..ou "como se sentir bem tendo apenas uns poucos tostões no bolso".
hoje me dei alta. dos remédios, do medo que trava as palavras e causa inércia, da pornografia de massa que narcotiza o pensamento e transforma homens em eunucos ansiosos. em breve procurarei reatar relações com algumas pessoas, tentar não emendar cacos, mas partir novamente do zero, agora que a cachola parece seguir bem. o inconsciente não é reprodução, é criação, disseram mais ou menos isso deleuze e guattari.
mentira. a verdade é que há semanas, muitas, as engrenagens fluem sem aditivos. mas só hoje me dei conta. o nazismo inventou que o trabalho liberta, o capitalismo comprou a idéia e a martelou tantas vezes que tornou-a verdade. mas não é nada disso, não; o que liberta é a disciplina. meu pai já sabia, e a pedra cantou quando me atingiu a cabeça com uma agenda. baby-steps, um dia de cada vez. cada marca, uma vitória.
então, hoje fui ajudar um amigo que está na foz do iguaçu. na rua, me assombrou o tamanho dos prédios, o calor do dia, mas olhava para tudo e tudo estava bom. na volta, encontrei numa banca "de repente, acidentes" (tradução esperta para perhaps, mishaps), do carl solomon. comprei e peguei um ônibus que fazia um trajeto mais longo, para curtir o ar-condicionado e o livro.
epifania de R$ 12,00. foi de lá que retirei os seguintes trechos sincrônicos:
Os dadaístas achavam que tinham algo a ver com o suicídio. Eu tenho mais a ver com o não-suicídio. Tente o não-suicídio. O grande lance aqui é quando alguém se suicida e você não. Eu tenho vários desses pequenos truques em casa. Como não-inadaptação, não-derrota, não-revolta, não-beatness, não-hipness.
....
Ninguém sabe sobre o que o outro está falando, e toda conversa, mesmo que seja sobre a guerra, é conduzida apenas pelo prazer da discussão. Discutir nos dá a impressão de que pelo menos a verdade, esta enguia escorregadia, é acessível á discussão e será a recompensa do argumentador mais forte. "Eu penso", "Você pensa"... Como se houvesse algo para pensar. Eu nunca vi um pensamento, nem livre nem censurado, e duvido que tal coisa exista. Mas eu vi corpos, de todas as formas e tamanhos, em todos os tipos de posições e apuros, e definiria então um pensamento livre como um corpo sentado em um banco de praça. Enquanto um pensamento censurado seria um corpo preso numa camisa-de-força.
15 março 2005
dois fragmentos de um fragmento - carl solomon
11 março 2005
as pequenas coisas da vida
depois de meses, hoje instalamos telas de proteção em casa. a brisa noturna entrando pela janela do escritório, antes fechada quase o tempo todo, é um orgasmo. com duas gatinhas alopradas em casa, não podíamos facilitar. uma poderia querer brincar de super-homem, pular do quarto andar e acabar como uma versão quadrúpede do christopher reeve.
o modelo das janelas é bem antigo, de madeira, do tipo "guilhotina", dividida ao meio horizontalmente. na sala e no quarto, bastava abrir a folha de cima para ventilar. mas no escritório isso era impossível, porque a de cima não baixava. então, usar o computador era como fazer sauna com belzebu. agora tudo mudou. de noite, pelo menos, parece um ar-condicionado.
eu sabia que tinha razão...
Que raio de coisa é essa TV paga no Brasil? Algumas conversas com pessoas extremamente bem informadas da indústria me revelaram uma resposta simples e dolorosa: um universo de frustrações, conseqüência de um velho erro que pensei que jamais fosse se repetir, a noção de que “América Latina” é uma coisa só, com uma única mente, gostos e hábitos homogêneos.
A minha geração cresceu sob o medo de que o Brasil se tornasse um país de cultura traduzida, e que, depois de se livrar (será?) do risco da tradução do francês, sucumbisse à tradução do inglês ianque. Hoje, no entanto, vemos que esses medos não eram ambiciosos o bastante: estamos vivendo uma cultura traduzida do espanhol que por sua vez traduziu o inglês ianque. Uma tradução de terceira mão, que tal?
Com raríssimas exceções, os canais por assinatura entram aqui fechados, gerados de algum ponto extra-fronteiras, programados para uma “América Latina” que só existe nos power points de seus departamentos de marketing. Produzem pouco, mal, com recursos limitadíssimos, pequenos gestos que nem sonham em tirar uma lasquinha do monopólio vigente. Enquanto isso, fazem parcerias e produzem abundantemente em todo o resto do mundo civilizado.
trecho de artigo da ana maria bahiana, no comunique-se. achei que fosse coisa de crítico ranzinza esbarrando no anti-americanismo. ainda bem que não.
mas tá provado que a mentalidade corporativa é tacanha. não sei se apenas acima do rio bravo, ou, se, por ter sido nascido lá, esse modelo de burrice infecta todos os países.
09 março 2005
lágrimas de crocodilo safado
Hildebrando chora e se diz vítima de perseguição de procurador da República
deu no globo online.
diz a matéria, assinada por rodrigo rangel (será o rodrigão?) e demétrio weber:
Em seu depoimento, Hildebrando negou envolvimento com grupos de extermínio e disse que todas as acusações contra ele são resultado de perseguição do procurador da República Luiz Francisco de Souza e do ex-presidente do Tribunal de Justiça do Acre Jercino Alves da Silva Filho, hoje ouvidor agrário nacional.
- Eles promoveram uma verdadeira campanha publicitária para me caluniar e me difamar perante à opinião pública. Com isso criaram os fatos de que necessitavam para detonar a odiosa e infame perseguição contra mim e minha família - disse Hildebrando, que chegou a chorar durante o interrogatório, que começou por volta do meio-dia desta terça-feira e só deve terminar na sexta.
Ao revisar o teor de suas declarações durante o interrogatório e pedir alterações no texto, com as quais a juíza Maria de Fátima de Paula não concordou, Hildebrando protestou:
- Ah! Então é melhor mandar me matar, excelência!
O ex-deputado federal disse ainda que, se todos os políticos fossem como ele, o país estaria em melhores condições:
- Se todos os políticos fossem iguais a mim, o Brasil estaria melhor. Deveriam estar construindo escolas em vez de presídios - disse.
só não dou risada porque estou a ponto de vomitar sobre o teclado (obrigado, fausto wolff). talvez, ao contrário do pensa (?) o ex-deputado, seus colegas devem realmente ser como ele. depois da eleição de severino, está mais atual do que nunca o ditado candango "ou instala-se a moralidade, ou todos nos locupletamos".
não estará na hora de mudar a letra da canção para "300 hildebrandos com anel de doutor"?
06 março 2005
auto-crítica
pô, velhão, tu andas cheio de opiniões ultimamente, né não? fica falando de si o tempo todo, todo gabola, e cheio de erros de digitação.
eu, hein?
mas, como diria um amigo, "tá bom também".
02 março 2005
polícia para quem precisa
corroborando o que me disse o pimentel na entrevista aqui transcrita, agora que moro perto do batalhão da pm da são clemente, pude contar mais de 15 veículos totalmente esbudegados no pátio da corporação, entre viaturas e micro-ônibus. alguns completamente inutilizados.
tarrado do dudu
que, por sua vez, tarrou de outrem. difícil pacas de sintetizar.
Uma música que:
Me faz dançar: "Superstition" - Stevie Wonder
Me deixa pra cima: "Gotta get you offa my mind" - Solomon Burke
Me faz lembrar de um amigo(a): "Brimful of Asha" - Cornershop
Me faz lembrar de um amor : "Beatriz" - Chico e Edu Lobo, cantada pelo Milton
Me entristece: "O que me importa" - Tim Maia
Me alegra: "Watermelon man" - Mongo Santamaria
É muito sexy: o óbvio infalível, "Je t'aime" - Serge Gainsburg
Me faz sair da deprê: "On the sunny side of the street" pela Billie Holliday
Me faz pensar como o amor é: "Vida noturna" - Aldir Blanc e João Bosco
Me faz ter vontade de pular de paráquedas ou dirigir em alta velocidade: "Crosstown traffic" - Jimi Hendrix
Diz muito sobre mim (ou não): "Doces Olheiras" - Aldir Blanc e João Bosco, "Sometimes I'm happy" - Oscar Peterson
Escreveria: "Indigo" - Peter Gabriel
Pra cantar no karaokê: Nunca fui a um
Tocaria no meu casamento: "Minha teimosia, uma arma pra te conquistar" - Jorge Ben
Faz meus amigos lembrarem de mim: qualquer uma do Jorge Ben
Gostava, mas agora nem tanto: "The dark side of the moon", o disco
Não admito que gosto: Não tenho vergonha de admitir nada, até o Khaled eu assumo.
Me faz lembrar minha infância: "Kid Cavaquinho" - Aldir Blanc e João Bosco, cantada pela Maria Alcina
Parece com a minha adolescência: "I'm the walrus" - Beatles
Muitas pessoas gostam, mas eu não: Ivete Sãogalo e Adriana Paucanhoto
É melhor quando tocada no carro: "Minha fé" - Zeca Pagodinho
Pra me acordar de manhã cedo: "Satellite of love" - Lou Reed
Gosto, e meus pais também: Benito di Paula
Tocou em um dos meus filmes favoritos: "It's been a long time coming" - Otis Redding (Malcolm X) e "Kamata Mariyam" - Fairuz (Antes do anoitecer)
Me faz pensar na lua: "In the wee small hours of the morning" - Oscar Peterson
Me faz pensar no sol: "I can see clearly (Sunshine in day)" - Jimmy Cliff
Me faz pensar na noite: "Rhythm-a-ning" - Thelonious Monk
Me faz querer estar sozinho: "Irene" - Caetano Veloso, "You'll never walk alone" instrumental da Nina Simone.
Me faz sorrir: "Eu bebo sim" - Luiz Antonio e João do Violão, pela Elizeth
Me faz ter vontade de chorar: "La navidad de Luis" - Leon Gieco e "A day in the life" - Beatles
Não é do meu "tipo" mas eu gosto: Fala mansa
Posso cantar bem: Quase todas do Tim Maia e do Jorge Ben, e algum Dorival Caymmi
01 março 2005
minha origem não merece...
me dá uma vergonha, um troço ruim por dentro toda vez que eu escuto "cariocas", da adriana paucanhoto.
25 fevereiro 2005
quantos idiotas mesmo?
contando comigo, são seis bilhões e meio de pessoas no mundo. em 2050, segundo o le monde, serão NOVE bilhões. se já não estiver dando de comer para os vermes, estarei pedindo meu boné.
por isso faço um apelo sério: às vezes, é melhor o esforço de educar crianças que já existem do que botar novas no mundo. é mais barato, mais divertido, e não sacrifica tanto o planeta. por isso sempre fui favorável à adoção.
24 fevereiro 2005
gênios da publicidade (3)
não agüento mais ouvir everybody's talkin', do harry nilsson. é que uma operadora de celular está martelando a bela canção do filme midnight cowboy em sua nova campanha de mídia.
só o primeiro verso é cantado nos comerciais, mas o bucéfalo do marketing que deve ter achado que só ele a conhecia, porque o verso seguinte contradiz o anterior (everybody's talking at me/ I don't hear a word they're saying), e a mensagem da música toda, num sentido geral, fala sobre a incapacidade de comunicação. o efeito da publicidade, pelo menos para mim, é justamente esse. o tiro saiu pela culatra.
receita contra o mau-humor
tá com raiva? nervoso? jururu? com banzo? enfezado? deprimido?
se tiver orkut, entre aqui. passa rapidinho.
frases preconceituosas que me mataram de rir
"Ela é do tipo que só gosta desses mulatinhos fortes pagodeiros, que andam de óculos escuro na cabeça raspada."
"alexandre pires é um preto caladryl."
"como é que eu posso acreditar nessa ministra marina silva falando com voz de erê!"
23 fevereiro 2005
sólo le pido a dios
que não chegue o dia em que eu use esse espaço para comentar seriados americanos a sério.
A Caixa-preta da Polícia Militar
esse foi o título de um dos meus maiores orgulhos na vida. eu e minha amiga bella carter (que por razões profissionais tem que usar esse pseudônimo) entrevistamos o ex-capitão do bope rodrigo pimentel para o exemplar de setembro de 2001 da revista geração (pouco antes dos aviões do bin laden). ele descasca a política de segurança do então governador garotinho. analisem e vejam o que mudou.
o que me deixou prosa mesmo foi saber, pela chefe de reportagem da revista (cujo irmão trabalhava no gabinete de um deputado aliado), que o garotinho leu e ficou puto. depois, esse irmão ensaiou me chamar, numa boa, para trabalhar com o tal parlamentar, mas desconversei, e não rolou.
ei-la:
A Caixa-preta da Polícia Militar
Ex-capitão expõe como a política de segurança do estado contribui para a violência
Rodrigo Pimentel seria como qualquer outro garotão da Zona Sul do Rio, a não ser por um detalhe: os doze anos em que integrou a elite da Polícia Militar, servindo no BOPE (Batalhão de Operações Especiais). Depois de sofrer represálias e prisões que começaram com a sua participação no documentário "Notícias de uma guerra particular", de João Moreira Salles, o capitão Pimentel pediu baixa da PM em abril desse ano. Aos 30 anos, mesmo tendo aposentado a farda, ele não entrega suas armas, mantendo a postura crítica em relação à política de segurança do estado. Pimentel falou à Geração sobre a banda podre da polícia, liberação de drogas, e apresentou soluções para uma cidade mais tranqüila.
Sua participação no documentário "Notícias de uma guerra particular", de João Moreira Salles,foi muito criticada.
Eu fui escalado para acompanhar o João dentro do BOPE, para não deixá-lo muito à vontade dentro do batalhão. Depois de um dia inteiro de filmagens eu falei: "João, tudo o que você viu aqui é uma grande mentira, nada funciona do jeito que você está vendo. A política de segurança pública se resume a operara em favelas. Em matar, matar, matar. Em morrer, morrer, morrer". Quando o general Nilton Cerqueira assumiu a Secretaria Estadual de Segurança Pública (no governo Marcello Alencar), instituiu uma política de confronto que foi de um descontrole total. A prioridade eram as operações em favelas para prender e matar marginais, e apreender armas e drogas. Nós ficamos quatro anos morrendo como nunca morremos, e matando como nunca matamos. Chegamos a ter dois policiais baleados por dia, e um morto a cada dois. Os índices de segurança permaneceram os mesmos e a população continuou a se sentir insegura.
E quando você teve consciência disso?
Eu sempre comentava com meu pai, que era militar, o resultado de nossas operações. "Essa semana matamos cinco, seis marginais..." Foi quando ele disse: "Filho, eu sou da classe média. Não estou preocupado que você vá à favela e mate seis ou sete. Estou preocupado é em caminhar na praia com a sua mãe e ver policiais na rua". Foi aí que vi que estávamos distantes dos anseios da população. Até quando morre um traficante no morro do Alemão, aquilo não diz nada aos moradores. O que eles gostariam é de acordar e ver a polícia trazendo mais tranqüilidade para a comunidade.
Então, qual seria o caminho para a Polícia Militar, hoje?
É fazer exatamente o que a população espera dela. Dar segurança. Se a polícia ouvir mais a sociedade, vai saber o que ela quer. A sociedade não quer uma polícia fazendo operação em favela toda noite. Ela quer uma polícia lá, constantemente.
As "blitzes" dariam esta segurança?
Não. A maioria das pessoas tem medo da blitz. Primeiro, porque elas são facilitadoras da corrupção. O policial que está fazendo a blitz não está devidamente orientado, fica apontando o fuzil quando não deveria apontar. E quando tem apenas um carro, a gente já sabe que é coisa armada. Então, a blitz já deixou de dar segurança. Hoje ela causa desconforto.
Existe algum tipo de controle sobre o que a polícia está fazendo nas ruas?
Não existe nenhum mecanismo de fiscalização. O policial faz o que quiser na rua. Todas as denúncias recentes envolvendo violência ou corrupção policial são feitas pela imprensa, pela população ou pelos próprios traficantes. Nenhuma pela corregedoria da PM. Aí você vê o quanto nossos mecanismos são frágeis. Não tem fiscalização, não tem supervisão. Se a Polícia Militar fosse uma empresa, certamente estaria sofrendo uma auditoria.
Isso não acaba influenciando na questão da honestidade?
A falta de honestidade está diretamente ligada à questão dos baixos salários. Não que um salário alto vá acabar com a corrupção, mas vai acabar com os R$ 20,00 da "cervejinha". Porque hoje, a "cervejinha é a cesta básica, o leite em pó do filho. Se você tivesse um salário de R$ 1500,00, atrairia pessoas da classe média que utilizariam a polícia como uma ponte para outras carreiras. Seriam pessoas mais cultas, menos preconceituosas.
Falta instrução para a PM?
Nunca foi tão fácil entrar para a Polícia. Hoje são admitidos quatro mil policiais por ano. As turmas com o maior nível de escolaridade foram também as de maior evasão. Porque são mais questionadores, se decepcionam rápido. Hoje, o cara já faz o segundo grau pensando em ser PM. Só que não é o segundo grau de 10 anos atrás, é um nível muito mais baixo. E o curso de formação na academia de polícia só dura 90 dias. A PM vai dizer que são seis meses, só que são 90 dias na Academia e o resto é estágio, na rua. Ninguém consegue moldar ninguém nesse tempo.
Quem quer ser policial hoje em dia?
A pessoa que não conseguiu ser trocador de ônibus. O salário é o mesmo e o risco é menor.
Dá para fazer um raio-x da PM hoje?
A Polícia Militar hoje é uma caixa-preta. Ninguém sabe o que acontece lá dentro. Se você ligar para pedir uma estatística de homicídios, você não vai ter.
Mas os números são publicados mensalmente no Diário Oficial.
Os índices da secretaria de Segurança Pública são manipulados. Por exemplo, a Secretaria divulga que acabou com os seqüestros no estado. Mas isso não quer dizer que a polícia esteja mais eficaz. Os seqüestros acabaram porque essa modalidade de crime estava ficando perigosa. E quem era seqüestrador passou a fazer roubo de carga.
A "banda podre" da polícia existe?
Existe.
Mas banda é metade...
Mas eu acho que é a metade. A banda podre existe, sim, mas não é uma organização, tipo "Banda Podre S.A.". Eu prefiro um policial que passa o ano sem prender ninguém, mas que seja decente, honesto, do que um policial bandido que prende dez. Esses caras vão até prender um traficante, mas antes vão "mineirar" (extorquir, na gíria policial) muita gente.
Recentemente, alguns policiais que fazem parte da Força-Tarefa (grupo criado para combater o crime organizado) foram acusados de participar de uma tentativa de seqüestro seguida de extorsão. O que você achou disso?
Isso me deixa chocado. A Força-Tarefa é subordinada ao gabinete do Secretário de Segurança (Josias Quintal, secretário no governo Garotinho, hoje deputado federal pelo PMDB). Pelo menos ali tinha que ter policiais de elite.
O que diferencia um policial comum de um que integra grupos especiais como o BOPE?
Teoricamente, o policial do BOPE era para ter mais treinamento que qualquer outro policial normal. Mas como o BOPE cresceu muito, esse treinamento deixou de existir, e o policial está cada vez mais próximo ao de uma unidade comum. Antes, o policial passava por um cursoonde dava, pelo menos, uns 1500 tiros.
O que você acha dos batalhões especiais?
Se você precisa criar batalhões especiais, é porque alguma coisa não está bem. É o sinal de que o batalhão da área não está trabalhando bem. O GETAM (Grupamento Especial Tático Móvel, criado em 1999 para fazer o policiamento das áreas de alto índice de criminalidade), por exemplo, foi criado para atender a situações emergenciais. Só que se o batalhão da área atendesse à necessidades, você não precisaria do GETAM ali.
Como você avalia o trabalho do GETAM?
O GETAM é uma forma burra de policiamento.
Por que?
Porque engana muito a população. É bom ter dez policiais passando em três carros e depois não passar mais ninguém? Se você dividisse esses homens, ganharia dez ruas com policiamento. Então, essa é uma forma ineficaz de policiamento, que não está presente, que passa e vai embora. Seria melhor diluir esses policiais e ter sempre alguém passando.
Mas isso não funcionaria em toda a cidade...
Não. Há lugares, como a área da [estação de trens] Leopoldina, o buraco Quente da Mangueira, em que você precisa de um policiamento mais forte. Tirando a Zona Sul e o Centro da cidade, a situação do rio hoje é muito perigosa. Não daria para deixar um policial sozinho numa viatura à noite.
Qual seria o lugar mais seguro e o mais perigoso do Rio?
Com certeza os mais seguros são a orla de Copacabana e aLagoa Rodrigo de Freitas. Existe muito policiamento ali. Mas veja bem, só a orla. Se você andar uma rua para dentro, não vê mais ninguém. De perigoso, eu diria que é toda a zona da Leopoldina, Penha, Bonsucesso. O grande Méier, também. Tem muita favela ali, eles fazem muito "bonde" por ali.
Como é que agem os "bondes"?
O objetivo dos bondes é levar armas, drogas e efetivos de uma favela para outra. E se o bonde cruzar com um carro veloz, de quatro portas, ele vai querer levar esse carro. É um roubo com muita violência. Eles querem o seu carro rápido, e estão drogados, nervosos. É bem diferente de um roubo comum.
A secretaria de Segurança gosta muito de anunciar os "inimigos-públicos-número-um". Existe isso mesmo?
Isso é uma mentira. Na primeira vez em que o Marcinho VP foi preso, ele tinha se tornado o inimigo número um por ter dado uma entrevista autorizando o Spike Lee a gravar um clipe [do cantor Michael Jackson] no morro Dona Marta. Aliás, ele foi preso pelo meu batalhão e eu estava de serviço no dia. Ele ofereceu R$ 30 mil para ser solto. Eles simularam que queriam o dinheiro, mas ele não pagou. Não pagou porque não tinha, disse que já tinha sido "mineirado" naquele mês. Que inimigo público número um é esse, que não tem R$ 30 mil para dar pela sua liberdade?
Isso então é um charme da secretaria de Segurança?
É E posso até dizer que o [Fernandinho] Beira-Mar não é tudo isso que dizem.ela não é mais que um varejista de drogas, já passou para um nível intermediário, como o Uê, o Orlando Jogador, o Escadinha [todos líderes de facções do tráfico em diferente épocas, já mortos]. Mas até 1994, só quem tinha servido em Caxias sabia quem era o Beira-Mar. Em 97, conversei com um delegado da Polícia Federal responsável pela Divisão de Entorpecentes e ele não sabia quem era o beira-Mar. Em quatro anos ele ganhou notoriedade, mas não é nenhum Scarface.
Qual foi o maior mico da polícia do Rio?
Sem dúvida o episódio do 174. Ele chocou a população mais do que [os massacres de] Vigário Geral e Candelária. Nesse dois casos foram maus policiais, policiais bandidos que tomaram a iniciativa. O 174 foi uma ação oficial. O que me impressione é que aquilo estava previsto. A única mágoa que eu tenho do tenente-coronel Penteado (José Oliveira Penteado, então comandante do BOPE) é que ele nunca recusou uma missão. Sabia das nossas dificuldades, mas tudo o que mandavam, ele fazia. Isso jogava a nossa eficiência lá embaixo. O Marcelo Santos, policial que errou o tiro, é um ótimo atirador, mas estava cansado. Aliás, estou produzindo um filme com o José Padilha (diretor de "Os carvoeiros", premiado no Sundance Festival) chamado "O outro dia de cão", contando justamente o episódio do 174 [posteriormente, o filme acabou se chamando apenas "Ônibus 174"]. Queremos lançar o filme em junho do próximo ano, perto de completar dois anos da tragédia.
De lá para cá, alguma coisa mudou?
Nada. É uma pena que a morte da Geísa Gonçalves (refém que acabou morrendo no episódio) não tenha servido para nada.a instrução ainda é insuficiente, e o armamento e os equipamentos prometidos na época, até hoje não chegaram.
Você é a favor da legalização das drogas?
Sou. O que já vi de viciado morrer em favela, só para comprar droga, é impressionante. E são pessoas comuns, profissionais liberais, que correm risco à toa. Além disso, o tráfico é o grande facilitador da corrupção policial. A gente tem que parar com essa hipocrisia e repensar esse modelo. Dois terços da população carcerária do Rio são de presos por crimes relacionados ao narcotráfico. Então, com a liberação iria haver também uma redução da população carcerária, o que seria ótimo. O único problema é que haveria um aumento de outras atividades criminosas. Hoje em dia, o cara não assalta banco porque é mais seguro vender cocaína. Mas haveria menos corrupção.
Por que você pediu baixa da corporação?
Eu gostaria de ficar na corporação até o fim da minha vida, como coronel. Mas decidi sair em função da perseguição. Fui preso uma cacetada de vezes por estar pedindo uma polícia melhor. Da penúltima vez, fui preso porque a gente estava recebendo soldados que formaram sem dar um único tiro. É como formar um cirurgião que nunca operou ninguém. O instrumento de trabalho de um policial é a arma. A minha última prisão foi revogada por um juiz que entendeu que o que eu falava era de interesse público. A segurança é pública, pertence à sociedade. Então, porque eu não posso dizer que o governo está comprando essas Blazers, mas não está comprando pneus? Elas estão baixando no batalhão por falta de pneus. Nós ficamos dois anos sem termos baterias. Você chegava no pátio do batalhão e via um monte de carros parados, porque eles não compravam baterias, compravam mais carros.
Você se arrependeu?
Eu acho que tenho que falar muito mais. Essa catarse é importante para quem tenha saído da polícia. Tem muita gente que pensa como eu lá dentro, mas que não fala porque não tem coragem, porque sabe que vai preso. Gente que sabe que a polícia hoje não está bem. Até o Comandante-Geral da PM, coronel Wilton Ribeiro, sabe disso. Ele falou dia desses numa reunião que o padrão de qualidade está caindo, mas que a ordem do governador é contratar o maior número de policiais, mesmo que isso reduza a qualidade.
desabafo na nuca
tô de saco cheio de arrastar esqueletos de histórias mal-resolvidas, de saco cheio de me acovardar, de andar com medo de ser apontado por conta de algum equívoco que ficou mal-esclarecido. vontade de dizer um caralho! puta que o pariu!, mas acho que não pega bem. enfim, é isso mesmo: tem que meter as caras, parceiro! vai tentando remendar as pontas das merdas passadas com ações profiláticas agora. não dá é para bancar a carolina e ficar vendo o tempo passar na janela. o mundo corre, os afetos tão comendo solto, e tem uma porção de coisas a conquistar.
como dizia a velha canção composta por joão e por mim numa longíqua noite de substâncias estupefaciantes, "veja que isso é passado/ veja/ deixa o medo de lado/ enfrenta/ veja, faz tanto tempo".
mas lembre-se: nem só de flauta vive o homem. é preciso empenho e atenção ao processo.
boa sorte para mim mesmo.
22 fevereiro 2005
minuto de silêncio
foi o dude quem me cantou a pedra, via msn: hunter s. thompson, ou raoul duke, morreu na noite do dia 20 (no mesmo dia morria a virginal atriz sandra dee. talvez haja algum tipo de ironia divina nisso, mas, sinceramente, o sentido me escapa). meteu um balaço nos cornos. como hemingway. como maiakovski. pai do jornalismo-gonzo (segundo o próprio thompson, o termo significa "com total comprometimento, total concentração, e uma petulância meio louca"), por baixo da capa de doidão bizarro, o cara era um puta texto. seu livro sobre os hell's angels, de 1967, que agora saiu em português, é uma aula de jornalismo investigativo, sem ser arrogante ou presunçoso.
esse blog está de luto, em homenagem ao jornalista que todos os coleguinhas gostariam de ser.
leiam as notícias abaixo (todas com quase o mesmo lead, reparem):
san francisco chronicle
the guardian
abc news
aspen times
cnn news
blog dvorak uncensored (dia 21/02)
em português:
terra
sobre os livros:
observatório da imprensa
sobrecarga
texto do caboclo:
scream & yell
por enquanto é isso aí, pe-pe-pessoal!
21 fevereiro 2005
desabafo
assistir pela segunda vez o informante reforçou meu comprometimento com a realização da justiça maior, benção e maldição apontada a mim por meu pai xangô (caô cabecile!).
por isso me tornei jornalista; por isso pretendo fazer com que paguem os que tiraram proveito das minhas melhores capacidades, submetendo-me as piores humilhações e à degradação de meu corpo e espírito nos últimos sete meses.
por isso sou contra um sistema cuja principal característica é a exploração do homem pelo homem; por isso tenho como missão maior abrir os olhos dos quem me cercam, para que vejam como somos silenciosamente conduzidos ao moedor que cria monstruosidades a partir dos nossos sonhos. e para que, cada vez menos pessoas sejam vítimas do mesmo conto do vigário em que caí.
podem dizer que estou impregnado de messianismo demagógico, mas foi sobre esse emaranhado torto que construí minha razão de viver. e é a partir dele que construirei as ferramentas que me levarão à redenção, o que quer que isso signifique.
não tenho mais tempo a perder.
19 fevereiro 2005
dedução lógica
Muito já foi dito sobre a responsabilidade do PT e do governo Lula na eleição de Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara. Soberba, incompetência, teimosia, teve de tudo nessa novela com final imprevisto.
Falta registrar apropriadamente a responsabilidade dos cardeais da oposição na eleição desse rei do baixo clero. Que argumentos terão os luminares do PSDB e do PFL para terem votado em Severino?
Será que vale o preço de ter eleito um político como ele para o cargo de presidente da Câmara. A política se resume a esse olho por olho, dente por dente?
Quem são, afinal, os 300 Severinos?
retirado do post de quinta-feira, 17/02 do markun, que por sinal, continua matando a pau.
17 fevereiro 2005
phoder não é para todos
se fosse ser mais objetivo, diria que não é para ninguém; mas certamente uns estão muito menos preparados para recebê-lo do que outros. vide o caso do novo presidente da câmara, severino cavalcanti (quem?), do pp.
o pernambucano, representante do "baixo-clero" da casa, mal esquentou a cadeira e já disparou pérolas de fazer o macaco tião tomar guaraná com formicida: propõe, como plataforma, o aumento do salário dos confrades de 12 para 21 mil estalecas (igualando-o ao de ministro de estado); desaprova a redução do receso parlamentar de 90 para 30 dias; é contra o aborto (inclusive para vítimas de estupro com b.o. lavrado) e a união legal entre homossexuais; e, para coroar, sugere aumentar para seis anos, sem reeleição, o mandato do presidente, a quem se referiu como "dutra". pergunta: essa múmia consegue encontrar o próprio traseiro numa sala mal iluminada?
dessa vez, a oposição na câmara mordeu o próprio rabo. severino cavalcanti é a prova viva do retrocesso e do phoder corporativista do legislativo, e, pelo andar da carruagem, vai conquistar a antipatia da população em pouquísimo tempo. para mais informações sobre o caboclo, procurem o post de 15 de fevereiro do paulo markun, "os trezentos de severino".
até quando a gente vai deixar esses palhaços terem controle sobre nossa vida?
16 fevereiro 2005
preste atenção em quem te sacaneia...
qual não foi minha surpresa, ao tomar conhecimento da aprovação da medida que isenta a cobrança de estacionamento em shoppings, da astúcia do nobre deputado noel de carvalho, líder do garotinho na alerj:
As emendas apresentadas ao projeto foram de Flávio Bolsonaro (PP) que aumentou de 20 para 30 minutos o tempo de tolerância nos shoppings sem pagar estacionamento. A outra, apresentada por Noel de Carvalho (PMDB), retiraria do texto a obrigatoriedade dos shoppings exibirem cartazes informando do benefício, mas foi rejeitada.
a maioria de seus colegas era favorável à medida, que também teve apoio da associação comercial do rio de janeiro, e da associação de lojistas de shopping do estado, noel tentava beneficiar o lobby dos shoppings, levando cidadãos como eu e você à desinformação e ao prejuízo.
já sofri o desprazer de um contato indireto com esse senhor, e não poderia esperar outra atitude. não foi por acaso que, em 2003, ele foi acusado de manter trabalho escravo em uma de suas propriedades. retrato da corriola política que cerra fileiras com o casalzinho que se apossou do estado.
Casal Garotinho vai processar ator da Globo
15/02/2005 - 20h57m
Carla Rocha - O Globo
RIO - A governadora Rosinha Matheus e seu marido, secretário de Governo do Rio, Anthony Garotinho, decidiram processar o ator Eduardo Moscovis que teria dito, numa entrevista à Revista Veja, que se inspirou no casal para compor o personagem Reginaldo, o prefeito corrupto da fictícia Vila São Miguel, da novela Senhora do Destino, da TV Globo. O casal Garotinho já contratou o advogado Sérgio Mazzillo para processar Moscovis por calúnia e difamação.
se esses zinhos estivessem empenhados em governar, em vez de tentar criar uma imagem de oposição ao governo federal, com prejuízo para população carioca e do estado, isso provavelmente não teria acontecido. ora, vão trabalhar, vagabundos!
15 fevereiro 2005
conselho para a (morto) vivo
não adianta patrocinar mil eventos culturais, se a prestação do serviço continua sendo tratado como acessório.
a propósito, dessa operadora eu poso falar mal de carteirinha: deixei-a depois de ter meu saco esmigalhado pelo mau atendimento, pelo descaso com os clientes, e pelas tarifas extorsivas e nebulosas.
vivo, nem morto!
09 fevereiro 2005
malcolm x e a revolução negra
desde que vi o filme malcolm x, do spike lee, a figura do ativista negro me intrigou -- pela militância pelos direitos humanos dos irmãos de cor, e pelo fato de ser muçulmano. recentemente, em viagem de trabalho aos estadozunidos, comprei sua autobiografia, ditada ao jornalista alex haley, autor de um livro sobre suas origens africanas, raízes. é esse mesmo que você pensou, o que depois virou minissérie.
o pau comeu solto aqui em casa, porque sou totalmente favorável à política de fazer pressão, mesmo que isso implique em uso de violência (o que não foi o caso, nem aqui, nem com o malcolm x), e a tati, não. o negócio dela é martin luther king. sou um tipo irascível, que acredita que só se consegue peitar o poder pela força. um dia levarei isso para as minhas resoluções pessoais e profissionais, mas isso é outra história.
enfim, o fato é que, depois do livro, saí em busca de mais informações sobre "al-hajj malik al-shabazz", como o malcolm x se auto-intitulou depois da viagem à meca (a tradução do nome seria algo como "peregrino do senhor da terra sagrada").
uma das coisas que achei foi a canção niggers are afraid of revolution, do grupo "the last poets", cuja letra, um rap dos anos 70, com inserções de discurso do líder negro, reproduzo abaixo (é grande, mas foda-se, tomei algumas, e o que importa é o que importa):
Revolution - The Last Poets
Niggers are scared of revolution
But niggers shouldn't be scared of revolution
Because revolution is nothing but change
And all niggers do is change
Niggers come in from work and change into pimping clothes and hit the streets to make some quick change
Niggers change their hair from black to red to blond and hope like hell their looks will change
Nigger kill other niggers
Just because one didn't receive the correct change
Niggers change from men to women, from women to men Niggers change, change, change
You hear niggers say 'Things are changing? Things are changing?'
Yeah, things are changing
Niggers change into 'Black' nigger things
Black nigger things that go through all kinds of changes
The change in the day that makes them rant and rave Black Power! Black Power!
And the change that comes over them at night, as they sigh and moan: White thighs, ooh, white thighs
Niggers always goin' through bullshit change
But when it comes for real change,
Niggers are scared of revolution
Niggers are actors, niggers are actors
Niggers act like they are in a hurry to catch the first act of the 'Great White Hope'
Niggers try to act like Malcolm
And when the white man doesn't react toward them like he did Malcolm
Niggers want to act violently
Niggers act so coooool and slick causing white people to say: What makes you niggers act like that?
Niggers act like you ain't never seen nobody act before
But when it comes to acting out revolution Niggers say: 'I can't dig them actions!'
Niggers are scared of revolution
Niggers are very untogether people
Niggers talk about getting high and riding around in 'els'
Niggers should get high and ride to hell
Niggers talk about pimping
Pimping that, pimping what
Pimping yours, pimping mine
Just to be pimping, is a helluva line
Niggers are very untogether people
Niggers talk about the mind
Talk about: My mind is stronger than yours "I got that bitch's mind uptight!"
Niggers don't know a damn thing about the mind
Or they'd be right Niggers are scared of revolution
Niggers fuck. Niggers fuck, fuck, fuck
Niggers love the word fuck
They think it's so fuckin' cute
They fuck you around
The first thing they say when they're mad: 'Fuck it'
You play a little too much with them
They say 'Fuck you'
When it's time to TCB,
Niggers are somewhere fucking
Try to be nice to them, they fuck over you
Niggers don't realize while they doin' all this fucking
They're getting fucked around
And when they do realize it's too late
So niggers just get fucked up
Niggers talk about fucking
Fuckin' that, fuckin' this, fuckin' yours, fuckin' my sis
Not knowing what they're fucking for
They ain't fucking for love and appreciation
Just fucking to be fucking.
Niggers fuck white thighs, black thighs, yellow thighs, brown thighs
Niggers fuck ankles when they run out of thighs
Niggers fuck Sally, Linda, and Sue
And if you don't watch out Niggers will fuck you!
Niggers would fuck 'Fuck' if it could be fucked
But when it comes to fucking for revolutionary causes
Niggers say 'Fuck revolution!'
Niggers are scared of revolution
Niggers are players, niggers are players, are players
Niggers play football, baseball and basketball while the white man cuttin' off their balls
When the nigger's play ain't tight enough to play with some black thighs,
Niggers play with white thighs to see if they still have some play left
And when there ain't no white thighs to play with
Niggers play with themselves
Niggers tell you they're ready to be liberated
But when you say 'Let's go take our liberation'
Niggers reply: 'I was just playin'
Niggers are playing with revolution and losing
Niggers are scared of revolution
Niggers do a lot of shootin'
Niggers do a lot of shootin'
Niggers shoot off at the mouth
Niggers shoot pool, niggers shoot craps
Niggers cut around the corner and shoot down the street
Niggers shoot sharp glances at white women
Niggers shoot dope into their arm
Niggers shoot guns and rifles on New Year's Eve
A new year that is coming in
The white police will do more shooting at them
Where are niggers when the revolution needs some shots!?
Yeah, you know.
Niggers are somewhere shootin' the shit
Niggers are scared of revolution
Niggers are lovers, niggers are lovers are lovers
Niggers love to see Clark Gable make love to Marilyn Monroe
Niggers love to see Tarzan fuck all the natives
Niggers love to hear the Lone Ranger yell "Heigh Ho Silver!"
Niggers love commercials, niggers love commercials
Oh how niggers love commercials: "You can take niggers out of the country, but you can't take the country out of niggers"
Niggers are lovers, are lovers, are lovers
Niggers loved to hear Malcolm rap
But they didn't love Malcolm
Niggers love everything but themselves
But I'm a lover too, yes I'm a lover too I love niggers, I love niggers, I love niggers
Because niggers are me
And I should only love that which is me I love to see niggers go through changes
Love to see niggers act
Love to see niggers make them plays and shoot the shit
But there is one thing about niggers I do not love
Niggers are scared of revolution
05 fevereiro 2005
na mira
também tô baixando outro filme da diretora egípcia jehane noujaim (ver bostejo abaixo). é startup.com, documentário de 1999, sobre a famosa "bolha" da internet. a história é contada a partir de dois moleques que criam uma pontocom, que acaba por encarnar essa excrescência econômica em todas as suas fases -- começo mambembe, lucros exorbitantes sem razão de ser, e finalmente, estouro depois de um ano.
para quem estava lidando com algo parecido na época, a coisa promete. veremos.
mídia de guerra
acabei de assistir ao documentário control room, da cineasta egípcia jehane noujaim, sobre a cobertura da guerra do iraque pela rede de tevê al jazeera, do qatar.
trata-se de um importante registro sobre os bastidores de uma cobertura jornalística, sobre manipulação, propaganda (no sentido goebblesiano do termo) e objetividade. o período abordado vai desde os primeiros momentos da invasão até a tomada de bagdá. é interessante ver a primeira emissora independente do oriente médio espremida entre dois fogos, estadozunidense e iraquiano, acusada de parcialidade; e como, em retaliação, as forças do wc bullsh bombardeiam o escritório da emissora na capital iraquiana -- matando o correspondente tarik ayyoub -- e mais outras duas emissoras de tv.
na verdade, a má vontade de bullsh com a al-jazeera não é nova, tendo-se em vista que suas forças militares já haviam feito o mesmo no afeganistão. um trecho da notícia copiada do the guardian (o resto tá aqui):
The antagonism between Washington and Al-Jazeera goes back to the 2001 bombing of Afghanistan when, after the station showed a tape of Osama bin Laden, a US cruise missile hit the Kabul bureau. Then in April, after beaming pictures of Iraqi civilians mutilated by US air raids and tape of American prisoners in Iraqi hands, a US jet targeted the Baghdad bureau, killing a reporter. Al-Jazeera had earlier given the co-ordinates of the offices to the Pentagon to prevent any accidental bombing.
ah, só como curiosidade: apesar de ter papado um monte de prêmios, o filme não foi selecionado para o oscar. um doce para quem adivinhar o motivo... espero que não demore muito a estrear aqui.
02 fevereiro 2005
gênios da publicidade 2
dando segmento ao bostejo anterior, pergunto quem é mais beócio: o marketeiro que cria um slogan para café que diz "faça com amor, faça pimpinela", ou o cliente que o aprova?
UPDATE:
não é "faça com amor...", é pior: "faça bonito, faça pimpinela".
isso não pode ser sério...
01 fevereiro 2005
coisa de viado (gênios da publicidade)
o único seriado que eu assisto é csi (tenho um tesão declarado pela jorja fox, da versão "las vegas"). monk também é legal, mas nunca acerto o horário. enfim, o mesmo canal apresenta outro programa, que se passa nos cassinos da cidade. reparei que, no comercial deste, entre cenas de dados e roletas, aparecem uns maços de dinheiro, seguidos de legendas como "grana", "bufunfa" e "aqüé". o último nome me deixou intrigado, e fui procurar respostas com a mãe das inutilidades -- a internet. eis que descobri a palavra é de uso corrente no mundo gay. pesquisas com outras fonte me levaram à conclusões mais conclusivas: o jargão é de travestis.
acredito que o gênio paulista do marketing que bolou esse comercial deva estar bem familiarizado com a classe, para manjar do "bajubá". ou seja, ele provavelmente deve ser uma "kika" "encubada" acostumada a "morder fronha". mêda!
31 janeiro 2005
email para marilene felinto
marcelo to marilenefelinto
assunto: mais sobre a cerveja
Olá, Marilene
Sou "coleguinha" e seu leitor há algum tempo, não tão assíduo quanto gostaria, mas sempre que posso, saboreio seus artigos. Mais uma vez, não me decepcionei com o "Barriga de cerveja" (não deu para puxar o link), publicado na CA do Olivetto. Outro gol de placa. Só faltou se ater ao eufemismo publicitário do "aprecie com moderação". É uma bela manobra para disfarçar o imperativo "beba", semanticamente associado com vício, desvio. Dizer que alguém "bebe", teve sempre uma conotação depreciativa ou reprovadora. O "aprecie" tenta nos fazer esquecer que o que se está fazendo ao consumir cerveja é beber mesmo.
À nossa! Abraço,
Marcelo.
30 janeiro 2005
o tempo passa, o tempo voa, e nada muda
Esta nossa sociedade é absolutamente idiota. Nunca se viu tanta falta de gosto. Nunca se viu tanta atonia, tanta falta de iniciativa e autonomia intelectual! É um rebanho de Panúrgio, que só quer ver o doutor em tudo, e isso cada vez mais se justifica, quanto mais os doutores se desmoralizam pela sua ignorância e voracidade de empregos. Quem quiser lutar aqui e tiver de fato um ideal qualquer superior, há de por força cair. Não encontra quem o siga, não encontra quem o apóie. Pobre, há de cair pela sua própria pobreza; rico, há de cair pelo desânimo e pelo desdém por esta Bruzundanga. Nos grandes países de grandes invenções, de grandes descobertas, de teorias ousadas, não se vê nosso fetichismo pelo título universitário que aqui se transformou em título nobiliárquico. É o Don espanhol.
lima barreto - o cemitério dos vivos
28 janeiro 2005
antes tarde...
depois de um tempão, fui ao relatório alfa, e descobri que a história das urnas eletrônicas é velha...antes um repórter atrás de fatos antigos do que um repórter acomodado. de qualquer forma, quem quiser dar uma olhada, o artigo do aldo novak tá aqui...
o terrorista até que não é um mau rapaz...
de novo sobre o terceiro dia de 24 horas (será que os seriados são um dia atrás do outro? haja bolinha, mesmo que seja para agüentar um dia de jack bauer. acho que o dea tinha que ficar ligado no seu pessoal, em vez de querer cheirar o rabo das farc).
nesse terceiro dia, um terrorista tá querendo arrepiar o presidente dos EUHein com um vírus mortal. e a pergunta que não queria calar (quais são as exigências do caboclo?) foi finalmente respondida: o camarada, ex-agente do mi6 (serviço secreto inglês), quer acabar com as atrocidades estadozunidenses, desmantelando as operações militares do país em operação no mundo. e para isso exige a identidade dos espiões atuantes espalhados pelo mundo. alô, bono vox! alô fórum social mundial! o cara merece cadeia ou medalha?
esses roteiristas sabem mesmo como fazer a gente torcer pelo vilão...ou melhor, quem é o vilão agora? como diz o michael moore em the big one: quem é o terrorista? o camarada que explode um prédio com um monte de gente dentro; ou um camarada que o explode depois de despedir todas as pessoas que nele trabalhavam, e que conseqüentemente estarão sub ou desempregadas, alcoólotras, sem amparo oficial, até serem finalmente despejadas de suas casas e caírem na criminalidade?
e não me venham falar de vítimas, que eu esfrego na cara o número de mortos em todo o mundo pelas ditaduras apoiadas pelo amerdican way of life, e os inocentes detonados em guerras sujas patrocinadas pela linhagem de carniceiros que gerou o george wc bullsh.
27 janeiro 2005
morreu carlos cortéz.
só hoje fiquei sabendo que carlos cortéz koyokuikatl, muralista, poeta e gravador mexicano, nascido em milwau...nos estadozunidos, juntou-se no dia 19 ao seu mestre posada.
pacifista e anti-capitalista - sistema que, para ele, buscava "enganar o homem comum através do pagamento de um salário mínimo" - , cortéz acreditava no papel ativo da arte. desde 47 integrou o movimento mundial dos trabalhadores industriais (iww), e colaborou com ilustrações para diversas publicações sindicais. o teor de seus trabalhos era de crítica social, retratando a realidade dos indígenas e das populações marginalizadas.
cortéz deixou mais de cem matrizes de madeira e linóleo aos cuidados do museu central de belas artes mexicanas, em chicago. uma das condições estipuladas foi a de que, se suas obras alcançassem preços altos, mais reproduções deveriam ser impressas, para reduzir os valores.
que te vaya bien!
26 janeiro 2005
que interessante é o mundo corporativo...
estava eu em lorena (sp), fazendo a contra-regragem da tati arrumando sua vida bancária; enquanto ela digitava os números que iam engolir o dinheiro que ela não tem (é até covardia falar da minha penúria), meu olhar vagou de bobeira pelo ambiente, até parar no logo do caixa eletrônico: diebold. para quem chegou agora, a mesma firma responsável pela apuração da eleição ianque, citada abaixo. além de alegar liderança no setor de automação bancária, a empresa também produz a nossa velha conhecida urna eletrônica.
então, vamos recapitular: 1) uma das duas únicas empresas responsáveis pela apuração dos votos nos estadozunidos também produz as urnas eletrônicas de lái e daqui. só que lá, a geringoça não oferece canhoto do voto (aqui, sim), e por isso, foi proibida em uma porrada de estados, já que seu sistema era tão inviolável quanto bangu 1. 2) a ficha corrida da cúpula da companhia é de fazer o fernandinho beira-mar corar de vergonha, e uma das várias condenações do presidente da companhia, jeff dean, foi por instalar um backdoor no software das urnas (permitindo assim acesso ao sistema, e capacidade para alterá-lo, mesmo depois de implantado). 3) a empresa que produz as urnas estadozunidenses comprou a brasileira procomp, que produz não apenas as urnas brasileiras (supostamente invioláveis), mas também caixas eletrônicos de 15 instituições bancárias, incluindo do banco do brasil.
não sei muito bem quais relações podem ser inferidas a partir dos fatos, mas só o pensamento me arrepia o espinhaço.
20 janeiro 2005
é como diz o povo: onde há fumaça...
vejo o otávio mesquita apresentando seu carro de corrida na tv. atrás dele, um painel da pfizer, o laboratório fabricante do viagra. o que me leva a confirmar os boatos sobre a relação inversamente proporcional entre a potência do automóvel e o tamanho & funcionalidade do órgão reprodutor masculino.
uruguai, quem diria!?
às vezes me acontecem umas coisas que deixam minha consciência pesada: como por exemplo, o fato de passar quase uma vida inteira sem dedicar um pensamento sequer ao uruguai (já sei, o nelson rodrigues fez o mesmo com o piauí, mas minha consciência é macha e não se esconde, ela assume até os plágios).
sei que isso não é bom, mas não fosse pela trágica derrota que nos foi infligida em 50 (logo em seguida, ao que parece, uma praga rogada por quase 52 milhões de brasileiros enterrou para sempre seu futebol), o mundo talvez achasse até hoje que o pequeno país ao sul ainda era a gloriosa Província Cisplatina do Brasil (até que somos bonzinhos, afinal).
mas não tô aqui para falar mal do uruguai, que afinal, também tem o que dizer: seja pela voz do jaime roos, seja pela força do exemplo dos guerrilheiros tupamaros - que, ao contrários de alguns sulamericanos pelegos e safados, não quiseram lamber bota de latifundiário bancado pelo tio sam, e não temeram dar a cara a tapa. enfrentaram no peito e na raça, muitos morreram, mas deixaram claro que podem até nos ganhar, mas não vão levar fácil. e vivam os sandinistas, montoneros e zapatistas, que souberam dizer não.
daí que me dá uma baita vergonha ver gente que não honra nem a própria bandeira, nem a do país que o acolheu, vir me criticar, quando não tem nem coragem de se mostrar. seja homem, cabrón, e pare de lamber o saco de quem causa a miséria dos teus irmãos e te mantêm em berço esplêndido de boçalidade.
19 janeiro 2005
dan fante mata a pau
o filho do velho arturo bandini, alterego de john fante, resume tudo o que eu disse nos últimos bostejos:
Americans are getting fatter and fatter. We're eating our way to the promised land -- and Disney Land -- and Stupid Land.
(...)
Right now America has a huge middle class, many million very rich people, but a shitload of poverty too. Over 70% of Americans have bad credit. We're fat, we're greedy, and we don't give a shit. Our religion is TV. Our savior is Bill Gates. We've learned our lessons well. We know how to put number one first.
(...)
The British are civilized. People still read and some conversations can be interesting. By contrast American are fat and stupid and so thoroughly brain-blurred and over-sold by our culture that there's a numbing, unapologetic, arrogance and desperation about us. In fact, I've just defined the perfect consumer.
retirado de uma entrevista para a edição de junho da revista inglesa 3m. quem estiver afiado no idioma de shakespeare, pode dar uma bordejada aqui.
caso encerrado.
demo + cracia = poder do demo?
20 fatos impressionantes sobre as eleições nos Estados Zunidos. tarrado do interactivist info exchange. tá em inglês, mas vale a pena. e ainda querem me convencer de que o esse imenso subúrbio ao norte do méxico é a maior democracia do mundo. puá!
update:
dane-se! é bom demais para não reproduzir. no primeiro link acima, estão disponíveis confirmações para cada um dos fatos citados a seguir. detalhe: tudo diz respeito às eleições realizadas agora, em 2 de novembro.
20 fatos impressionantes sobre as eleições nos Estados Zunidos
Você sabia...?
1. 80% de todos os votos nos EUhein são contados por apenas duas companhias: Diebold e ES&S.
2. Não há nenhuma agência federal com autoridade reguladora ou de vigilância da indústria das máquinas de votação nos EUhein.
3. O vice-presidente da Diebold e o presidente da ES&S são irmãos.
4. O presidente e CEO da Diebold é um dos maiores organizadores e doadores da campanha de bushinho, e escreveu em 2003 que estava "comprometido em ajudar Ohio a entregar seus votos ao presidente no ano que vem".
5. O senador republicano Chuck Hagel foi presidente da ES&S. Ele chegou ao senado baseado nos votos contados pelas máquinas da ES&S.
6. O senador republicano Chuck Hagel, há muito ligado à familia bush, foi recentemente pego mentindo pelo Comitê de Ética do Senado sobre sua propriedade da ES&S.
7. O senador republicano Chuck Hagel estava numa pequena lista de candidatos a vice-presidentes de bushinho.
8. ES&S é o maior fabricante de máquinas de voto nos EUhein e conta quase 60% de todos os votos estadunidenses.
9. As novas máquinas de tela sensível da Diebold não oferece nenhuma confirmação impressa dos votos. Em outras palavras, não há como verificar que os dados que saem são os mesmos que foram inseridos pelos eleitores.
10. A Diebold também produz caixas eletrônicos, scanners de pagamento e máquinas de tíquete, todas em que as transações produzem confirmações impressas.
11. A Diebold está baseada em Ohio.
12. A Diebold empregou cinco criminosos condenados como altos diretores e desenvolvedores para ajudar a escrever o código do principal computador compilador que contou 50% dos votos em 30 estados.
13. Jeff Dean, Vice-Presidente Senior da Diebold e programador senior do ´codigo de compilação da Diebold, tem 23 condenações por roubo em primeiro grau.
14. Jeff Dean, Vice-Presidente Senior da Diebold, foi condenado por implantar acessos clandestinos (backdoors) em seu software e utilizar "alto grau de sofisticação" para evitar sua detenção por dois anos.
15. Não foi permitido a nenhum observador internacional acompanhar a apuração dos votos em Ohio.
16. A California baniu o uso das máquinas da Diebold porque a segurança oferecida era muito ruim. Apesar das alegações da empresa de que os registros de atividade não poderiam ser violados, até um chipanzé era capaz de fazê-lo (tinha um link para um filme, mas deu chabu).
17. 30% de todos os votos dos EUhein realizados em máquinas de tela sensível sem confirmação impressa.
18. Todos - não alguns, mas todos - os erros das máquinas de voto detectados e relatados na Flórida foram favoráveis ao bushinho ou aos candidatos republicanos.
19. O gevernador da Flórida é irmão de bushinho.
20. Sérias anomalias na votação na Flórida - mais uma vez a favor de bushito - foram demonstradas matematicamente demonstradas, e especialistas recomendam mais investigações.
E, para terminar:
Para sua informação: Homem do Ano da revista Time...
Adolph Hitler, Homem do Ano, 2 de Jan., 1939
George W. Bush, Pessoa do Ano, 19 de Dez., 2004
18 janeiro 2005
ode aos estados zunidos
prestes a levar um calote histórico, aflora toda minha ira insana: odeio os estados zunidos! odeio os americanos, odeio sua arrogância para com o resto do mundo. acho que o país é mesmo o grande satã, e que um 11 de setembro foi pouco. faltou a sede do fmi e do banco mundial.
acho que a gente não tem que pagar porra nenhuma a eles. capitalismo é o caralho! a gente devia era cortar logo qualquer tipo de relações diplomáticas e comerciais.
sou latino, chicano, cucaracho, e sou muito melhor do que vocês, seus ignorantes de merda! tomara que morram todos empanturrados de hamburgueres e donuts!
hei de assistir om dia em que este grande campos dos goytacazes do hemisfério norte ruirá, e a américa sapateará sobre os destroços.
ufa! passou...
Brasil pode reduzir pobreza sozinho, diz a banca
Relatório da ONU diz que 0,54% do PIB das nações desenvolvidas reduziria a miséria mundial pela metade até 2015 (tá no jb, mas não consegui puxar o link)
NOVA YORK - O Brasil não precisa de ajuda externa para combater a pobreza. O país pertence a um grupo de nações em desenvolvimento e de renda média capaz de financiar com recursos próprios programas para cumprir as chamadas Metas do Milênio, estabelecidas pelos Estados-membros da ONU, em 2000, a fim de reduzir a extrema pobreza no mundo pela metade, até 2015. A conclusão é do estudo ''Investimento no desenvolvimento: um plano prático para alcançar os objetivos do Milênio'', elaborado por especialistas a pedido da ONU e divulgado ontem.
O Brasil é citado ao lado de nações como a China, a Índia e a Malásia. O documento diz que até 30 países da África devem receber rapidamente doações dos países ricos para lidar com a pobreza e doenças como a malária e a Aids.
O documento, elaborado sob o comando do economista americano Jeffrey Sachs, diz que mais de 500 milhões de pessoas serão retiradas da pobreza extrema e 30 milhões de crianças serão salvas se os países ricos dobrarem a ajuda às nações em desenvolvimento nos próximos 10 anos. (...)
esse papo de as nações ricas ajudarem a acabar com a pobreza já tá virando papo antigo, mas ainda não descobri qual é a mutreta que tá por trás do lance. já no que diz respeito ao brasil, ficou claro que, para a gente, neca de dindim da banca...
aliás, "nação em desenvolvimento" significa o quê? "pobre, mas limpinho"?
2005 começou atravessado
primeiro foi o will eisner, agora o bezerra da silva (aliás, bom artigo sobre o malandro número 1 do brasil aqui). mas o garotinho, que é bom, nada?
é isso um homem?
desde o fim do ano passado, a tv a cabo vem anunciando a estréia de um tal "canal para homens". na minha concepção, homem só pensa em três coisas: mulher, mulher, e como conseguir mulher. com intervalos para uma cervejinha e um futebolzinho para relaxar. daí que, toda vez que passava um comercial sobre o assunto, eu pensava "vem merda por aí".
não deu outra. o nome da bagaça é "fx", e apregoa que exibe "o que o homem vê". fui procurar no dicionário "onláine" e descobri que a abreviação pode significar uma porrada de coisas, desde "efeitos especiais" a "federal express", passando por "câmbio exterior" (federal exchange). o mais possível é que signifique apenas "fox networks", embora, pela qualidade da programação, eu acredite mais que se trate de um tipo de síndrome para retardamento mental que, segundo minha neurologista de plantão, só acomete homens. isso explica muito...
enfim, segundo a grade disponível no site, há programas sobre automóveis, esportes radicais, filmes de terror, porradaria e comédias babacas; um reality show sobre policiais batendo em negros e pobres, além dos famigerados seriados - que hoje, macaqueando os gringos, chamamos "séries". é sob esse formato infame que entra talvez o único programa que me prenderia em casa. trate-se de um seriado que supostamente acompanha o produtor de pornôs hardcore seymore butts. são duas versões, uma das quais, apregoam "sem cortes". veremos.
tomo a liberdade de uma digressão: não sei quanto a vocês, mas ando farto de "séries". elas tentam cobrir todos os aspectos da vida, mas sempre sob um ponto de vista americanófilo e consumista. tem série sobre tudo: famílas desajustadas, donos de cassino, agentes do governo, advogados bulímicos, mulheres descoladas com a maturidade de ostras, gays engraçadinhos, presidiários barra-pesada, extra-terrestres misteriosos, e por aí vai. mas tudo enquadradinho e quadradinho. isso sem falar nos programas de auto-ajuda que procuram "consertar" as pessoas, para que consumam, consumam, consumam.
voltando ao tema, será que isso tudo é o que o homem quer ver, ou o que os programadores querem nos fazer acreditar que é isso que queremos ver? reparem bem: violência e carros, ok, ambos dão dinheiro, incrementando as duas maiores indústrias americanas, a bélica e a automobilística. mas sexo não pode. certo, sexo também dá dinheiro, e muito, conforme poderiam lembrar os mais espertos. "sim, dá dinheiro, mas não estamos muito familiarizados com o assunto, e além do mais, nos contaram que é sujo, melado, e contrário ao que pregam os mandamentos no quesito fornicação", diriam as centenas de conservadores americanos que ergueram-se em ódio contra o peitinho muxibento da janet jackson exposto na tv, antes de reelegerem bush jr.
mas, como "bízis is bízis", quem quiser ver sacanagem liberada, tem que pagar a mais, lógico. um pacote especial oferece um canal da playboy e outro de sexo explícito. quanto à violência, não há com o que se preocupar, ela está incluída no pacote simples de canais, acessível a qualquer um, a qualquer hora, com todas as variações de intensidade sádica, em todos os matizes de vermelho. liberdade é poder escolher de que forma você quer comprar o seu cadáver.
13 janeiro 2005
"foi uma decepção positiva, senhor presidente"
frase retirada do episódio de ontem "24 horas", quando jack bauer explicava o rolo que estava aprontando para tentar impedir os estados zunidos de embarcarem numa roubada mais uma vez.
será que terceirizaram os dubladores da globo, ou o pessoal foi no embalo, na hora de traduzir "deception"?
09 janeiro 2005
O Grande Vazio
O Grande Vazio (Norman Mailer)
Corporações estão sufocando nossas vidas. Não economicamente, onde elas podem declarar, com propriedade, que trazem prosperidade (e, francamente, não sou versado o suficiente em economia para argumentar sobre esse ponto, a favor ou contra), mas esteticamente, culturalmente, e espiritualmente. Elas achatam tudo. Elas são o Grande Vazio.
gostou? sabe inglês? veja o resto aqui.
08 janeiro 2005
tá no jornal de hoje
Garotinho exige desculpas públicas de Lindbergh.
pergunta que não quer calar: garotinho tem autoridade moral para exigir qualquer coisa, por mais ínfima que seja?
(...) O secretário lembrou que, num encontro com Lindberg antes da posse, eles chegaram a se abraçar:
- Ele nos abraçou e prometeu que ia tentar fazer com que Lula olhasse mais para o Rio. Dá até vontade de dizer o que ele falou sobre o governo Lula. Mas não falo porque não sou mau caráter.
como dizia a velha marchinha, "é ou não é piada de salão?". é por essas e outras, que sou autonomia e não abro.
update:
só falta o pessoal chegar a uma conclusão sobre a grafia correta do nome do prefeito de nova iguaçu.
resultado de pesquisa do globo online
Qual o melhor programa para o carnaval?
Viajar - 58.62%
Ir à praia - 20.24%
Aproveitar os blocos de rua - 13.28%
Ir ao Sambódromo - 7.86%
conclusão: a cidade vai ficar ótima.
07 janeiro 2005
tsunami: também quero
acabei de ficar sabendo, pela globonews, que os países vítimas da tsuruba vão ter moratória. diz o resumo:
Moratória para países vítimas do maremoto
Até agora já foram prometidos mais de US$ 3 bilhões para ajuda emergencial. Doação financeira vai ser coordenada pela ONU em parceria com governos. Eua prometem aumentar ajuda, se necessário.
bom, sou um nostálgico das grandes epidemias. acho que uma boa peste negra, uma espanhola, um ebola, seriam a única solução não apenas para a superpopulação, mas para controlar a incidência de idiotas no mundo. e, como disse há pouco a um amigo, se tivesse certeza de que a coisa melhoraria, entregaria, sem hesitar, meu corpo em hecatombe. tem gente demais, o planeta não agüenta.só de chineses, outro dia foi confirmado, são 1.200.000.000. olha lá o que disse o malthus.
então, começo a achar que essa tal ondona foi um grande achado. além da redução populacional, ainda recebem a moratória, solução sempre cogitada e temida para a dívida e(x)terna nacional. além disso, o tal do fluxo de capitais aumentaria bastante. é um caso a se pensar, é um caso a se pensar...
06 janeiro 2005
primeiro bostejo do ano
faz quase uma semana que 2005 chegou atropelando o ano anterior.
acordo tarde e vou ao banheiro lavar o rosto. à noite, as lentes de contato forçam os olhos a produzir lágrimas, e os despertares são sempre embaçados de remelas. mas esse ano, chega de lágrimas. no more tears, me segreda o johnson's baby shampoo, comprado no fashion mall. ainda bem que sei inglês, senão estaria lascado nesse "brazilzão" gobalizado.
profético, maurício negão recomenda ser o homem esponja da paz,"sempre cantando e absorvendo/ como o homem esponja da paz/ sempre filosofando, com o gelo derretendo/ e o semblante da felicidade". grande negão! se eu tivesse grana, o contrataria para tocar no meu aniversário, para compensar o do ano passado, que não aconteceu por causa do mestrado. mas não posso fazê-lo, porque uns gringos filhos da puta da servgate, me enrolam há uns dez meses para me pagar dois de salário (sendo que eu trabalhei seis meses, mas nos últimos três eles me fizeram trabalhar sem contrato, e, por isso, vou ficar no ora veja, pra deixar de ser otário). descobri da pior maneira que executivos de sucesso preferem assistir a corridas mônaco, do que pagar proletários tupiniquins, que eles devem chamar preconceituosamente de "latinos".
mas tenho que apressar o banho, senão chego atrasado na casa de mamã, e perco a hora do antibiótico para a amigdalite que me deixou fora de combate desde o dia primeiro. vai ver, a dor é uma forma de purgar as merdas que me infligiram (como a citada acima) no ano passado. como naquele filme em que um negão (que não era o maurício) curava os outros e depois cuspia uma nuvem de marimbondos. é isso. mas esse ano não vai ser igual aquele que passou. sou o machado de xangô, e sei que a justiça se fará. mesmo que tenha que cortar algumas cabeças, cuspirei com raios e trovões tudo de ruim que me fizeram. caô, cabecile! deus dê vida longa aos meus inimigos, para que assistam de pé a minha vitória.
mas tudo bem, não guardo mágoas ou rancores. sei que o jogo é assim mesmo. o que importa, segundo negão, é que "na idade que tenho não carrego ilusão/ tive felicidades e tristeza/ agora tenho amor no coração".
e viva dosmilecinco!
never mind the bollocks!...ainda bem que eu sei inglês.
30 dezembro 2004
o último bostejo do ano (2)
correção: há bostejos atrás, eu rejubilava-me com a interjeição "evoé! zut! zut!". queria então este humilde digitante, fazer gracejos com os parnasianos. no entanto, anta que sou, confundi-me. corrige-me o genial cony, em sua crônica "evoé!", registrada no volume "o harém das bananeiras", de 1999. registro-a aqui:
Evoé
Nunca entendi o que quer dizer. Os jornais de antigamente, ao chegar aquilo que chamavam de "tríduo momesco", botavam nas primeiras páginas, em letras garrafais, EVOÉ! - assim mesmo, em maíusculas e com o ponto de exclamação que foi abolido pelos copidesques que vieram depois e introduziram nos textos da redação o pavoroso "diz que".
Evoé era uma senha, talvez de alegria, talvez de esbórnia, e como nada significava realmente, tanto fazia. Os dicionários explicam que era o grito festivo com que se animavam as orgias de Baco, também conhecidas como bacanais. Triste festa e triste animação que necessitavam de tal palavra para dar início aos trabalhos.
nas Cruzadas, diante das hordas heréticas, os grandes de Espanha e os pares de França gritavam para seus comandados: "Deus vult' - Deus o quer! - em português a exclamação é necessária, pois o "vult"latino já contém uma dose razoável de exclamação. Matava-se ou morria-se por um slogan. Amava-se também. Na Idade Média, as esposas iam para a cama com uma camisola na qual havia uma fenda no lugar apropriado, com o mesmo estímulo: deus o quer. Como se vê, até para fornicar era aconselhável ter um estímulo suplementar.
Bem verdade que não se precisa de uma senha para morrer e muito menos para fornicar. Essas coisas acontecem no devido tempo - e ainda bem que acontecem. Nada aconteceria, por exemplo, se, ao invés de "Evoé!", fossem usadas aquelas interjeições que os parnasianos freqüentemente colocavam em seus poemas: "Eia! Sus! Sus!"
Fico imaginando o Joãosinho Trinta gritando eia, sus, sus para animar os foliões da Beija-Flor durante os desfiles do carnaval. acho que o técnico de nossa seleção, na Copa do Mundo, após esgotar todas as miraculosas fórmulas táticas de ganhar um jogo, bem que podia pensar no assunto.
Falta a todos nós, tanto no carnaval como no futebol, na vida em geral, um grito de guerra, um "Deus vult", um "Evoé!", até mesmo, em caso de desespero, um Eia! Sus! Sus! Talvez por isso ainda não demos certo.
o último bostejo do ano (1)
não conhecia o radiohead (ok, podem me chamar fóssil. estou acostumado, e, de certa forma, me envaidece). continuo não conhecendo, mas, flanando pela internet, achei essa animação, em cima da música "creep". o vídeo é muito bom (vale a pena ver), a música é bonita, mas a letra é do tipo "sou-um-pobre-adolescente-todo-errado-mamãe-e-papai-não-me-entendem-coitadinho-de-mim-a-gata-do-colégio-não-me-dá-bola-ai-que-vontade-de-ter-coragem-para-cortar-os-pulsos". semcomentários.
e pensar que um dia eu fui adolescente. puá! que vergonha...
29 dezembro 2004
chico "unabridged"
um dos trechos mais contundentes da entrevista do chico buarque ao jornalista fernando de barros, para a folha de são paulo. saiu no domingo, 26/12. quem não tiver acesso ao jornal ou ao uol, me mande um email que envio a entrevista.
Folha - Você faz parte de uma geração de artistas que foi porta-voz de ambições grandes em relação às possibilidades do país. Hoje essas ambições encolheram muito, não se vê mais a perspectiva de mudanças sociais como antes. As aspirações foram redimensionadas para baixo. Como você analisa isso?
Chico Buarque - Hoje em dia a gente vê pouquíssima margem de uma mudança social. Ao mesmo tempo, em países pobres, como o Brasil é, deveria ser mais do que nunca premente a necessidade de uma transformação social. A situação se deteriora e não se enxerga uma alternativa razoável.
Me preocupa que estamos nos encaminhando cada vez mais para uma situação irracional. Tudo passa pela economia. É difícil. Eu tendo a acreditar nos economistas quando dizem ser impossível gerenciar países como o nosso de outra forma. Quem sou eu para opinar? Eu me sinto muito diminuído, tenho pouco interesse em me manifestar, da mesma forma que tenho pouco interesse em ler opiniões de leigos, de gente desavisada a esse respeito.
Às vezes podem dizer coisas interessantes, ou até brilhantes, mas quando chega a hora de uma discussão mais séria essas opiniões soam quase como um escárnio, coisa de poeta.
Folha - Você se vê pressionado a falar sobre esses assuntos?
Chico - Eu cada vez mais me abstenho por reconhecimento da minha limitação, da minha ignorância. Aí eu sou realmente modesto. Não sou modesto em relação ao que eu faço como artista. Mas, sobre os rumos ou possibilidades do país, não vejo honestamente que contribuição eu possa dar.
O que eu posso fazer é só constatar minhas perplexidades, meus receios diante desse quadro cada vez mais assustador. Como não se vê perspectiva de mudança a curto ou mesmo a médio prazo, a sociedade toda é levada a um certo conformismo, ou mesmo a um cinismo. Na alta classe média, assim como já houve um certo esquerdismo de salão, há hoje um pensamento cada vez mais reacionário, com tintas de racismo e de intolerâncias impressionantes.
O medo da violência na classe média se transforma também em repúdio não só ao chamado marginal, mas aos pobres em geral, ao sujeito que tem um carro velho, ao sujeito que é mulato, ao sujeito que está mal vestido. Toda essa indústria da glamourização, de quem pode, de quem ostenta, de quem torra dinheiro -enfim, ser reacionário se tornou de bom tom. As moças bonitas no meu tempo eram de esquerda. Hoje são todas de direita (risos).
Boutades às vezes racistas, preconceitos de classe, manifestações de desprezo mesmo pelos mais pobres se tornaram algo muito comum e socialmente valorizado.
Folha - Estamos diante de uma grande restauração, uma grande maré conservadora?
Chico - Exatamente. E diante da negação de conquistas não só sociais mas também comportamentais. Vejo um pensamento cada vez mais conservador, até mesmo na aparência das pessoas, todo mundo arrumadinho...
Folha - Mas isso convive, no caso brasileiro, com um governo de um líder operário, o que poderia ser visto como uma conquista histórica na contramão desse quadro. Como explicar esse curto-circuito?
Chico - Em primeiro lugar, acho que a eleição do Lula foi uma vitória. Ter conseguido eleger o Lula talvez tenha sido um último sinal de que algo ainda possa mudar para melhor. O outro lado da moeda é esse de que falei.
O Lula sabe o que o cara do rap está cantando. Ele conhece aquela voz. Outros podiam não conhecer, mas o Lula sabe exatamente o que é aquilo, não há de esquecer. O Lula não tem o direito de ignorar isso. Nessa altura, fico depositando minha confiança pessoal no Lula, minha esperança de que ele encontre uma maneira de pelo menos suavizar esse quadro. Mas esse é um fardo muito pesado. É uma esperança talvez demasiada.
De certa forma, o Lula trouxe o acúmulo de esperanças de muito tempo para um tempo em que elas não podem mais se realizar. E aí não é culpa dele. É por isso que tendo a reagir às críticas que são feitas exageradamente ao Lula.
Folha - Parece que você quer evitar jogar água no moinho dos que dizem que as coisas no governo não funcionam ou que o Lula é igual ao Fernando Henrique.
Chico - Não quero jogar, porque já tem muita água nesse moinho. Vejo muita gente com ódio pessoal do Lula. E não vejo essa gente verbalizar com argumentos essa oposição tão visceral ao Lula. Parece que há uma certa vergonha de ter um presidente como o Lula, um operário, um sujeito com um dedo a menos e que fala errado. Uma vergonha de ver o Lula representando o país lá fora. Percebo isso em gente próxima. E vejo isso na mídia também. Na verdade, isso deveria orgulhar um brasileiro -ter um homem com as origens sociais do Lula na Presidência da República.
Folha - Isso é um avanço em relação à era tucana?
Chico - Deveria ser também motivo de satisfação ter tido um professor, um sociólogo como o Fernando Henrique na Presidência. Foi um progresso. Nós vínhamos de anos e anos de generais, que não eram eleitos, depois tivemos o Sarney, acidentalmente, o Collor e o Itamar. A eleição do Fernando Henrique foi um salto qualitativo. É um intelectual, um homem com estofo. Agora, também não concordo com aquela satisfação que se viu no nosso meio -"é um de nós, finalmente". Não quero um de nós na Presidência (risos). Não quero ser presidente. Não gostaria que meu pai fosse presidente da República. Não é por aí. Também não acho que o fato de o Lula não ter curso secundário completo seja em si uma virtude. Virtude é ele poder ter sido eleito. Ele pode ser um bom ou um mau presidente. O Brasil ter eleito Lula contradiz tudo o que eu disse há pouco a respeito de um país que parece cada vez mais estar contra gente como o Lula. E volto a repetir: não vejo apenas um sentimento contra o marginal, o traficante, o ladrão. Mas contra o motoboy, contra o desempregado, contra o sujeito que não fala direito, isso apesar de a elite brasileira falar muito mal o português. Constato um sentimento difuso quase a favor do apartheid social.
(...)
Folha - O Rio, onde você mora há muito anos, também mudou muito de cara, em termos sociais. Na sua música, quando a gente pega, por exemplo, dois sambas como "Estação Derradeira", de 1987, e "Carioca", de 1998, percebe-se com clareza essa mudança. Os personagens são outros, a atmosfera é outra, a barra é muito mais pesada, apesar dos muitos encantos da cidade. Como você sente isso no dia a dia?
Chico - O clima hoje na cidade é muito mais pesado. Para não falar lá de cima, na própria zona sul já há territórios demarcados. Eu conheci a praia como um espaço democrático. Hoje em dia já se sente no ar a idéia de que vai existir logo uma fronteira entre Ipanema e o Leblon. Tem um pessoal na altura do Jardim de Alá [moradores de um cortiço na rua do canal que divide Ipanema e Leblon] que desce ali e ocupa a praia. Vira uma paranóia, vira uma hostilidade com esses garotos que ficam circulando ali. Assaltar na praia é o pior negócio que existe. De vez em quando acontece. No dia seguinte, vem a polícia e enfia os meninos no camburão, quando não faz coisa pior. Eles querem tirar da praia, sumir com eles dali. Não vai ter onde botar esses meninos.
As soluções sugeridas para isso, as coisas que eu leio nas cartas dos leitores dos jornais, em geral são fascistas. Virou moda responder a quem defende os direitos humanos com o trocadilho infame dos "humanos direitos" contra os vagabundos que nos retiram o direito de andar livremente pelo calçadão. Isso quando não se defende abertamente a pena de morte, a reclusão dos garotos de rua, a diminuição da maioridade penal, a prisão perpétua. Eles querem exterminar com os pobres do Rio. Se puderem sumir com aquilo tudo -ótimo. Os meninos são os inimigos, são os nossos árabes, são os nossos muçulmanos.
Folha - E o problema cada vez mais grave do tráfico, como fica? Porque o tráfico virou talvez a única perspectiva de ascensão social, ou de possibilidade de um enredo vitorioso na cabeça de um menino morador da favela.
Chico - É. Assim como o futebol ou o pagode, o tráfico virou um veículo de ascensão, de chance de ter dinheiro, poder, mulheres e fama, mesmo ao preço de uma vida muito curta. É o que se reserva para um menino sem estrutura familiar, sem emprego, sem quase nada. Eu não vejo outra saída para a violência ligada ao tráfico senão a descriminalização de alguma forma, não sei se total ou parcial, das drogas.
Lembro de ter lido nos jornais que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, era favorável a essa idéia quando tomou posse. Não sei porque o governo não levou e não leva essa discussão adiante. Isso pode ser desgastante para os índices de popularidade do governo, talvez por isso ninguém toque no assunto.
Talvez pensem que não é o momento de enfrentar o problema em razão de alianças e de compromissos com os evangélicos do PL, essas coisas. Mas se não enfrentarem o problema agora, quando é que vão enfrentar? Se o Lula não enfrentar... Isso tem a ver com tudo o que a gente estava falando antes, com o rap, com o que os garotos da periferia estão falando, com a falta de perspectivas, com a violência toda que está ali, manifesta nas canções.
O Lula sabe muito bem o que é isso. Se não encarar isso, não sei quem vai fazer. Não entendo por que não se discute isso a sério.
Folha - Você acha que o governo, para além dos constrangimentos econômicos, está deixando escapar entre os dedos oportunidades históricas de intervenção social?
Chico - Acho. Acho. Entendo os compromissos, o FMI, a dívida etc. Tudo bem. Mas isso não tem nada a ver com essas outras omissões. Ou é isso ou é a Bíblia.
dedo (sujo) na ferida
quem sou eu para mensurar tragédias? no entanto, é curioso ver a velocidade com que europeus e americanos estão se mobilizando para mandar ajuda financeira e humanitária para as vítimas da "tsuruba" asiática. por pura provocação, digo quatro palavras: somália, ruanda, haiti e iraque.
ou será que os abastados do primeiro mundo estão apenas com medo de perder seus exóticos balneários?
28 dezembro 2004
enquanto houver irresponsabilidade, não à árvore da lagoa!
se a bradesco é tão pródiga em utilizar o espaço público (a lagoa rodrigo de freitas, ou sacopenapã, para os íntimos) na tentativa de criar uma atração turística para a cidade, bem que poderia apresentar alguma cidadania na sua conservação: da inauguração ao desmanche (de 27/11 a 06/01), a árvore leva diariamente o caos ao trânsito e à ciclovia, com centenas de pessoas e ambulantes de guloseimas e quinquilharias (alô, alô, fiscalização municipal!), que acabam emporcalhando tudo.
a população tem todo o direito à diversão, mas que tal oferecer lazer com responsabilidade? já que a bradesco seguros instalou na cidade o que deve ser um dos maiores outdoors ao ar livre do mundo, bem que podia arcar com o ônus da confusão: pagar as horas extras dos fiscais de trânsito da prefeitura, contratar firmas de limpeza e de jardinagem, para conservar a integridade da paisagem, pelo tempo em que ocupar um espaço que não lhe pertence. a árvore, segundo nos querem fazer crer, "é de todas as famílias". mas a cidade, também. e a lagoa precisa estar apresentavel para receber visitantes nos outros 325 dias do ano.
vamos tomar vergonha na cara e não nos deixar seduzir: em troca dos espelhinhos e miçangas, eles normalmente pedem nosso ouro, nosso suor e nosso sangue.
25 dezembro 2004
fabulazinha babaca (para combinar com o espírito natalino)
- papai noel, você rói unha?
- rôo, rôo, rôo!