17 setembro 2006

a vergonha da segurança estadual

desde que mudei-me para botafogo, há dois anos, sempre me surpreendi com o número de viaturas abandonadas no pátio do 2o BPM, na esquina da são clemente com a real grandeza. cheguei a contar 15 carcaças, entre rádio-patrulhas, kombis e camburões, completamente deteriorados pelas intempéries, de pneus vazios, sem motores, lanternas e pára-brisas. qualquer morador da região mais atento pode corroborar a informação.

a notória incompetência do governo estadual no combate ao crime é estrutural: os pms não têm formação psicológica e tática antes de irem para as ruas, não sabem atirar, e não têm viaturas em condições operacionais. ou seja, não são capazes nem de exercer mal suas atividades.

eis que, em junho/julho, é dada a largada oficial para a campanha para o estado. nossa digníssima governadora, rosinha garotinho, manda recolher os carros abandonados, empilhá-los num canto coberto do pátio, escondendo-os do escrutínio público com uma lona azul.

como era freqüente a força do vento expor as vergonhas da política de segurança, o pano acabou sendo amarrado às ferragens de um dos ferros-velhos escondidos. tivesse eu uma máquina digital disponível na época, essa crônica do grotesco estaria registrada em imagens irrefutáveis.

15 setembro 2006

ao benjamin du mmal

Jumento não é
Jumento não é
O grande malandro da praça
Trabalha, trabalha de graça
Não agrada a ninguém
Nem nome não tem
É manso e não faz pirraça
Mas quando a carcaça ameaça rachar
Que coices, que coices
Que coices que dá


"O Jumento - Os Saltimbancos"
Composição: Chico Buarque, Enriquez, Bardotti


dedico o trecho da canção a um pilantra que expropriou não apenas a minha força de trabalho, mas minha confiança.

por empenho próprio, as coisas mudaram. como já diria rosa, o guimarães, "cada um tem a sua hora e a sua vez".

11 setembro 2006

a vingança é um prato que se come frio, muito frio...

não sou um camarada rancoroso, mas tenho dificuldade em perdoar mau-caratismo e baixeza (como deve saber agora o ex-chefe que me deu um calote no valor de um carro popular, por sete meses de trabalho, e que na audiência teve a desfaçatez de dizer na minha cara que tinha a consciência tranqüila de que não me devia nada, porque eu jamais havia trabalhado para ele. eu venci a causa, e se não fugir do brasil ele deve recorrer. mas isso é um papo futuro).

refiro-me especificamente há uma história entalada na minha garganta há 14 anos. na faculdade de teatro, um calouro um pouco mais velho que eu, então suboficial da marinha, oferece uma carona para mim e minha namorada. eu e ele sentados na frente, ela no banco de trás. depois de chegarmos ao nosso destino, ela me conta das tentativas dele de passar a mão em sua perna diversas vezes durante o percurso, e de como ela furara suas mãos como os fechos de sua presilha de cabelo, pontudos a ponto de poderem ser classificados como arma branca.

ela guardara o fato até o infeliz arrancar com o carro, ciente do baixinho esquentado que ela tinha por namorado. espumei de ódio, minhas relações com ele esfriaram de vez, e logo em seguida a vida me soprava para outros rumos, em outras faculdades.

essa história vinha esquecida até hoje, quando um casal de amigos me passa a notícia fatídica. tem mais aqui.

há um equilíbrio no universo, regido, entre outras coisas, por leis como a que estabelece que e não se abusa da confiança dos outros. demorou, mas valeu a espera.

10 setembro 2006

gnarls barkley

não sei se é um cara ou se o nome de um grupo (botei o saite no título mas ainda não o vi). conheci-o(s) no churrasco de um amigo, há algumas semanas. talvez tenha sido a cerveja, mas demorou uns cinco minutos para eu entender o nome, devidamente esquecido no segundo seguinte, claro. mas hoje vi o clipe abaixo na tv e voltou tudo.



saca só essa outra música:



também gostei muito; lembra um pouco o que o ed motta poderia ter sido. botei o álbum pra baixar. pode ser apenas mais um "two-hit-wonder", mas só o fato de, depois de tantos anos, ouvir algo com alma de novo já me deixou feliz.

07 setembro 2006

o exterminador do futuro (2010)

uma amiga indicou-me o vídeo-documentário liberdade, essa palavra, de marcelo baêta, feito como projeto final de curso de jornalismo na ufmg em junho desse ano. esse caboclo promete...

o tema gira em torno das relações espúrias entre os donos dos veículos de comunicação e o poder, este personificado por nosso futuro presidente, aécio "déficit zero" neves, o mauricinho das gerais.

assista o vídeo aqui.

tamos bem servidos...
************************


atualização:


parece que o vídeo causou tanto mal-estar que a assessoria do candidato entrou em campo, acusando o trabalho de baêta de manipulação petista, e produziu um "documentário" em resposta. liberdade de imprensa em minas está disponível em três partes no you tube. a terceira não responde nada, é apenas uma ataque ao pt através do caso da demissão do boris casoy da record.

alea jacta est
.

quanto a mim, quero mais é ver o circo pegar fogo.

funcionário do mês


responda rápido aonde um camarada com esse perfil seria mais adequado: na presidência da república ou na gerência de uma farmácia, supermercado ou loja de tecidos na tijuca?

03 setembro 2006

the manchurian candidate

essa noite tive um sonho muito estranho (talvez, quem sabe, pelo fato de ter ido na sexta à belzonte): eu era contratado para manipular mamulengos com a cara dos vencedores das eleições para o governo estadual de minas e são paulo.

a "apresentação" seria nas sacadas dos respectivos palácios, no fim da contagem dos votos. o discurso de posse estava gravado, e eu apenas faria a mímica, acenando, cumprimentando etc. mas não seria uma paródia, as pessoas deviam ser convencidas de que estavam vendo os políticos reais.

acordei com a angústia de perceber que, nos dois casos, a população nas ruas não percebia o engodo, por mais toscos que fossem os mamulengos.

será que isso quer dizer alguma coisa?...
cartas para esse endereço.

29 agosto 2006

gênios da publicidade

já repararam a semelhança entre a nova campanha do net vírtua e o logotipo dos carrinhos hot wheels?
Free Image Hosting at www.ImageShack.us
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fica a pergunta que não quer calar: plágio ou ignorância? ou será que em propaganda existe um nome inglês que defina esse conceito?

20 agosto 2006

money for nothing

em entrevista à caros amigos de agosto - a que tem a opus dei como chamada de capa - o sr. nagashi furukawa, ex-secretário da adminstração penitenciária de são paulo, diz com todas as letras na página 34: "Em Presidente Bernardes, a manutenção de um preso custa cerca de 3000, 3500 reais por mês".

prestaram atenção aos valores? um camarada, sem produzir nada, recebe invetimentos mensais mais altos que o salário pago a vários profissionais que conheço, com mestrado e dez horas de trabalho diário.

bom, levante a mão quem acha isso um absurdo. e essa excrescência nem é exclusiva do brasil. arrisco chutar mais longe e identificar o problema com o próprio sistema econômico que alimentamos e que nos sujeita. o truque é naturalizar as coisas ao ponto de nos fazer repetir "ah, mas essas coisas são assim mesmo". assim mesmo o cacete, farroupilha! se tá todo mundo insatisfeito, vamos ousar levantar a cabeça acima da manada e pensar que pode as coisas podem sim, ser diferentes. o "como", fica a cargo da criatividade de cada um.

17 agosto 2006

análise combinatória

sem motivo aparente, ando obcecado com uma música há dias. enquanto não conseguia baixar a danada, dei uma circulada na rede e encontrei o vídeo abaixo. duas coisas muito boas em síntese perfeita. o que é o talento criativo, não é mesmo minha gente? (regina style)

11 agosto 2006

cadê o fidel?

podem me chamar de baba-ovo, mas não me canso de tecer loas ao fausto wolff, talvez o único (será o último?) cérebro pensante em atividade na grande imprensa brasileira. ouvi falar sobre o artigo a seguir numa aula dessa semana, aparentemente tendo sido publicado nojb. não sei. achei-o no saite do lobo.

Fidel já morreu?

Se morreu, foi-se, na minha opinião, o maior herói do século 20. Com ele morrem muitos personagens: o jovem advogado, filho de rico fazendeiro envergonhado de viver numa pátria em que um patife vagabundo como Batista havia transformado num bordel de luxo para a máfia e políticos norte-americanos corruptos. Morreu o rapaz que passou dos 27 aos 29 anos na cadeia por não aceitar a democracia imposta pelos americanos com votos comprados ou obtidos à força.

Morreu o leitor de Martí, de frei Bartolomeo de las Casas, de Marx e, certamente, de Cervantes. Morreu o homem mais amado de Cuba e o mais odiado pelos cubanos que preferiram Miami e Disney. Morreu também o homem que condenou muita gente à morte, entre elas, o número 2 das Forças Armadas Cubanas, envolvido com o tráfico de drogas. Morreu o homem que a CIA tentou matar mais de dez vezes e que suportou o maior embargo econômico da história moderna.

Morreu o homem que fez a reforma agrária como já poderíamos ter feito há muito tempo: pagando aos latifundiários o que declararam que valiam as terras na hora de pagar seus impostos. Morreu o homem que devolveu a auto-estima aos cubanos. Morreu o homem que diziam possuir a quinta fortuna no mundo. Fidel respondeu que, se encontrassem um dólar numa conta em seu nome no exterior, ele resignaria ao cargo. Morreu o homem que acabou com o analfabetismo, tornou obrigatório o ensino médio e financiou universitários. Morreu o homem que fez de Cuba um exemplo para a medicina da América Latina. Morreu o homem que fez de Cuba a maior potência atlética da América Latina. Morreu o comunista que o papa abençoou.

Certa vez, em Cuba, comecei a entrevistar passantes nas ruas. Todos estavam empregados, ninguém morava em casa alugada e todos, de certa forma, eram funcionários do Estado. Menos um. Perguntei ao senhor carequinha se era funcionário e ele, sorrindo, disse-me que não. "Profissional liberal. Soy limpiabotas."

Na verdade, foram os americanos que jogaram Fidel nos braços da União Soviética. Queriam eleições em Cuba e tinham um candidato que - como já haviam feito com Batista - seria apenas um homem de palha. Foi muito ingênuo achar que, depois de limpar e dedetizar a casa, Fidel deixaria que os americanos colocassem alguém como Collor, por exemplo, lembram-se? Ou como Sarney e FHC, que deixaram o poder riquíssimos e o povo cada vez mais pobre e ignorante.

Arthur Miller, Robert Frost, Edmond Wilson, Sartre, Russell, Clifford Odets, Adlai Stevenson, John Steinbeck, entre outros grandes intelectuais da época, escreveram artigos pedindo a Kennedy que deixasse Cuba em paz. Mas ele preferiu promover o fiasco da Baía dos Porcos e receber, como hóspedes, cubanos leais que em Cuba ninguém queria.

Estive duas vezes com Fidel. Da primeira, perguntei-lhe (ordem da direção da TV) por que não instituía eleições livres. Ele me declarou que sairia muito caro para eles e mais caro ainda para os americanos que mandariam dinheiro para corromper os poucos indecisos. Da segunda vez, eu e outros jornalistas o acompanhamos num passeio pelas ruas - e não vi um guarda-costas.

Formou-se uma multidão gritando "Viva Fidel!" e uma mulher grávida o abraçou. Perguntou-lhe quantos filhos já tinha. Ela disse que este seria o terceiro, e ele: "Por que não está tomando pílula? Que seja o último. Nossa ilha não pode alimentar mais do que o seu espaço permite". Hoje em dia falam muito das prostitutas de Cuba, mas esquecem-se de falar dos milhões de mulheres que, graças a Fidel, salvaram-se da miséria, da fome e da prostituição. Podemos dizer a mesma coisa?

Mas Cuba é uma ditadura e Fidel um ditador. Pois eu lhes digo que 80% do povo brasileiro jamais viu tal democracia. Da última vez que estive em Cuba, entrevistei Teófilo Stevenson, cinco vezes campeão mundial olímpico dos pesos pesados. Ele me apresentou a mulher e filhos, bem como os alunos de educação física. Perguntei-lhe por que não aceitara o contrato de US$ 5 milhões que os americanos haviam lhe oferecido. Respondeu: "Havia muito a fazer em Cuba e, além disso, há coisas mais importantes que o dinheiro".

Fidel já morreu? Não? Então, viva Fidel.

nova identidade

esse ano passei por um acontecimento de forte carga simbólica, e repleto de sentidos ocultos. durante o carnaval, em pleno cordão do bola preta,perdi minha carteira com minhas mirradas economias e todos os meus documentos. para dar uma melhor dimensão dramática ao incidente, posso resumi-lo ao dizer que no bola preta perdi minha identidade.

mas só me dei conta disso muito depois de enfrentar a via-crúcis de registrar um b.o. na polícia, dar baixa no cartão do banco, e entrar com a solicitação para os novos documentos. foi a resposta de uma amiga à notícia de que o rg havia ficado pronto. "parabéns pela nova identidade!", escreveu ela no msn. foi então que pensei em como seria saudável se as pessoas pudessem trocar as identidades quando julgassem estar entrando numa nova fase de vida, ou superassem um grande problema, por exemplo.

mal sabia eu o quão profética era minha divagação: em menos de um mês, comecei a vivenciar um processo de melhorias que deu uma guinada radical na minha realidade, de forma que eu sequer podia sonhar (e ainda está longe de completar-se). e por mais que pareça exagerado, junto com as mudanças externas, uma metamorfose psicológica também está em curso. aos poucos sinto que, sob vários aspectos, antigas perspectivas de visão de mundo estão sendo abandonadas por outras mais frescas. é como se eu fosse uma cobra trocando de pele.

nem preciso dizer que para um geminiano triplo, esse é o melhor dos mundos.

26 julho 2006

qualquer semelhança...

encontrei essas tirinhas no meu computador. como metade das tralhas que lá abundam, não tenho idéia de onde vieram.
mas são muito boas, lá isso são.

24 julho 2006

péla-vox

Bono patrocina game contra a Venezuela
Caros Amigos - 18/7/06


O músico Bono, do conjunto U2, que costuma participar de campanhas contra a fome e a Aids na África, agora está patrocinando um videogame que simula a invasão da Venezuela para derrubar o presidente Hugo Chávez. Ver, em inglês.
**************
esse nunca me enganou...

56 Nobrezas deputadas e um príncipe das trevas

o texto a seguir (bem como o título), são mais uma prestação de serviço de mestre wolff. todo os direitos reservados, menos o de apropriação para divulgação.

depois façam as contas para saber em quais partidos votar nas próximas eleições.

"57 indiciados por chupar sangue do povo brasileiro nas ambulâncias que deveriam socorrê-lo. E os partidos esquifes que os escondem.

Paulo Feijó (PSDB-RJ)
Paulo Baltazar (PSB-RJ)
João Caldas (PL-AL)
Cabo Júlio (PMDB-MG)
Pedro Henry (PP-MT)
Bispo Wanderval (Pl-SP)
Iris Simões (PTB-PR)
Benedito Dias (PP-AM)
Lino Rossi (PP-MT)
Edir de Oliveira (PTB-RS)
Teté Bezerra (PMDB-MT)
Fernando Gonçalves (PTB-RJ)
Almeida de Jesus (PL-CE)
Pastor Amarildo (PSC-TO)
Nilton Capixaba (PTB-RO)
Reinaldo Betão (PL-RJ)
Isaías Silvestre (PSB-MG)
José Militão (PTB-MG)
Wellington Fagundes (PL-MT)
Mário Negromonte (PP-BA)
Laura Carneiro (PFL-RJ)
Zelinda Novaes (PRF-BA)
Vieira Reis (PRB-RJ)
Júnior Betão (PL-AC)
Ribamar Alves (PSB-MA)
Eduardo Gomes (PSDB-TO)
Eduardo Seabra (PTB-AM)
Osmânio Pereira (PTB-MG)
Jeferson Campos (PTB-SP)
João Batista (PP-SP)
Vanderlei Assis (PP-SP)
João Mendes de Jesus (PSB-RJ)
Doutor Heleno (PSC-RJ)
Reinaldo Gripp (PL-RJ)
José Divino (PRB-RJ)
Alceste Almeida (PTB-RR)
Marcos Abramo (PP-SP)
Nélio Dias (PP-RN)
Ricarte de Freitas (PTB-MT)
Cleonâncio Fonseca (PP-SE)
Benedito de Lira (PP-AL)
Reginaldo Germano (PP-BA)
Ricardo Estima (PPS-SP)
Neuton Lima (PTB-SP)
João Cerreia (PMDB-AC)
Amauri Gasques (PL-SP)
Maurício Rabelo (PL-TO)
Corialano Sales (PFL-BA)
Almir Moura (PFL-RJ)
Marcelino Fraga (PMDB-ES)
Raimundo Santos (PL-PA)
Edna Macedo (PTB-SP)
Irapuan Teixeira (PP-SP)
Itamar Serpa (PSDB-RJ)
Enivaldo Ribeiro (PP-PB)
Elaine Costa (PTB-RJ)



Senador Ney Sugassuga (PMDB-PB)

Digo, Sernador Ney Suassuna.
"

23 julho 2006

deus existe

pegue um cigano, tire-lhe os movimentos de dois dedos da mão esquerda, adicione um violão e você terá um anjo: django reinhardt!

12 julho 2006

Balde de água fria na indústria de celulose

a primeira vez que ouvi falar sobre a indústria de celulose foi mais ou menos aos oito anos de idade, numa viagem de carro que fiz com meus pais e meu avô para lages, em santa catarina. no caminho, passávamos por extensos campos de pinheiros que ladeavam a estrada. eram as mesmas árvores que eu via os americanos levarem para casa nos filmes de natal.

meu avô, que não era exatamente conhecido por seu bom-humor, esbravejava contra a indústria de papel, que derrubava as araucárias para plantar aqueles famigerados pinus elliotis, que não produziam nenhum alimento e espantavam a fauna local -- especificamente a gralha azul, agente natural na disseminação e replantio das sementes de pinhão.

aí em março deste ano, teve o caso do mst invadir a planta da aracruz celulose no rio grande do sul. o josé arbex jr. escancarou o tamanho do crime contra o meio ambiente causado por essa indústria em um artigo da caros amigos de abril. até a família real da suécia, acionista majoritária da empresa, desfez-se de suas ações.

e há pouco tempo, nosso ministro da cultura -- sem a menor consideração com a agenda da "ministra-erê" do meio ambiente (reparem na vozinha de criança de centro espírita) -- vende os direitos de uma canção para a publicidade da tal empresa (que deve ter pago o peso em ouro de um casting que reunia o cosmonauta pontes, bernardinho, daiane dos santos e outros que tais).

mas eis que a justiça é feita. segundo o saite do ibase, "A juíza federal Clarides Rahmeier, da Vara Ambiental de Porto Alegre, decidiu nesta sexta-feira (9) que a Caixa Estadual S.A. - Agência de Fomento/RS, o Estado do Rio Grande do Sul e o BNDES deverão suspender, em 48 horas após a intimação, a circulação de qualquer propaganda onde o apelo publicitário seja a mensagem estritamente positiva do plantio de monoculturas de árvores". O texto completo está aqui.

parece, afinal de contas, que os "ciganos" do mst não devem ser os únicos vilões dessa história.

07 julho 2006

o que acho que os vizinhos pensam de mim

sem saco para escrever, faço minhas, sem tirar nem pôr, as palavras do tom waits. depois eu vejo se linko a...bem... música.

04 julho 2006

deu no globo online

Gisele Bündchen acha que está velha demais para ser amada.

faz-me rir, macaca. pensando bem, tadinha dela. vou mandar-lhe um imeio oferecendo meus préstimos. titio garante que, depois de um "vem-cá-minha-nêga" dado com vontade, bota a moça subindo pelas paredes feito lagartixa profissional.

além do mais, gisele, minha filha, você não sabe o que dizem sobre panela velha?

02 julho 2006

carta a um distante amigo

caro federix dieguix de aquinix,

pensei em respondê-lo através dos comentários, mas preferi a ocasião para um bostejo sincero e esclarecedor. minha pinimba com a proverbial "estranha cidade ao sul do brasil" é mais folclórica do que qualquer coisa... se eu fosse explicar o que me desagrada em são paulo, escreveria um tratado; não por serem muitos os motivos, mas por se tratar de uma espécie de amor arrevesado. é uma grande cidade (não apenas em termos geográficos), há tempos tomada por figuras que preferem se orgulhar de uma certa imagem pelega que transmitem ao mundo. onde os caiporas de 22? onde os adonirans e as bocas-do-lixo? onde a rica mistura dos imigrantes e paus-de-arara? onde os angelis, os luíses gês, os plínios marcos e os arrigos da nossa "cidade-luz"? é só fiesp, engarrafamentos, pcc, daslu, perueiros, corínthians, psdb e cadeiões! chega dessa mediocridade pequeno-burguesa colonizada! são paulo definitivamente não merece esse destino...

abraços saudosos do amigo e da cidade.

o brasil perdeu. viva o brasil!

mais uma vez levamos um chocolate da frança. perdemos porque o técnico é teimoso como uma mula empacada, mas principalmente porque não tínhamos time.

o brasil era uma constelação de estrelas e nenhuma coletividade. vinha se sustentando aos trancos e barrancos porque os adversários eram pífios, de modo que bastava confiar na falta de pontaria do adversário e no talento individual dos nossos jogadores para furar uma defesa capenga e balançar a rede.

mas quando encaramos um grupo bem estruturado, entrosado, que corria, marcava e com um esquema tático consistente, deu no que deu. foi a crônica de uma morte anunciada.

fico pensando se não seria o caso de, na próxima copa, fazermos o que foi praxe em 58 e 62. armar a base da seleção com jogadores de um mesmo time, brasileiro. se escalássemos a base do time, um seis jogadores, do cruzeiro, do fluminense ou, vá lá, do internacional (só para ficarmos nos melhores resultados do campeonato de 2006 até agora), aí sim, acho que poderíamos chegar a algum lugar. o resto do elenco poderia ser com os figurões do estrangeiro, para também não contrariarmos o patrão, a nike.

futebol por futebol, os pernas-de-pau daqui estão jogando a mesma coisa, com a vantagem de serem mais baratos e não ficarem abraçando e batendo papinho com os adversários antes do jogo.

29 junho 2006

adiós, cumpá!


acabou de entrar para o time dos "lá-de-cima" o diretor fabián bielinsky. argentino, diretor do genial nove rainhas cantou para subir aos 47 anos, aparentemente de ataque cardíaco. o detalhe mórbido, porém, fica a cargo do lugar: são paulo.

lugar mais besta para se morrer...

mais informações no globo.

28 junho 2006

campeãs de audiência

dois motivos para não perder o jornal da bandeirantes: mariana ferrão e nadja haddad.
******
ah, agora tem também o franklin martins.

a gente vai levando, a gente vai levando...

às vezes me acho um ingênuo por acreditar que, no fim, a vontade do povo prevalecerá. não vai. pelo menos não se as coisas continuarem do jeito que estão. não se não tomarmos o destino em nossas mãos. cada vez mais acho que certo estava o diderot (pelos motivos errados): " o mundo só estará a salvo no dia em que morrer o ultimo rei enforcado nas tripas do ultimo padre". falou e disse.
porém, antes de considerarem-me um derrotista neurótico, recomendo a leitura do texto a seguir, retirado do comunique-se:

Triste fim na novela da TV digital brasileira

Antonio Brasil

Como toda novela, a implantação da TV digital brasileira teve um final previsível. Mas não foi um final feliz. Muito pelo contrário. O governo resolveu aproveitar o clima de euforia e o entorpecimento geral dos brasileiros na Copa para anunciar o capítulo final. Destaco algumas manchetes sobre essa polêmica decisão:


"Ministro Hélio Costa confirma acordo com Japão para a TV digital"
"Redes saem vitoriosas com padrão japonês de TV digital"
"TV Digital: Radiodifusores já debatem implantação do padrão japonês"


E como toda novela, os últimos capítulos também já indicavam que certos personagens estariam dispostos a tudo para garantir o final "feliz":

"Globo oferece Copa em TV digital para Ministério das Comunicações, Câmara e Senado"
"Lula elogia 'padrão nipo-brasileiro' de TV digital"


Nenhuma surpresa.

Há muito tempo o noticiário já sinalizava a pressão dos personagens radiodifusores para que o governo não atrapalhasse o enredo e escolhesse logo o padrão japonês. Por que esticar a novela? Principalmente em meio a tantas ameaças.

Ou seja, apesar das recomendações e protestos de diversos setores da sociedade brasileira que insistiam na necessidade de estendermos a trama, Lula preferiu ouvir somente os personagens poderosos da novela: as velhas famílias que há anos controlam a radiodifusão brasileira.

Mas, como em todo folhetim, já surgem críticas e reações contra a qualidade do enredo e a previsibilidade do final.


"Decreto da TV digital mantém monopólio"
"Entidades defendem mais debate sobre escolha do padrão de TV digital"
"Europeus lançam plano para AL e defendem adiamento de TV digital"
"Gil defende decisão sobre a TV digital só após as eleições"


A novela da TV digital brasileira, no entanto, ainda pode nos reservar algumas surpresas.

Segundo o mesmo noticiário, Lula já teria orientado seus ministros a negociar com o Japão as contrapartidas para que o anúncio produza ganho político no ano eleitoral.

Mas o governo japonês já deixou bem claro que não pode garantir a implantação de uma fábrica de componentes no Brasil. Há somente um compromisso de formação de mão-de-obra especializada e ajuda para a criação de condições no país que viabilizem a implantação dessa indústria. Podemos ter caído em um conto do vigário. E o pior. Um conto do vigário japonês.

Em sua decisão, o presidente teria levado em conta o lobby das grandes emissoras de TV do Brasil a favor do padrão japonês. Não seria inteligente contrariar essas empresas no ano em que disputa a reeleição.

Ou seja, sob pressão dos radiodifusores e sem os recursos financeiros do Valerioduto, Lula preferiu garantir pelo menos uma certa neutralidade durante a campanha eleitoral. Ele conhece muito bem o poder do jornalismo investigativo das TVs brasileiras e suas câmeras ocultas para revelar falcatruas e maracutaias. No momento, as câmeras ocultas estão "sob controle".

Neste triste final de novela barata, Lula decidiu por um sistema de TV digital experimental, ainda em construção. Um sistema que não foi adotado por nenhum país da América Latina, do Mercosul e do mundo. Um sistema que não está totalmente implantado sequer no Japão. Seremos cobaias dos cientistas japoneses e estamos isolados nessa decisão.

Essa escolha do governo do Lula põe fim a uma longa guerra de bastidores que envolveu ministros de Estado de países estrangeiros, multinacionais fabricantes de equipamentos, operadoras de telecomunicações e redes de TV.

Mas, pelo jeito, a guerra, ou novela, continua. O governo ainda terá que regulamentar o "modelo de negócios": nessa fase, poderá ser definido quem poderá participar da nova televisão e se haverá ou não mais competição no setor. O Congresso Nacional, que tentou participar da escolha do padrão, agora deve voltar suas atenções para esse "modelo de negócios".

Mas como essa decisão afeta o futuro da televisão brasileira?

Ao privilegiar o padrão japonês, essa decisão deve dificultar a entrada de novos concorrentes, novos canais de TV.

Qualquer que seja o resultado da Copa na Alemanha, por aqui, mais uma vez, perdemos a Copa do nosso futuro. As forças do atraso venceram. O Japão e seus aliados brasileiros, os radiodifusores com capitanias hereditárias, comemoram. Ou seja, nada vai mudar. Tudo vai continuar da mesmíssima forma.

O padrão japonês é melhor para as TVs brasileiras porque é o que trará menos impacto ao seu modelo de negócios. Não haverá a entrada de novos concorrentes, principalmente as temidas telefônicas.

Ainda no noticiário...


"Presidente da Comissão Européia critica populismo na América Latina"
BBC Brasil


O presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Durão Barroso, criticou o avanço do que ele considera "populismo" na América Latina. "É um sinal negativo para o continente. Parece um filme que está voltando para trás", afirmou Barroso em uma entrevista coletiva, sem citar nomes de líderes da região.

E tem mais...

Apesar da decisão do governo pelo polêmico padrão experimental japonês, a campanha de Lula enfrenta problemas televisivos...


Marqueteiro de Lula mostra insatisfação com o tempo na TV

Talvez isso explique...


A festa das concessões
"É impressionante como as coisas funcionam neste nosso País. Entra governo, sai governo e continua a mesma coisa. Vi a listinha dos felizes contemplados com canais de rádio e televisão. Em sua maioria, políticos e igrejas. No Brasil, a radiodifusão "ou é altar ou é palanque'."

Governo Lula distribui TVs e rádios educativas a políticos
"O governo Lula reproduziu uma prática dos que o antecederam e distribuiu pelo menos sete concessões de TV e 27 rádios educativas a fundações ligadas a políticos."

Ministros negam motivação política para concessões
"O ministro das Comunicações, Hélio Costa, e seus antecessores no governo Lula, os deputados federais Miro Teixeira (PDT-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), dizem que não usaram critério político para aprovar as outorgas de rádio e televisão educativas."

Minas Gerais recebe oito emissoras de TV na gestão do mineiro Hélio Costa

"Político mineiro, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, autorizou oito concessões de TVs educativas em seu Estado desde que assumiu o cargo, em 8 de julho de 2005."

E nessa "Copa do Mundo" da TV digital podemos perder a liderança continental para a nossa principal rival. Em artigo recente da Tele Síntese:

TV digital: Argentina pode assumir papel de liderança na América do Sul

"Como, no Brasil, a decisão pelo padrão ISDB japonês é dada como certa, ficou para a Argentina o papel de liderança neste processo continental".

"'Nenhum outro país da América do Sul vai adotar o padrão japonês. Será DVD (europeu) ou ATSC (americano)', afirma Mário Baumgarten, CTO da Siemens, empresa integrante da coalização DVB no Brasil. Segundo analistas de mercado, a escolha de um padrão único seria um grande benefício para a região, que contaria com as vantagens de uma economia de escala."

É, pode ser.

A escolha do padrão japonês significa que o governo quer, antes de tudo, agradar às grandes emissoras de televisão do país em ano eleitoral. E vocês ainda têm dúvida de que o Brasil é "excrusividade" da Globo?

Mas como diz o presidente Lula, "em time que está ganhando não se mexe". Agora só nos resta descobrir "quem" estaria ganhando com essa decisão.

No momento, certamente perdem os defensores da democratização dos meios de comunicação e os produtores independentes, alternativos e comunitários. Desperdiçamos a chance de aumentar a diversidade e a pluralidade de conteúdos televisivos.

Ainda podemos ganhar a Copa do Mundo de futebol. Mas certamente estamos sendo derrotados na Copa por uma televisão brasileira melhor e mais democrática.

26 junho 2006

jebronhas

continuo a série fausto wolff/nataniel jebão com uma série de aforismos filosóficos:

Quem tiver mais de 50 anos e disser que nunca foi corneado jamais comeu ninguém.
******
Sou favorável à cota extra para negros nas universidades. Garçons, copeiros e motoristas diplomados custam mais caro, mas são mais eficientes.
******
Se você é vegetariana, faça amor com um pepino sem medo de engordar.
******
Diogo Mainardi, amigo de Gore Vidal, vai queimar seu terno azul Armani porque Lula está usando um igual. É isso aí, rapaz, não deixe água na bacia.
******
Se Shakespeare estivesse vivo, seria office-boy do Paulo Coelho.
******
Quem se masturba pensando na própria mulher não sabe o que está perdendo.
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Honesto é o político que uma vez comprado permanece comprado.
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Se em vez de ir para a cruz, Jesus tivesse economizado um salário mínimo por mês, hoje teria um apartamento na Vieira Souto.
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Um homem bem sucedido só necessita saber três palavras: táxi, hotel e champanhe.
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Coma um rato podre pela manhã que nada de pior lhe acontecerá.

com a palavra, jebão

nataniel jebão é o alter ego do impagável fausto wolff (ele não deve gostar nada do adjetivo, mas enfim...). como citado no post anterior, publico o artigo jebônico que saiu na revista f.:

Nossa sociedade
por Nataniel Jebão


Do Epistolário Maldito
Inúmeros leitores vêm escrevendo há meses, impressionados com o sucesso desse JEBÃO entre as mulheres. Já as leitoras querem me conhecer. Para realizarem esse sonho devem se apresentar à minha secretária, srta. Nina Rolas, que já atualizou a tabela de preços de acordo com o último aumento da gasolina (uma lambida no umbigo, por dentro, por exemplo, pode custar muito caro). Os marmanjos, além de quererem saber minhas táticas e mumunhas, torram os meus países baixos, imaginando que posso lhes dizer qual a mulher ideal. A fim de contentá-los, depois de instalar a srta. Nina Rolas debaixo da mesa, ditei-lhe algumas notas sobre o assunto.

Da estonteante beleza jebaica
Meu sucesso se deve ao fato de eu ser bonito, rico, culto, bem-dotado e gostar de mulher. Mulher é bom, mas é preciso ir com calma. Em primeiro lugar, é necessário que ela não tenha pênis. Se tiver, já imaginou a decepção do leitor ao descobrir que o dela é maior que o seu? Também não pode ser escocês e nem pader. Se não tiver pênis, não for escocês nem padre, o leitor pode ir em frente porque é bom.

De árvores, hienas & cia.
Se o leitor, porém, tiver passado dessa fase preliminar e encontrar-se no momento na fase seletiva, as coisas se complicam, porque mulher é um bicho essencialmente complicado. Caso contrário não seria mulher e essa nota não teria razão de ser. Elas se camuflam de todos os modos possíveis a fim de atingir seu objetivo: ir para a cama comigo, e de preferência, sem a companhia das minhas nove esposas. Cuidado, portanto, irmão. Se alguém quiser te apresentar uma "jovem atlética", pode ter certeza de que ela tem uma cintura que parece um tronco de árvore. Se lhe falarem de uma moça "talentosa", prepare-se porque ela é gorda e ri muito alto. Se, porém, ela for uma "grande companhia", cautela, porque vive de porre, mas em compensação não faz doce. Tenha cuidado com as soi-disant "chiques". Geralmente tem mais de 1,90m de altura, nem sombra de seios e são ligeiramente corcundas. Fique longe das que são consideradas "engraçadas". São maníaco-depressivas e farão o leitor se jogar do 18o andar, feliz da vida.

De outras dicas diabólicas
Como descobrir o que realmente se esconde atrás da mulher a qual o leitor foi apresentado e pela qual se crê apaixonado? Se as unhas do pé forem duras, se tiver veias no nariz, se tiver dentes perfeitos, aliás, perfeitos demais, pode ter certeza que ela é velha. Se ela rir muito, tiver longos cabelos repartidos ao meio, gostar de caftãs, usar maiô inteiro, andar principalmente de preto e fora de moda, acredite, a jovem é gorda. Tome, porém, o máximo de cuidado com as mais perigosas: as que usam mais de três brincos, mais de cinco anéis, as pretas que usam sombra branca nos olhos e as brancas que usam sombra preta nos olhos, as que conhecem todos os jargões de psicanálise e querem te modificar. Essas, definitivamente, são malucas. Por mais que os leitores queiram, jamais poderão ser um Nataniel Jebão. Portanto, se quiserem acabar misógenos, olhem-se nos respectivos espelhos, façam sincera autocrítica e tentem esquecer-se de tudo o que disse. A mulher ideal mesmo é aquela que não é homem.

23 junho 2006

o lobo (pensante) solitário


a revista f., tocada pelo allan sieber, leonardo e arnaldo branco é hoje o que a chiclete com banana foi nos anos 80 e a animal nos 90. nesse número, fizeram uma entrevista etílica com o fausto wolff, gaúcho de santo ângelo, escritor, candidato a presidente, e que num país um pouco menos filho da puta, seria considerado o maior jornalista do país (e isso é um elogio!). separo duas declarações do lobo -- uma de seu discurso de posse. depois transcrevo um texto genial de seu alter ego, nataniel jebão:

"Eu voltei lá [em Santo Ângelo], me convidaram para um negócio chamado 'Diáspora'. Esse negócio de diáspora é negócio de judeu... meu pai e minha mãe saíram daqui porque estavam sem grana... então não foram corridos (risos). Tudo bem. Aí eu vou fazer a palestra e tinha que receber uma Comenda do prefeito. Aí eu deia a palestra e eu pergunto 'onde está o prefeito'? O prefeito tinha ido embora. Teve um cara que era um santangelense que aparentemente tinha se dado bem na vida, um cara que eramicrocirurgião. Aí veio o microcirurgião 'ah, mas a minha carreira, é difícil, microcirurgião e tal, mas eu também escrevo poesia'. E disse duas ou três poesias. Aí me chamaram no palco, e eu: 'Meu nome é Fausto Wolff, eu escrevo poesia, mas nas horas vagas sou microcirurgião' (risos). 'Se vocês não acreditam, se alguém tem algum problema...' (risos). É claro que não sou uma pessoa muito bem querida em Santo Ângelo (risos)".
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"L: O negócio da sua candidatura. Fausto Wolff presidente. Primeiro de janeiro de 2007. Discurso de posse.
Minhas senhoras e meus senhores, terei que dizer certas coisas que certamente machucarão algumas pessoas. Essas pessoas eu sugiro que comecem a ri rapidamente porque o meu secretário, o Jonhonho (risos) já está ligando para todos os aeroportos do país. Fechando (risos). de modo que esse meu governo vai ser um governo que eu tenho certeza que agradará a todos. Esse meu governo será pai e mãe. Quem não tiver uma casa, terá. Quem não tiver emprego, terá. Quem não tiver hospital, terá. Quem não tiver terra para plantar, terá. E em termos de terra, acabei de dizer ao meu ministro da agricultura o seguinte: que compre todas as terra que não estiverem sendo usadas. E nós vamos pagar o que os proprietários delas declararam para o Imposto de renda. De modo que a Reforma Agrária já está resolvida. A Reforma Educacional: o Estado é responsável pela educação de todas as crianças. Aquele que depois da educação secundária quiser se especializar em uma universidade, será pago pelo governo, e devolverá ao governo assim que cursar. A partir de hoje, todos somos reponsáveis por todos. A partir de hoje, todos os pais são pais de todas as crianças. A partir de hoje todos poderão se queixar ao Estado. Poderão se queixar no bairro, no município, no estado ou em escala federal. A partir de hoje não há mais propaganda eleitoral. A partir de hoje não há mais propaganda eleitoral. Enfim, a partir de hoje, todos os presídios serão examinados. E quem não tiver que estar no presídio será livre. Coisas absolutamente simples."
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Se ele saísse mesmo como candidato, não anularia meu voto.

21 junho 2006

gênios da publicidade

o comercial da skol nessa copa mostra um maluco peladão invadindo o campo de futebol no meio de um jogo do brasil. aí, um mané na torcida avisa ao telespectador que, se o cara que inventou a cerveja tivesse inventado o torcedor europeu, ele seria diferente. mas eis que surge na tela a imagem, adivinhem, de outro cara pelado! pô, se fosse eu, tinha botado era uma mulher pelada em campo!

ah, esses publicitários paulistas!... como se já não bastasse a namorada me ter deixado com a pulga atrás da orelha dizendo que skol tem "cheiro-de-saco-de-homem" (sic), agora essa do caboclo pelado. eu, héin, tô fora!

ps: antes que comecem a especular, aviso: 1) esse papo "aromático" dela foi antes de me conhecer; 2) não tenho como concordar ou discordar de sua opinião, por absoluta falta de referências.

19 junho 2006

viva d. sebastião, o desejado!

acabei de reler, 10 anos depois, um dos grandes livros que já me passaram pelas mãos: O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, do meu mestre ariano suassuna. antes da reimpressão que saiu há pouco, o livro estava fora de catálogo há uns 30 anos. minha edição é de 1971, encontrada depois de muito esforço num sebo que nem existe mais, em frente ao museu da república, no catete.

um amigo meu, pernambucano, me disse, na época da primeira leitura, que se eu fosse à casa de ariano dizendo que tinha lido o livro, era capaz até de ele me convidar pra almoçar.

o tema seria, canhestramente definindo, uma síntese da cultura nordestina e brasileira, escrita sob o ponto de vista de D. Pedro Dinis Ferreira-Quaderna, ou D. Pedro IV, o Decifrador, um sebastianista que se acredita o verdadeiro herdeiro do trono do brasil (sem nenhuma relação, como ele mesmo diz, "com os impostores da casa de bragança"). aqui tem uma explicação mais completa sobre o livro e o folclore nele inspirado, em pernambuco.

o "tijolo" (625 páginas, fora o posfácio de maximiano campos), é um gozo, digno de um verdadeiro "gênio da raça" -- o criador de uma "obra completa", que reúne as caracerísticas do "[...] Poeta de estro, cavalgação e reinaço, que é o capaz de escrever os romances de amor e putaria. [...] o Poeta de de sangue, que escreve romances cangaceiros e cavalarianos. [...] o Poeta de ciência, que escreve os romances de exemplo. [...] o Poeta de pacto e estrada, que escreve os romances de espertezas e quengadas. [...] o Poeta de memória, que escreve os romances jornaleiros e passadistas. E finalmente, [...] o Poeta de planeta, que escreve os romances de visagens, profecias e assombrações".

para terminar, transcrevo um poema do livro sobre a morte de d. sebastião. ouvi-o do próprio ariano em uma de suas "aulas-espetáculos". a autoria é de um cantador cujo nome infelizmente não recordo:

"Nosso Prinspo se perdeu
nas terras do Malpassar.
Deitam sortes à Ventura
quem o havia de buscar.
O Cavaleiro escolhido
não se cansa de chorar:
vai andando, vai andando,
sem nunca desanimar,
até que encontrou um Mouro
num Areal, a velar.
- Por Deus te peço, bom Mouro,
me digas, sem me enganar,
Cavaleiro de armas brancas
se o viste aqui passar.
- Desse Cavaleiro, amigo,
dize-me lá os sinais.
- Brancas eram suas Armas,
seu cavalo é
Tremedal.
Na ponta de sua Lança
levava um branco Sendal
que lhe bordou sua Noiva,
bordado a ponto real.
- Esse Cavaleiro, amigo,
morto está, nesse Pragal,
com as pernas dentro d'água
e o corpo no Areal.
Sete feridas no peito,
cada uma mais mortal:
por uma, lhe entra o Sol,
por outra, entra o Luar,
pela mais pequena delas,
um Gavião a voar!
Mas é mentira do Mouro,
seu desejo é me enganar:
o nosso Prinspo encantou-se
nas terras do Malpassar
e, um dia, no seu Cavalo,
ao Sertão há de voltar!"

18 junho 2006

vai para o trono ou não vai?

minha prima mandou um imeio com o vídeo abaixo. tão bom que quase fiz xixi nas calças.

nunca uma canção do u2 teve interpretação tão apropriada...

15 junho 2006

morra de vergonha, bandini

acabei de desperdiçar 117 minutos da minha vida assistindo a "pergunte ao pó", um massacre cinematográfico do livro homônimo de john fante. acho que passar esse tempo com a cabeça enfiada numa privada suja de botequim, dando descarga sem parar, não se igualaria em degradação. graças à nossa senhora da internet, só gastei a eletricidade para baixar o filme, porque se tivesse pago a entrada do cinema, estaria batendo a cabeça na parede de raiva até agora.

é verdade que desde quando anunciaram, no ano passado, que o canastrão do colin farrell estrelaria no papel de bandini, vi que não sairia boa coisa da touceira. mas a violência cometida contra o espírito do livro foi mais devastadora que uma horda de marines com hidrofobia.

mas mr. tom cruise, um dos produtores, provou o estrago que a combinação "dislexia-cientologia-passa-fora-da-nicole-kidman-ração-de-placenta" causou à sua psiquê. ele o diretor robert towne (responsável por pérolas como orca, a baleia assassina e dias de trovão) transformaram uma puta história, patética e pungente, num aguado "love story" alatinado. o único mérito do filme é mostrar a salma hayek nuazinha em pêlo -- o que não é pouco, mas não o suficiente para livrá-los de um merecido regime diário de surras de pau-de-dar-em-doido.

é por essas e outras que a gente acaba tendo que concordar com o desprezo que o john fante sentia pelo cinema...

08 junho 2006

e o outro lado da notícia?

o texto abaixo, assinado por alceu castilho, editor e jornalista responsável pela agência repórter social, foi publicado no comunique-se ontem (07/06).

apenas leiam...

Willian França: "Esses sem-terra não podem ser nem chamados de animais"

Alceu Castilho
Fonte:Repórter Social


Willian França é diretor de Comunicação da Câmara dos Deputados. Seu cargo público e sua hierarquia não o impediram de se pronunciar nos seguintes termos, na noite de terça-feira em Brasília, em relação aos sem-terra presos no Ginásio Nilson Nelson:

- Por que dar comida para esse tipo de gente? São uns animais. Ou melhor, animal, não, porque animal tem noção de onde pode entrar. Esse tipo de gente não pode ser comparada a animais.

Willian fazia os comentários para uma roda de jornalistas. Não era uma exceção. Mas mesmo repórteres que não ousariam falar contra "a turma dos direitos humanos" demonstravam-se pouco dispostos a questionar as ações do poder público subseqüentes à invasão da Câmara pelo MLST.

A deputada Maninha (PSOL-DF), uma entre os quatro únicos deputados que estavam no gramado enquanto se efetuava a prisão em massa de homens, mulheres, adolescents e crianças, sintetizava aquele entardecer em Brasília: "A única vez que vi isso foi em 1969, quando era estudante da UnB e tivemos de sair em fila indiana, de mãos para cima".

A imprensa considerou legítimo o regime de exceção nos gramados do Congresso. Um presidente comunista da Câmara ordenou a prisão de centenas de pessoas, indiscriminadamente, e mais de 500 brasileiros foram detidos no gramado, em frente ao símbolo maior do País. No início o cerco policial mal existia, e as idas e vindas de transeuntes eram evidentes -- mesmo assim, todos que estavam ali foram presos no início da noite e levados em ônibus da PM para o ginásio Nilson Nelson, revivendo algo que os chilenos viveram no Estádio Nacional, na era Pinochet.

À exceção das lideranças, os sem-terra pouco foram entrevistados. O anoitecer em Brasília viu 10 crianças e 32 adolescentes serem presos, sem a presença de assistentes sociais, promotores, juízes. O Estado de Direito brasileiro foi apunhalado em plena Esplanada, mas a mídia adotou o discurso do vilão único -- os sem-terra que invadiram o Congresso.

Enquanto isso, vestidas com roupas de verão, as crianças passavam frio (tem feito frio em Brasília nos últimos dias) e fome. Algumas tinham comido somente às 4 horas. A única que se alimentava era Douglas Freitas, um bebê de 6 meses, ainda amamentando.

Às 22 horas, após algum tempo no Nilson Nelson, as crianças e adolescentes foram levados, com algumas mães ou responsáveis (mas não pais) para a Delegacia da Criança e do Adolescente. Ali a cobertura da imprensa minguou. Ao meu lado agüentava firme uma repórter da Radiobras, Roberta Lopes. Chocada. Cinegrafistas da Globo gravavam as cenas. Um repórter do Globo chegou quando todos já haviam ido embora, às 2 horas desta quarta-feira.

Antes, uma grata surpresa: nada menos que cinco repórteres do Centro de Mídia Independente, uma rede mundial de informações independentes do setor privado, compareceram ao local e fizeram as vezes dos jornalistas da chamada grande imprensa. (Eu estava no local como correspondente da Associação Paulista de Jornais em Brasília, e aproveito aqui partes do relato enviado à rede de 16 jornais.)

Comida de presídio

As crianças seguiam passando um frio que só aumentava. Os adolescentes, uma delas grávida, estavam amontoados nos corredores da delegacia. A assistente social só chegou às 22h30. Em seguida, um comissão da Vara da Infância. Nada disso impediu que as crianças ficassem até a 1h15; os adolescentes, até 1h45.

"Vocês querem que eu encomende lanches do McDonalds para eles?", perguntava o delegado-chefe José Adão Rezende. "Querem que eu os leve para o sofá da minha casa?"

A comida (arroz, batata, salsicha e farofa) só chegou à 1 hora. Veio diretamente do presídio da Papuda.

Na mesma hora chegaram algumas roupas, somente para as crianças. O frio em Brasília tinha aumentado ? e radicalmente, para pessoas que em grande parte tinham vindo do Nordeste. Mas não foi o SOS Criança, do governo distrital, que levou os agasalhos. Foram vizinhos. Voluntários.

Nada disso foi relatado. Aldo Rebelo passou um cheque em branco para o governador Joaquim Roriz, e ninguém estranhou. O presidente da Câmara enviou por volta da meia-noite uma relações públicas à Delegacia da Criança. Ela adotava o discurso ? o mesmo de delegados e policiais - de que a culpa era somente dos pais, pela negligência.

Os jornalistas não podem ser omissos em momentos emblemáticos da cena brasileira. Ou defendem o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Constituição, o Estado de Direito, dos dois lados da moeda (o que necessariamente deve incluir a cobrança do poder público), ou concordam com o senhor Willian França e sua teoria dos animais.

07 junho 2006

get beck to where you once belonged...


cantou pra subir billy preston, cuja folha corrida acumula os títulos de pianista sangue-bom e, junto com o george martin, o de "quinto beatle". preston foi o terceiro. espero que a jam session lá em cima demore pra começar...
...and in the end the love you take is equal to the love you make.

em potuguês e inglês.

21 maio 2006

notícias daquela estranha cidade ao sul do brasil

segundo minha prima que mora em são paulo, a situação na cidade está quase normalizada. o pcc até já liberou o banho de sol para os habitantes.

16 maio 2006

dicção, já!

tenho arrepios todas as vezes que ouço a glória pires dizer que a loja que ela anuncia vai sortear "sessentas televisões" (em vez de seiscentas). também me dóem os ouvidos quando um locutor de tv a cabo anuncia um determinado programa no canal discovery "hum" and health (home).

11 maio 2006

só pra criar polêmica

Recebi por imeio e gostei. diz que é um "horóscopo maldito", que a autoria é desconhecida e que saiu na folha online, mas não posso provar nada.

achei a descrição de todos os signos muito representativa, sem exceção. quanto ao meu, só contesto a parte de "chifrar", para o qual tenho uma incompetência natural. de resto, como diz uma grande amiga sobre meu grupo de amigos (do qual ela também faz parte) "o melhorzinho ali sarrou a mãe no tanque".

Áries (21 de março a 20 de abril)
Você é metido a honesto, sincero e se acha um líder natural. O problema é que você faz tudo ao contrário e não consegue influenciar ninguém. Você gosta de chegar a um determinado lugar e "botar pra quebrar". Isso faz de você um ignorante completo. Na verdade, você arruma confusão em todo lugar que passa, simplesmente porque você quer fazer as coisas do seu jeito, nem que seja na base da porrada. O que você quer mesmo é poder. Você quer chegar ao poder nem que tenha que f... todos em sua volta. A sorte dos outros signos do zodíaco é que você nunca consegue chegar ao poder. Falta inteligência.

Touro (21 de abril a 20 de maio)
Você é materialista e trabalha como um condenado. As pessoas pensam que você é um pão-duro, cabeça-dura, mão-de-vaca, estão certas. Além disso, você é um teimoso desgraçado que faz só burrada na vida e continua fazendo, fazendo, fazendo...Você deve estar se perguntando... Por que eu trabalho tanto e só me ferro? A resposta é simples: sua cabeça-dura não deixa você enxergar um palmo além do seu nariz. Por isso que você trabalha como um condenado e nunca consegue subir na vida. Só leva fumo! E graças a sua teimosia idiota, continua levando, levando, levando...

Gêmeos (21 de maio a 20 de junho)

Você é um falso, "duas caras", fofoqueiro, mentiroso e um grande cara-de-pau. Você não é confiável. É sinistro! No trabalho, faz amizade com todos como se fosse o melhor amigo e depois entrega todo mundo pro chefe. Você é tão safado que ninguém desconfia de você. Você adora ferrar os outros e depois ficar rindo da cara deles. É um galinha! Não tem nenhum conceito de moral e tem caráter duvidoso. Além disso, todos consideram você um canalha mal-resolvido. Geminianos costumam ter muito sucesso para chifrar, e também, no incesto, na prostituição e na cafetinagem.

Câncer (21 de junho a 21 de julho)
Você é um chorão desgraçado, e as pessoas que convivem com você são obrigadas a ficar agüentando você reclamar da sua vida. Você se acha solidário e compreensivo com os problemas dos outros, o que faz de você um baba-ovo e puxa-saco. O que você quer mesmo é ficar "bem na fita". Você só quer saber de se dar bem, custe o que custar, e acaba sempre ficando numa boa, apesar de não valer nada. É, na verdade, um canalha com cara de santo. Quando pressionado você faz chantagem emocional. Chora e faz da sua vida a pior de todas. Por isso, os outros signos do zodíaco nunca desconfiam de você. E o pior é que todos gostam de você.

Leão (22 de julho a 22 de agosto)
Você se acha o máximo, um líder natural. Isso é que você acha! Sabia que todos acham você um idiota? A sua prepotência é insuportável para os outros signos e até para você mesmo. Você não passa de um puxa-saco incompetente querendo se promover a todo custo. Quer ter "status", ser o "rei da cocada preta", mesmo sabendo que não tem condição alguma de ser. Você quer sempre a atenção de todos mas, como não tem inteligência, nem sempre consegue. Daí a sua agressividade. Gosta de botar todo mundo pra trabalhar pra você, enquanto você fica reclamando da vida sem fazer nada.

Virgem (23 de agosto a 22 de setembro)
Você é metido a perfeccionista, observador e detalhista. Gosta de analisar e gerenciar tudo. Essa sua maldita mania faz de você um burocrata insuportável. Você é um bitolado e não tem nenhuma imaginação ou criatividade. Gosta mesmo é de tomar conta da vida dos outros. Critica os outros, "mete o pau", mas não enxerga o próprio rabo. Quando as pessoas dos outros signos do zodíaco preenchem aquele maldito formulário de 15 vias carbonadas, de cinco cores diferentes, que devem ser batidos à máquina, elas não tem dúvida. Só pode ser um virginiano que fez.

Libra (23 de setembro a 22 de outubro)
Você se acha equilibrado, idealista e justo. Parece sentir a necessidade de proteger os outros e lutar contra as injustiças. Na verdade, você só pensa em si mesmo. Você é um engomadinho metido. Gosta de coisas sofisticadas e de alto nível, mas não passa de um ignorante desinformado. Nas conversas, quer falar sobre coisas intelectuais, como literatura e arte, e dificilmente entra em assuntos polêmicos. Quer ser politicamente correto. Na realidade você é um grande "fazedor de média". Isso esconde sua verdadeira cara. Dessa forma, os outros signos nunca saberão seu real interesse, que é f... os outros. Afinal, você é um teimoso, ignorante e ambicioso.

Escorpião (23 de outubro a 21 de novembro)
Você é o pior de todos. Você é desconfiado, vingativo, obsessivo, rancoroso, vagabundo, frio, cruel, antiético, sem caráter, traidor, orgulhoso, pessimista, racista, egoísta, materialista, falso, malicioso, mentiroso, invejoso, cínico, ignorante, fofoqueiro e traiçoeiro. Você é um canalha completo. Só ama sua mãe e a si mesmo. Aliás, alguns de vocês não amam nem a mãe. Você é imprestável e deveria ter vergonha de ter nascido. Escorpianos são tiranos por natureza. São ótimos nazistas ou fascistas. Adora pisar os outros e tem um orgasmo quando vê alguém no buraco. Pelo bem dos outros signos do zodíaco, os escorpianos deveriam ser todos exterminados.

Sagitário (22 de novembro a 21 de dezembro)
Você é um otimista e tem uma forte tendência em confiar na sorte. Isso é bom para você, já que é imprudente, irresponsável, limitado e não possui nenhum talento. Como não tem competência, sempre arruma uma forma de se desculpar de suas burradas na vida. E sempre põe a culpa nos outros. Mas na verdade você que é incompetente mesmo. Você é um teimoso, ambicioso e metidinho. Na verdade, você é um idiota fracassado. Além do mais, seu conceito de ética e moral é limitado. Você é um puxa-saco, galinha e gosta mesmo é de sacanagem. Quando consegue alguma coisa na vida é sempre de forma obscura.

Capricórnio (22 de dezembro e 20 de janeiro)
Você é metido a sério, conservador e politicamente correto. Na verdade você é um materialista, falso, ambicioso e safado. Você tem uma tendência de ser enrustido em tudo. Você é frio, não tem emoções e freqüentemente dorme enquanto está transando. Você gosta de manter as aparências e quando encontra um "amigo", abraça, deseja tudo de bom... Mas na primeira oportunidade puxa o tapete dele e depois vai dormir de consciência tranquila. Você nunca joga limpo e sua frieza faz de você um sanguinário completo. Mas que importa? Se a grana está entrando... ótimo!

Aquário (21 de janeiro a 19 de fevereiro)

Você provavelmente não é desse planeta. Tem uma mente inventiva e dirigida para o progresso. Você mente e comete os mesmos erros repetidamente porque é imbecil e teimoso. Você adora ser o "do contra". Pensa que tem opinião formada sobre tudo. Na verdade, você é egoísta e gosta mesmo é de aparecer. Mesmo que esteja entre um milhão de pessoas, você quer ser o diferente. Você nunca segue os padrões. Isso faz de você um metido nojento. Você se acha o moderninho. Acha que está à frente dos outros signos do zodíaco. Você não tem nenhuma moral. Se você for homem deve ser um galinha e, se for mulher, aposto que nem perguntou o nome do último cara com quem dormiu!

Peixes (20 de fevereiro a 20 de março)
Você pensa que todo mundo é cabeça de bagre e só você é o esperto. O que você não sabe é que, na verdade, você é o grande cabeça de bagre. Você se acha o sujeito mais inteligente do mundo e tem a maldita mania de achar que os outros precisam de sua ajuda. Você se acha superior e considera os outros idiotas. Adora reprimir tudo e todos. É impaciente, mal-educado e fica dando conselhos fúteis aos outros e sempre consegue afundar as pessoas que seguem seus conselhos idiotas. Você não passa de um desorganizado, não tem praticidade alguma e não sabe nem em que planeta vive. Quando alguém te questiona, você recorre ao misticismo, uma vez que sua inteligência é limitada.

autonomia, ainda que à tardinha

como li por esses dias (o autor não lembro), não entendo a razão da autonomia da petrobras se ela não vai fazer o preço do combustível baixar.

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e já que falamos nela, aqui tem um pequeno retrospecto para quem ainda considera o psdb ("pernósticos sugadores do brasil", conforme o texto)uma alternativa.
por fernando siqueira (e hélio fernandes), via fausto wolff). só uma palhinha:

"1993

Neste ano, o então ministro FHC promoveu um corte de 52% no orçamento de 1994 da PETROBRAS. Isto só não paralisou a empresa porque estourou no Congresso o escândalo do Orçamento, impedindo que se fechasse o orçamento geral da União antes de outubro de 94. Ainda assim a PETROBRAS teve retardados diversos projetos em andamento.

1994

Através do Departamento Nacional de Combustíveis, o ministro FHC promoveu uma manipulação da estrutura de preços que transferiu, permanentemente, da PETROBRAS para as multi nacionais da distribuição cerca de US$ 3 bilhões/ano. Nos 6 meses que antecederam a URV o governo deu dois aumentos por mês aos combustíveis para compensar a desvalorização diária da moeda nacional frente ao dólar.

Nesses aumentos, a parcela da PETROBRAS aumentava abaixo da inflação enquanto a das distribuidoras aumentava acima da inflação. De dezembro de 93 a abril de 94 os aumentos foram de: a) inflação 536%; b) parcela da PETROBRAS 491% e c) distribuidoras 703%. Com a Urverização os ganhos e perdas respectivas se tornaram permanentes, criando no Brasil a maior margem de distribuição do mundo.

Ainda em 1994, no governo Itamar, as estatais estratégicas, durante o processo de Revisão Constitucional, enviaram os seus técnicos a Brasília para dar informações sobre os dados significativos das empresas. Isto ajudou a impedir que a Revisão Constitucional se realizasse. No governo FHC os empregados foram proibidos de ir ao Congresso conversar com os parlamentares sob pena de demissão. O Decreto 1.403 de fevereiro de 95 criou o SIAL - Serviço de Informação e Apoio Legislativo, que foi o grupo de "Intelligentzia" criado com a missão de verificar a ida dos empregados para fins de demissão.

1997

Cria a ANP e nomeia o genro para comandar o processo de engessamento da Petrobras.

Corte de R$ 1 bilhão nos investimentos. Obriga a empresa a apelar para parcerias. Os parceiros, que nada investiram, passam a repartir os lucros.

FHC cria a ANP - Agência Nacional do Petróleo, presidida pelo seu genro ivatista David Zilbersztajn. A ANP tem se mostrado a inimiga nº 2 da Petrobras. Atrapalha a empresa, cria fórmulas e dispositivos que a desfavorecem como a portaria nº 3 que a impede de se defender da inflação e da correção cambial. Dá 3 anos para a PETROBRAS pôr em produção os seus campos em águas profundas, enquanto estabelece o prazo de 8 anos para as demais concorrentes. "E dá outras nocivas providências".

Obriga a empresa a apelar para parcerias. Áreas onde ela investiu pesado, correu todos os riscos e desenvolveu tecnologia, é obrigada agora a dividir os lucros com aquelas empresas que não quiseram correr os riscos. É como se a PETROBRAS comprasse um bilhete premiado e fosse obrigada a repartir o prêmio, recebendo só a metade do valor da compra do bilhete.
"

e tem muito mais. vai ver o tamanho do estrago...

10 maio 2006

por favor, não bata nos meus neurônios

sou favorável à criação de um subgênero classificatório no cinema: "comédias com o ben stiller".

06 maio 2006

o país do futuro? que futuro?

"Os sertanejos ricos daquele tempo eram todos de orgulho desmedido. Habitando um extenso país, de população muito escassa ainda, e composta na maior parte de moradores pobres ou de vagabundos de toda a casta, o estímulo da defesa e a importância de sua posição bastariam para gerar neles o instinto do mando, se já não o tivessem da natureza.

Para segurança da propriedade e também da vida, tinham necessidade de submeter à sua influência essa plebe altanada ou aventureira que os cercava, e de manter no seio dela o respeito e até mesmo o temor. Assim constituíam-se pelo direito da força uns senhores feudais, porventura mais absolutos que esses outros de Europa, suscitados na média idade por causas idênticas. Traziam séquitos numerosos de valentões; e entretinham a soldo bandos armados, que em certas ocasiões tomavam proporções de pequenos exércitos.

Estes barões sertanejos só nominalmente rendiam preito e homenagem ao rei de Portugal, seu senhor suserano, cuja autoridade não penetrava no interior senão por intermédio deles próprios. Quando a Carta Régia ou a provisão do governador levava-lhes títulos e patentes, eles a acatavam; mas se tratava-se de coisa que lhes fosse desagradável não passava de papel sujo. (...) Exerciam soberanamente o direito de vida e morte (...) sobre seus vassalos, os quais eram todos quantos podia abranger o seu braço forte na imensidade daquele sertão. Eram os únicos justiceiros em seus domínios, e procediam de plano, sumarissimamente, sem apelo nem agravo, em qualquer das três ordens, a baixa, a média e a alta justiça. Não careciam para isso de tribunais, nem de ministros ou juízes; sua vontade era ao mesmo tempo a lei e a sentença; bastava o executor.
"

josé de alencar, in "o sertanejo" (1875).

04 maio 2006

aos meus três leitores fiéis

rapaziada, tá dando, não. vou ali e volto já. por enquanto, leiam o povo da coluna à direita, para se distrair...
até daqui a pouco.

14 abril 2006

até a chica tem fotolog!

depois de muito miado reclamando da gatinha, resolvemos abrir o "chica fedida".

o mundo está perdido, mesmo...

13 abril 2006

porque eu amo a danuza leão

declaração na revista veja de 29 de março:

"Eu tenho pavor de criança pequena. Criança, só quando consegue dialogar. Antes disso, um bom colégio interno na Suíça".

é quase o que eu costumo dizer, de brincadeira (?): "só me apresentem meu filho junto com o primeiro boletim".

12 abril 2006

retrato do brasil

"um amigo me contou que era um ótimo lugar, onde uns cem nazistas viviam sem ser incomodados".

ronald biggs, em entrevista na bandeirantes para marília gabriela, explicando porque escolhera o brasil para refugiar-se, depois do assalto ao trem pagador, em 1963, na inglaterra.

a declaração, publicada na veja de 11/06/1986, foi retirada do livro "Cães de Guarda - jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988", da historiadora beatriz kushnir (pg. 146). segundo o livro, a entrevista foi proibida de ir ao ar pelo chefe do serviço de censura de são paulo, drausus seiman dorneles coelho, sob o argumento de que biggs "denegria a imagem do país".

então tá...

09 abril 2006

meu pé de laranja-lima

às vezes, quando alguém me fala de alguma tragédia, vivida ou ouvida, recordo-me da frase "por que contam coisa às criancinhas?", do livro meu pé de laranja-lima, de josé mauro de vasconcelos.

quem tem mais de trinta dificilmente não saberá a que me refiro. o romance autobiográfico, lançado em 68, fala sobre a infância pobre de um menino num subúrbio do rio. a única alegria de sua vida miserável é a companhia de um confidente imaginário, seu pé de laranja-lima.

a tristeza dilacerante do livro marcou-me desde quando o li, aos nove anos, para o colégio. de noite na cama, a cada página, dava arrancos de cachorro atropelado, que só não preocupavam em excesso minha mãe porque ela mesma já tinha sido "vítima" de zezé, do portuga e do pé de laranja-lima. foi por causa delels que descobri o que é a dor da incompreensão, da humilhação da pobreza, da perda. ali aprendi que amadurecer dói, e que, no processo, o mundo pode ser um oponente desleal. e o sofrimento, até então, estava apenas começando.

à medida que escrevo essas linhas, voltam algumas passagens do livro, despertando emoções há muito recalcadas. e mais uma vez me pergunto:

"por que contam coisas às criancinhas?"

08 abril 2006

alvíssaras!

depois de um ano de molho sem escrever, a tati voltou, e de cara nova (eu, incrivelmente, sobrevivi a esse tempo. o tijucano é antes de tudo um forte...).

espia .

07 abril 2006

com a palavra, neruda

- Quem é Deus?
- Todos, algumas vezes. Nada, sempre.


em entrevista registrada pelo saite do fausto wolff. vai , pô!

apesar de tudo, acho que sou um bom menino

não é piada: a morte do carequinha, aos 90 anos, me pegou de surpresa. e toda vez que morre um palhaço eu fico bastante triste, porque acho que é um professor a menos que terei (não sei se já contei, mas minha grande e talvez única ambição profissional é ser palhaço. de verdade. às vezes me imagino numa entrevista de emprego, respondendo "no circo, distribuindo goiabada, marmelada e roubando a mulher dos outros", à estúpida pergunta sobre onde eu me vejo em cinco anos).

mas tinha algo no carequinha que me incomodava profundamente: a célebre musiquinha do "bom menino não bate na irmãzinha". ora, quando eu era criança, eu e minha irmã volta e meia trocávamos amabilidades, e ela, mais do que eu, recebia seu quinhão de catiripapos.

diacho! hoje somos ligadíssimos, melhores amigos até, mas nunca pude me livrar totalmente da culpa secreta de não ser um bom menino "latu senso".

06 abril 2006

v de vingança em uma palavra:

"sedição".

apesar de alguns escorregões infantis, como a permanência do conceito de "país" no fim, o filme é muuuuuuuiito acima da média. talvez venha daí a raiva do alan moore (além da pirataria da obra pela dc comics). várias vezes fiquei emocionado, como quando li o livro. mas que sei eu, sou apenas um bobalhão idealista incorrigível.

com o perdão da palavra, o foda é que o entrenimento anestesia. a iniciativa de revolta não se concretiza porque as coisas se resolvem na sala de projeção, e você volta para casa apascentado. os caras não são bobos.

fica a dúvida: será que as pessoas eram menos formatadas quando arrebentavam as poltronas das salas de cinema ao assistir "ao balanço das horas"?

atualização:
a propósito, o filme não poderia mesmo acabar com outra música que não essa.
siga a bolinha.

05 abril 2006

p de pirataria

conseguirá marcelinho do bole-bole aguardar até o dia 7 de abril para assistir ao esperado v de vingança?

não!!!!!!!!!!!

uma versão gravada dentro de um cinema já está disponível na rede, e a mais de 50% no meu emule. é nessas horas que penso que realmente não há limites para o engenho humano.

a cópia não é lá essas coisas, mas é só para matar a curiosidade. depois verei no cinema de qualquer jeito.

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aliás, a matéria sobre o filme, ontem no megazine, do globo, falava de críticas negativas lá fora por "fazer apologia ao terrorismo" e "ser ambíguo". o alan moore, criador do monstrinho, disse que o roteiro é "uma porcaria", o que não é pouco. também não gostei de centralizarem o poder nas mãos de um "ditador", e de limarem o computador "destino". mas a curiosidade fala mais alto.

04 abril 2006

deu no globo de domingo

caderno boa chance, 02/04/2006

Executivos descobrem Jesus

Quatro livros lançados no país dizem que exemplo de liderança do filho de Deus deve ser seguido nas empresas. Vendas superam expectativas


saca só o lide:

Jesus virou moda entre os empresários. Depois de 2006 anos de seu nascimento, o homem que mais influenciou a Humanidade é agora visto como exemplo de sucesso na administração de recursos humanos e na obtenção de resultados pelas empresas. Em um mês, foram lançados quatro livros que fazem a adaptação do tema para o mundo dos negócios.

e tem mais:

Livros usam passagens bíblicas como exemplo


A autora Laurie Beth Jones afirma que os executivos de hoje têm de se apoiar no exemplo de Jesus, que "tinha uma equipe de 12 pessoas imperfeitas (os discípulos) e conseguiu coordená-las em prol de uma meta".

não vejo a hora das livrarias começarem a estampar títulos como "Jesus roubou meu queijo".

03 abril 2006

dias de fúria

cena 1:

eu e consorte a caminho de casa. um camarada quase o dobro do meu tamanho, branco, talvez um pouco mais velho, de óculos, me interpela com a velha conversa de "desculpe interromper, amigo, eu sou de campos e fui assaltado aqui"... sem deter minha marcha, dou a resposta automática de sentir muito e estar sem dinheiro. o cara me acompanha, "mas espera aí, pára um pouco, você não quer nem ouvir?" não, senhor, não posso, estou com pressa, replico, irritado e surpreso com a subida de tom do sujeito. "mas eu não quero seu dinheiro, não sou ladrão, será que você não pode parar nem um segundo?" já de pirraça, insisto que não, e que com essa atitude insistente, o máximo que ele está conseguindo é conquistar minha antipatia. nesse ponto, ele estaca no mesmo lugar, e quando se sente a uma distância segura, grita algum tipo de insulto que a pressão ribombando nos ouvidos já me impede de ouvir. bastou. volto-me em sua direção, explicando-lhe em bom português que, na minha opinião, ele deve estar querendo é levar uns sopapos. mas quando tomo a iniciativa de realizar o que julgo ser seu desejo, a tati puxa meu braço para irmos embora. sigo, tentando controlar a besta-fera.

cena 2:

sonho que estou num passeio pela praia. um professor de geografia ensina a um grupo de normalistas sobre sacrifícios maias ao deus-sol e seus rituais funerários. converso com uns amigos que encontro e tomo o rumo de casa. na portaria, um quilômetro de velhinhos aguardam do lado de fora o horário de abertura de uma agência bancária situada na sobreloja. passo por eles, e colada à porta lateral, uma prima aguarda bater a hora para poder sair do edifício. vou à porta principal e entro, sem maiores explicações. no mesmo minuto, o relógio bate dez, e as portas são abertas. inicio a subida dos degraus de mármore até meu apartamento, no décimo primeiro andar, disposto não ocupar no elevador o lugar de ninguém. mas o coro de queixas e resmungos pela minha "furada de fila" chama a atenção do zelador, que, do saguão, me chama pelo nome. ele diz que se não descer, vai ter que me obrigar. nesse ponto o sangue ferve. atiro no chão a pasta que carrego e grito: "vem, experimenta vir aqui para me fazer descer. mas vem mesmo, para você ver uma coisa!"

a aceleração das batidas no peito me desperta. banhado pelas certezas da luz matinal que inunda o quarto, concluo que preciso urgentemente voltar a fazer alguma arte marcial para controlar meu temperamento.

trozitos del pasado

tava de bobeira, quando lembrei de um marcelo que vivia no começo do século. era o mesmo de hoje, mas completamente diferente.

para a pancada (só de implicância, porque ela não sabe o que perde por não gostar de espanhol):


(...) Cuentan de Alejandro que una vez se metió en un río tumultuoso de la India, todo con barro,
persiguiendo al ejército que peleaba con él,
y que cuando iban en mitad
los caballos perdieron pie,
aquellas aguas estaban heladas
y se volvió a sus compañeros y les dijo:

"Me cago en la leche!
Os dais cuenta las cosas que tengo que hacer para que me tengais respeto?"

Eso pasa poco ahora
Eso pasa poco ahora.
Respeto...


antonio escohotado, na canção "nunca es igual", de andres calamaro. depois eu bostejo ela aqui.

28 março 2006

gênios da publicidade

não consigo ver o comercial do ponto frio sem achar que os caras estão cantando "se comprar no ponto frio, sesseeenta!"

23 março 2006

você vê o que você é

deu no plantão do globo-on, às 15h37m:

Quando viaja, Cheney só assiste ao canal Fox News

Se você é o vice-presidente dos Estados Unidos, o que o hotel em que você vai se hospedar deve lhe fornecer?

O site thesmokinggun.com sabe.

O site, especializado em divulgação de documentação pública acerca de fatos policiais e contratos de gente famosa, obteve uma lista-padrão de exigências da vice-presidência americana para quando Dick Cheney viaja.

Ele gosta que o quarto esteja sempre com a temperatura regulada para 20 graus (68 fahrenheit).

Todas as luzes têm de estar acesas.

As televisões - todas - têm de estar sintonizadas no canal por assinatura Fox News (espécie de porta-voz oficioso dos republicanos).

Forno de microondas.

Refrigerante diet sem cafeína.

Água mineral Perrier, se a esposa estiver em sua companhia.

O cardápio do restaurante do hotel também, preferencialmente copiado e enviado por fax com antecedência para a vice-presidência.

Qual seria a lista do nosso José Alencar?

Eis a lista
[do cheney], no site.

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muito apropriado o cheney assistir o canal retratado pelo outfoxed. mas não seria melhor asistir aos canais ditos "liberais", para saber o que pensa o inimigo, e assim planejar uma estratégia capaz de neutralizá-los?

fui diagnosticado como "pimba"

o termo acima -- arrisco dizer, nascida no meio médico -- significa "pobre". o pimba típico (também conhecido por "pimbocítico") designa prioritariamente aquelas pessoas que chegam no pronto-socorro munidas de uma sacola de plástico abarrotada de exames ensebados, e a indefectível toalhinha, que serve tanto para secar o suor quanto para limpar o filete de baba que escorre pelo canto da boca, em decorrência de um derrame, por exemplo.

é cruel, admito, mas pimbice não é apenas falta condições econômicas. não, gafanhoto: a pimbocitose (sejamos científicos) é mais como um estado de espírito. aliás, no qual me enquadro, pelos motivos a seguir:

- há meses, eu mesmo corto meu próprio cabelo, com uma máquina comprada à casa e vídeo;

- lavo o filtro de café de papel, para reutilizá-lo;

- paro para ler as manchetes nas bancas de jornal;

- baixo filmes para não pagar o cinema;

- e, por último, mas não menos chocante, como perdi a carteira no carnaval, outro dia, para escândalo da minha consorte (o grifo foi sugerido por ela), utilizei uma caixa de fósforos para acondicionar minhas notas de dinheiro e algumas moedas, evitando que ficassem soltas nos bolsos.

minha neurologista indicou como terapia um "extreme-tiro-na-nuca". em minha defesa, alego que sou um camarada "riléx".

22 março 2006

ainda sobre pirataria

só para contextualizar, ontem o segundo caderno do globo apresentou a seguinte matéria em sua página 2, assinada pelo antônio carlos miguel:

Novos discos de Marisa Monte não podem ser copiados para iPod

Fãs de Marisa Monte também adeptos do admirável mundo novo dos iPods reclamam da EMI, que distribui mundialmente os dois novos CDs da cantora, "Universo ao meu redor" e "Infinito particular". Essa tribo tem encontrado barreiras para passear pelo universo musical de Marisa: o novo sistema anticópias usado pela EMI -- que se diz valer desse artifício para frear a pirataria -- não é compatível com a tecnologia dos iPods (ou com o programa iTunes, usado nos tocadores de música digital da Apple).

(...) Informação confirmada por Marcos Maynard, presidente da EMI.

-- Esse bloqueio para iPod é anunciado na contracapa dos CDs, e essa é uma lei mundial da EMI, não fui eu quem inventou e se aplica a todos os nossos artistas -- diz Maynard, explicando que até dezembro do ano passado o sistema CDS 200, criado em 2002, não permitia cópia alguma, mas, desde janeiro deste ano, o novo programa, CDS 300, possibilita até três cópias por CD, menos para iPods. (...)

Mas a ferramenta da EMI pode se virar contra a empresa, e induzir muitos dos consumidores a usarem o (condenado pelas gravadoras) download grátis na internet. Os dois novos discos de Marisa já rodam pelo universo sem fronteiras da rede, em sites de troca de música digital como eMule, soulseek. O que não diminui a fúria de seus fãs. "Marisa está dando uma de Metallica" (referência ao grupo de heavy metal americano, que fez campanha contra o programa Napster, um dos primeiros sites de troca de música pela internet), escreve um leitor. "Esse sistema anticópia é uma vergonha e penaliza o comprador legal do CD", argumenta outro. (A.C.M.)


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depois disso, fui procurar no emule, e não é que os dois estavam mesmo lá? devidamente baixados, os arquivos descompactados, além das músicas, continham a seguinte mensagem:

LEIA!!!

Após baixar as músicas, compartilhe-as!!!
Vamos mostrar para a Indústria Fonográfica que
criar mecanismos de proteção contra pirataria é ilegal,
imoral e inútil.

Ilegal porque fere o Código de Defesa do Consumidor;
Imoral porque a Indústria Fonográfica parte do princípio que todos os consumidores são criminosos;
Inútil porque é muito fácil quebrar a proteção. Eu o fiz em 5 minutos.

Compartilhe as músicas. Deixe que outros tenham o mesmo direito que você teve.
Compartilhe-as separadamente e zipadas também.


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sim, senhor. independente da qualidade, vou mantê-los por questões políticas. afinal, guerra é guerra.

21 março 2006

sobre o discurso da "pirataria"

acho graça nas tentativas de criminalizar grupos comerciais russos, chineses ou que tais, como "máfias". na verdade, o que acontece é a união de determinados "franco-atiradores" para entrar no jogo capitalista praticando as regras reservadas apenas às corporações multinacionais.

se as coisas não mudaram, o pressuposto ainda é alcançar o máximo de lucro com o mínimo de gastos. ou estou errado?

e querem que eu pague mais por isso? é ruim, hein?

viva a pirataria!

testando, 1, 2, 3...

vou tentar uma parada, só de farra: postar músicas pelo rapidshare. para ouvir, clique no linque, vá até o pé da página, clique no "free", e espera a página seguinte liberar o linque para a música. digite o código indicado, e depois é correr pro abraço.

as agraciadas serão beware of darkness (sobre a qual já dei um plá aqui) e something, com o paul mccartney de ukelele e o eric clapton de guitarra, mesmo.

como diz o caipira, "se divirrrtam". e se gostarem, dêem um fidibéque.

ps: ando tão obcecado com esse dvd que acho que vou comprá-lo. é incrível como minha voz fica embargada toda vez que tento cantar junto. talvez seja o melhor show que já vi, e olha que tenho muito pouco saco para assistir show pela tv.

20 março 2006

a globo, quando não faz na entrada...

acabei de assistir à edição feita para o fantástico do documentário do mv bill "falcão, meninos do tráfico". a globo até que tentou fazer tudo certinho, levou o autor lá para conextualizar as imagens e explicar seus possíveis objetivos, aparentemente não "suavizou" nada, nem botou "pí" nos palavrões.

depois da exibição, entra a glória maria de cara séria, anunciando para depois dos comerciais um "debate com a opinião de quem ficou chocado com as imagens". volta o programa e ficamos sabendo que são pessoas "acostumadas a ter um olhar aguçado sobre as pessoas e a realidade". esfrego as mãos, curioso em saber que iria aparecer: algum sociólogo? uma autoridade política? um comandante de força policial? alguém vai argumentar com o bill?

além de não ter necas de debate, botaram no ar depoimentos de manoel carlos, glória perez, cacá diegues, camila pitanga e luís fernando verissimo. meu queixo caiu: os dois primeiros escrevem novelas cujos personagens parecem polianas com paralisia cerebral; cacá diegues devia ter sofrido impedimento legal por sua adaptação "turma da xuxa" do orfeu de vinícius de moraes; camila pitanga é linda, gostosa... é linda, gostosa... é linda, gostosa... e o que mais? até o verissimo caiu na armadilha dos comentários óbvios.

aí me pergunto: são esses nossos formadores de opinião? são essas as pessoas que moldam e representam o pensamento da sociedade atual? os seres elevados a quem delegamos o poder de nos explicar o mundo? de pensar por nós? tudo bem que pegar o luís eduardo soares, a alba zaluar, o roberto da matta ou gilberto velho, poderia ser forçação de barra para o público do fantástico, mas porra!, não deram nem uma colher-de-chá para a viviane mosé, a filósofa-danoninho?!

ficou claro até que ponto as fronteiras entre espetáculo e realidade foram entortadas e transformadas na pasta fedorenta que nos empurram goela abaixo, com que pretendem pavimentar a cabeça das novas gerações.

no filme, uma menina deseja que o seu filho, então com quase três anos, "conheça o mundo" além do tráfico. o que sabe ela do mundo, escrava cujas correntes se manifestam pela ausência de tudo? por outro lado, e nós, que temos dinheiro para viajar e desfrutar os prazeres do mundo, o que sabemos dele além do consumo? o que sabemos de nós mesmos, além dessa corrida de ratos de tentar se dar bem a qualquer custo?

pelo menos o mv bill rompeu a letargia e está tentando entender alguma coisa. tomara que algo seja movido.

16 março 2006

com que livro eu vou?

outro dia, baixei fahrenheit 451, do truffaut (costumava dizer que os filmes dele eram tão legais que nem pareciam franceses. maldade pura...). inspirado num conto do ray bradbury, o filme se passa num futuro próximo, quando as autoridades proíbem os livros, com o argumento de que a leitura leva a anti-sociabilidade, e faz com que leitores julguem-se melhores que não-leitores. existe até uma brigada de bombeiros, apenas para queimá-los (o título é uma referência à temperatura de combustão do papel, que dá uns 232 celsius).

os renegados fogem para viver nas florestas, e formam uma confraria de "homens-livro", onde cada um decora um exemplar palavra por palavra, como forma de preservar as narrativas e, ao mesmo tempo, libertarem-se do papel. antes de morrerem, eles passavam as histórias para herdeiros mais novos. com o tempo, eles acabam se transformando nos livros, a ponto de se apresentarem como "as crônicas marcianas, de ray bradbury" (onde está o conto original); "a ilíada, de homero"; ou "os miseráveis, de victor hugo".

isso me impressionou tanto que passei dias pensando que livro seria, se tivesse que escolher um exemplar para saber de cor, ou mesmo me "representar". não cheguei a uma conclusão, mas talvez ficasse entre "as mil e uma noites" e o "i-ching".

e vocês? que livro seriam?

cada um com seu cada qual

a brincadeira já passou por um monte de gente, mas dou crédito à solange, que foi de onde li. resumindo, é o seguinte:

"Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do 'recrutamento'. Ademais, cada participante deve reproduzir este 'regulamento' no seu blogue."

vamos lá:
1. café. sempre. talvez esteja mais pra vício que pra mania. começo com pelo menos uma garrafa térmica inteira ao despertar. fora as outras ao longo do dia. até agora, nenhum sinal de gastrite.

2. ler jornal de trás para frente. primeiro caderno, de cultura, internacional. sempre nessa ordem, a menos que alguma matéria específica salte aos olhos nas manchetes.

3. banho. quanto mais tempo fico em casa, maior o número. mania até justificável, em se tratando do calor do rio de janeiro.

4. coçar o ouvido. com apetrechos. bom demais, embora socialmente condenável. por isso mesmo faço às escondidas.

5. ler antes de dormir. qualquer coisa, nem que seja uma página. só abro mão quando já estou dormindo diante da tv e a tati me chama para ir para cama (achei que depois de adulto, poderia dormir onde quisesse, mas qual...).

não há vírus "copa do mundo 2006"

pelo menos, até hoje. aviso antes que comecem a abarrotar minha caixa postal.

e por falar nisso, não sei quanto a vocês, mas, para mim, o vírus da gripe aviária é da mesma cepa do bug do milênio.

em tiros em columbine, michael moore aborda, por alto, o mecanismo dessas histerias midiáticas periódicas (lembram-se da invasão das "abelhas africanizadas"?)

emule é a melhor diversão

o sal do preço do ingresso e o amargo do meu orçamento (?), aliados à facilidade de acesso proporcionada pela internet e uma banda razoavelmente larga, são os responsáveis por uma mudança radical de meus hábitos cinematográficos.

além dos filmes raros e curiosidades fora do catálogo, assisto primeiro a todos os lançamentos do cinema aqui em casa, para depois prestigiá-los na telona, se sua qualidade assim os autorizar. um exemplo já meio antigo disso foi sin city. dos oscarizados, tirando crash, que vi antes da consolidação definitiva do hábito (ano passado?), nenhum mereceu minha presença. nem mesmo good night, good luck ou syriana -- filmes de gente grande.

a propósito, fazem um carnaval com a pirataria nacional, mas só pode ser pelo volume de vendas, porque parece que quem domina o mercado são os europeus. a quantidade de versões em italiano, espanhol, francês e até alemão (nessa ordem) de qualquer novíssimo título americano supera em muito o número de cópias em inglês. motivo pelo qual até hoje não consegui assistir match point. o português fica atrás até do hebraico, na rede. provavelmente empatado com o guarani.

13 março 2006

efeito kovak

meio por conta da tati, comecei a espiar o seriado desperate housewives. e uma conclusão me atingiu como um raio: as mulheres retratadas no seriado são exatamente a versão futura das moças "ixpertas" e "dixcoladas" do sex and the city. os estereótipos são os mesmos. confiram comigo (a tati me ajudou com os nomes):

- miranda, a advogada bem sucedida com problemas de cria, virou a lynnette;
- charlotte, a pudica casadoira com problemas de marido, virou a bree;
- samantha, a assessora com problemas de furor uterino, virou a gabrielle;
- e last, but not least, carrie, a jornalista oligofrênica com problemas de ficar com qualquer cara, virou a susan.

a propósito, caso paire alguma dúvida, acho sex and the city uma afronta à qualquer mulher com um qi maior ou igual ao de uma ostra saudável. não entendo como elas acham graça em serem retratadas como débeis mentais. mas enfim, como diz o ditado, gosto etc.

10 março 2006

por que as coisas nunca vão dar certo

veja syriana e você entenderá o que eu quero dizer. não alimente falsas esperanças, enquanto houver dinheiro no meio, não existirão boas intenções, ambientalismo, ongs, presidente com fumos socialistas, democracia, resistência ou ética de qualquer tipo. aliás, retiro do filme a melhor definição da ética macrocapitalista:

Corruption ain't nothing more than government intrusion into market efficiencies in the form of regulation. That's Milton Friedman. He got a goddamn Nobel Prize. We have laws against it precisely so we can get away with it. Corruption is our protection. Corruption is what keeps us safe and warm. Corruption is why you and I are prancing around here instead of fighting each other for scraps of meat out in the streets. Corruption is why we win.

o oscar do george clooney, apesar de merecido, foi prêmio de consolação. pelo bem do status quo, um filme como esse tem que cair no esquecimento.