19 junho 2007

no meio do caminho tinha uma pedra do reino

sou fã do ariano suassuna desde os 14 anos, quando, ainda aluno do colégio militar, fui obrigado a ler o auto da compadecida. outro dia, uma amiga até apontou a ironia do fato: uma instituição que prima pela seriedade marcial incluir em seu conteúdo programático uma obra tão irreverente.

talvez eles estivessem vendo adiante, porque além deste livro e dos já manjados machados (dom casmurro, o alienista e quincas borba), tive contato com o socialismo cristão de érico veríssimo (olhai os lírios do campo), o naturalismo contundente de aluízio azevedo (o cortiço), além de um volume de contos de diversos autores, que incluía, entre outros, mario de andrade (o peru de natal) e aníbal machado (a morte da porta-estandarte).

voltando ao mestre ariano, seu livro em nada me atraiu: a capa não denunciava nada de seu conteúdo, e a palavra "auto" não fazia parte do meu repertório lingüístico. compadecida eu até sabia o que era, mas esse diabo de "auto" era fogo. e tudo era estranho: a linguagem, os personagens ("chicó"?! porque não "chico"?!) e as situações (enterro de cachorro?!). acho que só fui entender a ironia quando fui fisgado pelo episódio do gato que descome dinheiro. a partir dali, nascia para mim um clássico absoluto.

de lá para cá, minha admiração pelo autor só aumentou. devorei e assisti a várias montagens desse e de outros títulos, e até consegui trocar duas palavras com o autor ao praticamente esbarrar com ele numa bienal de são paulo ("a mim me impressionou muito a obra de klee. e pode botar aí que gostei muito da tauromaquia do picasso", disse o mestre a um assombrado marcelo, então estudante de jornalismo que cobria a exposição para um jornal comunista). o auge foi a leitura d'o romance da pedra do reino, numa edição encontrada num sebo do catete, depois de muita sola de sapato gasta. já reli o tijolo uma vez, e pretendo repetir a dose em breve.

por isso, esperei com muita ansiedade e expectativa a transposição para a telinha da história de dom pedro dinis quaderna, o decifrador. na noite de estréia, me reuni a um grupo de pessoas na casa de uma amiga arianófila. estava ciente de que luis fernando carvalho não é guel arraes. enquanto este consegue um equilíbrio perfeito entre obra comercial e artística, o primeiro tem lá seus fumos autorais. à parte isso, considero lavoura arcaica uma pequena jóia do cinema de todos os tempos.

mas na minha humilde opinião, na pedra... ele errou a mão feio. muitas informações visuais e sonoras ao mesmo tempo, com um monte de close-ups que acabavam prejudicando o trabalho de corpo dos atores, cenários e figurinos, além do excesso de cortes "videoclípicos", que deixavam a continuidade narrativa muito quebrada. a história, que já não é muito acessível, foi muito prejudicada, e deve ter assustado muita gente à espera das estripulias de um outro joão grilo.

o resultado me deixou tão decepcionado que nem tive ânimo de ver os outros dias. mas não fui só eu. na coluna do ancelmo gois (a quem tarso de castro acusou de ser "analfabeto até no nome"), leio que o gravador j. borges faz coro comigo. reproduzo a nota:

Enviado por Ancelmo Gois - 16.6.2007| 20h17m

Ariano Suassuna

J. Borges: Pedra do Reino não tem nada de Nordeste

O xilógrafo J. Borges, considerado o melhor do Nordeste, na opinião do amigo Ariano Suassuna, não viu e não gostou da versão televisiva de "A Pedro do Reino":

- Vi apenas o comercial porque o programa passa muito tarde. Mas ouvi vários comentários. Eles fizeram uma coisa que nem parece ter sido feita no Nordeste. Parecem umas figuras romanas. Muito esquisito, muito feio. Aquilo não tem nada do Nordeste. O povo aqui está dizendo que não se encaixa bem com o livro.

18 junho 2007

balada para seu geraldo

rapaz, tenho andado numa preguiça monstruosa.

desconfio que a razão tenha sido o abandono temporário da ioga, fruto de uma súbita e inesperada falta de grana, que me levou à alguma descompensação físico-química.

é bem verdade que o computador queimado também pode ter colaborado, já que, como "webdependente", sem acesso à rede eu não acho nada engraçado, macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco...

ainda teve um caso que mexeu comigo. no dia do meu aniversário, um camarada do trabalho me mostrou um site de biorritmo, apresentado como exemplo numa apostila do curso de java que ele está fazendo.

na maior boa-intenção, o caboclo digitou minha data de nascimento e voilá!, o resultado pelos quinze dias seguintes era uma curva descendente até o zero nos quesitos saúde e grana.

dei uma risada cética, mas batata! dali a dois dias perdi meu cartão de débito do banco, e estou até hoje num "gripa-não-gripa" que me levou ao ponto de ir à farmácia comprar xarope, coisa que não faço há uns quinze anos.

enfim, meu ânimo tem andado meio down the high society, por mais que meu hemisfério palhaço não demonstre a fraqueza...

o caso anda tão crítico que nem perna bem-feita de moça tem me tirado da letargia.

entretanto, nos últimos dois dias, devo ter ouvido algum indiano encantador de serpentes, porque a curva aos poucos tem dado sinais de vida.

sábado eu varri os dois dedos de poeira e "cabelhos" acumulados pela casa, que já conspiravam para me despejar. ontem limpei o banheiro, lavei roupa & louça e, pasmem!, fui dar um "chêgo" na praia.

nesse passeio senti um daqueles momentos mágicos de solitude absoluta que me levam a um estado de comunhão com tudo e com todos.

talvez deus seja um troço tão bom quanto isso.

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enrolei até aqui, mas meu objetivo era contar uma cena que presenciei, e que despertou lembranças muito profundas de criança. em determinado momento da caminhada, passaram por mim um jovem pai e seu filho de uns onze anos.

eles vinham pela pista fechada da praia, tocando uma bola de futebol. o garoto, de chinelos, ia mais à frente, e apresentava bastante desenvoltura com a pelota, apesar do calçado inadequado.

o fato lembrou-me de quando eu batia bola com os garotos da mesma idade, no playground do meu prédio, na gávea. desde aquela época, eu já não levava muito jeito para futebol, mas ainda tentava, para não ficar de fora da brincadeira.

uma vez, voltávamos meu pai e eu de uma praia domingueira, e me juntei à molecada num jogo de "golzinho" (era esse o nome?).

meu pai, orgulhoso, queria ver o filho honrar a linhagem -- ele próprio um peladeiro bem razoável. e pediu para que eu subisse para trocar os chinelos por tênis. desde então já consciente da mediocridade do meu futebol, eu não dava a mínima, queria era me divertir. mas ele tanto insistiu que eu subi.

e a interrupção me tirou todo o prazer de continuar. mesmo assim, voltei para agradá-lo.

é curioso como hoje identifico esse episódio como a última vez que tentei me esforçar para jogar bola. nunca mais quis bater bola, talvez como uma vingança infantil inconsciente.

hoje não consigo sequer fazer um passe decente, mas graças ao meu pai tornei-me um leitor compulsivo, um desenhista desenvolto, um jornalista bom de papo e de copo (para seu desespero), e que não é exatamente um fracasso com as mulheres.

mesmo sem o futebol, ele nunca deixou de demonstrar orgulho por mim.

obrigado, pai.

12 junho 2007

promoção ou ameaça?

juro que vi escrito num anúncio de ponto de ônibus:

"Compre com os cartões Bradesco e vá conhecer todos os segredos de Salvador com a Preta Gil"

medo.

31 maio 2007

tora! tora! tora!


já devo ter dito isso antes, mas faço questão de repetir: sou daqueles que consideram a paranóia como uma forma evoluída de inteligência.

pode ser que esteja errado, mas farejo sinais de uma nova invasão nipônica, como a que assolou o mundo nos anos 80. começou com a bela e subnutrida miss universo, agora isso.

23 maio 2007

"lá vou eu de novo, como um tolo..."

a crônica abaixo já é minha conhecida de muuuitos anos. apesar de a parte do "irmão pára-quedista" ser a que melhor se gravou na memória, o universo tijucano em que nasci e me criei até os sete anos, e por onde gravitei por boa parte do meu tempo na terra, guarda muitas semelhanças com o grajaú retratado.

agora que, ironicamente, a vida parece imitar a arte, lembrei-me do texto. a situação não parece muito diferente.

na atual conjuntura, as fichas estão sobre a mesa -- embora ainda fechadas na minha mão. a roleta já começou a rodar, e se ainda não as soltei, e porque a aposta envolve dois universos distintos e antagônicos. um representa a pirueta que minha vida deu há oito meses, e o outro... bem, o outro é um salto no escuro. situação que, convenhamos, excita deveras minha natureza mutante.

vejamos que bicho vai dar. alea jacta est.
ah, não esqueçam o texto, pô!

As noivas do Grajaú - Luis Fernando Veríssimo

Acho que todos deviam ter uma noiva no Grajaú, principalmente os homens casados. Antes que me acusem de incentivar o adultério e a licenciosidade suburbana, esclareço que minha noiva do Grajaú é puramente teórica. E note que falo em noiva, não em amante. As noivas do Grajaú são castas e recatadas. Só deixam pegar na mão e assim mesmo com recomendações. Aquele montinho de carne na base do dedão, por exemplo, só depois de casados.

Você leva duas semanas para encostar, não na noiva do Grajaú, mas no portão da sua casa. Se tocar no seu cotovelo, soa um alarme dentro da casa e o irmão dela, ex-pára-quedista, vem ver o que está acontecendo. Um homem casado que tem uma noiva no Grajaú é mais fiel à sua mulher do que a sua mulher merece. É quase indispensável para a felicidade de um casamento que o marido tenha uma noiva no Grajaú e a visite diariamente das 5 às 6. Menos às quintas, quando ela tem aula de piano.

Como explicar o fascínio das noivas do Grajaú? Não haverá, na sua relação com ela, qualquer promessa sexual. Com sorte, depois de um ano e meio de noivado firme, você morderá a sua orelha. E ela pedirá que você nunca mais faça isso porque ela sente muitas cócegas e, olha aí, quase perdeu um brinco. Um dia, quando conseguir convencer o ex-pára-quedista a deixá-la ir com você até ao bar da praça tomar uma Mirinda, você conseguirá intrometer uma mão nervosa entre o seu braço nu e a blusa até quase em cima, mas aí ela apertará o braço contra o corpo com força e você temerá pela gangrena nos dedos.

E a conversa? A coisa mais íntima que ela perguntará a você será:

- Acompanhas alguma novela?

Você experimentará com assuntos mais conseqüentes.

- És ciumenta?

Ou, afoitamente:

- Qual é teu sabonete?

Mas ela repelirá todas as tentativas de uma conversa séria. Até rirá quando você tentar ser poético,
pomba!

- Esta hora, este crepúsculo, sei lá...

Ela se dobrará de tanto rir. E a mãe dela aparecerá na janela para ver se você não avançou na orelha outra vez.

A vigilância é constante. O pai dela - aposentado, espiritualista - usa um coldre preso à cinta. O coldre está vazio, mas o seu tamanho é eloqüente: em algum lugar está guardada a grande arma com que ele zela pelo seu patrimônio, incluindo a virgindade da filha e uma coleção encadernada de Malba Tahan. Na única vez em que conversar com ele você ficará sabendo que ele já expeliu 17 pedras pela uretra e foi militante da UDN. Cuidado. A mãe tem bigode. Seus olhos pretos na janela são como dois faróis que guiam a virtude de Grajaú para a cama, intacta, todas as noites.

* * *

- Sua mãe não vê novela?

- Só a das oito.

- Não tem o que fazer na cozinha?

- Temos empregada.

- Ela não...

Mas a mãe interrompe:

- Olha esses cochichos, olha esses cochichos...

As noivas do Grajaú têm um irmão menor que se diverte tentando chutar você nas canelas. Um dia ele erra, acerta o muro e vai correndo dizer para a mãe que você lhe bateu.

É uma provação noivar no Grajaú. Por que você insiste?

As noivas do Grajaú têm amigas que passam em bandos pela calçada de braços dados e rindo, você não tem a menor dúvida, de você.

É demais. Você não precisa disso. O casamento está fora de questão. Você já é casado. Ou tem outra noiva em algum bairro onde a vigilância é menor e o acesso é mais fácil. Mas você persiste. O fascínio é irresistível. Às seis em ponto, a mãe dela acende a luz do alpendre. É o sinal para você ir embora. Você jura que nunca mais volta.

Mas aí ela cospe fora o chiclé e pergunta:

- Amanhã você vem?

E você vai.


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sem comentários.

22 maio 2007

"It can only be attributable to human error"

quem não costuma ter muito o que fazer e gosta de perder alguns preciosos minutos lendo as bobagens que bostejo aqui, pode até pensar que (parafraseando o gande mauro duarte) pelo curto que eu sumi, notaria-se aparentemente que eu subi. mas a verdade a meu respeito muito me entristeceu, porque meu computador morreu. ele morreu.

foi no domingo passado, enquanto eu jantava em frente à tv, esperando umas músicas serem baixadas. do nada, o monitor desligado espoucou num flash de luz. depois de ligado, a tela permaneceu apagada, e a luzinha indicativa, verde intermitente. tentei desligar o computador, e nada. tentei "resetá-lo" (ô, troço feio!), e nada também. desliguei direto no filtro de linha. até aí, tudo bem, visto que meu computador é velho, cheio de achaques e macetes operacionais que já aprendi a dominar. dizem que, com o tempo as máquinas adquirem certas características de quem as opera. pode ser, mas isso é outra história...

no dia seguinte comprei um novo monitor e nada. então senti que a naba era mais grossa do que eu pensava. hoje tive dois diagnósticos à la chico xavier (por telefone, baseados apenas nas minhas descrições), que geraram duas conclusões: ou queimou a fonte, ou a placa-mãe. ambas ruins, e que apressarão minha decisão de comprar um computador novo. o problema é que, neste exato momento, estou mais duro que... bem, estou cheio de contas e dívidas.

inferno astral é isso aí.

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PS: a propósito, a frase do título é uma fala do computador hal 9000, de um dos meus filmes-fetiches, 2001. há dias estou me deliciando com "os mundos perdidos de 2001", que encontrei num sebo. é uma espécie de relato do arthur clarke sobre a colaboração com o kubrick para a criação do roteiro do filme.

PS2, a missão: outro dia comprei o dvd do filme barbarella, que de tão tosco e ruim, é genial. o que é mais curioso é que o filme, uma ode à beleza da jane fonda (e que beleza! nem vou citar o strip-tease clássico da abertura do filme), é do mesmíssimo ano de 2001. noves fora barbarella ser adaptação de uma história em quadrinhos, não me furto a elocubrar sobre as diferentes visões sobre a conquista do espaço.

12 maio 2007

sobre a canonização do frei galvão

...finalmente acharam um brasileiro santo!

01 maio 2007

divagações no lusco-fusco da consciência (I)

às vezes, grandes pensamentos ocorrem durante o sono, quando o cérebro se liberta das peias da consciência.
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outro dia, à beira do "dorme-não-dorme", tive um estalo: o nome "brainiac", do robô vilão dos superamigos, é uma junção de brain (cérebro, em inglês) com eniac (nome primeira geração de computadores).

ou seja, braniac é, literalmente "o" cérebro eletrônico -- que era como se chamavam os computadores antigamente. deveras curioso...

25 abril 2007

porque sou contra o estado

Comissão da Câmara rejeita feriado de Frei Galvão

quando chega a vez dos caboclos fazerem a única coisa para o qual estão sendo nababescamente pagos - defender os interesses do povo - eles me saem com uma lambança dessas.

estendo a raiva à igreja católica, que religiosamente mete o bedelho em qualquer assunto que não lhe diga respeito, mas cala-se mais uma vez se diante das infâmias.

se alguém tiver a infeliz idéia de defender o trabalho nos comentários, vão fazê-lo em qualquer um desses blogs aí do lado. aqui, não!

"eu sou neguinha?"

não adianta, por mais vezes (e podem crer, não foram poucas até hoje) que eu veja (ou escute ou leia) o discurso do ossie davis no funeral do malcolm x, nunca consigo chegar ao fim sem ficar com um nó na garganta e os olhos cheios d'água. depois do spike lee, então, lascou-se tudo.



ó a íntegra do texto aqui.

23 abril 2007

felliniana

estive em belo horizonte no feriado. a cidade deveria ser conhecida como "la città delle donne". que banquete para os olhos...!

o prefeito deveria rebatizá-la no plural, tamanha a variedade de moças bonitas por metro quadrado.

15 abril 2007

don't call me nigger, whitey

o lessa já havia me falado dessa história, mas o texto da dorrit superou qualquer expectativa.

quase chego a ter fé no ser humano.

14 abril 2007

lição de índio para branco

quando crescer, gostaria de ser que nem o alberto vázquez-figueroa. desde que li tuareg (lançado pela l&pm), me atirei à caça -- com pouco sucesso, devo dizer -- aos romances e relatos desse repórter.

a regra é: se vir algum, compro na hora. foi assim que esbarrei, no santos-dumont, com "anaconda", autobiografia escrita aos 39 anos(!), tamanhas as viagens e aventuras que já havia empreendido. é dele que reproduzo um trecho.

"Conocí a un viejo indio que había vivido largo tiempo em Manaos. Quando le pregunté qué le había quedado de sus tiempos de 'civilizado', respondió:
- Me quedó el convencimiento de que vosotros tenéis vuestro mundo y nosotros el nuestro... Es inútil intentar unirlos. La soberbia de los blancos desprecia todo lo extraño, y no admite que podamos ser iguales. Pretenden protegernos o destruirnos, y yo no estava de acuerdo... Aqui nadie manda sobre nadie ni castiga nadie...Y, sin embargo, todos vivimos en paz y obedecemos unas reglas que no están escritas ni son obligatorias, pero que comprendemos que resultan imprescimdibles para lograr convivir respetando nuestra libertad...

!Imagina esta situación entre los blancos...! !Imagina un país o una ciudad, o una simple aldea, donde no hubiera autoridad, leyes, ni castigos...! Nadie haría nada, más que robar, asesinar o violar la mujer del vecino... Aun así, los blancos consideran que su civilizacíon es mejor que la nuestra, tan sólo porque han descubierto más cosas. Pero lo más importante, saber convivir en paz, aún no lo han descubierto... Tampoco han descubierto que nada de lo que tienen vale tanto como ser libre...

Este último concepto de la libertad a toda costa es, probablemente, el mayor obstáculo con que se encuentra el 'civilizado' para lograr adaptar el indio amazónico al mundo moderno. Para el indio, la libertad lo significa todo, y por lo tanto, el trabajo envilece desde el instante mismo en que significa una coacción a su libertad. Podrá pasarse horas construyendo una choza o talando un arból, pero lo hará siempre y cuando sea por su gusto. El mismo instante en que le apetezca pescar o tumbarse bajo una palmera, dejará a medias su tarea, sin detenerse a pensar que habia adquirido una responsabilidad.

'Responsabilidad' es un concepto inexistente para la mayoría de las tribus amazónicas. Responsabilidad significa sujeción, y sujeción significa el fin de la libertad. El indio no admite ser responsable por nada, y ni como padre, ni como esposo, ni aun como miembro de una comunidad, contrae obligaciones ni se las exige a nadie.

Los niños vienen al mundo, y se les cuida por amor, no por obligación. Tampoco el matrimonio presupone cuidado e protección: únicamente apareamiento. En la comunidad, nadie tiene obligaciones para con nadie, y la mayor parte de las veces, no existen jefes. Los curacas o sumo sacerdotes están considerados, todo lo más, como consejeros. Cuando se ha de tomar una importante decisión común, los curacas dan su opinión, pero no es obligatorio aceptarla. Pese a ello, y por su misma libertad, todos respetan las reglas lógicas, pero 'únicamente porque son libres de respetarlas'."


é um texto que renderia um belo imeio em pps para "reflexão". quem sabe se com isso não deixariam o pobre do mário quintana em paz por umas duas semanas...?

falando sério, se nossos antepassados não tivessem caído na conversa dos espelhinhos e jantassem logo cabral, caminha, frei henrique de coimbra e o resto da corriola portuguesa (e francesa, holandesa, inglesa, etc.), eu hoje não ficaria me perguntando, principalmente depois um relato desses, onde diabos foi que erramos?

13 abril 2007

este blog está de luto

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Kurt Vonnegut, Jr.
11/11/1922 — 11/04/2007

"I tell you, we are here on Earth to fart around, and don't let anybody tell you different".

leia.

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no trabalho, a sala ao lado da minha abrigava um sósia do vonnegut, mais novo e puxando de uma perna.

até os colegas atestaram a semelhança, depois que lhes mostrei algumas fotos na internet.

meu setor foi transferido para outro andar, e no dia em que iniciamos no novo escritório, morre o escritor.

com a mesma idade com que morreu meu avô materno.

os místicos talvez vejam algum sentido transcendente.

coisas da vida.

dna visual



e não é que tá quase tudo aí, com ajuste ou outro?
tarrei da solange.

12 abril 2007

a mim e a mais ninguém

há dois tipos de pessoas no mundo: casados e solteiros.

já vivi nos dois mundos. em geral, os que jogam no time em que estou escalado agora se consideram mais bonitos, viçosos, interessantes, flexíveis e com fígado mais resistente; os do outro lado os vêem como doidivanas, e a si mesmos como espécimes mais centrados, objetivos, realistas e serenos -- ou seja, zumbis, na opinião dos primeiros.

apesar, ladies and gentlemen, de ninguém ter pedido, minha opinião é que ambos se enganam de igual maneira, e ao mesmo tempo todo mundo têm razão.

quando eu estava no lado de lá da força, achava ótimo. como tenho certeza de que nunca estive mais feliz essa semana, noves fora a novela interminável de encontrar um sofá que acomode três pessoas, seja confortável, barato, caiba na minha micro-sala e permita o trânsito pelo chão, pois infelizmente ainda não desenvolvi a capacidade de locomoção pelas paredes, como faz o homem-aranha. pelo tempo que a questão se desenrola, já estou me sentindo uma espécie de albertinho limonta. fora isso, tudo na paz.

mas não era nada disso que eu queria dizer. é que, por melhores que estejam as coisas, de vez em quando aparece um cabra safado e me apronta uma dessas:



aí então, meus amiguinhos, não há alegria solitária que resista à vontade de cantar, de peito aberto, um troço desses pro primeiro rabo de saia mais cheirosinho que cruzar comigo na rua. pô, macca, isso não se faz...

povo que não escuta, atenção para a letra.

07 abril 2007

the man and the muffin man

Free Image Hosting at www.ImageShack.usa lembrança mais remota de contato com a música do frank zappa vem da época em que a mtv passava na tevê aberta, lá pelo idos de 92. como acontece até hoje, as melhores canções não passavam nos horários ditos comerciais.

ao voltar, numa madrugada, de uma festa daquelas de deixar mareada estátua de marechal a cavalo, fui realizar um ritual então freqüente: comer um prato de comida gelada, assistindo tevê e lendo jornal, tudo ao mesmo tempo, antes de adormecer de roupa no chão, com a luz acesa.

eis que exibem um clipe, se pouco me engano (o que é difícil, pois vivo me enganando, de variadas maneiras), mostrando um carro correndo por cenários de massinha, embalado por um fluxo constante de guitarra. mas nada daqueles solos masturbatórios à la rush, em que o guitarrista fica, como dizem os gringos, "self-indulging". não amiguinhos, havia um propósito, a música ia para algum lugar.

fiquei intrigado quando o nome "frank zappa" pipocou na tela, porque não esclarecia absolutamente nada. como ainda vivíamos tempos de pré-internet, com o dólar deixando o preço dos discos importados proibitivos, a informação de pouco valeu.

corte para o ano 2000. eu trabalhava na cinelândia, e aproveitava o resto da hora de almoço para bundar pela pedro lessa, uma ruazinha de pedestres do lado da biblioteca nacional, com barraquinhas onde vendem-se antigos elepês e cds copiados.

uma capa me chamou a atenção. tinha umas fotos grotescas de arcadas dentárias, e o visual de revistas em quadrinhos de terror dos anos 50. the ark era o registro de um concerto de 68. não sou muito chegado em "ao vivos", mas não resisti à capa. comprei e fui ouvir no computador do trabalho. cruzado de direita no queixo.

tinha todos os elementos "zappianos". improvisações, experimentalismos dodecafônicos (ou coisa que o valha), bate-papo e participação da platéia, e "ixpertezas", como fazer as músicas "caberem" no disco cortando-as com um ruído de agulha no vinil. fui irremediavelmente fisgado.

voltei e comprei strictly commercial, coletânea com bom apanhado da produção roqueira. depois fui atrás da discografia cronológica, começando com freak out, o primeiro disco conceitual da história (o sgt. pepper's só viria em 67, quase um ano depois). mas à parte as baladinhas e trouble every day (um de meus hinos pessoais), o disco soou um tanto estranho, e demorei algum tempo para digeri-lo, e até gostar mesmo dele.

os próximos foram a paródia aos beatles we're only in it for the money, e lumpy gravy, que não passa de uma colagem de sobras de efeitos dos dois primeiros discos. o que me deixou -- com perdão pela má palavra -- muito puto.

levou uns dois anos até eu voltar às boas, mais precisamente quando li uma matéria sobre hot rats. nova epifania. mas minha ex-mulher não gostava nada de frank zappa, assim como a namorada antes dela.

agora, reiniciando a vida, comecei a baixar tudo do cara, começando pelo waka/jawaka, e o que veio antes e depois. eu não podia estar mais feliz. vão-se as mulheres, fica o homem.

05 abril 2007

bilhete a um primo vascaíno

"Tudo bem que nosotros, botafoguenses, somos, como você chama, xiitas; que vocês têm 89 vitórias a mais etc.; mas até o Gama tá dando baile...

Não leve a mal, mas acho que esse gol mil só vai sair contra o Eurico.

Abraço".

03 abril 2007

algo no ar além dos controladores de carreira

o imbroglio entre os controladores de vôo, a presidência da república e a cúpula da aeronáutica me lembrou uma frase, que relutei em reproduzir por receio de errar na autoria.

depois de muita procura sem sucesso na internet, mandei os escrúpulos às favas. arrisco dizer que os culpados estão entre o millôr, o barão de itararé e o sérgio porto. é mais ou menos assim:

"militares são como flores: devem ser bem tratados para evitar que se reproduzam."

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se alguém souber quem é o verdadeiro autor, cartas para este blog.

02 abril 2007

corta o cabelo dele! corta o cabelo dele!

não sei -- e não me interessa saber -- se o rabino henry sobel é cleptomaníaco ou estava temporariamente privado de sentidos.

mas já que ele será levado às barras da lei, a justiça americana poderia aproveitar e condená-lo a um corte de cabelo. sem apelações.

aquele penteado mezzo príncipe valente, mezzo roberto leal está com a validade expirada desde o tempo de dom joão charuto.

cadeira de barbeiro nele!