a essa altura do campeonato, não é novidade para ninguém, o "sim" foi abatido sem dó, no brasil inteiro. agora que defendemos nosso direito à truculência, que tal deixarmos de brincar de democracia e forçarmos outros referendos, dessa vez relevantes de fato, como questionar a obrigatoriedade do voto; a urgência da reforma política; a modernização do código penal (com a classificação de hediondo para o crime de corrupção, sem direito à fiança); o voto distrital, etc.
sobre hoje, faço minhas as palavras de hoje do verissimo (essas são deles, mesmo):
Luis Fernando Verissimo
Publicado em 23 de outubro de 2005
Interferência
Agora é tarde, Inez é morta, provavelmente a tiros, mas o debate vai continuar depois do referendo. E como muita gente se queixou que o referendo foi confuso, sugiro que da próxima vez que consultarem a população sobre o assunto simplifiquem a pergunta, colocando-a em termos corriqueiros, de experiências pessoais como as que estão todos os dias nos jornais, e que qualquer um entenderá. Por exemplo: se você fosse a mãe de um rapaz morto com um tiro numa briga de torcidas, preferiria que fosse mais difícil alguém ter acesso a armas como a que matou seu filho ou que seu filho também tivesse acesso a uma arma para poder se defender? Não é uma pergunta sentimental ou injustamente armada para favorecer um lado, eu até tenho dúvidas sobre como as “mães” hipotéticas responderiam. Mas a questão é, ou era, simplificada, exatamente esta.
Os que pregaram o “Não” invocaram muito a interferência indevida do estado na vida e no direito de escolha dos cidadãos. Vale a pena recordar outras ocasiões em que foram ouvidas queixas parecidas, na história do Brasil. Na abolição da escravatura havia tantos argumentos fortes a favor como contra a medida e — como no caso do referendo das armas — muitos dos antiabolicionistas nem tinham escravos, defendiam a escravatura em nome do direito de quem tinha de não ser coagido pelo estado. Não foi uma resistência emocional, foi racional e bem articulada como muitos dos artigos que lemos recentemente na defesa do “Não”, e o resultado é que atrasou a nossa história. O Brasil foi o último país do mundo a acabar com a imoralidade do escravismo. Mas algumas defesas da liberdade de ter escravos foram brilhantes.
Outro exemplo: a revolta contra a vacinação antivaríola no Rio de Janeiro, que chegou, violentamente, às ruas, mas começou na imprensa, onde Oswaldo Cruz era denunciado como uma ameaça pública pior do que qualquer epidemia. Foi preciso recorrer às armas para enfrentar a revolta, e alguns setores do exército aderiram aos revoltosos. A população do Rio foi vacinada literalmente à força. Livrou-se da varíola sob repetidos protestos contra aquela suprema interferência — subcutânea! — do estado na vida dos cidadãos. Oswaldo Cruz perderia um hipotético referendo popular sobre a vacina, na época, de zero.
O Brasil perdeu a oportunidade de dar um bom exemplo ao mundo na questão das armas. Mas estou escrevendo sem saber qual foi o resultado do referendo. Pode ter dado o “Sim”. Neste caso, se você leu até aqui, desleia.
23 outubro 2005
"o troco pode ser em balas?"
20 outubro 2005
como se eu não soubesse...
| You Are 60% Weird |
You're so weird, you think you're *totally* normal. Right? But you wig out even the biggest of circus freaks! |
peguei da solange.
19 outubro 2005
a beleza pode estar em qualquer lugar
quem acha que a contabilidade é uma ciência fria e impessoal, pode surpreender-se, como aconteceu comigo, com a profundidade da definição de um dos princípios contábeis fundamentais -- no caso, o da continuidade. se considerarmos a acepção de "entidade" como "qualquer indivíduo, ente", então vejam que beleza:
Pronunciamento "Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade", aprovado pela Deliberação CVM nº 29 de 1986 do IBRACON:
"Para a contabilidade, a entidade é um organismo vivo que irá operar por período indeterminado de tempo, até que surjam fortes evidências em contrário".
Resolução nº 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, de 29 de dezembro de 1993:
"A continuidade ou não da entidade, bem como sua vida definida ou provável, devem ser consideradas quando da classificação e avaliação das mutações patrimoniais, quantitativas e qualitativas".
desenrolou o novelo
meu amigo fabão conseguiu dizer exatamente o que eu vinha tentando, sem sucesso, expressar em palavras.
17 outubro 2005
"orgia-bugia nos traz alegria"
aldous huxley é, na minha opinião, um dos camaradas mais inteligentes e visionários do século 20. ao contrário das teorias de orwell em 1984, sua utopia criada em admirável mundo novo não envelheceu. pelo contrário, ele foi capaz de antecipar que a dominação mais eficaz não se dá através da privação, mas do entorpecimento dos sentidos através da busca incessante pelo prazer do consumo, transformando-nos em "animais gentis e dóceis". e no caso de qualquer sombra de dúvida ou angústia, há o soma, a droga perfeita, que acalma e não dá revertério, fornecida pelas próprias autoridades em esquema de ração semanal.
a propósito, se alguém se interessar pela leitura, recomendo garimpar em sebos a edição da ed. bradil, de 1969. a reedição da editora globo, além de uma tradução menos feliz, não traz o prefácio crítico escrito pelo autor 20 anos depois do lançamento da obra.
reproduzo trechos picados do momento em que o selvagem -- personagem criado fora da utopia, nas "reservas", onde as pessoas mantém hábitos arcaicos como a reprodução vivípara e o culto a divindades -- encontra-se com o administrador-geral. é o ápice da história, quando é discutido o núcleo duro do pensamento civilizado industrial que rege a utopia. o gancho que escolhi é o momento em a proibição das artes (no caso, a obra de shakespeare) é questionada. seguimos a partir da resposta:
"Porque é velho; eis a razão principal. Aqui não temos aplicações para coisas velhas. (...) Especialmente quando são belas. A beleza atrai, e não queremos que as pessoas sejam atraídas por coisas velhas. Queremos que apreciem as novas. (...) Nosso mundo não é o mesmo de Otelo. Não se pode fazer calhambeques sem aço -- e não se pode fazer tragédias sem instabilidade social. Agora o mundo é estável. O povo é feliz; todos têm o que desejam e nunca querem o que não podem ter. Sentem-se bem; estão em segurança; nunca ficam doentes; não têm medo da morte; vivem na perene ignorância da paixão e da velhice; não se afligem com pais e mães; não têm esposas, filhos nem amantes a que se apeguem com emoções violentas; são condicionados a não poderem deixar de se comportarem como devem. E se alguma coisa não estiver bem, há o soma. (...) É esse o preço que devemos pagar pela estabilidade. Tem-se que escolher entre a felicidade e aquilo que antigamente se chamava arte. Sacrificamos a grande arte. Em seu lugar temos filmes sensíveis e os órgãos de perfume.
(...) A felicidade real parece bem sórdida em comparação às compensações que se encontram na miséria. E sem dúvida a estabilidade não é tão bom espetáculo quanto a instabilidade. E estar contente nada tem do encanto de uma boa luta contra a desgraça, nada do pitoresco de uma batalha contra a tentação, nem de uma derrota fatal pela paixão ou pela dúvida. A felicidade nunca é grandiosa. (...) [Ela] mantém as engrenagens em constante funcionamento; a verdade e a beleza não são capazes disso.
(...) Por que iríamos perseguir um substituto dos desejos dos jovens, quando os desejos dos jovens nunca faltam? Ou um substituto para as distrações, quando continuamos desfrutando todas as velhas tolices até o fim? Que necessidade temos de repouso quando nosso corpo e nosso espírito continuam em deleite na tividade? de consolação, se temos o soma? de algo imutável, quando existe a ordem social? (...) Nossa civilização escolheu a máquina, a medicina e a felicidade.
(...) A civilização industrial só é possível quando não existe renúncia. É necessário desfrutar até os limites máximos impostos pela higiene e pela economia. De outro modo as engrenagens cessam de girar. (...) A civilização não tem absolutamente necessidade de nobreza nem de heroísmo. Essas coisas são sintomas de ineficiência política. Numa sociedade adequadamente organizada como a nossa, ninguém tem oportunidade de ser nobre ou heróico. É preciso que as condições se tornem essencialmente instáveis antes que se apresente tal oportunidade. (...) Todos podem ser virtuosos hoje. Pode-se conduzir consigo pelo menos a metade da própria moralidade num frasco."
entre a usura e a limpeza interior
"deve estar escrito 'otário' na minha testa", foi o pensamento que segurei na boca quando a registradora somou quase cinquenta merrecas por uma caixa de suco, duas barras grandes de chocolate, uma lata de batata frita e uma caixinha de biscoitos de queijo. queriam não apenas que eu concordasse com esse valor, mas que o aceitasse, na loja de tolerância do posto do dona marta, há menos de dez minutos.
claro que devolvi quase tudo. minha indignação não vem do fato de estar duro como um pau. é vergonha de gastar 1/6 do que boa parte da população ganha depois de um mês de trabalho (e a maioria nem isso consegue) por meia dúzias de besteiras apenas para satisfazer uma gula dominical, que em troca de uma breve sensação ia me aumentar o colesterol (pois é, agora me preocupo com isso) e a circunferência.
sei que sou chato pra cacete, ranzinza e utópico, mas não demagogo a ponto de negar que gastaria até mais em supérfluos comestíveis, se a extorsão pelo menos incluísse mais artigos. fico admirado com a cara-de-pau dos empresários que têm a ousadia de praticar esses preços no pé de uma favela.
certo estava o hélio luz ao declarar no documentário do joão moreira salles que o mecanismo aqui é tão maquiavélico, que nem precisa de arame farpado para segurar "o morro". na áfrica do sul, os guetos eram cercados; aqui, ao contrário, o mecanismo repressor que impede os favelados de descer é muito mais sutil. vejam bem, não estamos falando de espasmos de violência entre grupos rivais, que levam pânico à população "de bem". refiro-me à (re)ação enfurecida em massa contra a ausência total a que é submetida. não sei qual o entorpecente - igreja, televisão ou droga (álcool incluso) - que deixa todo mundo manso, ainda que comendo merda.
divaguei. talvez esse episódio sirva de exemplo para que eu leve a cabo o antigo projeto de respeitar meu corpo. e nem me refiro à forma física, mas à saúde. abster-me de substâncias que me poluem, como pregava o profeta muhammad (que a paz e a bênção de deus estejam sobre ele). o corpo é o templo da alma, e é preciso mantê-lo limpo. mal não fará. além do mais, é uma forma de não compactuar com a cultura do exagero onde o consumo assume o status de panacéia e válvula de escape contra as frustrações.
11 outubro 2005
paranóia é uma forma avançada de inteligência
compartilho com o fausto wolff a teoria de que existe uma sigla por trás da farsa da al qaida.
10 outubro 2005
tiro certo
istoé acertou na mosca com a capa da semana: "referendo das armas: sete razões para votar sim, sete razões para votar não -- só você decide".
pegou a "veja" à queima-roupa. na bala estava escrito "jornalismo".
*****
a propósito, bezerra da silva, que de mané não tinha nada, já tinha batido a real: "você com revólver na mão é um bicho feroz, sem ele anda rebolando e até muda de voz". (bicho feroz)
*****
mudando de assunto, matéria de xico sá na trip deste mês prova porque a revista "de surfista" talvez seja a única do mercado editorial com com pautas inteligentes e diferenciadas. trecho que não está no site:
A mesma Andréia, uma das melhores do ramo em Brasília, conta: "Bom mesmo era no tempo das privatizações. A cada leilão a gente mudava de casa, de tanta grana, era tudo pago em dólar pelos empresários e pelo povo do PSDB. Esses petistas, ô raça, são miseráveis, pechincham no sexo, quero que se danem agora neste escândalo, não sabem nem roubar direito".
Mais filosofia da alcova, segundo a mesma linda moça: "Um senador do Maranhão, vixe, velho lobo, viciadíssimo numa safadeza paga...".
"Aquele senador do Pará, não, é honrado, engravidou uma amiga minha e sustenta, tá na mão dela".
Agora a manchete: "Fica todo mundo falando dos deputados e senadores que pegam meninas e esquecem de um membro da CPI dos Correios que pega um cara chamado Adriano, de um site erótico aqui de Brasília".
Quem será o tal membro? Silêncio da moça e do auditório. Ela só conta que o tal membro é passivo.
eu já andei de elevador com o clovis bornay
...e não foram poucas vezes. minha vó comprou na prado júnior um "apartamento de praia" (essa é uma prática comum entre tijucanos natos ou de espírito. pergunte para 80% dos moradores da barra, que assim o fizeram antes de emigrar da zona norte definitivamente. sei porque também sou do oriundo do bairro, apesar da trajetória diferente).
nunca entendi bem a escolha da minha avó, dado o fato de a pj ostentar um recorde informal de concentração de garotas de programa por metro quadardo na cidade, só perdendo para o "shopping" da villa mimosa. pensando bem, só copacabana geraria uma comunidade assim.
pois bem, o síndico da quitinete era o clovis bornay. por conta disso, protagonizei alguns encontros rápidos com o museólogo e campeão de fantasias na portaria e elevador do prédio. aos que imaginam histórias desvairadas, decepcioná-los-ei. ele era um gentleman (sic). talvez, dada a liturgia do cargo, portava-se com educação, mas era um tanto seco. confesso que ficava com vontade de puxar assunto, perguntar dos bastidores dos antigos carnavais e bailes do municipal e do glória, da emoção das capas da manchete, mas ficava com um misto de vergonha e medo de ser mal-interpretado. como eu era (?) idiota...
minha vó continua com o apartamento, mas nunca mais me encontrarei com o ilustre personagem, seu rosto europeu marcado pelos rigores do sol tropical, a indefectível peruca, e, juro, uma aura de lantejoulas e vidrilhos que brilhava sob olhares mais atento.
primeiro a emilinha borba, agora o clovis bornay. sei não, vai sobrar alguma coisa para o carnaval do ano que vem?
09 outubro 2005
coluna do ximenes
de 08/10. a todos que já amargaram na mão da telemerda:
Disk-Inferno
Sou o consumidor que a Telemar pediu a Deus. Dou uma boiada, seis galinhas e duas mariolas para não entrar numa briga; portanto, nunca conferi uma conta. Deveria. Afinal, há sete anos a Hellemar está no topo da lista das empresas com mais reclamações registradas no Procon do Rio, justamente por cobranças indevidas. Mas eu sempre lhe dei um voto de confiança. A empresa, contudo, me acusou de mafioso esta semana.
Pode parecer que se trata de um problema pessoal. Mas sofrer com a Hellemar é um esporte que quase todo carioca pratica. Um esporte assaz simbólico de um cotidiano marcado pelo desrespeito institucionalizado em todas as áreas: segurança, consumo, serviços. Assim, creio que este samba da telefonia louca é de interesse dos leitores.
Estou de mudança e pedi transferência da linha. A Hellemar se negou a fazê-lo: alegaram uma dívida, referente ao mês de abril, dos antigos moradores do apartamento para o qual estou indo. Então tá.
Entrei em contato com a antiga moradora, que é gente de bem. Ela nunca soube dessa dívida. Há de ter sido confusão na cobrança. Seja como for, ela não teve qualquer problema para cancelar sua linha quando se mudou? e já tem outro telefone! Ou seja, alguém não paga uma conta seja lá por que razão, nunca é cobrado, cancela a linha, consegue outra, e fica por isso mesmo. E o problema passa a ser de quem se mudar para esse endereço depois.
Pelo telefone, a atendente V. me explica que a intenção não é me repassar a dívida. Ufa! Só que eu preciso provar que em abril eu não morava no meu futuro endereço. Kafkaqui, Kafkalá, viva a Telemar.
O nome-CPF da linha A SER transferida usa a Telemar por anos em determinado endereço. A Telemar, entre todas as possíveis instituições deste planeta, SABE onde este nome-CPF estava em abril. Sabe que não era no apartamento para o qual foi pedida a transferência. Esco-esco-esco, a Telemar é uma peça do Ionesco. Mas V. diz que vai “explicar”:
— Por exemplo, o senhor tem um telefone com seu nome e CPF e não paga a conta, então cancela a linha e pede outra com o CPF do seu filho. Para evitar isso, nós não conectamos a linha se houver dívida no mesmo endereço.
Ah, então é isso. Não se trata do absurdo, mas de algo bem mais banal: Mario Puzo. A Hellemar acha que sou pai do Sonny Corleone. Embora não haja dívida neste nome-CPF que há anos é cliente da empresa, eles partem do princípio que este nome-CPF está armando um golpe familiar contra eles. Bem, reza a lei que cabe ao acusador o ônus da prova. Menos no universo Hellemar.
Então, lá vou eu perder uma tarde de trabalho, gastar dinheiro com transporte, para levar a documentação requerida por eles. Mostradas as provas de que este nome-CPF nada tem a ver com a dívida, entra em questão a transferência. Aí, a coisa se transforma em “Eu, robô”, a versão com o Will Smith. Ou qualquer ficção científica na qual o mundo é dominado por grandes corporações. Os atendentes W. e D. negam todos os procedimentos sobre a transferência que, antes, V. havia “explicado” ao telefone.
— Então o 103 deu informações erradas?
— Não nos responsabilizamos pelas informações fornecidas ao telefone.
— Então quem se responsabiliza pela informação correta? Não existe uma pessoa com quem se possa falar?
— Não. Existe uma empresa. A Telemar.
— Então porque a mesma empresa diz uma coisa ao telefone e outra ao vivo?
Sem resposta.
— E o cliente, como fica?
— O cliente segue os procedimentos da Telemar.
Vinte minutos à frente, W. solta a seguinte pérola:
— Sei que pareço robótico, mas você fica repetindo as mesmas perguntas.
— Claro, nenhuma resposta faz sentido.
Bem, nem tão robótico assim. Quando cheguei em casa, o telefone já havia sido cortado. Um dia antes do previsto. Ou seja, parece mesmo uma história de Mario Puzo. Com toques de Kafka, Asimov e Phillip K. Dick.
Solução: nenhuma. A Hellemar é um monopólio privatizado e tem poder absoluto sobre nós. É a autocracia corporativa nos limites do absurdo. Seria trágico, se não fosse cômico.
07 outubro 2005
cosa nostra
lá pelos anos 70, o sucesso do pasquim fez com que seus editores começassem a encartar um mini-compacto com uma faixa de cada lado (quem nasceu depois de 90, vá perguntar ao papai ou à mamãe). um desses trazia a canção "cosa nostra", do meu mestre musical jorge ben. espero que o sílvio santos tenha pago muito bem pelos direitos de usá-la para apresentar os jurados do seu show de calouros.
a composição é uma baita homenagem ao "pasca", com seu deboche característico turbinado pelo estilo ímpar do babulina. tá lá o espírito desbundado da época, além de uma mui sutil referência à ditadura, na primeira estrofe (o desejo de dar um presente para os amigos ou inimigos no exterior).
se alguém quiser a canção, pede num email que eu mando.
dá um aperto no coração ver que vários citados já partiram para o boteco nas nuvens. para quem não liga o nome às figuras, recomendo os livros "ela é carioca", do ruy castro, e o "pasquim - gargalhantes pelejas", da norma pereira rego.
para dar uma idéia do tom do jornal, encontrei aqui um artigo do tarso de castro.
...
Cosa Nostra (Jorge Ben)
Cosa nostra
E se vc quiser
Dar um presente lindo para seu amigo
Ou mesmo que seja para seu inimigo
E que esteja no exterior
Falando mal da gente
Como por exemplo
Dizendo que o Tarso de Castro não entende de jornal
E que o Sérgio Cabral é vasco por fora, mas flamengo por dentro
E que o Luis Carlos Maciel está entre o hippie e a tropicália
E o Ziraldo é anti-mineiro, só trabalha com barulho
E o Jaguar é manager e aproveitador do Sig
Que o Millôr é o ex-marido daquela mulher
Que o Fortuna pensa em fazer humor para fazer fortuna
Que o Paulo Francis está inserido no contexto da consumação do uísque e da "gp", pê pê pê]
Paulo Garcez vive com o clique na cuca, clique clique clique
E o Pedro Ferreti fala, fala, mete o pau e não aparece
Que o Sig morre de amor pela vedete Odete Lara e não é correspondido, que perigo!]
E o Henfil teve um problema patológico - ele é o próprio fraquinho baixinho]
E dizendo que eu só namoro empregadinha
E que eu sou duro
E só ando de trem
Mas o que vai, vai
O que vem, vem
Cosa nostra
Você é cosa nostra
Essa garota linda é cosa nostra
A simpatia é cosa nostra
O amor, o amor é cosa nostra
O Pasquim é cosa nostra
O flamengo é cosa nostra
Todas as escolas de samba é cosa nostra
É cosa nostra
O carnaval é cosa nostra
A zona norte é cosa nostra
A zona sul é cosa nostra
A república livre de Ipanema é cosa nostra
O parabéns também é cosa nostra
Esse céu azul lindo de morrer é cosa nostra
Esse sol de quarenta graus é cosa nostra, é cosa nostra, é cosa nostra
É cosa nostra o perdão
É cosa nostra esse seu sorriso lindo
É cosa nostra essa sua simpatia
É cosa nostra esse pa-tro-pi, esse pa-tro-pi
É cosa nostra
Mas o que vai, vai
O que vai, vem
Mas o que vai, vai
O que vai, vem
Cosa nostra
É cosa nostra
Esse suínge é cosa nostra
villa-lobos deve estar se remexendo no túmulo...
o projeto aquarius, parceria do globo com a osb, apresenta no sábado o concerto villa-lobos, alma brasileira, no trecho da praia em frente ao copacabana palace.
entre os convidados estão o olodum (!) e a sandy xororó (!!!).
o menino tuhú já deve ter mexido os pauzinhos junto a são pedro para não deixar essa ignomínia passar -- literalmente -- em brancas nuvens.
(depois de mencionar a cantora-ninfeta, os tarados de plantão farão meu conta-giros disparar...)
06 outubro 2005
05 outubro 2005
reflexão mercadológica
"Veja" de arma na mão. boa sacada do coleguinhas, uni-vos.
update: o xingatório diz:
Artilharia
Havia tempos o jornalismo brasileiro não via uma capa tão imparcial como a da Veja desta semana: "Referendo das armas: 7 razões para votar não".
vive la contradiction!
ha ha ha... os dois últimos bostejos saíram praticamentes contraditórios. esquizofrenia pouca é bobagem...
religião de merda! profissão de merda!
merda para meus pais, que me criaram na religião católica, para quem o lucro é pecado. eu devia ter nascido calvinista ou de qualquer religião semita, que pelo menos vêem o dinheiro ganho com o trabalho honesto como um mandamento do altíssimo.
meus filhos, se os tiver, aprenderão a situar as religiões como curiosidades teóricas, extravagâncias históricas tão bizarras e ultrapassadas quanto a abiogênese ou o positivismo. sua educação será voltada para a crença em si mesmos, o desenvolvimento de seus potênciais e faculdades; com respeito aos outros, mas questionando sempre suas motivações, sem jamais curvarem-se diante do poder. viva a imanência! abaixo a transcendência!
minha criação deu-se sob o signo do temor irracional a um poder onipresente, onisciente e inquestinável. para piorar, todo meu treinamento profissional levou-me a ser autônomo, obrigado a mensurar de forma independente o valor do meu trabalho. mas como estabelecer parâmetros condizentes com o tempo e o esforço mental gastos na realização de uma tarefa (sem mencionar os custos indiretos de toda a instrução acumulada ao longo da vida, além da óbvia formação acadêmica), se na hora de cobrar ou de receber, me deixo enrolar por qualquer lorota triste; ou pior, sou guiado pelo medo primevo, instintivo e irracional da danação eterna?
chega! minha paciência esgotou-se! cansei de ser feito de otário! de levar calotes! de me aviltar em nome de quem -- com o perdão da má-palavra -- só quer me botar na bunda.
pois fodam-se todos! se as pessoas acham que qualquer um é capaz de escrever, que o façam eles mesmos e não me procurem mais. como lembra o poeta, "nevermore". prefiro morrer duro (como se já não o estivesse...) e seco.
demorei demais para aceitar que devo concentrar todos os esforços em passar para um concurso público. se não serei remunerado de acordo com o que mereço, pelo menos não serei muito exigido, tendo tempo para me dedicar a outros interesses. como fez vinícius de morais, joão cabral de melo neto e carlos drummond de andrade, só para citar alguns.
estarei em melhor companhia do que agora.
lê shaná tova ticatevu!
o título, que significa algo como "que você seja inscrito no livro da vida", é a frse que se diz para desejar um feliz ano-novo judaico. minha modesta homenagem ao rosh hashaná, cuja data desta vez praticamente coincidiu com o ramadã, o mês em que o alcorão foi revelado ao profeta muhammad, e portanto, considerado sagrado.
espero que isso seja um bom presságio de entendimento entre os irmãos. afinal, só os tolos não percebem que deus, allah ou jhvh são todos uma única entidade.
enquanto isso, fica a lembrança do paladar do gefilte fish, bolinho de peixe que se costuma comer nessa época entre os judeus. com rabanete (?) e uma geleinha também de peixe, está entre as iguarias mais deliciosas que tive o prazer de saborear. o gefilte seria capaz de acabar com qualquer guerra ou desavença.
a trilha sonora fica a cargo do bão e velho slim gaillard.
Matzoh balls (circa 1939)
(Oh well) the Matzoh balls
Gefilte fish
Best ol' dish I ever ever had
Now Matzoh balls and gefilte fish
Makes you order up an extra dish
Matzoh balls,
Gefilte fish
Really really really really fine
Now you put a little horse radish on it
And make it very mellow
Because it really knocks you right on out
(Oh well) the Matzoh balls
Gefilte fish
Best ol' dish I ever, ever had
Now Matzoh balls and gefilte fish
It makes you order up an extra dish
Matzoh balls, gefilte fish
Put a little horse radish on the side
Makes it mellow, makes it jello
Mellow and the jello, boy
Horse radish on matzoh balls
Matzoh balls stew!
04 outubro 2005
adeus às armas
até agora, ainda não me tinha decidido sobre o referendo do dia 23. vinha acompanhando o debate com uma dose grande de isenção e afastamento, embora achasse alguns argumentos dos defensores do comércio um tanto americanófilos e paranóicos (desconfio que, no brasil, a maioria dos que defendem o uso de paus-de-fogo como forma de auto-defesa sequer sabem manejar um revólver de espoleta).
a leitura do artigo "Tudo o que o lobby das armas não quer que você saiba", da carta maior, me fez bater o martelo. para o autor, a violência causada por armas de fogo só não é considerada um escândalo no Brasil, porque a maioria das vítimas são jovens pobres e negros." lembrou-me da pesquisa do caco barcellos no livro Rota 66, A história da polícia que mata, de 1992 (aqui uma boa entrevista com o repórter).
de volta ao desarmamento, um trecho do artigo merece destaque:
Rolim também analisa alguns dos argumentos utilizados pelos defensores das armas no Brasil. Um deles é aquele que afirma: “armas não matam; são as pessoas que matam”. O autor comenta: “Esta é uma daquelas afirmações muito ao gosto de um público televisivo, acostumado com a exigência intelectual de programas como Big Brother e que, por isso mesmo, agradam muito e tendem a ser repetidas infinitas vezes como se, de fato, dissessem algo”. Na verdade, acrescenta, trata-se de uma afirmação tautológica [vai ver no dicionário, pô!]. E propõe a seguinte estratégia de resposta: “Caso você tenha que enfrentar este tipo de lógica não tente falar em tautologia. Seja mais simples e direto. Diga algo como: É verdade, armas não matam. E também não morrem. Quem morre são as pessoas. Seu interlocutor, então, terá no que pensar, por alguns dias”.
ps: aposto minha mão esquerda que se o referendo passar, alguns "coleguinhas" também vão utilizar o título do livro do hemingway.
update: afinal encontrei um argumento fortíssimo a favor do "não": o carlinhos brown aparecendo na campanha do desarmamento.
até breve, chiquita!
quando o alzheimer ainda não devorava minha voca, ela contava como minha mãe reproduzia, à sua maneira infantil, o bordão do rádio: "a minha, a sua, a nossa vangerica!" anos depois, o mistério foi esclarecido pelo cd que acompanhava um livro sobre a história do rádio que ganhei de presente. a voz do ator, locutor, e mais tarde diretor da rádio nacional, césar de alencar, anunciava a plenos pulmões "... a faaaaaaaaaavoritaa...emilinha borrrrrrrrba!" , com o "r" vibrante dos speakers de antanho.
mas foi nos últimos anos, no gargarejo do palco de carnaval da prefeitura na cinelândia, atrás do carro de som do bola preta, e nos bastidores do programa de tv em que trabalhei por alguns anos (onde ela apareceu como convidada um punhado de vezes), que me tornei fãzaço da emilinha borba. ambém ajudaram os primeiros tempos de cordão do boitatá, quando aprendemos uma carrada de marchinhas.
vai ser difícil não fazer coro com os que andam dizendo por aí que "o carnaval acabou".
a propósito, o nome da minha gatinha chica foi dado em homenagem à "chiquita bacana", do braguinha (joão de barro) e alberto ribeiro.
30 setembro 2005
perplexidade
deu no boechat de hoje:
Enquadrou
Sururu no mundo acadêmico.
A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão supremo do setor universitário, decidiu tirar o curso de Jornalismo da área de Comunicação Social, transferindo-o para Letras.
A chiadeira entre os que se opõem à mudança está prestes a estourar.
sinceramente não sei o que pensar. bostejarei depois de consulta à capes e aos coleguinhas.
28 setembro 2005
minha namorada não fala klingon
outro dia, um episódio dos simpsons que assisti se passava numa convenção de quadrinhos (ou de cinema, sei lá, não peguei do começo). num dado momento, aparecem uns camaradas vestindo fantasias futuristas de escola de samba, de testas falsas com uns chifrinhos no meio, falando como se fosse de trás pra frente. grito eu para a tati, que estava no computador:
- olha lá, tati, os caras falando klingon. o que eles tão dizendo?
- sei lá. eu não entendo nada de klingon - respondeu, sem despregar os olhos do sims (um dia ainda entendo qual é a graça desse jogo).
- como é?? você não sabe klingon? que espécie de nerd é você?
pois é, amiguinhos, meu mundo caiu. minha namorada, que me iniciou no culto a asimov; que me fez assistir e gostar! de friends e "er" (eu confesso); que ainda tenta bravamente, apesar do pouco sucesso, me fazer entender qualquer coisa das teorias do stephen hawking; que além do sherlock holmes, leu tudo de dostoiévski, checov, goncharov e outros palavrões russos; que gosta de heavy metal alemão (!) estilo rpg - role playing games - e dos solos masturbatórios de rush, steve vai e afins; que tem tesão no rutger hauer; que morre de rir com os clipes do "weird al" yankovic; que leu "eurico, o presbítero" aos sete anos, e é capaz de devorar trezentas páginas em uma tarde; que vestia cloak de maga patalógica; uma mulher maravilhosa, enfim, que bate no peito com orgulho de ser nerd; pois bem, essa mulher não sabe falar klingon. como assim, perguntarão vocês? pois, é. não sabe.
vocês podem avaliar o tamanho da minha decepção? será então que tudo o que eu acreditava sobre ela era mentira? eu, que já via com carinho tantas bizarrices, senti o chão faltar sob meus pés. quase tive um "teto preto".
com os dias, minha pressão voltou ao normal e pude ser desamarrado da cama, de onde minhas únicas frases inteligíveis eram "por quê? por quê? porquê?".
em nome da manutenção do meu casamento (sejamos realistas, tá morando junto há mais de um ano e meio, casou, né?), usei meus dotes de bom fuçador de internet que suponho ser - e cada dia descubro que não -, para encontrar a solução para o problema:
THE KLINGON LANGUAGE INSTITUTE
o site ensina a escrita, os sons dessa... ahram... língua, com direito a vocabulário e frases para o dia-a-dia (!). agora, sim, poderemos voltar a ter uma vida normal e pacífica.
27 setembro 2005
"ô cride! fala pra mãe!"
foi com tristeza que recebi a notícia de que o ronald golias morreu agora há pouco, no hospital são luiz, em são paulo. a causa da morte parece ter sido uma infecção generalizada decorrente de uma infecção pulmonar.
era quase constrangedor ver seu talento cômico desperdiçado em programas rasteiros como "a praça é nossa" e "meu cunhado". aliás, um amigo que trabalhou nos trapalhões contou que ouviu do próprio renato aragão que sua sorte era o golias ter ido para o sbt.
"Olímmmmmmpia!"
o pai dos burros
Resultado: 26 pontos
Eu tenho um excelente vocabulário.
Teste Seu Vocabulário.
Oferecimento: InterNey.Net
copiei do dudu. muito legal, o teste. levei umas rasteiras que não imaginava.
22 setembro 2005
bulldozer empresarial
depois do plínio de arruda sampaio, em maio (ainda hei transcrevê-la, o trecho do site não faz jus à sua contundência), a caros amigos arrasa esse mês com uma entrevista com cecílio do rego almeida, considerado pekla revista como "o maior grileiro do mundo".
tendo se apropriado de um terreno no pará com duas vezes o tamanho da bélgica, o empreiteiro truculento que prosperou durante a ditadura destila um pouco da podridão endêmica que parece acometer a totalidade da elite empresarial do país. nauseante, apesar da interessante visão sobre a wwf. só lendo para entender.
interlúdio apaixonado (por que não?)
do leminski, porque é sempre bom começar o dia com poesia. principalmente se for do cachorro louco:
Carrego o peso da lua,
Três paixões mal curadas,
Um saara de páginas,
Essa infinita madrugada.
Viver de noite
me fez senhor do fogo
A vocês eu deixo o sono.
O sonho, não.
Esse, eu mesmo carrego.
ao salsão, amigo tardio de infância. um dos poucos que conheço capaz de iluminar.
meu remédio contra a mediocridade.
21 setembro 2005
já vai tarde...
o blog do noblat é referência para quem quiser acompanhar o planalto minuto a minuto. e ainda nos brinda com curiosidades como essa:
21/09/2005 ? 16:38
"Voltarei. O povo me absolverá."
O discurso que Severino está lendo tem seis páginas - isso porque foi encurtado!
Vai terminar assim: "Voltarei. O povo pernambucano, mais uma vez, não me faltará. Minha querida João Alfredo e os outros municípios de minha base não me faltarão.
Vou rebater as acusações. Vou provar que estou sendo condenado pelas palavras de um empresário desastrado, mentiroso e devedor dos cofres públicos.
Voltarei.
Já anunciava o profeta Jó: 'o júbilo dos ímpios é breve e a alegria dos hipócritas, apenas um momento.'
Todos seremos, muito breve, julgados pelo povo. Para quem dedicou sua vida à política, esse é o julgamento que conta, a sentença que importa.
Voltarei. O povo me absolverá."
em seu discurso de despedida, cavalganti (sic) fez várias alusões à sua trajetória de próspero comerciante a parlamentar falido, graças ao exercício da política. estaria justificando seus atos de roubalheira?
update:
depois de um silêncio tumular no plenário durante o discurso, no fim o povo nas galerias da câmara explodiu numa manifestação contra o imperador do baixo-clero. os parlamentares, atarantados, suspenderam a sessão por dez minutos e mandaram evacuar os manifestantes. a tv câmara cortou o áudio do plenário.
20 setembro 2005
a gente merece?
notícia retirada do blog do noblat:
20/09/2005 ? 18:36
O sobrevivente
No dia 12 de agosto de 1952, Severino Cavalcanti era um caixeiro viajante que negociava jóias e batia perna pelo interior do país. Embarcara num vôo de Cuiabá com destino a Goiânia. Por um problema qualquer, o avião foi obrigado a fazer escala em Rio Verde, pequena cidade de Goiás.
Ali, Severino conheceu Antônio Borges Teixeira, de 21 anos de idade, filho do ex-governador Pedro Ludovico. Um irmão de Antônio, Mauro Borges, mais tarde governaria Goiás e seria deposto pelo golpe militar de 1964. Antônio precisava embarcar com urgência para Goiânia e o vôo estava lotado.
Severino cedeu seu lugar. Antônio embarcou. E o avião caiu antes de chegar a Goiânia. Ninguém sobreviveu.
No último dia 12 de agosto, ainda no auge do seu prestígio como presidente da Câmara dos Deputados, Severino foi homenageado em Rio Verde e recebeu de uma vereadora o que ela chamou de "certidão simbólica de renascimento". Estava feliz, e com razão. Foi paparicado por políticos de quase todos os partidos.
Engana-se quem pensar que amanhã será o dia da morte política de Severino. Ele sairá da Câmara da maneira mais humilhante possível para entrar direto na campanha por um novo mandato de deputado federal. E até seus desafetos em Pernambuco admitem que Severino se elegerá outra vez.
é duro ser brasileiro...
18 setembro 2005
wc fields on the rocks
o comediante americano wc fields era uma figura ímpar. atuante no início do século passado, era um bebum emérito, politicamente incorreto, misógino e dono de um nariz tão indecente quanto o do costinha.
aqui, uma coleção de "aspas" curiosas. para se ter uma idéia do teor, repito uma que já bostejei: "ninguém que odeia crianças e cahorros pode ser de todo mau". para quem sabe inglês, vale a pena absorver as pérolas de sabedoria.
16 setembro 2005
edgar allan poe de botafogo
como achei que estava ficando muito ranzinza, resolvi quebrar um pouco o climão com uma história gozada (epa!) que aconteceu comigo outro dia.
bem cedo pela manhã, a tati já havia partido para o trabalho, enquanto no rádio-despertador, o heródoto barbeiro anunciava uma série de desgraças na tentativa de me arrancar da cama.
em pleno lusco-fusco da consciência, ouço de repente a porta do quarto abrir-se, como se alguém a tivesse empurrado. não era o vento, disso tinha certeza. estava de costas para ela, assim permaneci, entorpecido de medo de acreditar na hipótese boçal de que alguém pudesse ter entrado em casa.
o segundo som que ouvi foi o farfalhar de um saco plástico no banheiro. continuei intrigado. "será que estão roubando minha escova de dente, o pincel de barba e o sabonete?" era demais. quando o barulho afastou-se em direção à sala, levantei para ver o que estava acontecendo.
14 setembro 2005
uma vez lobo...
sincronicidade é eu estar anteontem no msn papeando com o dude sobre a pletora de possibilidades "gastronômicas" que os trinta anos oferecem (inda que apenas hipotéticas e quiméricas, mas sempre bem-vindas), e hoje, no curso, ouvir a seguinte frase:
"o diabo é perigoso não porque ele é mau, mas porque é velho".
12 setembro 2005
míusique is mâni (e outras chorumelas)
há muito tempo não tenho mais paciência para a mtv. quando era novidade, às vezes eu virava a madruga com a tv ligada baixinho, como música de fundo. mas passada a marola inicial, fica nítido que a programação é uma enorme peça publicitária, pronta para vender qualquer coisa -- eventualmente, até música. isso cansa.
mesmo assistindo pouco, comecei a perceber que as melhores canções não fazem parte da programação regular; são as que aparecem geralmente na trilha incidental de alguns programas. repara só.
o resto é quase sempre libido disfarçada. exemplo: chega para um moleque dos 15 aos 20 anos e pergunta qual a primeira coisa que ele pensa quando ouve os nomes de britney spears ou christina aguilera? e a avril lavine, a namoradinha ideal de dez entre dez rebeldes de playground?
é batata. se eu estiver errado, mereço um cascudo.
como dizia a plebe rude há mais de 20 anos, " a música não importa, o importante é a renda".
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enquanto isso, naquela bela cidade ao sul do equador, uma turba ensandecida aproveita o domingo de sol para botar água no chopp do civismo de fim de semana, numa pequena demonstração do conflito jihad X mcmundo expresso pelo livro homônimo do benjamin barber. ficam assim reforçados os argumentos dos que acham que todo o espaço público deveria ser privatizado, à maneira dos shoppings centers.
*****************
ainda não tenho opinião totalmente formada sobre a questão do desarmamento, mas não acredito que os bandidos vão ficar mais ousados do que já estão porque a população estará virtualmente (mais) indefesa. e entre os que são favoráveis ao porte com quem conversei, não havia um que possuísse arma. também não sei de relatos em que cidadãos comuns (não me refiro a policiais ou militares) tenham impedido a ocorrência de qualquer episódio de violência por estarem de posse de um "pau-de-fogo".
talvez estejamos vendo muito filme americano. mas o que sei eu?...
10 setembro 2005
quem tem olho grande não entra na china
Yahoo ajudou a localizar dissidente chinês para sua detenção. a notícia é da efe (via comunique-se), com base em denúncia do repórteres sem fronteiras.
o jornalista shi tao, de 37 anos, foi condenado em abril a 10 anos de prisão por "divulgar segredos de estado ao exterior", que nada mais eram do que "um aviso de possível crispação social por ocasião do décimo quinto aniversário do massacre de estudantes pró-democracia na Praça da Paz Celestial (1989)".
Segundo as autoridades chinesas, e o texto do veredicto demonstra que a Yahoo Holdings, com base em Hong Kong, facilitou sua identificação.
A Yahoo deu às autoridades chinesas a direção IP ou bloco de rede, que identifica o local desde o qual Shi Tao registrou a informação na Internet.
como dizia um conhecido, "paranóia é uma forma avançada de inteligência". por essas e outras, não uso mais nem o yahoo! nem o cadê?, seu braço nacional. hoje é lá, mas amanhã pode ser aqui.
08 setembro 2005
acm neto é o ovo da serpente
sinto arrepios no espinhaço toda vez que aparece a figura do neto de acm no noticiário da "estrela da morte". pelo jeito, a emissora continua alimentando a estratégia do jovem salvador da pátria, a mesma utilizada para levar o collor ao poder.
dessa vez, o ungido era o aécio neves, mas como as denúncias de caixa dois no psdb poderiam torpedear a futura candidatura ao planalto, suas barbas foram providencialmente postas de molho (aqui tem uma análise interessante, apesar da fonte questionável).
cadê a revista veja nessas horas?
a opção foi dar visibilidade a um substituto que, teoricamente, não estivesse atolado na bosta. assim surge a figura nefasta de acm neto, superexposto no palco midiático das cpis no papel de vingador da ética e da verdade. enquanto o mancebo colhe os louros de sua imagem de inovadora alternativa política, vovô malvadeza refrea seu ímpeto histriônico para não melar o futuro do herdeiro.
não se deixem enganar: acm neto é uma espécie de dorian gray, cuja figura "bonitinha" esconde toda a sorte de podridões e desvios de caráter da família.
ps: sempre de olho no lance, o kibeloco dá destaque no dia 30/08 à cômica frase pronunciada pelo politiquinho no programa do jô soares: "quem renuncia para não perder o mandato é culpado para o resto da vida". eles também linkam para um artigo muito bom.
02 setembro 2005
gênios da publicidade
nossos publicitários não andam lendo o noticiário.
se não, qual seria a explicação para escalarem a malu mader (recém recuperada de um cisto cerebral) para anunciar um analgésico cujo texto diz algo como "a gente tem que se dividir em duas, não dá para perder tempo com dor nas costas, dor de cabeça".
cada um tem o representante que merece...
minha amiga tati (não a piv) indignou-se com a condecoração do severino cavalganti (sic) com a grã-cruz do rio branco, a insígnia de mais alto grau da diplomacia brasileira.
ora, não vejo motivo para espanto ou indignação: calígula não queria fazer de incitatus cônsul?
01 setembro 2005
o mito juvenil da imortalidade
ok, senhoras e senhores, não sou mais o "garoto sapeca" que, tal qual o "avã garde" de oswald de andrade, "brincava, xingava, comia meleca". no entanto, não esperava levar uma rasteira do próprio corpo. pois o resultado do check-up a tanto tempo pedido por mamã e finalmente realizado -- graças aos contatos de dona patroa (vou levar um cascudo por isso) --, me deu um susto e tanto: colesterol nas alturas e fígado engordurado; ambos, provavelmente, fruto dos desvarios juvenis, que, apesar de mais escassos, ainda aconteciam esporadicamente.
mas afinal, o que mais pode um homem que, assim como o anti-herói de checov, tem consciência de tudo o que se passa ao seu redor, mas é impotente para mudar o rumo das coisas, senão beber? e comer uma lingüicinha? e sambar de vez em quando? e beliscar umas morenas? pois é, meus caros, assassinaram o camarão... começará assim a tragédia no fundo do mar? não! afinal de contas, não perdi várias noites de sexta em frente ao globo repórter em vão. tenho guardadas na cachola todas as dicas do chapelin.
já comecei a mudar de vida: agora em casa só entra gororoba light (puá! a gente ainda tem que fingir pra si mesmo que aquilo tem gosto!), e todo dia au matin, le chef (moi-même) prepara uma tisana de berinjela batida em água para ser tragada antes do desjejum. tudo isso para daqui a dois meses submeter-me a um novo hemograma que avaliará se meus níveis de colesterol baixaram, para que não tenha que tomar remédios. quem diria, héin, super-homem? culpa do lado da família da minha mãe, de quem herdei esse legado macabro -- mas que acabará em mim, e não comigo!
bom, quanto ao álcool, por enquanto ainda faço vista grossa, mas em breve não poderemos mais continuar nos encontrando desse jeito. minha neurologista de plantão calcula uns seis meses de abstinência até o bichinho voltar ao normal. pô, e eu que sempre teci loas ao meu fígado nos cadernos de perguntas das meninas do colégio, quando era para dizer qual a parte do corpo que eu mais gostava... poderíamos considerar o caso como traição?
eu, que sempre admirei a força de vontade de um amigo que passou um ano inteiro sem beber para se recuperar de uma hepatite, estou seguindo pelo mesmo caminho. "é a minha vida", uma vez ele respondeu, com uma garrafa de mate embaixo do braço, enquanto nos dirigíamos para uma daquelas festas de arromba que tive o prazer de participar quando era mais novo. (pensando bem, a expressão "festa de arromba" me fez sentir o peso da idade, apesar dos apenas três fios de cabelo branco que me adornam o coco; um recorde em comparação aos meus contemporâneos.)
é isso, colegas. estou no quilômetro dois da estrada da vida, e apesar do corpinho de falstaff, a idade cobra seu tributo. mas ao contrário do que talvez possa ter parecido, tô tranqüilo, tô numa nice. na verdade, sempre tive uma certa queda pelo ascetismo, e que melhor hora para botá-lo em prática? daqui a dois meses a gente conversa sobre isso de novo. alea jacta est!
ui!
31 agosto 2005
gabeira ficou macho
Sua presença na presidência da Câmara é um desastre para o Brasil, para a imagem do Brasil. Ou vossa excelência fica calado ou vamos começar um movimento para derrubá-lo!
o esporro acima foi a resposta do deputado do pv do rio à proposta de severino cavalganti (sic) de trocar a cassação dos envolvidos no mensalão por uma advertência. ao que o presidente da casa (da-mãe-joana) retrucou, gaguejando de indignação:
Vossa excelência, deputado, se recolha a sua insignificância, deputado, e não faça insinuações, que só cabem ao senhor. Eu não aceito.
ou meu português anda mais enferrujado do que imagino, ou não houve insinuação por parte do gabeira, e sim, uma afirmação categórica. pode ser que talvez o sevé não tenha entendido...
a propósito, o relato do quiproquó está aqui. espero que dê para ver o vídeo.
26 agosto 2005
a serviço do cramulhão
já tinha lido cobras e lagartos sobre o rupert murdoch. da maneira como ele vem tomando conta da mídia americana e mundial. seu império amealhou, entre outros empreendimentos, o new york post e o london times, os estúdios da twentieth century fox, a fox network, e 35 estações de tv que cobrem quase metade do país.
que o sujeito era de direitaça eu já sabia. ou melhor, não sabia até assistir ao fox news, que descobri transmitido pelo canal 97 do cabo. é de uma boçalidade indescritível. ontem me controlei para não vomitar diante de um noticiário apresentado por dois "marionetes", hannity & colmes, onde um (acho) ex-agente da cia defendia a proposta do pastor ted robertson em assassinar o chávez (o da venezuela, não o do seu madruga). estranho é que o canal de entretenimento até que é meio metido a "liberal de esquerdinha". as aparências enganam...
o mais interessante de tudo foi descobrir o documentário outfoxed: rupert murdoch's war on journalism, que radiografa as atrocidades políticas cometidas pelo fox news sob a alcunha de jornalismo (desnecessário dizer que já botei pra baixar no emule). é de arrepiar!
tem um clipe legal aqui. em quicktime.
Para FHC não esquecer
O ex-presidente FHC diz que não sabe como Lula ganhou as eleições para presidente. Vamos lembrá-lo então. Lula ganhou porque FHC fracassou. Ele pode não saber, mas o povo brasileiro, que o mantém como o mais rejeitado dos candidatos à presidência, sabe muito bem.
do emir sader, na carta maior.
e pensar que muitos dos que reclamam hoje votaram no barbudo justamente porque ele garantiu que "os fundamentos da economia" (o que quer que isso signifique) seriam mantidos...
24 agosto 2005
é normal isso ou é só comigo?
o tempo voa se arrasta enquanto você espera os jornais on-line publicarem o resultado da mega-sena.
deve ser ansiedade de principiante.
18 agosto 2005
hoje eu entendo...
Os gatos são nobres e exigentes, ao passo que os cães, não importa de que nível social, conservam a falta de classe dos novos-ricos e são incorrigivelmente vulgares.
Pierre Loti.
14 agosto 2005
como nascem os boatos
...parece que o que causou o cisto cerebral na malu mader foi o consumo de café pimpinella.
12 agosto 2005
Globo deve fazer programa infanto-juvenil especialmente para Grazi
tenho até medo de imaginar uma análise freudiana dessa relação entre erotismo e entretenimento infantil.
minha doralinda
o tempo passa, o mundo gira, a lusitana roda, e algumas coisas continuam firmes; modificam-se, é verdade, mas como engrenagens qeu, com o passar do tempo, adaptam-se melhor. ainda bem.
Doralinda - João Donato/ Cazuza (quem diria que eu ainda tiraria o chapéu para esse cara?)
Eu queria te dar a lua
Só que pintada de verde
Eu queria te dar as estrelas
De uma árvore de Natal
E todo o dinheiro falso do mundo
Eu queria te dar
Um carro conversível
Forrado de branco
Uma viagem pelo mundo
Num navio branco
E um sapato com salto de brilhante
Pra você passear
Passear
Porque te amo, te adoro e venero
Eu sou louco por você
Porque te amo, te adoro e venero
Eu sou louco por você
Eu queria te dar
Eu queria te dar um vison
Pra você andar no inverno na praia
Em Santa Catarina
Eu queria te dar
Eu queria te dar um amor
Que talvez eu não tenha pra dar
Ah…
Você não é bonita
Você não é nem charmosa
É tímida e envergonhada
Minha Olívia Palito
Mas singraria sete mares
À tua procura
E te daria uma vida bem segura
Às vezes te vejo
Lavando a sua roupa
Com aquele cheirinho de sabão
Eu queria te dar
Uma máquina de lavar
Secar, lavar prato
Te maquiar
Te ensinar a falar inglês
Porque você é uma rainha
Mas a vida é assim
O que tem que ser já é
Bonito, Doralinda
Doralinda
Doralinda
11 agosto 2005
gênios da publicidade
no vocabulário dos publicitários que anunciam pasta de dente, a palavra "frescor" foi trocada pela onipresente e hedionda "refrescância", que não existe em nenhum dicionário ou gramática.
tem uma marca que eu até já deixei de comprar só por causa desse "neosubstantivo".
aliás, pasta de dente, não, "creme dental". mas onde diabos alguém diz que compra ou usa determinado "creme dental"?! é o mesmo artificialismo criado nos comerciais de ração, em que os cachorros são tratados como "cães". qual é o problema, dizer "cachorro" é feio? denigre a categoria do animal? como dono de gatos, vou exigir do conar que, de agora em diante, os bichanos sejam tratados por "felinos".
10 agosto 2005
testezinho
tarrado do dudu:
Três coisas que me assustam:
- tpm
- vazamento de gás
- ser pego em flagrante fazendo algo errado
Três pessoas que me fazem rir:
- Márcia, minha irmã
- Marinho, meu amigo
- Celso, "meu pai"
Três coisas que eu amo fazer:
- passar horas bundando em livrarias
- ver filmes
- caminhar
Três coisas que eu odeio:
- trânsito lento quando estou com pressa
- gente atravancando calçada
- não ter dinheiro
Três coisas que eu não entendo:
- física quântica
- matemática, em geral
- quem é o "genésio" na música "kid cavaquinho"
Três coisas em cima da minha mesa:
- um telefone
- um computador
- uma xícara de café frio
Três coisas que eu estou fazendo agora:
- digitando
- precisando tomar banho
- correndo atrás de trabalho
Três coisas que eu quero fazer antes de morrer:
- envelhecer
- estudar arco-e-flecha
- aprender a pilotar avião
Três coisas que eu sei fazer:
- ler
- escrever
- desenhar
Três maneiras de descrever minha personalidade:
- boêmio
- divertido
- procrastinador
Três coisas que eu não consigo fazer:
- morder a orelha
- lamber o cotovelo
- enxergar através dos sólidos
Três bandas/cantores que eu acho que você deveria ouvir:
- babau do pandeiro
- maurício negão
- miles davis
Três bandas/cantores que eu acho que você NUNCA deveria ouvir:
- passo. as que vc não deveria ouvir eu também não ouço.
Três coisas que eu digo freqüentemente:
- "sai, chica!"
- "tatiana, um...tatiana, dois..."
- "não sei"
Três das minhas comidas favoritas:
- empada de camarão
- farofa
- gefilte fish (mas tá difícil de comer agora...)
Três coisas que eu gostaria de aprender:
- voar
- tocar violão
- ficar invisível
Três coisas que eu bebo regularmente:
- água
- mate
- chopp (com menos freqüência do que eu gostaria, com mais do que eu deveria)
Três programas de TV que eu assistia quando era pequeno:
- "o elo perdido"
- "amaral netto, o repórter"
- "sala especial" (esse, escondido)
ao que parece, nada mudou...
[Os plutocratas acreditam que há algumas coisas piores que a Guerra]: o confisco dos privilégios especiais; a abolição do lucro imerecido; a derrubada do parasitismo econômico; o estabelecimento de uma democracia industrial. Os plutocratas achariam bem-vinda uma guerra que prometesse a salvação contra qualquer uma dessas calamidades; eles também achariam bem-vinda uma guerra que garantisse mais mercados externos, a destruição da competição estrangeira, mais segurança para os direitos de propriedade e uma maior dominação da vida pelo despotismo plutocrático.
(...)
O controle e a posse dos recursos naturais, bancos, ferrovias, minas, fábricas, partidos políticos, cargos públicos, tribunais e decisões jurídicas, o sistema de ensino, a imprensa, o púlpito, a indústria cinematográfica, as revistas -- todo esse poder seria acumulado para nada em uma comunidade que se acreditasse uma democracia, a menos que a opinião pública estivesse por trás dele.
Como poderia a plutocracia -- a desacreditada, difamada plutocracia -- conquistar a opinião pública? Só haveria um meio: ela deveria alinhar-se a uma causa que controlasse a confiança pública. A causa escolhida foi a defesa dos Estados Unidos.
Com o imenso poder da imprensa pública à sua disposição; a posse de meios ilimitados; unidos em torno de uma política comum, a plutocracia espalha o terror sobre a nação.
o texto acima é um fragmento de "the great madness -- a victory for american plutocracy" ("a grande loucura -- uma vitória para a plutocracia americana"), do socialista estadunidense scott nearing. até ai, nada de mais, se o texto não tivesse sido escrito em 1917, em razão da entrada de seu país na primeira guerra mundial.
no dia de seu sexagésimo-segundo aniversário, em 6 de agosto de 45, ele escreveu uma carta ao presidente truman, que tinha acabado de bombardear hiroshima:
Seu governo não é mais o meu. Deste dia em diante, nossos caminhos divergem: você continua em seu curso suicida, explodindo e amaldiçoando o mundo. Eu volto minha mão para a tarefa de ajudar a construir uma sociedade baseada na cooperação, justiça social e bem-estar humano.
algo mais sobre o caboclo, que viveu cem anos, aqui (também em inglês).
06 agosto 2005
nunca é demais lembrar...
de vez em quando bate uma tristeza, uma desesperança da vida, falta de perspectiva, medo do futuro e do naufrágio. nessas horas nunca é tarde para lembrar-se dos "fabulosos cadillacs", e botar uma canção para tocar:
Los condenaditos (G. Fernández Capello)
Dónde está escondido ese recuerdo tan temido
Qué parte de tu cuerpo guarda todo, escondido
larará, larará
Dónde está escondido ese recuerdo tan preciado
Qué parte de tu cuerpo guarda todo olvidado
Por qué estas tan cansado?
No vez que sos pendejo
Dejá de complicarte
Que ya estás casi muerto
larará, larará
Dónde está la llave
Que te abra la ventana
Quién dicta la sentencia
Que esta robando el alma
Por que estás tan cansado?
No vez que sos pendejo
Dejá de complicarte
Que ya estás casi muerto
larará, larará
Muerto, muerto, muerto
Mirá te están velando
Son todos tus amigos
Todos tus recuerdos olvidados (X2)
Se nubla, se nubla
Se nubla, se nubla
Se nubla, se nubló
Dónde está escondido ese recuerdo tan temido
Qué parte de tu cuerpo guarda todo, escondido
Muerto, muerto, muerto
Mirá te están velando
Son todos tus amigos
Todos tus recuerdos olvidados(X2)
Se nubla, se nubla, se nubló.
e tenho dito.
05 agosto 2005
in waltinho we trust (?)
dada a minha tendência a prelibar coisas macabras (obrigado, pedro!), sempre imaginei a lambança que seria um filme do on the road. mentira. não pensei, porque nunca achei que pudesse ser feito, sem que a essência "vagamundo" do livro se perdesse ao ser condensada em duas horas. afinal, fora a ida ao méxico, o cara cruza os estados unidos de carro umas três vezes, se não me falha a memória.
mais aí, leio que walter salles tá escalado para dirigi-lo, com produção do coppola. fico mais tranqüilo, porque confio no taco (epa!) e na sensibilidade do rapaz. mas kerouac não é che guevara. "mi primer gran viaje", de onde saiu o "diários...", é muito diferente de "pé na estrada". além de ser um livro de tamanho muito menor (embora talvez até menos descritivo), "mi primer.." parece ser de adaptação mais simples.
mas depois do que fizeram com o asimov, e a bomba que deve ficar a adaptação do john fante (com o colin farrell de bandini! não vou nem passar perto do cinema quando estrear), nada mais me surpreende. pelo menos, no waltinho dá para se confiar.
se bem que estão anunciando um filme dele com a jennifer connely, com a maior cara de ser de terror. veremos...
update: achei uma página que dá umas informações legais sob a bibliografia do fante.
01 agosto 2005
as virgens suicidas
acabei de rever "as virgens suicidas", da sofia coppola, com um apertinho bom no coração. não sou dado a nostalgias, mas esse filme retrata com perfeição o gosto da adolescência -- um misto de angústia, ansiedade, antecipação e amor. tempos repletos de urgências dramáticas e desejos, que, não atendidos ou negados, parecem oferecer como única solução o fim à vida.
uma das grandes espertezas da fita é centrar a narrativa no ponto de vista dos garotos da vizinhança, que tentam remontar os acontecimentos como um quebra-cabeças de pequenos vestígios do dia-a-dia. lembrou-me muito a época em que eu e um pequeno grupo de amigos, inocentemente tentávamos desvendar os mistérios que o mundo, e, principalmente, as meninas, reservavam para nós.
We knew the girls were really women in disguise, that they understood love, and even death, and that our job was merely to create the noise that seemed to fascinate them.
outro ponto a favor da sofia (já tô íntimo) é não cair na esparrela de tentar explicar os "motivos", tampouco banalizar a situação puxando pela neurose dos pais. a opção é pela sutileza das pequenas violências, como na cena da queima dos discos. o clima solar, quase de conto de fadas, ajuda a não deixar o filme cair na morbidez óbvia, e a trilha sonora do "air", se me premitem a má literatura, é linda de morrer. quase hipnótica, inebriante como deve ser um uma overdose de soníferos ou um barato de gás carbônico. ótima escolha; gostaria de saber até que ponto o fato de os músicos serem quase adolescentes ajudou.
So much has been said about the girls over the years. But we have never found an answer. It didn't matter in the end how old they were, or that they were girls... but only that we had loved them... and that they hadn't heard us calling. Still do not hear us calling them from out of those rooms... where they went to be alone for all time... and where we will never find the pieces to put them back together.
a cena da conversa por músicas é muito bem sacada. e reescutar "you're so far away", da carole king, foi pungente. é meio cafoninha, mas capaz de me transportar de volta aos seis anos de idade, aos rincões da tijuca, às lembranças das minhas primeiras paixões. eram amigas da minha irmã mais velha, algumas quem sabe já mocinhas, cuja companhia tornou minha infância muito colorida e rica em experiências. um dia eu falo mais da importância da minha irmã mais velha para minha apreciação do gênero feminino.
a claudia, eu considerava minha namorada, a quem presenteei com uma figurinha do álbum do filme king kong, estampada com a foto da jessica lange. verinha, a mais linda, morava na casa do lado do meu prédio, e simone. ah, simone...era filha do porteiro, e talvez seja dela a culpa pela minha paixão por mulheres de pele branquinha e cabelo encaracolado. simone, a primeira que me mostrou suas graças, enquanto nos escondíamos no banheiro da empregada lá de casa.
algumas paixões juvenis podem marcar mais que água fervente sobre a pele, embora não sejam vistas a olho nu. como saldo final, alguma nostalgia das velhas amizades, muitas das quais só existem hoje em fotos esquecidas dentro de algum livro, ou perdidas em um fundo qualquer de gaveta.
enfim, para mim, esse filme manda muito melhor que o seguinte, lost in translation.
30 julho 2005
para ler nas entrelinhas
o consciência.net faz uma radiografia da opinião da globo através da coluna observatório do jn (lá no pé da página).
nesses tempos de monopólios midiáticos, as opiniões da estrela da morte estão forjando não apenas a opinião pública, mas um modelo de inconsciente coletivo.
é a murdochização tupniquim...que mêda!
29 julho 2005
entrou para a direita
(para a coluna da direita, bem entendido)
tá com saudades dos textos do carlos castello branco? das pretinhas batucadas pelo joão saldanha? e que tal contar ainda com o auxílio luxuoso de lena frias, e dele, o próprio dr. nascimento brito?
só aqui no avenida brasil (que também poderia ser rio branco...).
28 julho 2005
atire a primeira pedra?
em sua biografia, além da frase "esqueçam o que escrevi" (apócrifa, ao que parece, mas nem por isso menos ilustrativa), o príncipe fernando henrique cardoso deveria acrescentar outra, "esqueçam o que fiz". e ficar bem quietinho até 2007, porque sua reputação não resiste a um "olha o rapa!" gritado na uruguaiana.
no mais, o aldir continua afiadíssimo. não por acaso o considero, ao lado do fausto wolff, um dos camaradas mais perspicazes da atualidade. além de um compositor de futuro. guardem esse nome.
Rua dos Artistas: Varejeiras na sopa
Publicado por Aldir Blanc no Jornal do Brasil em 26/07/2005
O deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE) expectorou, na CPI dos Correios, em tom mucho surpreso:
- Nós falamos em milhões como se falássemos de trocados...
É verdade, deputado. Vossa Excelência tem razão. Como político profissional, deveria estar acostumado ao fenômeno (não confundir com o Ronaldo). No textículo abaixo, fornecerei alguns subsídios à perplexidade de Vossa Excelência.
O amigo e leitor Isaac Goldenberg respondeu a meu pedido de ajuda lançado em crônica passada. Recebi um suculento e-mail que, certamente, será de utilidade pra alcatéia que gosta de carniça fresca e omite o que lhe convém. Vamos ver alguns milhões que viraram trocados, deputado Sérgio Guerra:
1. Sivam - O tal Sistema de Vigilância da Amazônia, que derrubou ministros e assessores presidenciais de FHC I e II. Cifra estimada do contrato, entre outras denúncias de corrupção e tráfico de influências: US$ 1,4 bilhão!
2. Com o Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer), tucanagens de FHC I e II beneficiaram com R$ 9,6 bilhões o Banco Econômico, para favorecer o aliado ACM, vulgo Malvadeza. Hoje já temos até o Malvadinho atuando na CPI dos Correios.
3. Precatórios - Mutreta com pagamentos de títulos no DNER (Departamento de Estradas de Rodagem). Prejuízo estimado: R$ 3 bilhões.
4. Compra de votos - Essa foi muito bacaninha, deputado Sérgio Guerra, porque mostra a diferença entre mensalão do PT e mesadão das elites. Aqueles que votaram a favor dos projetos de governo de FHC I e II teriam recebido R$ 200 mil (cada um, claro). O pedido de uma CPI foi afundado pelos dignos parlamentares governistas.
5. Socorro nas coxas aos bancos Marka e FonteCidam - Rombo no bolso da galera em torno de R$ 1,6 bilhão. Tem até banqueiro foragido. Pra variar e ficar igual, proposta de criação de uma CPI foi arquivada pela bancada governista.
6. Apoio à Previ, caixa de previdência do Banco do Brasil, pra uma mãozinha - grande - ao consórcio do Banco Opportunity. Um dos donos do banco era o tucano Pérsio Arida. A negociata envolvia a Telebrás, o BNDES, o então ministro das Comunicações, Luis Carlos Mendonça de Barros etc., etc. Valor estimado da cartada: R$ 24 bilhões. CPI evitada.
7. Denúncia em torno da grande figura tucana Eduardo Jorge, secretário geral da Presidência de FHC - esquema de liberação de verbas no valor de R$ 169 milhões para o TRT/SP; lobbies para favorecer empresas de informática; uso dos fundos de pensão nas privatizações.
8. O procurador-geral da República da época, Dr. Geraldo Brindeiro, foi batizado de ''Engavetador Geral''. Dos 626 inquéritos instalados até maio de 2001, 242 foram engavetados e 217 arquivados. Envolviam 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e ex-ministros e, em quatro deles, o próprio FHC I I e II.
Não apuraram lhufas. De nada, deputado Sérgio Guerra. Disponha sempre.
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ps: fh nega a autoria da frase, mas o globo de 26 de maio de 2003 o desmente. infelizmente, não tenho link ou o autor do texto, mas a referência está na página 27 da prova de vestibular da ibmec para o segundo semestre de 2003 (tem que baixar, por isso demora para abrir):
O presidente Fernando Henrique Cardoso passou seus dois mandatos sob a espada de Dâmocles por causa de uma frase que negou, em diversas oportunidades, ter dito: 'Esqueçam o que escrevi'. A frase literal seria 'Esqueçam o que escrevemos no passado, porque o mundo mudou, e a realidade hoje é outra' e teria sido dita, segundo os presentes, num almoço fechado com empresários, em São Paulo, em junho de 1993, quando ainda era ministro da Fazenda do governo Itamar Franco.
medo da tia regina
na época das eleições, eu fiquei muito puto com a regina duarte. passado o tempo, reflito em como a falta de conhecimento da personalidade das pessoas nos leva a equívocos.
hoje me pergunto como, afinal, pude ter raiva dela?
27 julho 2005
síndrome de odorico
a síndrome de odorico paraguassú -- mal batizado em homenagem ao imortal personagem do idem dias gomes, e que acomete a maioria esmagadora de nossa classe política -- acaba de fazer mais uma vítima:
“Eu rejeito, reajo com indignidade com relação a essa informação de que a CPMI estaria escondendo ou deixando de deixar informações para os deputados, deputadas, senadores e senadoras. O drama que todos nós temos não é privilégio de um, de dois, de três, de quatro, mas de todos os parlamentares”, afirmou o senador Delcídio Amaral (PT-MS), presidente da CPI dos Correios.
meus pobres tímpanos quase se romperam ao escutar essa pérola do jornal nacional de ontem. daí fui conferir a transcrição; afinal, poderia ter sido apenas um excesso de cerume. mas qual...
é capaz de o nobre deputado ter ficado mesmo muitíssimo indignado, para reagir de tal maneira àquela informação. não tanto "com relação", mas talvez em relação a ela, ainda que sua aplicação fosse desnecessária.
sinceramente, prefiro as metáforas futebolísticas do lula...
tirou as palavras da minha boca
Vingou nas redações a certeza de que qualquer um pode ser crítico de cinema porque todo mundo vai ao cinema desde criança. Na verdade, qualquer um pode ser crítico de cinema, hoje em dia, porque qualquer jornalista razoavelmente adestrado é capaz de redigir um comentário de 30 linhas depois de abastecido de informações que às toneladas lhe chegam às mãos, através de folders promocionais, revistas, sites e programas de TV por assinatura. Se lhe derem menos de 30 linhas, talvez nem precise assistir ao filme—e ninguém irá notar.
retirado daqui. para ser mais exato, do texto do sérgio augusto "o outono (ou já seria o inverno?) da crítica", transcrito no dia 14/07/2005.
infelizmente, o fato não se restringe às redações. por essas e outras que só por educação pergunto às pessoas suas opiniões sobre filmes...
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a propósito, como até o stevie wonder deve ter notado, a cara do blog mudou, graças ao auxílio mais que luxuoso da tati. infelizmente, a inépcia continua a mesma.
16 julho 2005
o flagelo dos anos 80
é, o blog continua uma merda. o computador da tati morreu, e por isso não pude ainda contar com seu auxílio luxuoso para decifrar a merda que deu com o html. acho que pra amanhã tá tudo ok.
mas não era nada disso que eu queria dizer, e sim essa moda -- para mim incompreensível -- de anos 80. admitamos, é uma década boçal, ressaca dos 70 (que por sua vez, já eram o gosto-de-corrimão-de-puteiro dos 60) onde tudo chegou no fundo do poço. política, ideologia, artes plásticas, música. dessa última, então, nem se fala. o tal do rock nacional foi um festival de sorvete-na-testa que me fez parar de ouvir fm's (hoje só o carro de amigos, quando não tem cd) desacreditar de vez na produção fonográfica e em tudo que não fosse mpb (pouca coisa desta, também). há males que vêm para bem, afinal de contas.
para não dizer que nada prestou, destaco as únicas coisas do período que não me envergonho de ouvir hoje: police, paralamas do sucesso e camisa-de-vênus. o resto, na minha opinião, pode ser incinerado sem perdão ou remorso. não é por acaso que a chamam de "a década perdida".
(ah, claro, não poderia jamais deixar de citar o sovaco cabeludo da madonna -- prova inconteste da existência de um tesão superior, responsável na época pelo aumento do meu número de espinhas, cabelos na palma da mão, motivo de destroncamento de pulso e uma quase cegueira. mas, para mim, ela sempre gravitou numa esfera muito distante da música. maltratando manuel bandeira, a madonna foi o meu primeiro porquinho-da-índia.)
no site zerozen tem um especial sobre o período. a descrição do rock brasileiro, apesar de uma escorregadela aqui e outra ali, achei bem fiel. enfim alguém teve coragem de dizer algumas verdades!... do resto, não li nada, mas só o mérito de conseguir que alguns dos manés que se sentiram atingidos respondessem, já vale a visita.
14 julho 2005
eu, héin?!
então passo um carão de tempo sem bostejar, e quando resolvo fazê-lo, esse tal de 'bleggar" me deixa, do nada, um palmo de vazio entre o título e o texto?...
vai entender essa bagaça...
13 julho 2005
se cair na área... ou "como não deixar-se enganar por sofismas"
tem alguém aí?
(quase ouço o eco reverberando pelo vazio, "aí... í... í...")
pois é, estou vivo. andei um tempo cansado de escrever, assoberbado com as tarefas de sair das estatísticas de desemprego do jornal da globo, lavar, passar, cozinhar, e me assombrar com a podridão do congresso (sei que há quem se surpreenda com a minha "ingenuidade". mas no dia em que me acostumar com essa pouca-vergonha, peço para quem estiver mais próximo meter um balaço na minha nuca).
hoje cometi uma ação pouco usual, e não sei se me senti bem depois. hipótese: você entra em uma autarquia, em busca de um serviço qualquer. você entra no tal escritório a um dos inúmeros guichês, em busca de atendimento. o funcionário orienta-lhe a voltar a entrada e retirar uma senha para que o atendimento seja efetivado. você obedece, e ao chegar à maquininha, um outro sujeito, que chegou depois de você, está retirando um número. qual seria sua reação?
a) conformar-se por ter visto o aparelhino depois, retirar sua senha e esperar civilizadamente sua vez, ou
b) pedir para que o rapaz lhe dê a senha dele, alegando que você havia chegado antes.
eu, normalmente, teria optado pela primeira resposta, não sem lamentar minha sorte e falta de atenção. pois bem, hoje fui postar uma carta no correio (que nostalgia...), e me vi na situação do carinha que entra depois. um camarada que havia entrado dez segundos antes de mim, dirigiu-se ao meio da loja, percebeu o equívoco e voltou. ao me ver na maquininha, pediu que eu lhe cedesse a vez, pois ele havia chegado primeiro. detalhe: era um cara saudável, entrado nos quarenta, aparentando ser um profissional liberal de classe média. e só havíamos nós de clientes na agência; não havia viv'alma sendo atendida. fiquei tão perplexo que, por puro impulso, simplesmente retirei a senha para mim, sem sequer dirigir-lhe a palavra. diante do meu gesto, ele indignou-se, e ainda ameaçou-me dizendo que não me iria deixar passar na sua frente.
sentei-me, ainda mudo, mas já disposto a fazer valer minha prevalência, mesmo que só de birra. em alguns segundos, a luzinha anunciou meu número. ao me perceber a caminho do guichê, levantou-se, chamou um funcionário dizendo que havia chegado antes, mas não tinha tirado a senha etc. me emputeci e respondi que quando cheguei ele nem estava lá, e que o problema era dele. e cheguei-me ao balcão, estendendo envelope e senha. ele ainda tentou intimidar-me, falando alto: "ah, vai entra na minha frente, é?" ao que respondi afirmativamente. nisso, um funcionário interveio, oferecendo-lhe outro guichê. ele foi-se, resmungando que era preciso acabar com esse tipo de esperteza pequena.
confesso que senti-me um pouco mal, pois havia tomado uma atitude em completa oposição à minha natureza, mas ao mesmo tempo, meu sangue fervia. rapidamente a carta foi selada, recebi meu troco e me mandei, em silêncio. mas minha vontade era passar por ele e falar algo como "tá vendo, seu chorão? de que adiantou o faniquito?", torcendo para que ele retrucasse algo que me desse motivo para enfiar-lhe um murro na cara. o que é - volto a repetir - o oposto da minha filosofia de vida. na rua, me odiei por não ter sido mais incisivo, de não ter provocado, mesmo porque, sei que esse tipo de pequeno burguês adora latir, mas se a situação sugere qualquer tipo de entrevero físico, afina. é o típico proceder do dito "educado-eunuco", que não tem coragem o suficiente para ser veemente (e não violento, note-se a diferença), na defesa de um ponto de vista. sei disso porque ajo da mesma maneira (e não gosto nem um poucode ser assim). mas desta vez, de certa forma, estava no papel de "aproveitador boçal". fiquei também com raiva de não ter tido a frieza de um roberto jefferson, e tripudiar em cima dele com sutileza, de maneira a desestruturá-lo psicologicamente. técnica básica de retórica, ensinou minha irmã, estudante de direito.
sei que quando cheguei no prédio, subi pelas escadas e fiz umas quinze flexões, para descarregar a adrenalina. bebi água ne liguei a tv. no canal francês tava passando deus e o diabo na terra do sol. conheço a história em linhas gerais, mas ainda não foi dessa vez que consegui escapar às garras do sono e assisti-lo. bem que tentei. acordei com a tati chegando, e comentei-lhe o ococrrido. ela me deu total razão, inclusive na minha reação de não "descer ao nível do bate-boca", o que provavelmente era a intenção dele.
realmente, acho que tenho que parar de ter vergonha de não ceder sempre. e não me intimidar com manifestações pseudo-cidadãs egoístas. enfim, as mulheres hão de achar que essa conversa toda não passa de um conflito entre testosteronas...
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depois conto as coisas legais dos últimos dias. participei de uma "oficina de roteiro" no sesc com o grande lourenço mutarelli.
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sei que ninguém perguntou, mas quem quiser saber qual a minha posição sobre os dirceus, genoínos, valérios e delúbios, basta ler a entrevista com o plinio de arruda sampaio, na caros amigos de maio. depois eu explico.