...que nem foram tão negras assim. basta apenas um pouco de desorganização para, como diz o ditado, o lado mais fraco da corda arrebentar. infelizmente, o lado mais fraco é esse mesmo. mais juro pela sua mãe mortinha embaixo de um boeing onomatopáico de uma bola de tênis quicando sobre os ovos de um político do interior daquela obscura província no lado norte da região mais escarpada do deserto de gobi destruída pelo repentino estouro de uma tempestade subtropical graças ao efeito do desenrolar da trompa de uma borboleta que ficou presa na gosma pegajosa de uma planta carnívora mimetizada em orquídea ao tentar sugar seu suposto néctar, que não deixo mais de escrever.
depois disso tudo, alguém na platéia teria a audácia de duvidar da minha palavra?
bom, quem lê a tatipiv, sabe que passei um tempo nos estadozunidos por uns três quatro dias, a trabalho. pois é, rapaziada, vale do silício (ou do silicone, numa tradução mais apressada e distraída), o coração do cérebro tecnológico do ocidente. san jose, californification. de um lado, adobe, do outro, a cisco systems. ei, não é a sun ali? acho que o presidente da oracle acabou de acenar para mim daquele jaguar...fui super bem-tratado, bem-hospedado, tudo muito bacana, etcetera e tal, mas a quem interessar possa, é o seguinte:
1. as americanas não chegam perto das brasileiras. são na sua maioria obesas mórbidas com uma vozes finíssimas, como se fossem a minnie mouse nos seus dias mais afetados. aliás, esqueça os corpos sarados que você vê nos filmes, de homens e mulheres: se o resto do mundo comesse como os americanos, não só não haveria alimento suficiente para todos, como passaríamos a complementar as necessidades calóricas diárias com alguns vietnamitas e africanos.
2. são quase todos neuróticos (como diria o obelix) e paranóicos. leis, em geral, não são coisas boas, mas nunca vi um povo tão motivado em criar obstáculos à própria felicidade. às vezes, achava que uma camisa-de-força deveria ser mais confortável que, por exemplo, o esquema "não-fumar-dentro-de-nenhum-estabelecimento-não-beber-fora-de-nenhum-estabelecimento". o saco de papel pardo que se vê no cinema é apenas para TRANSPORTAR bebidas, e não dá o direito de consumí-las em public places.
3. todos reclamam que o café consumido lá é um lixo, mas se conformam e o consomem mesmo assim. a starbucks deveria dar junto com o café (?) um atestado de panaca.
4. todos os empregados de bar, faxineiros, lixeiros e trabalhadores de baixo extrato social são latinos (pelo menos na califórnia).
5. dica fundamental: em qualquer país, procure conversar com taxistas, vagabundos, garis e demais categorias profissionais mencionadas acima. eles são experts em ciências aplicadas - economia, sociologia, política, etc. - e sabem direitinho explicar quando a barra pesa. dois dos momentos mais emocionantes da viagem foi conversar com um ex-presidiário (san quentin) na condicional (o cara me mostrou a carterinha), enquanto bebíamos (ilegalmente!) do lado de fora de um seven eleven; e com três malucos que protestavam contra a ocupação do iraque numa esquina no meio de lugar nenhum. eles disseram que eu e meus amigos fomos os primeiros a parar para bater papo, em mais de um ano em que eles batem ponto ali.
com o tempo vou contando mais. aguardem. ou escolham outra página.
25 junho 2004
de volta das trevas...
08 junho 2004
revisitando alfarrábios (I)
pensei em bostejar uns artigos antigos que escrevi para a falecida "Geração". era um projeto louco e ambicioso (sinônimos?) de duas meninas, a joana e a antônia, de publicar uma revista com a proposta inicial de ser uma espécie de time out carioca, mas que depois acabou se tornando uma salada de estilos, um bricabraque da geração gente-bem (a expressão denuncia a idade) carioca do ano 2000.
infelizmente, como é o destino de toda publicação independente, pouco depois de um ano - a primeira edição veio ao mundo em outubro de 2000 - ela foi para o buraco. não sem antes ter tido o seu derradeiro número encartado na edição para assinantes do jb, em um remoto sábado de 2002. foi bom enquanto durou.
nunca pude avaliar o barulho que fizemos (se é que fizemos algum), mas a história rendeu para as duas editoras uma seção na revista de domingo do mesmo jornal - depois assinada apenas pela antônia. foi bonito, amador e anárquico. eu escrevia uma coluna que se pretendia de política, mas não de partidarismo, e sim, voltada para apresentar uma "política do cotidiano". a idéia era mostrar como os assuntos da cidade diziam respeito a todos, e o que os jovens poderiam fazer para mudar as coisas ao seu redor. ou seja, uma puta pretensão. no decorrer do tempo, minhas boas intenções naufragaram no emaranhado que estava se tornando minha vida, e acabei tentando um pouco de tudo.
o primeiro texto que apresentei, ainda muito "durão" (mas que me habilitou a entrar para o "staff"), foi sobre o 27o aniversário da revolução dos cravos, em portugal. era uma tentativa de transmitir a emoção do primeiro contato com essa história, via capitães de abril, da maria de medeiros. porra!, uma revolução feita com flores, praticamente sem tiros, e embalada por uma canção- na minha humilde opinião - lindíssima, grândola, vila morena! era demais para meu coração insurreto.
infelizmente não trenho mais o texto. mas tenho todos os que saíram publicados. considero uns poucos bons, embora às vezes resvalem num certo pedantismo de quem acha que tem um dever a cumprir. enfim, ninguém é perfeito. vou aos poucos os colocando aqui, para não espantar de vez os poucos leitores. divirtam-se (?).
O Geisel foi meu bicho-papão
Minhas primeiras referências políticas vieram da infância
Até uns anos atrás, eu pensava que a minha consciência política havia nascido depois das dezenas de filmes sobre o Vietnã assistidos na adolescência. Achava então uma injustiça o "sacode" que os comunas amarelos infligiram aos ianques, coitadinhos. Para vocês verem como eu estava por fora.
Muito antes, porém, eu já havia recebido uma valorosa lição. Só me lembrei dela há pouco, numa reunião de família, enquanto se rememoravam os micos de infância. Entre um causo e outro, me perguntaram se eu lembrava do Geisel. "Quem, o presidente?", estranhei, calculando que quando ele governara o país, nos anos 70, eu não passava de um molecote. Era quando minha avó materna morava para lá do Maracanã, num recanto batizado São Francisco Xavier, próxima à segunda estação da Central (a primeira, não mentem os sambas, é a Mangueira).sua casa era o point das festas que reuniam a parentada, e varavam madrugada adentro. Eu, com não mais que cinco anos, acabava sempre dormindo, não raro embaixo da mesa de jantar, protegido por uma toalha que se estendia até o chão.
Meus pais, não querendo me acordar, às vezes me deixavam aos cuidados da Vóca - apelido que todos os netos usam para chamar minha avó. até porque, se tentassem, eu muito provavelmente distribuiria pataços a torto e a direito (hábito que, aliás, ainda cultivo). e quando me levavam para o quarto eu despertava com a a casa vazia e com poucas luzes, o que me levava a crer que havia sido abandonado. Então eu corria para a varanda e, na esperança de ainda encontrá-los, chamava-os aos berros.
Aí, minha tia Cléa - que morava numa casa em frente e sempre ficava para ajudar na arrumação -, preocupada que meu escândalo acordasse todo o bairro, alertava:
- Não grite, porque senão o Geisel vem para levar embora criança que chora!".
A princípio, eu não dava a menor bola e seguia com o concerto, até que ela, muito engenhosa, tirava o telefone do gancho como se houvessem ligado:
- Alô, Geisel? Não, não é daqui que tem criança chorando, não! deve ser em outra casa. Como? Você vem conferir?"
Nesse momento, eu parava de chorar na hora, me pelanndo de medo do tal "geisel", que eu não sabia se era homem, bicho ou assombração (talvez, para minha tia Cléa, apolítica até a raiz do cabelo, ele devia ser um pouco dos três).
O general Ernesto Geisel chegou à presidência em 74, um ano depois do meu nascimento. Foi ele quem começou a desmontar o aparelho ditatorial, através de uma distensão "lenta, gradual e segura". Não era dos piores, comparado aos seus antecessores, Costa e Silva e, principalmente, Médici. O primeiro foi o responsável pela assinatura do AI-5, em 68, quando foram rasgados os últimos "escrúpulos de consciência", e passou-se a prender, torturar e sumir com gente, em nome da segurança nacional. No ano seguinte, o outro assumiria o botequim, e não faria feio - ou melhor, bonito. Aniquilou o que restava de resistência (armada ou não) na base do chumbo quente. E saturou o povo com slogans ("Brasil, ame-o ou deixe-o") e canções como "Pra Frente, Brasil", até hoje reconhecida por qualquer torcedor de futebol.
Minha tia até poderia estar enganada, mas certamente estava escaldada. Ao invocar o presidente para me calar, talvez se lembrasse das histórias ouvidas na surdina, sobre pessoas desaparecidas. Ou, quem sabe, viessem à memória as marcas das borrachadas recebidas pelo irmão da minha mãe, apenas por ter tido a infeliz idéia de e passar perto de um soldado a cavalo, para ver de perto um tumulto na Cinelândia. Ou ainda, a história do vôo rasante que minha avó deu para dentro de uma loja, enquanto baixavam as portas de ferro para protegerem-se do gás lacrimogêneo usado para dispersar uma manifestação.
Foi através de relatos de testemunhas assim, sem qualquer formação política, que passei a sempre duvidar das versões oficiais. Pode ter sido essa origem da busca quixotesca que empreendo a caminho dos fatos, e que acabou me levando ao jornalismo. O resto, meus caros, é História...
03 junho 2004
enquanto isso, no torrão ao norte do rio bravo...
digam aí se as coisas não parecem ser assim mesmo...
But you can reach the top of your profession
If you become the leader of the land
For murder is the sport of the elected
And you don't need to lift a finger of your hand
Murder by numbres - The Police (com sting em pessoa em versão ao vivo do frank zappa)
salto de che guevara a jorge ben
ainda não vi o filme do waltinho salles sobre o che, mas desde o ano passado já havia lido "mi primer gran viaje", os diários que inspiraram o cineasta.
pensei em botar a letra da bela "hasta siempre, comandante che guevara". não sei se toca no filme, mas é tão linda que deveria, nem que fosse nos créditos finais. não sei quem a compôs, mas tenho duas versões: uma da soledad bravo, e outra do compay segundo.
em vez disso, escutei "o circo chegou", do jorge ben. tentem visualizar as situações e os personagens:
O circo chegou - Jorge Ben
O circo chegou, vamos "todo" até lá
Olha que o circo chegou, não custa nada você ir até lá
O circo é alegria de viver,
O circo é a alegria que você precisa conhecer
Tem um macaco cientista
Um urubu que toca flauta e violão
Uma orquestra de sapo
A cabra ciclista e a girafa seresteira
Tem um anão gigante,
A mulher barbada e o homem-avestruz
Tem o homem-foguete
que entra em órbita a qualquer hora
E quando você menos espera - suspense! -
O leão foge da jaula
Mas calma, minha gente que o leão é sem dente
calma, minha gente que o leão é sem dente
Um mágico que engole espada e come fogo,
Vira elefante, sai voando
Vinda diretamente de Paris uma linda, sexy bailarina
Dançando ao som da escaldante banda do Seu Tião Brilhantina
E quando não está roubando mulher, aparece o palhaço Tereré
Distribuindo goiabada e requeijão
E ingressos pra domingo que vem
E anunciando a grande atração:
A grande atração é uma grande vidente
Uma grande vidente, que tudo sabe, que tudo vê, que tudo sente
E agora, com vocês, a grande cartomante, a internacional Deise,
A mulher do homem que come raio laser
O circo chegou vamos "todo" até lá
Banacuca Cungungum, o palhaço que é ladrão de mulher
coisas que vou começar/retomar
a culpa pelo adiamento de uma série de coisas era atribuída ao mestrado. findo o problema, vamos à lista de tarefas:
- voltar a desenhar;
- aquarelar;
- xilogravar;
- retomar o sufi;
- tocar o projeto das camisas;
- reencontrar os amigos (joão, paulito, pedro, cabeção, daniel etc.);
- pegar um sol, para variar;
- nadar;
- comprar um dvd pro computador;
- ler asimov;
- bertrand russel;
-aldous huxley;
- salinger;
- os sermões;
- reler os sertões;
- a pedra do reino;
- lord of the flies;
- baixar zappa, muito zappa;
- todo o jorge ben;
- voltar a ser sócio da sala de vídeo do ccbb;
- aprender violão;
- voltar às aulas de caixa-de-guerra;
- achar tempo para tudo isso, e ainda por cima, dormir razoavelmente (coisa que aliás, deveria estar fazendo há horas. entonces, buenas).
02 junho 2004
sir paul e as "dgogas"
eu bem que desconfiava, mas não sabia que era tanto.
PLANTÃO
06/02/2004 - 15h39m
Paul McCartney revela que usou heroína e cocaína
Globo Online
RIO - O ex-beatle Paul McCartney revelou ter tomado heroína e cocaína, no auge do sucesso de sua lendária banda. Em entrevista à revista britânica "Uncut", McCartney disse que não sabia que havia provado heroína. "Não me dei conta de que havia usado. Me deram algo para fumar, e eu fumei. Mas não me afetou em nada", afirmou.Sir Paul disse também ter usado cocaína "por cerca de um ano" mas "nunca se viciou". De acordo com o cantor e compositor, as drogas davam inspiração para muitas canções dos Beatles. "Got to get you into my life", por exemplo, "era sobre maconha, mas ninguém sacou na época", disse ele. Já a música "Day tripper" era sobre ácido lisérgico. O ex-beatle contou ainda ser "bem óbvio" que "Lucy in the sky with diamonds" tratava de LSD. Segundo ele, muitas outras faixas dos Beatles faziam "sutis alusões" a drogas. As informações são do site da "BBC".
*******
"got to get you into my life", é? quem diria?...
back in the high life again
estou de volta, amiguinhos!
como quem lê a tati sabe, passei no mestrado. foi um sufoco danado, mais ou menos como se eu tivesse parido um abacaxi pela coroa. nos três dias que antecederam a defesa, devo ter dormido apenas umas cinco horas, talvez seis. o pior é que só comecei a desacelerar dois dias depois. minha médica disse que vai demorar algum tempo para o organismo se livrar da quantidade de anfetaminas que ainda corre nas minhas veias.
mas o que importa é que vim, vi, caguei no pau, mas venci. a propósito, de onde virá essa expressão "cagar no pau"? respostas para esse endereço.
mais mestre, mais calejado e mais velho. aliás, foi meu aniversário dia 30, preciso mudar o número no canto superior direito da página. mas não comemorei. meu estado de ânimo estava mais murcho que pneu furado, e não via motivos para celebrar enquanto não me livrasse do karma acadêmico. não fiz nada, e sequer contei aos amigos. terei 31 até o fim de maio do ano que vem, ora bolas!, portanto, realmente não tenho pressa de festejá-los.
enfim, amiguinhos, muitas coisas aconteceram, e a lição que tiramos disso tudo é "não deixe as coisas para a última hora, por mais fudido que você esteja", e que "saturno é a casa do caralho!" felizmente, tenho mais trinta anos até o nosso próximo encontro quando ele completará outra órbita completa. até lá, ao contrário de agora, estarei preparado. por enquanto, volto à vida, aos amigos, às "coisas úteis que se pode comprar com dez cruzeiros" (salve, jorge ben!).
16 maio 2004
o melhor presente da minha vida!
com quase duas semanas de antecedência, recebi hoje meu presente de aniversário. nada menos que um cobiçadíssimo (por mim) exemplar de The Real Frank Zappa Book! vocês entenderam? vou repetir:
The Real Frank Zappa Book!
eu namorava esse livro há anos pela amazon. entrava no site e pensava: quando conseguir um cartão de crédito internacional... quando a paridade com o dólar voltar...quando os planetas se alinharem... aí, sim, ninguém me segura.
o tempo passou, até consegui o cartão, mas me esqueci. até que um dia mencionei algo a seu respeito - ou o vimos na rede, sei lá. e hoje, isso! pode haver felicidade maior?
o amor deve ter algo a ver com o prazer de captar os mínimos desejos de quem se gosta, e tentar realizá-los...
15 maio 2004
nou bízis laique chou bízis
pois é, rapaziada, cheguei à conclusão de que nem o crime, nem a vida de jornalista compensam. portanto, resolvi me entregar de corpo e alma ao mundo da farândula audiovisual. como ainda engatinho no ramo (epa!), minha primeira experiência foi bem - como diz a tatipiv - pimba. só teve o visual; faltou verba para o áudio...
tati me contou que "doença de são guido", é como os mais velhos se referem à "coréia de sydenham", que deve ser mais ou menos o que depois se popularizou como "bicho carpinteiro". os sintomas costumam se apresentar como "movimentos descoordenados incessantes dos membros, por vezes imitando os movimentos de um verme".
quando ela era pequena, sua avó dizia que ela e os primos deviam estar acometidos por tal moléstia, já que não conseguiam parar quietos. foi o suficiente para a idéia do nosso...ahrm...mínima metragem...ahrm...científico.
bom, chega de lero-lero. peguem a pipoca e linquem. mas cuidado para não engasgar.
contratos artísticos e convites para animação de aniversários, batizados, velórios e bar-mitzvahs, entrem em contato com meu agente.
Saint William´s Disease
14 maio 2004
"ó maria, como é que me descobriste cá no motel, pá?"
a frase é da piada do português que atende a uma ligação da mulher no celular. usei-a para ilustrar a graça que é verificar pelo conta-giros (esse quadradinho azul do lado direito da página) como é que as pessoas chegaram aqui. segue uma seleção das mais surreais:
opinões contra as touradas
fotos xuxa siliconada na caprichosos
Letra da música Ave Maria cantada por Fafá de Belém
resumo de livros capitão gancho"Peter Pan"
sob a luz polarizada jorge ben (esse deve ser sangue bom, fã do babulina!)
mas o melhor mesmo, que infelizmente já não aparece desde ontem, era
velhos trepando com adolescentes
definitivamente, eu mereço.
menos é mais
o que também ajuda a salvar a pátria são músicas como little green bag. nem devia botar link para a letra, de tão babaca que é. mas sabe aquelas que tinham tudo para ser imbecis, mas são geniais? como dizia confúcio, "menos é mais".
meio mistura de surf-music com rockabilly, um vocal meio grandioso-galhofa e um suíngue féladaputa (só o baixo no princípio já é de arrepiar). um dia aprendo a linkar as músicas, juro!
ninguém perguntou, mas o autor chama-se george baker, um holandês que fez muito sucesso nos anos 70 (saca só o naipe do sujeito no auge do sucesso), e foi recussitado 20 anos depois pelo tarantino, que usou a citada canção nos créditos iniciais do "cães de aluguel" (que curioso, achei o roteirodo filme).
não sei se já disse isso antes, mas a cena inicial, em que os caras discutem no bar sobre o significado de "like a virgin", pode entrar para a antologia dos melhores diálogos do cinema de todos os tempos.
para não dizer que não falei de flores...
vamos desanuviar esse clima de derrota, nem que seja na base da borduna, valeu? vai um post descaradamente chupado (epa!) do markun. vai lá ver, pô!
já tá meio antiguinho, mas ainda dentro da validade.
terça-feira, 4 de maio de 2004
CUIDADO COM A IRONIA
A ironia é arma letal, mas perigosa, em que o tiro pode sair pela culatra com muita facilidade. Que o diga o ex-prefeito Celso Pitta, preso hoje por desacato na CPI do Banestado. Pitta se deu mal ao tentar aplicar a mesma manobra feita pelo Barão de Itararé para fugir de uma pergunta de um delegado no tempo do Estado Novo e para a qual só lhe davam a opção de sim ou não. O Barão respondeu com outra pergunta - que seu interrogador teria de responder com um sim ou não. E colocou o delegado numa bela sinuca.
A pergunta era: - O senhor continua batendo na sua mulher?
Pitta deve ter assimilado mal a pegadinha. Originalidade nunca foi o forte dele.
Já o Barão era um craque. Elegeu-se vereador no Rio pelo Partido Comunista em 1947 com um lema que era mais do que um trocadilho:
Mais água e mais leite. Mas menos água no leite.
Até morrer, em 1971, aos 76 anos, produziu milhares de frases ácidas, irônicas certeiras. Como estas:
Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga.
Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.
Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.
Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
Preso várias vezes pela polícia de Vargas,o Barão reencontrou-o numa coletiva de imprensa no Senado - Getúlio senador, ele repórter político. O ex-ditador quis dar uma de esperto e sapecou:
- Até tu, Barão?
Levou o troco na hora:
- Tubarão é o senhor, eu sou o Barão de Itararé.
Itararé, é bom registrar, foi a famosa batalha da guerra do Paraguai, que jamais se consumou. Nela Aparício Torelly inventou uma participação fantasiosa e por causa dela, outorgou a si mesmo o título de Duque de Itararé. Uma semana depois, rebaixou-se para Barão, por modéstia.
Foi o pai da turma do Pasquim e o avô do pessoal do Casseta e Planeta. Estivesse entre nós, ativo, e, com certeza, teria um blog.
enviado por Markun às 19:43:36
faltam cinco dias (tô fudido de verde e amarelo)
não tenho escrito nos últimos dias, é bem verdade. encontro-me numa roda-viva violenta, resultado do acúmulo de coisas que resolveram cair sobre mim todas de uma vez. como diz o ditado (ou não diz, talvez eu o esteja inventando agora): "problema nunca vem desacompanhado". posso afirmar com categoria que aprendi na carne o significado da expressão "estar no bagaço". sinto-me chupado (epa!) na pior acepção do termo. e todo o carinho recebido só tem sido capaz de operar reversões momentâneas no quadro.
às vezes, no fim do dia, a angústia me dá vontade de chorar, arrancar os cabelos ou quebrar tudo. o que salva é a consciência de que a situação foi quase toda causada por mim mesmo, e é localizada no tempo. quarta-feira, metade termina, e no máximo, daqui a duas semanas, a outra metade. é claro que, se antes disso, eu não descer pelo ralo. se eu soubesse, ou acreditasse que adiantaria, rezava.
enquanto isso, vão fazer alguma coisa de interessante. sei lá, lera a tatipiv, o dudu, a ,maffalda (aliás, tirando a parte do cabelo, a depilação e a máquina de lavar louça, eu poderia ter escrito isso), o eudes ou o kibeloco, qualquer coisa. não fiquem muito por aqui, não, que esse meu bode pode ser contagioso. não sei se é impressão minha, mas sinto um certo peso no ar, generalizado, nos últimos dias. espero que sejam sinais de mudança para melhor em breve...
maldito inferno astral. o bom é que este ano terei dois aniversários.
09 maio 2004
guerra de todos contra todos e o estado moderno
a tati (piv, para os íntimos) fez um comentário
ao bostejo anterior que reproduzia um texto do hobbes, autor do leviatã, que faço questão de comentar. mas primeiro, a citação:
"Durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens."
bão, o negócio é mais ou menos assim (perdoe-me os historiadores que porventura passarem aqui. meu conhecimento na matéria é absolutamente enciclopêidico): no texto, o hobbes fazia a defesa do estado moderno. é que, depois do domínio da igreja católica durante a idade média, os monarcas absolutos "organizaram" as pessoas ao seu redor sob uma mesma língua, moeda, em um território comum, dando-lhes o nome de "povo". mas gente não é gado para deixar-se levar de um lado para o outro, e até alcançar essa coesão, o rei precisou acabar na marra com as resistências. e para instituir seu poder, precisou de um exército que amedrontasse e punisse os possíveis descontentes. assim, todo o estado moderno se cria sobre a violência e a supressão de grupos menores, em nome de uma "maioria", submetida ao poder por medo ou inércia (procurem o maravilhoso "discurso da servidão voluntária", do etienne de la boétie).
submetendo-se à máquina de violência real, e através de um "contrato social" (responsável pelos princípios regentes da vida em sociedade), as pessoas passam a delegar a terceiros (o rei e a máquina estatal) o poder de decisão sobre suas vontades. é mais ou menos assim, amiguinhos, que eu, você, eles, deixamos um pouco do nosso tesão de vida, para tornarmos algo próximo de legumes sociais, medrosos da lei e dos que não a respeitam, satisfeitos por nos alimentarem com migalhas de entretenimento vez por outra. e assim vamos levando a vida, como laranjas mecânicas (salve, burgess!), apenas esperando a hora de ser colhidos, enquantoacreditamos que somos livres ou que temos vontade própria.
mas, voltando à vaca fria, hobbes defende acima o estado moderno. o estado, para ele, é quem permite a harmonia entre os homens, quem instaura a paz e cessa o estado atávico humano, que é a "guerra de todos contra todos". ora, essa "guerra" era a definição do horror que a multidão, ou a ausência de governo, causavam à nobreza, e mais tarde, à burguesia. a multidão é a multiplicidade das vontades. e como todos sabem, quando todos falam ao mesmo tempo, duas coisas podem acontecer: ou faz-se um ruído abominável, ou se consegue, em algum momento, uma voz em uníssono. mas não há poder, e sim alianças precárias. a multidão é o terror do poder, é chamando-a de "caos" que os poderosos assustam os incautos. o caos é a ausência de ordem, é o processo de tentativa e erro que leva à criação de novidade e ao equilíbrio. não é à toa que os físicos mais eminentes estão voltados para o estudo das "teorias do caos".
a instituição das tecnologias de informação, com os dispositivos de comunicação remota (celular, pager, laptop, palm etc.), possibilitaram a conexão de pessoas e grupos de descontentes ao redor do mundo. é sobre essa essência que se constróem os movimentos erradamente denominados "anti-globalização" - na verdade, muito mais "anti-capitalistas" e "anti-poder". eles constituem uma "multidão inteligente" (vide smart mobs, do rheingold), que consegue estabelecer resistência ao estado sem liderança. da mesma forma organizam-se redes terroristas, e de traficantes (daí a burrice suprema de se chamar o tráfico no rio de "poder paralelo". eles não são poder, não querem o poder. eles são uma rede. tem sua hierarquia, mas não dialogam com o estado nos mesmos termos. o que poucos perceberam é que não é uma luta entre iguais, e sim, assimétrica. o tráfico funciona sob a mesma lógica do capital que as grandes corporações. no pain, no gain. manter as aparências de "contrato social" e "sociedade de bem-estar" é atribuição do estado. ao capital isso não diz nada. ele funciona em outra esfera).
caceta dourada! falei às pampas. se antes poucos liam, agora então...não sei se fez sentido algum, mas foi bom. se escrevi alguma asneira brutal, depois corrijo. hoje é dia das mães e tenho que ver a minha.
sobre a guerra
tendo recomeçado a trabalhar, estando numa firma de segurança de redes, sendo colega de um white hacker de linux que conseguesaber remotamente tudo o que aparece na tela do meu computador, não tenho tido tempo e culhões para bostejar do trabalho. e como pintou uma pequena brecha na minha atarefada agenda (ui!), resolvi derramar uma enxurrada de bobeiras.
depois de tanto se falar nas arbitariedades americanas, apareceram fotos para provar que a guerra é a desculpa perfeita para libertar a boçalidade que alguns (todos?) levam dentro de si. mas na verdade, ao invés de ficar cagando goma humanista, queria mesmo era mostrar duas poesias sobre o assunto; uma, do walt whitman, outra do meu bisavô. reparem como ambas são parecidas...
RECONCILIATION (Walt Whitman)
Word over all, beautiful as the sky,
Beautiful that war and all its deeds of carnage must in time be utterly lost,
That the hands of the sisters Death and Night incessantly softly washed again, and ever again, this soil'd world;
For my enemy is dead, a man divine as myself is dead,
I look where he lies white-faced and still in the coffin - I draw near,
Bend down and touch lightly with my lips the white face in the coffin.
O Beijo de Papai (Eustórgio Wanderley)
Foi no tempo da guerra entre a Rússia potente
e os heróicos nipões, calmos filhos do oriente.
Em torno a Porto Arthur o cerco se apertava
como um cinto de ferro e fogo, que fechava
as portas da cidade a quem, valente, ousasse
por ali penetrar, ou por ali passasse. (...)
08 maio 2004
fragmentos
a expressão "fragmentos" quem inventou foi minha irmã, para se referir a todos os livros que soltam páginas, e às vezes, seções inteiras. isso começou no fim dos anos 80/início dos 90, para designar o estado em que se encontrava minha cópia emprestada d'o exorcista, do william peter blatty. desde então, todo livro que se despedaça é chamado por nosostros de "fragmentos". (um dia bostejo mais sobre ela, minha irmã - uma figuraça ímpar. entre nós, muito do equilíbrio de um depende do outro, e vice-versa. tô te devendo, coisinha...).
mas os fragmentos a que me refiro são pedaços de textos que escrevo em qualquer lugar, e que nunca viram nada além de lembranças de determinados momentos. tão íntimos que não devem fazer sentido a ninguém além de mim. mas, como topei com uns três por agora, enquanto futucava "as catacumbas de papel", resolvi arriscar e bostejar. como monarca absoluto e déspota de mim mesmo, declaro que assim seja:
fragmento 1 - diário de arraial 'dajuda
sexta-feira, 12
depois de uma noite virado (passando roupa, escrevendo, arrumando mala e chateando com a maffalda), tereza passa de táxi às 7h para irmos para o aeroporto. tomamos o avião até são paulo, onde faríamos baldeação. no mesmo vôo, já era possível identificar muitos famosos, inclusive uma grande estrela global, recente heroína de manoel carlos, a quem eu quase atropelei, depois de um giro brusco de 180o na hora do embarque. no segundo avião , assim como no primeiro, bastou o avião decolar (é a hora que mais gosto, seguida das do pouso e do lanche) para que eu chapasse. cheguei em porto seguro um zumbi. depois de tomar uma vã do aeroporto até umas barcas que nos levariam ao hotel, estávamos incógnitos. ambos nervosos com a situação nova, mas mantendo a pose e ostentando uma naturalidade quase blasé. na barca saquei quem deveria ser a diretora de marketing, fui até ela e me apresentei. bingo! ea nos cumprimentou e abraçou a tereza, como nos conhecesse há anos. recepção calorosa. bom, muito bom. já no hotel, nos indicaram o quarto, e depois partimos para o almoço. ótima comida, embora sentisse uma ponta de frustração pelo cardápio não ser típico, pois desde o rio eu salivava ao pensar em acarajés tapiocas, abarás, pimentas e camarões. nos adiantaram todo o material que precisávamos, com uma eficiência que desmentia tudo o que dizem dos baianos. mais tarde foi que descobrimos que quase ninguém dali era baiano.
fragmento 2 - sem título, sem data
a mulher é um ser magnífico demais para ser maltratado. especialmente aquela que a gente gosta. se cada pequeno gesto, mesmo imperceptível para elas, é uma fonte de prazer infinito, o mínimo que se pode fazer é ter como obrigação (ou melhor, tarefa de vida) retribui-los com o máximo de devoção - cobrindo-as de carinhos, mimos, agrados e gentilezas. durante muito tempo enxerguei nas mulheres o objetivo único e primário do sexo. o resto era como se fosse um interlúdio até o próximo intercurso. e como, para conseguir meu quinhão, era preciso tolerá-las, que pelo menos elas fossem agradáveis, e principalmente, interessantes e vivazes. como desperdicei oportunidades de ouro! como deixei escapar gentes maravilhosas. hoje sei que não é nada disso...
fragmento 3 - sem título, sem data
Sou escravo e senhor das ardósias,
molduras vivas de um poente de mel
que irradia do centro da noite.
Talvez a fonte mesma do néctar
de flor em que me afogo
quando soas tua música mais profunda.
fragmento 4 - sem título, data previsível
ontem foi o segundo turno das eleições para presidente, e o lula ganhou de lavada. de noite, eu e gabriela fomos a casa de um casal amigo comemorar a vitória e tomar umas cervejas. estava lá uma amiga, em vésperas de seguir para o méxico - conhecera um mexicano no "encontro das américas" e pensava em morar com ele. depois chegaram grazi, joana e daniel. conversei muito com este, e combinamos para ele aparecer na faculdade na quarta, assistir uma das minhas aulas e participar de uma sessão do laboratório. gosto muito dele. é um cara bastante perspicaz e intiutivo. o papo flui bem, porque ele pega as coisas rápido e desenvolve questões interessantes. todos estávamos muito animados com o lula, e pensei que vivíamos um momento histórico para o país, e que talvez pudesse ser possível contar a história de cada um de nós a partir daquele ponto.
05 maio 2004
ojeriza ao trabalho
realmente, odeio trabalhar. não é figura de linguagem, não; embora reconheça a importante parcela que ele tem na manutenção da minha sanidade e do meu humor. mas não gosto de ver minhas capacidades condicionadas ao recebimento de salário, e nem o corte dele como punição. não sou foca de circo, caso ainda não tenham percebido, para tocar as buzininhas em troca de peixe. o sistema capitalista naturalizou o trabalho (transformou-o em verdade "natural" e inquestionável, como se fosse um fenômeno como a chuva ou o calor), e agora, até as cabeças mais coroadas da esquerda acham que ele é necessário. é preciso superar essa praga.
vejam bem, não sou ingênuo a ponto de propor a todos largar seus empregos e deitar sobre a relva, com um capinzinho no canto da boca. mas é preciso saber o que é esse deus ex-machina. vamos botar o trabalho em perspectiva, porque aí sim, será possível ter real consciência da exploração.
quem estiver com tempo de sobra - ainda não tiver sido cooptado pelo trabalho, ou expelido de sua esfera - pode dar uma olhada no maravilhoso manifesto contra o trabalho, do grupo de teóricos alemães auto-intitulado "krisis", ou procurar os livros do henri david thoreau, como "desobediência civil", e "walden: life in the woods" (esse não sei se tem em português, vale a pena procurar). domenico de masi não gosto tanto. é bem verdade que o li pouco, mas suas considerações não oferecem alternativa ao trabalho, não rompem com sua naturalização.
04 maio 2004
Rodrigo Rato vai assumir o FMI
o fmi finalmente escolhe alguém à sua altura. existe lugar mais apropriado para um rato?
it's alive!
bão, já que estou prestes a sofrer um volume pantagruélico de visitas graças à tatipiv, acho melhor bostejar alguma coisa, antes que a acusem de propaganda enganosa. (é verdade, estamos juntos, e isso basta. quem quiser ver minha carranca, basta ir no fotolog dela (procure lá o endereço, que eu não sei de cor), que tem uma foto nossa no aniversário do dudu.)
entre as coisas boas que vêm acontecido desde que nos conhecemos, uma delas é que consegui esticar o prazo de entrega da minha dissertação ao limite da racionalidade, e voltei a trabalhar - o que só é vantagem, vá lá, pelo lado financeiro. se eu pudesse ("if i had my way", diriam os saxões), baniria para sempre essa palavra dos dicionários. por que não seguimos o exemplo dos índios nossos sábios antepassados? mas não, preferimos ser europeus, judaico-cristãos, imundos, cheios de gripe, cólera, sífilis e escorbuto. antes tivéssemos olhado os lírios do campo, que não teciam nem fiavam, e nem salomão, com toda sua majestade, curtiu tanto. mas não, preferimos acreditar em pecado original e dignificação através do *puá!* trabalho. odeio admitir, mas caetano estava certo: somos uns boçais. que remédio...
mas divago. volto ao tema e ao mercado, atuando numa empresa que distribui uma solução de rede para corporações. o pessoal é ótimo, e o clima, idem. é o que vale. o ritmo de trabalho ainda não apertou, pelo menos até hoje. já amanhã... sei que ninguém perguntou o nome da companhia, e por isso mesmo, poupá-los-ei disso.
tá tarde, tô cheio de coisa pra ler, escrever e preparar para amanhã. a paciência está curta, mas, antes de me despedir de modo tão ríspido e mal-humorado, queria registrar a lisonja e a alegria sentida ao ler o texto da tatipiv sobre mim. por essas e outras que a menina me ganhou...
23 abril 2004
o braga, o mar e o livro
sempre achei difícil responder qual seria o melhor livro que já li. mas hoje, fazendo um balanço, tem um que ganharia por antigüidade. e se está comigo há tanto tempo, é porque tenho um carinho especial por ele. é o "200 crônicas escolhidas", do rubem braga, de uma edição antigona (paroxítona), do círculo do livro. digo com tranqüilidade que é a minha bíblia. braga é lírico sem ser piegas, espirituoso sem ser engraçado, emotivo sem ser dramático. um mestge, enfim.
lembro-me que assim que o vi, logo me fascinaram a cor de leite achocolatado da capa, e os tipos arredondados do nome do autor, em degradé (é assim?) vermelho. um dia, a parentada foi passar o dia no forte do imbuí, em niterói, e enquanto os outros se divertiam correndo pela praia, me atraquei com o livro sob uma amendoeira. me atraquei mesmo, porque a prosa poética era por demais abstrata para uma criança de quê?...nove anos? a briga foi feia, e perdi de lavada. já à tardinha, cansado do baile que o braga me infligiu, fui me distrair vendo uns mergulhadores (que então, por influência do desenho do johnny quest, eu chamava de "homens-rã"), e um baiacu que um amigo pescara. como ele havia engolido o anzol (o peixe, não o amigo), dávamos umas porradas com ele nas pedras, para ver se ele o cuspia. mas, para espanto de todos, ele inflou. o que foi a parte mais emocionante de todo o dia de pescaria. guardo a imagem até hoje.
digo isso porque hoje estava relendo algumas das crônicas para uma pessoa muito querida (é mulher, antes que esse papo de "pessoa" comece a dar margem a especulações sobre minha opção sexual), e por acaso topei com uma em que o "velho urso" fala da emoção de ver o mar pela primeira vez (ele, como o bob carlos, é de cachoeiro do itapemirim), numa excursão que fez, ainda menino, com um grupo de amiguinhos. depois conta de sua juventude passada à beira-mar, pescando, velejando, nadando, ou simplesmente amando sua beleza. no fim do texto ele termina falando com ele, de uma maneira que me encheu de emoção:
Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ora aflito, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mais corajoso qua audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa, mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas é teu filho, é um dos teus, e ainda pode comparecer diante de ti, gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante as grandes ondas que arrebentavam - um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar...
Julho, 1938
22 abril 2004
confissão
tô há um tempão sem escrever, basicamente por dois motivos: 1) vivo um período muito bom, de intensa felicidade, como só poderia supor nos meus mais desvairados delírios românticos adolescentes. sem aquela melosidade piegas, mas utilizando todo o bom senso que consegui reunir ao longo desses 30 outonos. estou, pela primeira vez na vida, deixando o coração frouxo, sem que o cérebro o castigue a cada instante. dá uma certa vertigem, mas recomendo a todos. 2) vivo um período muito ruim, de intensa ansiedade, um pesadelo mesmo. confronto contra esqueletos até então sublimados. barra pesada, amiguinhos (será uma prévia do inferno astral que me aguarda em poucos dias?).
o que está bem, está bem; o que me preocupa é o resto. numa tentativa de ser menos vago, direi que o problema é mais ou menos o seguinte: tenho uma transa mal resolvida com autoridade. me amedronta e repugna, mas ao mesmo tempo, é o motor que me tira da inércia. dificilmente produzo sem pressão. com um agravante: amizade é amizade, chefia é chefia. tal água e óleo, não consigo misturá-las sem prejuízo para ambas as partes. tenho buscado alcançar um meio-termo, mas, por enquanto, ou bem estou pagando pelos pecados de adão, ou bem estou no jardim das delícias.
outra coisa é uma estranha mania de me desinteressar por qualquer assunto no exato momento em que ele se torna uma obrigação. foi assim até com o desenho. o período em que cursei a faculdade de belas-artes, foi quando praticamente abandonei as histórias em quadrinhos. desenhava, sim, mas deixei de lado minha verdadeira paixão. depois fui cair na besteira de acreditar na conversa burra e preconceituosa de que tinha que arrumar um emprego de gente grande. afinal, todo mundo sabe que esse negócio de desenhar não vai te levar a lugar nenhum...
mas isso é outra história.
tenho uma auto-crítica insana. e um medo danado de me expor ao julgamento alheio (mas não sou um cara tímido; sou do tipo que, com um pouco de inspiração e algumas latinhas na cabeça, sou capaz de fazer as pedras gargalharem. pensando bem, às vezes, não preciso nem das latinhas...). a possibilidade de críticas, ou de que descubram que não passo de uma farsa – é isso aí, gente fina, a coisa é ruim assim – me paralisa. meu nível de exigência dispara e, mesmo inconsciente, se não for para ser o melhor, prefiro declinar. até os elogios e expectativas positivas soam como cobrança.
bem-aventurados os caras-de-pau, pois deles será o mundo. não é despeito, não. é admiração.
agora misture os igredientes até formar uma massaroca, bata repetidamente na cabeça, e não dê tempo para ela descansar. deu para perceber o drama ou querem que eu desenhe?
isto posto, só me resta tocar um tango argentino, ou manter-me atento e forte, sem medo de temer a morte, porque afinal de contas, tudo é perigoso, tudo é divino maravilhoso.
pensando bem, fico com a segunda opção. i choose life. whatever the cost. que venham os tártaros. tombarei lutando.
16 abril 2004
descoberta feliz
o mundo gira, a lusitana roda, e a corda aperta-se em torno do meu pescoço à medida que o tempo escorre e aproxima-se a data fatídica da minha defesa. descontando-se o fato de que preciso de um milagre urgente, até que o buraco no meu estômago parece estar sob controle.
e ainda encontro tempo para pequenas felicidades! depois de anos, hoje afinal descobri o nome da música que toca no yellow submarine quando uma das criaturas do sea of monsters (a de luvas de box), acende um charuto que depois explode na sua cara. é a "ária na corda sol da suíte orquestral no 3 de bach. no desenho só toca um trechinho rápido, mas como sua beleza ficou impressa em mim.
em face dos últimos acontecimentos (2)
bom, agora que o secretário de segurança provou em brasília que a situação do rio não está fora de controle (sic), que a política de segurança da governadora não está indo pelo ralo, e que, ao que tudo indica, temos mesmo uma política de segurança (sic), muito me tranqüiliza saber que o tráfico na rocinha já tem um substituto para lulu. segundo comentou a "coisinha" no post passado, ele atende pela singela alcunha de zarur.
segundo a fonte, ele disse que vai retomar as operações dentro de um esquema de paz e harmonia com a comunidade. que alívio saber que tudo não passou de um pequeno desajuste comercial, e que a intervenção benéfica do estado ajudou a regularizar as atividades do mercado. e tem gente que ainda é contra o controle do estado sobre a economia!...
só mais um detalhe: para quem não sabe, o zarur original era o alzírio zarur, radialista criador da "ronda da caridade", que em 1962, distribuía sopa para os moradores de rua do rio. a iniciativa, popularmente conhecida como o "sopão do zarur", foi o embrião da legião da boa vontade (lbv). espero que a versão aditivada do zarur honre o bom nome de seu antecessor, e saia pela cidade num "bonde" do bem, servindo à população carioca o "maconhão do zarur", ou o "brizolão do zarur".
15 abril 2004
em face dos últimos acontecimentos
dudu no vidigal, lulu na rocinha; rosinha em laranjeiras, garotinho em brasília... já ouvi falar em banalização da violência, mas que tal imbecilização da violência?
se as principais figuras da cidade ainda não saíram da fase dos apelidos infantilizantes, como esperar alguma seriedade no debate político, ou resolução minimamente decente?
12 abril 2004
exorcizando velhas mágoas
costuma-se dizer que, cicatrizadas pelo tempo, as dores tornam-se risíveis. concordo totalmente. hoje, noves fora, estou por cima novamente, esbanjando felicidade. no entanto, descobri uma pérola do tim maia que me lembrou uma rasteira espetacular que levei em meados de 2000. como se sabe, há poucos com tanta propriedade para cantar dores-de-cotovelo como o tim.
se a conhecesse na época, não me abatia tanto. apesar de ser sobre traição, vale pelo registro do rancor. vamos a ela:
Sofre (Tim Maia)
Não vou mais chorar, mas se eu chorar
Vai ser baixinho pra ninguem me ver
O quanto eu sofro pois amei você
Vou seguir o meu caminho triste
Como antes de te conhecer
Porém marcado, humilhado, magoado, pode crer
Você foi mulher
Se isso é ser mulher
Está enganada, pois não é não
Isso foi pura podridão
Se valeu o sentimento puro e belo que eu tinha por você
Para fazer das suas crueldades e maldades sem perdão
Agora sofre, sofre
Todo o mal que 'cê me fez
Você bem cedo irá pagar
Disse a todo que eu que era o mal
E no entanto foi você quem riu
E quem me fez penar
momento cafajeste
passadas as estripulias de feriado, todos salvos e exangues de tão constante labuta, faço minhas as palavras de raul seixas, no lp (que museu, xará!) de estréia "krig-ha, bandolo!":
Que o meu é doce, é coisa que me nego a afirmar; mas que parece doce, isso eu afirmo plenamente.
08 abril 2004
depois de longa ausência, uma bordunada
maluco! mó tempão que não bostejo. deixei de dar minhas bordunadas porque a vida anda a mil (ou a passos de cágado, dependendo do ponto de vista, mas pressinto mudanças radicais no ar. embora ainda não as saiba para o bem ou mal, escuto o silêncio que antecede o esporro).
mesmo sabendo que "não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada" (valeu, álvaro de campos), sou um cara atento. adoro o xexéo desde os tempos do jb, ouço todo dia sua coluna com o cony e o heródoto barbeiro na cbn, mas ultimamente ele tem deixado a desejar...primeiro foi o vacilo de confundir a hilda hist com a lya luft no rádio, na ocasião do falecimento da primeira. e hoje, enquanto eu calmamente folheava o caderno zona sul d’o globo no banheiro, dei de cara com uma coluna do citado coleguinha na matéria de capa, sobre o renascimento dos cineclubes.
estranhei o título de cara: Godard, Hengel, Marx e Truffaut. peralá, Hengel????????? li a coluna. ele conta que, nos primeiros cineclubes, os debates depois dos filmes faziam a cabeça da rapaziada. e fecha com a frase:
Só que as cabeças já chegavam feitas às salas de cinema improvisadas. Não por Marx ou Hengel, mas por Godard e Truffaut.
incrível! qual um dr. frankenstein das ciências humanas, ele fundiu hegel com engels! essa foi a relação teórica mais arrojada que já vi.
ou pode ser que eu esteja fazendo piada da minha própria ignorância. dei uma googada em hengel, e descobri que existe um estudioso alemão chamado martin hengel, autor de uma obra considerada um marco nos estudos sobre o processo de helenização do judaísmo palestino, Judaism and Hellenism, entre outros livros. ok, xexéo, mea culpa, mea maxima culpa...
02 abril 2004
primeiro de abril
ver a polícia carioca prender o suposto asassino do casal de americanos zera todd & michelle staheli rendeu meu primeiro de abril. muito mal contada essa história de "caseiro do vizinho". espero que confirmem a autoria com o material recolhido sob as unhas de uma das vítimas (se é que ele ainda presta), e com o tal reagente que identifica sangue mesmo depois de a arma do crime ter sido lavada. no entanto, a polícia, por via das dúvidas, já deu o caso por encerrado. embora duvide da motivação.
de qualquer forma, ficam duas lições: 1) o pessoal do fbi não possui metade da sagacidade que vemos nos filmes; 2) muito cuidado com quem você chama de "crioulo" daqui para frente.
31 março 2004
e já que falamos em felicidade...
...existe alguma maior do que encontrar dinheiro no bolso das roupas que estão para lavar?
o rei e a felicidade
há mais de uma década, uns amigos meus formaram uma banda chamada rc cover, só com versões de músicas do roberto carlos. foi então que descobri que o legado do já então "índia velha" (manu, amigão, diz que o rei foi o único sujeito que, com a idade, não ficou velho, e sim, velha) era rechado de biscoitos finos.
depois a banda transformou-se em "acabou la tequila", diversificou-se em "matanza", e de lá - pasmem - surgiram o embrião do cordão do boitatá, o cérebro musical de moreno veloso, regina casé & os modernos da tv globo, e o cavaquinho da badalada teresa cristina (leia-se grupo semente).
e foi, ainda nos tempos de rc, que conheci a canção abaixo. que, diga-se de passagem, nunca fez tanto sentido quanto agora. tenho escutado direto uma versão primorosa, cantada por erasmo & tim maia. (aliás, sobre o sentido das músicas, o lobão disse que só entendeu seu verso "nem sempre se vê lágrimas no absurdo", quando ele resolveu não se deixar abater pela derrota do brasil na copa de 98).
Além do Horizonte (Roberto Carlos - Erasmo Carlos)
Além do horizonte deve ter algum lugar bonito
Pra viver em paz
Onde eu possa encontrar a natureza
A alegria, e felicidade, com certeza
Lá, nesse lugar, o amanhecer é lindo
Com flores festejando mais um dia que vem vindo
Onde a gente pode se deitar no campo
Se amar na relva sscutando o canto dos pássaros
Aproveitar a tarde sem pensar na vida
Andar despreocupado sem saber a hora de voltar
Bronzear o corpo todo sem censura
Gozar a liberdade de uma vida sem frescura
Se você não vem comigo tudo isso vai ficar
No horizonte esperando por nós dois
Se você não vem comigo nada disso tem valor
De que vale o paraíso sem amor
Além do horizonte existe um lugar
Bonito e tranquilo pra gente se amar
30 março 2004
as trigêmeas de belleville
the triplets of belleville (arbitrariamente traduzido "as bicicletas de belleville") foi o grande perdedor do oscar de longa de animação deste ano. não chegou a ser uma sacanagem, porque o vencedor, procurando nemo, também é uma obra-prima. mas deu uma pontinha de frustração ver uma produção tão original voltar pra casa de mãos vazias.
meio suspense, meio comédia surrealista, o desenho dirigido por sylvain chomet mistura vaudeville com o tour de france, máfia e jogos de azar, num clima nonsense e animação expresionista e classuda, de qualidade impecável, e praticamente sem diálogos.
há diversas referências divertidas, como uma "ponta" do violonista cigano django reinhardt, uma piada com a marca de queijo francesa la vache qui rit, e sobre as consequências do hábito estadunidense de se empanturrar de junk food, além de um bônus para nós, lusófonos: uma versão impagável de uma casa portuguesa. e por falar em música, a trilha sonora é primorosa, composta quase toda de jazz no estilo "cabaré". o filme também era candidato ao oscar de melhor canção (esse prêmio, sim, roubado).
o filme valeu cada segundo - dos muitos - que esperei para baixá-lo. agora é só esperar a sony tomar vergonha na cara e fazer a distriuição no brazuca. enquanto isso, fique com algumas imagens e um trailer.
29 março 2004
música dessa e (espero) de muitas outras estações
Got to get you into my life - Lennon & McCartney
I was alone, I took a ride,
I didn't know what I would find there
Another road where maybe I could see another kind of mind there
Ooh, then I suddenly see you,
Ooh, did I tell you I need you
Every single day of my life
You didn't run, you didn't lie
You knew I wanted just to hold you
And had you gone you knew in time we'd meet again
For I had told you
Ooh, you were meant to be near me
Ooh, and I want you hear me
Say we'll be together every day
Got to get you into my life
What can I do, what can I be,
When I'm with you I want to stay there
If I'm true I'll never leave
And if I do I know the way there
Ooh, then I suddenly see you,
Ooh, did I tell you I need you
Every single day of my life
Got to get you into my life
Got to get you into my life
I was alone, I took a ride,
I didn't know what I would find there
Another road where maybe I could see another kind of mind there
Then suddenly I see you,
Did I tell you I need you...
28 março 2004
constatação teórica de um fato da vida prática
nos dias de hoje, com a capilaridade da rede de comunicações instaurada pelas tecnologias de informação, e com a facilidade de aquisição e acesso aos aparelhos que permitem a integração à distância, só não é encontrado quem não quer.
teorias conspiratórias
sou daqueles que acreditam que a paranóia é uma forma desenvolvida de inteligência. hoje, enquanto almoçava, assisti a alguns trechos da série 24 horas, com o kiefer sutherland. não me levem a mal, do pouco que vi até hoje do programa, gostei muito, como gostava do arquivo x ("x-filés", para os íntimos). mas, vamos aos fatos:
fato 1: arquivo x foi lançado em setembro de 1993, como parte de uma campanha para recuperar a a credibilidade do fbi perante a opinião pública estadunidense, cinco meses depois de o desastrado massacre de waco (texas) ter provocado a morte de 80 pessoas, 21 delas, crianças.
fato 2: 24 horas foi lançado em 6 de novembro de 2001, quase dois meses depois do ataque às torres gêmeas. no entanto, em fevereiro de 2001, o diretor da cia, george tenet, alertava o congresso para a forte probabilidade de ataques a alvos civis empreendidos por bin ladin e a al-qaida (embora afirmasse então que o iraque não oferecia ameaça ao país).
pergunta: será que a agência de informações já não buscava conquistar a simpatia dos cidadãos americanos antecipadamente, numa estratégia para justificar a futura ofensiva da "guerra contra o terror"?
27 março 2004
Band vai apostar em Preta Gil, que terá programa aos sábados
se a proposta da anatel para melhorar a programação das tevês abertas for realmente para valer, algo tem que ser feito para impedir dona marlene mattos de nos empurrar goela abaixo mais um de seus frankensteins. mêda!
farra "de gaveta"
matéria de capa do caderno ela, d'o globo fala sobre os mudernos cariocas fazendo festas em motéis. apesar de os personagens alegarem que a mania vem de 1999, quem bobeou foi o jornal, que requentou uma matéria similar à outra publicada na veja em 2000.
é que desde que a li no semanário, alimento a idéia secreta de comemorar um aniversário assim. e para comprovar minhas certezas, fui ao arquivo on-line da veja. bingo! 13 de dezembro de 2000. como não sou assinante, não pude lê-la ou reproduzi-la, mas quem quiser tirar a prova dos nove, pode entrar no site da revista e digitar "motéis" na busca por números atrasados, ou ver direto a tal data no resultado da minha pesquisa.
25 março 2004
da série "campeões de sutileza"
But I'm near the end and I just ain't got the time
And I'm wasted and I can't find my way home.
can't find my way home - steve winwood
glauber rocha na vidraça alheia
por conta da recente polêmica em torno do filme do silvio tendler sobre o glauber rocha, separei umas frases do incendiário cineasta retiradas de uma entrevista concedida ao zuenir ventura, em 1980, retirada do livro cultura em trânsito: da repressão à abertura, da editora aeroplano. infelizmente, ainda conheço pouco a obra do glauber, mas desde que topei com essa entrevista, corro atrás de tudo que ele escreveu.
concordem ou não com suas opinões, o fato é que o brasil nunca mais teve alguém que pensasse o país com tanta coragem e isenção.
glauber mete o pau até nos próprios conterrâneos - comportamento praticamente tabu entre baianos famosos. alguns trechos são grandes, mas acho que valem a pena serem lidos:
Como diz Oswald de Andrade, no Brasil, o contrário de burguês não é o proletário, é o boêmio. Intelectual aqui é um palhaço da burguesia, são as mesmas figuras da revista Interview, das colunas sociais de O Globo, desses bares decadentes aí. É o grotesco, é o expressionismo caipira latino-americano, como em Cuba de Batista. Show da Gal Costa, espetáculo de Ney Matogrosso, teatro de Dias Gomes, é tudo uma porcaria só. São as filigranas, o texto da decadência da colônia do Rio de Janeiro, um porto prostituído.
(...)
O Brasil, aliás, é um país que precisa de uma guerra, porque aqui não há tragédia, é um país de pessoas cínicas, liberais, a burguesia é poder, depende dos Estados Unidos; é todo um processo inteiramente absurdo de irresponsabilidade.
(...)
(...) quem divulgou essa história de Patrulha Ideológica, baseado em declarações do Carlos Diegues, foi o Estado de São Paulo, que é um jornal tradicional da extrema direita paulista, o que foi até combatido pelo Cláudio Abramo na Folha, que lamentou que as declarações do Cacá se tivessem prestado a uma provocação anti-comunista no seio da intelectualidade. Provocação, aliás, na qual o Caetano Veloso entrou, na esteira, sem a menor compreensão do processo político. Caetano resolveu, oportunisticamente, repetir a dica do Cacá e passou a atacar os padrões ideológicos e a identificar jornalistas como comunistas, sem saber exatamente o que é um partido comunista e qual a situação disso dentro do Brasil, coisas que o Cacá entendeu melhor.
(...)
Os intelectuais são uns párias perseguidos em todos os lugares. Mesmo a arte revolucionária é propriedade da elite, porque quem ouve Villa-Lobos é a elite, a burguesia brasileira culta. Quem tem quadro do Portinari, quem lê João Cabral, Guimarães Rosa, não é o povo. Então, a própria cultura revolucionária aqui é seqüestrada pela classe dominante e censurada.
(...)
Os comunistas são sempre uma variante dos católicos, são dois fascismos, duas ortodoxias que não têm nada a ver com o marxismo.
(...)
Eu também estou metido, desde as minhas origens, numa batalha que é a dessacralização do artista e do intelectual. Inclusive, eu não estou de acordo com a representação que se fazem os intelectuais, os artistas no centro da sociedade. Não estou de acordo com nada disso. Acho que o artista tende a se prostituir rapidamente no Brasil e os outros intelectuais já se acomodaram. E isso não é por dificuldade econômica, mas pelo pensamento católico que rege tudo e impede as rupturas. Não adianta psicanálise, não adianta nada. O que é preciso é se liberar da Missa, da adoração às imagens. Esse é que é o problema.
22 março 2004
dr. fantástico é pinto...
ao providenciar para que o líder do hamas, xeque ahmed yassin, fosse ver allah de perto, sharon enfiou nossa mão no vespeiro.
como não fosse suficiente, enquanto (perdão pela má palavra) o cu do mundo se aperta de medo de uma retaliação terrorista em escala planetária, um repórter paquistanês confirma a suspeita de que usama bin ladin possuiria armas nucleares. e um ex-funcionário do governo americano afirma que bush jr. ignorou a ameaça da al-qaida antes do 11/9.
não é mesmo uma belezura? é, meus velhos, pelo andar da carruagem, talvez estejamos próximos de ver o sol se pôr no leste.
"deus existe, mas não funciona."
da série "frases que eu gostaria de ter dito". é do murilo mendes, mas saiu da boca do mestge joel silveira. quem gostou da frase pode ir atrás de outras de igual calibre, no site do geneton moraes neto.
conforme visto na coluna do sergio maggi, no caderno de informática do globo (preguiça de procurar os links).
liberdade de expressão ameaçada
lendo o butuca ligada hoje (21/03), fiquei sabendo da censura a que o cris dias foi submetido por uma certa empresa de recolocação profissional (não cito para não correr o mesmo risco. em rio que tem piranha, jacaré nada de camisinha...).
a tal companhia de recursos humanos (????) conseguiu empastelar a publicação de uma reportagem na você s/a, da editora abril (informações no observatório da imprensa), e - pasmo absoluto! - conseguiu tirar a notícia do CMI do ar. procurem o título contendo a palavra "sabotagem".
parece que o interney foi coagido pela mesma empresa, mas não consegui conectá-lo. mais informações nos links anteriores.
por outro lado, a alê felix recebe a intimação de um famoso licor para abandonar imediatamente o uso da marca no título de seu blog.
sinceramente, achei que as únicas enlouquecidas eram as gravadoras estadunidenses (aqui tem um site maneiro de boicote a elas), mas parece que qualquer corporação que se sinta acuada pode apontar seu arsenal para cidadãos. a paranóia capitalista instalou-se, geral. estão tentando controlar um ambiente incontrolável - a própria rede.
nesses momentos, só consigo lembrar aquela velha canção:
vamos fazer nosso dever de casa,
e aí então vocês vão ver
suas crianças derrubando o rei,
fazer comédia no cinema com as suas leis.
pouco sexo para muita cidade
tenho uma implicância arraigada e infantil com nova iorque. nunca estive lá, portanto, podem dizer que é recalque, não me importo. e olha que adoro o clima dos filmes do woody allen, "o poderoso chefão", "era uma vez na américa", e "a época da inocência".
no entanto, me aborrece o deslumbramento dos brasileiros com a cidade. cansei de ver gente suspirar pelo cachorro-quente da barraquinha da quinta avenida, ou os pretzles de times square, ou qualquer outra baboseira do gênero. vamos combinar, nova iorque não passa de uma de são paulo em que neva - porque até o idioma é o mesmo.
é bem verdade que, graças a músicas como "autumn in new york", "central park west", entre outras, eu vinha amolecendo. estava pronto a mudar de opinião (coisa de que ninguém pode me acusar), até salsão e gabi aparecerem com o dvd da primeira temporada de sex and the city.
assistimos a dois episódios, e foi o bastante para pararmos, um pouco constrangidos: tirando umas poucas piadas, o resto era um pacote de conflitos de adolescentes pouco dotadas de atributos sinápticos, embrulhados num papel muito vistoso e sofisticado. me admira as mulheres se espelharem nesses modelos.
como diria shakespeare, "ah, que falta faz um bom tanque e uma bela trouxa de roupas..."
...
um sujeito que queira explodir aquele torrão não pode ser mau de todo, afinal...
sou amigo pra caralho
é contra minha política pessoal reproduzir imeios engraçadinhos, mas como quem mandou esse foi minha amiga pra caralho gabriela b. (e me divertiu às pampas), dei uma volta nas regras:
Amigo Simples X Amigo Verdadeiro X Amigo Pra Caralho
- Um simples amigo traz uma garrafa de vinho para sua festa.
- Um amigo de verdade chega cedo, ajuda a cozinhar e fica até mais tarde para ajudar a limpar.
- Um amigo pra caralho faz tudo isso, e ainda bebe todas na sua festa, vomita no tapete da sua mãe e dorme atrás do sofá até segunda-feira pela manhã, quando a empregada acha ele.
- Um simples amigo odeia quando você liga depois que ele já se deitou.
- Um amigo de verdade pergunta por que você demorou tanto para ligar.
- Um amigo pra caralho pergunta se você tá virando viado, prá ligar àquela hora, te manda dormir e ir curar tuas mágoas com cachaça.
- Um simples amigo procura você para conversar sobre seus próprios problemas.
- Um amigo de verdade procura você para te ajudar com os teus problemas.
- Um amigo pra caralho procura você, te ajuda com os teus problemas e ainda te leva pra gandaia e paga todas.
- Um simples amigo, ao visitá-lo, age como uma visita.
- Um amigo de verdade abre a geladeira e serve-se sozinho.
- Um amigo pra caralho abre a geladeira, serve-se sozinho e ainda reclama que só tem Kaiser.
- Um simples amigo pensa que a amizade acabou depois de uma discussão.
- Um amigo de verdade sabe que não é amizade enquanto não teve a primeira briga.
- Um amigo pra caralho xinga você, chuta o seu cachorro e risca teu carro, mas tá tudo bem.
- Um simples amigo espera que você esteja sempre lá para ele.
- Um amigo de verdade espera sempre estar lá, para você!!!
- Um amigo pra caralho te espera duas horas no bar até ficar revoltado. Vai até a sua casa, xinga você, chuta o teu cachorro e risca seu carro, tudo de novo.
não pude resistir...
I'm a rocket ship on my way to Mars
On a collision course
I am a satellite, I'm out of control
I am a sex machine ready to reload
Like an atom bomb about to
Oh oh oh oh oh explode
I'm burning through the sky - Yeah!
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic woman of you
Queen - Don't Stop now
21 março 2004
alguém realmente ganha uma guerra?
apesar de espetaculares avanços científicos serem alcançados durante as guerras (vide a penicilina, por exemplo), e as grandes empresas sempre sobreviverem (vide bayer, volkswagen, telefunken, siemens, e por que não, a ibm), o povo, independente do lado, sempre toma na...arhm, cabeça.
senhoras e senhores, para quem ainda têm dúvidas - e estômagos fortes - o iraque. por david leeson, americano do texas. não dá para maquiar. a boçalidade é tremenda...
viva a iconolatria!
putz, agora que aprendi o ridículo código html para bostejar imagens, ninguém me segura (pensando bem, até que o teste do unicórnio serviu para algo, afinal).
para coroar os esforços, finalmente achei uma imagem ao estilo "idade média" que tanto procurei, para ilustrar o blog. tem borduna e antropofagia, à la carte. um dia talvez, com mais saco, alinhe as bordas, estique a imagem, ou coisa que o valha, para dar vazão aos meus instintos estético-neuróticos.
já que falamos no assunto, outro dia uma leitora muito especial veio perguntar se o título tem alguma referência fálica intencional. não, minha adorada, a idéia inicial não foi relacioná-lo à ferramenta de trabalho. o conceito era "rachar cabeças". sem muita pretensão, treinar a munheca, buscar um ponto de vista acima do resto da manada, e, quem sabe, exorcizar alguns fantasmas.
até que tenho me divertido...
mas pretendo segurar a mão nas imagens. embora embelezem e atraiam leitores, a intenção aqui sempre foi escrever.
19 março 2004
ponto de mutação
algo muito sério aconteceu. como se o próprio tecido da realidade fosse esgarçado (sempre quis usar essa expressão). sinto-me solto, abandonado num espaço sideral uterino - aconchegante portanto. daqui em diante não há mais volta. e o john coltrane, para minha felicidade, não para de buzinar meus ouvidos.
seja água, meu amigo. como ensinou bruce lee. "já não há mais moinhos como os de antigamente" (obrigado, blanc. obrigado, bosco. jamais poderei recompensá-los à altura).
o mundo pode ser bom, afinal. e talvez até haja um deus a olhar por mim.
...
algum dia, se não londres,
o central park west, ao menos,
terá o seu cheiro,
me garantiu coltrane
no sopro dolente da cornucópia.
enquanto o mormaço de seu corpo
pesa-me as pálpebras de outra vez menino
(feliz com seu brinquedo novo),
espanta-me o verão de lírio que desabrocha
decidido em sutis ternuras rubras.
de onde, tanta sorte?
de onde, tão forte?
serei deus? será eu?
és o porquinho-da-índia
que preferiu não estar sob o fogão.
teste. e se possível, a primeira imagem
sempre achei meio babacas esses testes de internet. mas não posso negar, acabo respondo a todos. ou quase.
e como esse foi feito por alguns amigos que considero bastante, resolvi brincar. o resultado não poderia ter sido mais gay, muito embora as coisas sobre o número 3 e o elemento água estarem bem de acordo com o que já disseram outras fontes mais confiáveis.
mas que unicórnio é coisa de viado, lá isso é. pra piorar, além de corno é "fanta" (só tratam o bicho de her)! e essa alcunha de "o inocente"...puá! na minha terra isso tem outro nome.
bostejando testes...tsc, tsc. você está mesmo virando um nerdão. aonde isso vai parar, xará? e ainda por cima ser essa a primeira imagem colada aqui, rapá? você definitivamente já foi melhor...
You are Form 3, Unicorn: The Innocent.
"And The Unicorn knew she wasn't meant to
go into the Dark Wood. Disregarding the advice
given to her by the spirits, Unicorn went
inside and bled silver blood.. For her
misdeed, the world knew evil."
Some examples of the Unicorn Form are Eve
(Christian) and Pandora (Greek).
The Unicorn is associated with the concept of
innocence, the number 3, and the element of
water.
Her sign is the twilight sun.
As a member of Form 3, you are a curious
individual. You are drawn to new things and
become fascinated with ideas you've never come
in contact with before. Some people may say
you are too nosey, but it's only because you
like getting to the bottom of things and
solving them. Unicorns are the best friends to
have because they are inquisitive.
Which Mythological Form Are You?
brought to you by Quizilla
18 março 2004
o recruta jorge duílio lima menezes e outras coincidências
acho que minha paixão por jorge ben é genética. ontem lembrei-me de uma conversa que tive com minha mãe, há alguns anos, quando não tocava outra coisa no meu toca-discos (sim, queridos, sou praticamente jurássico...hoje me arrependo de ter me desfeito da vitrola).
contava-me ela que, com mais ou menos treze anos, freqüentava muito a casa de uma prima por afinidade, que anos mais tarde viria a ser minha madrinha. Esta já era casada com meu padrinho, um bem-sucedido editor de jornal, cujo irmão mais novo estava servindo o exército. e sempre que deixava o quartel, ele dava um jeito de visitar seu irmão mais velho, no leme, levando consigo um colega, acompanhado de um violão. eles passavam horas sentados no quarto de empregada, cantando e tocando. minhã mãe e sua irmã caçula acabavam ficando por ali também, curtindo o som.
O rapaz do violão chamava-se jorge duílio lima menezes, anos mais tarde conhecido internacionalmente como jorge ben, e depois, ben jor (para acabar com as confusões entre ele e o george benson no exterior).
aliás, meus pais têm algumas histórias curiosas ligadas ao mundo artístico - embora nunca tenham feito parte dele:
- quando era menina, minha mãe teve aulas de violão com um certo "seu meira", que como ela, morava em são francisco xavier, entre o maracanã e o rocha, ao lado da estação de mangueira. seu professor era ninguém menos que jayme thomas florêncio, vulgo "meira", que junto com horondino jose da silva, o dino 7 cordas, e waldiro frederico tramontano, o canhoto (cavaquinho), formavam o grupo que gravara os discos clássicos do cartola pela marcus pereira discos.
na abertura de amor proibido (do seu primeiro disco, gravado em 1974, aos 65 anos), cartola chama o dino, meira, canhoto e gilberto (surdo e pandeiro) para "mandar brasa".
(discografia e repertório aqui.)
- meu pai, então tenente do exército, teve algumas dores de cabeça por conta da disciplina e o desleixo sistemático de um certo "sargento martinho", que servia em sua companhia. logo em seguida, ele deixaria o exército e se tornaria mais conhecido como martinho da vila.
grampearam o naya
acho que o sergio naya devia ter um desejo reprimido de ser preso.
afinal, que outro motivo levaria um sujeito que quer sair do país incógnito a vestir-se todo de prateado, como se fora um astronauta de escola de samba?
17 março 2004
reencontro triunfal com o babulina
acabo de confirmar uma suspeita muito antiga: jorge ben é, na minha tosca opinião, o melhor músico brasileiro desde noel rosa. não pela qualidade das composições e arranjos, mas pela força e originalidade dos mesmos; e pelo suíngue único do seu riff de três acordes, aparentemente simples, mas de uma integridade inédita na música brasileira.
não à toa o caboclo tá nas paradas há mais de quarenta anos(!). com o seu samba esquema novo, ele criou um ramo à parte na música popular brasileira. rendeu diversos frutos, mas nenhum que sequer se aproximasse do seu gênio. pérolas em sua discografia não faltam: a tábua de esmeraldas (1972), áfrica brasil (1976), o bidú - silêncio no brooklin (1967), são apenas alguns.
mesmo quando enfrentou um período menos inspirado nos anos 80 (culpa da produção do liminha?), lapidou algumas jóias eternas. foi mais ou menos então que o descobri. na época de garimpagens musicais da adolescência que acabaram redundando na criação do cordão do boitatá anos depois, joão (juan gris), meu velho amigo de sempre, aparece com vários discos dos anos 70 do "babulina", emprestados de um outro amigo. foi uma epifania. logo estávamos cantando suas canções em rodinhas de amigos, cuja reações era de um espanto divertido. logo em seguida, o bidú explode no brasil inteiro com w/brasil.
assisti a tantas apresentações que já conhecia de cor o roteiro das músicas. e por conta disso, acabei indo parar no palco do teatrão da uerj, empurrado por amigos, para cantar o refrão de ela veio da costa do marfim ("pega a mulher do 22, ganha a mulher do 22, beija a mulher do 22, ama a mulher do 22"). antes de sair de cena, completamente elétrico, resolvi não deixar o momento escapar e dancei no palco. foi uma ovação. dois anos depois, ainda tinha gente que perguntava se eu não era o cara do show da uerj.
as letras, entre líricas, místicas e completamente absurdas, contêm um alto astral impressionante, capaz de espantar a depressão mais encravada. até a música que ele fez para sacanear o roberto carlos quando ele deu - segundo a lenda - uns pegas na fafá de belém ("roberto corta essa, lugar de dragão é na caverna"), o tom é bem-humorado.
por recomendação do dudu, baixei o soulseek, e pude reencontrar músicas que não ouvia há mais de dez anos. baixei inteiro o solta o pavão (1975), que está entre os três melhores álbuns (se é que consigo fazer esse tipo de classificação, fã babão que sou). a veia religiosa ainda está forte, bem como o nonsense, como cuidado com o bulldog. das do primeiro tipo destaco jorge de capadócia, que a fernanda abreu transformou numa bobagem dançante, esvaziando-a de sua forçaa de oração; luz polarizada (hermética como hermes tri, da tábua de esmeraldas, e mais as duas a seguir:
Assim falou Santo Tomaz de Aquino
A semelhança da criatura com Deus é tão imperfeita que não chega a ser um gênero comum
Pois certos nomes que implicam relação de Deus com a criatura
Dele se predicam temporariamente e não são eternos, não são eternos...
Deve se saber que quem ensinou que a relação não é uma realidade da natureza, e sim da razão
Estão enganados, puramente enganados, estão errados, puramente enganados
Deus não é uma medida proporcionada ou medida
Por isso não é necessário que esteja contido no mesmo gênero da criatura
No mesmo gênero da criatura, da criatura
Por isso dobro meus joelhos diante do Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo
Do qual toda Sua sábia paternidade toma o nome nos céus e na Terra
Assim falou Santo Tomaz de Aquino
"Senhor, que tens tido feito o nosso refúgio"
...
(só jorge ben para transformar filosofia em letra de música, e ainda por cima, com tamanho suíngue...não é à toa que dizem que ele consegue musicar até bula de remédio...)
Velhos, flores, criancinhas e cachorros
Deus Todo-Poderoso, eterno pai da luz, da luz
De onde provém todos os bens e todos os dons perfeitos
Imploro Vossa misericórdia infinita, infinita
Deixai-me conhecer um pouco de Vossa sabedoria eterna
Aquela que circunda o Vosso trono que criou e fez, que tudo faz e conserva tudo
Fazei-me digno, enviando do céu pra mim, pra mim
Imploro por Vós e por Jesus Cristo, por Jesus Cristo
A pedra celeste e angular, miraculosa, miraculosa
estabelecida por toda eternidade, maravilhosa, maravilhosa
Que comanda e reina convosco, que comanda e reina convosco
Meu Deus Todo-Poderoso
Mas eu preciso salvar os velhos,
Eu preciso salvar as flores,
Eu preciso salvar as criancinhas e os cachorros
11 março 2004
o selo do bush
piada circulando na rede:
The U.S. Postal Service created a stamp with a picture of President Bush
to honor his important achievements. In daily use it was shown that the stamp was not sticking to envelope.
After a month's testing, a special presidential commission made the following findings: The stamp was in perfect order. There was nothing wrong with the applied adhesive. People were simply spitting on the wrong side.
quino também é abduzido
conforme disse há um tempo atrás, o quino também teve sua personalidade abduzida por um texto que anda circulando pela internet em seu nome. esse mesmo texto já circulou há alguns anos pelo brasil, numa versão menos vulgar, com a autoria atribuída então ao charles chaplin.
pelo menos, o quino tá vivo para desmentir...sorte que o chaplin não teve.
Madri é alvo do pior atentado já ocorrido na União Européia
esses atentados do eta em madrid me arrepiaram o espinhaço. tive meu "batismo" com o grupo separatista hidrófobo em 1997, quando estava dando uns bordejos pela espanha, atrás de touradas, andaluzas e resquícios da ocupação muçulmana (não necessariamente nessa ordem). deu pra sacar um pouco do drama dos espanhóis.
chegara à capital depois de uma noite de trem, vindo de paris. a primeira impressão da cidade, ao sair do metrô para as ruas da puerta del sol, foi ouvir um carro tocando skank. por um segundo, achei que estivesse de volta ao brasil. e saí para trocar alguns traveller's por pesetas. como era sábado, demorei um pouco até achar uma casa de câmbio aberta que não me enfiasse tanto a faca.
eis que, já de posse de algum erário, ouço um rumor surdo vindo do topo da calle mayor. uma baita passeata, pouco depois das nove da manhã. "uau!", pensei. na época, eu trabalhava para um jornal independente comunistaço aqui no rio, e era o único na redação que nunca havia participado de uma manifestação, levado uma borrachada da polícia, ou ido parar numa delegacia.
saquei minha "canonzinha" turística e larguei o dedo. quando avistei alguns reporteros, me apresentei como colega brasileño, e, com meu espanhol aprendido através de histórias e quadrinhos, almodóvar e bigas luna, pude apurar o motivo da mobilização: o eta tinha seqüestrado miguel angel blanco, político de 29 anos. em troca de sua vida, exigiam a libertação de prisioneiros bascos em 48 horas. senão, kaput!
enquanto a multidão se concentrava na puerta, conversei com algumas pessoas (meu espanhol se mostrava melhor do que eu mesmo supunha), e parti na minha jornada turística. de noite, volto. estão todos lá ainda, aos gritos de "basco, sí, ETA no!", com cartazes "basta ya!", decorados com desenhos de mãos abertas e fitas azuis. "pô, povo politicamente organizado", pensei, numa comparação besta com nosso zé povinho.
no dia seguinte, acordo. eles ainda estão lá. com o mesmo ânimo. "esses caras são duros na queda. será que vão ficar aí o dia inteiro?". museo del jamón, metrô, touradas, prado (muito mais exuto e significativo que o louvre, na minha opinião).
na volta, a mesma coisa. "não é possivel! vagabundo não tem casa! arrego...". no dia seguinte, o governo não arredou, e miguel foi mandado para a terra do pé junto. cara, baixou um manto de tristeza na cidade. até os guardinhas do reina sofía usavam tarjas de luto. não fiquei lá por muito mais tempo. me sentia um biltre por estar buscando diversão enquanto todo mundo viva uma baita ressaca moral. dali fui direto para córdoba, desperdiçando a oportunidade de ver de perto a terra do meu mestge el greco, toledo, e o escorial.
a partir de então, comecei a duvidar da legitimidade de certas formas de pressão...
depois de jorginho guinle...
paulo niemeyer, neurocirurgião exemplar e gente-boa toda a vida (coleguinha de bisturi de tatipiv), a partir de agora dispõe de uma eternidade para usar as mãos no aprendizado da harpa.
enquanto isso, os malufs, inocêncios, sarneys, hildebrandos, amazoninos, acêemes e jáderes vão tomando conta da terra. e espero que, pelo menas, acumulando milhagem para fazer sauna de enxofre.
Talibã britânico era só um mochileiro
deu no jb. também poderia ser intitulada "como a ignorância estadunidense contribui para a formação de potenciais terroristas". ou alguém duvida de que passar uma temporada em guantánamo, por "enguánamo", terá conseqüências diferentes?
"mantenga el peru límpio"
calma, cabeças pervertidas (epa!). para entender o sentido real da frase acima, é preciso acompanhar os ótimos relatos de viagem do meu bróder dude, em suas recentes incursões pelos buracos (epa!), da américa do sul. com fotos! ele vem se superando, principalmente, depois inaugurou domínio próprio.
essa "bicha" está ficando impossível...
10 março 2004
mais música
normalmente, acho um pentelho ficar lendo letra de música em blogs alheios. mas infelizmente, não consigo fugir à regra. achei essa pérola da dupla joão bosco-aldir blanc. na minha ignorante e presunçosa opinião, o lennon & mccartney do canal do mangue, o george & ira do subúrbio. a dupla pariu uma série de discos antológicos nos anos 70, mesclando poesia e altas doses de cafonália nacional (acredito que - graças a deus! - somos todos cafonas. um dia escrevo sobre isso, embora desconfie que alguém muito mais qualificado já o deve ter feito...).
baixei sem querer a música a seguir, que posteriormente descobri ser da trilha sonora da novela "gabriela" - o que reforça a minha tese de que as músicas por encomenda de antanho eram de qualidade infinitamente superior. como os compositores...
Doces olheiras
Escândalos, paixões e correrias
Têm sido assim os meus dias
Pela cidade de Ilhéus
Todas caem no meu laço,
Desde a filha de Maria
À bailarina dos véus
Das damas às cozinheiras,
Ninguém resiste ao mormaço
Das minhas doces olheiras
Falante, elegante, mau-caráter
Cafajeste irresistível, grande galanteador
Também um sóbrio chefe de família, liberal conservador
Sou amigo dos amigos, mas se é por uma donzela
Posso até ser surpreendido fugindo pela janela
Eu vivo entre mulheres levianas
Raparigas, solteironas e viúvas
Sirigaitas, doidivanas, perfumes leques e luvas
Aprendi que em cada uma há um gosto que é só dela
Que vai do sal do veneno passando pelo sem gosto
Até o cravo e a canela
pé de pato, mangalô, trêis veiz!
antigos espíritos do mal, transformem esta forma decadente em mumm-ra, o mal sempre vivo!
sessão de exorcismo segundo o evangelho buarque-jobiniano:
Retrato em branco em preto
Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E voc? sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração
...
no meu tugúrio (valeu, salsão!) mando eu. os bostejos são decisões exclusivas minhas, e portanto, inalieníveis. trocando em miúdos, quem manda nessa baiúca sou eu!
como diria o sábio lourenço mutarelli, "a ninguém é dado alegar o desconhecimento da lei". uma pena que suas histórias do cybercomix estejam dando chabú.
para ti, para mim, para nós...
cheguei agora de noite, há umas três horas, de paraty. tivemos uma reunião para acertar a assessoria de imprensa da II Folia Gastronômica de Paraty. ida e volta no mesmo dia, depois de uma noite pouquíssimo dormida. um teste de resistência e tanto. estou tão moído de sono e cansaço que vai ser até difícil dormir. o que salvou foi uma sonequinha de 45 minutos antes da reunião, esticado num banco da praça em frente à igreja matriz, e um belo filé de peixe à ponta negra, no banana da terra. coisa dos deuses.
é isso. nesse mês de março, vivo uma sinuca de bico: a entrega da famigerada dissertação (parafraseando galileu galilei, "e no entanto, NÃO se move"), e uma viagem inesperada para conhecer um novíssimo cliente em arraial d'ajuda no fim de semana.
podem me invejar, tacar pedras e xingar toda a minha ascendência, mas a verdade é que essas viagens raramente são turísticas, no sentido de lazer. é óbvio que sempre me divirto pacas, mas a cota de trabalho é diretamente proporcional. (rolos à parte, gostaria de registrar que os últimos dias têm sido esplendorosos. como se usasse óculos 3-d, as coisas adquiriram um viço quase inaudito...imaginem, meus caros nerds, um emoticom com cara de bobo, a ponta de uma linguinha escapando por entre um sorriso de orelha a orelha. é mais ou menos como estou...)
devo ficar fora do ar por alguns dias, mas é por uma ótima causa. se houver o que contar, contarei. quem viver, talvez veja...
06 março 2004
notícia velha
ontem não deu para comentar, mas a morte do jorginho guinle me deixou tristão. o cara era o meu modelo secreto: rico, nunca suou uma camiseta com (argh!) trabalho, teve as mulheres que quis, nas camas que escolheu. ainda por cima, era proprietário de uma mega coleção de discos de jazz, e deve ter assistido vários "monstros" ao vivo.
na minha sociedade perfeita, todos seriam jorginhos guinle.
numa entrevista, não lembro pra onde, ele confessou que conheceu marilyn monroe quando ela ainda galgava os primeiros degraus da fama em hollywood. numa das inúmeras farras que freqüentou, ela fazia parte da trupe de moças contratadas para "entreter" os mancebos. ao perguntado sobre os atributos da moça, então, ele sapecou:
- aplicava um ótimo trabalho de sopro - sentenciou, com seu tradicional sorriso, entre plácido e maroto.
compromisso casas bahia
há um tempo atrás (aprendi a puxar link de dentro do prórpio blog! o problema é a preguiça de procurá-los), bostejei que viria o dia em que cantaria the man in me, do bode dylan. acho que ele chegou (rubores à parte):
The man in me will do nearly any task,
And as for compensation, there's little he would ask.
Take a woman like you
To get through to the man in me.
Storm clouds are raging all around my door,
I think to myself I might not take it any more.
Take a woman like your kind
To find the man in me.
But, oh, what a wonderful feeling
Just to know that you are near,
Sets my a heart a-reeling
From my toes up to my ears.
The man in me will hide sometimes to keep from bein' seen,
But that's just because he doesn't want to turn into some machine.
Took a woman like you
To get through to the man in me.
05 março 2004
ave, lúcifer
não, queridões, não tô fazendo apologia ao tinhoso. é mutantes. ave!
Ave, Lúcifer
(Arnaldo Baptista/ Rita Lee/ Élcio Decário)
As maçãs
Envolvem os corpos nus
Nesse rio que corre
Em veias mansas dentro de mim
Anjos e arcanjos
Não pousam neste Éden infernal
E a flecha do selvagem
Matou mil aves no ar
Quieta, a serpente se enrola
No seus pés
É Lúcifer da floresta
Que tenta me abraçar
Vem, amor
Que um paraíso
Num abraço amigo
Sorrira para nós, sem ninguém nos ver
Prometo a
Meu amor macio
Como uma flor cheia de mel
Pra te embriagar, sem ninguém nos ver
Tragam uvas negras
Tragam festas e flores
Tragam copos e dores
Tragam incensos odores
Mas tragam Lúcifer pra mim
Em uma bandeja pra mim