que o que se está fazendo ao consumir cerveja é beber mesmo.
À nossa! Abraço,
Marcelo.