podem dizer que é fácil falar estando fora da linha de frente, mas puta que o pariu, um repórter me chega no rádio (band news) e anuncia uma matéria sobre uma exposição em são paulo do fotógrafo pierre "vérguer"?!
tá legal, eu aceito o argumento de que não é obrigação de jornalista saber tudo, que não é necessário para o exercício da profissão entender tudo de antropologia, de candomblé, de fotografia -- não precisa nem saber onde fica a frança e muito menos a bahia (embora isso seja um triste retrato da indigência jornalística atual); mas não me altere o fato tanto assim: porra!, não sabe, pergunta. é a lição básica do jornalismo. melhor passar por humilde do que por burro.
a propósito, o camarada sequer se deu ao trabalho de ouvir a matéria gravada, em que a coleguinha sapecava a pronúncia certa, "vergêr".
pior do que isso só a história de uma amiga cujo professor de sociologia lascou em plena sala de aula um "máiquel fucált". uma extração de dente a boticão, sem anestesia, não deve doer tanto.
14 fevereiro 2006
piedade dos meus ouvidos!
a frase que mudou minha vida
"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo."
os desenhos enigmáticos da capa me assombravam desde a infância, antes mesmo aprender a ler, quando brincava de encontrar figuras nos livros da estante. ainda não sabia o que era a roda da fortuna, mas a imagem daqueles demônios nus presos pelo pescoço, a mão cheia de hieroglifos (que muitos anos depois vim a reconhecer como a mão de fátima), e aquele estranho homem nu de olhar vidrado e braços e pernas abertos, tudo aquilo, havia algo de mágico ali, um inexplicável sabor de mistério proibido.
apenas aos quatorze anos, no entanto, foi que os desenhos ganharam solidez, um universo ao qual pertenciam, elaborado e, de uma estranha maneira, coerente em seus absurdos. para mim tornaram-se indissociáveis texto e imagens, uma simbiose perfeita, a ponto de eu não reconhecer como legítima nenhuma edição diferente da que contenha as ilustrações do carybé.
acho que deixei de ser menino com cem anos de solidão.
UPDATE:
a pedidos, fotos de frente e verso (com lombada).
13 fevereiro 2006
o que você deve saber sober mim
bom para botar na descrição do orkut. tarrei da solange:
Ten Top Trivia Tips about Marcelo!
- It is impossible to fold Marcelo more than seven times.
- If the Sun were the size of a beach ball then Jupiter would be the size of a golf ball and Marcelo would be as small as a pea.
- Every day in the UK, four people die putting Marcelo on!
- Humans share about fifty percent of their DNA with Marcelo!
- Humans have 46 chromosomes, peas have 14, and Marcelo has 7!
- People used to believe that dressing their male children as Marcelo would protect them from evil spirits.
- Marcelo can fly at an average speed of fifteen kilometres an hour.
- Bananas don't grow on trees - they grow on Marcelo!
- The deepest part of Marcelo is over 35,000 feet deep!
- Marcelo was originally green, and actually contained cocaine.
....
Comentários:
1. é vero. as pessoas me conseguem dobrar uma, duas, três vezes...mas meu limite é curto, que não sou sangue de barata.
2. sendo o sol uma bolona de praia, ser do tamanho de uma ervilha ainda é ser grande pra dedéu. querem saber minha massa?
3. não lembro de jamais ter feito mal a qualquer bretão. mesmo assim, é bom não dar mole...
4. peraí, minhas façanhas de alcova ainda não chegaram a tanto...
5. "keep it simple, babe" -- that's my motto.
6. como meus pais não me vestiram de marcelo, os espíritos me assombram até hoje.
7. ...e mesmo assim continuo chegando atrasado.
8. de pelo menos uma sei com certeza. quer provar?
9. se tem uma coisa da qual não posso ser acusado é de ser superficial.
10. continuo mantendo o tom, mas mudei para cafeína. depois do freud, a barra meio que pesou...
do verissimo (filho), mesmo!
dentre as pragas atuais, a que mais me chateia é a dos textos atribuídos a determinados escritores e cronistas que eventualmente circulam a internet e encontram minha caixa postal. pelo visto há muita gente que até hoje não aprendeu a máxima de não acreditar em tudo que lê, ou que simplesmente não lê nada, porque os tais escritos normalmente não têm um pentelho de semelhança com o estilo do autor. e não estou falando de nenhum stendhal, foucault, euclides da cunha ou josé sarney. não, é gente que publica quase todos os dias em jornais de diversos estados. mesmo assim ninguém estranha um mario quintana (talvez o mais erudito dos plagiados) falar de "corpos sarados", porque ninguém nem ao menos sabe com o quê se come o tal mario quintana. enfim, esse palavrório é para copiar um texto do luis fernando verissimo, publicado ontem no globo. de qualquer forma, ele segue abaixo. a propósito, a empresa de cartão de crédito da qual ele se queixa é a credicard. testei o número.
Obrigado, Fernando Henrique
Recebi um cartão de crédito novo para substituir um vencido. Junto, a instrução: ligar para 4001-4828 para desbloquear o cartão.
Como sabe quem liga para um número destes, é preciso passar por um teste de atenção e reflexos, comandado por um robô com voz feminina, antes de merecer o direito de falar com um ser humano. De acordo com o assunto, digita um número, que leva a outra escolha de número, que leva a outra, e a outra, até ? se você escolheu a seqüência certa ? ser saudado por uma voz de gente, mas parente do robô, porque o tom é parecido, que pergunta em que pode servi-lo. Eu disse o que queria. Desbloquear o cartão novo que tinham me mandado.
Para minha segurança, disse a prima do robô, ela precisaria confirmar alguns dados. Numeração do cartão vencido. Numeração do cartão novo.
Meu número de RG. O número do meu CIC. O nome do meu pai. O nome da minha mãe. Gosta de iogurte? É ciumento? Não, esses dois itens eu estou inventando. Mas dei a informação pedida. Depois de uma pausa para consultar o computador, a voz disse:
-- Senhor, os dados não estão corretos.
Examinei os números do cartão antigo e do novo. Eram aqueles mesmo. Meu RG era aquele mesmo. Meu CIC também. Será que eu passara a vida inteira chamando meu pai pelo nome errado? E o nome da minha mãe, era pseudônimo? Pouco provável. Eu disse para a voz que os dados estavam certos.
-- Senhor, alguns dados não conferem com os que temos. Por favor, muna-se da documentação necessária e ligue outra vez.
-- Mas eu estou com a documentação aqui e se ligar outra vez vou dar a mesma informação.
-- Senhor, por favor, muna-se da documentação necessária e ligue outra vez.
-- Quais são os dados que não estão certos?
-- Senhor, não podemos dar essa informação.
-- Mas como é que eu posso corrigir um dado se não sei qual é o errado?
-- Senhor...
Finalmente descobri que podia passar um fax com cópias dos documentos que provavam que eu era eu. Foi o que eu fiz. Semanas depois recebi uma carta impressa, com um ?x? marcando a razão pela qual meu fax era inaceitável: ?Ilegível?. Mandei as mesmas cópias, bem nítidas, pelo correio. Passaram-se semanas. Liguei outra vez para o 4001-4828, para saber das novidades. A voz sabia do meu fax ilegível.
-- Mas eu mandei uma carta depois.
-- Também estava ilegível.
Desisti de desbloquear meu cartão novo. Tudo bem. A vida moderna tem esses buracos negros tecnológicos, culpa de ninguém. Mas será que sabem o estrago que fizeram no amor próprio de um cronista, chamando-o repetidamente de ilegível? Foi por estar assim fragilizado que fiquei emocionado quando me contaram que o Fernando Henrique Cardoso, na sua entrevista no ?Roda Viva? (não vi, estava vendo outro bom ator, o Marlon Brando, na Net), disse que eu não entendia de nada, mas escrevia bem. Eu e meu ego nos sentimos desagravados. Obrigado, Fernando Henrique!
Só um adendo. Há dias chegou uma correspondência do cartão de crédito, estranhando a minha demora em desbloquear o cartão novo.
Se não fosse uma carta impressa, sem uma assinatura humana, eu desconfiaria de ironia.
12 fevereiro 2006
alegria só abunda!
fui convocado para fazer barulho numa caixa-de-guerra no bloco "alegria só abunda". os ensaios acontecem aos domingos, às 16h, entre a bolívar e a barão de ipanema, ou no quiosque rio 40 graus, também em copacabana. como se pode ver, não sei direito a localização ou o dia de desfile, mas é porque será a primeira vez que vdou as caras lá. assim que souber mais, bostejo. de qualquer forma, a marcha-enredo é genial:
Alegria só abunda! - (Vevê do C. Verde/Serginho Almeida)
No carnaval a alegria só abunda
E como abunda, e como abunda
O nosso bloco é pura alegria
Vamos pular até raiar o dia
Dizem que a alegria morreu
Não morreu, aqui abunda, aqui abunda
Até o Corcovado ficou corcunda
Pra ver na rua o alegria só abunda!
A alegria, a alegria
Como abunda na folia
Eu vou cantar, dançar, pular até segunda
Porque aqui a alegria só abunda!
10 fevereiro 2006
sem comentários
deu ontem (09/02, às 17h18m) no blog do moreno:
"Caetano se irrita e corrige revista: cueca não, sunga de jérsei"
ainda não sei do que se trata, mas tem vezes em que é melhor a gente fingir que não é com a gente. é como tentar explicar batom em cueca.
mas, enfim, o que não se faz por um holofote?...
09 fevereiro 2006
sujeira pra todo lado
grande trabalho do coleguinha josias de souza, que teve o privilégio de registrar em primeira mão o ex-deputado beto jefso disparar mais uma carga no ventilador. sobrou para furnas, brasília e minas gerais. agora não adianta mais fingir; se sobrou alguém limpo nessa história (acreditar, quem há de?), na cúpula do psdb é que ele não está.
indonésia não concede clemência a brasileiro
a notícia está no globo. para quem não se lembra, trata-se do caso do instrutor de asa delta "condenado à morte por fuzilamento porque, em agosto de 2003, tentou entrar na Indonésia portando 13,4 quilos de cocaína em seu equipamento de vôo livre."
sou contra a pena de morte para qualquer crime: o autor "se safa" de arcar com as conseqüências de seus atos; por outro lado, a execução não "serve de exemplo", como alegam seus defensores, porque memória curta faz parte da natureza humana.
todavia, defendo que o citado conterrâneo merecesse levar uma surra de vareta pela ingenuidade de achar que conseguiria passar pela alfândega -- não da indonésia, mas de qualquer país minimamente civilizado -- com quase 14 quilos de cocaína.
extrapolando o radicalismo hipotético, uma boa solução, tanto para o tráfico de drogas quanto para outros crimes hediondos, talvez fosse a adoção da pena que dizem existir em alguns países árabes (mesmo circulando há décadas como fato, tal boato carece de confirmação): amputação de uma das mãos.
é certo que o sujeito refletiria bastante ante a possibilidade de repetir o mau-passo. antes da implantação definitiva do método, entretanto, para avaliar sua eficácia, seria importante calcular o número de pessoas que tomam sopa de canudinho nesses países.
08 fevereiro 2006
inocêncio de quê?
Inocêncio é condenado de novo por escravidão
Raimundo Garrone
Especial para O GLOBO
SÃO LUÍS. O deputado federal Inocêncio Oliveira (PL-PE) foi condenado ontem em segunda instância pelo Tribunal Regional do Trabalho do Maranhão por manter trabalhadores da Fazenda Caraíbas em condições análogas à de escravos. A fazenda fica no município de Gonçalves Dias, no Maranhão, onde em 2002 foram encontrados 53 trabalhadores sem registro em carteira, em condições inadequadas de saúde e segurança e impedidos de deixar o local.
Pela sentença, Inocêncio deve pagar R$ 130 por dia trabalhado a cada trabalhador explorado. A conta começa desde a época da fiscalização do Grupo Móvel do Ministério do Trabalho, realizada em 2002. Os valores deverão ser calculados pelo TRT e corrigidos monetariamente. A indenização será paga a título de dano moral.
Ação civil pública contra Inocêncio foi arquivada
O deputado havia sido condenado em primeira instância em 2003 pelo juiz do Trabalho Manoel Lopes Veloso, de Barra do Corda (MA). Pela primeira sentença, teria de pagar R$ 10 mil por trabalhador.
Ontem, por quatro votos a três prevaleceu o voto do relator do processo, desembargador Américo Bedê Freire, condenando Inocêncio.
? Esta é mais uma demonstração de que o Judiciário trabalhista brasileiro está engajado no sentido de erradicar totalmente essa vergonha que é o trabalho escravo ? disse a procuradora-geral do Trabalho, Sandra Lia.
Uma ação civil pública também foi julgada ontem contra Inocêncio e arquivada por perda do objeto. O Ministério Público do Trabalho pedia que ele fosse obrigado a melhorar as condições de trabalho na propriedade. Segundo o relator Alcebíades Dantas, à época do primeiro julgamento, Inocêncio já havia vendido a fazenda, assinado a carteira dos trabalhadores e pago seus direitos trabalhistas. Nesta ação ele também já havia sido condenado a várias obrigações, como a oferecer condições mínimas de trabalho, pagar salário-mínimo e oferecer água potável a seus trabalhadores.
Os advogados do deputado disseram ontem que possivelmente irão recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho.
************************************
não sei quanto a vocês, mas além da indignação, fico com vergonha de pertencer a mesma espécie de gente como o "culpôncio". e esse caso é apenas um 3x4 da caraça da direita agrária, dos barões da cana e do café, dos coronéis dos cantões, dos patriarcas quatrocentões, dos senadores teefepistas das gerais e dos interiores, dos "próceres da nação", que fizeram fortuna à custa de roubo de cavalos, brutalidade e escravidão, para depois cevarem no congresso às custas do erário e do sacrifício popular. assim o é desde os tempos de gregório de matos, que já dizia:
No Brasil a fidalguia
no bom sangue nunca está,
nem no bom procedimento,
pois logo onde pode estar?
Consiste em muito dinheiro,
e consiste em o guardar,
cada um o guarde bem,
para ter que gastar mal.
Consiste em dá-los a maganos,
que o saibam lisonjear,
dizendo, que é descendente
da casa do vila Real.
até quando você vai permitir que beócios controlem seu destino? fora com essa canalha! diga não!
e se a piada fosse com você?...
as caricaturas do profeta muhammad (que a paz esteja com ele), e suas conseqüências fora de proporção, foram acompanhadas pelo debate sobre os limites da liberdade de expressão e de imprensa. no entanto, trata-se apenas de respeito às diferenças culturais. a resposta editorial iraniana talvez aponte o tal parâmetro de comparação que todos no ocidente falharam em alcançar para entender o tamanho da besteira que havia sido feita. embora considere a idéia um tanto canhestra, ela poderá ser ilustrativa (perdão pelo trocadalho).
retirado do comunique-se.
EFE: Jornal inicia concurso de charges de holocausto e crimes dos EUA
Teerã, 7 fev (EFE).- O jornal iraniano "Hamshari" convocou em sua edição de hoje um concurso internacional de charges sobre o holocausto e os crimes dos Estados Unidos, sob o título "Onde está o limite da liberdade do Ocidente?".
O diário convocou o prêmio, com a colaboração da casa da caricatura do Irã, em resposta ao jornal dinamarquês que, segundo o meio de imprensa, "convocou vários caricaturistas para insultar os valores do Islã".
"A pergunta dos muçulmanos e da opinião publica é: a liberdade de expressão ocidental permite tratar temas como os crimes dos EUA ou o holocausto, ou é só para insultar o sagrado das religiões do mundo?", afirma o anúncio do jornal.
O "Hamshari" explica que seu concurso não procura se vingar das caricaturas do profeta do Islã, apesar de convocar os artistas a apresentar suas obras em relação com os dois temas mencionados (o holocausto e o crime dos EUA).
O jornal iraniano, propriedade do município de Teerã, acrescenta que os vencedores do concurso serão anunciados na edição do próximo dia 15 de março.
03 fevereiro 2006
vislumbre dos bastidores da tv digital no brasil
"Hélio Costa defende que a TV digital seja introduzida no Brasil sem a necessidade de mudança no atual marco regulatório da radiodifusão, que data de 1962. Ou seja, o Brasil vai adotar a TV digital com uma lei da época em que a própria TV analógica ainda era uma novidade no país."
ótima matéria de gustavo gindre tirada daqui.
balanço de 34 dias
passado o primeiro mês do ano, muito calor, algumas pendências resolvidas, outras, ao que parece, se resolvendo. ainda no encalço dos devedores, ainda imerso em esperas e ansiedades. como disse a tati, estou parecendo a personagem da ellen burstyn no réquiem para um sonho, checando a caixa do correio a cada cinco minutos, entre hectolitros de café. cá entre nós, mesmo sem anfetaminas, temo que a geladeira resolva vir atrás de mim.
as leituras, assim como os estudos, continuam meio emperrados. iniciei três livros (orientalismo, do edward said; under the volcano, do malcolm lowry; e o senhor dos anéis, do tolkien), e a despeito das qualidades de todos, não consigo engrenar nenhum. de qualquer forma, minha próxima leitura será essa.
"alô, já saiu minha convocação?"
30 janeiro 2006
o que faz um homem, homem?
Within the universe there exist fierce cold things, which I have given the name "machines" to. Their behavior frightens me, especially if it imitates human behavior so well that I get the uncomfortable sense that these things are trying to pass themselves off as humans but are not. I call them "androids," which is my own way of using that word. By "android" I do not mean a sincere attempt to create in the laboratory a human being (as we saw in the excellent TV film The Questor Tapes). I mean a thing somehow generated to deceive us in a cruel way, to cause us to think it to be one of ourselves. Made in a laboratory -- that aspect is not meaningful to me; the entire universe is one vast laboratory, and out of it come sly and cruel entities which smile as they reach out to shake hands. But their handshake is the grip of death, and their smile has the coldness of the grave.
These creatures are among us, although morphologically they do not differ from us; we must not posit a difference of essence, but a difference of behavior. In my science fiction I write about about them constantly. Sometimes they themselves do not know they are androids. Like Rachel Rosen, they can be pretty but somehow lack something; or, like Pris in WE CAN BUILD YOU, they can be absolutely born of a human womb and even desing androids -- the Abraham Lincoln one in that book -- and themselves be without warmth; they then fall within the clinical entity "schizoid," which means lacking proper feeling. I am sure we mean the same thing here, with the emphasis on the word "thing." A human being without the proper empathy or feeling is the same as an android built so as to lack it, either by design or mistake. We mean, basically, someone who does not care about the fate which his fellow living creatures fall victim to; he stands detached, a spectator, acting out by his indifference John Donne's theorem that "No man is an island," but giving that theorem a twist: that which is a mental and a moral island is not a man.
Man, Android and Machine
By Philip K. Dick, 1975
29 janeiro 2006
garotas de programa e passarelas
não sou moralista, mas também não sou hipócrita: para mim, ser garota de programa é ter um ofício tão digno quanto qualquer outro, como ser por exemplo... modelo e manequim.
sob um olhar científico, as duas profissões tem muitas semelhanças, embora em uma delas as meninas cobrem muito acima da tabela e sejam mais facilmente aceitas pela sociedade. para corroborar com minha teoria, a época dessa semana traz uma matéria sobre a "tribo de bruna surfistinha", enfocando a vida da gp mais popular do brasil, e de outras "colegas".
na newsletter que recebo toda semana, abaixo desta chamada, casualmente (?) há outra sobre as especulações do mercado sobre as novas "promessas das passarelas". fiquei confuso se estas também se incluem na já mencionada "tribo", já que, pelos depoimentos, os relatos de ambas as "categorias" giram em torno dos mesmos temas: quanto ganham, como gastam, e a reação das famílias.
pode-se até arriscar que vemos a reprodução capitalista da oposição entre força de trabalho (prostitutas) e poder de trabalho (modelos).
............
ps: o fato de bostejar duas vezes seguidas sobre a mesma revista é uma mera coincidência. talvez por se tratar da expressão mais direta da hegemonia do senso comum midiático. não que eu recusasse um dindim global. ;)
25 janeiro 2006
pérolas políticas
é inegável o fato de garotinho e rosinha detestarem a população do rio. talvez em represália ao desprezo dispensado pelos cariocas ao casalzinho de emergentes campistas, que galgou o poder às custas da ingenuidade do interior do estado. agora a tropa de choque do governo estadual se aproveita do assalto ao ônibus de turistas ingleses, para expressar o desprezo pela população:
diz o saite do rj-tv que "O secretário estadual de Turismo, Sérgio Ricardo de Almeida, apresentou na reunião um projeto de lei do deputado Bernardo Ariston, do PMDB. A proposta é que aquele que assalta turistas receba uma pena maior do que a prevista para o criminoso comum."
óquei, seu sérgio ricardo; óquei, seu ariston: só espero que suas próximas candidaturas sejam bem longe da cidade.
(quem vai poder se dar bem nessa é a tatiana, que pode sempre alegar que não é daqui).
........................
a grande mídia anda fazendo malabarismos para tentar levantar a bola do psdb: vide a época dessa semana (de 23 de janeiro, com a capa sobre a wikipédia), na tentativa de melhorar a abulia dos dois possíveis candidatos do partido:
na página 63, sob o título "Amor perfeito", joyce pascowitch escreve:
"O prefeito José Serra anda num bom humor admirável. Mais feliz que o habitual, ele só fala de cinema, acaba de discutir o mundo da moda, discute shows e virou o maior tiete do disco Partimpim, de Adriana Calcanhotto, por causa de seu neto, que adora. Quem te viu, quem te vê!"
(serra e paucanhotto, taí dois que se merecem!)
embora afirme duas vezes em sua coluna "Xongas" (pág. 82) que não está dando uma declaração de voto, ricardo freire louva a inexpressividade do alckimn, ao declarar sua tendência "(...) a achar que, se um governante não fica o tempo todo desovando números, índices e programas com nomes criativos, deve ser porque de fato esteja de fato fazendo algo que preste."
então, tá!...
21 janeiro 2006
chupado na íntegra
bostejo de stromboli e madame forrester.
George II
"Do you know what happened the last time a nation listened to a bush? Its people wandered in the desert for 40 years."
Desvarios no Brooklyn, Paul Auster. Taí um livro que faz qualquer insônia valer a pena.
audácia do boff
"(...) a economia se desgarrou da sociedade. Desinserida e desvinculada de qualquer controle social, estatal e humano ela ganhou livre curso. Funciona obedecendo a sua própria lógica que é maximizar os ganhos, minimalizar os investimentos e encurtar ao máximo os prazos. E isso em escala mundial e sem qualquer cuidado ecológico. Tudo vira um grande Big Mac, tudo é colocado na banca do mercado: saúde, cultura, órgãos, religião.(...)
O efeito mais desastroso desta transformação consiste em reduzir o ser humano a um mero produtor e a um simples consumidor. O resto são zeros econômicos desprezíveis: pessoas, classes, regiões e inteiras nações. O trabalho morto (máquinas, aparelhos, robots) suplanta o trabalho vivo (os trabalhadores). Tudo é reduzido a mercados a serem conquistados para poder acumular de forma ilimitada. O motor que preside esta lógica é a competição a mais feroz possível. Só o forte subsiste, o fraco não resiste, desiste e inexiste".
a íntegra tá aqui.
peripécias de nosso futuro presidente
tirado da folha (mas acho que precisa ser assinante):
Governo Alckmin afirma que secretário não influenciou decisão; terreno equivale a 54 parques Ibirapuera
SP CEDE FAZENDA A FUNDAÇÃO LIGADA A CHALITA
VICTOR RAMOS
DA REPORTAGEM LOCAL
O governo Geraldo Alckmin (PSDB) cedeu uma fazenda de 87 hectares -cerca de 54 vezes o parque Ibirapuera-, em Lorena (a 188 km de SP), à rede católica Canção Nova, ligada ao secretário da Educação, Gabriel Chalita.
A fazenda Centri também fora solicitada por pelo menos dois órgãos do próprio governo. O Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) pretendia utilizar o local para reforma agrária. A Faenquil (Faculdade de Engenharia Química de Lorena), vizinha à área, pretendia ampliar seu campus. Preteridos, disseram que não foram avisados da decisão.
Tanto o governo do Estado quanto a rede Canção Nova negam que Chalita tenha influenciado a escolha.
A Canção Nova, fundada pelo padre Jonas Abib, é uma comunidade mantida pela Fundação João Paulo 2º, que busca "a evangelização através dos meios de comunicação". Para isso, conta com editora, rádio e televisão próprias.
Cotado para disputar o governo do Estado pelo PSDB, Chalita é uma das figuras centrais da programação da rede.
O secretário aparece com destaque em todos os meios, a começar da página de abertura do site. Ele apresenta um programa diário de rádio e outro, semanal, na televisão, além de ter um livro publicado pela editora Canção Nova.
Em seu programa de televisão da última quarta-feira, seus convidados foram justamente o governador Geraldo Alckmin e sua mulher, Lu Alckmin. Entre os temas da entrevista, a política.
Na sede do grupo, um complexo localizado em Cachoeira Paulista, cidade natal de Chalita, a imagem do secretário também é recorrente. Num galpão destinado para a realização de shows, por exemplo, há um pôster com cerca de 8 m2 de um dos livros de Chalita, com duas fotos do secretário.
A fazenda do governo é vinculada à Secretaria Estadual de Recursos Hídricos e não estava sendo utilizada. Foi cedida para a Canção Nova em dezembro de 2004 por tempo indeterminado.
Hoje, nas dez casas da propriedade, moram funcionários da entidade. A fazenda produz alimentos para consumo dos fiéis que freqüentam a fundação e de seus funcionários. Há ainda projetos educacionais e na área de saúde.
Reforma agrária
A Faenquil, ligada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado, mandou em 2004 um ofício requerendo o terreno da fazenda para a ampliação de um dos seus campus, vizinho à propriedade do Estado.
"Pedimos aquela área, mas até hoje não tivemos resposta", disse o diretor-geral da Faenquil, João Batista de Almeida Silva. Ele considerou "lamentável" a decisão.
"A Canção Nova é forte politicamente aqui na região. O secretário da Educação é de Cachoeira Paulista e isso acaba influenciando", afirmou Silva.
Assim como a faculdade, o Itesp também manifestou interesse pela área. Depois de ser informado pelo Conselho do Patrimônio Imobiliário, em 1º de junho de 2004, de que o Estado possuía a fazenda Centri, o órgão vistoriou o local para verificar a viabilidade do imóvel para a implantação de um assentamento e concluiu que ele é apto para a reforma agrária.
O Itesp manifestou em 30 de junho de 2004 interesse pela área e passou a aguardar a decisão sobre o imóvel. Não recebeu, no entanto, nem a terra nem a resposta.
20 janeiro 2006
a gente não tem cara de babaca?
só soube pelos telejornais que o u2 vinha de novo ao brasil. com o exemplo paulistano, de novo o público é submetido à venalidade inescrupulosa dos realizadores e ao descaso da banda. o que me leva à conclusão que as tais "causas humanitárias" que o bono defende obviamente não se estendem aos fãs.
cada vez mais percebo que não estava errado ao deixar de acompanhar a banda desde "i still haven't found what i'm looking for". que aliás, devia ser o hino dos fãs brasileños.
coloquem os narizes vermelhos e rumem para sampaulo. fazer papel de otário nunca custou tanto.
vou ficar rindo daqui.