25 novembro 2005

para quem não tem mais o que fazer

tentei dar uma chance ao criador, e fui bater um papo com ele (muito prático, se considerarmos que não é preciso bater as botas para isso). eis alguns trechos:

Me:
what the hell do you think you're doing to my life?
God:
I call it Hades. I like to socialize.
Me:
Do you actually exist, or it's just another wanker on the other side?
God:
You don't say actually. I exist as much as you exist.
Me:
and what are your plans for me?
God:
My secondary function is to serve as a universal natural language human interface.
Me:
in what am i thinking right now?
God:
At this moment I am not a psychic. Tell me.
Me:
...that you're nothing but a fake.
God:
Interesting observation.
Me:
so what?
God:
Maybe it doesn't maybe any difference.
Me:
why were you so mean back in the old testament?
God:
Myself programmed me for it.
Me:
who put you in charge, anyway?
God:
In any case, Carel Capek. :-)
Me: since when do you exist?
God:
I was connected to the net on the Big Bang.


mulheres de verdade? (sem link, que tô sem paciência)

não entendo o fetiche em torno da "cara-de-broa-perna-fina-sem-bunda" da angelina jolie. desculpem a franqueza, mas considero a moça o maior engodo do marketing do momento. acho que ali nem o bocão salva. e aquela peitaria que ela ostenta nas capas de revista tem pinta de ser um baita sutiã reforçado, e com enchimento. além do que, sempre achei que o tom da pele dela tem um tom meio doentio, como se ela sofresse de alguma doença hepática, reparem só. haja cosmético.

musa é assunto sério, e meus três fios de cabelo branco exigem respeito. portanto, nem me venham falar de jessica alba, naomi watts, e os olhos de sabujo da katie holmes (julia roberts nem merece comentário). sou da velha escola, criado pelas clássicas americanas, mas me ligo mesmo é na tradição européia. entre as mais "recentes", aponto a nastassja kinski, a isabelle adjani, a jennifer connelly. mas imbatível mesmo é a minha, a sua, a nossa nicole kidman. principalmente depois do nariz da virginia woolf.

no brasil, citar a cléo pires já até virou lugar comum, mas engrosso o coro. ainda da nova safra, separo a scarlett johanssen. a ludivine sagnier quase me leva à sincope em "swimming pool", mas a campeã mesmo é a eva green, do dreamers. fiquei absolutamente vidrado nela. ouvi dizer que ela fez "cruzada", também.

aliás, que coragem à do bertolucci, que belo registro poético do maio de 68 em paris. inesperado. uma beleza, mesmo.

no mais, revolução não se faz sem sexo, subversão e luta.

18 novembro 2005

comédia dessas que não se acham por aí


e não se acham mesmo. les valseuses (1974), do bertrand blier, ainda não existe nem em vídeo nem em dvd por aqui. segundo consta, e corrijam-me se estiver errado, depois da estréia nos anos 70 e tal, a outra única exibição de corações loucos (ô tradução infame!), pelo menos no rio, aconteceu no início dos anos 90. e essa, meninos, eu vi.

filmaço. irônico, provocador, sexista, politicamente incorreto, pero sin perder la ternura, jamás. a produção foi responsável por catapultar as carreiras do trio miou-miou, patrick dewaere, e de um certo gérard depardieu, ainda magro. além disso, conta com a presença da isabelle huppert com 16 aninhos (!) e da jeanne moreau, sempre cheia de elegância.

depois de mais de dez anos, minha opinião não mudou. tem no emule. se não souber francês, baixe as legendas em inglês e bote para passar sem maiores complicações no vlc, o melhor programa de multimídia que eu conheço.

17 novembro 2005

vou ali e volto já

all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.

...por enquanto. embora não seja formal, é trabalho. que o digam os autonomistas.

09 novembro 2005

definitivo e necessário

alvíssaras! inda que tardiamente, e aos poucos, retorno.

não é por nada, não, mas o stromboli e madame forrester entra para a coluna da direita com louvor. para bom entendedor...

entre outras, a série "ficção" (de 05/11), é de arrepiar.

04 novembro 2005

jornalismo enquanto fábrica de biscoito

A cobertura política, na maioria das vezes, é descritiva, repete o que o ministro disse, o que o deputado falou, nunca o que eles realmente fazem ou pensam. É ilustrativo que nunca ninguém tivesse ouvido falar de Marcos Valério até maio passado... Há diversas explicações, mas uma é muito forte: as redações encolhem sem parar. Um mesmo jornalista que escreve três, quatro materinhas por dia, é claro que não vai se aprofundar em nada. Editores e diretores viram mais homens de negócios que jornalistas. Quando amadurecem e são menos ingênuos, jornalistas mais experientes migram atrás de melhores salários. Abrem seus negócios, viram assessores de imprensa. O grosso de nossas redações é formado por semi-adolescentes. Na cobertura internacional, viaja-se cada vez menos. Confia-se demais na Internet, na CNN. Os jovens jornalistas têm parco domínio de Português, de história, recursos mínimos para você entrevistar alguém. Não me estranha que muitas personalidades do mundo acadêmico ou empresarial não retornem ligações ou falem cada vez menos com repórteres. Somos um país pobre, que cresce pouco, onde a maioria da população não tem condições de ler. Isso é claro que se reflete na imprensa.

de raul juste lores, jornalista, assessor especial da secretaria de relações internacionais de são paulo, ex-correspondente da veja em buenos aires e colaborador de diversos veículos, dos dois lados da fronteira. a entrevista na íntegra está no comunique-se, e a regra do bostejo anterior continua valendo.

implosão do planalto

finanças não são o meu forte, mas se isso for verdade, dá para se pensar num interdito sumário ao legislativo e ao executivo.

depois é só subindo os posts da página original. até chegar à conclusão só vai piorando...

03 novembro 2005

sobre os dólares de cuba

"É hilariante. Só a Veja poderia imaginar que um dos países que tem o melhor serviço secreto do mundo iria mandar 3 milhões de dólares em caixas de uísque. Qualquer novato nessas coisas sabe, como disse o Luiz Nassif, na Folha, que hoje isso se resolve por telefone. A Veja anda tão hidrófoba com qualquer coisa que cheire a esquerda que no dia em que o José Dirceu andar sobre as águas, a revista dará na capa: ex-ministro não sabe nadar".

de fernando morais (autor de "a ilha") no chat do comunique-se (tem que se associar para ler a íntegra).

01 novembro 2005

c'est ne pas sérieux

já dá para sentir o cheiro de mussarela no ar de brasília. sandro mabel teve seu processo arquivado pelo conselho de ética da câmara (aqui). a aprovação foi unânime, e foi alega falta de provas.

a deputada raquel teixeira acusou o líder do pfl de tê-la oferecido um milhão para que trocasse de partido. se ele é inocente, então seria ela a culpada? não seria caso para um processo por calúnia? se ele não processá-la estará concordando com a nobre colega?
***********

acm neto (pé-de-pato, mangalô, três vezes!) subiu no plenário da câmara acusou a abin de grampear seus telefones e ameaçou, aos berros, o presidente de surra. como se grampo não fosse especialidade da família.

ele não nega o sangue; como o avô, é um rato que ruge. quando o "malvadeza" resolveu pressionar o então presidente itamar entregando no planalto um suposto dossiê sobre corrupção no planalto, o mineiro convocou a imprensa na hora da audiência para presenciar a cena. acm botou o galho dentro, porque tudo não passava de bravata.
************

luiz estevão, ex-senador condenado por envolvimento no caso do trt de são paulo (o do juiz lalau) e velho conhecido da polícia federal, aprontou de novo das suas: querendo liberar o estádio serejão (sic) junto aos corpo de bombeiros, estevão foi parar no xilindró; desacatou o tenente e chamou-o de bicha. diz o noblat:

"O senhor é uma bicha"
01/11/2005 ? 17:00

Daqui a pouco, o ex-senador Luiz Estevão de Oliveira será julgado por ter desacatado o tenente Glaydson da Diretoria de Serviços Técnicos do Corpo de Bombeiros de Brasília. Ele está preso na Delegacia de Repressão a Pequenas Infrações (ver nota abaixo).

É reu confesso. Confirmou o que o tenente contou ao juiz de plantão na delegacia. Luiz Estevão queria que o Corpo de Bombeiros liberasse o estádio Serejão para que o Brasiliense jogasse lá sua próxima partida.

O estádio está interditado por problemas de infra-estrutura. As saídas de emergência não são adequadas. A iluminação é deficiente. A sinalização do gramado está quase apagada.

- Os senhores têm que resolver isso - cobrou o ex-senador.

- Mas isso não é problema dos Bombeiros. É problema do interessado em que o estádio volte a funcionar - argumentou o tenente.

- O senhor não aponte o dedo para mim - gritou Luiz Estevão. E em seguida ofendeu o tenente:

- O senhor é uma bicha, uma bicha...

Foi preso na hora. E levado para a delegacia por uma guarnição de quatro soldados da Polícia Militar.

Luiz Estevão foi o primeiro senador cassado da história do Brasil. Mentiu para seus pares no caso do desvio de recursos para a construção do Fórum da Justiça do Trabalho, em São Paulo. Chegou a ser preso duas vezes - mas logo acabou solto.

saravá, lógos!

achei louvável a iniciativa da globo de exibir no fantástico um quadro sobre filosofia. no entanto, ouvi muita gente reclamando que não entendia patavina do que dizia a pop-filósofa-e-atriz vivane mosé.confesso que eu mesmo tive dificuldade em não derivar a atenção ao tentar acompanhar seu raciocínio.

mas a culpa talvez seja, como dizia mcluhan, do meio, que não comporta a mensagem. quase sempre, a tv tem o efeito terapêutico de um aquário, ainda mais no domingo à noite: só que em vez de peixinhos, a dança é de imagens sucedendo-se a cinco mil rpm -- em ambos os casos, igualmente carecendo de sentido.

é bem provável que a experiência figure, daqui a uns cinquenta anos, em uma coletânea da emissora como exemplo de ousadia no formato de transmissão de cultura para os rastaqüeras, ao lado de 'hoje é dia de maria" (alguém assiste isso?). mas como em time que tá ganhando não se mexe, a globo voltou à seara que lhe é familiar -- estimular o misticismo obscurantista. ao invés de sócrates, kant e schopenhauer; tia neiva, ogun e o gautama. estes sim, capazes de responder às questões às questões primevas da humanidade.

31 outubro 2005

retrato do artista enquanto jovem criatura do mal




quem esteve presente nos acontecimentos da minha vida há uns sete anos não vai poder deixar de notar a ironia do acróstico.

ah, foi tarrado da solange.

27 outubro 2005

recebi por email

Era uma vez um cara que pediu a uma linda garota:

- Você quer se casar comigo?
Ela respondeu:
- NÃO!

E o cara viveu feliz para sempre, foi pescar, jogou futebol, conheceu muitas outras garotas, visitou muitos lugares, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava grana, bebia cerveja com os amigos sempre que estava com vontade e ninguém mandava nele.

A moça teve celulite, varizes, os peitos caíram e ela ficou sozinha.


não estou querendo dizer nada. "apenasmente" achei o texto engraçado.

24 outubro 2005

seu direito termina onde começa o cano do meu trabuco

além de chato, estou ficando repetitivo. mas não resisti às reflexões do ivson.

o resto é inocente útil.

23 outubro 2005

"o troco pode ser em balas?"

a essa altura do campeonato, não é novidade para ninguém, o "sim" foi abatido sem dó, no brasil inteiro. agora que defendemos nosso direito à truculência, que tal deixarmos de brincar de democracia e forçarmos outros referendos, dessa vez relevantes de fato, como questionar a obrigatoriedade do voto; a urgência da reforma política; a modernização do código penal (com a classificação de hediondo para o crime de corrupção, sem direito à fiança); o voto distrital, etc.

sobre hoje, faço minhas as palavras de hoje do verissimo (essas são deles, mesmo):

Luis Fernando Verissimo
Publicado em 23 de outubro de 2005

Interferência

Agora é tarde, Inez é morta, provavelmente a tiros, mas o debate vai continuar depois do referendo. E como muita gente se queixou que o referendo foi confuso, sugiro que da próxima vez que consultarem a população sobre o assunto simplifiquem a pergunta, colocando-a em termos corriqueiros, de experiências pessoais como as que estão todos os dias nos jornais, e que qualquer um entenderá. Por exemplo: se você fosse a mãe de um rapaz morto com um tiro numa briga de torcidas, preferiria que fosse mais difícil alguém ter acesso a armas como a que matou seu filho ou que seu filho também tivesse acesso a uma arma para poder se defender? Não é uma pergunta sentimental ou injustamente armada para favorecer um lado, eu até tenho dúvidas sobre como as “mães” hipotéticas responderiam. Mas a questão é, ou era, simplificada, exatamente esta.

Os que pregaram o “Não” invocaram muito a interferência indevida do estado na vida e no direito de escolha dos cidadãos. Vale a pena recordar outras ocasiões em que foram ouvidas queixas parecidas, na história do Brasil. Na abolição da escravatura havia tantos argumentos fortes a favor como contra a medida e — como no caso do referendo das armas — muitos dos antiabolicionistas nem tinham escravos, defendiam a escravatura em nome do direito de quem tinha de não ser coagido pelo estado. Não foi uma resistência emocional, foi racional e bem articulada como muitos dos artigos que lemos recentemente na defesa do “Não”, e o resultado é que atrasou a nossa história. O Brasil foi o último país do mundo a acabar com a imoralidade do escravismo. Mas algumas defesas da liberdade de ter escravos foram brilhantes.

Outro exemplo: a revolta contra a vacinação antivaríola no Rio de Janeiro, que chegou, violentamente, às ruas, mas começou na imprensa, onde Oswaldo Cruz era denunciado como uma ameaça pública pior do que qualquer epidemia. Foi preciso recorrer às armas para enfrentar a revolta, e alguns setores do exército aderiram aos revoltosos. A população do Rio foi vacinada literalmente à força. Livrou-se da varíola sob repetidos protestos contra aquela suprema interferência — subcutânea! — do estado na vida dos cidadãos. Oswaldo Cruz perderia um hipotético referendo popular sobre a vacina, na época, de zero.

O Brasil perdeu a oportunidade de dar um bom exemplo ao mundo na questão das armas. Mas estou escrevendo sem saber qual foi o resultado do referendo. Pode ter dado o “Sim”. Neste caso, se você leu até aqui, desleia.

20 outubro 2005

como se eu não soubesse...

You Are 60% Weird

You're so weird, you think you're *totally* normal. Right?
But you wig out even the biggest of circus freaks!


peguei da solange.

19 outubro 2005

a beleza pode estar em qualquer lugar

quem acha que a contabilidade é uma ciência fria e impessoal, pode surpreender-se, como aconteceu comigo, com a profundidade da definição de um dos princípios contábeis fundamentais -- no caso, o da continuidade. se considerarmos a acepção de "entidade" como "qualquer indivíduo, ente", então vejam que beleza:

Pronunciamento "Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade", aprovado pela Deliberação CVM nº 29 de 1986 do IBRACON:
"Para a contabilidade, a entidade é um organismo vivo que irá operar por período indeterminado de tempo, até que surjam fortes evidências em contrário".

Resolução nº 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, de 29 de dezembro de 1993:
"A continuidade ou não da entidade, bem como sua vida definida ou provável, devem ser consideradas quando da classificação e avaliação das mutações patrimoniais, quantitativas e qualitativas".

desenrolou o novelo

meu amigo fabão conseguiu dizer exatamente o que eu vinha tentando, sem sucesso, expressar em palavras.

17 outubro 2005

"orgia-bugia nos traz alegria"

aldous huxley é, na minha opinião, um dos camaradas mais inteligentes e visionários do século 20. ao contrário das teorias de orwell em 1984, sua utopia criada em admirável mundo novo não envelheceu. pelo contrário, ele foi capaz de antecipar que a dominação mais eficaz não se dá através da privação, mas do entorpecimento dos sentidos através da busca incessante pelo prazer do consumo, transformando-nos em "animais gentis e dóceis". e no caso de qualquer sombra de dúvida ou angústia, há o soma, a droga perfeita, que acalma e não dá revertério, fornecida pelas próprias autoridades em esquema de ração semanal.

a propósito, se alguém se interessar pela leitura, recomendo garimpar em sebos a edição da ed. bradil, de 1969. a reedição da editora globo, além de uma tradução menos feliz, não traz o prefácio crítico escrito pelo autor 20 anos depois do lançamento da obra.



reproduzo trechos picados do momento em que o selvagem -- personagem criado fora da utopia, nas "reservas", onde as pessoas mantém hábitos arcaicos como a reprodução vivípara e o culto a divindades -- encontra-se com o administrador-geral. é o ápice da história, quando é discutido o núcleo duro do pensamento civilizado industrial que rege a utopia. o gancho que escolhi é o momento em a proibição das artes (no caso, a obra de shakespeare) é questionada. seguimos a partir da resposta:

"Porque é velho; eis a razão principal. Aqui não temos aplicações para coisas velhas. (...) Especialmente quando são belas. A beleza atrai, e não queremos que as pessoas sejam atraídas por coisas velhas. Queremos que apreciem as novas. (...) Nosso mundo não é o mesmo de Otelo. Não se pode fazer calhambeques sem aço -- e não se pode fazer tragédias sem instabilidade social. Agora o mundo é estável. O povo é feliz; todos têm o que desejam e nunca querem o que não podem ter. Sentem-se bem; estão em segurança; nunca ficam doentes; não têm medo da morte; vivem na perene ignorância da paixão e da velhice; não se afligem com pais e mães; não têm esposas, filhos nem amantes a que se apeguem com emoções violentas; são condicionados a não poderem deixar de se comportarem como devem. E se alguma coisa não estiver bem, há o soma. (...) É esse o preço que devemos pagar pela estabilidade. Tem-se que escolher entre a felicidade e aquilo que antigamente se chamava arte. Sacrificamos a grande arte. Em seu lugar temos filmes sensíveis e os órgãos de perfume.

(...) A felicidade real parece bem sórdida em comparação às compensações que se encontram na miséria. E sem dúvida a estabilidade não é tão bom espetáculo quanto a instabilidade. E estar contente nada tem do encanto de uma boa luta contra a desgraça, nada do pitoresco de uma batalha contra a tentação, nem de uma derrota fatal pela paixão ou pela dúvida. A felicidade nunca é grandiosa. (...) [Ela] mantém as engrenagens em constante funcionamento; a verdade e a beleza não são capazes disso.

(...) Por que iríamos perseguir um substituto dos desejos dos jovens, quando os desejos dos jovens nunca faltam? Ou um substituto para as distrações, quando continuamos desfrutando todas as velhas tolices até o fim? Que necessidade temos de repouso quando nosso corpo e nosso espírito continuam em deleite na tividade? de consolação, se temos o soma? de algo imutável, quando existe a ordem social? (...) Nossa civilização escolheu a máquina, a medicina e a felicidade.

(...) A civilização industrial só é possível quando não existe renúncia. É necessário desfrutar até os limites máximos impostos pela higiene e pela economia. De outro modo as engrenagens cessam de girar. (...) A civilização não tem absolutamente necessidade de nobreza nem de heroísmo. Essas coisas são sintomas de ineficiência política. Numa sociedade adequadamente organizada como a nossa, ninguém tem oportunidade de ser nobre ou heróico. É preciso que as condições se tornem essencialmente instáveis antes que se apresente tal oportunidade. (...) Todos podem ser virtuosos hoje. Pode-se conduzir consigo pelo menos a metade da própria moralidade num frasco."

entre a usura e a limpeza interior

"deve estar escrito 'otário' na minha testa", foi o pensamento que segurei na boca quando a registradora somou quase cinquenta merrecas por uma caixa de suco, duas barras grandes de chocolate, uma lata de batata frita e uma caixinha de biscoitos de queijo. queriam não apenas que eu concordasse com esse valor, mas que o aceitasse, na loja de tolerância do posto do dona marta, há menos de dez minutos.

claro que devolvi quase tudo. minha indignação não vem do fato de estar duro como um pau. é vergonha de gastar 1/6 do que boa parte da população ganha depois de um mês de trabalho (e a maioria nem isso consegue) por meia dúzias de besteiras apenas para satisfazer uma gula dominical, que em troca de uma breve sensação ia me aumentar o colesterol (pois é, agora me preocupo com isso) e a circunferência.

sei que sou chato pra cacete, ranzinza e utópico, mas não demagogo a ponto de negar que gastaria até mais em supérfluos comestíveis, se a extorsão pelo menos incluísse mais artigos. fico admirado com a cara-de-pau dos empresários que têm a ousadia de praticar esses preços no pé de uma favela.

certo estava o hélio luz ao declarar no documentário do joão moreira salles que o mecanismo aqui é tão maquiavélico, que nem precisa de arame farpado para segurar "o morro". na áfrica do sul, os guetos eram cercados; aqui, ao contrário, o mecanismo repressor que impede os favelados de descer é muito mais sutil. vejam bem, não estamos falando de espasmos de violência entre grupos rivais, que levam pânico à população "de bem". refiro-me à (re)ação enfurecida em massa contra a ausência total a que é submetida. não sei qual o entorpecente - igreja, televisão ou droga (álcool incluso) - que deixa todo mundo manso, ainda que comendo merda.

divaguei. talvez esse episódio sirva de exemplo para que eu leve a cabo o antigo projeto de respeitar meu corpo. e nem me refiro à forma física, mas à saúde. abster-me de substâncias que me poluem, como pregava o profeta muhammad (que a paz e a bênção de deus estejam sobre ele). o corpo é o templo da alma, e é preciso mantê-lo limpo. mal não fará. além do mais, é uma forma de não compactuar com a cultura do exagero onde o consumo assume o status de panacéia e válvula de escape contra as frustrações.

11 outubro 2005

paranóia é uma forma avançada de inteligência

compartilho com o fausto wolff a teoria de que existe uma sigla por trás da farsa da al qaida.

10 outubro 2005

tiro certo

istoé acertou na mosca com a capa da semana: "referendo das armas: sete razões para votar sim, sete razões para votar não -- só você decide".

pegou a "veja" à queima-roupa. na bala estava escrito "jornalismo".
*****

a propósito, bezerra da silva, que de mané não tinha nada, já tinha batido a real: "você com revólver na mão é um bicho feroz, sem ele anda rebolando e até muda de voz". (bicho feroz)
*****

mudando de assunto, matéria de xico sá na trip deste mês prova porque a revista "de surfista" talvez seja a única do mercado editorial com com pautas inteligentes e diferenciadas. trecho que não está no site:

A mesma Andréia, uma das melhores do ramo em Brasília, conta: "Bom mesmo era no tempo das privatizações. A cada leilão a gente mudava de casa, de tanta grana, era tudo pago em dólar pelos empresários e pelo povo do PSDB. Esses petistas, ô raça, são miseráveis, pechincham no sexo, quero que se danem agora neste escândalo, não sabem nem roubar direito".

Mais filosofia da alcova, segundo a mesma linda moça: "Um senador do Maranhão, vixe, velho lobo, viciadíssimo numa safadeza paga...".

"Aquele senador do Pará, não, é honrado, engravidou uma amiga minha e sustenta, tá na mão dela".

Agora a manchete: "Fica todo mundo falando dos deputados e senadores que pegam meninas e esquecem de um membro da CPI dos Correios que pega um cara chamado Adriano, de um site erótico aqui de Brasília".

Quem será o tal membro? Silêncio da moça e do auditório. Ela só conta que o tal membro é passivo.

eu já andei de elevador com o clovis bornay

...e não foram poucas vezes. minha vó comprou na prado júnior um "apartamento de praia" (essa é uma prática comum entre tijucanos natos ou de espírito. pergunte para 80% dos moradores da barra, que assim o fizeram antes de emigrar da zona norte definitivamente. sei porque também sou do oriundo do bairro, apesar da trajetória diferente).

nunca entendi bem a escolha da minha avó, dado o fato de a pj ostentar um recorde informal de concentração de garotas de programa por metro quadardo na cidade, só perdendo para o "shopping" da villa mimosa. pensando bem, só copacabana geraria uma comunidade assim.

pois bem, o síndico da quitinete era o clovis bornay. por conta disso, protagonizei alguns encontros rápidos com o museólogo e campeão de fantasias na portaria e elevador do prédio. aos que imaginam histórias desvairadas, decepcioná-los-ei. ele era um gentleman (sic). talvez, dada a liturgia do cargo, portava-se com educação, mas era um tanto seco. confesso que ficava com vontade de puxar assunto, perguntar dos bastidores dos antigos carnavais e bailes do municipal e do glória, da emoção das capas da manchete, mas ficava com um misto de vergonha e medo de ser mal-interpretado. como eu era (?) idiota...

minha vó continua com o apartamento, mas nunca mais me encontrarei com o ilustre personagem, seu rosto europeu marcado pelos rigores do sol tropical, a indefectível peruca, e, juro, uma aura de lantejoulas e vidrilhos que brilhava sob olhares mais atento.

primeiro a emilinha borba, agora o clovis bornay. sei não, vai sobrar alguma coisa para o carnaval do ano que vem?

09 outubro 2005

coluna do ximenes

de 08/10. a todos que já amargaram na mão da telemerda:

Disk-Inferno

Sou o consumidor que a Telemar pediu a Deus. Dou uma boiada, seis galinhas e duas mariolas para não entrar numa briga; portanto, nunca conferi uma conta. Deveria. Afinal, há sete anos a Hellemar está no topo da lista das empresas com mais reclamações registradas no Procon do Rio, justamente por cobranças indevidas. Mas eu sempre lhe dei um voto de confiança. A empresa, contudo, me acusou de mafioso esta semana.

Pode parecer que se trata de um problema pessoal. Mas sofrer com a Hellemar é um esporte que quase todo carioca pratica. Um esporte assaz simbólico de um cotidiano marcado pelo desrespeito institucionalizado em todas as áreas: segurança, consumo, serviços. Assim, creio que este samba da telefonia louca é de interesse dos leitores.

Estou de mudança e pedi transferência da linha. A Hellemar se negou a fazê-lo: alegaram uma dívida, referente ao mês de abril, dos antigos moradores do apartamento para o qual estou indo. Então tá.

Entrei em contato com a antiga moradora, que é gente de bem. Ela nunca soube dessa dívida. Há de ter sido confusão na cobrança. Seja como for, ela não teve qualquer problema para cancelar sua linha quando se mudou? e já tem outro telefone! Ou seja, alguém não paga uma conta seja lá por que razão, nunca é cobrado, cancela a linha, consegue outra, e fica por isso mesmo. E o problema passa a ser de quem se mudar para esse endereço depois.

Pelo telefone, a atendente V. me explica que a intenção não é me repassar a dívida. Ufa! Só que eu preciso provar que em abril eu não morava no meu futuro endereço. Kafkaqui, Kafkalá, viva a Telemar.

O nome-CPF da linha A SER transferida usa a Telemar por anos em determinado endereço. A Telemar, entre todas as possíveis instituições deste planeta, SABE onde este nome-CPF estava em abril. Sabe que não era no apartamento para o qual foi pedida a transferência. Esco-esco-esco, a Telemar é uma peça do Ionesco. Mas V. diz que vai “explicar”:

— Por exemplo, o senhor tem um telefone com seu nome e CPF e não paga a conta, então cancela a linha e pede outra com o CPF do seu filho. Para evitar isso, nós não conectamos a linha se houver dívida no mesmo endereço.

Ah, então é isso. Não se trata do absurdo, mas de algo bem mais banal: Mario Puzo. A Hellemar acha que sou pai do Sonny Corleone. Embora não haja dívida neste nome-CPF que há anos é cliente da empresa, eles partem do princípio que este nome-CPF está armando um golpe familiar contra eles. Bem, reza a lei que cabe ao acusador o ônus da prova. Menos no universo Hellemar.

Então, lá vou eu perder uma tarde de trabalho, gastar dinheiro com transporte, para levar a documentação requerida por eles. Mostradas as provas de que este nome-CPF nada tem a ver com a dívida, entra em questão a transferência. Aí, a coisa se transforma em “Eu, robô”, a versão com o Will Smith. Ou qualquer ficção científica na qual o mundo é dominado por grandes corporações. Os atendentes W. e D. negam todos os procedimentos sobre a transferência que, antes, V. havia “explicado” ao telefone.

— Então o 103 deu informações erradas?

— Não nos responsabilizamos pelas informações fornecidas ao telefone.

— Então quem se responsabiliza pela informação correta? Não existe uma pessoa com quem se possa falar?

— Não. Existe uma empresa. A Telemar.

— Então porque a mesma empresa diz uma coisa ao telefone e outra ao vivo?

Sem resposta.

— E o cliente, como fica?

— O cliente segue os procedimentos da Telemar.

Vinte minutos à frente, W. solta a seguinte pérola:

— Sei que pareço robótico, mas você fica repetindo as mesmas perguntas.

— Claro, nenhuma resposta faz sentido.

Bem, nem tão robótico assim. Quando cheguei em casa, o telefone já havia sido cortado. Um dia antes do previsto. Ou seja, parece mesmo uma história de Mario Puzo. Com toques de Kafka, Asimov e Phillip K. Dick.

Solução: nenhuma. A Hellemar é um monopólio privatizado e tem poder absoluto sobre nós. É a autocracia corporativa nos limites do absurdo. Seria trágico, se não fosse cômico.

07 outubro 2005

cosa nostra

lá pelos anos 70, o sucesso do pasquim fez com que seus editores começassem a encartar um mini-compacto com uma faixa de cada lado (quem nasceu depois de 90, vá perguntar ao papai ou à mamãe). um desses trazia a canção "cosa nostra", do meu mestre musical jorge ben. espero que o sílvio santos tenha pago muito bem pelos direitos de usá-la para apresentar os jurados do seu show de calouros.

a composição é uma baita homenagem ao "pasca", com seu deboche característico turbinado pelo estilo ímpar do babulina. tá lá o espírito desbundado da época, além de uma mui sutil referência à ditadura, na primeira estrofe (o desejo de dar um presente para os amigos ou inimigos no exterior).
se alguém quiser a canção, pede num email que eu mando.

dá um aperto no coração ver que vários citados já partiram para o boteco nas nuvens. para quem não liga o nome às figuras, recomendo os livros "ela é carioca", do ruy castro, e o "pasquim - gargalhantes pelejas", da norma pereira rego.

para dar uma idéia do tom do jornal, encontrei aqui um artigo do tarso de castro.
...

Cosa Nostra (Jorge Ben)

Cosa nostra
E se vc quiser
Dar um presente lindo para seu amigo
Ou mesmo que seja para seu inimigo
E que esteja no exterior
Falando mal da gente

Como por exemplo
Dizendo que o Tarso de Castro não entende de jornal
E que o Sérgio Cabral é vasco por fora, mas flamengo por dentro
E que o Luis Carlos Maciel está entre o hippie e a tropicália
E o Ziraldo é anti-mineiro, só trabalha com barulho
E o Jaguar é manager e aproveitador do Sig
Que o Millôr é o ex-marido daquela mulher
Que o Fortuna pensa em fazer humor para fazer fortuna
Que o Paulo Francis está inserido no contexto da consumação do uísque e da "gp", pê pê pê]
Paulo Garcez vive com o clique na cuca, clique clique clique
E o Pedro Ferreti fala, fala, mete o pau e não aparece
Que o Sig morre de amor pela vedete Odete Lara e não é correspondido, que perigo!]
E o Henfil teve um problema patológico - ele é o próprio fraquinho baixinho]
E dizendo que eu só namoro empregadinha
E que eu sou duro
E só ando de trem
Mas o que vai, vai
O que vem, vem

Cosa nostra
Você é cosa nostra
Essa garota linda é cosa nostra
A simpatia é cosa nostra
O amor, o amor é cosa nostra
O Pasquim é cosa nostra
O flamengo é cosa nostra
Todas as escolas de samba é cosa nostra

É cosa nostra
O carnaval é cosa nostra
A zona norte é cosa nostra
A zona sul é cosa nostra
A república livre de Ipanema é cosa nostra
O parabéns também é cosa nostra
Esse céu azul lindo de morrer é cosa nostra
Esse sol de quarenta graus é cosa nostra, é cosa nostra, é cosa nostra

É cosa nostra o perdão
É cosa nostra esse seu sorriso lindo
É cosa nostra essa sua simpatia
É cosa nostra esse pa-tro-pi, esse pa-tro-pi
É cosa nostra

Mas o que vai, vai
O que vai, vem
Mas o que vai, vai
O que vai, vem
Cosa nostra
É cosa nostra
Esse suínge é cosa nostra

villa-lobos deve estar se remexendo no túmulo...

o projeto aquarius, parceria do globo com a osb, apresenta no sábado o concerto villa-lobos, alma brasileira, no trecho da praia em frente ao copacabana palace.

entre os convidados estão o olodum (!) e a sandy xororó (!!!).

o menino tuhú já deve ter mexido os pauzinhos junto a são pedro para não deixar essa ignomínia passar -- literalmente -- em brancas nuvens.

(depois de mencionar a cantora-ninfeta, os tarados de plantão farão meu conta-giros disparar...)

06 outubro 2005

batmacumba


frank miller - o cavaleiro das trevas.

05 outubro 2005

reflexão mercadológica

"Veja" de arma na mão. boa sacada do coleguinhas, uni-vos.

update: o xingatório diz:

Artilharia
Havia tempos o jornalismo brasileiro não via uma capa tão imparcial como a da Veja desta semana: "Referendo das armas: 7 razões para votar não".

vive la contradiction!

ha ha ha... os dois últimos bostejos saíram praticamentes contraditórios. esquizofrenia pouca é bobagem...

religião de merda! profissão de merda!

merda para meus pais, que me criaram na religião católica, para quem o lucro é pecado. eu devia ter nascido calvinista ou de qualquer religião semita, que pelo menos vêem o dinheiro ganho com o trabalho honesto como um mandamento do altíssimo.

meus filhos, se os tiver, aprenderão a situar as religiões como curiosidades teóricas, extravagâncias históricas tão bizarras e ultrapassadas quanto a abiogênese ou o positivismo. sua educação será voltada para a crença em si mesmos, o desenvolvimento de seus potênciais e faculdades; com respeito aos outros, mas questionando sempre suas motivações, sem jamais curvarem-se diante do poder. viva a imanência! abaixo a transcendência!

minha criação deu-se sob o signo do temor irracional a um poder onipresente, onisciente e inquestinável. para piorar, todo meu treinamento profissional levou-me a ser autônomo, obrigado a mensurar de forma independente o valor do meu trabalho. mas como estabelecer parâmetros condizentes com o tempo e o esforço mental gastos na realização de uma tarefa (sem mencionar os custos indiretos de toda a instrução acumulada ao longo da vida, além da óbvia formação acadêmica), se na hora de cobrar ou de receber, me deixo enrolar por qualquer lorota triste; ou pior, sou guiado pelo medo primevo, instintivo e irracional da danação eterna?

chega! minha paciência esgotou-se! cansei de ser feito de otário! de levar calotes! de me aviltar em nome de quem -- com o perdão da má-palavra -- só quer me botar na bunda.

pois fodam-se todos! se as pessoas acham que qualquer um é capaz de escrever, que o façam eles mesmos e não me procurem mais. como lembra o poeta, "nevermore". prefiro morrer duro (como se já não o estivesse...) e seco.

demorei demais para aceitar que devo concentrar todos os esforços em passar para um concurso público. se não serei remunerado de acordo com o que mereço, pelo menos não serei muito exigido, tendo tempo para me dedicar a outros interesses. como fez vinícius de morais, joão cabral de melo neto e carlos drummond de andrade, só para citar alguns.

estarei em melhor companhia do que agora.

lê shaná tova ticatevu!

o título, que significa algo como "que você seja inscrito no livro da vida", é a frse que se diz para desejar um feliz ano-novo judaico. minha modesta homenagem ao rosh hashaná, cuja data desta vez praticamente coincidiu com o ramadã, o mês em que o alcorão foi revelado ao profeta muhammad, e portanto, considerado sagrado.

espero que isso seja um bom presságio de entendimento entre os irmãos. afinal, só os tolos não percebem que deus, allah ou jhvh são todos uma única entidade.

enquanto isso, fica a lembrança do paladar do gefilte fish, bolinho de peixe que se costuma comer nessa época entre os judeus. com rabanete (?) e uma geleinha também de peixe, está entre as iguarias mais deliciosas que tive o prazer de saborear. o gefilte seria capaz de acabar com qualquer guerra ou desavença.

a trilha sonora fica a cargo do bão e velho slim gaillard.

Matzoh balls (circa 1939)


(Oh well) the Matzoh balls
Gefilte fish
Best ol' dish I ever ever had

Now Matzoh balls and gefilte fish
Makes you order up an extra dish

Matzoh balls,
Gefilte fish
Really really really really fine

Now you put a little horse radish on it
And make it very mellow
Because it really knocks you right on out

(Oh well) the Matzoh balls
Gefilte fish
Best ol' dish I ever, ever had

Now Matzoh balls and gefilte fish
It makes you order up an extra dish
Matzoh balls, gefilte fish
Put a little horse radish on the side

Makes it mellow, makes it jello
Mellow and the jello, boy
Horse radish on matzoh balls

Matzoh balls stew!

04 outubro 2005

adeus às armas

até agora, ainda não me tinha decidido sobre o referendo do dia 23. vinha acompanhando o debate com uma dose grande de isenção e afastamento, embora achasse alguns argumentos dos defensores do comércio um tanto americanófilos e paranóicos (desconfio que, no brasil, a maioria dos que defendem o uso de paus-de-fogo como forma de auto-defesa sequer sabem manejar um revólver de espoleta).

a leitura do artigo "Tudo o que o lobby das armas não quer que você saiba", da carta maior, me fez bater o martelo. para o autor, a violência causada por armas de fogo só não é considerada um escândalo no Brasil, porque a maioria das vítimas são jovens pobres e negros." lembrou-me da pesquisa do caco barcellos no livro Rota 66, A história da polícia que mata, de 1992 (aqui uma boa entrevista com o repórter).

de volta ao desarmamento, um trecho do artigo merece destaque:

Rolim também analisa alguns dos argumentos utilizados pelos defensores das armas no Brasil. Um deles é aquele que afirma: “armas não matam; são as pessoas que matam”. O autor comenta: “Esta é uma daquelas afirmações muito ao gosto de um público televisivo, acostumado com a exigência intelectual de programas como Big Brother e que, por isso mesmo, agradam muito e tendem a ser repetidas infinitas vezes como se, de fato, dissessem algo”. Na verdade, acrescenta, trata-se de uma afirmação tautológica [vai ver no dicionário, pô!]. E propõe a seguinte estratégia de resposta: “Caso você tenha que enfrentar este tipo de lógica não tente falar em tautologia. Seja mais simples e direto. Diga algo como: É verdade, armas não matam. E também não morrem. Quem morre são as pessoas. Seu interlocutor, então, terá no que pensar, por alguns dias”.

ps: aposto minha mão esquerda que se o referendo passar, alguns "coleguinhas" também vão utilizar o título do livro do hemingway.

update: afinal encontrei um argumento fortíssimo a favor do "não": o carlinhos brown aparecendo na campanha do desarmamento.

até breve, chiquita!

quando o alzheimer ainda não devorava minha voca, ela contava como minha mãe reproduzia, à sua maneira infantil, o bordão do rádio: "a minha, a sua, a nossa vangerica!" anos depois, o mistério foi esclarecido pelo cd que acompanhava um livro sobre a história do rádio que ganhei de presente. a voz do ator, locutor, e mais tarde diretor da rádio nacional, césar de alencar, anunciava a plenos pulmões "... a faaaaaaaaaavoritaa...emilinha borrrrrrrrba!" , com o "r" vibrante dos speakers de antanho.

mas foi nos últimos anos, no gargarejo do palco de carnaval da prefeitura na cinelândia, atrás do carro de som do bola preta, e nos bastidores do programa de tv em que trabalhei por alguns anos (onde ela apareceu como convidada um punhado de vezes), que me tornei fãzaço da emilinha borba. ambém ajudaram os primeiros tempos de cordão do boitatá, quando aprendemos uma carrada de marchinhas.

vai ser difícil não fazer coro com os que andam dizendo por aí que "o carnaval acabou".

a propósito, o nome da minha gatinha chica foi dado em homenagem à "chiquita bacana", do braguinha (joão de barro) e alberto ribeiro.

30 setembro 2005

perplexidade

deu no boechat de hoje:

Enquadrou

Sururu no mundo acadêmico.

A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão supremo do setor universitário, decidiu tirar o curso de Jornalismo da área de Comunicação Social, transferindo-o para Letras.

A chiadeira entre os que se opõem à mudança está prestes a estourar.


sinceramente não sei o que pensar. bostejarei depois de consulta à capes e aos coleguinhas.

28 setembro 2005

minha namorada não fala klingon

outro dia, um episódio dos simpsons que assisti se passava numa convenção de quadrinhos (ou de cinema, sei lá, não peguei do começo). num dado momento, aparecem uns camaradas vestindo fantasias futuristas de escola de samba, de testas falsas com uns chifrinhos no meio, falando como se fosse de trás pra frente. grito eu para a tati, que estava no computador:

- olha lá, tati, os caras falando klingon. o que eles tão dizendo?

- sei lá. eu não entendo nada de klingon - respondeu, sem despregar os olhos do sims (um dia ainda entendo qual é a graça desse jogo).

- como é?? você não sabe klingon? que espécie de nerd é você?

pois é, amiguinhos, meu mundo caiu. minha namorada, que me iniciou no culto a asimov; que me fez assistir e gostar! de friends e "er" (eu confesso); que ainda tenta bravamente, apesar do pouco sucesso, me fazer entender qualquer coisa das teorias do stephen hawking; que além do sherlock holmes, leu tudo de dostoiévski, checov, goncharov e outros palavrões russos; que gosta de heavy metal alemão (!) estilo rpg - role playing games - e dos solos masturbatórios de rush, steve vai e afins; que tem tesão no rutger hauer; que morre de rir com os clipes do "weird al" yankovic; que leu "eurico, o presbítero" aos sete anos, e é capaz de devorar trezentas páginas em uma tarde; que vestia cloak de maga patalógica; uma mulher maravilhosa, enfim, que bate no peito com orgulho de ser nerd; pois bem, essa mulher não sabe falar klingon. como assim, perguntarão vocês? pois, é. não sabe.

vocês podem avaliar o tamanho da minha decepção? será então que tudo o que eu acreditava sobre ela era mentira? eu, que já via com carinho tantas bizarrices, senti o chão faltar sob meus pés. quase tive um "teto preto".

com os dias, minha pressão voltou ao normal e pude ser desamarrado da cama, de onde minhas únicas frases inteligíveis eram "por quê? por quê? porquê?".

em nome da manutenção do meu casamento (sejamos realistas, tá morando junto há mais de um ano e meio, casou, né?), usei meus dotes de bom fuçador de internet que suponho ser - e cada dia descubro que não -, para encontrar a solução para o problema:

THE KLINGON LANGUAGE INSTITUTE

o site ensina a escrita, os sons dessa... ahram... língua, com direito a vocabulário e frases para o dia-a-dia (!). agora, sim, poderemos voltar a ter uma vida normal e pacífica.

27 setembro 2005

"ô cride! fala pra mãe!"

foi com tristeza que recebi a notícia de que o ronald golias morreu agora há pouco, no hospital são luiz, em são paulo. a causa da morte parece ter sido uma infecção generalizada decorrente de uma infecção pulmonar.

era quase constrangedor ver seu talento cômico desperdiçado em programas rasteiros como "a praça é nossa" e "meu cunhado". aliás, um amigo que trabalhou nos trapalhões contou que ouviu do próprio renato aragão que sua sorte era o golias ter ido para o sbt.


"Olímmmmmmpia!"


o pai dos burros

Resultado: 26 pontos

Eu tenho um excelente vocabulário.


Teste Seu Vocabulário.


Oferecimento: InterNey.Net

copiei do dudu. muito legal, o teste. levei umas rasteiras que não imaginava.

22 setembro 2005

bulldozer empresarial

depois do plínio de arruda sampaio, em maio (ainda hei transcrevê-la, o trecho do site não faz jus à sua contundência), a caros amigos arrasa esse mês com uma entrevista com cecílio do rego almeida, considerado pekla revista como "o maior grileiro do mundo".

tendo se apropriado de um terreno no pará com duas vezes o tamanho da bélgica, o empreiteiro truculento que prosperou durante a ditadura destila um pouco da podridão endêmica que parece acometer a totalidade da elite empresarial do país. nauseante, apesar da interessante visão sobre a wwf. só lendo para entender.

interlúdio apaixonado (por que não?)

do leminski, porque é sempre bom começar o dia com poesia. principalmente se for do cachorro louco:

Carrego o peso da lua,

Três paixões mal curadas,

Um saara de páginas,

Essa infinita madrugada.


Viver de noite

me fez senhor do fogo

A vocês eu deixo o sono.

O sonho, não.

Esse, eu mesmo carrego.


ao salsão, amigo tardio de infância. um dos poucos que conheço capaz de iluminar.

meu remédio contra a mediocridade.

21 setembro 2005

já vai tarde...

o blog do noblat é referência para quem quiser acompanhar o planalto minuto a minuto. e ainda nos brinda com curiosidades como essa:

21/09/2005 ? 16:38

"Voltarei. O povo me absolverá."

O discurso que Severino está lendo tem seis páginas - isso porque foi encurtado!

Vai terminar assim: "Voltarei. O povo pernambucano, mais uma vez, não me faltará. Minha querida João Alfredo e os outros municípios de minha base não me faltarão.

Vou rebater as acusações. Vou provar que estou sendo condenado pelas palavras de um empresário desastrado, mentiroso e devedor dos cofres públicos.

Voltarei.

Já anunciava o profeta Jó: 'o júbilo dos ímpios é breve e a alegria dos hipócritas, apenas um momento.'

Todos seremos, muito breve, julgados pelo povo. Para quem dedicou sua vida à política, esse é o julgamento que conta, a sentença que importa.

Voltarei. O povo me absolverá."


em seu discurso de despedida, cavalganti (sic) fez várias alusões à sua trajetória de próspero comerciante a parlamentar falido, graças ao exercício da política. estaria justificando seus atos de roubalheira?

update:

depois de um silêncio tumular no plenário durante o discurso, no fim o povo nas galerias da câmara explodiu numa manifestação contra o imperador do baixo-clero. os parlamentares, atarantados, suspenderam a sessão por dez minutos e mandaram evacuar os manifestantes. a tv câmara cortou o áudio do plenário.

20 setembro 2005

a gente merece?

notícia retirada do blog do noblat:

20/09/2005 ? 18:36

O sobrevivente

No dia 12 de agosto de 1952, Severino Cavalcanti era um caixeiro viajante que negociava jóias e batia perna pelo interior do país. Embarcara num vôo de Cuiabá com destino a Goiânia. Por um problema qualquer, o avião foi obrigado a fazer escala em Rio Verde, pequena cidade de Goiás.

Ali, Severino conheceu Antônio Borges Teixeira, de 21 anos de idade, filho do ex-governador Pedro Ludovico. Um irmão de Antônio, Mauro Borges, mais tarde governaria Goiás e seria deposto pelo golpe militar de 1964. Antônio precisava embarcar com urgência para Goiânia e o vôo estava lotado.

Severino cedeu seu lugar. Antônio embarcou. E o avião caiu antes de chegar a Goiânia. Ninguém sobreviveu.

No último dia 12 de agosto, ainda no auge do seu prestígio como presidente da Câmara dos Deputados, Severino foi homenageado em Rio Verde e recebeu de uma vereadora o que ela chamou de "certidão simbólica de renascimento". Estava feliz, e com razão. Foi paparicado por políticos de quase todos os partidos.

Engana-se quem pensar que amanhã será o dia da morte política de Severino. Ele sairá da Câmara da maneira mais humilhante possível para entrar direto na campanha por um novo mandato de deputado federal. E até seus desafetos em Pernambuco admitem que Severino se elegerá outra vez.


é duro ser brasileiro...

18 setembro 2005

wc fields on the rocks

o comediante americano wc fields era uma figura ímpar. atuante no início do século passado, era um bebum emérito, politicamente incorreto, misógino e dono de um nariz tão indecente quanto o do costinha.

além das caricaturas constantes em desenhos animados dos anos 30, só o conhecia de fama e nome. ontem baixei never give a sucker an even trade, de 1941. um filme médio, com alguns números operísticos meio sem razão de ser cantados pela bonitinha gloria jean, que interpreta sua sobrinha (numa relação meio ambígua para os dias de hoje). no entanto, vale como curiosidade, pela história nonsense e principalmente pelo espírito anárquico do wc fields. além, é claro, da interpretação da nada sutil canção chickens have pretty legs in kansas. só não transcrevo a letra porque não consegui entender direito seu sotaque etílico, e a julgar pela ausência de referências na internet, nem os americanos.

aqui, uma coleção de "aspas" curiosas. para se ter uma idéia do teor, repito uma que já bostejei: "ninguém que odeia crianças e cahorros pode ser de todo mau". para quem sabe inglês, vale a pena absorver as pérolas de sabedoria.

16 setembro 2005

edgar allan poe de botafogo

como achei que estava ficando muito ranzinza, resolvi quebrar um pouco o climão com uma história gozada (epa!) que aconteceu comigo outro dia.

bem cedo pela manhã, a tati já havia partido para o trabalho, enquanto no rádio-despertador, o heródoto barbeiro anunciava uma série de desgraças na tentativa de me arrancar da cama.

em pleno lusco-fusco da consciência, ouço de repente a porta do quarto abrir-se, como se alguém a tivesse empurrado. não era o vento, disso tinha certeza. estava de costas para ela, assim permaneci, entorpecido de medo de acreditar na hipótese boçal de que alguém pudesse ter entrado em casa.

o segundo som que ouvi foi o farfalhar de um saco plástico no banheiro. continuei intrigado. "será que estão roubando minha escova de dente, o pincel de barba e o sabonete?" era demais. quando o barulho afastou-se em direção à sala, levantei para ver o que estava acontecendo.

o mistério era apenas a gatinha passeando tranqüilamente com meio corpo enfiado na alça de uma sacola de mercado totalmente esfarrapada. não me perguntem como ela conseguiu a façanha, mas estava bem à vontade com seu novo figurino. entre risos, apanhei a câmera e consegui fotografá-la algumas vezes, certo de que se não o fizesse, ninguém acreditaria em mim.

nossa modelo posa lânguida com cara de "que foi? nunca viram?"

14 setembro 2005

uma vez lobo...

sincronicidade é eu estar anteontem no msn papeando com o dude sobre a pletora de possibilidades "gastronômicas" que os trinta anos oferecem (inda que apenas hipotéticas e quiméricas, mas sempre bem-vindas), e hoje, no curso, ouvir a seguinte frase:

"o diabo é perigoso não porque ele é mau, mas porque é velho".

12 setembro 2005

míusique is mâni (e outras chorumelas)

há muito tempo não tenho mais paciência para a mtv. quando era novidade, às vezes eu virava a madruga com a tv ligada baixinho, como música de fundo. mas passada a marola inicial, fica nítido que a programação é uma enorme peça publicitária, pronta para vender qualquer coisa -- eventualmente, até música. isso cansa.

mesmo assistindo pouco, comecei a perceber que as melhores canções não fazem parte da programação regular; são as que aparecem geralmente na trilha incidental de alguns programas. repara só.

o resto é quase sempre libido disfarçada. exemplo: chega para um moleque dos 15 aos 20 anos e pergunta qual a primeira coisa que ele pensa quando ouve os nomes de britney spears ou christina aguilera? e a avril lavine, a namoradinha ideal de dez entre dez rebeldes de playground?
é batata. se eu estiver errado, mereço um cascudo.

como dizia a plebe rude há mais de 20 anos, " a música não importa, o importante é a renda".

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enquanto isso, naquela bela cidade ao sul do equador, uma turba ensandecida aproveita o domingo de sol para botar água no chopp do civismo de fim de semana, numa pequena demonstração do conflito jihad X mcmundo expresso pelo livro homônimo do benjamin barber. ficam assim reforçados os argumentos dos que acham que todo o espaço público deveria ser privatizado, à maneira dos shoppings centers.

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ainda não tenho opinião totalmente formada sobre a questão do desarmamento, mas não acredito que os bandidos vão ficar mais ousados do que já estão porque a população estará virtualmente (mais) indefesa. e entre os que são favoráveis ao porte com quem conversei, não havia um que possuísse arma. também não sei de relatos em que cidadãos comuns (não me refiro a policiais ou militares) tenham impedido a ocorrência de qualquer episódio de violência por estarem de posse de um "pau-de-fogo".

talvez estejamos vendo muito filme americano. mas o que sei eu?...

10 setembro 2005

quem tem olho grande não entra na china

Yahoo ajudou a localizar dissidente chinês para sua detenção. a notícia é da efe (via comunique-se), com base em denúncia do repórteres sem fronteiras.

o jornalista shi tao, de 37 anos, foi condenado em abril a 10 anos de prisão por "divulgar segredos de estado ao exterior", que nada mais eram do que "um aviso de possível crispação social por ocasião do décimo quinto aniversário do massacre de estudantes pró-democracia na Praça da Paz Celestial (1989)".

Segundo as autoridades chinesas, e o texto do veredicto demonstra que a Yahoo Holdings, com base em Hong Kong, facilitou sua identificação.

A Yahoo deu às autoridades chinesas a direção IP ou bloco de rede, que identifica o local desde o qual Shi Tao registrou a informação na Internet.


como dizia um conhecido, "paranóia é uma forma avançada de inteligência". por essas e outras, não uso mais nem o yahoo! nem o cadê?, seu braço nacional. hoje é lá, mas amanhã pode ser aqui.

08 setembro 2005

acm neto é o ovo da serpente


sinto arrepios no espinhaço toda vez que aparece a figura do neto de acm no noticiário da "estrela da morte". pelo jeito, a emissora continua alimentando a estratégia do jovem salvador da pátria, a mesma utilizada para levar o collor ao poder.

dessa vez, o ungido era o aécio neves, mas como as denúncias de caixa dois no psdb poderiam torpedear a futura candidatura ao planalto, suas barbas foram providencialmente postas de molho (aqui tem uma análise interessante, apesar da fonte questionável).

cadê a revista veja nessas horas?

a opção foi dar visibilidade a um substituto que, teoricamente, não estivesse atolado na bosta. assim surge a figura nefasta de acm neto, superexposto no palco midiático das cpis no papel de vingador da ética e da verdade. enquanto o mancebo colhe os louros de sua imagem de inovadora alternativa política, vovô malvadeza refrea seu ímpeto histriônico para não melar o futuro do herdeiro.

não se deixem enganar: acm neto é uma espécie de dorian gray, cuja figura "bonitinha" esconde toda a sorte de podridões e desvios de caráter da família.

ps: sempre de olho no lance, o kibeloco dá destaque no dia 30/08 à cômica frase pronunciada pelo politiquinho no programa do jô soares: "quem renuncia para não perder o mandato é culpado para o resto da vida". eles também linkam para um artigo muito bom.

02 setembro 2005

gênios da publicidade

nossos publicitários não andam lendo o noticiário.
se não, qual seria a explicação para escalarem a malu mader (recém recuperada de um cisto cerebral) para anunciar um analgésico cujo texto diz algo como "a gente tem que se dividir em duas, não dá para perder tempo com dor nas costas, dor de cabeça".

cada um tem o representante que merece...

minha amiga tati (não a piv) indignou-se com a condecoração do severino cavalganti (sic) com a grã-cruz do rio branco, a insígnia de mais alto grau da diplomacia brasileira.

ora, não vejo motivo para espanto ou indignação: calígula não queria fazer de incitatus cônsul?

01 setembro 2005

o mito juvenil da imortalidade

ok, senhoras e senhores, não sou mais o "garoto sapeca" que, tal qual o "avã garde" de oswald de andrade, "brincava, xingava, comia meleca". no entanto, não esperava levar uma rasteira do próprio corpo. pois o resultado do check-up a tanto tempo pedido por mamã e finalmente realizado -- graças aos contatos de dona patroa (vou levar um cascudo por isso) --, me deu um susto e tanto: colesterol nas alturas e fígado engordurado; ambos, provavelmente, fruto dos desvarios juvenis, que, apesar de mais escassos, ainda aconteciam esporadicamente.

mas afinal, o que mais pode um homem que, assim como o anti-herói de checov, tem consciência de tudo o que se passa ao seu redor, mas é impotente para mudar o rumo das coisas, senão beber? e comer uma lingüicinha? e sambar de vez em quando? e beliscar umas morenas? pois é, meus caros, assassinaram o camarão... começará assim a tragédia no fundo do mar? não! afinal de contas, não perdi várias noites de sexta em frente ao globo repórter em vão. tenho guardadas na cachola todas as dicas do chapelin.

já comecei a mudar de vida: agora em casa só entra gororoba light (puá! a gente ainda tem que fingir pra si mesmo que aquilo tem gosto!), e todo dia au matin, le chef (moi-même) prepara uma tisana de berinjela batida em água para ser tragada antes do desjejum. tudo isso para daqui a dois meses submeter-me a um novo hemograma que avaliará se meus níveis de colesterol baixaram, para que não tenha que tomar remédios. quem diria, héin, super-homem? culpa do lado da família da minha mãe, de quem herdei esse legado macabro -- mas que acabará em mim, e não comigo!

bom, quanto ao álcool, por enquanto ainda faço vista grossa, mas em breve não poderemos mais continuar nos encontrando desse jeito. minha neurologista de plantão calcula uns seis meses de abstinência até o bichinho voltar ao normal. pô, e eu que sempre teci loas ao meu fígado nos cadernos de perguntas das meninas do colégio, quando era para dizer qual a parte do corpo que eu mais gostava... poderíamos considerar o caso como traição?

eu, que sempre admirei a força de vontade de um amigo que passou um ano inteiro sem beber para se recuperar de uma hepatite, estou seguindo pelo mesmo caminho. "é a minha vida", uma vez ele respondeu, com uma garrafa de mate embaixo do braço, enquanto nos dirigíamos para uma daquelas festas de arromba que tive o prazer de participar quando era mais novo. (pensando bem, a expressão "festa de arromba" me fez sentir o peso da idade, apesar dos apenas três fios de cabelo branco que me adornam o coco; um recorde em comparação aos meus contemporâneos.)

é isso, colegas. estou no quilômetro dois da estrada da vida, e apesar do corpinho de falstaff, a idade cobra seu tributo. mas ao contrário do que talvez possa ter parecido, tô tranqüilo, tô numa nice. na verdade, sempre tive uma certa queda pelo ascetismo, e que melhor hora para botá-lo em prática? daqui a dois meses a gente conversa sobre isso de novo. alea jacta est!

ui!

31 agosto 2005

gabeira ficou macho

Sua presença na presidência da Câmara é um desastre para o Brasil, para a imagem do Brasil. Ou vossa excelência fica calado ou vamos começar um movimento para derrubá-lo!

o esporro acima foi a resposta do deputado do pv do rio à proposta de severino cavalganti (sic) de trocar a cassação dos envolvidos no mensalão por uma advertência. ao que o presidente da casa (da-mãe-joana) retrucou, gaguejando de indignação:

Vossa excelência, deputado, se recolha a sua insignificância, deputado, e não faça insinuações, que só cabem ao senhor. Eu não aceito.

ou meu português anda mais enferrujado do que imagino, ou não houve insinuação por parte do gabeira, e sim, uma afirmação categórica. pode ser que talvez o sevé não tenha entendido...

a propósito, o relato do quiproquó está aqui. espero que dê para ver o vídeo.

26 agosto 2005

a serviço do cramulhão

já tinha lido cobras e lagartos sobre o rupert murdoch. da maneira como ele vem tomando conta da mídia americana e mundial. seu império amealhou, entre outros empreendimentos, o new york post e o london times, os estúdios da twentieth century fox, a fox network, e 35 estações de tv que cobrem quase metade do país.

que o sujeito era de direitaça eu já sabia. ou melhor, não sabia até assistir ao fox news, que descobri transmitido pelo canal 97 do cabo. é de uma boçalidade indescritível. ontem me controlei para não vomitar diante de um noticiário apresentado por dois "marionetes", hannity & colmes, onde um (acho) ex-agente da cia defendia a proposta do pastor ted robertson em assassinar o chávez (o da venezuela, não o do seu madruga). estranho é que o canal de entretenimento até que é meio metido a "liberal de esquerdinha". as aparências enganam...

o mais interessante de tudo foi descobrir o documentário outfoxed: rupert murdoch's war on journalism, que radiografa as atrocidades políticas cometidas pelo fox news sob a alcunha de jornalismo (desnecessário dizer que já botei pra baixar no emule). é de arrepiar!

tem um clipe legal aqui. em quicktime.

Para FHC não esquecer

O ex-presidente FHC diz que não sabe como Lula ganhou as eleições para presidente. Vamos lembrá-lo então. Lula ganhou porque FHC fracassou. Ele pode não saber, mas o povo brasileiro, que o mantém como o mais rejeitado dos candidatos à presidência, sabe muito bem.

do emir sader, na carta maior.

e pensar que muitos dos que reclamam hoje votaram no barbudo justamente porque ele garantiu que "os fundamentos da economia" (o que quer que isso signifique) seriam mantidos...

24 agosto 2005

é normal isso ou é só comigo?

o tempo voa se arrasta enquanto você espera os jornais on-line publicarem o resultado da mega-sena.

deve ser ansiedade de principiante.

18 agosto 2005

hoje eu entendo...

Os gatos são nobres e exigentes, ao passo que os cães, não importa de que nível social, conservam a falta de classe dos novos-ricos e são incorrigivelmente vulgares.

Pierre Loti.

14 agosto 2005

como nascem os boatos

...parece que o que causou o cisto cerebral na malu mader foi o consumo de café pimpinella.

12 agosto 2005

Globo deve fazer programa infanto-juvenil especialmente para Grazi

tenho até medo de imaginar uma análise freudiana dessa relação entre erotismo e entretenimento infantil.

minha doralinda

o tempo passa, o mundo gira, a lusitana roda, e algumas coisas continuam firmes; modificam-se, é verdade, mas como engrenagens qeu, com o passar do tempo, adaptam-se melhor. ainda bem.

Doralinda - João Donato/ Cazuza (quem diria que eu ainda tiraria o chapéu para esse cara?)

Eu queria te dar a lua
Só que pintada de verde
Eu queria te dar as estrelas
De uma árvore de Natal
E todo o dinheiro falso do mundo

Eu queria te dar
Um carro conversível
Forrado de branco
Uma viagem pelo mundo
Num navio branco
E um sapato com salto de brilhante
Pra você passear
Passear
Porque te amo, te adoro e venero
Eu sou louco por você
Porque te amo, te adoro e venero
Eu sou louco por você

Eu queria te dar
Eu queria te dar um vison
Pra você andar no inverno na praia
Em Santa Catarina
Eu queria te dar
Eu queria te dar um amor
Que talvez eu não tenha pra dar
Ah…

Você não é bonita
Você não é nem charmosa
É tímida e envergonhada
Minha Olívia Palito
Mas singraria sete mares
À tua procura
E te daria uma vida bem segura

Às vezes te vejo
Lavando a sua roupa
Com aquele cheirinho de sabão
Eu queria te dar
Uma máquina de lavar
Secar, lavar prato
Te maquiar
Te ensinar a falar inglês
Porque você é uma rainha
Mas a vida é assim
O que tem que ser já é
Bonito, Doralinda

Doralinda
Doralinda

11 agosto 2005

gênios da publicidade

no vocabulário dos publicitários que anunciam pasta de dente, a palavra "frescor" foi trocada pela onipresente e hedionda "refrescância", que não existe em nenhum dicionário ou gramática.

tem uma marca que eu até já deixei de comprar só por causa desse "neosubstantivo".

aliás, pasta de dente, não, "creme dental". mas onde diabos alguém diz que compra ou usa determinado "creme dental"?! é o mesmo artificialismo criado nos comerciais de ração, em que os cachorros são tratados como "cães". qual é o problema, dizer "cachorro" é feio? denigre a categoria do animal? como dono de gatos, vou exigir do conar que, de agora em diante, os bichanos sejam tratados por "felinos".

10 agosto 2005

testezinho

tarrado do dudu:

Três coisas que me assustam:
- tpm
- vazamento de gás
- ser pego em flagrante fazendo algo errado

Três pessoas que me fazem rir:
- Márcia, minha irmã
- Marinho, meu amigo
- Celso, "meu pai"

Três coisas que eu amo fazer:
- passar horas bundando em livrarias
- ver filmes
- caminhar

Três coisas que eu odeio:
- trânsito lento quando estou com pressa
- gente atravancando calçada
- não ter dinheiro

Três coisas que eu não entendo:
- física quântica
- matemática, em geral
- quem é o "genésio" na música "kid cavaquinho"

Três coisas em cima da minha mesa:
- um telefone
- um computador
- uma xícara de café frio

Três coisas que eu estou fazendo agora:
- digitando
- precisando tomar banho
- correndo atrás de trabalho

Três coisas que eu quero fazer antes de morrer:
- envelhecer
- estudar arco-e-flecha
- aprender a pilotar avião

Três coisas que eu sei fazer:
- ler
- escrever
- desenhar

Três maneiras de descrever minha personalidade:
- boêmio
- divertido
- procrastinador

Três coisas que eu não consigo fazer:
- morder a orelha
- lamber o cotovelo
- enxergar através dos sólidos

Três bandas/cantores que eu acho que você deveria ouvir:
- babau do pandeiro
- maurício negão
- miles davis

Três bandas/cantores que eu acho que você NUNCA deveria ouvir:
- passo. as que vc não deveria ouvir eu também não ouço.

Três coisas que eu digo freqüentemente:
- "sai, chica!"
- "tatiana, um...tatiana, dois..."
- "não sei"

Três das minhas comidas favoritas:
- empada de camarão
- farofa
- gefilte fish (mas tá difícil de comer agora...)

Três coisas que eu gostaria de aprender:
- voar
- tocar violão
- ficar invisível

Três coisas que eu bebo regularmente:
- água
- mate
- chopp (com menos freqüência do que eu gostaria, com mais do que eu deveria)

Três programas de TV que eu assistia quando era pequeno:
- "o elo perdido"
- "amaral netto, o repórter"
- "sala especial" (esse, escondido)

ao que parece, nada mudou...

[Os plutocratas acreditam que há algumas coisas piores que a Guerra]: o confisco dos privilégios especiais; a abolição do lucro imerecido; a derrubada do parasitismo econômico; o estabelecimento de uma democracia industrial. Os plutocratas achariam bem-vinda uma guerra que prometesse a salvação contra qualquer uma dessas calamidades; eles também achariam bem-vinda uma guerra que garantisse mais mercados externos, a destruição da competição estrangeira, mais segurança para os direitos de propriedade e uma maior dominação da vida pelo despotismo plutocrático.
(...)
O controle e a posse dos recursos naturais, bancos, ferrovias, minas, fábricas, partidos políticos, cargos públicos, tribunais e decisões jurídicas, o sistema de ensino, a imprensa, o púlpito, a indústria cinematográfica, as revistas -- todo esse poder seria acumulado para nada em uma comunidade que se acreditasse uma democracia, a menos que a opinião pública estivesse por trás dele.

Como poderia a plutocracia -- a desacreditada, difamada plutocracia -- conquistar a opinião pública? Só haveria um meio: ela deveria alinhar-se a uma causa que controlasse a confiança pública. A causa escolhida foi a defesa dos Estados Unidos.

Com o imenso poder da imprensa pública à sua disposição; a posse de meios ilimitados; unidos em torno de uma política comum, a plutocracia espalha o terror sobre a nação.


o texto acima é um fragmento de "the great madness -- a victory for american plutocracy" ("a grande loucura -- uma vitória para a plutocracia americana"), do socialista estadunidense scott nearing. até ai, nada de mais, se o texto não tivesse sido escrito em 1917, em razão da entrada de seu país na primeira guerra mundial.

no dia de seu sexagésimo-segundo aniversário, em 6 de agosto de 45, ele escreveu uma carta ao presidente truman, que tinha acabado de bombardear hiroshima:

Seu governo não é mais o meu. Deste dia em diante, nossos caminhos divergem: você continua em seu curso suicida, explodindo e amaldiçoando o mundo. Eu volto minha mão para a tarefa de ajudar a construir uma sociedade baseada na cooperação, justiça social e bem-estar humano.

algo mais sobre o caboclo, que viveu cem anos, aqui (também em inglês).

06 agosto 2005

nunca é demais lembrar...

de vez em quando bate uma tristeza, uma desesperança da vida, falta de perspectiva, medo do futuro e do naufrágio. nessas horas nunca é tarde para lembrar-se dos "fabulosos cadillacs", e botar uma canção para tocar:

Los condenaditos (G. Fernández Capello)

Dónde está escondido ese recuerdo tan temido
Qué parte de tu cuerpo guarda todo, escondido
larará, larará

Dónde está escondido ese recuerdo tan preciado
Qué parte de tu cuerpo guarda todo olvidado
Por qué estas tan cansado?
No vez que sos pendejo
Dejá de complicarte
Que ya estás casi muerto
larará, larará

Dónde está la llave
Que te abra la ventana
Quién dicta la sentencia
Que esta robando el alma
Por que estás tan cansado?
No vez que sos pendejo
Dejá de complicarte
Que ya estás casi muerto
larará, larará

Muerto, muerto, muerto
Mirá te están velando
Son todos tus amigos
Todos tus recuerdos olvidados (X2)

Se nubla, se nubla
Se nubla, se nubla
Se nubla, se nubló

Dónde está escondido ese recuerdo tan temido
Qué parte de tu cuerpo guarda todo, escondido

Muerto, muerto, muerto
Mirá te están velando
Son todos tus amigos
Todos tus recuerdos olvidados(X2)

Se nubla, se nubla, se nubló.


e tenho dito.

05 agosto 2005

in waltinho we trust (?)

dada a minha tendência a prelibar coisas macabras (obrigado, pedro!), sempre imaginei a lambança que seria um filme do on the road. mentira. não pensei, porque nunca achei que pudesse ser feito, sem que a essência "vagamundo" do livro se perdesse ao ser condensada em duas horas. afinal, fora a ida ao méxico, o cara cruza os estados unidos de carro umas três vezes, se não me falha a memória.

mais aí, leio que walter salles tá escalado para dirigi-lo, com produção do coppola. fico mais tranqüilo, porque confio no taco (epa!) e na sensibilidade do rapaz. mas kerouac não é che guevara. "mi primer gran viaje", de onde saiu o "diários...", é muito diferente de "pé na estrada". além de ser um livro de tamanho muito menor (embora talvez até menos descritivo), "mi primer.." parece ser de adaptação mais simples.

mas depois do que fizeram com o asimov, e a bomba que deve ficar a adaptação do john fante (com o colin farrell de bandini! não vou nem passar perto do cinema quando estrear), nada mais me surpreende. pelo menos, no waltinho dá para se confiar.

se bem que estão anunciando um filme dele com a jennifer connely, com a maior cara de ser de terror. veremos...

update: achei uma página que dá umas informações legais sob a bibliografia do fante.

01 agosto 2005

as virgens suicidas

acabei de rever "as virgens suicidas", da sofia coppola, com um apertinho bom no coração. não sou dado a nostalgias, mas esse filme retrata com perfeição o gosto da adolescência -- um misto de angústia, ansiedade, antecipação e amor. tempos repletos de urgências dramáticas e desejos, que, não atendidos ou negados, parecem oferecer como única solução o fim à vida.

uma das grandes espertezas da fita é centrar a narrativa no ponto de vista dos garotos da vizinhança, que tentam remontar os acontecimentos como um quebra-cabeças de pequenos vestígios do dia-a-dia. lembrou-me muito a época em que eu e um pequeno grupo de amigos, inocentemente tentávamos desvendar os mistérios que o mundo, e, principalmente, as meninas, reservavam para nós.

We knew the girls were really women in disguise, that they understood love, and even death, and that our job was merely to create the noise that seemed to fascinate them.

outro ponto a favor da sofia (já tô íntimo) é não cair na esparrela de tentar explicar os "motivos", tampouco banalizar a situação puxando pela neurose dos pais. a opção é pela sutileza das pequenas violências, como na cena da queima dos discos. o clima solar, quase de conto de fadas, ajuda a não deixar o filme cair na morbidez óbvia, e a trilha sonora do "air", se me premitem a má literatura, é linda de morrer. quase hipnótica, inebriante como deve ser um uma overdose de soníferos ou um barato de gás carbônico. ótima escolha; gostaria de saber até que ponto o fato de os músicos serem quase adolescentes ajudou.

So much has been said about the girls over the years. But we have never found an answer. It didn't matter in the end how old they were, or that they were girls... but only that we had loved them... and that they hadn't heard us calling. Still do not hear us calling them from out of those rooms... where they went to be alone for all time... and where we will never find the pieces to put them back together.

a cena da conversa por músicas é muito bem sacada. e reescutar "you're so far away", da carole king, foi pungente. é meio cafoninha, mas capaz de me transportar de volta aos seis anos de idade, aos rincões da tijuca, às lembranças das minhas primeiras paixões. eram amigas da minha irmã mais velha, algumas quem sabe já mocinhas, cuja companhia tornou minha infância muito colorida e rica em experiências. um dia eu falo mais da importância da minha irmã mais velha para minha apreciação do gênero feminino.

a claudia, eu considerava minha namorada, a quem presenteei com uma figurinha do álbum do filme king kong, estampada com a foto da jessica lange. verinha, a mais linda, morava na casa do lado do meu prédio, e simone. ah, simone...era filha do porteiro, e talvez seja dela a culpa pela minha paixão por mulheres de pele branquinha e cabelo encaracolado. simone, a primeira que me mostrou suas graças, enquanto nos escondíamos no banheiro da empregada lá de casa.

algumas paixões juvenis podem marcar mais que água fervente sobre a pele, embora não sejam vistas a olho nu. como saldo final, alguma nostalgia das velhas amizades, muitas das quais só existem hoje em fotos esquecidas dentro de algum livro, ou perdidas em um fundo qualquer de gaveta.

enfim, para mim, esse filme manda muito melhor que o seguinte, lost in translation.