li um troço bacana na "norótica", que resolvi imitar: trata-se de pegar o livro mais próximo de você (mas não pode escolher), abrir na página 161 e publicar a quinta frase. tem mais, mas como não gosto de alimentar correntes, não repasso para ninguém.
"Mas o dinheiro da venda dos jornais ele acabava invariavelmente gastando em gibis."
o trecho é de à mão esquerda, do fausto wollf. um dos melhores livros que já li, e arrisco dizer, um dos maiores romances da literatura brasileira recente. talvez um dos mais injustiçados, também. porque se não fosse leitor do "lobo", jamais teria ouvido falar nele, que foi até agraciado com o jabuti, em 96, se não me engano.
quanto à frase, se trocar "jornais" por "alma" e "gibis" por "livros", fica igualzinho a alguém que eu acho que conheço.
14 outubro 2007
à sinistra
forma e conteúdo
dá pra resistir, não, camará. ó o suíngue do caboclo.
Ebony eyes - Stevie Wonder
She's a Miss Beautiful Supreme
A girl that other wish that they could be
If there's seven wonders of the world
Then I know she's gotta be number one
She's a girl that can't be beat
Born and raised on ghetto streets
She's a devastating beauty
A pretty girl with ebony eyes
She's the sunflower of nature's seeds
A girl that some men only
find in their dreams
When she smiles it seems the stars all know
Cause one by one they start
to light up the sky
She's a girl that can't be beat
Born and raised on ghetto streets
She's a devastating beauty
A pretty girl with ebony eyes
When she starts talking soft and sweet
Like birds of spring her
words all seem to sing
With a rhythm that is made of love
And the happiness that she only brings
She's a girl that can't be beat
Born and raised on ghetto streets
She's a devastating beauty
A pretty girl with ebony eyes
12 outubro 2007
valei-me pelos outros
hoje é sexta-feira de feriado (sei lá qual), acabei de chegar em casa para pegar um dinheiro e esticar o programa de praia em algum bar. ao dar um telefonema convidando uma amiga para se juntar à trupe, aprendo mais uma lição de um curso expresso de comportamento humano do qual nem me sabia inscrito.
já tive amores que me trocaram por outros homens, mas sempre mantive um mínimo de dignidade. nunca importunei ex-namorada que me largou. se tivesse do que me queixar dela -- coisa que sempre se faz quando se é "largado", mesmo que tenha sido eu o agente da separação -- tinha a decência de chorar minhas pitangas para os amigos, em mesa de bar. jamais liguei de madrugada ou chamei a própria na cara de puta sem-vergonha nem nada do gênero.
por isso não há como não sentir uma certa revolta quando vejo baixarias desse calibre acontecendo com uma amiga querida de longa data. acompanho a história à distância, e até aconselho quando acho que tenho abertura para tal.
filho de xangô que sou, não agüento injustiça, e poucas não são as vezes em que sinto o sangue ferver nas orelhas quando a vejo caluniada. a vontade que dá, mesmo fraquinho que sou, é ir até o camarada e sentar-lhe uma porrada nos cornos do qual ele nunca se esquecerá, e da qual se quiser se vingar, vai ter que contratar uns peemes para me dar uns tecos. torcendo para que acertem, porque se errarem, eu volto para encestá-lo com gosto.
nesse momentos, é preciso respirar muito fundo e lembrar que a demanda não é minha. não posso resolver os problemas dos outros. portanto, vou tomar uma ducha e encontrar os amigos. antes de sair de casa vou rezar para o diabo não me tentar, porque pode dar um merdê dos grandes.
então, só me resta apelar:
Justiça, Xangô, justiça!
Justiça, justiceiro de Oxalá!
Aqui se faz, aqui tem que pagar
Quem planta rosa não pode colher jasmim
Quem planta vento colhe tempestade
Quem faz o bem não pode fazer o mal
Quem faz o mal a si mesmo se destrói
Justiça, Xangô!
10 outubro 2007
"minhas férias"
não tenho escrito porque estou de férias. tirei quinze dias para dar uma acelerada na "montagem" da minha casa, e até que tive um relativo sucesso. salvo um ou outro sobressalto, os dias têm sido plácidos, como devem ser os dias de folga. poucas preocupações, livros, boa comida, alguma bebida, livros e descanso em demasia.
perdi um pouco do tom esverdeado, e talvez tenha ganhado peso, mas não posso dizer ao certo. desde que adotei o princípio de não subir em balanças, descobri que vivo mais feliz. hoje meu referencial para esses assuntos são as calças, e elas estão mais frouxas. dois cintos ganharam um furo extra cada.
nas minhas peregrinações em busca de móveis, descobri uma livraria na real grandeza, entre a voluntários e a visconde de caravelas, que está se desfazendo de grande parte de seu estoque. comprei uma pá de livros, a preços que variavam entre cinco, dez e quinze pilas. foi um estrago no bolso.
cheguei à conclusão que falei tanto em computador por dois motivos: primeiro, para um geminiano disperso e absorvente como eu, a internet foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. encontro de tudo, e quanto mais acho, mais procuro. é uma deliciosa corrida de ratos. segundo, meu computador novo é o primeiro que comprei, de maneira que pude, finalmente, formatá-lo do meu jeito. a primeira coisa que fiz foi me livrar do bill guêitis, daí a novidade. como é doce a ilusão de poder...
enfim, durante o tempo que fiquei sem bostejar, acumulei um monte de lixo para aporrinhar meus eventuais leitores, mas jacaré tá com disposição de escrever? nem eu.
como diria meu herói macunaíma, "ai, que preguiça..."
05 outubro 2007
brinquedinho novo
ninguém perguntou, mas digo assim mesmo. achei mais uma nova maneira de perder tempo online, e ainda dar dar uma melhorada no blog. o site abaixo tem acervo de música, vídeos e o escambau, e ainda deve dar para abrir no trabalho, onde o you tube não pega. saca só o frank zappa em "king kong":
mais uma daquelas listas
achei na tatipiv, meio sem entender o contexto, mas gostei. é sobre músicas apropriadas para diversos contextos:
1* pra dançar freneticamente: shout, otis day and the knights.
2* pra dirigir a toda numa estrada deserta: the grand wazoo, frank zappa.
3* pra adormecer: estate, com joão gilberto.
4* pra tocar diariamente no seu despertador: give me love, george harrison.
5* pra cantar num karaokê: a minha teimosia é uma arma pra te conquistar, jorge ben.
6* pra fornicar: apesar do péssimo termo, o bolero de ravel. deve ser meio lugar comum, mas não inventaram nada melhor.
7* pra fazer amorzinho: um pouco contrariado com outro termo indecente, e meio sem entender a diferença para o item anterior (seria mudança de intensidade?)... dindi, com a gal.
8* pra servir de trilha-sonora pro filme da sua vida: i'm feeling good, nina simone.
9* pra tocar no telefone enquanto você aguarda ser atendido por aquela maldita prestadora de serviço: blessed relief, frank zappa. pra ter paciência com os seres inferiores.
10* pro seu velório: in the mood, glenn miller. com direito a muito uísque e cachaça.
atualização:
correção nos itens 6 e 7: trilha sonora pra furunfar, calminho ou nervoso, é songs in the key of life, do stevie wonder. os dois álbuns, de preferência. de cabo a rabo.
03 outubro 2007
e por falar em plágio...
baixaria na rede. parece que a coluna do fausto wolff no jb em 30 de setembro teria sido plagiada de um texto publicado na rede há mais de cinco meses pelo marconi leal.
vítima de um plágio insignificante comparado a esse, me solidarizo com a indignação do marconi, de quem me tornei leitor há pouco tempo, graças ao sopa de tamanco (link na coluna da direita). por outro lado, acompanho o fausto há anos, e me dói imaginar que ele tenha sido capaz de (na melhor das hipóteses) um vacilo desses.
tomei conhecimento do assunto ontem, através de um editorial publicado no site do fausto. o marconi também tem comentado o assunto, em capítulos, desde 1o de outubro. recomendo a leitura de ambos.
atualização:
fausto explicou-se hoje, com a verve que lhe é peculiar. confesso que achei as desculpas meio canhestras, não sei se agradarão. de qualquer forma, este leitor agradece a consideração.
não falo, computo
marinho é um amigo de longa data. se algum dia houver juízo final (minha religiosidade, ou falta dela, variam de acordo com a conveniência), a única coisa que poderei alegar a meu favor diante de deus é que fiz uma pessoa gostar de ler. essa pessoa é o marinho.
o ritmo de nossas vidas fez com que nos vejamos pouco, mas hoje em dia ele me indica livros. e nossos papos regados a decalitros de café nunca são suficientes para atualizarmos nossas novidades literárias. no entanto, essas sessões de "filosofices escalafobéticas" são sempre muito divertidas.
programador de talento ímpar, marinho também me ensinou que existe beleza e criatividade na tecnologia. talvez se não fosse por ele, hoje eu ainda ficasse perguntando aos outros como se mexe no msn. mas ontem nos falamos rapidamente ao telefone, e ele reclamou que só ando escrevendo sobre o meu computador. vou isentá-lo de sua parcela de culpa, e ao mesmo tempo pedir-lhe desculpas por retornar ao assunto. pela última vez, juro.
é que a pancada, uma colega dessa categoria estranha que são as pessoas que só conheço através da internet, fez um comentário num bostejo abaixo que merece resposta. reproduzo:
Voce nao pediu opiniao, mas vc sabe como eu sou abelhuda....Segundo meu marido, o kurumim é mais pra ignorante, digo, amador. Pra cobra em informática (rasteja e leva paulada). Falando sério, pra ele os scrips do kurumim nao rodam perfeitamente... ele gostou mto do ubuntu pq nao tem tanta "porcariada" (entenda como quiser), mas diz que ambos rodam todos os aplicativos perfeitamente.
Voce vai particionar o disco e instalar um em cada partição?
pancada | 03.10.07 - 12:47 am |
********
pancadinha,
para não desperdiçar trocadilho, botei (n)o ubuntu, mas num particionei nada, não. testei antes o kurumin, minha escolha inicial pela facilidade da língua, mas ao instalá-lo a resolução de tela apareceu errada, talvez por barbeiragem minha. as imagens ficaram descentralizadas, faltando de um lado e sobrando do outro. medrei. como o outro deu certo de cara, nem pestanejei.
o bicho é levinho, roda bem, mas de vez em quando tomo umas surras. o linux é uma mudança de mentalidade em relação à tecnologia. é sair do ostracismo de apenas olhar para a janela (windows), e meter a mão na massa.
nesse pouco tempo de uso, confesso já ter perdido um par de noites tentando instalar bobagens que, no sistema operacional antigo, seriam meros plug-and-play. mas é imensa a sensação de vitória que um leigo como eu sente ao desvendar os mistérios contidos nas linhas de código.
é bem verdade que, ao terminar, mal consigo descrever o que fiz (o que dirá repetir as mesmas coisas), mas quem se importa? eu não. apenas respiro fundo, à espera do novo desafio, com esperança de um dia entender o funcionamento desta joça.
pronto, falei. não encherei mais o saco de ninguém com esse assunto. só com outros.
01 outubro 2007
ctrl c ctrl v na mão grande
agora descobri o que é o sucesso. plagiaram meu blog. fiquei surpreso e até um pouco perplexo, mas no fundo vi a coisa como um atestado de qualidade. afinal, ninguém quer copiar a mediocridade (embora percebê-la seja difícil, e nesse caso, errado estaria eu. mas, parafraseando aquele filme clássico, dr. divago).
nem adianta espernearem, me oferecerem dinheiro e virgens em holocausto, que não dou o link. só digo que o autor identifica-se como madeira de dá (sic) em "DOIDO"(sic). para bom "googador", meia dica basta.
relutei, mas escrevi ao sujeito, porque ele também tarrou o subtítulo e o usou como perfil. sem nem ao menos lê-lo, porque o cabra parece ser baiano (pelo menos, escreve coisas sobre o estado), e o texto diz "carioca", e "botafoguense". é preguiça demais.
para os curiosos, segue a tônica do texto. perdi o original e não pude recuperá-lo, porque os comentários lá passam por moderação. se ele se sentir ofendido, talvez nunca consiga reler o que escrevi. foi mais ou menos assim:
meu caro amigo madeira,
percebo com orgulho que você utilizou um nome quase idêntico ao do meu blog para o seu. sinal de que os quatro anos de escritos na rede estão dando certo. ou que, pelo menos na hora do "batismo", fiz uma escolha feliz.
também fico lisonjeado ao ver meu subtítulo copiado como seu perfil. as definições vieram do dicionário houaiss, mas os números 3 e 4 foram criados por mim. o "carioca" não deve se aplicar a você, que parece ser baiano. talvez isso acabe por confundir seus leitores.
no mais, sucesso com o blog. mas da próxima vez use um pouco mais a criatividade, e não copie tudo dos outros.
um grande abraço,
marcelo.
atualização:
parece que o texto foi aprovado e está aqui. como não vi que tinha moderação, bostejei duas vezes.
26 setembro 2007
marcado na agenda
dia oito de dezembro não me convidem para nada.
Organizadores confirmam show do The Police no Brasil.
quem quiser se juntar a mim na empreitada será bem-vindo.
ps:a banda é a única exceção ao fiasco que foram os anos 80.
24 setembro 2007
brinquedo novo
até as pedras portuguesas do calçadão da atlântica sabem que estou sem computador. mas se tudo der certo, os verbos vão para o passado hoje à noite.
depois de acreditar que a compra de um computador de segunda mão iria me causar menos dor de cabeça do que um novo (e ainda ajudaria uma amiga), vi que a espera seria demasiada. de maneira que perdi os pudores, raspei o tacho e comprei um estalando de novo.
é verdade que ainda não pude usá-lo, porque como avisei, decidi mandar a microsoft pro espaço. consultei dois colegas de trabalho conhecedores de linux, e cada um gravou um cd com um sistema operacional de sua preferência: o luis escolheu o ubuntu, e o dudu, o kurumin. vou testá-los hoje à noite para saber qual adotar.
já vi que minha noite vai ser animadíssima. um dos pontos altos da vida de solteiro...
17 setembro 2007
vou ali e volto já...
computador só daqui a duas semanas.
até lá, divirtam-se com o povo aqui à direita, ou vão lamber sabão.
beijundas.
10 setembro 2007
aviso aos navegantes
não confundam o aparente descaso com abandono de domicílio.
é que o computador de casa morreu mesmo. agora não adianta nem ele cismar de ressuscitar, porque dessa vez perdi a paciência pra valer.
vou trocar por outro, e já tenho em vista uma proposta de escambo por um de segunda mão. o que não deixa de ser uma evolução, visto que do antigo fui o terceiro proprietário.
o bom é que, nesse meio tempo desconectado, redescobri as ruas, o mar, as leituras e os dias de sol, embora a pele ainda não tenha perdido de todo o tom esverdeado. acho que, por enquanto, o corpo está apenas repondo os enormes déficits nos meus estoques de vitamina d, para só depois impressionar os melanócitos.
me aguardem. vocês ainda não estão livres de mim.
30 agosto 2007
macca sabe tudo!
Every night - Paul McCartney
Every night I just wanna go out, get out of my head
Every day I don't want to get up, get out of my bed
Every night I want to play out
And every day I want to do ooh ooh oh oh
But tonight I just want to stay in
And be with you,
And be with you.
Ooh ooh, believe me mama.
Every day I lean on a lamp post, I'm wasting my time
Every day I lay on a pillow, I'm resting my mind
Every morning brings a new day
Every night that day is through ooh ooh oh oh
But tonight I just want to stay in
And be with you,
And be with you.
Ooh ooh, believe me mama.
***
24 agosto 2007
é pique, é pique, é pique!
comentei com uma amiga recém-leitora sobre um troço que tinha bostejado em 2003. ela se assustou com o tempo de vida do blog.
pois fui checar a data de início, e não é que no dia 13 fez quatro anos que entupo a rede com minhas bobagens? pior do que uma sexta-feira 13, só uma segunda-feira 13 (inventei esse ditado outro dia no trabalho).
na época em que comecei morava na casa da minha avó, tinha acabado de terminar um namoro de ano e meio, estava desempregado e constipado com um mestrado.
nesse meio tempo mudei de casa cinco vezes, casei e descasei, tive três gatinhos de estimação, terminei o mestrado aos trancos, e arrumei um emprego em que provavelmente devo me gastar pelo resto da vida profissional.
também aprendi que leveza é a alma do negócio, que afeto não é feito para se economizar, e que até a gente morrer, é tudo vida. e que o melhor é não querer nada. meu projeto de vida tem sido esse: não querer nada. e aproveitar o que vier.
acho que os textos melhoraram um pouquinho. tento ser menos metido a gaiato e, principalmente, menos sabichão. querer parecer inteligente é, na minha opinião, o primeiro passo para se escrever mal. mas tenho muita vergonha dos escritos antigos, assim como terei vergonha dessas linhas daqui a quatro anos. se chegar lá.
enfim, nós, que insistimos na vida, os saudamos. felizes bordunadas!
23 agosto 2007
cadê meu nariz de palhaço?
acabei de ler n'o globo que produtores músicais e artistas foram ao congresso pedir isenção fiscal para a produção fonográfica nacional. a mátéria diz que isso já acontece com jornais, periódicos e livros.
peraí, livros não pagam impostos?! então porque diabos eles continuam custando tão caro? as editoras devem estar faturando os tubos! sim, porque alguém acredita que autores ou designers de capas (ou como quer que sejam chamados atualmente) andam por aí desfilando de carro importado ou esquiando nas férias em aspen?
vai perguntar para o cony, o veríssimo, o fausto wolff ou o marcelo rubens paiva, por exemplo, se eles não preferiam deixar os jornais para se dedicarem apenas à literatura? a mais-valia deve ser usada para negociar o passe de best-sellers como o paulo coelho e que tais.
sei não, mas parece que os músicos estão sendo usados como bois-de-piranha das gravadoras. é a conseqüência do modelo de divisão do trabalho taylorista/fordista aplicado às artes, que dá aos artistas o status de "seres elevados", apenas responsáveis pela parte da "criação", enquanto os aliena do controle de sua produção.
como muitos aceitam o papel de "prima-donas" (muitas vezes por preguiça de pensar), fica fácil para os tubarões da indústria cultural manipular os fatos, na tentativa de dar sobrevida a um modelo de negócios que a troca de arquivos digitais já dinamitou há muito tempo. é por isso que endosso a pirataria musical e literária.
a morte e a morte do meu computador
o cerco (ou seria o circo?) está se fechando. no domingo meu computador teve um segundo "avs" -- acidente de velhice do sistema.
chego em casa de manhã, feliz da vida, e vou ver a quantas andam as músicas e filmes que estava baixando. mas eis que ele tinha reiniciado (malditas atualizações de sistema!), e, como de costume, a setinha do cursor encontrava-se congelada no meio da tela.
é preciso abrir um parêntese para explicar que esse computador tem, brincando, mais de dez anos. e embora quase nenhum componente hoje seja da configuração original, sou dos que acreditam que o funcionamento da máquina é "moldado" pelo usuário.
isto posto, entre outras manias e achaques, meu "cérebro eletrônico" exige ter o mouse bolinado enquanto está sendo ligado, sob a pena de congelar o cursor. fecha o parêntese.
tentei reiniciá-lo, quem disse que o féla voltava? a cada tentativa, aparecia uma novidade, mas nada de funcionar. liguei para a tati, que entre outras qualidades, sabe tudo de computador. é quase uma susan calvin. o diagnóstico foi formatação imediata.
ela passou a tarde de segunda inteira aqui para descobrirmos que o maior e principal dos discos rígidos (que, num acidente semelhante anos atrás ganhou dela o carinhoso apelido de "merdão") estava queimado. passou-se o sistema operacional para o "merdinha" (disco secundário, de apenas 3 gigas), mas nada de internet.
depois de horas de tentativas de ligações para a net (incrível, não briguei com nenhum atendente, mesmo eles me indicando os processos mais bisonhos para restabelecer a conexão), consegui agendar uma visita para a manhã do dia seguinte.
o cara chegou na hora marcada e tomou uma canseira até quase meio-dia. e descobriu que a placa de rede também já tinha passado desta pra melhor. a gambiarra que ele fez demorou o resto do dia para funcionar.
como saldo final, além de ter perdido todos os arquivos e dispor de apenas uma vaga lembrança em disco, a placa de som também não funciona, e, apertem os cintos, o processador de textos sumiu! escrever, agora, só no bloco de notas. ma-ga-vi-lha!
não tem jeito, vou ter que comprar um novo. e tome facada no orçamento. mas para a próxima vez, já tomei uma decisão: uíndous, nunca mais! vou me aproveitar do conhecimento de uns povos do trabalho e meter um openoffice na máquina nova. adeus, biu guêitis!
se alguém foi no link acima e se interessou pela empreitada, basta entrar aqui para baixar a bagaça. o bom é que, o processo de migração certamente vai dar novo fôlego aos bostejos. aguardem!
18 agosto 2007
eu não tenho pé
torci o pé. mas a maneira como aconteceu poderia figurar na série "se eu contar ninguém acredita". até porque, não tem ninguém acreditando.
mas olha, o negócio foi assim:
na quarta à noite, voltei do cinema empolgadíssimo. não sei se tanto pelo que passou na tela ou na platéia. afeto é bom e feito para se gastar, pensava. sabe-se lá se daqui a pouco você vai estar comendo capim pela raiz?
cheguei, fiz um chazinho de camomila e outras mumunhas para dormir cedo, e nem liguei a tevê para fazer barulho (porque para assistir tá cada vez mais difícil, não tem net que salve). peguei um livro muito do subversivo e li até cochilar.
a luz acesa me incomodou e acordei para apagá-la. devo ter dormido sobre a perna esquerda, porque ela estava completamente dormente (e não é que o sacana do ortopedista teve a cara-de-pau de dizer que "isso acontece com muita freqüência quando se toma umas cachaças", sendo que eu estava purinho?).
como o pé estava completamente bobo, devo tê-lo apoiado errado, porque ele virou para dentro, com meu peso em cima. despenquei de dor, mas o sono era mais forte e me arrastei de volta para a cama.
no dia seguinte, fui trabalhar, mesmo sofrendo uma dor excruciante. até porque a carteirinha do plano de saúde estava na gaveta do escritório. caminhar do ônibus ao trabalho foi uma tarefa de tirar o fôlego. literalmente.
cheguei, explanei o caso para a chefia, desci para o serviço médico, me deram um analgésico e me mandaram de táxi (exclamação) para um ortopedista. ainda ganhei o auxílio luxuosíssimo de uma colega de trabalho como acompanhante (outra exclamação).
radiografia, a piadinha supracitada, edema e estiramento de ligamentos de diagnóstico, dez dias de fisioterapia. apenas um dia de dispensa, e porque eu pedi. chegando em casa, cruzo com salsão no botequim. o sacana me pergunta se vou competir no parapan. fico mais um dia de molho por conta própria, pois a dor ainda era muita.
mais tarde a piv me viu, disse que estiramento nada, o roxo denunciava ligamentos rompidos. levei um esporro por ainda não ter comprado o antiinflamatório, mas ganhei emprestado o "robofoot" dela, uma bota que imobiliza o pé e o tornozelo. para vocês poderem visualizar, a geringonça é algo entre o pé do robocop e aqueles aparelhos de paralisia infantil.
dois dias depois, lá vou eu, todo pimpão, a caminho da labuta. as mulheres me olham na rua, mas desconfio que não é pelas minhas doces olheiras. quando vê minha bota nova, minha chefe diz que não era para estar lá, que se um fiscal do trabalho aparecesse, era multa certa para a empresa.
a doutora do serviço médico confirma e me recomenda voltar ao ortopedista e pegar um atestado decente. eu realmente nem poderia ter entrado no prédio com aquele calçado.
resumindo: vou ficar mais uma semana cevando, olhando para o teto, lendo e vendo filmes. preferia tirar esse tempo para viajar, ou, pelo menos, ter uma moça para cuidar de mim.
hipotética trajetória poética
(nas letras do paulo leminski)
vi vidas, vi mortes
nada vi que se medisse
com o azar que tive
ao ter você, minha sorte
***
escurece
cresce tudo
que carece
***
quem me dera
até para a flor no vaso
um dia chega a primavera
***
arisco asco
a partir de ti refaço
uma alma em pedaços
***
longo o caminho
até uma flor
só de espinho
***
vertigo
ver te
comigo
***
nu como um grego
ouço um músico negro
e me desagrego
***
essa vida que quero,
querida
encostar na minha
a tua ferida
***
la vie en close
c'est une autre chose
c'est lui
c'est moi
c'est ça
c'est la vie des choses
qui n'ont pas
un autre choix
09 agosto 2007
invasores de corpos
nunca fui um sujeito magro. meus pais contam que, no primeiro ano de vida, quando tentavam me colocar sentado, o bebê-eu caía esparramado para os lados, como uma espécie de joão-bobo ao contrário.
o padrão seguiu-se por grande parte da minha vida, sempre mais afeito que fui aos livros e aos desenhos do que aos esportes. pelo menos até o período entre os quatorze aos vinte e três, quando, impulsionado pelos hormônios da adolescência, e depois pela urgência de agradar o sexo oposto, espichei (não muito, vide minha altura) e emagreci.
no entanto, a descoberta do álcool, do tabaco e de drogas como carboidratos de várias procedências, ketchup e maionese, fizeram-me retornar às origens rotundas. mas foi a aparição de uma presença muito especial na minha vida que me tirou da escuridão. não, não me refiro a jesus, e sim ao colesterol.
desde que nos apresentaram formalmente, saltei da montanha-russa de peso, procurando maneirar na gastronomia. em compensação, fiz um trato comigo mesmo de não subir mais em balança. e assim vamos vivendo em paz.
mas não era nada disso que tinha a dizer. minha intenção era contar algo do tempo em que um imeio selou o fim do meu primeiro casamento. sim, amiguinhos, devo ter sido o desbravador das separações via internet (a propósito, se o guiness estiver interessado, ainda devo ter uma cópia impressa em algum lugar).
entre as várias tolices que fiz nesse período, a maior delas deve ter sido me envolver com outras mulheres sem ter cicatrizado a ferida. creio que fui responsável por algumas semanas de análise a mais de pelo menos duas. aliás, se alguma delas estiver lendo estas mal-digitadas, gostaria que soubessem que sinto muito. não era eu naquela época. ou talvez fosse eu demais. sei lá.
enfim chegamos aonde eu queria: uma dessas moças era uma atleta dedicada -- principalmente para os meus padrões. ou será que academia não é esporte? tem gente que acha que fórmula 1 é. divago...
mas a moça era tão bacana que quis dar uma aprimorada no meu shape. para me estimular, apresentou um método muito ajeitadinho de exercícios chamado body for life, desses em que bastam dez minutos por dia para você passar de barbapapa a super-homem num piscar de olhos.
ela me trouxe uma série de planilhas, encapadas numa pasta transparente, com um disquete colado (era no tempo do disquete), para o caso de eu precisar imprimir mais folhas.
se bem me lembro, para o troço funcionar azeitado, eu deveria realizar uma série leve por tantos minutos, depois uma pesada e outra média, sempre pelo mesmo tempo, descansando entra cada uma. ou algo assim. e a cada semana entrariam novos exercícios, a duração aumentaria (ou diminuiria) à medida que o tempo passasse, até que, voilá! eu me transformaria no charles atlas.
tudo lindo, se não fosse por vários problemas. primeiro, um camarada que sai de casa meia hora atrasado para um compromisso achando que vai chegar pontualmente, como é meu caso, jamais conseguiria seguir esses minutos como manda o figurino.
segundo, cresci assistindo conan, o bárbaro. portanto, acredito até hoje que para um sujeito conseguir uma forma física situada entre o expressionismo e o realismo fantástico, como é o caso do schw@z&$wrrgueÇxnyegger, ele deve, no mínimo, passar mais da metade da vida acorrentado a uma pedra de mó, empurrando-a sem parar, ao som do canto do chicote, e exposto às intempéries. nunca vão me convencer que é possível ficar forte sem sofrimento.
e terceiro, quando ela me mostrou o livro de onde havia aprendido o método, eu perdi o respeito. e olha que ela é uma de inteligência acima da média. acima da minha, com certeza. mas é que vivi o suficiente para não acreditar em nenhum americano querendo ajudar cucaracho, principalmente os que estampam sorrisos cândidos congelados. pois o sujeito era bem assim. até achei a foto dele para provar.
esse papo todo veio à tona quando hoje, voltando do trabalho, estava prestes a começar a leitura de um livro que está na fila de espera desde meu aniversário. não é que, quando pego o marcador que veio de brinde da livraria, encontro uma foto da versão feminina do camarada? com um baita sorrisão psicopático, e o detalhe macabro -- um estetoscópio, o que sugere que a moça é médica! e deve ser, mesmo, porque tem um "dra." antes do nome dela. alô, povo de branco! podem rasgar seus diplomas.
essas figuras parecem as vagens alienígenas que tomavam as formas humanas no filme invasores de corpos, ou os clones "ipsilones semi-imbecis" do admirável mundo novo do huxley. assustadora é a impressão de que eles estão em cada vez maior número. medo.