já repararam a semelhança entre a nova campanha do net vírtua e o logotipo dos carrinhos hot wheels?
fica a pergunta que não quer calar: plágio ou ignorância? ou será que em propaganda existe um nome inglês que defina esse conceito?
29 agosto 2006
gênios da publicidade
20 agosto 2006
money for nothing
em entrevista à caros amigos de agosto - a que tem a opus dei como chamada de capa - o sr. nagashi furukawa, ex-secretário da adminstração penitenciária de são paulo, diz com todas as letras na página 34: "Em Presidente Bernardes, a manutenção de um preso custa cerca de 3000, 3500 reais por mês".
prestaram atenção aos valores? um camarada, sem produzir nada, recebe invetimentos mensais mais altos que o salário pago a vários profissionais que conheço, com mestrado e dez horas de trabalho diário.
bom, levante a mão quem acha isso um absurdo. e essa excrescência nem é exclusiva do brasil. arrisco chutar mais longe e identificar o problema com o próprio sistema econômico que alimentamos e que nos sujeita. o truque é naturalizar as coisas ao ponto de nos fazer repetir "ah, mas essas coisas são assim mesmo". assim mesmo o cacete, farroupilha! se tá todo mundo insatisfeito, vamos ousar levantar a cabeça acima da manada e pensar que pode as coisas podem sim, ser diferentes. o "como", fica a cargo da criatividade de cada um.
17 agosto 2006
análise combinatória
sem motivo aparente, ando obcecado com uma música há dias. enquanto não conseguia baixar a danada, dei uma circulada na rede e encontrei o vídeo abaixo. duas coisas muito boas em síntese perfeita. o que é o talento criativo, não é mesmo minha gente? (regina style)
11 agosto 2006
cadê o fidel?
podem me chamar de baba-ovo, mas não me canso de tecer loas ao fausto wolff, talvez o único (será o último?) cérebro pensante em atividade na grande imprensa brasileira. ouvi falar sobre o artigo a seguir numa aula dessa semana, aparentemente tendo sido publicado nojb. não sei. achei-o no saite do lobo.
Fidel já morreu?
Se morreu, foi-se, na minha opinião, o maior herói do século 20. Com ele morrem muitos personagens: o jovem advogado, filho de rico fazendeiro envergonhado de viver numa pátria em que um patife vagabundo como Batista havia transformado num bordel de luxo para a máfia e políticos norte-americanos corruptos. Morreu o rapaz que passou dos 27 aos 29 anos na cadeia por não aceitar a democracia imposta pelos americanos com votos comprados ou obtidos à força.
Morreu o leitor de Martí, de frei Bartolomeo de las Casas, de Marx e, certamente, de Cervantes. Morreu o homem mais amado de Cuba e o mais odiado pelos cubanos que preferiram Miami e Disney. Morreu também o homem que condenou muita gente à morte, entre elas, o número 2 das Forças Armadas Cubanas, envolvido com o tráfico de drogas. Morreu o homem que a CIA tentou matar mais de dez vezes e que suportou o maior embargo econômico da história moderna.
Morreu o homem que fez a reforma agrária como já poderíamos ter feito há muito tempo: pagando aos latifundiários o que declararam que valiam as terras na hora de pagar seus impostos. Morreu o homem que devolveu a auto-estima aos cubanos. Morreu o homem que diziam possuir a quinta fortuna no mundo. Fidel respondeu que, se encontrassem um dólar numa conta em seu nome no exterior, ele resignaria ao cargo. Morreu o homem que acabou com o analfabetismo, tornou obrigatório o ensino médio e financiou universitários. Morreu o homem que fez de Cuba um exemplo para a medicina da América Latina. Morreu o homem que fez de Cuba a maior potência atlética da América Latina. Morreu o comunista que o papa abençoou.
Certa vez, em Cuba, comecei a entrevistar passantes nas ruas. Todos estavam empregados, ninguém morava em casa alugada e todos, de certa forma, eram funcionários do Estado. Menos um. Perguntei ao senhor carequinha se era funcionário e ele, sorrindo, disse-me que não. "Profissional liberal. Soy limpiabotas."
Na verdade, foram os americanos que jogaram Fidel nos braços da União Soviética. Queriam eleições em Cuba e tinham um candidato que - como já haviam feito com Batista - seria apenas um homem de palha. Foi muito ingênuo achar que, depois de limpar e dedetizar a casa, Fidel deixaria que os americanos colocassem alguém como Collor, por exemplo, lembram-se? Ou como Sarney e FHC, que deixaram o poder riquíssimos e o povo cada vez mais pobre e ignorante.
Arthur Miller, Robert Frost, Edmond Wilson, Sartre, Russell, Clifford Odets, Adlai Stevenson, John Steinbeck, entre outros grandes intelectuais da época, escreveram artigos pedindo a Kennedy que deixasse Cuba em paz. Mas ele preferiu promover o fiasco da Baía dos Porcos e receber, como hóspedes, cubanos leais que em Cuba ninguém queria.
Estive duas vezes com Fidel. Da primeira, perguntei-lhe (ordem da direção da TV) por que não instituía eleições livres. Ele me declarou que sairia muito caro para eles e mais caro ainda para os americanos que mandariam dinheiro para corromper os poucos indecisos. Da segunda vez, eu e outros jornalistas o acompanhamos num passeio pelas ruas - e não vi um guarda-costas.
Formou-se uma multidão gritando "Viva Fidel!" e uma mulher grávida o abraçou. Perguntou-lhe quantos filhos já tinha. Ela disse que este seria o terceiro, e ele: "Por que não está tomando pílula? Que seja o último. Nossa ilha não pode alimentar mais do que o seu espaço permite". Hoje em dia falam muito das prostitutas de Cuba, mas esquecem-se de falar dos milhões de mulheres que, graças a Fidel, salvaram-se da miséria, da fome e da prostituição. Podemos dizer a mesma coisa?
Mas Cuba é uma ditadura e Fidel um ditador. Pois eu lhes digo que 80% do povo brasileiro jamais viu tal democracia. Da última vez que estive em Cuba, entrevistei Teófilo Stevenson, cinco vezes campeão mundial olímpico dos pesos pesados. Ele me apresentou a mulher e filhos, bem como os alunos de educação física. Perguntei-lhe por que não aceitara o contrato de US$ 5 milhões que os americanos haviam lhe oferecido. Respondeu: "Havia muito a fazer em Cuba e, além disso, há coisas mais importantes que o dinheiro".
Fidel já morreu? Não? Então, viva Fidel.
nova identidade
esse ano passei por um acontecimento de forte carga simbólica, e repleto de sentidos ocultos. durante o carnaval, em pleno cordão do bola preta,perdi minha carteira com minhas mirradas economias e todos os meus documentos. para dar uma melhor dimensão dramática ao incidente, posso resumi-lo ao dizer que no bola preta perdi minha identidade.
mas só me dei conta disso muito depois de enfrentar a via-crúcis de registrar um b.o. na polícia, dar baixa no cartão do banco, e entrar com a solicitação para os novos documentos. foi a resposta de uma amiga à notícia de que o rg havia ficado pronto. "parabéns pela nova identidade!", escreveu ela no msn. foi então que pensei em como seria saudável se as pessoas pudessem trocar as identidades quando julgassem estar entrando numa nova fase de vida, ou superassem um grande problema, por exemplo.
mal sabia eu o quão profética era minha divagação: em menos de um mês, comecei a vivenciar um processo de melhorias que deu uma guinada radical na minha realidade, de forma que eu sequer podia sonhar (e ainda está longe de completar-se). e por mais que pareça exagerado, junto com as mudanças externas, uma metamorfose psicológica também está em curso. aos poucos sinto que, sob vários aspectos, antigas perspectivas de visão de mundo estão sendo abandonadas por outras mais frescas. é como se eu fosse uma cobra trocando de pele.
nem preciso dizer que para um geminiano triplo, esse é o melhor dos mundos.
26 julho 2006
qualquer semelhança...
encontrei essas tirinhas no meu computador. como metade das tralhas que lá abundam, não tenho idéia de onde vieram.
mas são muito boas, lá isso são.
24 julho 2006
péla-vox
Bono patrocina game contra a Venezuela
Caros Amigos - 18/7/06
O músico Bono, do conjunto U2, que costuma participar de campanhas contra a fome e a Aids na África, agora está patrocinando um videogame que simula a invasão da Venezuela para derrubar o presidente Hugo Chávez. Ver, em inglês.
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esse nunca me enganou...
56 Nobrezas deputadas e um príncipe das trevas
o texto a seguir (bem como o título), são mais uma prestação de serviço de mestre wolff. todo os direitos reservados, menos o de apropriação para divulgação.
depois façam as contas para saber em quais partidos votar nas próximas eleições.
"57 indiciados por chupar sangue do povo brasileiro nas ambulâncias que deveriam socorrê-lo. E os partidos esquifes que os escondem.
Paulo Feijó (PSDB-RJ)
Paulo Baltazar (PSB-RJ)
João Caldas (PL-AL)
Cabo Júlio (PMDB-MG)
Pedro Henry (PP-MT)
Bispo Wanderval (Pl-SP)
Iris Simões (PTB-PR)
Benedito Dias (PP-AM)
Lino Rossi (PP-MT)
Edir de Oliveira (PTB-RS)
Teté Bezerra (PMDB-MT)
Fernando Gonçalves (PTB-RJ)
Almeida de Jesus (PL-CE)
Pastor Amarildo (PSC-TO)
Nilton Capixaba (PTB-RO)
Reinaldo Betão (PL-RJ)
Isaías Silvestre (PSB-MG)
José Militão (PTB-MG)
Wellington Fagundes (PL-MT)
Mário Negromonte (PP-BA)
Laura Carneiro (PFL-RJ)
Zelinda Novaes (PRF-BA)
Vieira Reis (PRB-RJ)
Júnior Betão (PL-AC)
Ribamar Alves (PSB-MA)
Eduardo Gomes (PSDB-TO)
Eduardo Seabra (PTB-AM)
Osmânio Pereira (PTB-MG)
Jeferson Campos (PTB-SP)
João Batista (PP-SP)
Vanderlei Assis (PP-SP)
João Mendes de Jesus (PSB-RJ)
Doutor Heleno (PSC-RJ)
Reinaldo Gripp (PL-RJ)
José Divino (PRB-RJ)
Alceste Almeida (PTB-RR)
Marcos Abramo (PP-SP)
Nélio Dias (PP-RN)
Ricarte de Freitas (PTB-MT)
Cleonâncio Fonseca (PP-SE)
Benedito de Lira (PP-AL)
Reginaldo Germano (PP-BA)
Ricardo Estima (PPS-SP)
Neuton Lima (PTB-SP)
João Cerreia (PMDB-AC)
Amauri Gasques (PL-SP)
Maurício Rabelo (PL-TO)
Corialano Sales (PFL-BA)
Almir Moura (PFL-RJ)
Marcelino Fraga (PMDB-ES)
Raimundo Santos (PL-PA)
Edna Macedo (PTB-SP)
Irapuan Teixeira (PP-SP)
Itamar Serpa (PSDB-RJ)
Enivaldo Ribeiro (PP-PB)
Elaine Costa (PTB-RJ)
Senador Ney Sugassuga (PMDB-PB)
Digo, Sernador Ney Suassuna."
23 julho 2006
deus existe
pegue um cigano, tire-lhe os movimentos de dois dedos da mão esquerda, adicione um violão e você terá um anjo: django reinhardt!
12 julho 2006
Balde de água fria na indústria de celulose
a primeira vez que ouvi falar sobre a indústria de celulose foi mais ou menos aos oito anos de idade, numa viagem de carro que fiz com meus pais e meu avô para lages, em santa catarina. no caminho, passávamos por extensos campos de pinheiros que ladeavam a estrada. eram as mesmas árvores que eu via os americanos levarem para casa nos filmes de natal.
meu avô, que não era exatamente conhecido por seu bom-humor, esbravejava contra a indústria de papel, que derrubava as araucárias para plantar aqueles famigerados pinus elliotis, que não produziam nenhum alimento e espantavam a fauna local -- especificamente a gralha azul, agente natural na disseminação e replantio das sementes de pinhão.
aí em março deste ano, teve o caso do mst invadir a planta da aracruz celulose no rio grande do sul. o josé arbex jr. escancarou o tamanho do crime contra o meio ambiente causado por essa indústria em um artigo da caros amigos de abril. até a família real da suécia, acionista majoritária da empresa, desfez-se de suas ações.
e há pouco tempo, nosso ministro da cultura -- sem a menor consideração com a agenda da "ministra-erê" do meio ambiente (reparem na vozinha de criança de centro espírita) -- vende os direitos de uma canção para a publicidade da tal empresa (que deve ter pago o peso em ouro de um casting que reunia o cosmonauta pontes, bernardinho, daiane dos santos e outros que tais).
mas eis que a justiça é feita. segundo o saite do ibase, "A juíza federal Clarides Rahmeier, da Vara Ambiental de Porto Alegre, decidiu nesta sexta-feira (9) que a Caixa Estadual S.A. - Agência de Fomento/RS, o Estado do Rio Grande do Sul e o BNDES deverão suspender, em 48 horas após a intimação, a circulação de qualquer propaganda onde o apelo publicitário seja a mensagem estritamente positiva do plantio de monoculturas de árvores". O texto completo está aqui.
parece, afinal de contas, que os "ciganos" do mst não devem ser os únicos vilões dessa história.
07 julho 2006
o que acho que os vizinhos pensam de mim
sem saco para escrever, faço minhas, sem tirar nem pôr, as palavras do tom waits. depois eu vejo se linko a...bem... música.
04 julho 2006
deu no globo online
Gisele Bündchen acha que está velha demais para ser amada.
faz-me rir, macaca. pensando bem, tadinha dela. vou mandar-lhe um imeio oferecendo meus préstimos. titio garante que, depois de um "vem-cá-minha-nêga" dado com vontade, bota a moça subindo pelas paredes feito lagartixa profissional.
além do mais, gisele, minha filha, você não sabe o que dizem sobre panela velha?
02 julho 2006
carta a um distante amigo
caro federix dieguix de aquinix,
pensei em respondê-lo através dos comentários, mas preferi a ocasião para um bostejo sincero e esclarecedor. minha pinimba com a proverbial "estranha cidade ao sul do brasil" é mais folclórica do que qualquer coisa... se eu fosse explicar o que me desagrada em são paulo, escreveria um tratado; não por serem muitos os motivos, mas por se tratar de uma espécie de amor arrevesado. é uma grande cidade (não apenas em termos geográficos), há tempos tomada por figuras que preferem se orgulhar de uma certa imagem pelega que transmitem ao mundo. onde os caiporas de 22? onde os adonirans e as bocas-do-lixo? onde a rica mistura dos imigrantes e paus-de-arara? onde os angelis, os luíses gês, os plínios marcos e os arrigos da nossa "cidade-luz"? é só fiesp, engarrafamentos, pcc, daslu, perueiros, corínthians, psdb e cadeiões! chega dessa mediocridade pequeno-burguesa colonizada! são paulo definitivamente não merece esse destino...
abraços saudosos do amigo e da cidade.
o brasil perdeu. viva o brasil!
mais uma vez levamos um chocolate da frança. perdemos porque o técnico é teimoso como uma mula empacada, mas principalmente porque não tínhamos time.
o brasil era uma constelação de estrelas e nenhuma coletividade. vinha se sustentando aos trancos e barrancos porque os adversários eram pífios, de modo que bastava confiar na falta de pontaria do adversário e no talento individual dos nossos jogadores para furar uma defesa capenga e balançar a rede.
mas quando encaramos um grupo bem estruturado, entrosado, que corria, marcava e com um esquema tático consistente, deu no que deu. foi a crônica de uma morte anunciada.
fico pensando se não seria o caso de, na próxima copa, fazermos o que foi praxe em 58 e 62. armar a base da seleção com jogadores de um mesmo time, brasileiro. se escalássemos a base do time, um seis jogadores, do cruzeiro, do fluminense ou, vá lá, do internacional (só para ficarmos nos melhores resultados do campeonato de 2006 até agora), aí sim, acho que poderíamos chegar a algum lugar. o resto do elenco poderia ser com os figurões do estrangeiro, para também não contrariarmos o patrão, a nike.
futebol por futebol, os pernas-de-pau daqui estão jogando a mesma coisa, com a vantagem de serem mais baratos e não ficarem abraçando e batendo papinho com os adversários antes do jogo.
29 junho 2006
adiós, cumpá!
acabou de entrar para o time dos "lá-de-cima" o diretor fabián bielinsky. argentino, diretor do genial nove rainhas cantou para subir aos 47 anos, aparentemente de ataque cardíaco. o detalhe mórbido, porém, fica a cargo do lugar: são paulo.
lugar mais besta para se morrer...
mais informações no globo.
28 junho 2006
campeãs de audiência
dois motivos para não perder o jornal da bandeirantes: mariana ferrão e nadja haddad.
******
ah, agora tem também o franklin martins.
a gente vai levando, a gente vai levando...
às vezes me acho um ingênuo por acreditar que, no fim, a vontade do povo prevalecerá. não vai. pelo menos não se as coisas continuarem do jeito que estão. não se não tomarmos o destino em nossas mãos. cada vez mais acho que certo estava o diderot (pelos motivos errados): " o mundo só estará a salvo no dia em que morrer o ultimo rei enforcado nas tripas do ultimo padre". falou e disse.
porém, antes de considerarem-me um derrotista neurótico, recomendo a leitura do texto a seguir, retirado do comunique-se:
Triste fim na novela da TV digital brasileira
Antonio Brasil
Como toda novela, a implantação da TV digital brasileira teve um final previsível. Mas não foi um final feliz. Muito pelo contrário. O governo resolveu aproveitar o clima de euforia e o entorpecimento geral dos brasileiros na Copa para anunciar o capítulo final. Destaco algumas manchetes sobre essa polêmica decisão:
"Ministro Hélio Costa confirma acordo com Japão para a TV digital"
"Redes saem vitoriosas com padrão japonês de TV digital"
"TV Digital: Radiodifusores já debatem implantação do padrão japonês"
E como toda novela, os últimos capítulos também já indicavam que certos personagens estariam dispostos a tudo para garantir o final "feliz":
"Globo oferece Copa em TV digital para Ministério das Comunicações, Câmara e Senado"
"Lula elogia 'padrão nipo-brasileiro' de TV digital"
Nenhuma surpresa.
Há muito tempo o noticiário já sinalizava a pressão dos personagens radiodifusores para que o governo não atrapalhasse o enredo e escolhesse logo o padrão japonês. Por que esticar a novela? Principalmente em meio a tantas ameaças.
Ou seja, apesar das recomendações e protestos de diversos setores da sociedade brasileira que insistiam na necessidade de estendermos a trama, Lula preferiu ouvir somente os personagens poderosos da novela: as velhas famílias que há anos controlam a radiodifusão brasileira.
Mas, como em todo folhetim, já surgem críticas e reações contra a qualidade do enredo e a previsibilidade do final.
"Decreto da TV digital mantém monopólio"
"Entidades defendem mais debate sobre escolha do padrão de TV digital"
"Europeus lançam plano para AL e defendem adiamento de TV digital"
"Gil defende decisão sobre a TV digital só após as eleições"
A novela da TV digital brasileira, no entanto, ainda pode nos reservar algumas surpresas.
Segundo o mesmo noticiário, Lula já teria orientado seus ministros a negociar com o Japão as contrapartidas para que o anúncio produza ganho político no ano eleitoral.
Mas o governo japonês já deixou bem claro que não pode garantir a implantação de uma fábrica de componentes no Brasil. Há somente um compromisso de formação de mão-de-obra especializada e ajuda para a criação de condições no país que viabilizem a implantação dessa indústria. Podemos ter caído em um conto do vigário. E o pior. Um conto do vigário japonês.
Em sua decisão, o presidente teria levado em conta o lobby das grandes emissoras de TV do Brasil a favor do padrão japonês. Não seria inteligente contrariar essas empresas no ano em que disputa a reeleição.
Ou seja, sob pressão dos radiodifusores e sem os recursos financeiros do Valerioduto, Lula preferiu garantir pelo menos uma certa neutralidade durante a campanha eleitoral. Ele conhece muito bem o poder do jornalismo investigativo das TVs brasileiras e suas câmeras ocultas para revelar falcatruas e maracutaias. No momento, as câmeras ocultas estão "sob controle".
Neste triste final de novela barata, Lula decidiu por um sistema de TV digital experimental, ainda em construção. Um sistema que não foi adotado por nenhum país da América Latina, do Mercosul e do mundo. Um sistema que não está totalmente implantado sequer no Japão. Seremos cobaias dos cientistas japoneses e estamos isolados nessa decisão.
Essa escolha do governo do Lula põe fim a uma longa guerra de bastidores que envolveu ministros de Estado de países estrangeiros, multinacionais fabricantes de equipamentos, operadoras de telecomunicações e redes de TV.
Mas, pelo jeito, a guerra, ou novela, continua. O governo ainda terá que regulamentar o "modelo de negócios": nessa fase, poderá ser definido quem poderá participar da nova televisão e se haverá ou não mais competição no setor. O Congresso Nacional, que tentou participar da escolha do padrão, agora deve voltar suas atenções para esse "modelo de negócios".
Mas como essa decisão afeta o futuro da televisão brasileira?
Ao privilegiar o padrão japonês, essa decisão deve dificultar a entrada de novos concorrentes, novos canais de TV.
Qualquer que seja o resultado da Copa na Alemanha, por aqui, mais uma vez, perdemos a Copa do nosso futuro. As forças do atraso venceram. O Japão e seus aliados brasileiros, os radiodifusores com capitanias hereditárias, comemoram. Ou seja, nada vai mudar. Tudo vai continuar da mesmíssima forma.
O padrão japonês é melhor para as TVs brasileiras porque é o que trará menos impacto ao seu modelo de negócios. Não haverá a entrada de novos concorrentes, principalmente as temidas telefônicas.
Ainda no noticiário...
"Presidente da Comissão Européia critica populismo na América Latina"
BBC Brasil
O presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Durão Barroso, criticou o avanço do que ele considera "populismo" na América Latina. "É um sinal negativo para o continente. Parece um filme que está voltando para trás", afirmou Barroso em uma entrevista coletiva, sem citar nomes de líderes da região.
E tem mais...
Apesar da decisão do governo pelo polêmico padrão experimental japonês, a campanha de Lula enfrenta problemas televisivos...
Marqueteiro de Lula mostra insatisfação com o tempo na TV
Talvez isso explique...
A festa das concessões
"É impressionante como as coisas funcionam neste nosso País. Entra governo, sai governo e continua a mesma coisa. Vi a listinha dos felizes contemplados com canais de rádio e televisão. Em sua maioria, políticos e igrejas. No Brasil, a radiodifusão "ou é altar ou é palanque'."
Governo Lula distribui TVs e rádios educativas a políticos
"O governo Lula reproduziu uma prática dos que o antecederam e distribuiu pelo menos sete concessões de TV e 27 rádios educativas a fundações ligadas a políticos."
Ministros negam motivação política para concessões
"O ministro das Comunicações, Hélio Costa, e seus antecessores no governo Lula, os deputados federais Miro Teixeira (PDT-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), dizem que não usaram critério político para aprovar as outorgas de rádio e televisão educativas."
Minas Gerais recebe oito emissoras de TV na gestão do mineiro Hélio Costa
"Político mineiro, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, autorizou oito concessões de TVs educativas em seu Estado desde que assumiu o cargo, em 8 de julho de 2005."
E nessa "Copa do Mundo" da TV digital podemos perder a liderança continental para a nossa principal rival. Em artigo recente da Tele Síntese:
TV digital: Argentina pode assumir papel de liderança na América do Sul
"Como, no Brasil, a decisão pelo padrão ISDB japonês é dada como certa, ficou para a Argentina o papel de liderança neste processo continental".
"'Nenhum outro país da América do Sul vai adotar o padrão japonês. Será DVD (europeu) ou ATSC (americano)', afirma Mário Baumgarten, CTO da Siemens, empresa integrante da coalização DVB no Brasil. Segundo analistas de mercado, a escolha de um padrão único seria um grande benefício para a região, que contaria com as vantagens de uma economia de escala."
É, pode ser.
A escolha do padrão japonês significa que o governo quer, antes de tudo, agradar às grandes emissoras de televisão do país em ano eleitoral. E vocês ainda têm dúvida de que o Brasil é "excrusividade" da Globo?
Mas como diz o presidente Lula, "em time que está ganhando não se mexe". Agora só nos resta descobrir "quem" estaria ganhando com essa decisão.
No momento, certamente perdem os defensores da democratização dos meios de comunicação e os produtores independentes, alternativos e comunitários. Desperdiçamos a chance de aumentar a diversidade e a pluralidade de conteúdos televisivos.
Ainda podemos ganhar a Copa do Mundo de futebol. Mas certamente estamos sendo derrotados na Copa por uma televisão brasileira melhor e mais democrática.
26 junho 2006
jebronhas
continuo a série fausto wolff/nataniel jebão com uma série de aforismos filosóficos:
Quem tiver mais de 50 anos e disser que nunca foi corneado jamais comeu ninguém.
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Sou favorável à cota extra para negros nas universidades. Garçons, copeiros e motoristas diplomados custam mais caro, mas são mais eficientes.
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Se você é vegetariana, faça amor com um pepino sem medo de engordar.
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Diogo Mainardi, amigo de Gore Vidal, vai queimar seu terno azul Armani porque Lula está usando um igual. É isso aí, rapaz, não deixe água na bacia.
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Se Shakespeare estivesse vivo, seria office-boy do Paulo Coelho.
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Quem se masturba pensando na própria mulher não sabe o que está perdendo.
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Honesto é o político que uma vez comprado permanece comprado.
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Se em vez de ir para a cruz, Jesus tivesse economizado um salário mínimo por mês, hoje teria um apartamento na Vieira Souto.
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Um homem bem sucedido só necessita saber três palavras: táxi, hotel e champanhe.
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Coma um rato podre pela manhã que nada de pior lhe acontecerá.
com a palavra, jebão
nataniel jebão é o alter ego do impagável fausto wolff (ele não deve gostar nada do adjetivo, mas enfim...). como citado no post anterior, publico o artigo jebônico que saiu na revista f.:
Nossa sociedade
por Nataniel Jebão
Do Epistolário Maldito
Inúmeros leitores vêm escrevendo há meses, impressionados com o sucesso desse JEBÃO entre as mulheres. Já as leitoras querem me conhecer. Para realizarem esse sonho devem se apresentar à minha secretária, srta. Nina Rolas, que já atualizou a tabela de preços de acordo com o último aumento da gasolina (uma lambida no umbigo, por dentro, por exemplo, pode custar muito caro). Os marmanjos, além de quererem saber minhas táticas e mumunhas, torram os meus países baixos, imaginando que posso lhes dizer qual a mulher ideal. A fim de contentá-los, depois de instalar a srta. Nina Rolas debaixo da mesa, ditei-lhe algumas notas sobre o assunto.
Da estonteante beleza jebaica
Meu sucesso se deve ao fato de eu ser bonito, rico, culto, bem-dotado e gostar de mulher. Mulher é bom, mas é preciso ir com calma. Em primeiro lugar, é necessário que ela não tenha pênis. Se tiver, já imaginou a decepção do leitor ao descobrir que o dela é maior que o seu? Também não pode ser escocês e nem pader. Se não tiver pênis, não for escocês nem padre, o leitor pode ir em frente porque é bom.
De árvores, hienas & cia.
Se o leitor, porém, tiver passado dessa fase preliminar e encontrar-se no momento na fase seletiva, as coisas se complicam, porque mulher é um bicho essencialmente complicado. Caso contrário não seria mulher e essa nota não teria razão de ser. Elas se camuflam de todos os modos possíveis a fim de atingir seu objetivo: ir para a cama comigo, e de preferência, sem a companhia das minhas nove esposas. Cuidado, portanto, irmão. Se alguém quiser te apresentar uma "jovem atlética", pode ter certeza de que ela tem uma cintura que parece um tronco de árvore. Se lhe falarem de uma moça "talentosa", prepare-se porque ela é gorda e ri muito alto. Se, porém, ela for uma "grande companhia", cautela, porque vive de porre, mas em compensação não faz doce. Tenha cuidado com as soi-disant "chiques". Geralmente tem mais de 1,90m de altura, nem sombra de seios e são ligeiramente corcundas. Fique longe das que são consideradas "engraçadas". São maníaco-depressivas e farão o leitor se jogar do 18o andar, feliz da vida.
De outras dicas diabólicas
Como descobrir o que realmente se esconde atrás da mulher a qual o leitor foi apresentado e pela qual se crê apaixonado? Se as unhas do pé forem duras, se tiver veias no nariz, se tiver dentes perfeitos, aliás, perfeitos demais, pode ter certeza que ela é velha. Se ela rir muito, tiver longos cabelos repartidos ao meio, gostar de caftãs, usar maiô inteiro, andar principalmente de preto e fora de moda, acredite, a jovem é gorda. Tome, porém, o máximo de cuidado com as mais perigosas: as que usam mais de três brincos, mais de cinco anéis, as pretas que usam sombra branca nos olhos e as brancas que usam sombra preta nos olhos, as que conhecem todos os jargões de psicanálise e querem te modificar. Essas, definitivamente, são malucas. Por mais que os leitores queiram, jamais poderão ser um Nataniel Jebão. Portanto, se quiserem acabar misógenos, olhem-se nos respectivos espelhos, façam sincera autocrítica e tentem esquecer-se de tudo o que disse. A mulher ideal mesmo é aquela que não é homem.
23 junho 2006
o lobo (pensante) solitário
a revista f., tocada pelo allan sieber, leonardo e arnaldo branco é hoje o que a chiclete com banana foi nos anos 80 e a animal nos 90. nesse número, fizeram uma entrevista etílica com o fausto wolff, gaúcho de santo ângelo, escritor, candidato a presidente, e que num país um pouco menos filho da puta, seria considerado o maior jornalista do país (e isso é um elogio!). separo duas declarações do lobo -- uma de seu discurso de posse. depois transcrevo um texto genial de seu alter ego, nataniel jebão:
"Eu voltei lá [em Santo Ângelo], me convidaram para um negócio chamado 'Diáspora'. Esse negócio de diáspora é negócio de judeu... meu pai e minha mãe saíram daqui porque estavam sem grana... então não foram corridos (risos). Tudo bem. Aí eu vou fazer a palestra e tinha que receber uma Comenda do prefeito. Aí eu deia a palestra e eu pergunto 'onde está o prefeito'? O prefeito tinha ido embora. Teve um cara que era um santangelense que aparentemente tinha se dado bem na vida, um cara que eramicrocirurgião. Aí veio o microcirurgião 'ah, mas a minha carreira, é difícil, microcirurgião e tal, mas eu também escrevo poesia'. E disse duas ou três poesias. Aí me chamaram no palco, e eu: 'Meu nome é Fausto Wolff, eu escrevo poesia, mas nas horas vagas sou microcirurgião' (risos). 'Se vocês não acreditam, se alguém tem algum problema...' (risos). É claro que não sou uma pessoa muito bem querida em Santo Ângelo (risos)".
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"L: O negócio da sua candidatura. Fausto Wolff presidente. Primeiro de janeiro de 2007. Discurso de posse.
Minhas senhoras e meus senhores, terei que dizer certas coisas que certamente machucarão algumas pessoas. Essas pessoas eu sugiro que comecem a ri rapidamente porque o meu secretário, o Jonhonho (risos) já está ligando para todos os aeroportos do país. Fechando (risos). de modo que esse meu governo vai ser um governo que eu tenho certeza que agradará a todos. Esse meu governo será pai e mãe. Quem não tiver uma casa, terá. Quem não tiver emprego, terá. Quem não tiver hospital, terá. Quem não tiver terra para plantar, terá. E em termos de terra, acabei de dizer ao meu ministro da agricultura o seguinte: que compre todas as terra que não estiverem sendo usadas. E nós vamos pagar o que os proprietários delas declararam para o Imposto de renda. De modo que a Reforma Agrária já está resolvida. A Reforma Educacional: o Estado é responsável pela educação de todas as crianças. Aquele que depois da educação secundária quiser se especializar em uma universidade, será pago pelo governo, e devolverá ao governo assim que cursar. A partir de hoje, todos somos reponsáveis por todos. A partir de hoje, todos os pais são pais de todas as crianças. A partir de hoje todos poderão se queixar ao Estado. Poderão se queixar no bairro, no município, no estado ou em escala federal. A partir de hoje não há mais propaganda eleitoral. A partir de hoje não há mais propaganda eleitoral. Enfim, a partir de hoje, todos os presídios serão examinados. E quem não tiver que estar no presídio será livre. Coisas absolutamente simples."
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Se ele saísse mesmo como candidato, não anularia meu voto.