14 abril 2006

até a chica tem fotolog!

depois de muito miado reclamando da gatinha, resolvemos abrir o "chica fedida".

o mundo está perdido, mesmo...

13 abril 2006

porque eu amo a danuza leão

declaração na revista veja de 29 de março:

"Eu tenho pavor de criança pequena. Criança, só quando consegue dialogar. Antes disso, um bom colégio interno na Suíça".

é quase o que eu costumo dizer, de brincadeira (?): "só me apresentem meu filho junto com o primeiro boletim".

12 abril 2006

retrato do brasil

"um amigo me contou que era um ótimo lugar, onde uns cem nazistas viviam sem ser incomodados".

ronald biggs, em entrevista na bandeirantes para marília gabriela, explicando porque escolhera o brasil para refugiar-se, depois do assalto ao trem pagador, em 1963, na inglaterra.

a declaração, publicada na veja de 11/06/1986, foi retirada do livro "Cães de Guarda - jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988", da historiadora beatriz kushnir (pg. 146). segundo o livro, a entrevista foi proibida de ir ao ar pelo chefe do serviço de censura de são paulo, drausus seiman dorneles coelho, sob o argumento de que biggs "denegria a imagem do país".

então tá...

09 abril 2006

meu pé de laranja-lima

às vezes, quando alguém me fala de alguma tragédia, vivida ou ouvida, recordo-me da frase "por que contam coisa às criancinhas?", do livro meu pé de laranja-lima, de josé mauro de vasconcelos.

quem tem mais de trinta dificilmente não saberá a que me refiro. o romance autobiográfico, lançado em 68, fala sobre a infância pobre de um menino num subúrbio do rio. a única alegria de sua vida miserável é a companhia de um confidente imaginário, seu pé de laranja-lima.

a tristeza dilacerante do livro marcou-me desde quando o li, aos nove anos, para o colégio. de noite na cama, a cada página, dava arrancos de cachorro atropelado, que só não preocupavam em excesso minha mãe porque ela mesma já tinha sido "vítima" de zezé, do portuga e do pé de laranja-lima. foi por causa delels que descobri o que é a dor da incompreensão, da humilhação da pobreza, da perda. ali aprendi que amadurecer dói, e que, no processo, o mundo pode ser um oponente desleal. e o sofrimento, até então, estava apenas começando.

à medida que escrevo essas linhas, voltam algumas passagens do livro, despertando emoções há muito recalcadas. e mais uma vez me pergunto:

"por que contam coisas às criancinhas?"

08 abril 2006

alvíssaras!

depois de um ano de molho sem escrever, a tati voltou, e de cara nova (eu, incrivelmente, sobrevivi a esse tempo. o tijucano é antes de tudo um forte...).

espia .

07 abril 2006

com a palavra, neruda

- Quem é Deus?
- Todos, algumas vezes. Nada, sempre.


em entrevista registrada pelo saite do fausto wolff. vai , pô!

apesar de tudo, acho que sou um bom menino

não é piada: a morte do carequinha, aos 90 anos, me pegou de surpresa. e toda vez que morre um palhaço eu fico bastante triste, porque acho que é um professor a menos que terei (não sei se já contei, mas minha grande e talvez única ambição profissional é ser palhaço. de verdade. às vezes me imagino numa entrevista de emprego, respondendo "no circo, distribuindo goiabada, marmelada e roubando a mulher dos outros", à estúpida pergunta sobre onde eu me vejo em cinco anos).

mas tinha algo no carequinha que me incomodava profundamente: a célebre musiquinha do "bom menino não bate na irmãzinha". ora, quando eu era criança, eu e minha irmã volta e meia trocávamos amabilidades, e ela, mais do que eu, recebia seu quinhão de catiripapos.

diacho! hoje somos ligadíssimos, melhores amigos até, mas nunca pude me livrar totalmente da culpa secreta de não ser um bom menino "latu senso".

06 abril 2006

v de vingança em uma palavra:

"sedição".

apesar de alguns escorregões infantis, como a permanência do conceito de "país" no fim, o filme é muuuuuuuiito acima da média. talvez venha daí a raiva do alan moore (além da pirataria da obra pela dc comics). várias vezes fiquei emocionado, como quando li o livro. mas que sei eu, sou apenas um bobalhão idealista incorrigível.

com o perdão da palavra, o foda é que o entrenimento anestesia. a iniciativa de revolta não se concretiza porque as coisas se resolvem na sala de projeção, e você volta para casa apascentado. os caras não são bobos.

fica a dúvida: será que as pessoas eram menos formatadas quando arrebentavam as poltronas das salas de cinema ao assistir "ao balanço das horas"?

atualização:
a propósito, o filme não poderia mesmo acabar com outra música que não essa.
siga a bolinha.

05 abril 2006

p de pirataria

conseguirá marcelinho do bole-bole aguardar até o dia 7 de abril para assistir ao esperado v de vingança?

não!!!!!!!!!!!

uma versão gravada dentro de um cinema já está disponível na rede, e a mais de 50% no meu emule. é nessas horas que penso que realmente não há limites para o engenho humano.

a cópia não é lá essas coisas, mas é só para matar a curiosidade. depois verei no cinema de qualquer jeito.

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aliás, a matéria sobre o filme, ontem no megazine, do globo, falava de críticas negativas lá fora por "fazer apologia ao terrorismo" e "ser ambíguo". o alan moore, criador do monstrinho, disse que o roteiro é "uma porcaria", o que não é pouco. também não gostei de centralizarem o poder nas mãos de um "ditador", e de limarem o computador "destino". mas a curiosidade fala mais alto.

04 abril 2006

deu no globo de domingo

caderno boa chance, 02/04/2006

Executivos descobrem Jesus

Quatro livros lançados no país dizem que exemplo de liderança do filho de Deus deve ser seguido nas empresas. Vendas superam expectativas


saca só o lide:

Jesus virou moda entre os empresários. Depois de 2006 anos de seu nascimento, o homem que mais influenciou a Humanidade é agora visto como exemplo de sucesso na administração de recursos humanos e na obtenção de resultados pelas empresas. Em um mês, foram lançados quatro livros que fazem a adaptação do tema para o mundo dos negócios.

e tem mais:

Livros usam passagens bíblicas como exemplo


A autora Laurie Beth Jones afirma que os executivos de hoje têm de se apoiar no exemplo de Jesus, que "tinha uma equipe de 12 pessoas imperfeitas (os discípulos) e conseguiu coordená-las em prol de uma meta".

não vejo a hora das livrarias começarem a estampar títulos como "Jesus roubou meu queijo".

03 abril 2006

dias de fúria

cena 1:

eu e consorte a caminho de casa. um camarada quase o dobro do meu tamanho, branco, talvez um pouco mais velho, de óculos, me interpela com a velha conversa de "desculpe interromper, amigo, eu sou de campos e fui assaltado aqui"... sem deter minha marcha, dou a resposta automática de sentir muito e estar sem dinheiro. o cara me acompanha, "mas espera aí, pára um pouco, você não quer nem ouvir?" não, senhor, não posso, estou com pressa, replico, irritado e surpreso com a subida de tom do sujeito. "mas eu não quero seu dinheiro, não sou ladrão, será que você não pode parar nem um segundo?" já de pirraça, insisto que não, e que com essa atitude insistente, o máximo que ele está conseguindo é conquistar minha antipatia. nesse ponto, ele estaca no mesmo lugar, e quando se sente a uma distância segura, grita algum tipo de insulto que a pressão ribombando nos ouvidos já me impede de ouvir. bastou. volto-me em sua direção, explicando-lhe em bom português que, na minha opinião, ele deve estar querendo é levar uns sopapos. mas quando tomo a iniciativa de realizar o que julgo ser seu desejo, a tati puxa meu braço para irmos embora. sigo, tentando controlar a besta-fera.

cena 2:

sonho que estou num passeio pela praia. um professor de geografia ensina a um grupo de normalistas sobre sacrifícios maias ao deus-sol e seus rituais funerários. converso com uns amigos que encontro e tomo o rumo de casa. na portaria, um quilômetro de velhinhos aguardam do lado de fora o horário de abertura de uma agência bancária situada na sobreloja. passo por eles, e colada à porta lateral, uma prima aguarda bater a hora para poder sair do edifício. vou à porta principal e entro, sem maiores explicações. no mesmo minuto, o relógio bate dez, e as portas são abertas. inicio a subida dos degraus de mármore até meu apartamento, no décimo primeiro andar, disposto não ocupar no elevador o lugar de ninguém. mas o coro de queixas e resmungos pela minha "furada de fila" chama a atenção do zelador, que, do saguão, me chama pelo nome. ele diz que se não descer, vai ter que me obrigar. nesse ponto o sangue ferve. atiro no chão a pasta que carrego e grito: "vem, experimenta vir aqui para me fazer descer. mas vem mesmo, para você ver uma coisa!"

a aceleração das batidas no peito me desperta. banhado pelas certezas da luz matinal que inunda o quarto, concluo que preciso urgentemente voltar a fazer alguma arte marcial para controlar meu temperamento.

trozitos del pasado

tava de bobeira, quando lembrei de um marcelo que vivia no começo do século. era o mesmo de hoje, mas completamente diferente.

para a pancada (só de implicância, porque ela não sabe o que perde por não gostar de espanhol):


(...) Cuentan de Alejandro que una vez se metió en un río tumultuoso de la India, todo con barro,
persiguiendo al ejército que peleaba con él,
y que cuando iban en mitad
los caballos perdieron pie,
aquellas aguas estaban heladas
y se volvió a sus compañeros y les dijo:

"Me cago en la leche!
Os dais cuenta las cosas que tengo que hacer para que me tengais respeto?"

Eso pasa poco ahora
Eso pasa poco ahora.
Respeto...


antonio escohotado, na canção "nunca es igual", de andres calamaro. depois eu bostejo ela aqui.