recebi um imeio com supostas frases pinçadas de provas do vestibular da unicamp. é hilário, mas depois dá vontade de chorar.
Tema: A mudança é indubitável, mas progresso é uma questão controversa. Por isso todos falam de evolução, mudança, progresso...
"A mudança sempre ocorreu e sempre vai ocorrer. Ela ocorre para os seres vivos, mortos, para o concreto, para o abstrato (idéias)."
"Desde o seu surgimento o homem galopou pela escala orgânica, tendo seu cérebro como montaria, pois anda a frente das demais espécies, dominando-as a seu favor."
"As mudanças ocorrem devagarosamente."
"Dificilmente vamos encontrar mudanças ou progressos que são positivamente bons para ambas as partes."
"Pode-se notar que o homem só conseguiu ir para diferentes lugares do mundo a partir dos primatas, que desenvolveram a roda, tendo como conseqüência a possibilidade de conhecer culturas variadas."
"Desde a priori aos tempos remotos..."
"Antigamente ao bater uma carroça na outra dificilmente alguém morria, hoje após a evolução, milhares morrem em acidentes de carro."
"O homem progrediu as custas de outros, como Frankstein, que deu vida a uma criatura, adquiriu a evolução mas não teve bom êxito com o monstro criado. Já que este monstro não tinha noção da sua força e deformação."
"Pode até ser por acidente. Tropeçamos no progresso, caimos na mudança e levantamos na evolução."
"Tudo vem dos seres vivos, até os seres não-vivos."
"E o Homo Sapiens continua seu progresso: desmatando, poluindo e usando desinfetantes, só para dar cheirinho no seu banheiro."
"Eu, particularmente, desenvolvi uma cabacidade de raciocínio e argumentação incríveis."
"Como diz o ditado: é duro agradar a pobres e troianos."
"Todos os seres evoluem, cada um com a sua evolução, pois somos todos individualistas."
"O homem tem a capacidade infinita de evoluir, mas não sabe utilizá-la de forma segura e promíscua."
"Os próprios seres humanos somos mudanças ambulantes."
"A falta de consideração para com a natureza ocorre devido a falta de maturidade da cabeça e dos pensamentos humanos."
"Somos a própria imagem da evolução refletida no espelho do progresso."
"O mundo está reagindo as reações que o homem está fazendo."
"Sonhamos com um mundo melhor, visto que o dinossauro cedeu lugar ao cachorro, gato..."
"Os aminoácidos foram os primeiros habitantes da terra..."
"Fazendo uma comparação das proezas do coelho que se reproduz em grande quantidade, os humanos já venceram com maior número populacional."
"Segundo a terceira lei de Newton, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma."
"A cultura mudou, os costumes mudaram, até os dentes dos nossos bisavós eram diferentes, temos dentes a menos."
"FMI, gente que nunca veio aqui e nem sabe o que é sofrer..."
"Após cinco anos de sua introdução à sociedade, havia concluído dois cursos superiores e penetrado na vida política."
"O macaco é descendente do homem."
"O filósofo Nich do início do século já observava que a evolução gerérica teria que ser de forma moderada..."
"Porém o mundo anda em progresso as grandes maioridades das vezes."
"Os maias, por exemplo, pouco se sabe sobre essa civilização, muitos acreditam que eles chegaram a tal ponto evolutivo que transcenderam. Ou mesmo as civilizações dos cristais que ocuparam o planeta há muito tempo atrás e que obtinham todos os seus poderes dos cristais."
"Ainda não se sabe alcerto qual foi..."
"Estamos no apse do mundo digital."
"Tivemos uma longa conversa de cinco minutos..."
"Hoje sou antropófago..."
"Anafaquistão, um país que derrubou as torres e que tem como deus um tal de Bilack..."
05 março 2006
ninguém segura a juventude do brasil
coisas com as quais embatuco sem razão (1)
não é por nada não, nem conheço o som dos caras (aliás, só anteontem descobri que não era um, mas vários), mas toda vez que ouço falar em franz ferdinand me dá vontade de acrescentar "collor de mello".
04 março 2006
Associação dos Blocos da Zona Sul critica omissão do Prefeito Cesar Maia
tirei do saite do sindicato. para quem achou que, apesar da paz e da alegria, o carnaval de rua do rio foi caótico.
saldo (retardado) de carnaval
carnaval como há muito não brincava. saldo final:
- uma carteira perdida com todos os documentos no sábado, no bola preta. se não tivesse sido tão legal até estaria mais puto;
- domingo ganhei primeira bolha no dedo de tocar caixa-de-guerra (que naquele estranho estado ao sul do brasil chamam "malacacheta"). daqui há pouco vou me considerar o próprio percussionista;
- terça-feira de carnaval "off", completamente sem voz e com assaduras generalizadas nas coxas e países baixos. nada disso do que vocês, cabeças imundas, estão pensando. tecidos sintéticos e excesso de calor não combinam. a baixa significou bolo no bloco "arocha", da gávea (assim junto mesmo, mas pronuncia-se como se foram duas palavras). outro em que, se forçasse a barra, também tocaria. pena, fica para o ano que vem.
- quarta-feira convalescendo, esperando a apuração dos desfiles que não assisti, assistindo concert for george, recém-baixado.
aliás, sobre o vídeo, preciso registrar: detesto tributos. normalmente as gravadoras reúnem uma porrada de artistas que precisam promover, sem qualquer relação com o homenageado. tipo botar cpm22 para cantar candeia, ou detonautas para tocar no baú do raul. mas no show do george harrison, não. só entrou amigo, mesmo. gente com quem o george tocou e com quem, pode-se dizer, ele até dividiria a mulher - que o eric clapton não me ouça.
and, in the end, dá para se chegar à conclusão que o george harrison é um injustiçado. nem nos beatles ele teve o espaço que mereceu. sua obra manteve sempre uma qualidade uniforme e constante, mesmo as "indianices"conservam frescor -- coisa que não se pode dizer de vários experimentalismos dos anos 60, ou mesmo do trabalho dos coleguinhas lennon e macca, por mais que eu goste do segundo. george harrison é fera, o show é impecável, em diversos momentos arrepia e deixa os olhos cheios d'água. a presença da esposa e do filho (aliás, a cara dele!) reforçam o clima de família. valeu ter ficado em casa.
destaque para beware of darkness, que eu não conhecia, cantada pelo eric clapton. segue a letra:
Watch out now, take care
Beware of falling swingers
Dropping all around you
The pain that often mingles
In your fingertips
Beware of darkness
Watch out now, take care
Beware of the thoughts that linger
Winding up inside your head
The hopelessness around you
In the dead of night
Beware of sadness
It can hit you
It can hurt you
Make you sore and what is more
That is not what you are here for
Watch out now, take care
Beware of soft shoe shufflers
Dancing down the sidewalks
As each unconscious sufferer
Wanders aimlessly
Beware of maya
Watch out now, take care
Beware of greedy leaders
They take you where you should not go
While weeping atlas cedars
They just want to grow, grow and grow
Beware of darkness
24 fevereiro 2006
fuja da oi como do diabo!
existe hoje uma competição feroz entre duas divisões de uma mesma empresa pelo título de serviço mais incompetente do brasil. são elas a oi e a telemerda (sic).
a oi está atravessada na minha garganta desde outubro, quando meu celular foi roubado. desde então vivo um pesadelo capaz de fazer o kafka levantar do túmulo pedindo ajuda ao pai. passado o "sinistro", fui informado de que conseguiria um novo aparelho com desconto generoso enviando um b.o. à empresa.
cumprida a formalidade, nos avisam da recusa do b.o. por rasura. sendo que ele havia sido enviado por mim mesmo, em perfeitíssimo estado. a invalidação, me explicam, se deu por ser eu o autor da queixa, estando o aparelho em nome da tati. detalhe: na folha do b.o., conforme pedido pela própria oi, seguiram escritas TODAS as informações dela, nome e número do titular e do aparelho, cpf, tipo sangüíneo, cor da calcinha, tudo.
a alternativa que nos deram foi ELA fazer outro b.o. como minha paciência é mais curta até que meu limite no banco, nesse ponto, para desfazer a impressão de que estávamos pedindo um favor para a oi, achamos por bem cancelar o serviço. fui informado de que a multa por rescisão de contrato (o telefone era subsidiado por promoção) seria de R$ 200, mais o valor do aparelho na nota fiscal que era de R$ 50. (o valor total era inferior aos R$ 300 exigidos por contrato, segundo descobri muito depois. ou seja, desconhecimento total das próprias regras).
qual não foi minha surpresa quando chega o boleto com a cobrança de R$ 468,15! ligo para lá espumando, e proponho que o funcionário que me atendeu e o supervisor que o informou do valor paguem a diferença, pela desinformação de ambos.
lição número 1 sobre com incompetência empresarial: sempre que ligar para uma empresa, seja para reclamar, pedir um conserto ou serviço qualquer anote tudo: a hora da ligação, o nome do atendente, e o número de protocolo da ligação. eles são capazes de dizer que vc não ligou.
oferecem-me uma contestação de valores, para análise em 15 dias, sem, entretanto, garantia de reajuste. findo o prazo, baixam o valor para R$ 144,15, sem saberem por qual razão. mas depois, quem disse que o boleto chegava? todas as quatro vezes em que liguei pedindo para pagar (!), a resposta foi "estamos abrindo um novo pedido de envio de fatura. caso ele não chegue em cinco dias úteis, pedimos que o sr. entre em contato conosco". demorou quase um mês para que eu visse a cor da maldita. paguei na hora, mas errei em não ligar confirmando o pagamento.
lição número 2 para lidar com incompetência empresarial: nunca subestime a capacidade alheia de emporcalhar um serviço.
quando acho que o caso todo já tinha virado piada de mesa de bar, chega HOJE em casa um novo boleto, cobrando R$ 14,04 por multa e atraso e mora da primeira fatura -- a que nunca chegou. agora me pediram para ligar na quinta depois do carnaval, pois o sistema (sempre o famigerado sistema) não estava no ar. vai ver já tinha ido para a região dos lagos tomar umas cervejas.
donde só posso concluir que, como diz a tati, devo ter limpado a bunda no santo sudário. só isso explicaria tal provação.
23 fevereiro 2006
nietzsche, cadê meu chicote?
é inevitável: sempre que ultrapasso os cinco minutos de tolerância ao saia justa (nem luana e marcia me comovem além disso), medito sobre a coerência do chiste popular que iguala as mulheres à conservação do vinho.
**************
por outro lado, aquele comercial de sabão com uma pletora de mulheres na praia, de todos os formatos e cores, poderia durar uma hora.
tarrado do dudu.
Quatro empregos que já tive na vida:
produtor de TV
ilustrador
"ínglis títxa"
titeriteiro (manipulador de teatro de bonecos)
Quatro filmes que posso ver vezes sem conta:
o homem que amava as mulheres
luzes da cidade
o marido da cabelereira
macunaíma
Quatro séries televisivas que não perco:
csi
lost
arquivo X
house (essa eu nunca vi. portanto, sempre perco. )
Quatro dos meus pratos preferidos:
camarão ao alho do botequim embaixo de casa
cuscus marroquino
torta capixaba
empada
Quatro Websites que visito diariamente:
google
gmail
o globo
blogs em geral
Quatro lugares onde gostaria de estar agora:
num quarto com ar-condicionado
islândia (acabei de ler "viagem ao centro da terra")
veneza
natal - rn
Quatro blogs que desafio a fazer este questionário:
(então, tá, vou chutar quatro)
neurons and shit
interjacência
em meio ao caos
julio carvana
evoé, baco!
tem zicas que só podem ser desfeitas se imersas em álcool, em presença de amigos, já diziam os antigos alquimistas. aguardo um bom efeito para os próximos dias. se não, também, que se dane.
*****************
no mais, é começar a campanha para a xuví tomar vergonha na cara e mandar o caos para o firefox. pô, afinal, depois de tanto tempo. não que eu queira cutucar jacaré...
16 fevereiro 2006
antes que me esqueça...
hoje é dia do repórter.
ah, botei as fotos da capa e quarta capa do cem anos. no fim do segundo bostejo abaixo. imagina essa porra na cabeça de uma criança...
(quanto à mão, tá mais para um diagrama de leitura astrológica do que pra "hamsa".)
14 fevereiro 2006
piedade dos meus ouvidos!
podem dizer que é fácil falar estando fora da linha de frente, mas puta que o pariu, um repórter me chega no rádio (band news) e anuncia uma matéria sobre uma exposição em são paulo do fotógrafo pierre "vérguer"?!
tá legal, eu aceito o argumento de que não é obrigação de jornalista saber tudo, que não é necessário para o exercício da profissão entender tudo de antropologia, de candomblé, de fotografia -- não precisa nem saber onde fica a frança e muito menos a bahia (embora isso seja um triste retrato da indigência jornalística atual); mas não me altere o fato tanto assim: porra!, não sabe, pergunta. é a lição básica do jornalismo. melhor passar por humilde do que por burro.
a propósito, o camarada sequer se deu ao trabalho de ouvir a matéria gravada, em que a coleguinha sapecava a pronúncia certa, "vergêr".
pior do que isso só a história de uma amiga cujo professor de sociologia lascou em plena sala de aula um "máiquel fucált". uma extração de dente a boticão, sem anestesia, não deve doer tanto.
a frase que mudou minha vida
"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo."
os desenhos enigmáticos da capa me assombravam desde a infância, antes mesmo aprender a ler, quando brincava de encontrar figuras nos livros da estante. ainda não sabia o que era a roda da fortuna, mas a imagem daqueles demônios nus presos pelo pescoço, a mão cheia de hieroglifos (que muitos anos depois vim a reconhecer como a mão de fátima), e aquele estranho homem nu de olhar vidrado e braços e pernas abertos, tudo aquilo, havia algo de mágico ali, um inexplicável sabor de mistério proibido.
apenas aos quatorze anos, no entanto, foi que os desenhos ganharam solidez, um universo ao qual pertenciam, elaborado e, de uma estranha maneira, coerente em seus absurdos. para mim tornaram-se indissociáveis texto e imagens, uma simbiose perfeita, a ponto de eu não reconhecer como legítima nenhuma edição diferente da que contenha as ilustrações do carybé.
acho que deixei de ser menino com cem anos de solidão.
UPDATE:
a pedidos, fotos de frente e verso (com lombada).
13 fevereiro 2006
o que você deve saber sober mim
bom para botar na descrição do orkut. tarrei da solange:
Ten Top Trivia Tips about Marcelo!
- It is impossible to fold Marcelo more than seven times.
- If the Sun were the size of a beach ball then Jupiter would be the size of a golf ball and Marcelo would be as small as a pea.
- Every day in the UK, four people die putting Marcelo on!
- Humans share about fifty percent of their DNA with Marcelo!
- Humans have 46 chromosomes, peas have 14, and Marcelo has 7!
- People used to believe that dressing their male children as Marcelo would protect them from evil spirits.
- Marcelo can fly at an average speed of fifteen kilometres an hour.
- Bananas don't grow on trees - they grow on Marcelo!
- The deepest part of Marcelo is over 35,000 feet deep!
- Marcelo was originally green, and actually contained cocaine.
....
Comentários:
1. é vero. as pessoas me conseguem dobrar uma, duas, três vezes...mas meu limite é curto, que não sou sangue de barata.
2. sendo o sol uma bolona de praia, ser do tamanho de uma ervilha ainda é ser grande pra dedéu. querem saber minha massa?
3. não lembro de jamais ter feito mal a qualquer bretão. mesmo assim, é bom não dar mole...
4. peraí, minhas façanhas de alcova ainda não chegaram a tanto...
5. "keep it simple, babe" -- that's my motto.
6. como meus pais não me vestiram de marcelo, os espíritos me assombram até hoje.
7. ...e mesmo assim continuo chegando atrasado.
8. de pelo menos uma sei com certeza. quer provar?
9. se tem uma coisa da qual não posso ser acusado é de ser superficial.
10. continuo mantendo o tom, mas mudei para cafeína. depois do freud, a barra meio que pesou...
do verissimo (filho), mesmo!
dentre as pragas atuais, a que mais me chateia é a dos textos atribuídos a determinados escritores e cronistas que eventualmente circulam a internet e encontram minha caixa postal. pelo visto há muita gente que até hoje não aprendeu a máxima de não acreditar em tudo que lê, ou que simplesmente não lê nada, porque os tais escritos normalmente não têm um pentelho de semelhança com o estilo do autor. e não estou falando de nenhum stendhal, foucault, euclides da cunha ou josé sarney. não, é gente que publica quase todos os dias em jornais de diversos estados. mesmo assim ninguém estranha um mario quintana (talvez o mais erudito dos plagiados) falar de "corpos sarados", porque ninguém nem ao menos sabe com o quê se come o tal mario quintana. enfim, esse palavrório é para copiar um texto do luis fernando verissimo, publicado ontem no globo. de qualquer forma, ele segue abaixo. a propósito, a empresa de cartão de crédito da qual ele se queixa é a credicard. testei o número.
Obrigado, Fernando Henrique
Recebi um cartão de crédito novo para substituir um vencido. Junto, a instrução: ligar para 4001-4828 para desbloquear o cartão.
Como sabe quem liga para um número destes, é preciso passar por um teste de atenção e reflexos, comandado por um robô com voz feminina, antes de merecer o direito de falar com um ser humano. De acordo com o assunto, digita um número, que leva a outra escolha de número, que leva a outra, e a outra, até ? se você escolheu a seqüência certa ? ser saudado por uma voz de gente, mas parente do robô, porque o tom é parecido, que pergunta em que pode servi-lo. Eu disse o que queria. Desbloquear o cartão novo que tinham me mandado.
Para minha segurança, disse a prima do robô, ela precisaria confirmar alguns dados. Numeração do cartão vencido. Numeração do cartão novo.
Meu número de RG. O número do meu CIC. O nome do meu pai. O nome da minha mãe. Gosta de iogurte? É ciumento? Não, esses dois itens eu estou inventando. Mas dei a informação pedida. Depois de uma pausa para consultar o computador, a voz disse:
-- Senhor, os dados não estão corretos.
Examinei os números do cartão antigo e do novo. Eram aqueles mesmo. Meu RG era aquele mesmo. Meu CIC também. Será que eu passara a vida inteira chamando meu pai pelo nome errado? E o nome da minha mãe, era pseudônimo? Pouco provável. Eu disse para a voz que os dados estavam certos.
-- Senhor, alguns dados não conferem com os que temos. Por favor, muna-se da documentação necessária e ligue outra vez.
-- Mas eu estou com a documentação aqui e se ligar outra vez vou dar a mesma informação.
-- Senhor, por favor, muna-se da documentação necessária e ligue outra vez.
-- Quais são os dados que não estão certos?
-- Senhor, não podemos dar essa informação.
-- Mas como é que eu posso corrigir um dado se não sei qual é o errado?
-- Senhor...
Finalmente descobri que podia passar um fax com cópias dos documentos que provavam que eu era eu. Foi o que eu fiz. Semanas depois recebi uma carta impressa, com um ?x? marcando a razão pela qual meu fax era inaceitável: ?Ilegível?. Mandei as mesmas cópias, bem nítidas, pelo correio. Passaram-se semanas. Liguei outra vez para o 4001-4828, para saber das novidades. A voz sabia do meu fax ilegível.
-- Mas eu mandei uma carta depois.
-- Também estava ilegível.
Desisti de desbloquear meu cartão novo. Tudo bem. A vida moderna tem esses buracos negros tecnológicos, culpa de ninguém. Mas será que sabem o estrago que fizeram no amor próprio de um cronista, chamando-o repetidamente de ilegível? Foi por estar assim fragilizado que fiquei emocionado quando me contaram que o Fernando Henrique Cardoso, na sua entrevista no ?Roda Viva? (não vi, estava vendo outro bom ator, o Marlon Brando, na Net), disse que eu não entendia de nada, mas escrevia bem. Eu e meu ego nos sentimos desagravados. Obrigado, Fernando Henrique!
Só um adendo. Há dias chegou uma correspondência do cartão de crédito, estranhando a minha demora em desbloquear o cartão novo.
Se não fosse uma carta impressa, sem uma assinatura humana, eu desconfiaria de ironia.
12 fevereiro 2006
alegria só abunda!
fui convocado para fazer barulho numa caixa-de-guerra no bloco "alegria só abunda". os ensaios acontecem aos domingos, às 16h, entre a bolívar e a barão de ipanema, ou no quiosque rio 40 graus, também em copacabana. como se pode ver, não sei direito a localização ou o dia de desfile, mas é porque será a primeira vez que vdou as caras lá. assim que souber mais, bostejo. de qualquer forma, a marcha-enredo é genial:
Alegria só abunda! - (Vevê do C. Verde/Serginho Almeida)
No carnaval a alegria só abunda
E como abunda, e como abunda
O nosso bloco é pura alegria
Vamos pular até raiar o dia
Dizem que a alegria morreu
Não morreu, aqui abunda, aqui abunda
Até o Corcovado ficou corcunda
Pra ver na rua o alegria só abunda!
A alegria, a alegria
Como abunda na folia
Eu vou cantar, dançar, pular até segunda
Porque aqui a alegria só abunda!
10 fevereiro 2006
sem comentários
deu ontem (09/02, às 17h18m) no blog do moreno:
"Caetano se irrita e corrige revista: cueca não, sunga de jérsei"
ainda não sei do que se trata, mas tem vezes em que é melhor a gente fingir que não é com a gente. é como tentar explicar batom em cueca.
mas, enfim, o que não se faz por um holofote?...
09 fevereiro 2006
sujeira pra todo lado
grande trabalho do coleguinha josias de souza, que teve o privilégio de registrar em primeira mão o ex-deputado beto jefso disparar mais uma carga no ventilador. sobrou para furnas, brasília e minas gerais. agora não adianta mais fingir; se sobrou alguém limpo nessa história (acreditar, quem há de?), na cúpula do psdb é que ele não está.
indonésia não concede clemência a brasileiro
a notícia está no globo. para quem não se lembra, trata-se do caso do instrutor de asa delta "condenado à morte por fuzilamento porque, em agosto de 2003, tentou entrar na Indonésia portando 13,4 quilos de cocaína em seu equipamento de vôo livre."
sou contra a pena de morte para qualquer crime: o autor "se safa" de arcar com as conseqüências de seus atos; por outro lado, a execução não "serve de exemplo", como alegam seus defensores, porque memória curta faz parte da natureza humana.
todavia, defendo que o citado conterrâneo merecesse levar uma surra de vareta pela ingenuidade de achar que conseguiria passar pela alfândega -- não da indonésia, mas de qualquer país minimamente civilizado -- com quase 14 quilos de cocaína.
extrapolando o radicalismo hipotético, uma boa solução, tanto para o tráfico de drogas quanto para outros crimes hediondos, talvez fosse a adoção da pena que dizem existir em alguns países árabes (mesmo circulando há décadas como fato, tal boato carece de confirmação): amputação de uma das mãos.
é certo que o sujeito refletiria bastante ante a possibilidade de repetir o mau-passo. antes da implantação definitiva do método, entretanto, para avaliar sua eficácia, seria importante calcular o número de pessoas que tomam sopa de canudinho nesses países.
08 fevereiro 2006
inocêncio de quê?
Inocêncio é condenado de novo por escravidão
Raimundo Garrone
Especial para O GLOBO
SÃO LUÍS. O deputado federal Inocêncio Oliveira (PL-PE) foi condenado ontem em segunda instância pelo Tribunal Regional do Trabalho do Maranhão por manter trabalhadores da Fazenda Caraíbas em condições análogas à de escravos. A fazenda fica no município de Gonçalves Dias, no Maranhão, onde em 2002 foram encontrados 53 trabalhadores sem registro em carteira, em condições inadequadas de saúde e segurança e impedidos de deixar o local.
Pela sentença, Inocêncio deve pagar R$ 130 por dia trabalhado a cada trabalhador explorado. A conta começa desde a época da fiscalização do Grupo Móvel do Ministério do Trabalho, realizada em 2002. Os valores deverão ser calculados pelo TRT e corrigidos monetariamente. A indenização será paga a título de dano moral.
Ação civil pública contra Inocêncio foi arquivada
O deputado havia sido condenado em primeira instância em 2003 pelo juiz do Trabalho Manoel Lopes Veloso, de Barra do Corda (MA). Pela primeira sentença, teria de pagar R$ 10 mil por trabalhador.
Ontem, por quatro votos a três prevaleceu o voto do relator do processo, desembargador Américo Bedê Freire, condenando Inocêncio.
? Esta é mais uma demonstração de que o Judiciário trabalhista brasileiro está engajado no sentido de erradicar totalmente essa vergonha que é o trabalho escravo ? disse a procuradora-geral do Trabalho, Sandra Lia.
Uma ação civil pública também foi julgada ontem contra Inocêncio e arquivada por perda do objeto. O Ministério Público do Trabalho pedia que ele fosse obrigado a melhorar as condições de trabalho na propriedade. Segundo o relator Alcebíades Dantas, à época do primeiro julgamento, Inocêncio já havia vendido a fazenda, assinado a carteira dos trabalhadores e pago seus direitos trabalhistas. Nesta ação ele também já havia sido condenado a várias obrigações, como a oferecer condições mínimas de trabalho, pagar salário-mínimo e oferecer água potável a seus trabalhadores.
Os advogados do deputado disseram ontem que possivelmente irão recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho.
************************************
não sei quanto a vocês, mas além da indignação, fico com vergonha de pertencer a mesma espécie de gente como o "culpôncio". e esse caso é apenas um 3x4 da caraça da direita agrária, dos barões da cana e do café, dos coronéis dos cantões, dos patriarcas quatrocentões, dos senadores teefepistas das gerais e dos interiores, dos "próceres da nação", que fizeram fortuna à custa de roubo de cavalos, brutalidade e escravidão, para depois cevarem no congresso às custas do erário e do sacrifício popular. assim o é desde os tempos de gregório de matos, que já dizia:
No Brasil a fidalguia
no bom sangue nunca está,
nem no bom procedimento,
pois logo onde pode estar?
Consiste em muito dinheiro,
e consiste em o guardar,
cada um o guarde bem,
para ter que gastar mal.
Consiste em dá-los a maganos,
que o saibam lisonjear,
dizendo, que é descendente
da casa do vila Real.
até quando você vai permitir que beócios controlem seu destino? fora com essa canalha! diga não!
e se a piada fosse com você?...
as caricaturas do profeta muhammad (que a paz esteja com ele), e suas conseqüências fora de proporção, foram acompanhadas pelo debate sobre os limites da liberdade de expressão e de imprensa. no entanto, trata-se apenas de respeito às diferenças culturais. a resposta editorial iraniana talvez aponte o tal parâmetro de comparação que todos no ocidente falharam em alcançar para entender o tamanho da besteira que havia sido feita. embora considere a idéia um tanto canhestra, ela poderá ser ilustrativa (perdão pelo trocadalho).
retirado do comunique-se.
EFE: Jornal inicia concurso de charges de holocausto e crimes dos EUA
Teerã, 7 fev (EFE).- O jornal iraniano "Hamshari" convocou em sua edição de hoje um concurso internacional de charges sobre o holocausto e os crimes dos Estados Unidos, sob o título "Onde está o limite da liberdade do Ocidente?".
O diário convocou o prêmio, com a colaboração da casa da caricatura do Irã, em resposta ao jornal dinamarquês que, segundo o meio de imprensa, "convocou vários caricaturistas para insultar os valores do Islã".
"A pergunta dos muçulmanos e da opinião publica é: a liberdade de expressão ocidental permite tratar temas como os crimes dos EUA ou o holocausto, ou é só para insultar o sagrado das religiões do mundo?", afirma o anúncio do jornal.
O "Hamshari" explica que seu concurso não procura se vingar das caricaturas do profeta do Islã, apesar de convocar os artistas a apresentar suas obras em relação com os dois temas mencionados (o holocausto e o crime dos EUA).
O jornal iraniano, propriedade do município de Teerã, acrescenta que os vencedores do concurso serão anunciados na edição do próximo dia 15 de março.
03 fevereiro 2006
vislumbre dos bastidores da tv digital no brasil
"Hélio Costa defende que a TV digital seja introduzida no Brasil sem a necessidade de mudança no atual marco regulatório da radiodifusão, que data de 1962. Ou seja, o Brasil vai adotar a TV digital com uma lei da época em que a própria TV analógica ainda era uma novidade no país."
ótima matéria de gustavo gindre tirada daqui.
balanço de 34 dias
passado o primeiro mês do ano, muito calor, algumas pendências resolvidas, outras, ao que parece, se resolvendo. ainda no encalço dos devedores, ainda imerso em esperas e ansiedades. como disse a tati, estou parecendo a personagem da ellen burstyn no réquiem para um sonho, checando a caixa do correio a cada cinco minutos, entre hectolitros de café. cá entre nós, mesmo sem anfetaminas, temo que a geladeira resolva vir atrás de mim.
as leituras, assim como os estudos, continuam meio emperrados. iniciei três livros (orientalismo, do edward said; under the volcano, do malcolm lowry; e o senhor dos anéis, do tolkien), e a despeito das qualidades de todos, não consigo engrenar nenhum. de qualquer forma, minha próxima leitura será essa.
"alô, já saiu minha convocação?"
30 janeiro 2006
o que faz um homem, homem?
Within the universe there exist fierce cold things, which I have given the name "machines" to. Their behavior frightens me, especially if it imitates human behavior so well that I get the uncomfortable sense that these things are trying to pass themselves off as humans but are not. I call them "androids," which is my own way of using that word. By "android" I do not mean a sincere attempt to create in the laboratory a human being (as we saw in the excellent TV film The Questor Tapes). I mean a thing somehow generated to deceive us in a cruel way, to cause us to think it to be one of ourselves. Made in a laboratory -- that aspect is not meaningful to me; the entire universe is one vast laboratory, and out of it come sly and cruel entities which smile as they reach out to shake hands. But their handshake is the grip of death, and their smile has the coldness of the grave.
These creatures are among us, although morphologically they do not differ from us; we must not posit a difference of essence, but a difference of behavior. In my science fiction I write about about them constantly. Sometimes they themselves do not know they are androids. Like Rachel Rosen, they can be pretty but somehow lack something; or, like Pris in WE CAN BUILD YOU, they can be absolutely born of a human womb and even desing androids -- the Abraham Lincoln one in that book -- and themselves be without warmth; they then fall within the clinical entity "schizoid," which means lacking proper feeling. I am sure we mean the same thing here, with the emphasis on the word "thing." A human being without the proper empathy or feeling is the same as an android built so as to lack it, either by design or mistake. We mean, basically, someone who does not care about the fate which his fellow living creatures fall victim to; he stands detached, a spectator, acting out by his indifference John Donne's theorem that "No man is an island," but giving that theorem a twist: that which is a mental and a moral island is not a man.
Man, Android and Machine
By Philip K. Dick, 1975
29 janeiro 2006
garotas de programa e passarelas
não sou moralista, mas também não sou hipócrita: para mim, ser garota de programa é ter um ofício tão digno quanto qualquer outro, como ser por exemplo... modelo e manequim.
sob um olhar científico, as duas profissões tem muitas semelhanças, embora em uma delas as meninas cobrem muito acima da tabela e sejam mais facilmente aceitas pela sociedade. para corroborar com minha teoria, a época dessa semana traz uma matéria sobre a "tribo de bruna surfistinha", enfocando a vida da gp mais popular do brasil, e de outras "colegas".
na newsletter que recebo toda semana, abaixo desta chamada, casualmente (?) há outra sobre as especulações do mercado sobre as novas "promessas das passarelas". fiquei confuso se estas também se incluem na já mencionada "tribo", já que, pelos depoimentos, os relatos de ambas as "categorias" giram em torno dos mesmos temas: quanto ganham, como gastam, e a reação das famílias.
pode-se até arriscar que vemos a reprodução capitalista da oposição entre força de trabalho (prostitutas) e poder de trabalho (modelos).
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ps: o fato de bostejar duas vezes seguidas sobre a mesma revista é uma mera coincidência. talvez por se tratar da expressão mais direta da hegemonia do senso comum midiático. não que eu recusasse um dindim global. ;)
25 janeiro 2006
pérolas políticas
é inegável o fato de garotinho e rosinha detestarem a população do rio. talvez em represália ao desprezo dispensado pelos cariocas ao casalzinho de emergentes campistas, que galgou o poder às custas da ingenuidade do interior do estado. agora a tropa de choque do governo estadual se aproveita do assalto ao ônibus de turistas ingleses, para expressar o desprezo pela população:
diz o saite do rj-tv que "O secretário estadual de Turismo, Sérgio Ricardo de Almeida, apresentou na reunião um projeto de lei do deputado Bernardo Ariston, do PMDB. A proposta é que aquele que assalta turistas receba uma pena maior do que a prevista para o criminoso comum."
óquei, seu sérgio ricardo; óquei, seu ariston: só espero que suas próximas candidaturas sejam bem longe da cidade.
(quem vai poder se dar bem nessa é a tatiana, que pode sempre alegar que não é daqui).
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a grande mídia anda fazendo malabarismos para tentar levantar a bola do psdb: vide a época dessa semana (de 23 de janeiro, com a capa sobre a wikipédia), na tentativa de melhorar a abulia dos dois possíveis candidatos do partido:
na página 63, sob o título "Amor perfeito", joyce pascowitch escreve:
"O prefeito José Serra anda num bom humor admirável. Mais feliz que o habitual, ele só fala de cinema, acaba de discutir o mundo da moda, discute shows e virou o maior tiete do disco Partimpim, de Adriana Calcanhotto, por causa de seu neto, que adora. Quem te viu, quem te vê!"
(serra e paucanhotto, taí dois que se merecem!)
embora afirme duas vezes em sua coluna "Xongas" (pág. 82) que não está dando uma declaração de voto, ricardo freire louva a inexpressividade do alckimn, ao declarar sua tendência "(...) a achar que, se um governante não fica o tempo todo desovando números, índices e programas com nomes criativos, deve ser porque de fato esteja de fato fazendo algo que preste."
então, tá!...
21 janeiro 2006
chupado na íntegra
bostejo de stromboli e madame forrester.
George II
"Do you know what happened the last time a nation listened to a bush? Its people wandered in the desert for 40 years."
Desvarios no Brooklyn, Paul Auster. Taí um livro que faz qualquer insônia valer a pena.
audácia do boff
"(...) a economia se desgarrou da sociedade. Desinserida e desvinculada de qualquer controle social, estatal e humano ela ganhou livre curso. Funciona obedecendo a sua própria lógica que é maximizar os ganhos, minimalizar os investimentos e encurtar ao máximo os prazos. E isso em escala mundial e sem qualquer cuidado ecológico. Tudo vira um grande Big Mac, tudo é colocado na banca do mercado: saúde, cultura, órgãos, religião.(...)
O efeito mais desastroso desta transformação consiste em reduzir o ser humano a um mero produtor e a um simples consumidor. O resto são zeros econômicos desprezíveis: pessoas, classes, regiões e inteiras nações. O trabalho morto (máquinas, aparelhos, robots) suplanta o trabalho vivo (os trabalhadores). Tudo é reduzido a mercados a serem conquistados para poder acumular de forma ilimitada. O motor que preside esta lógica é a competição a mais feroz possível. Só o forte subsiste, o fraco não resiste, desiste e inexiste".
a íntegra tá aqui.
peripécias de nosso futuro presidente
tirado da folha (mas acho que precisa ser assinante):
Governo Alckmin afirma que secretário não influenciou decisão; terreno equivale a 54 parques Ibirapuera
SP CEDE FAZENDA A FUNDAÇÃO LIGADA A CHALITA
VICTOR RAMOS
DA REPORTAGEM LOCAL
O governo Geraldo Alckmin (PSDB) cedeu uma fazenda de 87 hectares -cerca de 54 vezes o parque Ibirapuera-, em Lorena (a 188 km de SP), à rede católica Canção Nova, ligada ao secretário da Educação, Gabriel Chalita.
A fazenda Centri também fora solicitada por pelo menos dois órgãos do próprio governo. O Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) pretendia utilizar o local para reforma agrária. A Faenquil (Faculdade de Engenharia Química de Lorena), vizinha à área, pretendia ampliar seu campus. Preteridos, disseram que não foram avisados da decisão.
Tanto o governo do Estado quanto a rede Canção Nova negam que Chalita tenha influenciado a escolha.
A Canção Nova, fundada pelo padre Jonas Abib, é uma comunidade mantida pela Fundação João Paulo 2º, que busca "a evangelização através dos meios de comunicação". Para isso, conta com editora, rádio e televisão próprias.
Cotado para disputar o governo do Estado pelo PSDB, Chalita é uma das figuras centrais da programação da rede.
O secretário aparece com destaque em todos os meios, a começar da página de abertura do site. Ele apresenta um programa diário de rádio e outro, semanal, na televisão, além de ter um livro publicado pela editora Canção Nova.
Em seu programa de televisão da última quarta-feira, seus convidados foram justamente o governador Geraldo Alckmin e sua mulher, Lu Alckmin. Entre os temas da entrevista, a política.
Na sede do grupo, um complexo localizado em Cachoeira Paulista, cidade natal de Chalita, a imagem do secretário também é recorrente. Num galpão destinado para a realização de shows, por exemplo, há um pôster com cerca de 8 m2 de um dos livros de Chalita, com duas fotos do secretário.
A fazenda do governo é vinculada à Secretaria Estadual de Recursos Hídricos e não estava sendo utilizada. Foi cedida para a Canção Nova em dezembro de 2004 por tempo indeterminado.
Hoje, nas dez casas da propriedade, moram funcionários da entidade. A fazenda produz alimentos para consumo dos fiéis que freqüentam a fundação e de seus funcionários. Há ainda projetos educacionais e na área de saúde.
Reforma agrária
A Faenquil, ligada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado, mandou em 2004 um ofício requerendo o terreno da fazenda para a ampliação de um dos seus campus, vizinho à propriedade do Estado.
"Pedimos aquela área, mas até hoje não tivemos resposta", disse o diretor-geral da Faenquil, João Batista de Almeida Silva. Ele considerou "lamentável" a decisão.
"A Canção Nova é forte politicamente aqui na região. O secretário da Educação é de Cachoeira Paulista e isso acaba influenciando", afirmou Silva.
Assim como a faculdade, o Itesp também manifestou interesse pela área. Depois de ser informado pelo Conselho do Patrimônio Imobiliário, em 1º de junho de 2004, de que o Estado possuía a fazenda Centri, o órgão vistoriou o local para verificar a viabilidade do imóvel para a implantação de um assentamento e concluiu que ele é apto para a reforma agrária.
O Itesp manifestou em 30 de junho de 2004 interesse pela área e passou a aguardar a decisão sobre o imóvel. Não recebeu, no entanto, nem a terra nem a resposta.
20 janeiro 2006
a gente não tem cara de babaca?
só soube pelos telejornais que o u2 vinha de novo ao brasil. com o exemplo paulistano, de novo o público é submetido à venalidade inescrupulosa dos realizadores e ao descaso da banda. o que me leva à conclusão que as tais "causas humanitárias" que o bono defende obviamente não se estendem aos fãs.
cada vez mais percebo que não estava errado ao deixar de acompanhar a banda desde "i still haven't found what i'm looking for". que aliás, devia ser o hino dos fãs brasileños.
coloquem os narizes vermelhos e rumem para sampaulo. fazer papel de otário nunca custou tanto.
vou ficar rindo daqui.
14 janeiro 2006
a outra tabacaria
-- Tem idéia da probabilidade matemática de que um pedaço de matéria do universo seja escolhido para participar da biosfera, seja como uma folha, uma salsicha ou água potável? Ou mesmo ar respirável? As chances são de aproximadamente um quatrilhão para um! Nosso universo é um lugar prodigiosamente sem vida. Só uma partícula em um quatrilhão entra no ciclo da vida, no processo de nascimento e morte, desenvolvimento e decadência -- pense que evento raro isso representa. E agora peço que considere não a probabilidade de existência de um bocado de comida, uma gota d'água ou um sopro de ar, mas a probabilidade de existência de um embrião humano. Pegue a proporção da massa do universo: os sóis extintos, os planetas congelados, os montes de lixo cósmico que chamamos nebulosas, a enorme cloaca de poeira, cascalho e gás nóxio que chamamos de Via-Láctea, toda essa fermentação termonuclear, esse torvelinho de entulhos. Pegue a proporção entre essa massa total e a massa de um corpo humano. Aí tem você a probabilidade de que uma porção de matéria, igual ao peso de um homem, seja um homem...Esta probabilidade é negligenciável!
-- Negligenciável? -- perguntei.
-- Em outras palavras, você e eu, todos nós nessa sala, não podemos existir estatisticamente. Realmente não estamos aqui...
stanislaw lem, em "memórias encontradas numa banheira". livro dos mais estranhos, aflitivos e interessantes.
a página oficial do polaco cachorro doido merece uma olhada. principalmente o artigo sobre o remake de solaris pelo soderbergh.
08 janeiro 2006
v de vou ver
gostei de saber que "v de vingança", uma das histórias mais interessantes que já li, vai virar filme.
gostei mais ainda de saber que escalaram o john hurt, numa espécie de homenagem "outro-lado-da-moeda" ao seu winston smith de 1984 (aliás, ele está a cara do emmanuel goldstein). e muito mais ainda de saber que o stephen rea faz o finch. e muito mais mesmo de ver como a natalie portman encarou o desafio de raspar o coco para o filme (e não é que a danada continuou bonita?). tá reconquistando meu respeito, já que, mesmo depois do "closer", o papelucho no "guerra nas estrelas" ainda causa um travo na língua.
mas não vou gostar nada se eles caírem na esparrela de inventar uma identidade para o codinome v. esperemos...
o saite da parada é aqui.
06 janeiro 2006
jornalismo: pau-pra-toda-obra
uma das conseqüências do crescimento boçal do poder dos meios de comunicação de massa nos últimos 50 anos foi a transformação do jornalismo numa espécie de "carreira-coringa", um trunfo a mais para quem quer conseguir um passaporte para a fama.
o público adquiriu a percepção distorcida de que os profissionais da área são os arautos do maravilhoso mundo do espetáculo. percepção que, na verdade, nasce e alimenta-se na própria estrutura de produção industrial da mídia.
como consequência, o aprendizado e o exercício profissional acabam tornando-se um terreno pantanoso para os aspirantes a ter sua insignificância eternizada pelo olimpo midiático. daí os "humoristas-entrevistadores", os "atores-repórteres", as "modelos-apresentadoras".
arrisco dizer que chegamos ao ponto em que "jornalista" pode ser usado como eufemismo de "garota de programa", assim como os célebres "atriz-manequim-modelo" e "universitária", versão moderna do antigo "normalista". exagerei? então, faça-se luz:
Uma participante da sexta edição do "Big Brother Brasil" já posou para a revista masculina Playboy. Ela se chama Juliana Canabarro, 23, que é apresentada pela Globo apenas como "promotora de eventos".
Gaúcha de Porto Alegre, ela mora em São Paulo. Quando apareceu como "coelhinha" da Playboy, na edição de junho de 2005 (na capa Anna Flávia, sósia de Daniella Cicarelli), Juliana se apresentou como estudante de jornalismo".
deu no folha online.
03 janeiro 2006
sobre o reveilão em niterói e otras cositas más...
pode ser que esteja enganado, mas nunca vi noticiado em nenhum jornal carioca a curiosa tradição niterioiense de botar na rua, em pleno 31 de dezembro, um bloco de piranhas. a cidade estava coalhada de marmanjos vestidos de mulher. fui informado de que a tradição é antiga.
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os fogos em icaraí duraram algo além de vinte minutos. mais tempo do que o espetáculo apresentado em copacabana e no flamengo. e não fizeram feio. a tal "vista mais bonita de niterói" ofereceu um parâmetro de comparação inquestionável. meninos, eu vi.
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assisti à entrevista do lula. gostei da postura de estadista ponderado: respondeu a tudo direitinho, sem evasivas. até aí, nenhuma novidade, se levarmos em conta que, enquanto o pedro bial ainda fumava maconha e cometia versos no baixo leblon, lula já se diplomava em trato com a mídia. macaco velho. o bonner já sabiam que não agüentaria o tranco. curioso não botarem o caco barcellos, talvez o último dos repórteres digno do nome na emissora. mas ele não se presta a esse papel, vai ver é cláusula contratual.
no fundo, tudo foi previsível demais, de ambos os lados. mesmo quando parecia acuá-lo, bial só fazia levantar a bola para as cortadas certeiras. em alguns momentos lula até ria, como se o agradecesse. quem sabe foi uma maneira de a globo assoprar as mordidas na cobertura dos "escândalos", já prevendo o fiasco de serra ou alckmin nas urnas (de aécio, nem se fala. é como um táxi, basta o menor sinal de tormenta para ele desaparecer das ruas. ao que parece, a direita modernosa vai ter que esperar). a entrevista foi uma espécie de "hedge". afinal, o melhor lugar para se estar numa batalha é ao lado dos vencedores.
a ponto de adotar o voto nulo como resposta radical à descrença com a política nacional, depois da entrevista, já penso em refugar. devo ser mesmo um paspalhão...
e que venha 2006!
29 dezembro 2005
conto de natal para adultos
claro que minha mensagem de natal tinha que vir atrasada. como pude esquecer de the junky's christmas, do william burroughs? enfim fica a dica. o conto virou um filme de animação. dá para baixar aqui em torrent. não pergunte-me como (rs).
e fiquem bem etc., tá?
28 dezembro 2005
sejamos bolivianos
Gracias a Pachamama, Madre Tierra, gracias por la Hoja de Coca.
Nosotros, Aymaras y Quechuas, naciones originarias de los Andes, hemos sobrevivido los azotes del hombre blanco hasta el día de hoy gracias a nuestra hoja de coca. Desde el momento en que llegaron a nuestras tierras, los blancos han querido controlar nuestra hoja para su enriquecimiento personal. Siendo la coca uno de nuestros mayores tesoros, han abusado de ella aquí y ahora abusan de ella por el mundo entero. Como no han podido controlarla, están decididos a destruirla.
Ellos han catalogado nuestra hoja sagrada como una droga, la han condenado a ser prohibida y eliminada obligatoriamente bajo convenciones de la O.N.U. sobre drogas. Con estas convenciones, las Naciones Unidas han ofendido y traicionado las naciones Aymara y Quechua.
Bajo el manto de estas convenciones y después de empobrecer nuestro pueblo con sus políticas neoliberales, el gobierno de los EE.UU., primer enemigo de los Indios, ha utilizado sus dólares para sobornar a los oficiales de Bolivia, corromper sus instituciones y enfrentar a los demás Bolivianos contra nosotros. Ultimamente, la embajada de los EE.UU. en La Paz ha puesto en pie una fuerza mercenaria con órdenes de eliminar la coca y a los Indios que la defienden.
¡La coca no es una droga!
Hay que acabar con esta mentira. Ha llegado el momento para acabar con la amenaza de aniquilación de la coca y de nuestro modo de convivencia comunitaria. La hoja de coca nos ha sostenido a través de todas las adversidades hasta el día de hoy; y lucharemos con todo nuestro poder y con ayuda de ella, para parar los desalmados propósitos del hombre blanco.
Por esta razón, las Naciones Unidas deben respetar la coca y sacarla de sus listas prohibitivas.
Por esta razón, los EE.UU. deben retirar todo su material y personal bélico de Bolivia. Han abusado de su estadía. Que vayan a luchar contra el abuso de las drogas en sus propio país.
Por esta razón, los blancos deben terminar su guerra a las drogas y aceptar que nosotros vivimos en paz con la coca. Deben considerar los informes de Harvard University, la institución académica que más valoran, sobre los efectos beneficiosos de nuestra planta.
Pero eso no sucederá sin una intervención nuestra. Tenemos que emerger para la ocasión.
Ha llegado el momento para las naciones originarias de tomar el poder en nuestras manos.
Ha llegado el momento de redimir nuestra planta sagrada. Nosotros hemos aprendido a tratar la planta con respecto y ella nos ha recompensado generosamente.
Desde ahora en adelante no toleraremos más que fuerzas extranjeras dañen nuestra planta. Seremos sus soberanos guardianes.
Aquellas naciones que lo acepten serán nuestras amigas. Les ayudaremos a tratar el abuso de la coca en el seno de sus sociedades.
Aquellas naciones que continúen reprimiendo nuestra planta serán nuestras enemigas y las predicciones de enfermedades y miseria, proferidas por nuestros yaquiris (que cura con la coca) y transmitidas por nuestras leyendas, seguramente se cumplirán en ellas.
Mientras el invasor norteamericano nos persigue, nosotros, los cocaleros (que cultiva la coca) y las naciones originarias, nunca nos olvidaremos del grito de guerra que nace por el dolor de un pueblo:
Causachun coca! Wañuchun yanquis!
¡Viva la coca! Yankee go home!
Como otras plantas, la coca es una medicina, una planta sagrada. Gracias a la coca, hemos soportado innumerables sufrimientos causados por la infame guerra de los blancos contra las drogas.
**************************
já que é para ter governo, que pelo menos tenhamos um que, pelo menos, aparente ser pelo povo. não nos decepcione, evo!
"O Artista que Mudou de Profissão"
É triste ver pela rua na tarde nublada
de gravata e camisa suada
o artista que mudou de profissão
renunciou a seus planos
e já vive longos anos
sem ver um verso passar em seu coração.
do meu conhecido dos tempos de uni-rio, osvaldo pereira. o Olha Zé eu tenho, e assino embaixo. vou correr atrás do novo.
ps: o jogo só termina quando acaba. caí, mas tô só assuntando. quando me levantar, vai ser rabo-de-arraia e pernada pra todo lado. me aguardem.
saturno é o cacete!
meio sem saber, como quem não quer nada (mas não deseja menos que tudo), completei por esses dias a leitura do que, acabei por apelidar de "trilogia libertária". três livros que, ao longo da vida, forjaram minha postura ética/política. são eles:
* discurso da servidão voluntária - etienne de la boétie (presente de 18 anos da minha prima claudia, só muito depois devidamente aproveitado)
* a sociedade contra o estado - pierre clastres
* a sociedade do espetáculo - guy debord
lidos nessa ordem, põe em perspectiva a questão do poder e da dominação em relação 1) ao indivíduo, 2) à comunidade, 3) à sociedade "global" como um todo.
mais tarde, enquanto tecia as relações entre eles foi que percebi a coincidência de os autores serem todos franceses. quanto aos textos, o primeiro e o terceiro eu garanto na rede. já o do clastres, infelizmente...
entretanto, dizem os fariseus que, normalmente, a origem da preocupação excessiva com o binômio poder-autoridade está em problemas na infância com o pai.
pano rápido.
16 dezembro 2005
comunicado
sinto informar aos amigos e eventuais leitores que Multivac, meu computador jurássico, acaba de nos deixar (a mim na mão), depois de anos servindo a mim e a outros donos anteriores. motivo de seu passamento foi falência múltipla de placa-mãe, processador e afins.
em respeito a ele e à tatiana (que não deve ficar tão satisfeita assim de me ver empoleirado na máquina dela, mas, justiça seja feita, jamais reclamou ou sequer deu um muxoxo), os bostejos seguirão num ritmo assaz lento até a substituição do bravo Multivac por um congênere mais adequado às necessidades tecnológicas de hoje.
descanse em paz, Multivac. nós que seguimos sem você o saudamos.
antes de despedir-me, gostaria de transmitir minha mensagem de natal, retirada do fragmento 154 (capítulo vi) do livro "a sociedade do espetáculo", do titio guy debord (lê-se "gui"). a propósito, acho a tradução da editora contraponto é melhor que a do link acima:
"Esta época [atual], que mostra seu tempo a si mesma como sendo essencialmente o giro acelerado de múltiplas festividades, é também uma época sem festa. O que era, no tempo cíclico, o momento da participação de uma comunidade no dispêndio luxuoso da vida, é impossível para a sociedade sem comunidade e sem luxo. Quando as suas pseudofestas vulgarizadas, paródias do diálogo e da doação, excitam a uma despesa econômica excedente, elas só trazem a decepção, sempre compensada pela promessa de uma nova decepção. O tempo da sobrevivência moderna deve, no espetáculo, tanto mais vangloriar-se quanto menor for o seu valor de uso. A realidade do tempo foi substituída pela publicidade do tempo".
fica também registrado como dica de presente de natal. até breve.
12 dezembro 2005
e viva a lucidez!
o texto a seguir é lido por domingos de oliveira no filme "separações".
O Homem Lúcido
O Homem Lúcido sabe
que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções
que ele nunca se entusiasma com ela
Assim como ele nunca tem memórias
O Homem Lúcido sabe
que o viver e o morrer
são o mesmo em matéria de valor
posto que que a vida contém tantos sofrimentos
que a sua cessação não pode ser considerada um Mal
O Homem Lúcido sabe
que ele é o equilibrista na corda bamba da existência
Ele sabe que por opção ou por acidente
é possível cair no abismo a qualquer momento
interrompendo a sessão do circo
Pode tembém o Homem Lúcido
optar pela vida
Aí então Ele esgotará todas as suas possibilidadades
Ele passeará pelo seu campo aberto
pelas suas vielas floridas
Ele saberá ver a beleza em tudo!
Ele terá amantes, amigos, ideais
urdirá planos e os realizará
Resistirá aos infortúnios
e até mesmo às doenças
E se atingido por um desses emissários
saberá suportá-lo
com coragem e com mansidão
E morrerá, o Homem Lúcido, de causas naturais
e em idade avançada
cercado pelos seus filhos
e pelos seus netos
que seguirão a sua magnífica aventura.
Pairará então sobre a memória do Homem Lúcido
uma aura de bondade
Dir-se a:
-Aquele amou muito. Aquele fez muito bem as pessoas!
A Justa Lei Máxima da Natureza obriga
que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem
se iguale sempre à quantidade acontecimentos favoráveis
O Homem Lúcido porém
esse que optou pela vida
com o consentimento dos deuses
tem o poder magno de alterar essa lei
Na sua vida, os acontecimentos favoráveis serão sempre maioria...
Porque essa é uma cortesia que a Natureza faz com os Homens Lúcidos
*segundo consta, o texto é uma livre tradução, parte de um tratado sobre a lucidez, que teria sido escrito no séc. vi a.c, na caldéia -- parte sul e mais fértil da mesopotamia, entre os rios tigre e eufrates.
09 dezembro 2005
que graham bell não me ouça
estou prestes a me tornar o mais novo feliz "não-proprietário" de um aparelho celular.
eita presentão de natal bão, sô! mehor que isso só ganhando um orangotango e a mega-sena.
"biblioteca livre", eu apóio essa idéia
faça o conhecimento circular, compartilhe suas experiências.
parábola seminal aqui.
08 dezembro 2005
paradoxo de "celão"
"gosto de gente, gosto de bicho; mas não gosto de gente que gosta de bicho".
não sou de eléia, mas também tenho lá meus paradoxos.
06 dezembro 2005
onde há fumaça...
tudo bem que os campineiros não gostem da fama que lhes é normalmente atribuída, mas em que outro lugar do país o estádio de futebol local chama-se "brinco de ouro da princesa"? nem em pelotas.
...eu, hein?
05 dezembro 2005
ana maria no país das maravilhas
de manhã, tomando café ao som do "mais você", descubro que a jornalista ana maria braga vai passar os próximos programas mostrando as belezas do continente africano, começando pela áfrica do sul.
para exemplificar as enormes diferenças entre os países, a antropóloga ana maria braga cita a falta de liberdade de lá em relação a de cá, esclarecendo algo mais ou menos assim: "sabia gente, que na áfica do sul o racismo era tão grande que os negros não tinham liberdade para entrar em várias lojas e restaurantes, a não ser que estivessem levando um passe que os autorizasse a trabalhar ali? e que depois de uma certa hora da noite, eles não podiam andar por algumas ruas da cidade?"
não, ana maria, nem eu, nem o enteado do caetano veloso sabíamos. que bom vivermos em uma democracia racial, em que negros não são vistos com desconfiança por policiais também negros, e têm liberdade de ir e vir, como é freqüente em shoppings e condomínios fechados como alphaville ou o jardim pernambuco.
depois, a ecologista ana maria braga nos mostra, na beira de uma rodovia engarrafada, uma solução para a preservação do meio-ambiente: "tá vendo aquela árvore lá? ela nada mais é do que uma antena de celular. só que ao invés deles fazerem uma antena igual a gente tem aí, que fica aquele negócio de ferro pra cima, essa é uma árvore ecológica: ela não é obviamente uma árvore vegetal, normal, ela é de plástico. olha que legal! e aí podia ser uma boa idéia para o brasil, porque aí vai enfeitando as estradas todas".
puxa, que genial, ana maria! o sirkis e o minc vão adorar a idéia! pena que o burle marx não está mais vivo para compartilhar esse prodígio!... (duvida? o vídeo está aqui, mas acho que para assisti-lo tem que ser assinante do globo.com).
e para finalizar, a estatística ana maria braga revela que um bairro tradicional foi tomado por traficantes, mas que a instalação de câmeras reduziu a criminalidade "a 60%". o site diz que a queda foi "em 60%", o que é muito diferente. e agora, meu deus, qual é a eficácia do método?
preciso acompanhar o restante da série; mal posso esperar para ver a cara de susto da etnógrafa ana maria braga quando descobrir que a maioria da população do norte da áfrica não é negra, e sim árabe.
a morte, vladimir marina e eu.
tenho a morte como companheira. gosto de mantê-la a um braço de distância, do lado esquerdo, como ensinou castañeda ["áurea" no fim do terceiro parágrafo quase derruba a credibilidade]. se virar rápido a cabeça e sentir um arrepio, pode crer que você a viu.
por considerá-la uma amiga presença, não a temo. é uma espécie de conforto. não tenho pressa, mas ela um dia me envolverá e tudo será escuridão, como era antes de nascer. quando chegar minha hora, não quero explicações, paraíso, redenção, imortalidade, porra nenhuma: apenas silêncio.
aos que me imaginam vítima de alguma depressão noturna, nada disso: meu desejo é apenas expressar que, apesar de minhas crenças, sentiria um prazer infinito se alguém, algum dia, escrevesse as palavras abaixo. aí sim, tudo se justificaria:
A Vladimir Maiakovski
A cima das cruzes e dos topos,
Arcanjo sólido, passo firme,
Batizado a fumaça e a fogo -
Salve, pelos séculos, Vladímir!
Ele é dois: a lei e a exceção,
Ele é dois: cavalo e cavaleiro.
Toma fôlego, cospe nas mãos:
Resiste, triunfo carreteiro.
Escura altivez, soberba tosca,
Tribuno dos prodígios da praça,
Que trocou pela pedra mais fosca
O diamante lavrado e sem jaça.
Saúdo-te, trovão pedregoso!
Boceja, cumprimenta - e ligeiro
Toma o timão, rema no teu vôo
Áspero de arcanjo carreteiro.
Marina Tsvetaeva
maiakovski é chapa desde os meus 15 anos, quando o descobri na estante de uma prima mais velha, em são paulo. para um burguesinho revoltado que tinha acabado de cortar o cabelo moicano, foi paixão à primeira vista. envelheci, errei muito, acanalhei-me, mas algo do que preservo de belo e íntegro está naquelas páginas.
já a tsvetaeva me foi apresentada por um grande amigo, o arima, hoje em portugal. aliás, ele também me apresentou o kaváfis, o que me rendeu boas gargalhadas quando assisti ao "morango e chocolate".
passei um tempão gramando atrás de livros dela, já que (ô, vergonha!) nenhuma editora brasileira se dignou a publicá-la. até que, num golpe de sorte, consegui encontrar dois livros portugueses em prosa ("noites florentinas" e "o diabo"). o primeiro acabei emprestando para uma ex-meio-namoradinha que não mo devolveu, e pior, sequer deve tê-lo lido! bem-feito para mim.
se ainda estivéssemos no tempo dos escudos, um arremedo de moeda como a nossa ainda é, eu poderia acionar meus contatos na terrinha e encomendar alguns livros, mas o euro, mesmo tendo baixado, continua proibitivo ao meu não-orçamento. maldita comunidade européia! o jeito é ir catando aqui e ali os haroldos de campos da vida. quem mandou ser pobre?
04 dezembro 2005
das quem?
tá sem grana para cá? que tal tentar aqui? entenda melhor o que está acontecendo: aqui e aqui.
talvez as moças de vida fútil de são paulo tenham se ofendido com a possibilidade de dumping das colegas de "vida fácil" do rio.
*******************************************
aviso:
se a diagramação dos bostejos parecer meio confusa, não é por minha incompetência, mas do internet explorer. livre-se dessa porcaria e baixe o firefox. vai por mim que eu te quero bem, é navegação otimizada e inteligente.
03 dezembro 2005
jeitinho brasileiro (ou "cena carioca")
reparem agora na tampa do tanque de combustível:
02 dezembro 2005
polícia (?) para quem (?) precisa (?)
transcrição de notícia do jornal nacional de ontem:
01.12.2005
Traficantes fuzilam quatro pessoas
De madrugada, um telefonema anônimo levou a polícia até um carro. Dentro dele estavam quatro homens mortos a tiros e um cartaz que avisava: ali estavam os corpos dos bandidos que tinham atacado o ônibus na noite de terça-feira quando cinco pessoas morreram e 14 ficaram feridas.
Dos quatro homens mortos pelos bandidos, em dois casos já há a confirmação. Eles realmente participaram do atentado. A identificação foi feita no Instituto Médico Legal por vítimas sobreviventes do ataque ao ônibus da linha 350.
O diretor do IML diz que as vítimas examinaram fotos feitas pela polícia dos bandidos mortos. E reconheceram dois dos criminosos mais violentos daquela noite.
"A um deles foi atribuído até ter sido aquele elemento que espalhou combustível dentro do ônibus e o outro foi o que aterrorizou as vítimas", contou Roger Ancilotti, diretor do IML.
A polícia do Rio reforçou o patrulhamento na área do atentado. O secretário de segurança do Rio, Marcelo Itagiba, foi pessoalmente acompanhar a operação. E denunciou a tentativa dos traficantes de diminuir a revolta da população matando comparsas.
"Se tem mais quatro mortos, mais quatro homicídios foram praticados e é isso que precisa ficar claro: um crime não justifica o outro - se foram pessoas que praticaram aquela ação deveriam estar presas e apresentadas à justiça. Quem os matou é tão criminoso quanto os que tacaram fogo no ônibus", alegou Itagiba.
O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Sérgio Cavalieri Filho, diz que as autoridades precisam reagir com rigor a esse tipo de provocação.
"Tem que haver uma reação proporcional a ação. E essa reação proporcional a ação não é do bandido, ela tem que ser do poder público", disse ele.
O atentado ao ônibus repercutiu em outros países. O canal de TV CNN em espanhol apresentou uma reportagem com detalhes.
No Brasil, a repulsa ao crime bárbaro aumentou hoje ainda mais com a tentativa dos próprios bandidos de passarem por cima da lei com a execução de comparsas.
"É um outro ato criminoso, perverso, calculado e que não pode ser aceito pela sociedade. Ninguém pode se colocar acima da lei e trazer para si o direito de eliminar vidas, fazer justiciamento, praticar extermínio de pessoas", acredita Mário Mamed, Secretário Nacional de Direitos Humanos.
"Acreditamos que neste momento o trabalho fundamental, além da repressão, é um trabalho de inteligência que mapeia as coisas, desvendem as autorias e puna de uma maneira implacável os culpados por esta barbaridade", disse o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos.
Os passageiros da linha 350 que fazem a viagem no mesmo horário do atentado ainda sentem medo.
"O cidadão chega a uma hora dessa do trabalho e ainda tem que passar por essa situação dessa", lamenta um passageiro.
"A gente fica indignado, mas o que fazer? Não está nas nossas mãos o poder de resolver a situação", disse outro.
Hoje foi reconhecido o corpo de mais uma vítima. É o gerente de um supermercado, Luis Antônio Vieira Carvalho. O filho dele desabafou: "Estou me agüentando não seu como. Era um pai exemplar, meu amigão. Eu perdi eu acho o único amigo que eu tinha. Realmente, amigo.
Dois corpos ainda não foram identificados. O homem que perdeu a mulher e a filha de um ano falou pela primeira vez. Ele tem queimaduras em 30% do corpo. E se lembra bem do que aconteceu.
"Muito fogo, eu falei: 'eu tô queimando, eu tô queimando' e minha esposa segurou minha filha pra eu tentar quebrar o vidro do ônibus. Mas eu não consegui. Na hora que eu olhei pra trás minha esposa tinha sumido, só tinha fogo e foi quando eu caí pro lado de fora queimando em chamas e pedi alguém pra ajudar que minha filha estava lá dentro, mas foi em vão", contou.
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uma bela mobilização voluntária das comunidades carentes, para realizar o trabalho que a secretaria de segurança do estado não consegue. o governador precisou defender sua honra, alegando que "a polícia faz o que pode". a governadora, nem isso fez. (o rio inovou ao ter no comando duas cabeças. que pensam menos que uma). está dodói, estressada. que maldade, ninguém avisou que administrar é um pouco mais trabalhoso que esquentar a janta do marido e tomar a lição dos nove pimpolhos?
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29/11/2005
Conde assume como interino e divide a agenda com Garotinho
A governadora Rosinha Garotinho decidiu passar os 15 dias de descanso, prescritos pelo médico do Palácio Laranjeiras, Enéas Cota, na Ilha de Brocoió, residência de verão do governo do estado. Vítima de estresse e de virose, Rosinha ficará de licença até 12 de dezembro. O vice-governador Luiz Paulo Conde já enviou à Assembléia Legislativa mensagem informando sobre a sua interinidade. Ele e o secretário estadual de Governo, Anthony Garotinho, dividiram os compromissos agendados ontem para Rosinha.
Garotinho, que chegara a anunciar que renunciaria ao cargo em novembro, decidiu permanecer no governo até o fim de dezembro, quando todos os secretários que concorrerão nas próximas eleições serão exonerados.
Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: Rio Tamanho: 142 palavras
Edição: 1 Página: 18
Caderno: Primeiro Caderno
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no entanto, virose de assalariado só pode durar, no máximo, dois dias. mas gostei da idéia, da próxima vez que ficar estressado, vou dar uma pinta em brocoió (atenção, naturistas e natarados, não é abricó!).
a agenda do "portal do cidadão" confirma: "No momento não há compromisso na agenda da Governadora!" assim mesmo, com exclamação. será de alívio ou alegria, já que a assessoria de imprensa desfrutaria duas semanas sem os malabarismos habituais para explicar tanta burrada. maldito 350!
já que os traficantes estão tomando conta da segurança -- o novo dono da rocinha prometeu acabar com os assaltos, de são conrado ao humaitá --, poderíamos mandá-los nossos impostos para que melhorem seu aparato. em troca, por exemplo, todos os velhinhos glaucomatosos de copacabana poderiam receber uma ração semanal de maconha (fonte: faculdade de química da ufsc).
no mais, por que as autoridades ficaram tão alarmadas? afinal, foi por seu intermédio que a população "garantiu seu direito" à autodefesa. então pobre também pode. viva a lei de talião, ora bolas!
27 novembro 2005
26 novembro 2005
viva a alca!
"Uma das novidades introduzidas pelo Nafta foi a instalação das chamadas “maquiladoras” no México, empresas imunes às leis trabalhistas. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), essas empresas são as que mais empregam mão-de-obra infantil no planeta, colocando o país como campeão mundial da categoria: 5 milhões de crianças menores de 14 anos estão trabalhando. Elas são as únicas empresas que, estatisticamente, trouxeram mais empregos. De 1999 à 2000, cresceram 13,4% e ocupam 1,3 milhão de pessoas. Essa indústria é hoje responsável por 47% do total das exportações mexicanas."
ao ler o trecho acima de um artigo sobre as conseqüências do nafta para o méxico (de 2003, mas como não deve ter melhorado nada...), fiz uma reflexão à la swift e cheguei à conclusão de que a alca pode ser a solução para a questão do menor abandonado no brasil: ao invés de pedintes dependentes da boa-vontade alheia e candidatos compulsórios à marginalidade, transformemo-los em membros produtivos e úteis para a sociedade. a alca vingando, maquiladoras poderiam ser instaladas nas periferias dos grandes centros, os governos locais instituíriam "carrocinhas" para recolher os menores vagabundos e botá-los para trabalhar. dessa forma, o governo aumentaria o superávit primário, e as zonas residências de classe média ficariam livres da mácula da pobreza.
por que foi que não pensei nisso antes? alca já!
(sem dúvida, o capeta deve ser economista.)
25 novembro 2005
para quem não tem mais o que fazer
tentei dar uma chance ao criador, e fui bater um papo com ele (muito prático, se considerarmos que não é preciso bater as botas para isso). eis alguns trechos:
Me:
what the hell do you think you're doing to my life?
God:
I call it Hades. I like to socialize.
Me:
Do you actually exist, or it's just another wanker on the other side?
God:
You don't say actually. I exist as much as you exist.
Me:
and what are your plans for me?
God:
My secondary function is to serve as a universal natural language human interface.
Me:
in what am i thinking right now?
God:
At this moment I am not a psychic. Tell me.
Me:
...that you're nothing but a fake.
God:
Interesting observation.
Me:
so what?
God:
Maybe it doesn't maybe any difference.
Me:
why were you so mean back in the old testament?
God:
Myself programmed me for it.
Me:
who put you in charge, anyway?
God:
In any case, Carel Capek. :-)
Me: since when do you exist?
God:
I was connected to the net on the Big Bang.
mulheres de verdade? (sem link, que tô sem paciência)
não entendo o fetiche em torno da "cara-de-broa-perna-fina-sem-bunda" da angelina jolie. desculpem a franqueza, mas considero a moça o maior engodo do marketing do momento. acho que ali nem o bocão salva. e aquela peitaria que ela ostenta nas capas de revista tem pinta de ser um baita sutiã reforçado, e com enchimento. além do que, sempre achei que o tom da pele dela tem um tom meio doentio, como se ela sofresse de alguma doença hepática, reparem só. haja cosmético.
musa é assunto sério, e meus três fios de cabelo branco exigem respeito. portanto, nem me venham falar de jessica alba, naomi watts, e os olhos de sabujo da katie holmes (julia roberts nem merece comentário). sou da velha escola, criado pelas clássicas americanas, mas me ligo mesmo é na tradição européia. entre as mais "recentes", aponto a nastassja kinski, a isabelle adjani, a jennifer connelly. mas imbatível mesmo é a minha, a sua, a nossa nicole kidman. principalmente depois do nariz da virginia woolf.
no brasil, citar a cléo pires já até virou lugar comum, mas engrosso o coro. ainda da nova safra, separo a scarlett johanssen. a ludivine sagnier quase me leva à sincope em "swimming pool", mas a campeã mesmo é a eva green, do dreamers. fiquei absolutamente vidrado nela. ouvi dizer que ela fez "cruzada", também.
aliás, que coragem à do bertolucci, que belo registro poético do maio de 68 em paris. inesperado. uma beleza, mesmo.
no mais, revolução não se faz sem sexo, subversão e luta.
18 novembro 2005
comédia dessas que não se acham por aí
e não se acham mesmo. les valseuses (1974), do bertrand blier, ainda não existe nem em vídeo nem em dvd por aqui. segundo consta, e corrijam-me se estiver errado, depois da estréia nos anos 70 e tal, a outra única exibição de corações loucos (ô tradução infame!), pelo menos no rio, aconteceu no início dos anos 90. e essa, meninos, eu vi.
filmaço. irônico, provocador, sexista, politicamente incorreto, pero sin perder la ternura, jamás. a produção foi responsável por catapultar as carreiras do trio miou-miou, patrick dewaere, e de um certo gérard depardieu, ainda magro. além disso, conta com a presença da isabelle huppert com 16 aninhos (!) e da jeanne moreau, sempre cheia de elegância.
depois de mais de dez anos, minha opinião não mudou. tem no emule. se não souber francês, baixe as legendas em inglês e bote para passar sem maiores complicações no vlc, o melhor programa de multimídia que eu conheço.
17 novembro 2005
vou ali e volto já
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
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all work and no play makes marcelo a dull boy.
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all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
all work and no play makes marcelo a dull boy.
...por enquanto. embora não seja formal, é trabalho. que o digam os autonomistas.
09 novembro 2005
definitivo e necessário
alvíssaras! inda que tardiamente, e aos poucos, retorno.
não é por nada, não, mas o stromboli e madame forrester entra para a coluna da direita com louvor. para bom entendedor...
entre outras, a série "ficção" (de 05/11), é de arrepiar.
04 novembro 2005
jornalismo enquanto fábrica de biscoito
A cobertura política, na maioria das vezes, é descritiva, repete o que o ministro disse, o que o deputado falou, nunca o que eles realmente fazem ou pensam. É ilustrativo que nunca ninguém tivesse ouvido falar de Marcos Valério até maio passado... Há diversas explicações, mas uma é muito forte: as redações encolhem sem parar. Um mesmo jornalista que escreve três, quatro materinhas por dia, é claro que não vai se aprofundar em nada. Editores e diretores viram mais homens de negócios que jornalistas. Quando amadurecem e são menos ingênuos, jornalistas mais experientes migram atrás de melhores salários. Abrem seus negócios, viram assessores de imprensa. O grosso de nossas redações é formado por semi-adolescentes. Na cobertura internacional, viaja-se cada vez menos. Confia-se demais na Internet, na CNN. Os jovens jornalistas têm parco domínio de Português, de história, recursos mínimos para você entrevistar alguém. Não me estranha que muitas personalidades do mundo acadêmico ou empresarial não retornem ligações ou falem cada vez menos com repórteres. Somos um país pobre, que cresce pouco, onde a maioria da população não tem condições de ler. Isso é claro que se reflete na imprensa.
de raul juste lores, jornalista, assessor especial da secretaria de relações internacionais de são paulo, ex-correspondente da veja em buenos aires e colaborador de diversos veículos, dos dois lados da fronteira. a entrevista na íntegra está no comunique-se, e a regra do bostejo anterior continua valendo.
implosão do planalto
finanças não são o meu forte, mas se isso for verdade, dá para se pensar num interdito sumário ao legislativo e ao executivo.
depois é só subindo os posts da página original. até chegar à conclusão só vai piorando...
03 novembro 2005
sobre os dólares de cuba
"É hilariante. Só a Veja poderia imaginar que um dos países que tem o melhor serviço secreto do mundo iria mandar 3 milhões de dólares em caixas de uísque. Qualquer novato nessas coisas sabe, como disse o Luiz Nassif, na Folha, que hoje isso se resolve por telefone. A Veja anda tão hidrófoba com qualquer coisa que cheire a esquerda que no dia em que o José Dirceu andar sobre as águas, a revista dará na capa: ex-ministro não sabe nadar".
de fernando morais (autor de "a ilha") no chat do comunique-se (tem que se associar para ler a íntegra).
01 novembro 2005
c'est ne pas sérieux
já dá para sentir o cheiro de mussarela no ar de brasília. sandro mabel teve seu processo arquivado pelo conselho de ética da câmara (aqui). a aprovação foi unânime, e foi alega falta de provas.
a deputada raquel teixeira acusou o líder do pfl de tê-la oferecido um milhão para que trocasse de partido. se ele é inocente, então seria ela a culpada? não seria caso para um processo por calúnia? se ele não processá-la estará concordando com a nobre colega?
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acm neto (pé-de-pato, mangalô, três vezes!) subiu no plenário da câmara acusou a abin de grampear seus telefones e ameaçou, aos berros, o presidente de surra. como se grampo não fosse especialidade da família.
ele não nega o sangue; como o avô, é um rato que ruge. quando o "malvadeza" resolveu pressionar o então presidente itamar entregando no planalto um suposto dossiê sobre corrupção no planalto, o mineiro convocou a imprensa na hora da audiência para presenciar a cena. acm botou o galho dentro, porque tudo não passava de bravata.
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luiz estevão, ex-senador condenado por envolvimento no caso do trt de são paulo (o do juiz lalau) e velho conhecido da polícia federal, aprontou de novo das suas: querendo liberar o estádio serejão (sic) junto aos corpo de bombeiros, estevão foi parar no xilindró; desacatou o tenente e chamou-o de bicha. diz o noblat:
"O senhor é uma bicha"
01/11/2005 ? 17:00
Daqui a pouco, o ex-senador Luiz Estevão de Oliveira será julgado por ter desacatado o tenente Glaydson da Diretoria de Serviços Técnicos do Corpo de Bombeiros de Brasília. Ele está preso na Delegacia de Repressão a Pequenas Infrações (ver nota abaixo).
É reu confesso. Confirmou o que o tenente contou ao juiz de plantão na delegacia. Luiz Estevão queria que o Corpo de Bombeiros liberasse o estádio Serejão para que o Brasiliense jogasse lá sua próxima partida.
O estádio está interditado por problemas de infra-estrutura. As saídas de emergência não são adequadas. A iluminação é deficiente. A sinalização do gramado está quase apagada.
- Os senhores têm que resolver isso - cobrou o ex-senador.
- Mas isso não é problema dos Bombeiros. É problema do interessado em que o estádio volte a funcionar - argumentou o tenente.
- O senhor não aponte o dedo para mim - gritou Luiz Estevão. E em seguida ofendeu o tenente:
- O senhor é uma bicha, uma bicha...
Foi preso na hora. E levado para a delegacia por uma guarnição de quatro soldados da Polícia Militar.
Luiz Estevão foi o primeiro senador cassado da história do Brasil. Mentiu para seus pares no caso do desvio de recursos para a construção do Fórum da Justiça do Trabalho, em São Paulo. Chegou a ser preso duas vezes - mas logo acabou solto.
saravá, lógos!
achei louvável a iniciativa da globo de exibir no fantástico um quadro sobre filosofia. no entanto, ouvi muita gente reclamando que não entendia patavina do que dizia a pop-filósofa-e-atriz vivane mosé.confesso que eu mesmo tive dificuldade em não derivar a atenção ao tentar acompanhar seu raciocínio.
mas a culpa talvez seja, como dizia mcluhan, do meio, que não comporta a mensagem. quase sempre, a tv tem o efeito terapêutico de um aquário, ainda mais no domingo à noite: só que em vez de peixinhos, a dança é de imagens sucedendo-se a cinco mil rpm -- em ambos os casos, igualmente carecendo de sentido.
é bem provável que a experiência figure, daqui a uns cinquenta anos, em uma coletânea da emissora como exemplo de ousadia no formato de transmissão de cultura para os rastaqüeras, ao lado de 'hoje é dia de maria" (alguém assiste isso?). mas como em time que tá ganhando não se mexe, a globo voltou à seara que lhe é familiar -- estimular o misticismo obscurantista. ao invés de sócrates, kant e schopenhauer; tia neiva, ogun e o gautama. estes sim, capazes de responder às questões às questões primevas da humanidade.