15 fevereiro 2004

alguém sabe como se faz um morrito?

até agora não consegui encontrar uma página que me explique decentemente como seprepara um morrito.
além de apurar que era a bebida preferida de hemingway em cuba, há controvérsias quanto à origen da tisana: uns dizem que é de cuba, outros que é mexicana (a rima foi intencional).
parece que a receita tradicional leva rum, hortelã e água com e sem gás e limão. mas meu amigo, dueño de fiesta del viernes, dijo que en méxico se lo hace también con jenjibre.
bom, pode-se dizer que bebi então um "morrito perestróika", porque ao invés de rum, foi vodca.

google e macca

caceta! chegaram aqui googando meu nome! estranho saber que tem gente porraí atrás de você.

mas geralmente nunca é uma mulher linda e interessante, são sempre uns barbados safados, meus credores ou detratores.
...
ninguém perguntou, mas venus and mars, do paul mccartney, é uma pequena jóia. não consigo parar de ouvir.

confesso que bebi

o tom da festa de sexta foi esse mesmo. entornei como há muito não fazia. por sorte, além de cerveja uísque morritos (esse eu não conhecia, fiquei fã), tomei dois engoves antes, e um depois. tranqüilo, e não acordei podre.
o hit da festa foi, casualmente, "eu bebo, sim". uma das músicas mais divertidas que conheço, e que resume perfeitamente o que foi a náite.

eu bebo sim
(luiz antônio - joão do violão)

eu bebo sim,
estou vivendo
tem gente que não bebe está morrendo

tem gente que não bebe
e já ta com o pé na cova
já bebeu e isso prova
que a bebida não faz mal

uma pro santo
desce o choro, a saideira
desce toda a prateleira
diz que a vida ta legal

tem gente que detesta o pileque
diz que é coisa de moleque
cafajeste ou coisa assim

mas essa gente
quando está com a cara cheia
vira chave de cadeia
esvazia o botequim

14 fevereiro 2004

é, meu velho, nós dois sabemos o que acontece quando as coisas ficam assim...

sexta à noite tinha uma festa de um amigo, aqui do lado de casa – que eu não podia recusar. e sabe como é, bebe-se e fuma-se. portanto, saí atrás dos pirulitos de câncer. ao chegar ao serafim, quem vejo numa das mesas, em companhia de dois amigos? tatipiv, pela primeira vez, não em pixels, mas em carne, sorriso e cabelos. fiquei pasmo de vê-la in loco.
mas, calma, marcelo, não há motivo ficar assim. tampouco para me apresentar, confessar-me leitor e possivelmente apaixonado. pedi um chope para fazer cera e poder admirá-la, daquela perspectiva enviesada. é claro que ela sequer notou minha presença, entretida no papo com os amigos. mas fiquei lá, sorvendo com vagar o chope e os detalhes de sua arquitetura, o rosto, os alvos braços e os dedos dos pés nas sandálias pretas.

não falei com ela. se não a conheço além das descrições da internet...estarei obcecado? só sei que, assim que deixei o serafim, liguei para o dudu para dar-lhe as boas novas (boas para mim, bem entendido). para mim, a noite já estava ganha.

e o que posso dizer dela? o dia está nascendo, e ela é a música que as cigarras cantam na rua. a imagem dos pés calçados naquelas sandálias pretas é mais do que qualquer vislumbre que eu jamais possa ter tido do paraíso.

como diz o sting "i burn for you".

13 fevereiro 2004

a propósito do bom e velho otis redding

se tem algo de que me orgulho na vida, um gesto em direção ao próximo, uma realização que sei que vai permanecer, é ter feito minha irmã gostar de otis redding.

uma mudança há de vir

já tinha ouvido essa música em alguns filmes, mas não sabia nem seu nome. é daquelas que dão vontade de chorar de cara, mesmo que você não entenda porra nenhuma de inglês. aí, estou eu, inocentemente baixando umas músicas do otis redding, e descubro a change is gonna come, sem ter idéia do que seria. só o primeiro verso já dá um arrepio no espinhaço e um nó nas tripas. recomendo com ênfase. sem mais:

a change is gonna come

I was born by a river in this little old tent
Oh just like this river I've been running ever since

It's been a long long time coming
But I know a change is gonna come
Oh yes it is
Oh my!

It's been too hard living
And I'm afraid to die
Cause I don't know what's up there
Beyond the clouds

It's been a long long time coming
But I know a change is gonna come
Oh yes it is
Oh my

There's a time I would go to my brother
I asked my brother "will you help me please?"
He turned me down and then I ask my dear mother
I said "Mother! I'm down on my knees"

It's been a time that I thought
"Lord, this couldn't last for very long"
But somehow I thought I was still able to try to carry on
It's been a long, long time coming
But I know a change is gonna come
Oh yes it is

Just like I said, I went to my little bitty brother
I asked my brother "Brother help me please?"
He turned me down and then I go to my little mother
I said "Mother! I'm down on my knees"

But there was a time that I thought
"Lord, this couldn't last for very long"
But somehow I thought I was still able to try to carry on
It's been a long, long time coming
But I know a change is gonna come
Oh yes it will

...
quão apropriado.

12 fevereiro 2004

fluindo como água

li o capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio de um fôlego só. o velho buk está demais. e tanto falou na importância que a escrita teve para que ele continuasse a viver, e tanto exortou para que escrever seja um ato de entrega que envolva risco, que acho que fiquei influenciado. são mais de duas da manhã, e não há sono ou medo, só clareza e a certeza da completude. há muito tempo não me sinto tão feliz.

o texto flui das branquinhas com música, escorrendo como um manancial. é claro que o john coltrane, no disco que comprei há algumas semanas na banca, a R$ 4 pilas, deve ter sua parcela de incentivo (destaque para naima, obra-prima inquestionável. lírica, feroz e caótica, a um só tempo).

amanhã acendo uma vela (ou tomo um trago) em homenagem a são bukowski. ele merece, onde quer que ele esteja.

esse blogspot é uma merda!!!!!!

se eu não bostejar o texto rapidinho, essa buçanga transforma todos os acentos e cedilhas em merdas de pontos de interrogação. mas que sacoooooooooo!

estrabismo ou crise de identidade?

descobri que, assim como a déborah secco, pode ser que eu seja ligeiramente estrábico. estrabismo convergente, não metafórico, bem entendido. (aliás, acabei de ver no houaiss que estrábico e vesgo são sinônimos. sepultada uma dúvida ancestral).
foi vendo as fotos do reveillon no fotolog do cabeção (não consegui fazer o link pegar de jeito nenhum) que descobri que saí vesgo em TODAS as fotos. bizarro! será que sempre fui assim e nunca havia reparado? será que foi o álcool que me deixou daquele jeito?

outro dia, vinha sentado no ônibus atrás do trocador. nas costas dele, normalmente tem um anteparo com um vidro, bem na altura de quem tá sentado. é bom porque, se a viagem estiver chata, o sujeito pode dar uma de narciso, sem culpa de neguinho reparar.

assim estava eu, até que me lembrei de uma coisa que fazia bastante quando chegava bêbedo em casa, ainda com a minha mãe. sentava na frente do espelho e ficava me encarando, sem no entanto focalizar em nenhum ponto específico. o que acontecia era que, em pouco tempo, as feições embaçavam-se e o rosto dava a impressão de se modificar.

como o bumba passasse pelo aterro a uma velocidade constante, sem muitos sobressaltos, resolvi brincar disso para passar o tempo. e me concentrei, até que consegui. e durante quase um minuto, talvez, tive a impressão de que meu rosto ser aquele que tinha se formado, e não o que estava acostumado a ver. fiquei impressionadíssimo, e bolei uma teoria meio louca: se é tão comum as pessoas terem uma opinião completamente equivocada sobre si mesmos, porque não seriam capazes de criar mentalmente uma auto-imagem física? não é tão difícil quanto parece. ou não é o que acontece com anoréxicos e bulímicos - se verem jamantas, quando estão cambaxirras? e quanto ao som da voz gravada? quantas vezes você não estranhou o som de sua própria voz na secretária eletrônica ou num vídeo? por isso não acho tão absurdo que alguém, depois de 30 anos, se descubra vesgo...

fiz o teste, perguntando para o salsão, mas a resposta foi um tanto evasiva: "talvez, ligeiramente, mas de um olho só, sei lá...". lembrei que quando era moleque freqüentei durante um tempo um oftalmo. ia pra lá e fazia aqueles exercícios de olhar dentro de um aparelho e, com alavancas, colocar o leão dentro da gaiola. ou de tentar reproduzir um desenho refletido por um vidro espelhado, numa folha de papel do outro lado. exercícios de convergência? vou perguntar para a minha mãe, ela deve saber disso melhor...

o engraçado é que não estou puto em ser um possível vesgo. estou meio vidrado com a novidade. como quando descobri que talvez tivesse distúrbio de déficit de atenção (dda). é apenas mais uma característica, inconclusiva, que se soma à construção de minha confusa personalidade.

às vezes me acho um camarada bem estranho...

"como você veio parar aqui?"

engraçado, pela primeira vez vejo que esse nedstat (esse quadradinho azul aí abaixo dos archivos, pô) não serve apenas para marcar o total desprezo do público pelo meu blog. serve também para ver como tem maluco na rede, e como você pode chegar aos resultados de busca mais inusitados. teve neguinho que chegou aqui procurando, por exemplo
- borduna (ok, afinal é o nome dessa joça);
- maria zilda playboy (ou deve ser algum adolescente que a descobriu, ou algum coroa saudosista);
- criação de galinhas(alguém do interior de sampaulo, ou querendo montar um camarote no carnaval);

só fico pensando quando é comigo, as escatologias que não saem de resultados, hahaha!

11 fevereiro 2004

prespeiro

deu hoje no gente boa, do joaquim, no globo:

Pinto no lixo

Pérola do folclórico mau humor de Jamelão. O cantor Toni Garrido suplicava, anteontem, no Canecão: "Deixa eu beijar sua mão, mestre!"
Jamelão, tirando a mão fora:
"Beijar a mão pra quê?! Eu não sou pai-de-santo!"


por essas e outras é que eu me amarro no jamela.

gil scott-heron

gil scott-heron é negão e cantor de protesto dos mais tarimbados nos anos 60/70. acho que foi o pai do rap, mas não vi a certidão de nascimento; portanto, posso estar errado.

quase todos os filmes sobre as revoltas negras da época usam - aliás, com muita propriedade - sua música the revolution will not be televised.
de que me lembro agora, tem três: malcolm x, ali, e hurricane. fique com a letra:

The revolution will not be televised

You will not be able to stay home, brother.
You will not be able to plug in, turn on and drop out.
You will not be able to lose yourself on skag
And skip out for beer during commercials,
Because the revolution will not be televised.

The revolution will not be televised.

The revolution will not be brought to you by Xerox
In four parts without commercial interruption.
The revolution will not show you pictures of Nixon
Blowing a bugle and leading a charge by John Mitchell,
General Abrams and Spiro Agnew to eat hog maws
Confiscated from a Harlem sanctuary.

The revolution will not be televised.

The revolution will not be brought to you by the Schaefer Award Theatre
And will not star Natalie Wood and Steve McQueen
Or Bullwinkle and Julia.
The revolution will not give your mouth sex appeal.
The revolution will not get rid of the nubs.
The revolution will not make you look five pounds thinner, because

The revolution will not be televised, brother.

There will be no pictures of you and Willie Mays
Pushing that cart down the block on the dead run,
Or trying to slide that color television into a stolen ambulance.
NBC will not predict the winner at 8:32 or the report from 29 districts.

The revolution will not be televised.

There will be no pictures of pigs shooting down brothers in the instant replay.
There will be no pictures of pigs shooting down brothers in the instant replay.
There will be no pictures of young being run out of Harlem
On a rail with a brand new process.
There will be no slow motion or still life of Roy Wilkens
Strolling through Watts in a red, black and green liberation jumpsuit
That he had been saving for just the right occasion.

Green Acres, The Beverly Hillbillies, and Hooterville Junction
Will no longer be so damned relevant,
And women will not care if Dick finally gets down with Jane on Search for Tomorrow Because Black people will be in the street looking for a brighter day.

The revolution will not be televised.

There will be no highlights on the eleven o'clock news
And no pictures of hairy armed women liberationists
And Jackie Onassis blowing her nose.
The theme song will not be written by Jim Webb,
Francis Scott Key, nor sung by Glen Campbell, Tom Jones,
Johnny Cash, Englebert Humperdink, or the Rare Earth.

The revolution will not be televised.

The revolution will not be right back after a message about a white tornado,
White lightning, or white people.
You will not have to worry about a germ on your bedroom,
A tiger in your tank, or the giant in your toilet bowl.
The revolution will not go better with Coke.
The revolution will not fight the germs that cause bad breath.
The revolution WILL put you in the driver's seat.

The revolution will not be televised, will not be televised, will not be televised.

The revolution will be no re-run brothers;
The revolution will be live.

10 fevereiro 2004

maior stresser. ou será strasser?

eu tenho tesão na guta strasser. desde que a vi como virgem maria na montagem do auto da compadecida, pelos fudidos privilegiados, fiquei vidrado. outro dia, assistindo o vídeo show enquanto almoçava (sou viciado em comer assistindo tv), tive o prazer de descobrir que ela tem a perna pra trás. sabe quando a pessoa fica em pé, e a perna esticada faz uma curva para trás? pois é, acho um tesão. maravilha total, como diria o herbert vianna.

só tenho uma dúvida: ultimamente tenho lido seu nome grafado stresser em todos os lugares. feio, né? será que foi numerologia? ou deu um surto de apuração mal-feita nos coleguinhas?
respostas para esse endereço.

bukowski é o caralho!

hoje tive que resolver uma porrada de coisas lá pelas bandas do largo do machado. postei umas cartas, paguei o último dízimo que me ligava à gabriela, e aproveitei para ir às sendas (pensei que fosse mais barato. também, mais barato que o quê?).

na saída, tinha uma banca perto, com aquela gôndola giratória com livros de bolso da lpm. parei para dar uma bisoiada (já descobri pérolas, como o alberto vásquez-figueroa, do tuareg). achei um bukowski novo. o capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio. últimos escritos, em forma de diário, publicados postumamente, com ilustrações do crumb! saquei os 10 capilés e 50 sem titubear.

quem me apresentou ao velho safado foi meu irimão joânibus. (aliás, o título do bostejo vem de uma brincadeira particular nossa.) mas seu grande entusiasta sempre foi o paulito. ganhei dele notas de um velho safado, no último aniversário. aliás, outro dia ele me confessou que o único presente que dá para os amigos são livros do bukowski. quer espalhá-lo como a um vírus, suponho. (aliás, paulito sequer desconfia que o seu delírios cotidianos, ilustrado pelo mathias schultheiss, está até hoje comigo. devolver-lho-ei).

quem não o conhece acha que é literatura menor, coisa de doidão. mas o velho buk é um lírio nascido da merda. ao mesmo tempo que desenvolve uma reflexão transcedental, lasca uma metáfora escatológica do mais baixo nível. assim ele foi e sempre será. sem perdão. sem concessões.
do seu diário, faço questão de copiar um trecho.

29/08/91 - 22:55

Hoje, foi devagar no hipódromo. Minha maldita vida pendurada no gancho. Vou lá todos os dias. Não encontro ninguém lá, só os funcionários. Provavelmente, tenho alguma doença. Saroyan perdeu seu rabo no hipódromo, Fante, nas cartas, e Dostoievsky, na roleta. E realmente não é uma questão de dinheiro, a não ser que você fique duro. Eu tinha um amigo jogador que dizia: "Não me importo se perco ou se ganho, só quero apostar". Tenho mais respeito pelo dinheiro. Tive pouco na maior parte da minha vida. Sei o que é um banco de praça, e o proprietário bater na porta. Só existem duas coisas erradas com o dinheiro: quando é de mais ou de menos.
Acho que sempre arranjamos uma coisa para nos atormentar. E, no hipódromo você sente as outras pessoas, a escuridão desesperada, e como jogam e desistem com facilidade. A multidão do hipódromo é o mundo em tamanho menor, a vida lutando contra a morte e perdendo. No final, ninguém ganha, buscamos apenas uma prorrogação, um momento sem ser ofuscado. (Merda, a brasa do cigarro queimou um dos meus dedos enquanto estava meditando sobre essa falta de sentido. Isto me acordou, me tirou deste estado sartriano!) Diabos, precisamos de humor, precisamos rir. Eu costumava rir mais, eu costumava fazer tudo mais, exceto escrever. Hoje, escrevo, escrevo e escrevo, quanto mais velho fico, mais escrevo, dançando com a morte. E acho que a coisa está boa. Um dia dirão: "Bukowski está morto", e daí serei verdadeirammente descoberto e pendurado em fedorentos e brilhantes postes de luz. E daí? A imortalidade é uma estúpida invenção dos vivos. Você vê o que faz o hipódromo? Faz com que o texto flua. Relâmpagos e sorte. O último azulão cantando. Qualquer coisa que digo soa bem porque eu arrisco quando escrevo. Gente demais é cuidadosa demais. Estudam, ensinam e fracassam. A convenção apaga sua chama.
Me sinto melhor agora, aqui neste segundo andar com o meu Macintosh. Meu companheiro.
E Mahler está no rádio, desliza com tanta facilidade, arriscado muito, isso é necessário às vezes. Então, ele manda um daqueles trechos apoteóticos. Obrigado, Mahler, pego emprestado de você e nunca poderei pagar.
Fumo demais, bebo demais, mas não consigo escrever demais, o texto fica vindo e peço mais e chega e se mistura com Mahler. Às vezes, paro deliberadamente. Digo espere um pouco, vá dormir ou olhe seus nove gatos ou sente com a sua mulher no sofá. Você está no hipódromo ou com o Macintosh. E então paro, piso no freio, estaciono a maldita coisa. algumas pessoas escreveram que meus livros as ajudaram a seguir em frente. Me ajudaram também. Os livros, os cavalos, os nove gatos. Aqui, há uma pequena sacada, a porta está aberta e posso ver as luzes dos carros na Harbor Freeway sul, nunca param, o rolar das luzes sem parar. Todas aquelas pessoas. O que estão fazendo? O que estão pensando? Todos nós vamos morrer, que circo! Só isso deveria fazer com que amássemos uns aos outros, mas não faz. Somos aterrorizados e esmagados pelas trivialidades, somos devorados por nada.
Continue, Mahler! você fez com que esta fosse uma noite maravilhosa. Não pare, filho da puta! Não pare!

derradeira frase

sei que tem carradas de gentes que odeiam o jabor. eu mesmo não sou dos fãs mais ardorosos, mas não deixo de o ler, e reconhecço que quando ele não quer ser o nelson rodrigues, manda bem.
a frase que o avô disse para ele antes de morrer é um primor, mais grandiosa que a do goethe ("luz! mais luz!"). é para se botar numa placa.

É chato morrer, seu Arnaldinho, porque eu nunca mais vou à Avenida Rio Branco.

tá na coluna de hoje.

desenho em flash

tarrei de algum lugar. não lembro de donde.

quero ficar no teu corpo...

estou considerando seriamente a possibilidade de, em se acabando bem meu suplício (leia-se "aprovação"), fazer uma tatuagem. para marcar mesmo o fim do ciclo, e comemorar a entrada nos "inta".

entre os temas, oscilo entre um urobouros, um nome de deus (para agradecer), ou então uma das calaveras do posada.

os desenhos, obviamente, serão meus, mas ainda não tenho idéia do lugar.
...sem piadinhas de duplo sentido, por favor...

09 fevereiro 2004

meu bisavô

seu nome era eustórgio wanderley. isso mesmo, eustórgio. pernambucano do recife, nasceu em 28 de fevereiro de 1882, cantou para subir em 31/05/62, antecipando em 11 anos e um dia meu nascimento.

foi jornalista (desde os 15 anos), poeta, dramaturgo, cenógrafo, músico, escritor e pintor laureado pela academia nacional de belas artes. entre suas muitas artes, participou durante anos da revista o tico-tico, (tendo escrito alguns números quase inteiros, sob pseudônimos como maurício maia, venceslau semifusa e trancoso); escreveu dois volumes intitulados tipos populares do recife antigo, que reúnem diversas crônicas ilustradas por ele mesmo; em 1925, como integrante do ciclo de cinema de recife, roteriza e dirigir o filme história de uma alma, considerado o projeto mais ambicioso da época(e que quase o levou à falência), sobre a vida de santa teresinha de lisieux.

a última que descobri foi que ele deu um pitaco no hino nacional. osório duque estrada tinha recém-escrito no primeiro verso da segunda parte:

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil,
jóia da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!


e meu bisavô então escreveu-lhe dizendo que o jóia, pela métrica, seria cantada joiá, o que não convinha de forma alguma. e sugeriu ao poeta que trocasse o termo por "florão". dito e feito.

ao invés de facilitar...

bom, acho que sei a quem puxei, afinal de contas.

notícias de hoje

Bush, o presidente da guerra

deu no jb. entre outras sandices, bush filho confessou que toma decisões com a "guerra na mente". segundo a matéria, ele também "advertiu para os perigos que o mundo enfrenta".
resta saber se ele se referia a outros além dele mesmo.

quanto ao iraque, o xerife do mundo afirmou que a invasão do iraque se tratou de uma "guerra por necessidade".
sim, econômicas, dele e de seus comparsas.

o momento"é-ou-não-é-piada-de-salão", entretanto, deveu-se à seguinte declaração:

Desejo liderar o mundo em direção à paz e à liberdade. Quero comandar este grande país para trabalhar com os outros e mudar o mundo de maneira positiva.

07 fevereiro 2004

raduan nassar

peguei para folhear (ainda não posso ler nada) o "lavoura arcaica" do salsão. a prosa poética do raduan nassar tem algo de hipnótico, de embriaguez de clarinete. logo me remeto à beleza das imagens que o luiz fernando carvalho extraiu do texto, sem perder a fluência da prosa. do outro filme, não gostei.

meu primeiro contato com a obra do autor foi na faculdade, através do conto ventre seco. a intensidade e o estilo da prosa logo me seduziram, mas sequer sabia a nacionalidade do autor. parti numa pesquisa incessante, até seus livros serem reeditados pela companhia das letras.

curiosa, a decisão de deixar a carreira de sucesso como literato para a criação de galinhas, no interior de sampaulo. como se chegasse à conclusão que o que vale é o torvelinho da vida, e não sua representação estética. mas para isso, ele primeiro mostrou que subjugou o leão da arte.

06 fevereiro 2004

outra ingerência lusa

tirei daqui. é um ponto de vista...

I give up

Estou absolutamente farta de gajos com complexo de Peter Pan!!!
Eu explico. Um gajo com 30 anos que não esta casado ou é gay, ou está magoado, ou então tem uma grande rodagem. Este último tipo é-me bem familiar. Sabe como as coisas funcionam. Como começam e como acabam. Está sozinho porque quer, porque se habituou a isso. Age como se tivesse menos 10 anos (daí o Peter Pan), conhece a natureza humana e aproveita-a. Sobretudo, esta-se a cagar. É naquela.
Este tipo de gajo exaspera-me pela falta de consideração.
I give up!

edilásio, o gênio (sic) da raça

sempre gostei de programas de tv toscos. dos genuínos, toscos de conteúdo e pobres de produção (a eles será dado o reino dos céus!). sou assim desde o "perdidos na noite", do falecido fausto silva (abduzido pela besta do jardim botânico e substituído por um clone pasteurizado).

até pouco tempo, quando eu ainda via alguma televisão, não perdia aos domingos o "samba de primeira", do meu guru jorge perlingeiro ("só se for agora!"). e mais esporadicamente, o "deles e delas", "plantão de notícias", e onde tinha tv a cabo, "hermes e renato". todos no mesmo nível de indigência.

mas bom mesmo é o edilásio jr, com seu "vip". é demais! uma vez teve a "cobertura" da festa de aniversário do dono da water proof, gravado na casa do sujeito, com direito a imagens do tipo "tia-gorda-espremida-no-sofá-da-sala-de-estar", família sorrindo amarelo para as câmeras, e memórias constrangedoras do aniversariante, a língua solta pelo uísque. passei o programa bestificado, tentando calcular quanto ele pagou à facha pelo diploma de jornalista.

(depois perguntam porque sou favorável ao fim da obrigatoriedade do diploma.)

e apesar de o jorge perlingeiro ter passado um programa interio chamando o edney giovenazzi de "giovanezzi", nada se aproxima das pérolas do edilásio, como essas, descaradamente chupadas do xingatório da imprensa:

Terça-feira, Fevereiro 3

Intervalo


Edilásio Barra é um sujeito que se diz jornalista, professor universitário e empresário. Nesta segunda, seu programa na Bandeirantes, Vip, mostrou entrevistas feitas na festa de aniversário do secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Estado, Wagner Victer. Eis os melhores momentos:

- E aí, você veio prestigiar nosso amigo, o secretário Wagner Vict?
- [...] esse trabalho
à frente da Rosinha Matheus, da Rosinha Garotinho...
- Estou feliz por estar aqui [...] viu, Wagner Vict?
- Como é que tá o trabalho no TRE? [...] Daqui a pouco vai começar o
credenciamento.
- Fala um pouquinho da festa desse secretário, que é amigo de todos os prefeitos, o Wagner Vict.
- Fala um pouquinho
do seu trabalho na pirataria.
- Estou aqui com o chefe de gabinete do Wagner Vict.

...
é ou não é genial?

05 fevereiro 2004

e por falar em suvaco...

alvíssaras! reencontrei os pêlos da madonna!

para quem (?) acompanha essa baiúca desde os primórdios, num dos primeiros bostejos (um dia aprendo a linkar direito), falei da importância dos pêlos do suvaco da madonna na construção da minha libido.

pois bem, aqui você pode vê-los, os pêlos, os mesmos daquela longínqua playboy da maria zilda, que perderam-me para sempre.

mulher de uniforme

definitivamente, uniformes não fazem parte da minha lista de fetiches. a não ser pela combinação "sapato-boneca-meia-até-o-joelho-saia-plissada-e-camisa-branca" do pedro II que me assombrou a adolescência, uniformes em geral só me arrancam bocejos.

bem, acho que as coisas mudarão, depois do ensaio do fotógrafo ashkan sahihi sobre as mulheres das forças de defesa de israel, que encontrei pelo belle de jour. mexeu comigo. não perguntem.

no mesmo site também tem uns ensaios bizarros, como de suvacos, gente sob o efeito de psicotrópicos e estupefaciantes, e com gozo na cara, entre outros. estranho, algumas vezes desagradável, mas ainda assim, interessante.

04 fevereiro 2004

manara, pratt, corto & bergman

manara conheci por volta dos 14, apresentado por um amigaço. para quem não sabe, maurillo (milo) manara é para a minha geração o que o carlos zéfiro foi para a do meu pai. desenhista italiano de primeira linha, é doutor em safadezas. suas mulheres de papel estão entre as mais gostosas do mundo, concorrendo inclusive com as de carne e osso (aliás, “homem de papel” é um de seus títulos lançados no brazuca).

hugo pratt eu só descobri mais tarde, já batendo a casa dos 30. quer dizer, conhecia algo de sua obra, mas tive que amadurecer para me apaixonar pelo seu traço. esse é MESTRE, com direito à maiúscula em tudo. veneziano, das viagens que empreendeu por boa parte do mundo, tirou subsídio para histórias inesquecíveis, muitas delas vividas por seu personagem-alter-ego, corto maltese.

marinheiro mercenário, charmoso e enigmático, corto é filho de uma cigana feiticeira, "la niña de gibraltar". ainda menino, nota a surpresa da mãe ao constatar que o filho nascera sem a “linha do destino”. assim, corto pega escondido a navalha de seu pai e traça-a ele mesmo na palma da mão. suas histórias ocorrem por volta das décadas de 10 e 30, passando pela primeira guerra até a guerra civil espanhola, onde relatos dão conta de que ele desaparece de vez.

guiseppe bergman é o cruzamento da colaboração dos dois mestres. ganha vida em 78, pelo traço de manara, no álbum hp e guiseppe bergman. na história, bergman, de saco cheio da vida, aceita a proposta de uma grande corporação de viver uma aventura onde ele imaginar, com tudo pago, em troca da exploração comercial da mesma. só que o personagem é incapaz de lidar com os imprevistos. maldizendo sua sorte a todo momento, ele tenta se convencer de que “agora, sim, começa a aventura!”. seu mestre de aventuras, espécie de quebra-galhos para orientação nos momentos críticos, é um certo hp, ou, nada menos que o hugo pratt em pessoa. bela e merecida homenagem.

tudo isso para dizer que, bom a dissertação não anda, mas “agora sim, começa a aventura!”

alea jacta est!

"o futuro é o que o presente consegue agüentar"

a frase é do robert fripp. guitarrista cabra macho, alternativo, empreendedor e experimental, desde os anos 60 é o cérebro por trás do king crimson. tocou com porrilhões de gente boa (talking heads, david bowie, peter gabriel, blondie, brian eno).
tem milinques aqui sobre o fripp e o king crimson.

mas legal mesmo é essa letra "trava-línguas" dele:

I may not have had enough of me, but i've had enough of you

That is the way it is because it is that way
It is that way in that it is the way it is
In the way that it is that way that is the way it is
In the way that that is the way that is the way it is that is it is the way
Or, that it is that way is the way it is
The way it is that is the way it is
In that it is the way it is is because it is that way
Or that it is the way that it is is the way that it is that
That is the way that it is the way that it is is the way that it is that way
I may not have had enough of me but I've had enough of you

03 fevereiro 2004

teta terrorista

engraçado o povo ao norte do rio grande. todos ficaram chocados quando aquele rapaz de nome de marca de sapato, justin timberland(tm) botou o peito da janet jackson pra fora, na final da supertigela.

ora, não tem duas semanas, jantei com as cenas de pilotos de helicóptero despedaçando civis desarmados no iraque. fine! aí são "nossos rapazes" cumprindo seu dever cívico. mas um peitinho, onde já se viu!

mas não nos melindremos: o garoto jã se desculpou, a mtv e a cbs também declararam não ter nada a ver com o peixe. quem parece que não gostou mesmo foi o cacique do federal communications comission, um tal michael powell. depois de quase se engasgar com um pretzel, a bicha subiu nas tamancas:

- Fiquei ultrajado com o que vi. Como milhões de americanos, minha família e eu nos juntamos na frente da televisão para uma celebração. Em vez disso, a celebração foi manchada por uma deplorável e inqualificável atração.

calma, gente! como diria clara nunes, "é um peito só"! 'cês nem parecem ameircanos... tá certo, a tetinha parece já ter visto dias mais empinados, (aliás, aquilo no mamilo é um pilsen ou uma estrela ninja?), mas pelo menos era natural. queria ver se fossem as bolas de capotão da pamela anderson ou da carmen electra, se os "milhões de americanos" achariam a atração "deplorável e inqualificável". tá mais é me cheirando a racismo. ô janet, tá na hora de você vingar seu mano. processo nesse cabra!

enquanto isso, do lado de fora, tudo corria de acordo com o american way of life:

A violência esteve presente nas comemorações pela vitória do Patriots nas ruas de Boston. O caso mais grave foi registrado perto da Universidade de Northeastern, quando um rapaz de 24 anos, embriagado, atropelou três pessoas, matando uma e deixando outra gravemente ferida.

vai entender...

02 fevereiro 2004

Sharon surpreende e anuncia fim de assentamentos em Gaza

apesar de parecer uma notícia boa, ela é matreira. sharon não bom. é um homem com um plano, e este, por sua vez, também não é bom. entretanto, de arrepiar mesmo é o fim da notícia:

Na segunda-feira, um militante palestino que havia perdido as duas pernas e um braço há um ano, vítima do disparo de um tanque, resistiu à prisão na Faixa de Gaza e acabou sendo morto por soldados israelenses, junto com três outros homens armados.

Cerca de 10 mil pessoas, muitas delas fazendo disparos para o alto, participaram dos funerais dos quatro homens. "Sharon, prepare os sacos para os cadáveres. Sangue por sangue", gritava a multidão.

...
à parte as demonstrações de estupidez de ambas as partes, gostaria de que alguém na platéia me esclarecesse uma dúvida: que resistência à detenção um cara sem as duas pernas e sem um braço pode oferecer a um monte de soldados saudáveis e armados?

mantra pra espantar a tristeza

do bom e velho macca:

Its my carnival, it's a lovely day
Well its my carnival, it's a lovely day
Well all you people, getting ready to play
I want to hear you say, come on down
This is my carnival, it's a lovely day


(My carnival - Venus and Mars)
...
agora vê se senta o rabo e vai trabalhar, vagabundo de merda! ó o prazo correndo e você sem nada ainda, imbecil!

01 fevereiro 2004

álcool

cada dia que eu bebo
é mais um dia que eu bebo
é mais um dia que eu perco
é mais um dia que eu parco
é mais um dia que eu parto.

'tis good to be alive (tisco tubim a laivo)

acordo às três, com a roupa de ontem e o mundo sapateando na minha cabeça. no celular, mensagens desaforadas. abro o computa, e dou de cara com um imeio cabeludo. trago litros de café e um cigarro, coisa que não faço há anos. calafrios percorrem meu corpo toda vez que bate um vento.

vejo as canções baixadas antes de começar a trabalhar. quando ligo o alto-falante, esbarro no telefone, que derruba a xícara, que se espatifa no chão. seu conteúdo, já frio, derrama-se sobre o teclado, minha bermuda e o estofado da cadeira (gabi vai me matar!). tudo isso com o wilson pickett aos berros, cantando
Ow! Do it!
Wow! Do it!
Just watch me do it
Ah help me!
Ah help me!
Ah help me!


hoje é dia.

pode a vida ser melhor?

carta aberta de peito idem

acordo às três da tarde, a cabeça desse tamanho, e a certeza de que nunca
mais volto a beber até a próxima semana. ou até o fim do meu karma dissertativo. me lembro vagamente (de não começar frase com pronome oblíquo) e de ter ouvido um pipipi enquanto dormia. era o celular, com uma porrada de mensagens. ao mesmo tempo em que levava esporro, me perguntavam sobre música dos anos 80 (!).
...
ontem saí porque estava a fim de te conhecer, mas como vc mesmo lembrou num dos pipipi, não tinha a menor intenção de nada. sinceramente, não sei de onde veio essa fixação comigo, sei lá, a sua amiga pode ter falado etc., mas essa história morreu. finito. e mais ainda, não sei de onde veio a idéia de que eu pudesse ser um cara bacana. não sou. ou melhor sou, algumas vezes. outras não, como acho que acontece com a maioria das pessoas, à exceção do papa, que tem por profissão, se não gostar, ao menos perdoar os outros.

sinto se ontem meio larguei de mão nosso encontro, mas há muito não via aquele cara, que é um dos meus maiores amigos, e um dos sujeitos por quem mais tenho apreço. e posso até ter realmente me galanteado pra prima dele, assim como me galanteio pra meio mundo, mas como já afirmei, sem a menor intenção de nada. e não te "rifei", como você afirmou. o outro camarada é um dos caras mais interessantes que eu conheço, um puta escritor e um sujeito que eu levaria para uma ilha deserta. se ele se mostrou interessado, bacana, mas não tenho nada a ver com isso.

sou chato, egoísta e, depois de uns merecidos pés-na-bunda, fiquei cético e cínico. talvez a imagem que a sua amiga tenha te passado seja a de um cara que estava mostrando o melhor de si para impressionar. mas não sou aquilo. como também não sou apenas isso que acabei de escrever. não sei o que quero, mas sei o que não quero. mal-resolvido, duro e desempregado, a última coisa que quero é me envolver. já disseram que tenho dois corações: um que dou pra todo mundo, e outro que não dou pra ninguém. mas há controvérsias. porque também já me compararam ao homem-de-lata, do mágico de oz. se vc não lembra, ele não tinha coração (mas isso, eu e o norton nascimento sabemos que temos. o meu talvez esteja no intestino). mas enfim, como um puta narcisista que sou, gosto até dos meus defeitos, e gostei da imagem. e vivo bem sendo um enclausurado sentimental.

sinto se te decepcionei, mas pensando fria e sobriamente (apesar da dor de cabeça), chego a considerar a possibilidade de, levado pelo álcool e privado de sentidos (sempre achei que um dia usaria essa expressão), poder ter querido desconstruir a imagem de bom moço. não sou um desafio, não sou a esfinge que pede para ser decifrada, não sou inteligente ao ponto de não fazer cagadas, e tampouco capaz de me interessar verdadeiramente pelas pessoas. e gosto disso. para o bem ou para o mal.

mas não estou aqui para pedir desculpas. o que fiz está feito, e só me resta viver com isso. ou não.

em face dos últimos acontecimentos

Teus amigos estão sorrindo
de tua última resolução.
Pensavam que o suicídio
Fosse a última resolução.
Não compreendem, coitados
que o melhor é ser pornográfico.


só drummond, só drummond, só drummond. tirado daqui.

31 janeiro 2004

i'm going through changes (amigou intro tiê e gens)

black sabbath foi a trilha sonora que inaugurou a psicodelia do meu período carburado, a partir dos 15/16 anos.

tenho um apreço especial pelos discos black sabbath 4 (tive um vinil peruano, com um álbum de fotos entre as duas capas e os nomes das músicas apenas em espanhol! que tal ceguera blanca?) e never say die, de levadas poquito más jazzísticas.

gostava tanto deles que, em 2000, anos depois de sepultadas as últimas baganas, comprei uma coletânea dupla em CD. tinha também umas músicas do grupo já sem o ozzy, absolutamente passáveis, mas no todo deu o velho arrepio maneiro no espinhaço.

tô falando disso pq outro dia, tentando baixar changes, do david bowie, e veio a do black sabbath. né por nada, não, mas já viram a letra?

não tô querendo dizer nada (e já me contra-dizendo), mas é bonita pracará.

leo jaime é um figuraça

encontrei essa entrevista com o rotundo cantor na rede.
percebam a presença de espírito na resposta (o resto também vale a pena):

Monique Evans disse que você foi o primeiro cara que a fez sentir orgasmo. Qual o segredo?
É simples. Quando se conhece uma mulher que não chega ao orgasmo, tem de perguntar do que ela gosta, e evitar fazer isso a qualquer preço. Se o que ela gosta não a conduz ao orgasmo, você tem de evitar aquilo. E Monique sempre foi muito romântica, queria uma relação de muito carinho, feita com doçura... Quando ela falou isso passei logo uma rasteira e meti a mão (risos). Daí ela se apaixonou. Foi uma relação muito boa. E ela não fala disso a troco de nada. Mas meus amigos até hoje acham que a declaração dela à Veja foi matéria paga, que fiz só pra me dar bem (risos). Me perguntavam qual a receita e eu respondia: "Treino muito quando estou sozinho".

notícias de hoje (II)

Canibal alemão é condenado a 8 anos

injustiça da grossa. não devia sequer ser preso, mas teve gente qua achou pouco. ora, se um camarada põe um anúncio em jornal procurando alguém para literalmente devorar, e um outro doido atende, quem vai comer quem, e como, é problema sexual exclusivo deles.

todos os vizinhos, amigos e conterrâneos do caboclo são unânimes em afirmar que ele era um lorde com adultos e crianças. pervertido, sim, mas reservado (como reza a boa conduta alemã), sem jamais dar pinta, importunar ou forçar quem quer que fosse. "sou doente, mas sou limpinho", devia ser seu mote.

e para quem esteja me achando tão pervo quanto o tedesco, boto mais lenha na fogueira: e o time uruguaio de rugbi, que em 73 passou 70 dias na neve dos andes, depois da queda de seu avião? eles só conseguiram sobreviver porque deram vazão aos próprios instintos antropofágicos, canibalizando quem tinha morrido na queda. depois, até a santa madre igreja os perdoou. mas do alemão - com o perdão da metáfora - estão todos querendo-lhe a carniça, só porque ele, além de comer, gravou um vídeo "culinário" e o assistiu várias vezes, segundo os jornais, "para satisfazer sua sexualidade".

pergunto: por que a manutenção da sobrevivência é mais louvável do que a satisfação dos desejos? ou melhor: qual a razão de se estender uma existência, se nela não há prazer? ora bolas, o canibal não forçou ninguém. o tal engenheiro-refeição se apresentou de livre e espontânea vontade. segundo consta, ainda saborearam juntos o pênis flambado do último. e, apesar de ter ficado um pouco carregado no sal, parece que os agradou sobremaneira.

o que dizer dos casais que se engajam em relações onde reina a perversidade e a agressão mútua, ainda que sem violência física? não são igualmente danosas? no entanto, elas também não dizem respeito a ninguém. são acordos entre duas pessoas, sem direito a cláusulas de interferência de terceiros. a não ser indiretamente, mas qualquer idiota sabe que quando um não quer, dois não brigam, e que em briga de marido e mulher, ai daquele que meter a colher.

eu mesmo conheço alguns casais que, pela maneira como se tratam, deviam estar amargando um xilindró a pão e laranja.

e querem saber de mais? apesar do meu apetite se inclinar mais para carnes femininas, branquinhas e malpassadas, viva o alemão. como disse oswald de andrade em seu manifesto antropofágico:

Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.

Tupi, or not tupi that is the question.

Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.


finalmente um bostejo que faz jus ao nome do blog. estou me sentindo o próprio caeté diante do bispo sardinha.

notícias de hoje (I)

Celular não causa câncer, diz estudo.

pena...não haverá castigo na terra para os chatos de cinema?

andres calamaro

uma das coisas boas que me ficaram da argentina é o andres calamaro (um dia eu explico). para mim, melhor que charly garcia. destaque para la canción abajo:

Pasemos a otro tema

Pasemos a otro tema ,
no quiero hablar de eso,
la casa esta vacía y fría,
la ropa en el pasillo me da la razón
Ella me abandono

Esta todo guardado,
hay cosas con candado,
hay cosas que abandono para siempre,
y hay un lugar vacío,
es el que había pensado
solo para los dos

Ella es tan formal,
que nunca me va a perdonar
Mejor no hablar de eso
pasemos a otro tema

Y compréndeme, no puedo
entender cuál es el juego
de verdad, no te voy a perdonar
Fue por el "efecto suelo"
y una frase del Abuelo:
"el lugar se cubrió de pedazos de cristal"

30 janeiro 2004

augusto dos anjos já sabia

achei aqui as obras completas do poeta de pau d'arco, paraíba. o sacana morreu com 30, a idade que tenho hoje. deixou apenas um livro publicado, que depois engordado com outras poesias soltas, é editado até hoje com o título de "Eu e outros poemas".

me faz lembrar os idos dos meus 17/18 anos, quando eu vivia fundo a boemia, cometia umas poesinhas, e dei ao meu ao meu pai seu mais profundo desgosto: não ter ficado tuberculoso. é que ele, meio (pra aliviar) hipocondríaco, tinha certeza absoluta de que minha vida dissoluta não era nem uma rima, nem uma solução. mas que me renderia várias hemoptises.

eu, no entanto, chato, cri-cri e metido a dono da verdade como qualquer adolescente que mereça o título, não dei o braço a torcer e mantive uma saúde de ferro - tirando o fígado, coitado, que nessa época levou surras homéricas.

mas, voltando ao dos anjos, dele selecionei essa pérola. meio cascuda, mas muito boa:

Versos de amor

(A um poeta erótico)

Parece muito doce aquela cana.
Descasco-a, provo-a, chupo-a... ilusão treda!
O amor, poeta, é como a cana azeda,
A toda a boca que o não prova engana.

Quis saber que era o amor, por experiência,
E hoje que, enfim, conheço o seu conteúdo,
Pudera eu ter, eu que idolatro o estudo,
Todas as ciências menos esta ciência!

Certo, este o amor não é que, em ânsias, amo
Mas certo, o egoísta amor este é que acinte
Amas, aposto a mim. Por conseguinte
Chamas amor aquilo que eu não chamo.

Oposto ideal ao meu ideal conservas.
Diverso é, pois, o ponto outro de vista
Consoante o qual, observo o amor, do egoísta
Modo de ver, consoante o qual, o observas.

Porque o amor, tal como eu o estou amando,
É Espírito, é éter, é substância fluida,
É assim como o ar que a gente pega e cuida,
Cuida, entretanto, não o estar pegando!

É a transubstanciação de instintos rudes,
Imponderabilíssima e impalpável,
Que anda acima da carne miserável
Como anda a garça acima dos açudes!

Para reproduzir tal sentimento
Daqui por diante, atenta a orelha cauta,
Como Mársias - o inventor da flauta -
Vou inventar também outro instrumento!

Mas de tal arte e espécie tal fazê-lo
Ambiciono, que o idioma em que te eu falo
Possam todas as línguas decliná-lo
Possam todos os homens compreendê-lo!

Para que, enfim, chegando à última calma
Meu podre coração roto não role,
Integralmente desfibrado e mole,
Como um saco vazio dentro d´alma!

29 janeiro 2004

não consigo ler nada...

...e tampouco escrever.
até quando será que posso agüentar a tensão? não é suficiente ter que eparir
trocentas páginas em menos de um mês? preciso mesmo de um foguete entrando no rabo pra poder me mexer?
de qualquer forma, li isso hoje no globo:

Gêmeos
A hora é boa, mas é necessário que você tome uma atitude. Empenhe-se naquilo que quer. E, no fundo, você sabe o que quer. E já viu que reclamar dos obstáculos não faz com que eles saiam do caminho.

...
caraca! quem escreveu isso? minha mãe ou meu analista?
bom, a ordem é lê-lo pelo menos três vezes ao dia, em jejum.
já providenciei cópias do texto para colar até dentro do chuveiro.

frases de cinema

ontem na madruga, pra aliviar a tensão de escrever (tá foda, parceiro, tá foda mas é porque é o começo...), reassisti "as horas". nicole kidman de virginia woolf tá um escândalo (como um nariz valoriza, mesmo falso). e a julianne moore, então? obra-prima embalada pelo phillip glass.
do filme, algumas frases e o fim de uma suposta carta de suicídio da virginia woolf (mas não são as reais):

"you cannot find peace by avoiding life"

"what does it mean to regret when you have no choice?"

"Dear Leonard,
To look life in the face,
always to look life in the face.
And to know it, for what it is.
At last to know it. To love it for what it is,
and then to throw it away.
Leonard, always the years between us,
always the years.
Always the love,
always the hours."

27 janeiro 2004

skylab

sempre achei o rogério skylab uma figuraça. embora nunca tenha o visto ao vivo, acho hilárias sua letras & performances (aliás, quem quiser me dar um presentão, é só me levar para um show dele). e hoje, num momento de relax teórico, flanando pela internet descobri essa pérola:

Samba

Vivo em papos de aranha,
Tô aqui a ver navios,
Leio sempre o Catatau,
Acabou o século XX.

Eu pareço com Ulisses,
Atravesso a Rio Branco,
Lá na frente tem uma blitz,
Eles tão me rebocando.

Entro na Leonardo da Vinci,
A gringa não percebe nada,
Eu estou desempregado
E quero mais ficar assim.

Eu não tenho nada a ver
Com a linha evolutiva,
Gosto é de ficar deitado
Com o meu piru na mão.

Vou comprar uma mutuca
Lá no quinto dos infernos,
Eu não sou nenhum mané,
Rio de Janeiro.

Sou um garoto seqüelado,
Quero ouvir Zumbi do Mato,
Hanny baby é o caralho,
O meu samba é assim.

...
e não é que o caboclo lê leminski?!

olha a sincronicidade aí, gente!...(chora cavaco!)

domingo, bostejei uma das minhas frases preferidas do cinema, e hoje, isso.

pode vir quente que eu estou fervendo. TSSSSSSSS!...

25 janeiro 2004

a cara de sumpaulo

outro dia, no quadro que o xexéo e o cony tem na cbn, o repórter heródoto barbeiro perguntou qual música eles consideravam a cara da cidade. a do cony não lembro, mas a do xexéo foi a indefectível "sampa".

discordo. para mim, uma das músicas que melhor caracteriza, se não a cidade, o paulistano jovem médio - ou o modelo de juventude que os publicitários de lá querem vender para o resto do país -, é "hey boy", dos mutantes (todos, aliás, paulistanos da gema).

HEY BOY
(Arnaldo Baptista / Élcio Decário)

He he he hey boy
O teu cabelo tá bonito hey boy
Tua caranga até assusta hey boy
Vai passear na Rua Augusta.

Hey he he hey boy
Teu pai já deu tua mesada hey boy
A tua mina tá gamada
Mas você nunca fez nada.

No pequeno mundo do teu carro
O tempo é tão pequeno
Teu blusão importado
Tua pinta de abonado
Tuas idéias modernas.

He he he hey boy
Mas teu cabelo tá bonito hey boy
Tua caranga até assusta hey boy
Vai passear na Rua Augusta.

A menina e as pernas
Vão aparecer
Nos passos ritmados
Do iê-iê-iê bem dançado
Da cuba-libre gelada.

Hey boy, viver por viver
Hey boy, viver por viver
Hey boy, viver por viver
Hey boy

frases clássicas do cinema

- dadinho é o caralho, meu nome é zé pequeno!

mais tim na sua vida

maia, veja bem. nada a ver com a famigerada operadora de celular.

num rasgo de suíngue jamais visto na música brasileira (popular ou erudita), o negão esculpiu mais uma obra-prima nas massas de ar (como ensinou a natureza de seu ofício frank zappa):

Meus inimigos

Meus inimigos vão falar
Venha comigo pra saber agora
Venha comigo para ver
Por isso mesmo vou lhe mostrar
Tudo no seu devido lugar

Os bons amigos vão me saudar
E agora, sentimentos fora
Desse embalo
Vou botar pra quebrar

Meus inimigos vão contar histórias
Meus inimigos vão falar
Venha comigo pra saber agora
Venha comigo para ver


...

a quem interessar possa, uma boa matéria sobre o tim.

os sons que me contaminam

estou atoladaço com o mestrado. tenho que entregar a dissertação no fim de fevereiro (adeus carnaval...).
mas jacaré já começou a escrever? nem eu!

pois bem, contrariando as ordens auto-impostas, não posso deixar de bostejar, e o assunto de hoje, amiguinhos é a trilha sonora que me acompanha nesses momentos de cu apertadíssimo.
há dois anos, estudando para as provas de admissão no mestrado, na casa da minha avó, me entupia de remédios para emagrecer cheios de anfetaminas e outras bolas na fórmula (bons tempos, saudades...me dou muito bem com estimulantes químicos ingeríveis), e escutava uma trilha sonora rigorosa, à base de:
- lou reed (transformer)
- air (uma compliação dos três primeiros discos)
- gorillaz
- maurício negão (os três, incluindo o recente criolina)
- herbie hancock (cantaloupe island)
- frank zappa (strictly commercial)
- strokes (is this it)
- oscar peterson (ultimate oscar peterson)

hoje, a relação segue assim, por enquanto mais por músicas baixadas do que por discos:

- billie holliday (embraceable you, autumn in new york, i got it bad and that ain't good, on the sunny side of the street)
- nina simone (don't let me be misunderstood, ne me quitte pas, four women, i got it bad and that ain't good)
- mutantes (ave, gêngis khan, minha menina, ave, lúcifer, top top)
- sly and the family stone (the very best of)
- tim maia (além do horizonte - com erasmo tremendão, paz interior, réu confesso, meus inimigos, o caminho do bem, o que me importa)
- cornershop (brimful of asha)
- lou reed (transformer).

aliás, do meu amigo lou reed, estou apaixonado por andy's chest e perfect day, da qual destaco as últimas estrofes, das coisas mais simples - quase óbvia - mas por isso mesmo, da mais lindas que já vi escritas:

Just a perfect day,
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
It's such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good.

Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.

You're going to reap just what you sow...


um dia hei de viver isso plenamente, na carne.




depois não me falem de preconceito...

nossos irimãos do além-mar são realmente incríveis.
leiam o texto abaixo, coletado aqui.

Domingo, Janeiro 25, 2004
Conversas interessantes entre raparigas...

- Aquele rapaz ali deve ter 18 anos...

- Ah! Não parece...

- Mas olha que tem 18 anos, olha lá a cara...

- Olha pois parece!

- Ele tem 18 anos...

- Pois... deve ter 18 anos...

- Pois deve...

- Pois é...

- É é...

- É pois...

- Pois... Então ambas concordamos que tem 18 anos...

- Pois concordamos

(10 minutos nisto...)
As pessoas envolvidas não fumam coisas que fazem rir nem bebem alcool em excesso, mas são portuguesas!

post por Doido ás 02:00 com 0 comentário(s)

23 janeiro 2004

ligações perigosas

pode ser que sejam apenas meus nervos, mas será que não há um padrão nessas duas músicas, ouvidas recentemente?

the vibes, the vibes...

I'll follow the sun
(The Beatles)


One day you'll look to see I've gone.
For tomorrow may rain, so I'll follow the sun.
Some day you'll know I was the one.
But tomorrow may rain, so I'll follow the sun.

And now the time has come
And so my love I must go.
And though I lose a friend,
In the end you'll know, oooh.

One day you'll find that I have gone.
For tomorrow may rain, so I'll follow the sun.
Yes, tomorrow may rain, so I'll follow the sun.

And now the time has come
And so my love I must go.
And though I lose a friend,
In the end you'll know, oooh.

One day you'll find that I have gone.
For tomorrow may rain, so I'll follow the sun.


...

Fé cega, faca amolada
(Milton Nascimento- Ronaldo Bastos)


Agora não pergunto mais aonde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser
Faca amolada
O brilho cego de paixão e fé,
Faca amolada

Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranqüilo
Deixar o seu amor crescer e ser muito tranqüilo
Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar
Faca amolada
Irmão, irmã, irmã, irmão de fé
Faca amolada

Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia
Beber o vinho e renascer a luz de todo dia
A fé, a fé, paixão e fé, a fé,
Faca amolada

Deixar a sua luz brilhar no pão de todo dia
Deixar o seu amor crescer na luz de todo dia
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser
Muito tranqüilo
O brilho cego de paixão e fé
Faca amolada.

22 janeiro 2004

um picasso em são paulo é melhor do que nenhum

já sei qual vai ser a primeira coisa que vou fazer quando sair da tumba daqui a um mês, quando entrego a dissertação: me meto no primeiro ôndebus pra sumpaulo pra encarar o picasso.

sem duplo sentido, por favor.

o que é a cara-de-pau...

vejam aqui quem será o novo próximo ídolo pop inglês.

sem comentários.

é um arquivo de vídeo (quicktime). clique com o botão direito do mouse, e em seguida, em "abrir link em uma nova janela". aguarde baixar.

parece tirado de uma daquelas bombas televisivas do estilo "fama", da globo.

20 janeiro 2004

prtguês de prtgal, essa estranha flor do lácio

sempre que venho aqui para bostejar, o servidor mostra uma coluna à direita com os blogs recém-mexidos. volta e meia dou umas bandas nos títulos em português, à cata de novidades. mas a esmagadora maioria deles vêm de nossa matriz, portugal. brasileiro, necas.

de qualquer forma, é sempre uma diversão ver os nossos irimãos escrevendo. vejam se o texto abaixo não é capaz alegrar o dia de qualquer um. duvido que você chegue ao fim sem pelo menos um sorriso.

ah, se interessar, tirei daqui. dia 18 de janeiro, para se mais exato.

putos sem vida...
há dias assisti a uma cena mesmo absurda.

mais um dia de escola. pus-me a caminho da estação para apanhar o comboio das 13:18. enquanto este não vinha, estive na conversa com as minhas amigas. reparei num grupo de três rapazes que estavam ao nosso lado. tinham cerca de 14 anos. reconheci um deles, era um puto da minha antiga escola. um miúdo muito traquinas e nem sempre o mais agradável para as pessoas. esqueci o grupinho e entrei no comboio. sempre num diálogo alegre com as minhas colegas. a meio da viagem (que é muito curta, é só uma paragem), dei conta de uma cena muito absurda ali a menos de 7 metros. o tal grupinho estava a assaltar um miúdo do 10º ano da minha escola. o mais estúpido foi o facto de a carruagem estar cheia e ninguém ter feito nada com aqueles três putos. a sorte do miúdo foi ter um telemóvel que não lhes interessava.

eu e o meu grupo de amigas assistimos a tudo. uma raiva enorme consumiu-nos a todas. mas por algo que eu não sei explicar, também não fizemos nada. mesmo querendo mandar um estalo a cada um. ficámos paradas, sem saber o que fazer.

são destas coisas que me revoltam. putos que nem sequer sabem o que querem da vida andam aí a chatear o pessoal. não têm mais nada para fazer então decidem importunar os outros. esses putos...
# plantado por Moranguinha @ 16:34 || Morangos:
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18 janeiro 2004

li e gostei

não sei com o que se come o autor, mas gostei do texto:

::::Promise yourself::::

Promise yourself to be so strong that nothing can disturb your peace of mind. To talk health, happiness and prosperity to every person you meet. To make all your friends feel that there is something in them. To look at the sunny side of everything and make your optimism come true. To think only of the best, to work only for the best and expect only the best. To be just as enthusiastic about the success of others as you are about your own. To forget the mistakes of the past and press on to the greater achievements of the future. To wear a cheerful countenance at all times and give every living creature you meet a smile. To give so much time to the improvement of yourself that you have no time to criticize others. To be too large for worry, too noble for anger, too strong for fear and too happy to permit the presence of trouble.
Christian D. Larson

17 janeiro 2004

deus à siciliana (ou à moda do brooklyn)

de robert de niro, em entrevista ao actor's studio:

entrevistador - o que gostaria que deus te dissesse quando você chegasse ao céu?
de niro - bom, se deus existir mesmo, ele vai ter muito o que se explicar...

sobre porcos e homens

ontem, zapeando pela tv a cabo de babãe, assisti a uma adaptação da “revolução dos bichos”, de george orwell. 1984, do mesmo autor, é um dos meus clássicos de todos os tempos, e a “revolução...” me impressionou bastante aos 14 anos; os porcos, em especial (muito do asco era graças ao medo que adquiri de jodie, o porco-demônio de “horror em amityville”, que acabara de ler na casa de meus primos).

o filme não estava mal. a computação gráfica foi fundamental para fazer os animais falarem, os porcos caminharem em duas patas e pegarem objetos com os cascos. a transposição do romance também estava bem fiel, até o final botar tudo a perder. no livro, o desfecho é perturbador: porcos e homens sentam-se em torno da mesa da fazenda tomada, negociando e bebendo uísque (em clara desobendiência aos mandamentos da revolução), enquanto o narrador diz que “quem os observasse, não saberia mais distingüir porcos de homens”. ponto final.

mas na película, a maldição do happy end atacou. não satisfeito, o diretor john stephenson quis melhorar o perfeito. e fez com que alguns animais fujissem para as cercanias da fazenda, e lá esperassem o fim da tirania dos porcos. há uma alusão à queda do muro de berlim, e no fim, mostra os animais satisfeitos por receber uma nova família que compra a fazenda (!!!). e o take final mostra papai, mamãe e um casal de filhinhos, todos louros e lindos, com sorrisos de cera à la kennedy, passando com um conversível por cima da placa caída da “animal farm”.

porque os animais que sobraram não assumiram a gestão da fazenda eles mesmos, dentro de um esquema de produção coletiva e igualitária, sem líderes, como era o ideal da revolução?

é o maldito reforço da mensagem de que os homens não podem se auto-gerir, de que necessitamos de especialistas que "pensem por nós". de que dependemos de uma estrutura de produção e de vida onde alguém domina o conhecimento e os meios de produção, enquanto o restante permanece alienado do processo, possuindo apenas a força de trabalho. cada um podendo fazer apenas aquilo que sabe, sem que as aptidões de cada um possam ser compartilhadas coletivamente. o conhecimento permanece na mão de especialistas, que o mistificam e o tornam em fetiche. não precisamos de quem nos diga o que fazer. não precisamos de senhores ou líderes. power to the people!

cruzes, como estamos marxistas hoje!...

mas é isso: marx vive! o problema é que as pessoas confundem o regime comunista - fechado em diretrizes de uma elite política, com doutrinas que se cristalizaram e, por isso, ruíram -, com o arcabouço filosófico proposto por marx - plural, dinâmico e, por que não, repleto de contradições, como todo bom arrazoado filosófico.

16 janeiro 2004

os pais do burro

sou tarado por dicionários. como eles são caros, para um geminiano safado como eu, a internet foi uma mão na roda. a disponibilidade deles na rede é um assombro. já cheguei a baixar livros inteiros, só para aproveitar a agilidade que os dicionários virtuais oferecem durante a leitura.

só não entendo como a minha paixão pelo uso correto do vernáculo (uau!) não se reflete em melhoria na minha linguagem. vai entender...

além do babylon (depois de expiração o prazo de gratuidade, sou obrigado a atrasar a data do computador para usá-lo), tenho dois xodós: o american heritage, um fodão de inglês que tem até arquivo sonoro de pronúncia, e o diccionarios.com, que faz traduções de espanhol para outras línguas e vice-versa, ótimo para quem busca termos num terceiro idioma.

os links estão nos favoritos, ao lado. se vira nos trinta.

e como disse drummond de andrade: "Penetra surdamente no reino das palavras./ Lá estão os poemas que esperam ser escritos./ Estão paralisados, mas não há desespero, há calma e frescura na superfície intata./ Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário".

aviso aos navegantes

a quem interessar possa:
novos e eletrizantes links na coluna da direita!

transgressões previstas pelo sistema

pode ser que eu esteja errado, mas acho que a forma predominante de transgressão da juventude hoje é sexual. nos idos dos meus 15 anos, foram as drogas. buscava-se um tipo de transcendência similar ao da geração dos anos 70, anterior à minha. e assim tomávamos todo o tipo de porcaria em nome da expansão da consciência e de um vislumbre de divindade.

(porcaria mesmo. comi pão mofado, fumei fiapo de banana e tomei coca-cola com aspirina, só porque dizia-se que dava onda. sem falar nas receitas caseiras de loló e lança. só não tomei nos canos porque tenho medo de injeção, e crack e ecstasy porque quando apoareceram eu já tinha deixado a farmacopéia de lado).

mas a petizada hoje parece que abandonou a transcedência em nome da imanência. o que importa é o corpo e seus limites, e o que você pode fazer com ele, como pode modificá-lo. a mente é perda de tempo. pensar pra quê? ninguém mais sabe quem foi castañeda, acham que bukowsky é nome de boate, e sequer ouviram falar das experiências de jack kerouac, rimbaud, verlaine, aldous huxley e william burroughs de misturar drogas e literatura (na música, as experiências podem ter permanecido pelo seu caráter mais "sensorial" do que "intelectual").

agora a onda é piercing, tatuagem, body-modification, fisioculturismo, plástica e lipoaspiração - sem falar nessa febre de lesbian-chic de novela, que parece ter contaminado a todo(a)s. de três em três meses sai uma matéria na veja sobre o número cada vez maior de adolescentes apelando para cirurgiões plásticos para corrigir as "imperfeições", que os tornam únicos. hoje ninguém mais quer ser diferente.

mais do que uma atitude contestatória, a transgressão parece ser uma afirmação do sistema, um traço de consumo. o estilo alternativo e rebelde deixa os jovens exatamente iguais uns aos outros. vestindo as mesmas roupas, ouvindo as mesmas músicas, trepando, falando, bebendo, fumando e comendo as mesmas coisas. mas - invariavelmente - consumindo.

desde que você compre, pode ser e fazer qualquer coisa. e se acontece com a moda, porque não aconteceria com as drogas, que movimentam mais grana por ano do que o mercado de petróleo, só perdendo para o de diamantes? por mais que que se reprima, a demanda é grande e os interesses, enormes. esvaziadas de ritual, as drogas deixaram de ser um meio de expandir a mente para tornarem-se meros aceleradores ou amortecedores de sensações. ou o cara quer ficar mais rápido que o mundo, ou quer desacelerá-lo, calçando-lhe pantufas. aliás, parei de usar drogas quando deixei de enxergar a mística de coisa proibida que me seduzira. tava ficando tão fácil encontrar, com tanto nêgo cabecinha usando, que achei melhor parar. não era mais a minha. sou a favor da liberação geral, mas custo a acreditar, como muitos, de que depois o consumo vai diminuir. só acho que vai morrer menos gente desnecessariamente.

na essência, ser transgresor hoje é não consumir.

digo isso tudo porque ontem fui com meu amigo pedro cabeção no empório, em ipanema, onde não punha os pés desde o aniversário da minha irmã, há uns três anos. e o que vi, além daqueles tipos bizarros que parecem brotar nas rachaduras das calçadas à noite (porque nunca se consegue vê-los de dia), foi uma pivetada brincando de crossover sexual. tinha, por exemplo, um molecote todo cheio de piercings, com braceletes de couro e metal (como os que eu gostava, quando me tornei punk, aos 15 anos), cinto sobre a bermuda, e boné. o sujeito se contorcia, dançava e olhava para os lados como se fosse uma bichinha-lacraia. mas logo depois lascou um chupão numa morena com o cabelo tingido de ruivo. que por sua vez, beijou uma menina linda de minissaia e meia colorida até o joelho (tenho tara por minissaia e meias compridas, deve ser algo relacionado com o fato de ter morado duas vezes perto dos colégios pedro II). essa por sua vez, beijou uma narigudinha meio olívia palito, que acabou sendo beijada pelo lacraia.

não conseguiram me chocar, mas fiquei surpreso com a desenvoltura e o descompromisso da garotada. devo estar ficando velho, porque na minha época, liberdades assim - também ultra-transgessoras - eram muito restritas às esferas privadas ou "marginais". andando pelo mainstream, a primeira vez que vi um beijo homossexual foi na faculdade, numa festa de dois amigos casados. eles se beijaram espontaneamente, e só fizeram isso porque estavam na própria casa, em companhia de pessoas absolutamente confiáveis. e mesmo assim, não foi uma atitude afirmativa e demonstrativa - mas apenas uma expressão de carinho. não essa coisa gratuita, ostensiva, feia inclusive quando com heterossexuais.

ah, sei lá, também...mó sociologia de botequim...estou soando muito tijucano? fazer o quê? eu vim de lá, eu vim de lá, pequenininho...

13 janeiro 2004

outra obsessão

há três posts falava eu de algumas obsessões musicais. outra delas é o tim maia. mas não esses discos póstumos & ao vivo, quando os excessos já tinham minado de vez o alcance vocal do negão. gosto do tim na época em que ele era chamado de "deus trovão", o pai do suíngue brasileiro. destaco, além dos sucessos consagrados, os discos "racionais", da época em que ele se engajou no universo em desencanto. dentre elas, a divina:

paz interior

já não dependo das loucuras
já encontrei o que fazer
agora sei outra verdade
estou vivendo com prazer de viver
eu agora já não dependo de você (2x)

voltou o brilho dos meus olhos
voltou a paz interior
no universo em desencanto
me reencontrei com muito amor
racional, e agora
chegando o bem se afasta o mal (2x)

sem vergonha

não é por nada, não, mas sair de casa me fez bem. tava começando a amarrar um bote pretaço. levei um esporro, pra não perder o prumo, mas tô de volta aos eixos. vida, afinal!

ainda tenho uns troços pra resolver comigo mesmo, mas é só não deixar as coisas acumularem, que tudo se ajeita. enfim...

voltando pra casa, ouvi de um apartamento "sem você", do antônio jobim e do vinícius de moraes, cantada por maria bethânia. coisa finíssima, linda de doer no cu, como diz uma grande amiga. sem sentimentalismo ou nostalgia, reproduzo aqui a letra.

mas vale ouvir a música - ô, se vale.

Sem você

Sem você
Sem amor
É tudo sofrimento
Pois você
É o amor
Que eu sempre procurei em vão
Você é o que resiste
Ao desespero e à solidão
Nada existe
E o mundo é triste
Sem você

Meu amor, meu amor
Nunca te ausentes de mim
Para que eu viva em paz
Para que eu não sofra mais
Tanta mágoa assim
No mundo
Sem você

algum kaváfis

a primeira vez que ouvi falar de konstantinos kaváfis foi no filme "morango e chocolate". o personagem do gay, em meio ao processo de sedução do jovem militante cubano, apresenta-lhe uma poltrona do apartamento, especial "só para ler kaváfis". depois foi meu amigo carlos arimathéia que, numa tarde de preguiça na calógeras, em companhia da laura, nos leu Ítaca.

desde então procurei o livro que, acredito, seja o único do poeta alexandrino (de nacionalidade, não de métrica), editado no brasil pela nova fronteira. quando trabalhava no bondfaro, descobri que o safado não tem isbn. pode checar. alguma mutreta deve ter aí...

mas, enfim, separei alguns poemas do cabra, pra dar vazão de vez à esse mormaço que vai em minh'alma.

(virge! alguém me segura que hoje eu tou co'a breca!)

Desejos

belos corpos de mortos que nunca envelheceram,
com lágrimas sepultos em mausoléus brilhantes,
jasmin nos pés, cabeça circundada de rosas -
assim são os desejos que um dia feneceram
sem chegar a cumprir-se, sem conhecerem antes
o prazer de uma noite ou manhã luminosa.

Fui

Não me deixei prender. Libertei-me de todo e fui
em busca de volúpias que em parte eram reais,
em parte haviam sido forjadas por meu cérebro;
fui em busca da noite iluminada.
E bebi vinhos fortes, como
bebem os destemidos no prazer.

Jura

A cada pouco jura começar vida nova.
Mas quando a noite vem com seus conselhos,
seus compromissos, com suas promessas;
mas quando a noite vem com sua força
(o corpo quer e pede), ele de novo sai,
perdido, atrás da mesma alegria fatal.

Ao fim da tarde

Não duraria muito, em todo caso. A prática
dos anos me ensinou. Então, subitamente,
veio lhe dar um fim a Sorte.
Os aromas, porém, como eram fortes.
Em que leitos esplêndidos deitamos.
A que prazeres demos nossos corpos.

Um eco daqueles dias de prazer,
um eco daqueles dias me voltou,
um pouco da chama de nossos juvenis transportes.
Peguei nas mão uma das cartas, absorto, e
a li, uma e outra vez, até a luz faltar-me.

E saí para o balcão, melancolicamente
- saí para distrair os pensamentos, ver ao menos
um pouco da cidade bem-amada,
um pouco do movimento de suas ruas e lojas.

sly para fechar a noite (ou começar o dia)

tava baixando uns troços e peguei uma seleção de sly and the family stone. tem uns sons que eu aprendi a gostar quando era mais novo, e que se tornaram verdadeiras obsessões: uma delas é jorge ben, e a outra é sly. é batata. podem ser as mais bobas, mas as músicas de ambos têm uma vibração que me dá uma levantada no astral necessária para contrabalancear a sorumba. uma delas, em especial, transborda boas ondas.
(queria poder tocá-las aqui...)

Everyday people

Sometimes I'm right and I can be wrong
My own beliefs are in my song
The butcher, the banker, the drummer and then
Makes no difference what group I'm in
I am everyday people, yeah yeah
There is a blue one who can't accept the green one
For living with a fat one trying to be a skinny one
And different strokes for different folks
And so on and so on and scooby dooby doo-bee
Oh sha sha - we got to live together
I am no better and neither are you
We are the same whatever we do
You love me you hate me you know me and then
You can't figure out the bag l'm in
I am everyday people, yeah yeah
There is a long hair that doesn't like the short hair
For bein' such a rich one that will not help the poor one
And different strokes for different folks
And so on and so on and scooby dooby doo-bee
Oh sha sha-we got to live together
There is a yellow one that won't accept the black one
That won't accept the red one that won't accept the white one
And different strokes for different folks
I am now everyday people

é melhor ser alegre que ser triste?

outro dia cheguei à conclusão que tenho uma inclinação atávica para o banzo. avaliando a frio, pelo lado estético, meus gostos musicais, cinematográficos, artísticos, etc., observo um padrão meio deprimido. no entanto, não sou de ficar me queixando da vida que nem a hiena do desenho - "ó dia, ó vida, ó azar...". simplesmente tenho meus calundús. e gosto deles. e os preservo em segredo, num vidro de compota guardado numa prateleira entre o cérebro e o coração.

é como o traço de ciclotimia dos palhaços, muito bem retratada pelo nelson cavaquinho: "volta, que a platéia te reclama/ sei que choras palhaço/ por alguém que não te ama/ (...) faça a platéia gargalhar/ um palhaço não deve chorar". acho que por isso que gosto tanto de palhaços, e porque, no íntimo, gostaria de sê-lo por profissão.

mas nesse sábado pude satisfazer minha verve clóvis (melhor que clown). é que fui, com a bibi, ao aniversário de um ano do tarik, filho da judith, que está com o marido passando o holiday on ice no brasil. foi divertidíssimo, e para completar, todos os ADULTOS ganharam saquinho surpresa, com nariz de palhaço, dentes postiços e língua-de-sogra (ótimo nome, já repararam?). tiramos fotos paramentados e de chapeuzinho, e seguimos para outro aniversário, da rê queveda, no rio scenarium. eu e bibi no carro de palhaço - óbvio. até o flanelinha esqueceu de nos cobrar, na ida. aliás, quando viu a dentadura postiça na boca da bibi, escancarou um sorriso limpa-trilho de fazer inveja. perguntei, com o vidro fechado (pro sujeito não ouvir):
- e aí, onde foi que você comprou os seus?

na fila, todos nos olhavam, e eu retribuá a curiosidade, cumprimentando-os tirando o chapéu - afinal, sou um camarada educado. na hora de pegar a cartela de consumação, o atendente perguntou o nome. num surto esquizofrênico, respondi na lata:
- coçadinha! - mas o dani, sem senso de humor, consertou - marcelo.

lá dentro, a chegada foi uma festa. fiz jus ao apelido de "loco", que essa galera me deu há...treze anos (cacete!), e do qual sequer me lembrava.

vieram falar comigo, e eu cumprimentava batendo na bunda, "como vai, vai bem, veio a pé ou veio de trem?". quando era um pessoal interessante que eu não conhecia, virava de costas, tirava o aparato e me apresentava:
- como vai? marcelo, seu criado. qual a sua graça?

me diverti, dancei pra dedéu, cheirei uns cangotes no forró, reencontrei o povo do boitatá, e sai quase cinquenta reais mais leve. vagabundo tá metendo a mão no finde, 18 paus! e sem direito a consumir uma azeitona sequer. mas valeu.

agora estou aqui - como dizem os gringos - mais azul do que o azul pode ser. ouvindo umas sonatas de piano do beethoven que aprendi no "homem que não estava lá", dos irmão coen, que aliás, no momento aproveito para baixar. filme triste e bonito. preto-e-branco, como convém.

doze dias para ficar assim...boa média para 2004.

11 janeiro 2004

humano, demasiado humano...

hoje peguei emprestado dois livros do hesíodo - a "teogonia", que já conhecia e do qual li algumas partes, e "os trabalhos e os dias", como o anterior, um poemão. mas neste, me chamou a atenção um dos trechos em que ele fala das "cinco raças" de mortais criadas por zeus. De ouro, de prata, de bronze, de heróis e de ferro, à medida em que vão decrescendo em termos de perfeição, os graus de selvageria e barbárie aumentam. algo na descrição me remeteu de leve a traços do zigurate, do meu amigo max mallman.

para hesíodo, somos da raça do ferro, dos quais transcrevo o fragmento. atentem para a atualidade do caboclo, que provavelmente entre o fim do século VIII e o início de VII a. C. (!), já havia matado a xarada da civilização ocidental que o sucederia em até quase três milênios.

Raça de Ferro

Antes não estivesse eu entre os homens da quinta raça,
mais cedo tivesse morrido ou nascido depois.
Pois agora é a raça de ferro, e nunca durante o dia
cessarão de labutar e penar e nem à noite de se
destruir; e árduas angústias os deuses lhe darão.
Entretanto a esses males bens estarão misturados.
Também esta raça de homens mortais Zeus destruirá,
no momento em que nascerem com têmporas encanecidas.
Nem pais a filhos se assemelhará, nem filhos a pai; nem hóspedes a
hospedeiro ou companheiro a companheiro,
e nem irmão a irmão caro será, como já havia sido;
vão desonrar os pais tão logo estes envelheçam
e vão censurá-los, com duras palavras insultando-os;
cruéis; sem conhecer o olhar dos deuses e sem poder
retribuir aos velhos pais os alimentos;
[com a lei nas mãos, um do outro saqueará a cidade]
graça alguma haverá a quem jura bem, nem ao justo
nem ao bom; honrar-se-á muito mais ao malfeitor e ao
homem desmedido; com justiça na mão, respeito não
haverá; o covarde ao mais viril lesará com
tortas palavras falando e sobre elas jurará.
A todos os homens miseráveis a inveja acompanhará,
ela, malsonante, malevolente, maliciosa ao olhar.
Então, ao Olimpo, da terra de amplos caminhos,
com os belos corpos envoltos em alvos véus,
à tribo dos imortais irão, abandonando os homens,
Respeito e Retribuição; e tristes pesares vão deixar
aos homens mortais. Contra o mal força não haverá!

10 janeiro 2004

sergio kalili desce o pau

achei uma entrevista espetacular do sergio kalili no comunique-se.

o sujeito ficou mais de dois meses cobrindo a guerra do iraque, e foi o único brasileiro a presenciar o terremoto de bam. na entrevista, ele detona o mito da imparcialidade jornalística e fala dos abusos cometidos pelos americanos, que estão prendendo jornalistas iraquianos a rodo. a seguir, dois trechinhos pinçados a dedo.

"(...) é uma mentira isso, a mentira da imparcialidade. Você vai ouvir o outro lado só para disfarçar a sua opinião. Você sempre vai reforçar mais um dos lados. Até a ordem em que você coloca as declarações dos dois lados. O tempo todo você vai jogar, editar, colocar uma versão da história".

"Os jornalistas iraquianos que estão lá trabalhando são presos direto e somem. As tropas americanas prendem os caras e somem com eles. As famílias não sabem onde eles vão parar, as empresas... Eles denunciam algumas coisas, os caras pegam e somem com eles. Eles são iraquianos.

Link SP- Prendem por quê?

SK- Porque o cara vai lá e escreve uma matéria dizendo que as tropas americanas mataram tantos jovens que estavam protestando num bairro de Bagdá chamado Aadhamyia, onde eles são antiamericanos, são anticoalizão. Fecharam jornais iraquianos. Depois que os americanos dominaram o país, abriram mais de 150 jornais. Muitos que fazem oposição foram fechados pelos americanos. Eles censuraram, fecharam jornal. Ninguém fala isso.

Ser iraquiano no Iraque hoje em dia é não ser cidadão. É melhor ser estrangeiro, americano. Ou você [iraquiano] é colaborador deles, e aí eles te dão uma força. Por que a imprensa internacional não fala nada?"


vá logo, antes que tirem do ar!

09 janeiro 2004

da série "frases inspiradoras"

"Apesar de não ter nada, ele tinha a si mesmo. E a partir do momento que se tem a si mesmo, se tem tudo".

- josé mojica marins, o zé do caixão, sobre o também cineasta rogério sganzarela, que partiu pra terra do pé-junto hoje (sexta-feira), com 57 cajus.

balancete de 2004

há nove dias em 2004, segue um breve relatório do que já aconteceu esse ano:

- desde a primeira madrugada do ano, estou trocando de pele, depois de cinco horas ininterruptas debaixo de sol (sendo que antes disso, o último encontro entre mim e o astro-rei havia sido há mais de seis meses);
- graças à minha síndrome de jerry lewis, ostento arranhões e machucaduras diversos;
- pintou um trabalho de pintura pra teatro;
- a assessoria arrebanhou novo cliente;
- conheci uma menina espetacular;
- comprei dois cds (john coltrane e ella fitzgerald) na banca por R$ 4,00;
- engordei alguma coisa durante as festas;
-ontem dormi decentemente pela rimeira vez no ano;
- não consegui ler nada ainda;
- mestrado, por enquanto, nem pensar (vergonha!).

e por aí vai. ainda aguardo o que me prometeram na musiquinha, "muito dinheiro no bolso/saúde pra dar e vender"...

08 janeiro 2004

o sueco e o italiano

hoje li duas entrevistas impactantes: lars grael na veja e diogo mainardi na trip.

grael - "A vida é uma questão de parâmetros".

mainardi - "Sou bidimensional, não tenho profundidade psicológica, ninguém consegue me atingir. Tenho um aparato psicológico pobre, não dá para me colocar num estado de exaltação ou de depressão".

vai lá, pô!

millôr de verdade

na época da bolha da internet, quando eu trabalhava num sáite, volta e meia recebia uns textos supostamente assinados por celebridades nacionais, de pena & traço. mas uma leitura um tiquinho mais atenta denunciava rapidinho que os autores não eram os próprios signatários. alguém com um conhecimento mínimo - nem digo da obra, mas da pessoa - de mário quintana acharia realmente que ele usaria uma expressão que se assemelhasse a "corpos sarados"?

ou que o ziraldo abriria mão de sua sutileza mineira para divulgar pela internet um panfleto recheado de palavrões, explicando a razão pela qual não economizaria energia durante o apagão? ah, tem também o caso clássico do suposto poema sentimentalóide do borges, que chegou até a ser utilizado num reclame (alguém se lembra dessa palavra?) de tv. o caso depois virou até notícia de jornal.

é interessante analisar essa inversão estabelecida pelo advento da internet, no que diz respeito à originalidade de uma idéia. antes, a autoria de qualquer boa idéia ou declaração inteligente era disputada a tapa. depois da internet, o volume de informação que se recebe no dia-a-dia é tão grande que, para merecer a atenção do destinatário, ela tem que conter algo de extraordinário imediatamente identificável. para isso, as pessoas camuflam suas próprias idéias sob a chancela de um nome famoso. daí os títulos dos imeios serem sempre "poema de fernando pessoa", "texto do ziraldo - leia", ou coisa que o valha.

esse narigão de cera tem dois motivos: primeiro, porque até hoje esses textos às vezes vêm bater à minha caixa postal, ou alguém vem citá-los, cheio de erudição. e dá um trabalhão desmenti-los. o outro (e real) motivo é porque li uma das famosas "fábulas fabulosas" do millôr, em seu sáite, que me deu vontade de reproduzir. e para que não reste dúvidas quanto à sua autenticidade, eis o link.

O milagre econômico. (à maneira dos... persas)

Um mendigo surdo-mudo entrou num botequim e, com gestos fortes e significativos, pediu esmolas. Os fregueses, irritados em sua generosidade, recusaram. O mendigo ficou insistindo de mesa em mesa, até que o dono do botequim enxotou-o dali. O mendigo continuou pela rua afora, pedindo a todos os passantes do mesmo jeito. Uma hora depois, voltou, sentou com espalhafato numa mesa do botequim e gritou, para que todos ouvissem:
- Uma Brahma estupidamente!
O garçom trouxe a Brahma correndo, abriu e disse:
- Ué, como é? Você não era surdo-mudo? Ficou bom de repente?
E o mendigo respondeu:
- Que adianta a gente falar, quando não tem o puto de um níquel pra pedir uma Brahma?
MORAL: O DINHEIRO FALA MAIS ALTO.

07 janeiro 2004

às vezes elas voltam...

cenas recentes. sempre com um quê de constrangimento.

cena 1: festa. na sala, duas mulheres. uma, há muito tempo. uma combinação de tranqüilidade e delicadeza talvez desconcertantes demais para a minha ansiedade. paralisia total. medo. não durou. a outra, algum tempo atrás. como um trapo emocional, sou colhido, as feridas tratadas, o ego afagado. amado. idolatrado. salvem-me, salvem-me. sufocado, escapo pela tangente. soube por aí que ambas andaram falando mal de mim. aguardo na cozinha até que a multidão de convidados me tornem invisível.

cena 2: festa. terraço. primeira: uma aposta recente, de várias fichas, que resolveu voltar atrás para o antigo proprietário. sem maiores dores e feridas. limpo. segunda: um encontro inconseqüente, mas muito prazeroso. sem maiores alongamentos, embora alguma expectativa rondasse a outra parte. terceira: uma possível futura conquista, ávida. com o timing, entretanto, defasado em alguns dias. pena. nenhuma das três agraciadas, mas até a situação chegar a termo, o livre circular esteve algo prejudicado. prefiro acreditar que, até agora, ninguém fala mal de mim.

fim de episódios? difícil, pela certeza de que amigos comuns me presentearão com a visão de um passado recente aparentemente bem superado. e por melhor que a coisa esteja, é sempre chato ver que seu tempo passou e sua presença não é mais necessária. fatos da vida...

por essas e outras é que ando cansado de topar com esqueletos saídos do armário. esqueletos, é bom que se diga, descarnados pela minha completa ausência de tato e etiqueta sentimental. canso-me, fico ansioso; o passado volta e, com ele, uma certa culpa injustificada e desnecessária. culpa o cacete! tô fora.

tenho buscado contornar a situação com um esforço combinado de atenção, paciência e observação. mas não sei cafajestar. não sei não ligar depois. tampouco sei estabelecer os limites entre envolvimento e curtição. é este o ponto em que troco os pés pelas mãos; onde o caldo entorna e eu me queimo.

procuro familiaridade e disparo no coração. corpo sem cabeça é conjunto vazio; o ideal é a interseção dos elementos. menos do que isso, dispenso. faço o possível para me manter atual. a meu favor, cada vez menos estereótipos.

a seguir, cenas dos próximos capítulos. veremos.

03 janeiro 2004

açúcar marrão é bão!

meninas e meninos, acabei de baixar brown sugar também. diz-se por aí que essa era a gíria pra heroína, na época. bem, a letra é cheia de safadeza, e quem, como eu, achava que misturar-se com as negrinhas era coisa de portuga, percebe que o esporte também era muito apreciado lá pelas bandas de nova orleãs.

de qualquer maneira, ficam escritos na minha carne os versos desse começo de 2004:

brown sugar, how come you taste so good?
brown sugar, just like a young girl should


e salvem gilberto feyre e jorge amado, que já sabiam muito antes...e em português!

isso são horas?

porra, depois de três dias, o caboclo escrevedor tem que baixar logo agora, uma e tal da matina, eu cheio de sono, querendo dormir? tá direito um troço desses?

não, não e não! amanhã conto da festa. amanhã, sim, porque só é amanhã depois que eu acordo.

igual ao problema de "bom-dia-boa-tarde". quem é que nunca chegou num lugar - um elevador, por exemplo - deu bom-dia e teve que ouvir a correção "boa-tarde"? (em frases desse tipo invejo os espanhóis, que colocam logo um ponto de interrogação de cabeça pra baixo no início, para avisar logo de sua natureza interrogativa.)
até o dia em que fui mal-criado:

- boa tarde, não. bom dia, porque eu ainda não almocei. o senhor já? então é bom-dia mesmo. boa-tarde só depois do almoço - reagi.

minha vida mudou desde então. eis meu testemunho de fé.

ponto final em 2003

sabe essas músicas que você passa a vida inteira escutando sem nunca prestar atenção à letra? pois bem, baixei hoje angie, dos stones, e qual não foi a surpresa quando mais não digo. quem sabe, sabe, quem não sabe, bobeou. leiam e julguem por si mesmos, condenem, executem, esquartejem, salguem o terreno e cuspam em cima, ou calem-se para sempre.

pensando melhor, apenas calem-se para sempre...

Angie

Angie, Angie, when will those clouds all disappear?
Angie, Angie, where will it lead us from here?
With no loving in our souls and no money in our coats
You can't say we're satisfied
But Angie, Angie, you can't say we never tried
Angie, you're beautiful, but ain't it time we said good-bye?
Angie, I still love you, remember all those nights we cried?
All the dreams we held so close seemed to all go up in smoke
Let me whisper in your ear:
Angie, Angie, where will it lead us from here?

Oh, Angie, don't you weep, all your kisses still taste sweet
I hate that sadness in your eyes
But Angie, Angie, ain't it time we said good-bye?
With no loving in our souls and no money in our coats
You can't say we're satisfied
But Angie, I still love you, baby
Ev'rywhere I look I see your eyes
There ain't a woman that comes close to you
Come on Baby, dry your eyes
But Angie, Angie, ain't it good to be alive?
Angie, Angie, they can't say we never tried


...e a vida segue plena de alegria.

happy new year's eve...brussel!

esse foi o título do post que tentei publicar no dia 31, e que por uma goiaba inexplicável, foi perdido sem chance de apelação. o título, pra quem é mais lento ou está desatento, é uma brincadeira com a canção do jorge ben + caetano veloso.

era mais ou menos sobre a arbitrariedade da comemoração, que por mais que haja gente envolvida, não passa, a frio, de uma troca de folhinha. a prova é que chineses, árabes e judeus (os irmãos brigões) contam do tempo de outra maneira, e todos ficam contentes.

e que se a gente fosse seguir a lógica da renovação, teríamos que comemorar o início de cada novo mês, e aprofundando mais a matéria, de cada dia. e afinal, assim é que deveria ser, porque cada novo despertar sobre essa terra tão cheia de miséria e beleza só pode ser um milagre.

mas parece que muito pouca gente se toca disso. às vezes é preciso uma professora primária perder as pernas para lembrar-nos do óbvio ululante.

e aí eu seguia desejando uma boa virada de ânus para todos etc. e para compensar a grosseria, recuperava dois trechinhos do "agora é que são elas", do cachorro doido polaco paulo leminski, um livro relido ao acaso no dia. e que não tinha nada a ver com o assunto, mas também não importava, era só pra ver se ao menos transcrevendo, a fluência dele passava um tiquinho que fosse pra mim.

(há muito deixei de querer sê-lo, bem como ao nelson rodrigues, mas isso é um outro capítulo apócrifo da minha vida...)

ei-lo:

Com aquela cara de homem fingindo estar interessado no papo de uma mulher apenas porque está com vontade de comê-la, com aquela cara de mulher costurando e bordando pensamentos apenas porque está afim de ser comida por ele, cheguei, caprichei, relaxei, lembrei de tudo o que tinha aprendido em Kant e Hegel, repassei toda a teoria dos quanta, a morfologia dos contos de magia de Propp, o vôo do 14-bis, cheguei e não perdoei:
- Tem fogo?
(...)
Isso lá é jeito de se chegar numa dona, conversar com uma senhora, hein, seu isso e aquilo, que pensou ter atingido a sabedoria? Mulher tem que ser abordada com vinte e cinco canhões de bolha de sabão, princesa e flor do oriente, rosa de incenso, filé minhon da parte esquerda do meu cérebro, abre os braços, isto é, os pássaros, isto é, faça-se luz, paradise me now...