ia começar esse bostejo dizendo que ainda não tinha escrito nada em 2008 por preguiça. depois vi a inutilidade disso, já que preguiça é meu nome do meio. de maneira que achei melhor mudar de assunto e falar das coisas que vi e vivi nos curtos e intensos 15 de férias no nordeste, que, afinal, eram motivo mais que suficiente para bostejar.
embarquei para fortaleza no dia 26 de dezembro, ao meio dia e meia. com o atrasinho de praxe e a conexão em natal, cheguei ao meu destino lá pelas 17h. como tinha dormido pouquíssimo na noite anterior, e não havia conseguido pregar o olho na lata de sardinha voadora da gol, aproveitei a baldeação para beber um café com red bull, com o objetivo de alcançar aquele estado de espírito bacana, cujos sintomas visíveis são mãos trêmulas e olhos rútilos. talvez eu seja viciado em estimulantes, vai saber...
mas, à vera, nem precisaria de aditivos, porque a excitação de viajar já me deixava em estado de alerta.
fui, vi, e me venceram. pela cordialidade. a começar pela família de caroline caf(un)é, minha anfitriã. além de ter me adotado (na noite em que amanheci no boteco mais folclórico da cidade -- e o mais infecto onde jamais pisei -- os pais dela, ao darem por minha ausência na casa, perguntaram "cadê o nosso carioca?!"), me superalimentou com toda a espécie de delícias regionais. tive até a honra de provar a famosa tapioca de joão bandeira! sem falar na quantidade de marmotas que aprendi (mais tarde desenvolvo o tema).
além disso, todas as pessoas que conheci me trataram como amigos de infância, fazendo de tudo para me agradar. tanto carinho só reforçou minha resolução de retornar à suavidade e à gentileza, perdidas quando deixei a vida me afastar do convívio com qualquer atividade artística.
e aí também teve muita praia, cerveja, caranguejo, frutas e comidas típicas, jogo do fortaleza (mais um capítulo à parte!) dança e música de primeira (atenção, seu "janô"! alô, dijêis do rio! se liguem, que vocês estão comendo mosca... guga de castro e marquinhos, da "farra na casa alheia", são os caras. se eles baixam por essas bandas, passam o rodo em geral! não tem ninguém na cidade de são sebastião que bote som como esses dois).
e jericoacoara. ah, jericoacoara... qualquer descrição em palavras é pífia diante daquela explosão de natureza. só vendo para saber. o que posso dizer é que se deus existe, é lá que ele mora.
... mas esse capítulo fica para depois. aguardem!
é isso aí pe-pe-pessoal!
17 janeiro 2008
minhas férias (parte 1)
21 dezembro 2007
balanço do ano
chegamos há dez dias do fim de 2007. ouvi de uma amiga que, graças a soma dos algarismos dar 9, esse foi (é) um ano de decisões. morte, nascimento, gravidez, separação e casamento. aconteceu o que tinha que acontecer com quem devia e com quem não devia.
disseram que ano que vem vai ser o do infinito em pé, por causa do formato do número oito. prefiro acreditar em renovação, já que o somatório dá um. espero que seja um novo começo.
comigo, foi um ano mais de altos que de baixos. depois de seis mudanças de casa em nove anos, finalmente consegui um canto para chamar de meu.
uma situação estável à custa de um choque de realidade e uma dose de conformismo, mas com a certeza de que o único caminho para a redenção é através da arte.
o coração refestelou-se, deu uns pulinhos de susto, murchou aqui e acolá, e acabou o ano com ótimos prognósticos, crescendo a olhos vistos.
o fim do ano vai me levar de volta à fortaleza, depois de nove anos e meio. reencontrar um velho amigo, me aproximar de atuais e conhecer novos - amigos e horizontes.
é bem capaz de que essa seja a última vez que bosteje esse ano. pelo menos, aqui no rio. se assim for, que tudo dê certo ano que vem. ou coisa que o valha. tá tarde e tô com sono. meu quarto tá uma zona e amanhã cedo tem visita.
16 dezembro 2007
para não perder a piada...
...com a palavra, noel rosa.
Habeas Corpus
(Noel Rosa/Orestes Barbosa)
No tribunal da minha consciência
O teu crime não tem apelação
Debalde tu alegas inocência
Mas não terás minha absolvição
Os autos do processo da agonia
Que me causaste em troca
ao bem que fiz
Correram lá naquela pretoria
Na qual o coração foi o juiz
Tu tens as agravantes
da surpresa
E também as da premeditação
Mas na minh'alma tu não ficas presa
Por que o teu caso, é caso de expulsão
Tu vais ser deportada do meu peito
Por que teu crime encheu-me de pavor
Talvez o habeas corpus da saudade
Consinta o teu regresso ao meu amor
15 dezembro 2007
música para ninar moça
não testei, mas algo me diz que não falha.
se tudo o mais der errado, eu furo os olhos e vou tocar piano.
(siga a bolinha.)
13 dezembro 2007
i like ike
ike turner morreu.
dou risada quando vejo esses cantores de rap tirando onda de malandros e caftens (e nem me refiro apenas ao visual ridículo). penso com meus botões que esses caras nunca devem ter ouvido falar no velho ike. nem musicalmente, nem por sua reputação. porque esse, sim, era um bad motherfucker.
instrumentista de mão cheia, ele tocou piano no primeiro disco de roquenrrou da história, ainda em 1951. mas além do talento, o que o fez entrar para a história foi o fato de ter "descoberto" a tina turner, de quem foi parceiro de cama e palco durante anos, além de sentar o catiripapo nela sem dó.
depois da separação, ela começou a fazer uma musiquinha pop muito da sem-vergonha. eu sei. fui no show dela no maracanã. dormi no meio.
as mulheres vão querer me trucidar por isso, mas não há como não relacionar a queda na qualidade ao fim dos tabefes.
memória literária
aos 12 anos contraí caxumba, e como sói acontecer, fiquei impedido de brincar por um tempão, por medo de que os gânglios "descessem" e me deixassem estéril (até hoje não sei se esse papo é verdade).
para me distrair durante a convalescença, entupiram-me de livros. foi quando tomei contato com as aventuras de pedro malasartes, asterix, o pequeno nicolau, e fiquei íntimo do pessoal do sítio do picapau amarelo. tornei-me um leitor compulsivo.
desde 2000 passei a anotar todos os livros que leio, inspirado pela autobiografia do akira kurosawa, que no começo da carreira (ou quando ainda só era cinéfilo, não lembro ao certo) listou durante alguns anos todos os filmes a que assistiu.
no começo, minha tarefa tinha o propósito exclusivo de contabilizá-los. no entanto, logo descobri que, a partir da anotação dos livros, conseguia me lembrar com perfeição do que havia acontecido comigo durante o período de leitura.
para quem tem sérios problemas de organização cronológica de eventos, esse foi um achado e tanto.
agora posso dizer com precisão o que se passou em determinada época apenas consultando o livro da época. e vice-versa.
a desse ano, até agora é:
- o sol é para todos - harper lee (janeiro)
- a epopéia de gilgamesh - desconhecido (jan.)
- terror e êxtase - carlinhos oliveira (jan.)
- o pastelão, ou solitário nunca mais - kurt vonnegut (fev.)
- o espião americano - kurt vonnegut (fev.)
- barba azul - kurt vonnegut (fev.)
- zen e a arte de manutenção de motocicletas - robert pirsig (fev.)
- anaconda - alberto vázquez-figueroa (abr.)
- in cold blood - truman capote (mai.)
- guerra dentro da gente - paulo leminski (mai.)
- mundos perdidos de 2001 - arthur c. clarke (jun.)
- febeapá 1, 2, 3 - stanislaw ponte preta (jun.)
- roberto carlos em detalhes - paulo césar araújo (jun.)
- livro dos homens - ronaldo correia de brito (jun.)
- a man without a country - kurt vonnegut (jun.)
- jesus kid - lourenço muttarelli (jul.) releitura
- revolução no futuro - kurt vonnegut (ago.)
- the old times - harold pinter (ago.)
- bom dia, preguiça - corinne maier (ago.)
- la vie en close - paulo leminski (ago.)
- travessuras da menina má - mario vargas llosa (set.)
- o supermacho - alfred jarry (set.)
- à mão esquerda - fausto wolff (out.)
- deus o abençoe, dr. kevorkian - kurt vonnegut (out.)
- junky - william burroughs (nov.)
- vale tudo - nelson motta (dez.)
- o mundo louco - kurt vonnegut (dez.)
04 dezembro 2007
mais uma novidade...
enquanto não sai o tratado sobre a dança do acasalamento (calma, nego véio!), descobri mais uma maneira divertida de perder tempo.
fiz uma gambiarra que transforma todos os textos em inglês, com um porém: os resultados são os mais estapafúrdios e nonsense que se possa imaginar. até que saem coisas engraçadas, quando é possível entendê-las. talvez a culpa seja do meu estilo excessivamente informal. é só ver o link "tarzan's version" aí do lado.
fiz isso pensando na única pessoa a se expressar no vernáculo shakespeariano que sei ter interesse em ler minhas bobagens, mas acho que o resultado final vai confundir mais do que explicar.
28 novembro 2007
tudo de boa
faz anos que não escuto rádio. com isso, a taxa de atualização do meu gosto musical caiu muito. por exemplo, para eu saber das novidades hoje, só através de trilhas sonoras, dicas de (poucos) amigos, ou algum som captado em festas. mas de forma alguma isso representou prejuízo.
de vez em quando também topo com algum videoclipe na tevê a cabo. quando é homem, dois acordes bastam para saber se mudo de canal. entretanto, essas cantoras tipo jennifer lopez, beyoncé, mariah carey, e as aguileras da vida, esses troços todos, quando aparecem eu até assisto. mas tiro todo o volume. só faço apreciá-las se contorcendo como lagartixas profissionais. porque é isso que elas vendem: libido. não se enganem, a música é apenas a embalagem. e ruim, diga-se de passagem.
mas nem tudo está perdido. há algum tempo venho acompanhando com surpresa a shakira. das que estão na crista da onda, acho ela a única que tem feito uma musiquinha bem decente. além de cantar bem e ter um timbre bastante interessante, ela é um pitéu e possui o único par de coxas capaz de rivalizar com meu fetiche pelo sovaco cabeludo da madonna.
mas antes que as moças torçam seus lindos narizinhos me considerando uma espécie de sátiro babão (tenho certeza que os homens concordarão com cada vírgula do que bostejei), saibam que não estou só: tanto que a moça foi escolhida para cantar a trilha sonora do filme amor nos tempos de cólera, que aliás é bacana (vejam o trailer).
a propósito, o que me motivou a escrever foi o novo clipe dela. dá licença, que eu preciso ir lá dentro apanhar o babador...
24 novembro 2007
paul is not dead, he just smells funny
qualquer fã de beatles mais hidrófobo conhece a lenda de que o paul mccartney morreu e foi substituído por um sósia.
o que, vai dizer que nunca ouviu essa história? experimente digitar paul maccartney is dead no google para ver o que acontece. são mais de dois milhões de páginas sobre o assunto!
as evidências seriam inúmeras, e as pistas estariam espalhadas pela obra dos beatles, desde as capas do sgt. pepper's e de abbey road, até algumas músicas que, tocadas ao contrário, contariam a "verdade". de minha parte, nunca dei ouvidos a tais baboseiras, pela qualidade constante de seu trabalho posterior, e por considerá-las fruto de gente com bem pouca coisa pra fazer.
entretanto, outro dia confesso ter ficado com a pulga atrás da orelha ao ver a foto a seguir:
dê um clique e repare nas nas costeletas do homem. o verdadeiro sir paul mccartney, cavaleiro da rainha da inglaterra, assumiria os fios de cabelo branco com dignidade. essa tinta acaju na cabeça só pode ser obra de um impostor. socorro!
22 novembro 2007
entropia
a partir do nada, surge a semente em estado de latência, que nasce, cresce, atinge a maturidade, entra em decadência e morre. fim.
temos o privilégio de acompanhar de perto o milagre do ciclo inexorável da vida acontecendo a cada momento, conosco mesmo e com tudo à nossa volta, mas raramente nos damos conta disso.
além do meu próprio, um processo em especial tem me interessado ultimamente. entretanto, mau cientista que sou, a paixão pelo objeto leva-me a alterar os dados, como se interferindo no andamento da experiência eu fosse capaz de evitar os resultados. mas deus não joga dados e jesus não tem dentes no país dos banguelas.
não há força capaz de impedir o destino. por maior que seja o amor. "a única coisa a fazer é tocar um tango argentino", disse o poeta.
e não me venham chamar de cassandra.
11 novembro 2007
10 novembro 2007
quero ser cab calloway
...ou pelo menos, ter seu suíngue.
a animação do leão marinho foi toda feita em cima das imagens do próprio cab dançando.
a noite é uma criança
querido diário, há uma semana ando num ânimo péssimo, dando bronca até para bom-dia, mas ontem tava demais. nem eu estava me agüentando.
a salvação foi caroline café me convidar para a coisa mais legal do mundo, que é jogar conversa fora em mesa de bar. aí percebi o quanto estava com saudade das pessoas.
como não queria ter que pegar condução pra beber, rumamos para o capela. tracei uns oito chopes, que desceram como água. ela repetiu pela pentelhonésima vez que foi ali que madame satã matou geraldo pereira, e mais uma vez expliquei que não tinha sido naquele capela, e sim no antigo, no largo da lapa.
caroline café não estava bebendo, e queria comer alguma coisa láite, depois fazer mercado, faxina, sei lá, essas coisas que as mulheres adoram. então propus que dali seguíssemos para o mercadinho, onde chamamos outros dois outros comparsas de copo, nego véio e gabi.
nego véio levou metade da noite contando suas desventuras com outro amigo nosso para comprar um laptop nos subúrbios de roma, onde césar perdeu as botas. o mercadinho não estava rendendo, e posto que a sede era de anteontem, descemos até o lamas, para ficarmos idem.
lá entornamos mais uma fábula de chopes. mostrei para eles o machado de assis escondido na foto do pulmão que ilustra as costas dos maços de cigarros, e comemos um sei-que-lá à piamontese (ou será à piamontesa? cartas para esse endereço).
na saída, ainda encontrei a maffalda com um gringo a quem ela chamava "gringo", mas que falava português como se fosse gente grande. cheguei em casa sabe-se deus como, desabei na cama de luz acesa e as roupas espalhadas pelo chão.
de manhã fui botar a roupa para lavar e encontrei no bolso da minha camisa um bilhete escrito numa toalha de papel, com a minha própria letra, onde se lia:
por que você acha que só mulher pode ser mãe?
vai entender...
09 novembro 2007
frase pra inglês ver
deu no globo: 'Exterminador do Futuro' tem a frase preferida do cinema. sinceramente, "i'll be back"?
não posso considerar séria uma lista que exclui
- "i've always depended on the kindness of strangers" (um bonde chamado desejo);
- "i'm ready for my close-up, mr. de mille" (crepúsculo dos deuses);
- "it's good to be the king" (a história do mundo).
03 novembro 2007
diálogo de uma tarde de compras
ele - você reparou como era bonita a moça que atendeu a gente? parecia meio oriental, asiática...
ela - não reparei nela, não. só vi as unhas, pintadas de vermelho.
ele - as unhas? nem prestei atenção.
ela - isso mostra bem que você é homem e eu sou mulher.
31 outubro 2007
papa-anjo
acredito que todo mundo deve ter liberdade para fazer o que quiser com o próprio corpo, desde que assuma a responsabilidade por seus atos e depois não aporrinhe ninguém. por isso sou favorável à descriminalização das drogas e do aborto.
esse segundo assunto me chamou a atenção ontem, quando, na volta do trabalho, topo na cinelândia com uma manifestação nas escadarias da câmara dos vereadores de um suposto grupo "a favor da vida".
posso pensar em argumentos científicos, psicológicos, sociais, humanistas e até malthusianos para defender a interrupção de uma gravidez. entretanto, o único argumento em contrário é ordem divina. e contra crença e fé não há debate.
enquanto pensava nisso, escuto uma das manifestantes dizer:
-- as pessoas falam em direito da mulher, mas o que dizem do direito de um ser inocente e indefeso à vida?
peraí, se a questão é defender o direito à vida de seres indefesos, o que me dizem do tratamento cruel dispensado aos frangos, vacas, carneiros e outras delícias criadas apenas para o abate?
parece tratar-se de um caso de dois pesos e duas medidas. porque se emplaca a modesta proposta do escritor-patê jonathan swift, será que eles defenderiam a mesma posição com tanta veemência?
por via das dúvidas, a partir de agora só discutirei a legalização do aborto com vegetarianos.
29 outubro 2007
pérolas do mundo corporativo

em tom de galhofa, uma colega de batente me traz um texto que ela recebeu para divulgação interna, onde se lê:
"(...) o portal amplia, portanto, a visibilidade das atividades das unidades".
não merecia o primeiro prêmio no mundial de aliteração?
e ainda ousam questionar o porquê de contratarem tantos jornalistas...
25 outubro 2007
nós "semo" tatu!
há um mês e pouco tatuei meu braço direito.
lá em casa sempre se considerou tatuagem coisa de marginal. o assunto era tão distante de nossa realidade, que discuti-lo seriamente pareceria um absurdo risível.
até a adolescência, jamais havia pensado na possibilidade de me tatuar. a exceção foi quando os hormônios resolveram jogar pingue-pongue com meu raciocínio, e, influenciado por uma matéria na falecida revista "animal", pensei em tatuar meu rosto todo, a exemplo de horace ridler, vulgo "o grande omi" (sem trocadilho).
nessa mesma época, cultivei o desejo de pular de um avião sem pára-quedas, de modo que o que eu digo não se escreve.
lembro do meu pai dizendo, quando as meninas começaram a prestar atenção em mim (porque até então só eu as via), que "mulher tatuada, ou é perdida ou já se perdeu na vida". essa opinião acabou sendo revista anos depois, quando tanto minha mãe (já separada) quanto minha irmã pintaram os corpos, por motivos diferentes.
minha irmã, para completar, meteu até uns piercings no "embigo", nariz e orelha, para seu desespero. ao vê-la "furada como um índio", perguntou, desconsolado: "você está com algum problema, minha filha?" juro que fiquei emocionado.
a idéia de me tatuar voltou na época do mestrado, quando assolado pelo desespero de escrever minha dissertação, resolvi que se saísse de tal enrascada com a sanidade apenas um pouco (mais) avariada, marcaria o período na pele.
no começo de 2004 tive minhas primeiras idéias. mas no fim, achei o urobouros meio pretensioso, uma amiga comparou o "allah" ao desenho de um ralo, e o salsão, meu consultor para assuntos macumbísticos, com quem eu morava na época, disse que caveira é uma imagem carregada.
três anos depois, equivocadamente me sentindo dono do meu nariz, mas já capaz de pagar minha contas sozinho, resolvi concretizar o plano, e quando esbarrei com umas "calaveras" do dia dos mortos mexicano, tive a certeza do que buscava.
sempre me atraiu a idéia da morte como celebração, como acreditam os mexicanos. acho que há algo de anárquico em subverter a tristeza da perda, talvez porque ela traga implícita o fim da ilusão de posse. afinal, ninguém é de ninguém, nem é dono de nada. portanto, encontrar a morte seria libertar-se de todas as coisas terrenas, de todas as agruras da vida.
voltando ao assunto, perdi o medo e fui ao king seven tatoo, estúdio recomendado por nove entre dez tatuados responsas que conheço. além de gente finíssima, o pessoal de lá contou umas histórias engraçadíssimas (depois eu conto). mostrei umas referências pro nino, que sacou o espírito, acrescentou uns rococós em volta e ainda meteu um dentão de ouro. classe!
quem disse que tatuagem vicia, tava certo. se achar um desenho bacana, também rabisco o outro braço.
16 outubro 2007
nota mental
comentário de uma amiga sobre a sensação de se chegar aos 60 anos, no dia de seu aniversário:
não dói. mas dá um medo...