qual não foi minha surpresa, ao tomar conhecimento da aprovação da medida que isenta a cobrança de estacionamento em shoppings, da astúcia do nobre deputado noel de carvalho, líder do garotinho na alerj:
As emendas apresentadas ao projeto foram de Flávio Bolsonaro (PP) que aumentou de 20 para 30 minutos o tempo de tolerância nos shoppings sem pagar estacionamento. A outra, apresentada por Noel de Carvalho (PMDB), retiraria do texto a obrigatoriedade dos shoppings exibirem cartazes informando do benefício, mas foi rejeitada.
a maioria de seus colegas era favorável à medida, que também teve apoio da associação comercial do rio de janeiro, e da associação de lojistas de shopping do estado, noel tentava beneficiar o lobby dos shoppings, levando cidadãos como eu e você à desinformação e ao prejuízo.
já sofri o desprazer de um contato indireto com esse senhor, e não poderia esperar outra atitude. não foi por acaso que, em 2003, ele foi acusado de manter trabalho escravo em uma de suas propriedades. retrato da corriola política que cerra fileiras com o casalzinho que se apossou do estado.
16 fevereiro 2005
preste atenção em quem te sacaneia...
Casal Garotinho vai processar ator da Globo
15/02/2005 - 20h57m
Carla Rocha - O Globo
RIO - A governadora Rosinha Matheus e seu marido, secretário de Governo do Rio, Anthony Garotinho, decidiram processar o ator Eduardo Moscovis que teria dito, numa entrevista à Revista Veja, que se inspirou no casal para compor o personagem Reginaldo, o prefeito corrupto da fictícia Vila São Miguel, da novela Senhora do Destino, da TV Globo. O casal Garotinho já contratou o advogado Sérgio Mazzillo para processar Moscovis por calúnia e difamação.
se esses zinhos estivessem empenhados em governar, em vez de tentar criar uma imagem de oposição ao governo federal, com prejuízo para população carioca e do estado, isso provavelmente não teria acontecido. ora, vão trabalhar, vagabundos!
15 fevereiro 2005
conselho para a (morto) vivo
não adianta patrocinar mil eventos culturais, se a prestação do serviço continua sendo tratado como acessório.
a propósito, dessa operadora eu poso falar mal de carteirinha: deixei-a depois de ter meu saco esmigalhado pelo mau atendimento, pelo descaso com os clientes, e pelas tarifas extorsivas e nebulosas.
vivo, nem morto!
09 fevereiro 2005
malcolm x e a revolução negra
desde que vi o filme malcolm x, do spike lee, a figura do ativista negro me intrigou -- pela militância pelos direitos humanos dos irmãos de cor, e pelo fato de ser muçulmano. recentemente, em viagem de trabalho aos estadozunidos, comprei sua autobiografia, ditada ao jornalista alex haley, autor de um livro sobre suas origens africanas, raízes. é esse mesmo que você pensou, o que depois virou minissérie.
o pau comeu solto aqui em casa, porque sou totalmente favorável à política de fazer pressão, mesmo que isso implique em uso de violência (o que não foi o caso, nem aqui, nem com o malcolm x), e a tati, não. o negócio dela é martin luther king. sou um tipo irascível, que acredita que só se consegue peitar o poder pela força. um dia levarei isso para as minhas resoluções pessoais e profissionais, mas isso é outra história.
enfim, o fato é que, depois do livro, saí em busca de mais informações sobre "al-hajj malik al-shabazz", como o malcolm x se auto-intitulou depois da viagem à meca (a tradução do nome seria algo como "peregrino do senhor da terra sagrada").
uma das coisas que achei foi a canção niggers are afraid of revolution, do grupo "the last poets", cuja letra, um rap dos anos 70, com inserções de discurso do líder negro, reproduzo abaixo (é grande, mas foda-se, tomei algumas, e o que importa é o que importa):
Revolution - The Last Poets
Niggers are scared of revolution
But niggers shouldn't be scared of revolution
Because revolution is nothing but change
And all niggers do is change
Niggers come in from work and change into pimping clothes and hit the streets to make some quick change
Niggers change their hair from black to red to blond and hope like hell their looks will change
Nigger kill other niggers
Just because one didn't receive the correct change
Niggers change from men to women, from women to men Niggers change, change, change
You hear niggers say 'Things are changing? Things are changing?'
Yeah, things are changing
Niggers change into 'Black' nigger things
Black nigger things that go through all kinds of changes
The change in the day that makes them rant and rave Black Power! Black Power!
And the change that comes over them at night, as they sigh and moan: White thighs, ooh, white thighs
Niggers always goin' through bullshit change
But when it comes for real change,
Niggers are scared of revolution
Niggers are actors, niggers are actors
Niggers act like they are in a hurry to catch the first act of the 'Great White Hope'
Niggers try to act like Malcolm
And when the white man doesn't react toward them like he did Malcolm
Niggers want to act violently
Niggers act so coooool and slick causing white people to say: What makes you niggers act like that?
Niggers act like you ain't never seen nobody act before
But when it comes to acting out revolution Niggers say: 'I can't dig them actions!'
Niggers are scared of revolution
Niggers are very untogether people
Niggers talk about getting high and riding around in 'els'
Niggers should get high and ride to hell
Niggers talk about pimping
Pimping that, pimping what
Pimping yours, pimping mine
Just to be pimping, is a helluva line
Niggers are very untogether people
Niggers talk about the mind
Talk about: My mind is stronger than yours "I got that bitch's mind uptight!"
Niggers don't know a damn thing about the mind
Or they'd be right Niggers are scared of revolution
Niggers fuck. Niggers fuck, fuck, fuck
Niggers love the word fuck
They think it's so fuckin' cute
They fuck you around
The first thing they say when they're mad: 'Fuck it'
You play a little too much with them
They say 'Fuck you'
When it's time to TCB,
Niggers are somewhere fucking
Try to be nice to them, they fuck over you
Niggers don't realize while they doin' all this fucking
They're getting fucked around
And when they do realize it's too late
So niggers just get fucked up
Niggers talk about fucking
Fuckin' that, fuckin' this, fuckin' yours, fuckin' my sis
Not knowing what they're fucking for
They ain't fucking for love and appreciation
Just fucking to be fucking.
Niggers fuck white thighs, black thighs, yellow thighs, brown thighs
Niggers fuck ankles when they run out of thighs
Niggers fuck Sally, Linda, and Sue
And if you don't watch out Niggers will fuck you!
Niggers would fuck 'Fuck' if it could be fucked
But when it comes to fucking for revolutionary causes
Niggers say 'Fuck revolution!'
Niggers are scared of revolution
Niggers are players, niggers are players, are players
Niggers play football, baseball and basketball while the white man cuttin' off their balls
When the nigger's play ain't tight enough to play with some black thighs,
Niggers play with white thighs to see if they still have some play left
And when there ain't no white thighs to play with
Niggers play with themselves
Niggers tell you they're ready to be liberated
But when you say 'Let's go take our liberation'
Niggers reply: 'I was just playin'
Niggers are playing with revolution and losing
Niggers are scared of revolution
Niggers do a lot of shootin'
Niggers do a lot of shootin'
Niggers shoot off at the mouth
Niggers shoot pool, niggers shoot craps
Niggers cut around the corner and shoot down the street
Niggers shoot sharp glances at white women
Niggers shoot dope into their arm
Niggers shoot guns and rifles on New Year's Eve
A new year that is coming in
The white police will do more shooting at them
Where are niggers when the revolution needs some shots!?
Yeah, you know.
Niggers are somewhere shootin' the shit
Niggers are scared of revolution
Niggers are lovers, niggers are lovers are lovers
Niggers love to see Clark Gable make love to Marilyn Monroe
Niggers love to see Tarzan fuck all the natives
Niggers love to hear the Lone Ranger yell "Heigh Ho Silver!"
Niggers love commercials, niggers love commercials
Oh how niggers love commercials: "You can take niggers out of the country, but you can't take the country out of niggers"
Niggers are lovers, are lovers, are lovers
Niggers loved to hear Malcolm rap
But they didn't love Malcolm
Niggers love everything but themselves
But I'm a lover too, yes I'm a lover too I love niggers, I love niggers, I love niggers
Because niggers are me
And I should only love that which is me I love to see niggers go through changes
Love to see niggers act
Love to see niggers make them plays and shoot the shit
But there is one thing about niggers I do not love
Niggers are scared of revolution
05 fevereiro 2005
na mira
também tô baixando outro filme da diretora egípcia jehane noujaim (ver bostejo abaixo). é startup.com, documentário de 1999, sobre a famosa "bolha" da internet. a história é contada a partir de dois moleques que criam uma pontocom, que acaba por encarnar essa excrescência econômica em todas as suas fases -- começo mambembe, lucros exorbitantes sem razão de ser, e finalmente, estouro depois de um ano.
para quem estava lidando com algo parecido na época, a coisa promete. veremos.
mídia de guerra
acabei de assistir ao documentário control room, da cineasta egípcia jehane noujaim, sobre a cobertura da guerra do iraque pela rede de tevê al jazeera, do qatar.
trata-se de um importante registro sobre os bastidores de uma cobertura jornalística, sobre manipulação, propaganda (no sentido goebblesiano do termo) e objetividade. o período abordado vai desde os primeiros momentos da invasão até a tomada de bagdá. é interessante ver a primeira emissora independente do oriente médio espremida entre dois fogos, estadozunidense e iraquiano, acusada de parcialidade; e como, em retaliação, as forças do wc bullsh bombardeiam o escritório da emissora na capital iraquiana -- matando o correspondente tarik ayyoub -- e mais outras duas emissoras de tv.
na verdade, a má vontade de bullsh com a al-jazeera não é nova, tendo-se em vista que suas forças militares já haviam feito o mesmo no afeganistão. um trecho da notícia copiada do the guardian (o resto tá aqui):
The antagonism between Washington and Al-Jazeera goes back to the 2001 bombing of Afghanistan when, after the station showed a tape of Osama bin Laden, a US cruise missile hit the Kabul bureau. Then in April, after beaming pictures of Iraqi civilians mutilated by US air raids and tape of American prisoners in Iraqi hands, a US jet targeted the Baghdad bureau, killing a reporter. Al-Jazeera had earlier given the co-ordinates of the offices to the Pentagon to prevent any accidental bombing.
ah, só como curiosidade: apesar de ter papado um monte de prêmios, o filme não foi selecionado para o oscar. um doce para quem adivinhar o motivo... espero que não demore muito a estrear aqui.
02 fevereiro 2005
gênios da publicidade 2
dando segmento ao bostejo anterior, pergunto quem é mais beócio: o marketeiro que cria um slogan para café que diz "faça com amor, faça pimpinela", ou o cliente que o aprova?
UPDATE:
não é "faça com amor...", é pior: "faça bonito, faça pimpinela".
isso não pode ser sério...
01 fevereiro 2005
coisa de viado (gênios da publicidade)
o único seriado que eu assisto é csi (tenho um tesão declarado pela jorja fox, da versão "las vegas"). monk também é legal, mas nunca acerto o horário. enfim, o mesmo canal apresenta outro programa, que se passa nos cassinos da cidade. reparei que, no comercial deste, entre cenas de dados e roletas, aparecem uns maços de dinheiro, seguidos de legendas como "grana", "bufunfa" e "aqüé". o último nome me deixou intrigado, e fui procurar respostas com a mãe das inutilidades -- a internet. eis que descobri a palavra é de uso corrente no mundo gay. pesquisas com outras fonte me levaram à conclusões mais conclusivas: o jargão é de travestis.
acredito que o gênio paulista do marketing que bolou esse comercial deva estar bem familiarizado com a classe, para manjar do "bajubá". ou seja, ele provavelmente deve ser uma "kika" "encubada" acostumada a "morder fronha". mêda!
31 janeiro 2005
email para marilene felinto
marcelo to marilenefelinto
assunto: mais sobre a cerveja
Olá, Marilene
Sou "coleguinha" e seu leitor há algum tempo, não tão assíduo quanto gostaria, mas sempre que posso, saboreio seus artigos. Mais uma vez, não me decepcionei com o "Barriga de cerveja" (não deu para puxar o link), publicado na CA do Olivetto. Outro gol de placa. Só faltou se ater ao eufemismo publicitário do "aprecie com moderação". É uma bela manobra para disfarçar o imperativo "beba", semanticamente associado com vício, desvio. Dizer que alguém "bebe", teve sempre uma conotação depreciativa ou reprovadora. O "aprecie" tenta nos fazer esquecer que o que se está fazendo ao consumir cerveja é beber mesmo.
À nossa! Abraço,
Marcelo.
30 janeiro 2005
o tempo passa, o tempo voa, e nada muda
Esta nossa sociedade é absolutamente idiota. Nunca se viu tanta falta de gosto. Nunca se viu tanta atonia, tanta falta de iniciativa e autonomia intelectual! É um rebanho de Panúrgio, que só quer ver o doutor em tudo, e isso cada vez mais se justifica, quanto mais os doutores se desmoralizam pela sua ignorância e voracidade de empregos. Quem quiser lutar aqui e tiver de fato um ideal qualquer superior, há de por força cair. Não encontra quem o siga, não encontra quem o apóie. Pobre, há de cair pela sua própria pobreza; rico, há de cair pelo desânimo e pelo desdém por esta Bruzundanga. Nos grandes países de grandes invenções, de grandes descobertas, de teorias ousadas, não se vê nosso fetichismo pelo título universitário que aqui se transformou em título nobiliárquico. É o Don espanhol.
lima barreto - o cemitério dos vivos
28 janeiro 2005
antes tarde...
depois de um tempão, fui ao relatório alfa, e descobri que a história das urnas eletrônicas é velha...antes um repórter atrás de fatos antigos do que um repórter acomodado. de qualquer forma, quem quiser dar uma olhada, o artigo do aldo novak tá aqui...
o terrorista até que não é um mau rapaz...
de novo sobre o terceiro dia de 24 horas (será que os seriados são um dia atrás do outro? haja bolinha, mesmo que seja para agüentar um dia de jack bauer. acho que o dea tinha que ficar ligado no seu pessoal, em vez de querer cheirar o rabo das farc).
nesse terceiro dia, um terrorista tá querendo arrepiar o presidente dos EUHein com um vírus mortal. e a pergunta que não queria calar (quais são as exigências do caboclo?) foi finalmente respondida: o camarada, ex-agente do mi6 (serviço secreto inglês), quer acabar com as atrocidades estadozunidenses, desmantelando as operações militares do país em operação no mundo. e para isso exige a identidade dos espiões atuantes espalhados pelo mundo. alô, bono vox! alô fórum social mundial! o cara merece cadeia ou medalha?
esses roteiristas sabem mesmo como fazer a gente torcer pelo vilão...ou melhor, quem é o vilão agora? como diz o michael moore em the big one: quem é o terrorista? o camarada que explode um prédio com um monte de gente dentro; ou um camarada que o explode depois de despedir todas as pessoas que nele trabalhavam, e que conseqüentemente estarão sub ou desempregadas, alcoólotras, sem amparo oficial, até serem finalmente despejadas de suas casas e caírem na criminalidade?
e não me venham falar de vítimas, que eu esfrego na cara o número de mortos em todo o mundo pelas ditaduras apoiadas pelo amerdican way of life, e os inocentes detonados em guerras sujas patrocinadas pela linhagem de carniceiros que gerou o george wc bullsh.
27 janeiro 2005
morreu carlos cortéz.
só hoje fiquei sabendo que carlos cortéz koyokuikatl, muralista, poeta e gravador mexicano, nascido em milwau...nos estadozunidos, juntou-se no dia 19 ao seu mestre posada.
pacifista e anti-capitalista - sistema que, para ele, buscava "enganar o homem comum através do pagamento de um salário mínimo" - , cortéz acreditava no papel ativo da arte. desde 47 integrou o movimento mundial dos trabalhadores industriais (iww), e colaborou com ilustrações para diversas publicações sindicais. o teor de seus trabalhos era de crítica social, retratando a realidade dos indígenas e das populações marginalizadas.
cortéz deixou mais de cem matrizes de madeira e linóleo aos cuidados do museu central de belas artes mexicanas, em chicago. uma das condições estipuladas foi a de que, se suas obras alcançassem preços altos, mais reproduções deveriam ser impressas, para reduzir os valores.
que te vaya bien!
26 janeiro 2005
que interessante é o mundo corporativo...
estava eu em lorena (sp), fazendo a contra-regragem da tati arrumando sua vida bancária; enquanto ela digitava os números que iam engolir o dinheiro que ela não tem (é até covardia falar da minha penúria), meu olhar vagou de bobeira pelo ambiente, até parar no logo do caixa eletrônico: diebold. para quem chegou agora, a mesma firma responsável pela apuração da eleição ianque, citada abaixo. além de alegar liderança no setor de automação bancária, a empresa também produz a nossa velha conhecida urna eletrônica.
então, vamos recapitular: 1) uma das duas únicas empresas responsáveis pela apuração dos votos nos estadozunidos também produz as urnas eletrônicas de lái e daqui. só que lá, a geringoça não oferece canhoto do voto (aqui, sim), e por isso, foi proibida em uma porrada de estados, já que seu sistema era tão inviolável quanto bangu 1. 2) a ficha corrida da cúpula da companhia é de fazer o fernandinho beira-mar corar de vergonha, e uma das várias condenações do presidente da companhia, jeff dean, foi por instalar um backdoor no software das urnas (permitindo assim acesso ao sistema, e capacidade para alterá-lo, mesmo depois de implantado). 3) a empresa que produz as urnas estadozunidenses comprou a brasileira procomp, que produz não apenas as urnas brasileiras (supostamente invioláveis), mas também caixas eletrônicos de 15 instituições bancárias, incluindo do banco do brasil.
não sei muito bem quais relações podem ser inferidas a partir dos fatos, mas só o pensamento me arrepia o espinhaço.
20 janeiro 2005
é como diz o povo: onde há fumaça...
vejo o otávio mesquita apresentando seu carro de corrida na tv. atrás dele, um painel da pfizer, o laboratório fabricante do viagra. o que me leva a confirmar os boatos sobre a relação inversamente proporcional entre a potência do automóvel e o tamanho & funcionalidade do órgão reprodutor masculino.
uruguai, quem diria!?
às vezes me acontecem umas coisas que deixam minha consciência pesada: como por exemplo, o fato de passar quase uma vida inteira sem dedicar um pensamento sequer ao uruguai (já sei, o nelson rodrigues fez o mesmo com o piauí, mas minha consciência é macha e não se esconde, ela assume até os plágios).
sei que isso não é bom, mas não fosse pela trágica derrota que nos foi infligida em 50 (logo em seguida, ao que parece, uma praga rogada por quase 52 milhões de brasileiros enterrou para sempre seu futebol), o mundo talvez achasse até hoje que o pequeno país ao sul ainda era a gloriosa Província Cisplatina do Brasil (até que somos bonzinhos, afinal).
mas não tô aqui para falar mal do uruguai, que afinal, também tem o que dizer: seja pela voz do jaime roos, seja pela força do exemplo dos guerrilheiros tupamaros - que, ao contrários de alguns sulamericanos pelegos e safados, não quiseram lamber bota de latifundiário bancado pelo tio sam, e não temeram dar a cara a tapa. enfrentaram no peito e na raça, muitos morreram, mas deixaram claro que podem até nos ganhar, mas não vão levar fácil. e vivam os sandinistas, montoneros e zapatistas, que souberam dizer não.
daí que me dá uma baita vergonha ver gente que não honra nem a própria bandeira, nem a do país que o acolheu, vir me criticar, quando não tem nem coragem de se mostrar. seja homem, cabrón, e pare de lamber o saco de quem causa a miséria dos teus irmãos e te mantêm em berço esplêndido de boçalidade.
19 janeiro 2005
dan fante mata a pau
o filho do velho arturo bandini, alterego de john fante, resume tudo o que eu disse nos últimos bostejos:
Americans are getting fatter and fatter. We're eating our way to the promised land -- and Disney Land -- and Stupid Land.
(...)
Right now America has a huge middle class, many million very rich people, but a shitload of poverty too. Over 70% of Americans have bad credit. We're fat, we're greedy, and we don't give a shit. Our religion is TV. Our savior is Bill Gates. We've learned our lessons well. We know how to put number one first.
(...)
The British are civilized. People still read and some conversations can be interesting. By contrast American are fat and stupid and so thoroughly brain-blurred and over-sold by our culture that there's a numbing, unapologetic, arrogance and desperation about us. In fact, I've just defined the perfect consumer.
retirado de uma entrevista para a edição de junho da revista inglesa 3m. quem estiver afiado no idioma de shakespeare, pode dar uma bordejada aqui.
caso encerrado.
demo + cracia = poder do demo?
20 fatos impressionantes sobre as eleições nos Estados Zunidos. tarrado do interactivist info exchange. tá em inglês, mas vale a pena. e ainda querem me convencer de que o esse imenso subúrbio ao norte do méxico é a maior democracia do mundo. puá!
update:
dane-se! é bom demais para não reproduzir. no primeiro link acima, estão disponíveis confirmações para cada um dos fatos citados a seguir. detalhe: tudo diz respeito às eleições realizadas agora, em 2 de novembro.
20 fatos impressionantes sobre as eleições nos Estados Zunidos
Você sabia...?
1. 80% de todos os votos nos EUhein são contados por apenas duas companhias: Diebold e ES&S.
2. Não há nenhuma agência federal com autoridade reguladora ou de vigilância da indústria das máquinas de votação nos EUhein.
3. O vice-presidente da Diebold e o presidente da ES&S são irmãos.
4. O presidente e CEO da Diebold é um dos maiores organizadores e doadores da campanha de bushinho, e escreveu em 2003 que estava "comprometido em ajudar Ohio a entregar seus votos ao presidente no ano que vem".
5. O senador republicano Chuck Hagel foi presidente da ES&S. Ele chegou ao senado baseado nos votos contados pelas máquinas da ES&S.
6. O senador republicano Chuck Hagel, há muito ligado à familia bush, foi recentemente pego mentindo pelo Comitê de Ética do Senado sobre sua propriedade da ES&S.
7. O senador republicano Chuck Hagel estava numa pequena lista de candidatos a vice-presidentes de bushinho.
8. ES&S é o maior fabricante de máquinas de voto nos EUhein e conta quase 60% de todos os votos estadunidenses.
9. As novas máquinas de tela sensível da Diebold não oferece nenhuma confirmação impressa dos votos. Em outras palavras, não há como verificar que os dados que saem são os mesmos que foram inseridos pelos eleitores.
10. A Diebold também produz caixas eletrônicos, scanners de pagamento e máquinas de tíquete, todas em que as transações produzem confirmações impressas.
11. A Diebold está baseada em Ohio.
12. A Diebold empregou cinco criminosos condenados como altos diretores e desenvolvedores para ajudar a escrever o código do principal computador compilador que contou 50% dos votos em 30 estados.
13. Jeff Dean, Vice-Presidente Senior da Diebold e programador senior do ´codigo de compilação da Diebold, tem 23 condenações por roubo em primeiro grau.
14. Jeff Dean, Vice-Presidente Senior da Diebold, foi condenado por implantar acessos clandestinos (backdoors) em seu software e utilizar "alto grau de sofisticação" para evitar sua detenção por dois anos.
15. Não foi permitido a nenhum observador internacional acompanhar a apuração dos votos em Ohio.
16. A California baniu o uso das máquinas da Diebold porque a segurança oferecida era muito ruim. Apesar das alegações da empresa de que os registros de atividade não poderiam ser violados, até um chipanzé era capaz de fazê-lo (tinha um link para um filme, mas deu chabu).
17. 30% de todos os votos dos EUhein realizados em máquinas de tela sensível sem confirmação impressa.
18. Todos - não alguns, mas todos - os erros das máquinas de voto detectados e relatados na Flórida foram favoráveis ao bushinho ou aos candidatos republicanos.
19. O gevernador da Flórida é irmão de bushinho.
20. Sérias anomalias na votação na Flórida - mais uma vez a favor de bushito - foram demonstradas matematicamente demonstradas, e especialistas recomendam mais investigações.
E, para terminar:
Para sua informação: Homem do Ano da revista Time...
Adolph Hitler, Homem do Ano, 2 de Jan., 1939
George W. Bush, Pessoa do Ano, 19 de Dez., 2004
18 janeiro 2005
ode aos estados zunidos
prestes a levar um calote histórico, aflora toda minha ira insana: odeio os estados zunidos! odeio os americanos, odeio sua arrogância para com o resto do mundo. acho que o país é mesmo o grande satã, e que um 11 de setembro foi pouco. faltou a sede do fmi e do banco mundial.
acho que a gente não tem que pagar porra nenhuma a eles. capitalismo é o caralho! a gente devia era cortar logo qualquer tipo de relações diplomáticas e comerciais.
sou latino, chicano, cucaracho, e sou muito melhor do que vocês, seus ignorantes de merda! tomara que morram todos empanturrados de hamburgueres e donuts!
hei de assistir om dia em que este grande campos dos goytacazes do hemisfério norte ruirá, e a américa sapateará sobre os destroços.
ufa! passou...
Brasil pode reduzir pobreza sozinho, diz a banca
Relatório da ONU diz que 0,54% do PIB das nações desenvolvidas reduziria a miséria mundial pela metade até 2015 (tá no jb, mas não consegui puxar o link)
NOVA YORK - O Brasil não precisa de ajuda externa para combater a pobreza. O país pertence a um grupo de nações em desenvolvimento e de renda média capaz de financiar com recursos próprios programas para cumprir as chamadas Metas do Milênio, estabelecidas pelos Estados-membros da ONU, em 2000, a fim de reduzir a extrema pobreza no mundo pela metade, até 2015. A conclusão é do estudo ''Investimento no desenvolvimento: um plano prático para alcançar os objetivos do Milênio'', elaborado por especialistas a pedido da ONU e divulgado ontem.
O Brasil é citado ao lado de nações como a China, a Índia e a Malásia. O documento diz que até 30 países da África devem receber rapidamente doações dos países ricos para lidar com a pobreza e doenças como a malária e a Aids.
O documento, elaborado sob o comando do economista americano Jeffrey Sachs, diz que mais de 500 milhões de pessoas serão retiradas da pobreza extrema e 30 milhões de crianças serão salvas se os países ricos dobrarem a ajuda às nações em desenvolvimento nos próximos 10 anos. (...)
esse papo de as nações ricas ajudarem a acabar com a pobreza já tá virando papo antigo, mas ainda não descobri qual é a mutreta que tá por trás do lance. já no que diz respeito ao brasil, ficou claro que, para a gente, neca de dindim da banca...
aliás, "nação em desenvolvimento" significa o quê? "pobre, mas limpinho"?
2005 começou atravessado
primeiro foi o will eisner, agora o bezerra da silva (aliás, bom artigo sobre o malandro número 1 do brasil aqui). mas o garotinho, que é bom, nada?
é isso um homem?
desde o fim do ano passado, a tv a cabo vem anunciando a estréia de um tal "canal para homens". na minha concepção, homem só pensa em três coisas: mulher, mulher, e como conseguir mulher. com intervalos para uma cervejinha e um futebolzinho para relaxar. daí que, toda vez que passava um comercial sobre o assunto, eu pensava "vem merda por aí".
não deu outra. o nome da bagaça é "fx", e apregoa que exibe "o que o homem vê". fui procurar no dicionário "onláine" e descobri que a abreviação pode significar uma porrada de coisas, desde "efeitos especiais" a "federal express", passando por "câmbio exterior" (federal exchange). o mais possível é que signifique apenas "fox networks", embora, pela qualidade da programação, eu acredite mais que se trate de um tipo de síndrome para retardamento mental que, segundo minha neurologista de plantão, só acomete homens. isso explica muito...
enfim, segundo a grade disponível no site, há programas sobre automóveis, esportes radicais, filmes de terror, porradaria e comédias babacas; um reality show sobre policiais batendo em negros e pobres, além dos famigerados seriados - que hoje, macaqueando os gringos, chamamos "séries". é sob esse formato infame que entra talvez o único programa que me prenderia em casa. trate-se de um seriado que supostamente acompanha o produtor de pornôs hardcore seymore butts. são duas versões, uma das quais, apregoam "sem cortes". veremos.
tomo a liberdade de uma digressão: não sei quanto a vocês, mas ando farto de "séries". elas tentam cobrir todos os aspectos da vida, mas sempre sob um ponto de vista americanófilo e consumista. tem série sobre tudo: famílas desajustadas, donos de cassino, agentes do governo, advogados bulímicos, mulheres descoladas com a maturidade de ostras, gays engraçadinhos, presidiários barra-pesada, extra-terrestres misteriosos, e por aí vai. mas tudo enquadradinho e quadradinho. isso sem falar nos programas de auto-ajuda que procuram "consertar" as pessoas, para que consumam, consumam, consumam.
voltando ao tema, será que isso tudo é o que o homem quer ver, ou o que os programadores querem nos fazer acreditar que é isso que queremos ver? reparem bem: violência e carros, ok, ambos dão dinheiro, incrementando as duas maiores indústrias americanas, a bélica e a automobilística. mas sexo não pode. certo, sexo também dá dinheiro, e muito, conforme poderiam lembrar os mais espertos. "sim, dá dinheiro, mas não estamos muito familiarizados com o assunto, e além do mais, nos contaram que é sujo, melado, e contrário ao que pregam os mandamentos no quesito fornicação", diriam as centenas de conservadores americanos que ergueram-se em ódio contra o peitinho muxibento da janet jackson exposto na tv, antes de reelegerem bush jr.
mas, como "bízis is bízis", quem quiser ver sacanagem liberada, tem que pagar a mais, lógico. um pacote especial oferece um canal da playboy e outro de sexo explícito. quanto à violência, não há com o que se preocupar, ela está incluída no pacote simples de canais, acessível a qualquer um, a qualquer hora, com todas as variações de intensidade sádica, em todos os matizes de vermelho. liberdade é poder escolher de que forma você quer comprar o seu cadáver.
13 janeiro 2005
"foi uma decepção positiva, senhor presidente"
frase retirada do episódio de ontem "24 horas", quando jack bauer explicava o rolo que estava aprontando para tentar impedir os estados zunidos de embarcarem numa roubada mais uma vez.
será que terceirizaram os dubladores da globo, ou o pessoal foi no embalo, na hora de traduzir "deception"?
09 janeiro 2005
O Grande Vazio
O Grande Vazio (Norman Mailer)
Corporações estão sufocando nossas vidas. Não economicamente, onde elas podem declarar, com propriedade, que trazem prosperidade (e, francamente, não sou versado o suficiente em economia para argumentar sobre esse ponto, a favor ou contra), mas esteticamente, culturalmente, e espiritualmente. Elas achatam tudo. Elas são o Grande Vazio.
gostou? sabe inglês? veja o resto aqui.
08 janeiro 2005
tá no jornal de hoje
Garotinho exige desculpas públicas de Lindbergh.
pergunta que não quer calar: garotinho tem autoridade moral para exigir qualquer coisa, por mais ínfima que seja?
(...) O secretário lembrou que, num encontro com Lindberg antes da posse, eles chegaram a se abraçar:
- Ele nos abraçou e prometeu que ia tentar fazer com que Lula olhasse mais para o Rio. Dá até vontade de dizer o que ele falou sobre o governo Lula. Mas não falo porque não sou mau caráter.
como dizia a velha marchinha, "é ou não é piada de salão?". é por essas e outras, que sou autonomia e não abro.
update:
só falta o pessoal chegar a uma conclusão sobre a grafia correta do nome do prefeito de nova iguaçu.
resultado de pesquisa do globo online
Qual o melhor programa para o carnaval?
Viajar - 58.62%
Ir à praia - 20.24%
Aproveitar os blocos de rua - 13.28%
Ir ao Sambódromo - 7.86%
conclusão: a cidade vai ficar ótima.
07 janeiro 2005
tsunami: também quero
acabei de ficar sabendo, pela globonews, que os países vítimas da tsuruba vão ter moratória. diz o resumo:
Moratória para países vítimas do maremoto
Até agora já foram prometidos mais de US$ 3 bilhões para ajuda emergencial. Doação financeira vai ser coordenada pela ONU em parceria com governos. Eua prometem aumentar ajuda, se necessário.
bom, sou um nostálgico das grandes epidemias. acho que uma boa peste negra, uma espanhola, um ebola, seriam a única solução não apenas para a superpopulação, mas para controlar a incidência de idiotas no mundo. e, como disse há pouco a um amigo, se tivesse certeza de que a coisa melhoraria, entregaria, sem hesitar, meu corpo em hecatombe. tem gente demais, o planeta não agüenta.só de chineses, outro dia foi confirmado, são 1.200.000.000. olha lá o que disse o malthus.
então, começo a achar que essa tal ondona foi um grande achado. além da redução populacional, ainda recebem a moratória, solução sempre cogitada e temida para a dívida e(x)terna nacional. além disso, o tal do fluxo de capitais aumentaria bastante. é um caso a se pensar, é um caso a se pensar...
06 janeiro 2005
primeiro bostejo do ano
faz quase uma semana que 2005 chegou atropelando o ano anterior.
acordo tarde e vou ao banheiro lavar o rosto. à noite, as lentes de contato forçam os olhos a produzir lágrimas, e os despertares são sempre embaçados de remelas. mas esse ano, chega de lágrimas. no more tears, me segreda o johnson's baby shampoo, comprado no fashion mall. ainda bem que sei inglês, senão estaria lascado nesse "brazilzão" gobalizado.
profético, maurício negão recomenda ser o homem esponja da paz,"sempre cantando e absorvendo/ como o homem esponja da paz/ sempre filosofando, com o gelo derretendo/ e o semblante da felicidade". grande negão! se eu tivesse grana, o contrataria para tocar no meu aniversário, para compensar o do ano passado, que não aconteceu por causa do mestrado. mas não posso fazê-lo, porque uns gringos filhos da puta da servgate, me enrolam há uns dez meses para me pagar dois de salário (sendo que eu trabalhei seis meses, mas nos últimos três eles me fizeram trabalhar sem contrato, e, por isso, vou ficar no ora veja, pra deixar de ser otário). descobri da pior maneira que executivos de sucesso preferem assistir a corridas mônaco, do que pagar proletários tupiniquins, que eles devem chamar preconceituosamente de "latinos".
mas tenho que apressar o banho, senão chego atrasado na casa de mamã, e perco a hora do antibiótico para a amigdalite que me deixou fora de combate desde o dia primeiro. vai ver, a dor é uma forma de purgar as merdas que me infligiram (como a citada acima) no ano passado. como naquele filme em que um negão (que não era o maurício) curava os outros e depois cuspia uma nuvem de marimbondos. é isso. mas esse ano não vai ser igual aquele que passou. sou o machado de xangô, e sei que a justiça se fará. mesmo que tenha que cortar algumas cabeças, cuspirei com raios e trovões tudo de ruim que me fizeram. caô, cabecile! deus dê vida longa aos meus inimigos, para que assistam de pé a minha vitória.
mas tudo bem, não guardo mágoas ou rancores. sei que o jogo é assim mesmo. o que importa, segundo negão, é que "na idade que tenho não carrego ilusão/ tive felicidades e tristeza/ agora tenho amor no coração".
e viva dosmilecinco!
never mind the bollocks!...ainda bem que eu sei inglês.
30 dezembro 2004
o último bostejo do ano (2)
correção: há bostejos atrás, eu rejubilava-me com a interjeição "evoé! zut! zut!". queria então este humilde digitante, fazer gracejos com os parnasianos. no entanto, anta que sou, confundi-me. corrige-me o genial cony, em sua crônica "evoé!", registrada no volume "o harém das bananeiras", de 1999. registro-a aqui:
Evoé
Nunca entendi o que quer dizer. Os jornais de antigamente, ao chegar aquilo que chamavam de "tríduo momesco", botavam nas primeiras páginas, em letras garrafais, EVOÉ! - assim mesmo, em maíusculas e com o ponto de exclamação que foi abolido pelos copidesques que vieram depois e introduziram nos textos da redação o pavoroso "diz que".
Evoé era uma senha, talvez de alegria, talvez de esbórnia, e como nada significava realmente, tanto fazia. Os dicionários explicam que era o grito festivo com que se animavam as orgias de Baco, também conhecidas como bacanais. Triste festa e triste animação que necessitavam de tal palavra para dar início aos trabalhos.
nas Cruzadas, diante das hordas heréticas, os grandes de Espanha e os pares de França gritavam para seus comandados: "Deus vult' - Deus o quer! - em português a exclamação é necessária, pois o "vult"latino já contém uma dose razoável de exclamação. Matava-se ou morria-se por um slogan. Amava-se também. Na Idade Média, as esposas iam para a cama com uma camisola na qual havia uma fenda no lugar apropriado, com o mesmo estímulo: deus o quer. Como se vê, até para fornicar era aconselhável ter um estímulo suplementar.
Bem verdade que não se precisa de uma senha para morrer e muito menos para fornicar. Essas coisas acontecem no devido tempo - e ainda bem que acontecem. Nada aconteceria, por exemplo, se, ao invés de "Evoé!", fossem usadas aquelas interjeições que os parnasianos freqüentemente colocavam em seus poemas: "Eia! Sus! Sus!"
Fico imaginando o Joãosinho Trinta gritando eia, sus, sus para animar os foliões da Beija-Flor durante os desfiles do carnaval. acho que o técnico de nossa seleção, na Copa do Mundo, após esgotar todas as miraculosas fórmulas táticas de ganhar um jogo, bem que podia pensar no assunto.
Falta a todos nós, tanto no carnaval como no futebol, na vida em geral, um grito de guerra, um "Deus vult", um "Evoé!", até mesmo, em caso de desespero, um Eia! Sus! Sus! Talvez por isso ainda não demos certo.
o último bostejo do ano (1)
não conhecia o radiohead (ok, podem me chamar fóssil. estou acostumado, e, de certa forma, me envaidece). continuo não conhecendo, mas, flanando pela internet, achei essa animação, em cima da música "creep". o vídeo é muito bom (vale a pena ver), a música é bonita, mas a letra é do tipo "sou-um-pobre-adolescente-todo-errado-mamãe-e-papai-não-me-entendem-coitadinho-de-mim-a-gata-do-colégio-não-me-dá-bola-ai-que-vontade-de-ter-coragem-para-cortar-os-pulsos". semcomentários.
e pensar que um dia eu fui adolescente. puá! que vergonha...
29 dezembro 2004
chico "unabridged"
um dos trechos mais contundentes da entrevista do chico buarque ao jornalista fernando de barros, para a folha de são paulo. saiu no domingo, 26/12. quem não tiver acesso ao jornal ou ao uol, me mande um email que envio a entrevista.
Folha - Você faz parte de uma geração de artistas que foi porta-voz de ambições grandes em relação às possibilidades do país. Hoje essas ambições encolheram muito, não se vê mais a perspectiva de mudanças sociais como antes. As aspirações foram redimensionadas para baixo. Como você analisa isso?
Chico Buarque - Hoje em dia a gente vê pouquíssima margem de uma mudança social. Ao mesmo tempo, em países pobres, como o Brasil é, deveria ser mais do que nunca premente a necessidade de uma transformação social. A situação se deteriora e não se enxerga uma alternativa razoável.
Me preocupa que estamos nos encaminhando cada vez mais para uma situação irracional. Tudo passa pela economia. É difícil. Eu tendo a acreditar nos economistas quando dizem ser impossível gerenciar países como o nosso de outra forma. Quem sou eu para opinar? Eu me sinto muito diminuído, tenho pouco interesse em me manifestar, da mesma forma que tenho pouco interesse em ler opiniões de leigos, de gente desavisada a esse respeito.
Às vezes podem dizer coisas interessantes, ou até brilhantes, mas quando chega a hora de uma discussão mais séria essas opiniões soam quase como um escárnio, coisa de poeta.
Folha - Você se vê pressionado a falar sobre esses assuntos?
Chico - Eu cada vez mais me abstenho por reconhecimento da minha limitação, da minha ignorância. Aí eu sou realmente modesto. Não sou modesto em relação ao que eu faço como artista. Mas, sobre os rumos ou possibilidades do país, não vejo honestamente que contribuição eu possa dar.
O que eu posso fazer é só constatar minhas perplexidades, meus receios diante desse quadro cada vez mais assustador. Como não se vê perspectiva de mudança a curto ou mesmo a médio prazo, a sociedade toda é levada a um certo conformismo, ou mesmo a um cinismo. Na alta classe média, assim como já houve um certo esquerdismo de salão, há hoje um pensamento cada vez mais reacionário, com tintas de racismo e de intolerâncias impressionantes.
O medo da violência na classe média se transforma também em repúdio não só ao chamado marginal, mas aos pobres em geral, ao sujeito que tem um carro velho, ao sujeito que é mulato, ao sujeito que está mal vestido. Toda essa indústria da glamourização, de quem pode, de quem ostenta, de quem torra dinheiro -enfim, ser reacionário se tornou de bom tom. As moças bonitas no meu tempo eram de esquerda. Hoje são todas de direita (risos).
Boutades às vezes racistas, preconceitos de classe, manifestações de desprezo mesmo pelos mais pobres se tornaram algo muito comum e socialmente valorizado.
Folha - Estamos diante de uma grande restauração, uma grande maré conservadora?
Chico - Exatamente. E diante da negação de conquistas não só sociais mas também comportamentais. Vejo um pensamento cada vez mais conservador, até mesmo na aparência das pessoas, todo mundo arrumadinho...
Folha - Mas isso convive, no caso brasileiro, com um governo de um líder operário, o que poderia ser visto como uma conquista histórica na contramão desse quadro. Como explicar esse curto-circuito?
Chico - Em primeiro lugar, acho que a eleição do Lula foi uma vitória. Ter conseguido eleger o Lula talvez tenha sido um último sinal de que algo ainda possa mudar para melhor. O outro lado da moeda é esse de que falei.
O Lula sabe o que o cara do rap está cantando. Ele conhece aquela voz. Outros podiam não conhecer, mas o Lula sabe exatamente o que é aquilo, não há de esquecer. O Lula não tem o direito de ignorar isso. Nessa altura, fico depositando minha confiança pessoal no Lula, minha esperança de que ele encontre uma maneira de pelo menos suavizar esse quadro. Mas esse é um fardo muito pesado. É uma esperança talvez demasiada.
De certa forma, o Lula trouxe o acúmulo de esperanças de muito tempo para um tempo em que elas não podem mais se realizar. E aí não é culpa dele. É por isso que tendo a reagir às críticas que são feitas exageradamente ao Lula.
Folha - Parece que você quer evitar jogar água no moinho dos que dizem que as coisas no governo não funcionam ou que o Lula é igual ao Fernando Henrique.
Chico - Não quero jogar, porque já tem muita água nesse moinho. Vejo muita gente com ódio pessoal do Lula. E não vejo essa gente verbalizar com argumentos essa oposição tão visceral ao Lula. Parece que há uma certa vergonha de ter um presidente como o Lula, um operário, um sujeito com um dedo a menos e que fala errado. Uma vergonha de ver o Lula representando o país lá fora. Percebo isso em gente próxima. E vejo isso na mídia também. Na verdade, isso deveria orgulhar um brasileiro -ter um homem com as origens sociais do Lula na Presidência da República.
Folha - Isso é um avanço em relação à era tucana?
Chico - Deveria ser também motivo de satisfação ter tido um professor, um sociólogo como o Fernando Henrique na Presidência. Foi um progresso. Nós vínhamos de anos e anos de generais, que não eram eleitos, depois tivemos o Sarney, acidentalmente, o Collor e o Itamar. A eleição do Fernando Henrique foi um salto qualitativo. É um intelectual, um homem com estofo. Agora, também não concordo com aquela satisfação que se viu no nosso meio -"é um de nós, finalmente". Não quero um de nós na Presidência (risos). Não quero ser presidente. Não gostaria que meu pai fosse presidente da República. Não é por aí. Também não acho que o fato de o Lula não ter curso secundário completo seja em si uma virtude. Virtude é ele poder ter sido eleito. Ele pode ser um bom ou um mau presidente. O Brasil ter eleito Lula contradiz tudo o que eu disse há pouco a respeito de um país que parece cada vez mais estar contra gente como o Lula. E volto a repetir: não vejo apenas um sentimento contra o marginal, o traficante, o ladrão. Mas contra o motoboy, contra o desempregado, contra o sujeito que não fala direito, isso apesar de a elite brasileira falar muito mal o português. Constato um sentimento difuso quase a favor do apartheid social.
(...)
Folha - O Rio, onde você mora há muito anos, também mudou muito de cara, em termos sociais. Na sua música, quando a gente pega, por exemplo, dois sambas como "Estação Derradeira", de 1987, e "Carioca", de 1998, percebe-se com clareza essa mudança. Os personagens são outros, a atmosfera é outra, a barra é muito mais pesada, apesar dos muitos encantos da cidade. Como você sente isso no dia a dia?
Chico - O clima hoje na cidade é muito mais pesado. Para não falar lá de cima, na própria zona sul já há territórios demarcados. Eu conheci a praia como um espaço democrático. Hoje em dia já se sente no ar a idéia de que vai existir logo uma fronteira entre Ipanema e o Leblon. Tem um pessoal na altura do Jardim de Alá [moradores de um cortiço na rua do canal que divide Ipanema e Leblon] que desce ali e ocupa a praia. Vira uma paranóia, vira uma hostilidade com esses garotos que ficam circulando ali. Assaltar na praia é o pior negócio que existe. De vez em quando acontece. No dia seguinte, vem a polícia e enfia os meninos no camburão, quando não faz coisa pior. Eles querem tirar da praia, sumir com eles dali. Não vai ter onde botar esses meninos.
As soluções sugeridas para isso, as coisas que eu leio nas cartas dos leitores dos jornais, em geral são fascistas. Virou moda responder a quem defende os direitos humanos com o trocadilho infame dos "humanos direitos" contra os vagabundos que nos retiram o direito de andar livremente pelo calçadão. Isso quando não se defende abertamente a pena de morte, a reclusão dos garotos de rua, a diminuição da maioridade penal, a prisão perpétua. Eles querem exterminar com os pobres do Rio. Se puderem sumir com aquilo tudo -ótimo. Os meninos são os inimigos, são os nossos árabes, são os nossos muçulmanos.
Folha - E o problema cada vez mais grave do tráfico, como fica? Porque o tráfico virou talvez a única perspectiva de ascensão social, ou de possibilidade de um enredo vitorioso na cabeça de um menino morador da favela.
Chico - É. Assim como o futebol ou o pagode, o tráfico virou um veículo de ascensão, de chance de ter dinheiro, poder, mulheres e fama, mesmo ao preço de uma vida muito curta. É o que se reserva para um menino sem estrutura familiar, sem emprego, sem quase nada. Eu não vejo outra saída para a violência ligada ao tráfico senão a descriminalização de alguma forma, não sei se total ou parcial, das drogas.
Lembro de ter lido nos jornais que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, era favorável a essa idéia quando tomou posse. Não sei porque o governo não levou e não leva essa discussão adiante. Isso pode ser desgastante para os índices de popularidade do governo, talvez por isso ninguém toque no assunto.
Talvez pensem que não é o momento de enfrentar o problema em razão de alianças e de compromissos com os evangélicos do PL, essas coisas. Mas se não enfrentarem o problema agora, quando é que vão enfrentar? Se o Lula não enfrentar... Isso tem a ver com tudo o que a gente estava falando antes, com o rap, com o que os garotos da periferia estão falando, com a falta de perspectivas, com a violência toda que está ali, manifesta nas canções.
O Lula sabe muito bem o que é isso. Se não encarar isso, não sei quem vai fazer. Não entendo por que não se discute isso a sério.
Folha - Você acha que o governo, para além dos constrangimentos econômicos, está deixando escapar entre os dedos oportunidades históricas de intervenção social?
Chico - Acho. Acho. Entendo os compromissos, o FMI, a dívida etc. Tudo bem. Mas isso não tem nada a ver com essas outras omissões. Ou é isso ou é a Bíblia.
dedo (sujo) na ferida
quem sou eu para mensurar tragédias? no entanto, é curioso ver a velocidade com que europeus e americanos estão se mobilizando para mandar ajuda financeira e humanitária para as vítimas da "tsuruba" asiática. por pura provocação, digo quatro palavras: somália, ruanda, haiti e iraque.
ou será que os abastados do primeiro mundo estão apenas com medo de perder seus exóticos balneários?
28 dezembro 2004
enquanto houver irresponsabilidade, não à árvore da lagoa!
se a bradesco é tão pródiga em utilizar o espaço público (a lagoa rodrigo de freitas, ou sacopenapã, para os íntimos) na tentativa de criar uma atração turística para a cidade, bem que poderia apresentar alguma cidadania na sua conservação: da inauguração ao desmanche (de 27/11 a 06/01), a árvore leva diariamente o caos ao trânsito e à ciclovia, com centenas de pessoas e ambulantes de guloseimas e quinquilharias (alô, alô, fiscalização municipal!), que acabam emporcalhando tudo.
a população tem todo o direito à diversão, mas que tal oferecer lazer com responsabilidade? já que a bradesco seguros instalou na cidade o que deve ser um dos maiores outdoors ao ar livre do mundo, bem que podia arcar com o ônus da confusão: pagar as horas extras dos fiscais de trânsito da prefeitura, contratar firmas de limpeza e de jardinagem, para conservar a integridade da paisagem, pelo tempo em que ocupar um espaço que não lhe pertence. a árvore, segundo nos querem fazer crer, "é de todas as famílias". mas a cidade, também. e a lagoa precisa estar apresentavel para receber visitantes nos outros 325 dias do ano.
vamos tomar vergonha na cara e não nos deixar seduzir: em troca dos espelhinhos e miçangas, eles normalmente pedem nosso ouro, nosso suor e nosso sangue.
25 dezembro 2004
fabulazinha babaca (para combinar com o espírito natalino)
- papai noel, você rói unha?
- rôo, rôo, rôo!
21 dezembro 2004
humilde contribuição para o espírito natalino (quem ler, lerá)
O guardador de rebanhos - Alberto Caeiro
Poema VIII
Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas pelas estradas
Que vão em ranchos pela estradas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
"Se é que ele as criou, do que duvido" —
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansados de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
e eu levo-o ao colo para casa.
.............................................................................
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer nos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
......................................................................
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
.....................................................................
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?
guimarães rosa já sabia...
como dizia o impoluto criador de augusto matraga: "todo mundo tem sua hora e sua vez". a minha está próxima, muito próxima.
a massa ainda vai provar do meu fino biscoito. evoé! zut! zut!
15 dezembro 2004
o despertar dos idiotas
O grande acontecimento do século XIX foi a ascensão espantosa do idiota. Até então, o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. Não vejam em minhas palavras nenhum exagero caricatural. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais atreveu-se a mover uma palha, ou a tirar uma cadeira do lugar. E então, aquele sujeito que, em 50 mil, ou cem, ou duzentos anos, limitava-se a babar na gravata, aquele sujeito, dizia eu, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturamente etc. Houve, em toda parte, a explosão triunfal de idiotas. Muitos estranham a violência da nossa época. Eis um mistério nada misterioso. É o ódio do idiota, sempre humilhado, sempre ofendido, sempre frustrado, e que agora reage com toda a potência de seu ressentimento.
Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobrem que são em maior número e sentem a embriaguez da onipotência numérica. Bertrand Russell diz, por outras palavras, que sem o ódio não exixtiriam nem Marx, nem marxistas. Mas a vitalidade do marxismo depende dos idiotas.
Nelson Rodrigues. O Pesadelo Humorístico (p. 72), in: O reacionário, memória e confissões.
mais um trecho genial do Nelson Rodrigues. o que importa se ele fala mal de marx? um sujeito que teve peito para dizer uma coisa dessas, com tal ironia, num jornal diário, em pleno 1969, merece meu crédito. é um iconoclasta fantástico. vejam que ele não tem a menor preocupação de teorizar ou embasar sua opinião.
são passagens como essa que me orgulham de ter forçado barra para batizar minha turma de faculdade com seu nome. evoé! zut! zut!
perdoai-os, senhor. eles sabem o que fazem...
fui vítima de uma nova forma de tunga eclesiástica. ontem, como fiz durante os dois anos do mestrado, fui estudar na biblioteca da puc. cheguei à uma e saí às oito, e como de hábito, utilizei um dos armários para guardar mochila e livros. eis que, na hora de devolver as chaves, descubro que agora foi instituída a renovação do empréstimo do armário a cada quatro horas. resultado: fiquei devendo, por estar totalmente desprovido de erário (sim, meus credores, nada ainda).
estava, enfim, explicada a reforma desnecessária no hall da biblioteca, já anteriormente impecável; a maquiagem do ambiente, que nada mais fez do que colorir armários e paredes. porra, está certo que o aviso estava (discretamente) escrito junto ao guichê, mas custava o funcionário dizer também? como se aqueles jesuítas nababos já não arrancassem o couro dos alunos para sustentar as mordomias de seu latifúndio na gávea!
se deus existe mesmo, precisa urgentemente contratar um assessor de imprensa (estou à disposição, viu, senhor?) ou um relações públicas (hoje a profissão tem uns nomes mais feios, todos derivados do inglês). isso porque seus mininstros e representantes do lado de cá só têm feito lambança. como diria o profeta gentileza, num documentário sobre sua vida que assisti há alguns anos, "o papa só quer saber de papar, os pastores, de pastar; no vaticano só se come com talher de ouro". e a usura continua solta, com espetáculos catódicos de exoercismo e danças imbecilizantes que fariam jesus descer da cruz para açoitar os vendilhões do templo. quando eu ainda mantinha alguma relação com a igreja católica (a última vez em que entrei numa igreja para rezar foi aos quinze anos, quando fui praticamente forçado pela família a fazer a primeira comunhão, no colégio militar), aprendi que a usura é pecado. dos brabos.
09 dezembro 2004
pití global
não sou de aderir às fofocas das estrelas, mas essa aqui, chupada do comunique-se tá boa demais. me furto ao duireito de qualquer comentário. julgue que ler:
Autor de novela se irrita com textos de jornalistas
Da Redação
O autor da novela "Começar de Novo", exibida às 19h pela TV Globo, reagiu de forma irritada a uma nota publicada na Folha de S. Paulo, na coluna de Daniel Castro, e um artigo da revista Veja, assinado pelo jornalista Ricardo Valladares. Os dois receberam um e-mail de Antonio Calmon, prometendo reagir sempre que as críticas o atingirem.
Castro dizia em uma nota - somente para assinantes do UOL - que "insatisfeita com a trama e a audiência em queda de 'Começar de Novo', a cúpula da TV Globo deu duas semanas, a partir desta, para o autor Antonio Calmon acertar os rumos da atual novela das sete. Caso contrário, a produção, prevista para durar no ar até abril, deverá ser encurtada", enquanto Valladares comentou as mudanças nos personagens e a entrada repentina da atriz Carolina Ferraz.
Segundo nota da TV Globo, Calmon está de licença médica por 30 dias, devido a uma crise de hipertensão, stress, dor precordial e dispnéia. Ele deverá se submeter a vários exames médicos durante esse período.
Valladares disse que não vai comentar o assunto. Castro não foi encontrado por nossa redação.
Leia a carta enviada pelo autor de "Começar de Novo":
"Bom dia, Daniel Castro! Dormiu bem? Como se sente depois de ter provocado em mim uma crise de hipertensão? Feliz? Realizado? Parabéns!, a partir de hoje você será finalmente famoso, quer queira, quer não. A má notícia? Você se meteu com um sujeito que não tem medo de nada, que escreve mil vezes melhor e que fará tudo para devolver o café da manhã que você me serviu anteontem.
Meu coração poderia ter explodido. Uma veia em meu cérebro poderia ter estourado. Mas, para desgraça sua, isso não aconteceu. Por que você faz esse tipo de coisa? Inveja? Para agradar seu editor? Acha que consegue um aumento? Espera tornar-se Um Deles? Péssimas notícias para você, Daniel. Você jamais será Um Deles. Quarenta anos, uma coluna de tv num jornal esnobe, os artigos realmente importantes sendo escritos pelas duas mulheres, a barriguinha crescendo, essa vidinha de merda... Não vejo muito futuro para você.
Você e o Ricardo Valladares trocam figurinhas quem nem duas colegiais maldosas no início da puberdade? Ele te contou como torceu minhas palavras e jogou-me contra a jovem atriz? Vocês deram risadinhas malvadas com a dor que ele inflingiu a ela, culpando a mim, e que você agora repicou? Vocês acham que podem manipular a verdade a esse ponto, impunemente?
Eu vi esse outro cretino, pomposo e arrogante, com sua roupa cafona e barba pretensiosa, andando pela festa da novela como se fosse dono dela. Foram logo me avisando: esse cara é uma cobra, cuidado com ele! Ele me cumprimentou do alto da sua mediocridade. Patético e deslumbrado, um infeliz que nem você, visivelmente mal resolvido. Ao telefone, mal conseguia disfarçar o prazer que estava sentindo em me apunhalar. Eu só queria promover a Carolina Ferraz. Ele estava mais interessada em desmoralizar a Giselle Itiê. Por que vocês odeiam tanto as mulheres? Por que você faz um trabalho de mulher?
Um homem casado, com filhos, que inventa fofocas sobre a vida conjugal de um homem descasado, com filhas, não é um homem digno de respeito. O Marcos Paulo te perturba tanto assim, Daniel? Você acha que ele não é um galã, meu bem? Você não tem vergonha de fazer mexericos da Candinha? E seus ideais de juventude, onde foram parar?
Temos muitos meses pela frente. Toda vez que mencionar meu nome ou meu trabalho, cada vez que agir tão baixo com outra pessoa como fez comigo anteontem, eu juro que descerei sobre você e te exporei nu, a todos. Você é transparente, Daniel Castro. Senti a depressão e a covardia na tua voz ao telefone. Por mais neutro e digno que tente ser seu estilo, você está lá inteiro, no esplendor da sua insignificância. Vai ser moleza.
Não importa que você não leia minhas mensagens, a conselho de seu analista ou advogado. Os outros lerão. Não importa que você mude seu endereço de e-mail ou ponha um filtro em seu computador. Os outros saberão. Estarei sempre mandando mensagens como essa. Com a mesma frieza com que você e o Ricardo Valladares provocam sofrimento nas outras pessoas. Seja bem-vindo ao Outro Lado.
Aprendi com um samurai cego: para poder bater nos outros, é preciso saber apanhar. Eu vou te ensinar a apanhar, Gafanhoto, lição por lição.
As hemorrídas [sic] do fã purista do pop vão arder.
Antonio Calmon
12/3/2004
28 novembro 2004
bem-vindo ao panteão dos semideuses, santoro!
há muito tempo, meu bróder joão callado e eu, criamos o panteão dos semideuses, um lugar imaginário, dedicado a caras que realizaram feitos incríveis. o objetivo era homenagear meu homônimo, marcello mastroianni, graças ao seu desempenho no filme stay as you are (così come sei). do filme, guardo pouca coisa além de que ele interpreta um coroa que tem um caso com a nastassja kinski. e como se isso não fosse o suficiente, mastroianni humilha na cena emj que dá uma mordida na bunda dela. aí o cara ultrapassou o limite dos meros mortais. e assim, só nos restou alçá-lo à categoria de semideus.
pois bem, acabei de assistir na tv o comercial do perfume channel 5, em que o rodrigo santoro beija a boca de ninguém menos do que nicole kidman. meu queixo caiu. o camarada também namorou anos a luana piovani. dirão os ididotas da objetividade que la piovani, segundo consta no bas-fond da mídia nacional, presenteou o rapaz com um chapéu de touro. "ora", responderei, "não importa: comeu ou não comeu?" então, meus caros, se carimbou o passaporte, o resto é paisagem. para terminar, só tenho a dizer que, com um currículo desses, o sujeito merece o ingresso no panteão dos semideuses.
e tenho dito.
26 novembro 2004
a isenção da mídia
há anos digo que o jb não tem leitores, e sim, torcedores. é triste, sim, ver a derrocada de um jornal que, não fosse pela importância que teve para a história do jornalismo, pelo menos porque carrega o nome do país. o brasil merece mais. mas não vim aqui para alimentar saudosismos, mas para falar do presente. presente em que nada é por acaso, onde o interesse passa ao largo do bem público, e onde se busca o benefício de apenas um lado - o próprio. por mais multifacetado que ele seja.
conteúdo roubado, desta vez do xingatório.
Quinta-feira, Novembro 25
Notícias do Jota
Olá, caros. Depois de longo inverno, este humilde Assis se sentiu obrigado a reaparecer quando descobriu algumas histórias que andam acontecendo no velho Jornal do Brasil.
Vejam só o que me contaram:
A redação da Rio Branco não é mais a única sede da empresa. Parte dos suplementos se mudou de mala e cuia para a Casa do Bispo, uma bela morada no Rio Comprido, cercada de violência por todos os lados. Lá estão, por exemplo, as revistas Domingo e Vida.
Na primeira semana no novo lar, não houve um dia sequer em que os jornalistas não tenham tido o prazer de ouvir tiroteios. Por recomendação sabe-se lá de quem, nenhum funcionário pode vestir roupa vermelha, porque a área é do Terceiro Comando, e tampouco continuar trabalhando após as 18h, quando o bicho começa a pegar. A cereja do bolo veio na terça-feira, quando um segurança do dr. Nelson Tanure, em visita à casa, foi assaltado por dois sujeitos armados.
Diante dos fatos, o manda-chuva da segurança no Estado, Marcelo Itagiba, gente de primeiríssima qualidade, foi hoje ao JB-Rio Comprido para ver o que pode fazer. Fala-se em espalhar câmeras pelas redondezas. Tudo sem segundas intenções, claro. Se por acaso o jornal aumentar o número de matérias elogiando Garotinho, não se espantem. Será mera coincidência.
Xingado por Assis 2:58 PM
bocão é fundamental!
tava zapeando e parei no filme "o rei da água", exibido no tnt. é uma comediazinha bem chulé, mas o que me roubou minha atenção foi a estampa da fairuza balk.
pra quem não conhece, além de uma beleza incomum (ousaria até "extravagante"), ela é a maior boca desde a béatrice dalle em "betty blue". ela atuou como uma das ripongas da tribo de groupies no "almost famous" (aqui é a do meio, de xale vermelho. saca o estilo), e mais uns outros aí, que estou com preguiça de listar (para isso existe o google). se tem talento ou não é questão de somenos. no momento, estou ligado na beleza.
e para finalizar, um duelo de lábios: fairuza versus béatrice.
mas verdade seja dita, a da tatica (graças!) também não deixa nada a dever...e não digo isso para me livrar da surra depois, não. ;)
25 novembro 2004
copiado descaradamente do paulo markun
não resisti. é altamente sintomático do obscurantismo da direita brasileira, representada por "coronéis" latifundiários e usineiros.
quinta-feira, 25 de novembro de 2004
A IDEOLOGIA DOS SARNEY
Fala-se que o presidente Lula pretende conseguir a transferência da senadora maranhense do PFL Roseana Sarney para o PMDB e entregar a ela o ministério do Planejamento, como forma de serenar a ziquezira independendista do partido.
Pode ser que dê resultado a tática, mas o retrospecto da senadora mostra que a grande condição dela não é política, mas genética – ser filha do presidente do Senado, José Sarney, que acaba de perder a chance de se reeleger para o cargo, mas continua um bom aliado do governo de Lula.
Roseana tem sua carreira apoiada integralmente na figura do pai. Depois de trabalhar como assessora dele, elegeu-se a mais votada deputada federal pelo PFL em 1990 e em seguida, chegou ao governo do Maranhão, onde passou dois mandatos. Teve problemas de saúde graves e quase disputou a presidência da República pelo PFL, depois de ter sido colocada como um mero balão de ensaio, que conseguiu vida própria graças a uma forte presença na propaganda política.
Não é preciso ir muito longe para verificar que a senadora pode ser ótima nos conchavos e articulações e uma perfeita intérprete dos desejos de seu poderoso pai, mas tem um desempenho pífio no plenário. No ano todo, ela fez apenas quatro discursos: elogiando o paraibano José Chaves, outro de homenagem à medicina, mais um cumprimentando a Anatel por padronizar os telefones de emergência e um sim, pesado, sobre as conseqüências das enchentes no Maranhão. Aparte, não deu nenhum e também não aprovou um só projeto de sua autoria. Foi relatora de duas propostas, uma sobre o primeiro emprego e outra de um acordo com a Ucrânia para usar a base de Alcântara e o site da senadora festeja suas vitórias nesses dois temas.
Portanto, a ida de Roseana Sarney para o PMDB pode representar uma massagem no ego do papai, mas não vai suprir a ausência de idéias e propostas que esse partido tem como característica essencial. Para complicar, quando ela foi candidata a presidente da República pelo PFL e disparou nas pesquisas, até ser abatida pela descoberta de um pacote de dólares no escritório de sua empresa, a reação mais suave de Lula foi dizer que aquela eleição não era concurso para miss Brasil.
Sobre a ideologia de Roseana Sarney, provável futura ministra do governo do PT, a definição é dela mesma: “Não existe esquerda, nem direita. Todos querem as mesmas coisas. As formas de se alcançar é que diferem.”
20 novembro 2004
rezar muito pode ser prejudicial
no último feriado fomos para a casa da tatica em lorena (sp). corremos para pegar o ônibus das 12h de sábado. chegamos em tempo hábil na rodoviária, mas qual!... lotado. resolvemos fazer cera para esperar o das 14h comendo alguma coisa.
enquanto os pratos não chegavam, a tatica disse que provavelmente, o ônibus que perdemos deveria estar apinhado de fiéis indo para a basílica de aparecida, que é relativamente próxima de lorena. eu, no meu folclórico sarcasmo mal-humorado, cheguei à conclusão de que havia sido melhor perder o das 12h, porque, afinal, com tantos devotos a bordo, seria bem capaz de o ônibus tombar na estrada.
o raciocínio é bem simples, e amparado por estatísticas: é só verificar as notícias durante os feriados religiosos. os desastres trágicos sempre envolvem os transportes utilizados pelos romeiros, seja um barco numa procissão fluvial em belém, um caminhão de pau-de-arara na direção de juazeiro do norte, ou um ônibus fretado para aparecida. acho que o povo reza com tal fervor, deseja tanto as compensações do paraíso e da vida após a morte, que quando pegam deus distraído, o levam a pensar que estão querendo furar fila para subir. e aí ele chama mesmo.
estão achando que sou louco? e o que me dizem do oscar niemeyer? o caboclo já tá com 90 e tantos, e tá firme aí, com sua prótese peniana a mil. pergunta no que ele acredita. e o martin luther king, malcolm x (não me refiro necessariamente ao deus cristão) e os demais mártires de todas as religiões? quanto duraram? então, captaram? não reze muito não, que senão você corre o risco de conseguir um pistolão.
18 novembro 2004
gatos! melhor não tê-los?
há dois posts, coloquei uma poesia com elogios à gatinha. bom, estou a ponto de retirar o que disse...a bichana anda pintando o sete, no mau sentido.
por algum estranho motivo, ela morre de pavor da faxineira, que nunca a maltratou, pelo contrário. mas basta soar a campainha para a gatinha ficar alarmada. confirmado seu temor, ela foge para o nosso quarto e passa o dia sob as cobertas, imóvel. até que um dia, resolvi tentar acabar com esse medo besta e infundado. enquanto o quarto era arrumado, peguei a bicha no colo e a levei para a faxineira vê-la. qual o quê. a bicha começou a miar grosso e a se agitar. em pouco tempo, ela grudou-se à minha camisa, e depois passou a unhar sem dó meu braço mais próximo. os lanhos foram vários, e quase tomaram o comprimento total do antebraço (primeira foto, menor, já quase cicatrizado). de medo, tudo o que ela tinha dentro dela, guardado para quando a faxineira fosse embora, "aflorou" um pouco. sobre o chão, o sólido, e sobre o encosto do sofá do escritório, o líquido. uma maravilha...
passados alguns dias, depois de miar quase ao ponto de estourar nossa paciência, finalmente veio o cio. e com ele, a novidade: ao pegar minha bolsa na hora de sair, percebo algo molhado: xixi de gato. puto e indignado, já do ônibus, ligo para a tati. ela olhou o sofá onde estava a bolsa (o mesmo que recebera o conteúdo da outra vez), mas tudo normal. estaria eu então delirando? não, o cheiro pouco sutil e o couro úmido confirmavam minha constatação. logo em seguida toca o cel, e a tati avisa que a filha da puta tinha mijado em cima da minha blusa que estava sobre o sofá (provavelmente ao lado da bolsa).
tati ligou para a moça de quem adotou a gatinha, em busca de socorro. ela disse que o xixi é normal no cio. pode ser também carência, ou estímulo do cheiro anterior. ok, então. de noite, volto à casa disposto a, apesar de tudo, relevar. mas ainda me espantava o cinismo do bicho, que de manhã viera fazer festinha e se mostrava muito amistosa, como nos melhores dias. brinco um pouco com ela (vai ver o xixi foi o troco dos cascudos que dei. tudo bem, estamos quites, agora), e depois, eu e tati escarrapachados sobre o sofá da sala, conversa vai, conversa vem, ela pergunta: "tá sentindo o cheiro?" não é que a bichana havia mijado também no sofá da sala - duas vezes! - e escondido sobre as almofadas. aí o sangue ferveu. fui atrás dela, para esfregar seu focinho no mijo, e depois na caixinha de areia, para explicá-la que não pode fazer isso, com ou sem hormônios. e ela, mais uma vez, usou meu braço de arranhador. o mesmo da outra vez (segunda foto).
para nosso intenso prazer, passamos o resto da noite passando escovão com desinfetante animal e sabão em pó no sofá da sala e na minha bolsa. programão. a gatinha vai ficar na cozinha até segunda-feira, como castigo. não batemos, ou a deixamos sem comer. ela está com seus brinquedinhos, etc., mas precisa aprender que há limites na vida, para homens e animais, estejam eles com tesão ou não.
agora estamos atrás de castração, para o mais breve possível. não temos grana, e parece que na suipa fazem quase de graça. é em benfica. veremos. a verdade é que eu mesmo estou quase esterelizando-a com meu canivete suíço; mas ainda assim, prefiro ela a qualquer cachorro, por mais educado e simpático. agora virou uma questão de postura política.
17 novembro 2004
só peço a deus (?)
faz muito tempo que não escutava um cd de priscas eras, do argentino leon gieco. bom som, meio folk, misturando uns bandoneons com melodias à la cat stevens, mas sem estragar nenhum dos dois. aí, em face do cansaço que a vida tem me dado nesse momento, levanto a cabeça em direção ao horizonte, estufo o peito, e canto, a plenos pulmões:
Sólo le pido a Dios - Leon Gieco
Sólo le pido a Dios
que el dolor no me sea indiferente,
que la reseca muerte no me encuentre
vacío y solo sin haber hecho lo suficiente.
Sólo le pido a Dios
que lo injusto no me sea indiferente,
que no me abofeteen la otra mejilla
después que una garra me arañó esta suerte.
Sólo le pido a Dios
que la guerra no me sea indiferente,
es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente.
Sólo le pido a Dios
que el engaño no me sea indiferente
si un traidor puede más que unos cuantos,
que esos cuantos no lo olviden fácilmente.
Sólo le pido a Dios
que el futuro no me sea indiferente,
desahuciado está el que tiene que marchar
a vivir una cultura diferente.
04 novembro 2004
a vida imita a arte
Pensão familiar (Manuel Bandeira)
Jardim da pensãozinha burguesa.
Gatos espapaçados ao sol.
A tiririca sitia os canteiros chatos.
O sol acaba de crestar as boninas que murcharam.
Os girassóis
amarelo!
resistem.
E as dálias, rechonchudas, plebéias, dominicais.
Um gatinho faz pipi.
Com gestos de garçom de restaurant-Palace
Encobre cuidadosamente a mijadinha.
Sai vibrando com elegância a patinha direita:
— É a única criatura fina na pensãozinha burguesa.
igualzinho aqui em casa. como diria o poeta, em terra de troços que parecem sapos-bois (e que assustam as moças sem lentes), a gatinha definitivamente é a única criatura fina. demente, mas fina.
31 outubro 2004
jerusalém da razão
deu no globo de hoje que a doença do arafat pode ser apenas uma infecção viral (nada mal, em comparação com um suposto diagnóstico de leucemia). diz o periódico:
Por sua parte, o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, prometer manter sua dura política de repressão a radicais palestinos e que nem morto Arafat entraria em Jerusalém, cidade sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos. o grifo é nosso.
se a cidade encontra-se num enclave fundamental para a paz mundial, não seria o caso de a onu considerá-la patrimônio internacional (por que só querem fazer isso com a amazônia?), administrada por um conselho supranacional, com direito a tropas para garantir a paz e o livre acesso de qualquer pessoa?
*UPDATE*
retificando minha ignorância no tema, minha médica disse que infecção viral não pode ser classificada nunca como "apenas". primeiro que doenças simpaticíssimas como a aids e o ébola são infecções virais. ela disse também que esse negócio de "queda de plaquetas e firulas afins" cheira muito a coagulação intravascular disseminada, geralmente causada por vírus do tipo filovírus, da família do ebola. ou seja, amiguinhos, pode se tratar de um caso de envenenamento biológico básico.
por isso que eu amo minha médica. e sou dos que acreditam que paranóia é uma forma evoluída de inteligência...