21 dezembro 2007

balanço do ano

chegamos há dez dias do fim de 2007. ouvi de uma amiga que, graças a soma dos algarismos dar 9, esse foi (é) um ano de decisões. morte, nascimento, gravidez, separação e casamento. aconteceu o que tinha que acontecer com quem devia e com quem não devia.

disseram que ano que vem vai ser o do infinito em pé, por causa do formato do número oito. prefiro acreditar em renovação, já que o somatório dá um. espero que seja um novo começo.

comigo, foi um ano mais de altos que de baixos. depois de seis mudanças de casa em nove anos, finalmente consegui um canto para chamar de meu.

uma situação estável à custa de um choque de realidade e uma dose de conformismo, mas com a certeza de que o único caminho para a redenção é através da arte.

o coração refestelou-se, deu uns pulinhos de susto, murchou aqui e acolá, e acabou o ano com ótimos prognósticos, crescendo a olhos vistos.

o fim do ano vai me levar de volta à fortaleza, depois de nove anos e meio. reencontrar um velho amigo, me aproximar de atuais e conhecer novos - amigos e horizontes.

é bem capaz de que essa seja a última vez que bosteje esse ano. pelo menos, aqui no rio. se assim for, que tudo dê certo ano que vem. ou coisa que o valha. tá tarde e tô com sono. meu quarto tá uma zona e amanhã cedo tem visita.

16 dezembro 2007

para não perder a piada...

...com a palavra, noel rosa.

Habeas Corpus
(Noel Rosa/Orestes Barbosa)

No tribunal da minha consciência
O teu crime não tem apelação
Debalde tu alegas inocência
Mas não terás minha absolvição

Os autos do processo da agonia
Que me causaste em troca
ao bem que fiz
Correram lá naquela pretoria
Na qual o coração foi o juiz

Tu tens as agravantes
da surpresa
E também as da premeditação
Mas na minh'alma tu não ficas presa
Por que o teu caso, é caso de expulsão

Tu vais ser deportada do meu peito
Por que teu crime encheu-me de pavor
Talvez o habeas corpus da saudade
Consinta o teu regresso ao meu amor

15 dezembro 2007

música para ninar moça

não testei, mas algo me diz que não falha.



se tudo o mais der errado, eu furo os olhos e vou tocar piano.
(siga a bolinha.)

13 dezembro 2007

i like ike

ike turner morreu.

dou risada quando vejo esses cantores de rap tirando onda de malandros e caftens (e nem me refiro apenas ao visual ridículo). penso com meus botões que esses caras nunca devem ter ouvido falar no velho ike. nem musicalmente, nem por sua reputação. porque esse, sim, era um bad motherfucker.

instrumentista de mão cheia, ele tocou piano no primeiro disco de roquenrrou da história, ainda em 1951. mas além do talento, o que o fez entrar para a história foi o fato de ter "descoberto" a tina turner, de quem foi parceiro de cama e palco durante anos, além de sentar o catiripapo nela sem dó.

depois da separação, ela começou a fazer uma musiquinha pop muito da sem-vergonha. eu sei. fui no show dela no maracanã. dormi no meio.

as mulheres vão querer me trucidar por isso, mas não há como não relacionar a queda na qualidade ao fim dos tabefes.

memória literária

aos 12 anos contraí caxumba, e como sói acontecer, fiquei impedido de brincar por um tempão, por medo de que os gânglios "descessem" e me deixassem estéril (até hoje não sei se esse papo é verdade).

para me distrair durante a convalescença, entupiram-me de livros. foi quando tomei contato com as aventuras de pedro malasartes, asterix, o pequeno nicolau, e fiquei íntimo do pessoal do sítio do picapau amarelo. tornei-me um leitor compulsivo.

desde 2000 passei a anotar todos os livros que leio, inspirado pela autobiografia do akira kurosawa, que no começo da carreira (ou quando ainda só era cinéfilo, não lembro ao certo) listou durante alguns anos todos os filmes a que assistiu.

no começo, minha tarefa tinha o propósito exclusivo de contabilizá-los. no entanto, logo descobri que, a partir da anotação dos livros, conseguia me lembrar com perfeição do que havia acontecido comigo durante o período de leitura.

para quem tem sérios problemas de organização cronológica de eventos, esse foi um achado e tanto.

agora posso dizer com precisão o que se passou em determinada época apenas consultando o livro da época. e vice-versa.
a desse ano, até agora é:

- o sol é para todos - harper lee (janeiro)
- a epopéia de gilgamesh - desconhecido (jan.)
- terror e êxtase - carlinhos oliveira (jan.)
- o pastelão, ou solitário nunca mais - kurt vonnegut (fev.)
- o espião americano - kurt vonnegut (fev.)
- barba azul - kurt vonnegut (fev.)
- zen e a arte de manutenção de motocicletas - robert pirsig (fev.)
- anaconda - alberto vázquez-figueroa (abr.)
- in cold blood - truman capote (mai.)
- guerra dentro da gente - paulo leminski (mai.)
- mundos perdidos de 2001 - arthur c. clarke (jun.)
- febeapá 1, 2, 3 - stanislaw ponte preta (jun.)
- roberto carlos em detalhes - paulo césar araújo (jun.)
- livro dos homens - ronaldo correia de brito (jun.)
- a man without a country - kurt vonnegut (jun.)
- jesus kid - lourenço muttarelli (jul.) releitura
- revolução no futuro - kurt vonnegut (ago.)
- the old times - harold pinter (ago.)
- bom dia, preguiça - corinne maier (ago.)
- la vie en close - paulo leminski (ago.)
- travessuras da menina má - mario vargas llosa (set.)
- o supermacho - alfred jarry (set.)
- à mão esquerda - fausto wolff (out.)
- deus o abençoe, dr. kevorkian - kurt vonnegut (out.)
- junky - william burroughs (nov.)
- vale tudo - nelson motta (dez.)
- o mundo louco - kurt vonnegut (dez.)

04 dezembro 2007

mais uma novidade...

enquanto não sai o tratado sobre a dança do acasalamento (calma, nego véio!), descobri mais uma maneira divertida de perder tempo.

fiz uma gambiarra que transforma todos os textos em inglês, com um porém: os resultados são os mais estapafúrdios e nonsense que se possa imaginar. até que saem coisas engraçadas, quando é possível entendê-las. talvez a culpa seja do meu estilo excessivamente informal. é só ver o link "tarzan's version" aí do lado.

fiz isso pensando na única pessoa a se expressar no vernáculo shakespeariano que sei ter interesse em ler minhas bobagens, mas acho que o resultado final vai confundir mais do que explicar.