o prédio onde moro é constituído por apartamentos de dois tipos. os como o meu são chamados de quarto-e-sala. os outros, que tem um único cômodo, não sei como chamam, mas desconfio que uma lata de sardinhas deva ser mais confortável.
para mim, que vivo só (física, espiritual e sentimentalmente), o tamanho não é problema (o do apartamento, o meu já é outra conversa). mas há famílias inteiras que se amontoam nesses espaços exíguos. normalmente o pessoal se comporta e a vida em comum é tranqüila. quer dizer, suponho que seja, porque passo pouco tempo em casa.
mas aí chega o domingo. chove, e na noite anterior, como na outra, você esteve com umas companhias muito interessantes, de bom papo, e que gostavam de tomar umas cervejas. e o estoque de bebes era tão generoso, e o entendimento tão grande, que as conversas vararam a noite, até dia claro.
resumindo, você preferiu ficar em casa. quer dizer, preferi (por que eu estava falando na terceira do singular?). aí é aquela preguiça de domingo. uma musiquinha, um chazinho com bolachas, uma jarrinha de café para recuperar a energia, mas quem disse que tive direito ao sagrado sono da tarde?
os rebentos dos vizinhos, trancafiados no dia chuvoso, deviam estar subindo pelas paredes. pelo menos eram o que os berros deixavam transparecer. os pais, muito preparados, respondiam na mesma altura. e os cachorros, tão contrariados quanto eu, opinavam com seus latidos agudos.
deitado na cama, a cabeça escondida sob o travesseiro, entortava entredentes as palavras do poetinha:
"começo a achar herodes natural".
06 abril 2008
domingueira
"visions of angels"
toda vez que o assunto de fetiche vem à baila em mesa de bar (são interessantes os bares que freqüento. uma das minhas poucas qualidades é escolher lugar pra beber), tenho que justificar minha preferência pela pilosidade axilar feminina, vulgo sovaco de moça cabeludo. só porque faço galhofa com tudo, ninguém acredita quando sou sincero. o que posso fazer se minha libido é setentista, cheia de ranços hippies?
é curioso ver os homens rindo, como se eu estivesse fazendo graça. já as mulheres só faltam vomitar. vejam só o que é a imposição artificial da estética. elas estão tão acostumadas, tadinhas, a serem escravas de processos de tortura em nome da beleza (escovas, tinturas, maquiagens, manicures, depilações etc.), que quando se lhes é apontado o caminho da liberdade, ficam horrorizadas como se vissem uma ratazana morta.
enfim, quando toco no assunto, as pessoas querem que eu explique, como se desejo viesse com bula, ou pudesse ser objeto de análise acadêmica. meus camaradinhas, prestem atenção, desejo é para se vivido, e não debatido.
mas para não dar aos distintos cavalheiros e às doces senhoritas a impressão de que os fiz de boi-de-cabresto, trazendo-os até aqui por nada, dou uma pista sobre o que estou falando. minha transa com os pelinhos não funciona com qualquer mulher, qualquer sovaco, ou qualquer penugem. é um troço meio difícil, como disse.
para a química dar certo, é necessária uma conjunção de fatores sutis, porém fundamentais. aí é que está o imponderável da coisa. em minha defesa afirmo que há poucas coisas tão sublimes sobre a face da terra quanto assistir uma moça se espreguiçando, os pelinhos debaixo do braço a brilhar de sol.
aos interessados, termino com uma citação dos nossos luminares propagandistas automobilísticos: "faça um test-drive".
mamãe eu quero
sabadão, dia de visitar irmã e cria, esta ainda desacostumada com a perda da unidade física com a mãe. conversávamos na sala, quando de repente, um "unhé" se faz presente (até rimou).
minha irmã acode ao quarto e leva a pequena ao seio, que imediatamente pára de chorar e logo cai no sono.
- tá vendo? - diz a irmã, calmíssima - não é nada. às vezes ela só quer isso, um peito para mamar um pouco e depois dormir junto ao calor do corpo.
e não é absolutamente a mesma coisa que procuro?
03 abril 2008
o animal mais belo do mundo
simone spoladore em lavoura arcaica. Vê-la dançando é cruel demais...
a qualidade da reprodução não é das melhores. felizmente, não se pode dizer o mesmo da moça. é uma compilação com os momentos "festivo" e "pomba-gira".
02 abril 2008
ah, esses cientistas...
deu no globo onláine:
Barriga grande aos 40 aumenta risco de Alzheimer, diz estudo
tudo bem que ainda não cheguei ao time dos "enta", mas...
...o que era que eu ia escrever, mesmo?
metido a gente
olhem que curioso:
fiz um frankenstein do meu bostejo do dia 27 de março e mandei pro observatório da imprensa.
e não é que os caras publicaram?
ps: justiça seja feita, se não fosse pela sugestão do meu bróder lessa (também responsável pelas dicas de edição), eu não teria sequer pensado em enviá-lo.
01 abril 2008
o pastor de nuvens
estou me repetindo, mas no meu mundo ideal, todos seriam jorginho guinle. ou índios. ou algo entre os dois.
o que quero dizer é que no mundo perfeito que projeto na minha cabeça, um dos aspectos principais é que as pessoas só trabalhariam por prazer, já que a todos seria garantido o acesso a tudo, e o dinheiro, se não supérfluo, seria inexistente. nunca é demais exercitar a esponja intracraniana.
dentro desse espírito, há duas ocupações que gostaria de exercer. uma real e outra fantástica. a primeira seria ser palhaço de circo. gosto dessa figura ambígua que, por sua aparência bizarra e absurda, é capaz de driblar impedimentos ou punições ao ridicularizar os poderosos e apontar as verdades mais inconvenientes. por outro lado é quase escravo da obrigação de fazer os outros rirem enquanto ele mesmo chora. faria isso de graça.
a segunda ocupação que penso para mim nasceu da observação do mundo através das janelas dos aviões, e é quase felliniana, ou saída de um poema de maiakovski. pois eu gostaria de ser um "pastor de nuvens".
nada me dá mais prazer do que assistir ao espetáculo fugaz e poderoso formado pela condensação de partíclas d'água. na primeira vez que morei só, meu micro-apartamento ficava quase colado ao corcovado, bem no suvaco do cristo. as nuvens sempre se acumulavam ali, proporcionando tantas tardes belas. assim que chegava do trabalho, sentava-me num banquinho estrategicamente instalado junto ao peitoril, onde ficava até escurecer.
imaginem então meu êxtase ao estar a milhares de quilômetros acima do chão, assistindo-as de cima, mesmo encapsulado numa lata de sardinha voadora.
quem dera poder passear sobre os cirros, afastando ou juntando as nuvens da maneira que me aprouvesse, espremendo nimbos, criando formas, tingindo-as de sol ou simplesmente descansando sobre elas. não haveria felicidade maior. nem cafuné em rede ganhava.
as nuvens são feitas da mesma matéria que os sonhos (alguém já disse isso, aliás melhor que eu). meu consolo é que, a cada dia que passa, me descubro vivendo mais próximo de seu mundo.
30 março 2008
29 março 2008
a estrela bate no peito
em mais quatro anos de bostejos, acho que nunca falei aqui do meu time de coração, o botafogo. para vocês verem que não minto ao me proclamar alvinegro desnaturado.
pois vou continuar não falando. passo a palavra ao sérgio augusto (e por tabela, ao paulo mendes campos), no texto mais lindo que descobri sobre o glorioso, quando tentava não "dar barriga" sobre o time do stanislaw ponte preta no texto abaixo.
e o orson welles, quem diria, acabou em general severiano.
Cabeça e coração, por sérgio augusto.
ps: desafio qualquer torcedor de outro time a apresentar linhas mais bem escritas. e com maior dimensão mítica.
retrato do rio
"O negro Mixaim tinha sido preso num boteco da Rua Carolina Machado, depois de tomar um porre e tentar dar no português do balcão por causa de uma discussão sobre futebol. A eterna desavença entre lusitanos e pretos do Rio, numa rivalidade que suplanta mesmo as coisas de amor e deixa a mulata em segundo plano: a raiva de um crioulo quando vê um vascaíno menosprezando o Flamengo, o ódio de um português quando vê um rubro-negro gozando o Vasco."
sérgio porto
tricolor filho de alvinegros
"eu penei, mas aqui cheguei"
essa semana, pela primeira vez na vida, paguei imposto de renda. não disse declarar, e sim, pagar. assim que enviei o formulário preenchido pela internet, liguei para a minha mãe. como supunha, ela ficou satisfeitíssima. para ela, pagar imposto era um dos sinais superficiais, mas nítidos, de que eu havia ascendido à condição de "ser alguém".
não sei ao certo que alguém me tornei, mas não a culpo. chegar até aqui foi tão difícil para ela quanto para mim. talvez até mais. embora eu é que tenha ouvido esse tempo todo, olhando para trás, até que foi pouco.
na infância, lembro de ouvir o cid moreira noticiar algo sobre a cobrança do imposto de renda no telejornal da noite. não sei se foi a imagem mental do leão ou a descoberta de que, quando crescesse, teria que dar parte do meu dinheiro para uma entidade abstrata e obscura como "o governo" (ainda estávamos na ditadura), mas o fato é que a partir de então perdi o interesse em crescer, para fugir das garras da responsabilidade. meu analista salivaria ao ler isso.
acho até que me saí muito bem na tarefa de desviar das obrigações. até que a pressão se tornou insuportável, e a necessidade de atender aos meus prazeres (independência de casa, mobilidade e horários, grana para discos, livros, álcool, eventuais cigarros e charutos, um agradinho às moças etc.) me empurraram para o mundo adulto.
para recapitular, comecei a escrever a minha trajetória, mas apaguei tudo. não vou encher o saco de ninguém com isso. o fato é que minha mãe e meu pai não ganham mais cabelos brancos por minha causa. quem tem a cabeça adornada por fios de prata agora sou eu. assim caminha a humanidade.
28 março 2008
consultoria de moda
dentre as coisas pelas quais invejo as mulheres está a liberdade com que elas podem se vestir para ir ao trabalho. o centro da cidade é mais quente que a virilha do capeta, e os homens mais afortunados, como eu, têm que usar calças e sapatos fechados. nem falo nos pobres-diabos obrigados a usar terno.
chega a dar raiva o fato de todo ano a tevê mostrar uma "matéria" sobre a reação dos office-boys e populares (quem mais anda na avenida paulista?) ao verem modelos masculinos -- não disse "homens" -- saindo às ruas de saia. a globo prestaria melhor serviço se vestisse um galã com sarongue na novela das sete. assim talvez a gente pudesse enfim arejar as partes em público sem ser apedrejado.
as mulheres ainda têm a pachorra de colar uns vidrilhos nas chinelas, chamá-las de sandálias e ir calçadas dessa forma para o escritório. e agora estão cortando as calças sociais na altura dos joelhos, e indo trabalhar de bermudas e paletó! mas vai um homem tentar, digamos, assistir a um concerto na sala cecília meirelles nesses trajes! entrar em certos prédios públicos e repartições, então, nem pensar. meu amigo lessa que o diga.
comentei a injustiça com uma amiga com quem tenho intimidade suficiente para acrescentar que achava essa moda meio feiosa, que as moças ficam com jeito de "juquinha". ela estava de bermudas, e disse que o filho pequeno concordava comigo. garoto esperto. nos despedimos, e mais tarde ela me envia uma cópia da conversa que teve com uma colega de setor pela intranet. vejam só:
amiga - você acha que minha bermuda está de juquinha? ... hahahahahaha
colega de setor - de quê? juquinha? amiga, eu sou carioca...traduz...
amiga - de menininho... garotinho.
colega de setor - claro que não. por que?
amiga - porque meu filho falou e o marcelo também... que essa roupa é de menino...
colega de setor - seu filho?
amiga - falou. disse que eu tava feia, porque minha bermuda é de menino.
colega de setor - convenhamos, ele tem 4 anos. acha que bermuda é de menino e saia é de menina, que nem rosa é de menina e azul é de menino...e o marcelo entende tanto de moda quanto eu de física quântica.
então tá.
27 março 2008
traficantes de bits
a notícia "Adobe lança versão gratuita do Photoshop na internet" me deu uma baita vontade de bostejar.
atenção: quando um texto começa usando a palavra "advento" logo na primeira frase, pode ter a certeza de encarar um texto teórico, não raro escrito de forma pedante e empolada. vamos ver se consigo quebrar isso:
o advento da internet iniciou um movimento de troca de informações que logo chacoalhou os paradigmas que regiam questões como o direito autoral e a propriedade intelectual.
o copyleft e o creative commons são algumas iniciativas de licenciamento criadas pelos próprios usuários para reforçar a natureza colaborativa que norteou o pensamento dos primeiros desenvolvedores da computação em rede, os hackers.
é isso aí, malandragem: foi graças a uma meia dúzia de ripongas libertários, hoje tachados de piratas e bandidos, que você hoje pode conversar com neguinho do outro lado do planeta num átimo, baixar músicas e filmes de graça, ver as fotos da moça do big brother pelada, e até ler meus bostejos.
desde que os militares abriram mão da administração da rede, em 1995 (se não estiver entendendo nada, veja aqui como se deu essa barafunda), as empresas privadas, novas donas da cocada preta, tentam criminalizar qualquer tentativa de troca que não envolva capital. só para citar um caso mais ruidoso, alguém aí lembra do napster?
mas as corporações de informática aos poucos estão percebendo que o movimento cresce de maneira exponencial e incontrolável, e que se quiserem sobreviver, terão que abrir as pernas. principalmente por conta do desenvolvimento cada vez mais freqüente de softwares similares e "livres" ("free as in free speech, not as in free beer").
os sistemas operacionais nascidos do GNU ainda precisam tornar-se mais acessíveis aos usuários comuns e semianalfabetos como eu (fui obrigado a voltar com o rabinho entre as pernas para o "ruíndous" , depois de levar uma surra do ubuntu), mas as coisas tão melhorando.
ações como essa da adobe (vulgo "tijolo de barro cru") são cada vez mais freqüentes. em vez de perderem todo o mercado para as versões piratas disponíveis on e off-line, as empresas preferiram adotar a tática do traficante: fornecer as primeiras doses (versões do software) de graça até o camarada começar a gostar da coisa, para então cobrar por elas (atualizações). mas para quem não é nerd, o básico já resolve lindamente, com a vantagem de ser gratuito.
isso também é inclusão digital. como diria aquele famoso cantor fanhoso, "the times, they are a-changin'".
26 março 2008
25 março 2008
(mau) tradutor, traidor
esse bostejo surgiu da necessidade de criticar a qualidade das traduções de livros e que tais que tenho visto por aí. achei até que tinha encontrado dois exemplos envolvendo a expressão "floresta tropical". o primeiro estava tão errado que foi difícil entender o que estava sendo dito (tem foto lá embaixo). o segundo foi ignorância minha, que não sabia que "floresta pluvial" era um sinônimo correto. mas é que o texto como um todo estava tão truncado, que fiquei de má vontade.
o texto que planejei escrever era assim, prestem atenção:
quando tinha dez anos de idade, tive a sorte de morar por quase um ano nos estados zunidos. quando digo sorte, me refiro a aprender, por imersão, um novo idioma quando seu cérebro ainda é uma esponja praticamente saída de fábrica.
porque aos dez anos, a uma criança com sorte suficiente para nascer numa classe média com privilégios inimagináveis para boa parte da população mundial, só importa brincar. e isso pode ser feito praticamente em qualquer lugar, em qualquer país.
meu cérebro hoje é uma esponja bastante maltratada, mas ainda boa o suficiente para inutilidades como decorar letras de música e criar piadas sobre o disc-jóquei preferido de einstein, e coisas importantes como gravar senhas de banco e de correio eletrônico. para quê mais serviria uma esponja velha?
enfim, desde os dez anos venho tentando honrar da melhor maneira possível o presente de ter aprendido outra língua, estimulando minha esponja a não esquecê-la. para isso, me forço a ler livros no original (sempre na companhia de um dicionário) e a assistir filmes sem legendas. não têm aparecido muitas oportunidades de conversar com nativos, o que prejudica um pouco a rapidez e a fluência, mas me viro como posso.
meu pouco conhecimento, quase todo instrumental, e meus poucos escrúpulos, não me permitem aventuras no campo da tradução. pelo menos não de forma séria. já ajudei amigos com resumos de dissertações (abstracts), textos teóricos e trivialidades, mas sempre me desculpando pela indigência, e recomendando que procurassem a palavra final de um especialista.
aliás, um pequeno parêntese: já notaram como, em todos os aspectos da vida, os que "se dão bem" (o que quer que isso signifique) são sempre aqueles que assumem uma postura de segurança, mesmo quando não fazem a mais vaga idéia do que estão fazendo? reparem, em todos os campos, quem está no comando das coisas são sempre os escroques e os semi-analfabetos. os poucos competentes de destaque são exceções, os "soluços da máquina". fecha parêntese.
entre os tradutores a situação não é diferente. o primeiro caso a que me referia lá em cima, no começo do bostejo, partiu de um resumo de programação de tv por assinatura, na foto abaixo:
peraí, camaradinha: "chuva florestal"?! pô, o mínimo que se espera de um tradutor é que ele esteja atualizado com as questões que envolvem seu metiê. estamos falando de "rain forest", um termo que, nesses tempos de globalização, farc e aquecimento global, é mencionado em pelo menos uma de cada dez notícias. o cara deve ter usado a ferramenta de tradução automática do computador e não revisou depois.
vejam bem, não estamos falando de nenhum jargão específico de economia, ou mesmo de biologia, como foi o caso quando, nos tempos pré-internet, passei semanas arrancando os cabelos para descobrir que "fry" significa "alevino", numa tradução para um amigo oceanógrafo.
o segundo caso, o da "floresta pluvial", veio da versão em português do livro timequake, do kurt vonnegut. o termo está certo e eu não sabia, mas é que a tradução emperrada estava me tirando todo o prazer da leitura. já li o autor no original, e sabia que ele não escreve com o freio-de-mão puxado.
não pretendo entrar em discussões teóricas sobre fidelidade versus fluência nas traduções, e muito menos ficar arrotando grosso sobre assunto que não entendo, mas acho que uma boa tradução deve ser aquela em que a história flui sem que você perceba que está lendo, sem precisar ficar voltando à mesma frases várias vezes para entender o que está sendo dito.
sei lá, também...
pô, vocês chegaram até aqui? não têm mais o que fazer, não?
quem avisa, amigo é
desde que largou seu torrão natal, caroline caf(un)é tem se metido com umas gentes muito estranhas, sórdidas e pandegosas, dentre os quais inclui-se, com muito orgulho, este que vos bosteja.
isto posto, sou com freqüência assaltado (o que é comum aqui no rio) por dúvidas sobre como uma moça criada no seio de uma família distinta e criativa, a ponto de figurar entre os frutos mais ilustres de iguatu, pôde se rebaixar a ponto de ter criado um blog.
isso mesmo, senhoras e senhores do júri: mlle. caf(un)é, aquela cidadã de dignidade inquebrantável, jornalista, professora e com título de mestre conferido por uma das mais importantes instituições de ensino daquela estranha cidade ao sul do brasil, desceu ao nível de rastejar num meio de comunicação que nem subliteratura pode ser considerado. eu, um dos responsáveis indiretos por isso, já tive a honra de participar como personagem.
claro que os motivos pelos quais ela justificará o blog serão de ordem profissional, mas eu conheço bem esse tipo de gente. e já que ela escolheu esse caminho infame, infeliz, inglório, ingrato (alguém mais tem um adjetivo com o prefixo "in" exprimindo negação?), como blogueiro-irmão, só posso dar às boas-vindas à confraria e desejar boa sorte à maneira de outro tipo de marginal, aquele povo "ligado a teatro" (em 110 ou 220 volts?):
e dedicar-lhe um valoroso conselho de mestre kurt vonnegut, sob a forma de cópia descarada do livro timequake (desta vez, a má-tradução não é culpa minha):
"Ensinei redação criativa durante meus setenta e três anos no piloto automático, com reprise ou não. Primeiro ensinei na Universidade de Iowa em 1965. Depois dela veio Harvard, e em seguida a City College de Nova York. Já não ensino mais.
"Eu ensinava como ser sociável no papel. Dizia a meus alunos que, quando eles estavam escrevendo, deveriam ser amáveis como num encontro marcado com alguém que não conheciam, deveriam divertir desconhecidos. Como alternativa, deveriam cuidar de bordéis realmente simpáticos, abertos a todos, muito embora estivessem de fato trabalhando em total solidão. Disse que esperava que fizessem isso com nenhum outro recurso além de disposições idiossincráticas em linhas horizontais de vinte e seis símbolos fonéticos, dez números e talvez oito sinais de pontuação, porque não era nada que não tivesse sido feito antes."
longa vida!
********
ps: resolvi dar uma demão de tinta, ou melhor, de pixels, no visual do borduna!, e -- com perdão pela má-palavra -- descaralhou a porra toda. os comentários já estão de volta, mas alguém pode me explicar que raios são "trackbacks", e como essa bagaça funciona?
24 março 2008
vou ali e volto já
acabo de chegar de fortaleza, onde fui tomar minhas pílulas de felicidade condensada. sabor tangeirina (sic).
19 março 2008
"I'm afraid, Dave. My mind is going. I can feel it."
morreu o arthur clarke. não sei se ele ficou tão apreensivo em partir quanto o computador hal, de "2001", cujas últimas palavras reproduzi no título do bostejo.
também não sei praticamente nada a seu respeito, a não ser que foi o criador, junto com o kubrick, de 2001, uma odisséia no espaço. dele só li "os mundos perdidos de 2001", um híbrido de compilação dos contos que originaram o filme e diário de produção e filmagem.
aliás, que conste dos autos, "2001" é um dos meus filmes preferidos. mas essa opinião foi fruto de anos de insistência. que começaram quando do anúncio da exibição do filme pela a primeira vez na tevê, lá pelos idos de 83. provavelmente com medo de perder audiência por causa da "dificuldade" da história, os programadores agendaram um horário proibitivo, já de madrugada.
meus pais me deixaram ficar acordado para assisti-lo, já a par do efeito soporífero que o filme exercere sobre as crianças. pois capotei antes da cena do osso se transformando em nave espacial. tentei vê-lo outras vezes, sem sucesso, até que o rio design center da barra inaugurou sua sala de cinema.
para atrair o público para aquele fim-de-mundo, exibiu uma série de clássicos modernos, começando justamente com 2001. nessa época, meu cérebro já estava contamindado com todo o tipo de porcaria química e literária , me fazendo apreciar o filme sob vários aspectos, com leituras de significados em vários níveis. eu acho.
********
na cerimônia póstuma em homenagem isaac asimov na associação humanista americana, o escritor kurt vonnegut, então seu sucessor na presidência da instituição, disse: "isaac agora está no céu". como a única abstração em que os humanistas acreditam, e a qual servem, sem qualquer espera de recompensa ou punição, é sua própria comunidade, a frase causou uma explosão de gargalhadas.
como já disse, não sei se clarke era humanista, ateísta ou qualquer outro "ista" além de cientista. sem pretensão de me igualar ao "vô negut", diria eu sobre sua morte, pensando na imagem final do filme, "clarke agora é um bebê gestado no espaço".
talvez a escolha dessa imagem tenha sido influenciada pelo nascimento da criatura mais linda e especial que já vi, depois de mim, é claro (diria o warren beatty, não eu. enganei vocês!), minha sobrinha sofia.
sobre ela escrevo depois.
recomendo esse sáite para quem quiser saber sobre o filme.
17 março 2008
separados no nascimento
capa do estadão onláine (17/03/08):
o gêmeo (dizzy gillespie):
um com pouco fôlego, outro com muito.
charlie babbitt fez uma piada
não que isso faça diferença, mas apenas para cutucar meus detratores, que andam dizendo que não passo de "um sujeitinho arrogante, gordo, chato, burro, feio, fracassado, encalhado; um fake escondido atrás de máscara intelectualóide, um boçal que copia trechos de outros escritores e diz que são seus" (esqueceram "cabeça-de-mamão" e "olho-de-peixe-morto"), inventei uma piada.
quase queimei o pouco que resta de minha pouca massa cinzenta, mas consegui. e sozinho. segurem as dentaduras:
- Sabe qual é o DJ (didjêi) preferido do Einstein?
- MC Ao Quadrado.
faça o que eu digo, não faça o que eu vejo
olha só: assumo que sou chato pra caralho, muitas vezes grosso (quando isso não é conveniente), enrolado e cheio de outros defeitos, mas cada vez mais me convenço que estou anos-luz à frente dos meus pares quando o assunto é o trato com o sexo oposto.
neguinho pede pra nascer burro e entra duas vezes na fila. ô, raça!
ps: saber que tenho um desafeto me deu uma sensação de ser tão importante...
09 março 2008
redundância midiática
outro dia, enquanto passava a roupa, escuto o locutor da globo anunciar empolgadíssimo as novas atrações para a temporada:
"Uma seleção de filmes inéditos como você nunca viu".
ah, bom. se fossem os inéditos que já vi eles não seriam inéditos, né não?
07 março 2008
pró-labore
como é bom trabalhar num lugar onde as palestras de conscientização dos trabalhadores têm temas como "ACIDENTE FATAL COM ESTILHAÇO DE MARRETA".
peida não!
matéria do consultor jurídico:
Flatulência não é motivo para demissão, diz TRT-SP
não sei o que é mais engraçado. o ridículo motivo da demissão, ou a sentença do juiz.
maiakovski nos olhos dos outros é poesia
na adolescência, dei para me meter com poesia. além de ler bastante as dos outros, cometi umas por aí. talvez por educação, talvez para se livrarem do fardo de ouvi-las, os amigos diziam que gostavam. depois cresci, brutalizei-me, e as poesias tornaram-se um fino e raro acepipe.
nesse tempo, minha prima cláudia me apresentou uma coletânea de poemas de um certo maiakovski. tudo ali era lindíssimo, desde a arte da capa. na melhor tradição concreta, era composta apenas de linhas horizontais separavam o nome do poeta, intercalando a grafia cirílica e ocidental.
foi paixão à primeira vista. a grandiloqüência do estilo lírico/político-revolucionário conquistou meu coração idealista de adolescente. depois veio a própria figura sólida, o triângulo amoroso com o casal brik (lília e ossip) etc.
mais tarde ainda ouvi a tão proclamada "voz de trovão", graças a um vinil com declamações gravadas por vários poetas russos, de posse do meu grande amigo arima, o "oscar mourave" do finisterra, na coluna aí à direita (também foi responsabilidade dele minha paixão por marina tsvetáieva).
bom, vamos ao que interessa: senhoras e senhores, o "poema-anel" que maiakovski compôs para lília brik.
06 março 2008
05 março 2008
gps cariri
combinação de encontro para almoço com caroline caf(un)é, via sistema de mensagens interno.
eu - mas onde diabos fica esse restaurante?
ela - na rua do metrô, só que mais pra lá do que pra cá. tem uma placa
eu - pra lá onde, criatura?...rs
ela - mais pro lado de lá de quem vai.
depois de muito esforço para traduzir as informações, chego esbaforido e dou a sacaneada de praxe:
eu - isso lá é jeito de se comunicar, minha filha?
ela - oxe! qualquer cearense entenderia...
então tá.
03 março 2008
nem rastro de cobra nem couro de lobisomem
hoje cheguei a algumas conclusões depois de entreouvir a conversa de três "jovens-profissionais-bem-sucedidos-engravatados-metrossexuais", na fila de um restaurante idem.
- homem que é homem não faz as unhas;
- homem que é homem não usa creme hidratante para sair de casa;
- homem que é homem não come crepe;
- homem que é homem não come torrada com cream-cheese;
- e, principalmente, se fizer uma das coisas acima, homem que é homem não confessa em público.
27 fevereiro 2008
pequena radiografia das corporações
"Neste momento o senhor é tão fácil de ser investigado pela Comissão de Valores Mobiliários quanto um homem na esquina vendendo maçãs e pêras. Mas imagine o quão difícil seria investigá-lo se o senhor tivesse um edifício de escritórios cheio até a tampa de burocratas industriais -- homens que perdem coisas e utilizam formulários errados e criam novos formulários e demandam tudo em cinco vias, e que entendem talvez um terço do que lhes é dito; que habitualmente dão respostas erradas para ganharem tempo para pensar, que tomam decisões apenas quando são forçados a isso, e que depois cobrem seus rastros; que cometem erros perfeitamente honestos em operações de adição e subtração, que marcam reuniões sempre que se sentem solitários, que escrevem memorandos sempre que não se sentem amados; homens que nunca jogam nada fora a menos que achem que podem ser despedidos por isso. Um único burocrata industrial, se for suficientemente vigoroso e tenso, deve ser capaz de criar uma tonelada de papéis sem sentido por ano para a Comissão de Valores Mobiliários examinar. E no seu edifício, o senhor terá milhares deles".
o texto é do vonnegut, em "as sereias de titã".
a má-tradução e a adaptação são culpa minha.
26 fevereiro 2008
constatação
para quem esperou 25 anos para conhecer e nove anos para voltar, uma segunda visita em pouco mais de dois meses faz de fortaleza praticamente meu segundo lar.
com todos os méritos, que fique registrado.
25 fevereiro 2008
19 fevereiro 2008
sem loção
sempre gostei dos comentários dos leitores do globo onláine.
assombra-me a falta do que fazer de quem lá escreve (e minha, por tabela, por lê-los).
mas nessa notícia sobre a infestação de mosquitos na cidade, neguinho se superou.
Atualização:
eis que, quando eu achava que já tinha visto de tudo...
14 fevereiro 2008
me engana que eu gosto
tenho alguns imeios que utilizo como filtros para o meu endereço pessoal. toda vez que tenho que me cadastrar num sáite público ou em promoções onláine, por exemplo, é um deles que indico. este mesmo no topo da página à direita é um deles.
de quando em vez os leio, para ver se não há nada importante, mas a maior parte das vezes são apenas mensagens me oferecendo viagra ou para aumentar não-sei-quantas polegados do meu pênis (devem ter espalhado alguma coisa por aí...). e também tem aqueles milhares de spam prenhes de vírus disfarçados de cartões virtuais, avisos de que vão cancelar minha conta do orkut, meu cpf, pedidos de recadastramento em todo tipo de instituição oficial, financeira e outros babados.
geralmente eu abro para ver a criatividade "dos puxual" que inventa isso. eis que hoje me deparei com a seguinte pérola. leiam com atenção:
como é que os caras acham que alguém vai cair nesse golpe se eles nem se dignam a escrever o português corretamente? é como diz o filósofo, "quer comer minha bunda, tudo bem, mas pelo menos me beije na boca".
13 fevereiro 2008
minhas férias (parte 2)
a demora em continuar o relato da viagem ao ceará está por conta de uns palpites infelizes, que acabaram por levar meu computador a embaralhar tudo o que aparece no monitor, tornando impossível qualquer ação ou leitura.
enfim, o que eu queria dizer é que tenho me lembrado bastante da festa da taíba, a praia perto de fortaleza onde passei o segundo melhor reveillon da minha vida. o primeiro foi involuntariamente sozinho na casa da minha mãe, assistindo a um festival dos irmãos marx na tevê a cabo. distraí-me com os filmes, e só dei por mim quando os fogos começaram a espocar.
não a vi de dia, mas afirmo que a taíba tem a noite mais estrelada e bonita do mundo. mais até do que jericioacoara, para onde fui alguns dias depois. se bem que meu julgamento pode ter sido influenciado pelos fogos e as vibrações da ocasião. vibrações, aliás, em grande parte proporcionadas pelos anfitriões, em especial a marreca, a figura iluminada que a gabi tem como mãe.
a simpatia com que recebeu a mim e outros desconhecidos foi tão grande que não havia como não se sentir bem-vindo, aconchegado e, arrisco dizer, fundamental ali. pouco antes da virada, recebemos rosas e palmas para ofertarmos à iemanjá, e rumamos em fila para a praia, segurando uma corda puxada por ela, que nos explicava ser "o fio que nos une".
de frente para o mar, sob a escuridão quase total, uma doce melancolia tomou conta de mim, e aproveitei para me afastar um pouco e refletir. pensei em perda, solidão e amor ao próximo. mas não estava triste, e sim confortado comigo mesmo e feliz por estar pulsando na mesma freqüência que todos. um estado de espírito parecido com o que senti no carnaval do ano passado.
outra lembrança que permanece, igualmente forte e querida, é a do quase desvario dançante causado pela qualidade do som comandado pela júlia lopes. só que, mais que os pontos de macumba-palavrão do otto, o que não desgruda da mente é a canção lourinha americana, do mestre laurentino, que sabe deus em que furna obscura do passado a ouvi pela primeira vez. isso é que é eterno retorno, o resto é onomatopéia de espirro.
essa lourinha americana
está querendo me esculachar
foi dizendo que eu sou neguinho, e bem neguinho
e lá na américa eu não posso entrar
mas o que eu mais me admiro
é de ver o americano
quando chega no brasil, no brasil
com negro vem se misturar.
mas o que mais eu me admiro
de eu ser um nego brasileiro
e estou noivo pra casar com uma lourinha
e ela é filha de estrangeiro.
07 fevereiro 2008
frases memoráveis do cinema
revendo snatch numa das muitas noites chuvosas que ensoparam o carnaval, topei com a seguinte pérola, proferida por um dos personagens mais sinistros da minha pobre biografia cinematográfica, o gângster bricktop, interpretado por alan ford:
"Do you know what 'nemesis' means? A righteous infliction of retribution manifested by an appropriate agent. Personified in this case by an horrible cunt... me."
31 janeiro 2008
pérolas do mundo corporativo
pesquisa de satisfação da festa de fim de ano da firma. reparem no comentário escrito:
"minha opinião que faltam organizaram e para um futebol que tem direito pra jogar futebol. pois as pessoas muitas atrapalhar e nem fui jogar bola.. pois é..."
gargalhadas à parte, obviamente ninguém conseguiu entender nada. em compensação, já decidimos que o brinde para os funcionários no fim do ano será uma cartilha do professor pasquale.
28 janeiro 2008
lição para o carnaval
"carreiro bebe, candeeiro também bebe
senhor mandou dizer que não ensina a boi beber."
jongo retirado do disco "clementina de jesus", de 1976.
23 janeiro 2008
para encerrar a questão...
os últimos dois bostejos devem estar enchendo o saco de quem está afim de ler sobre o resto das minhas férias. sei bem que me iludo a respeito do número de pessoas interessadas nas minha bordunadas, entretanto, há uma meia dúzia de três ou quatro amigos meio desregulados que ainda perdem tempo aqui.
um deles é o dude, que recentemente mudou de nome e cara (do blog dele!). além de ser meu mentor/tutor para questões informáticas e nerdísticas, o cara é inteligente pacas.
mas que fique claro que não o elogio aqui por causa de sua análise acertadíssima (mesmo não concordando com tudo) sobre o que escrevi anteriormente. "nãããããão, não é nada disso, não", como diria minha avó, dona climenes. se bem que essa atitude o ajude bastante...
pronto. prometo não perturbar mais ninguém com meus solilóquios amorosos.
19 janeiro 2008
resposta a(o) leitor(a):
recebi o seguinte texto, a propósito do último bostejo:
sobre seu ultimo post no blog, discordo muito: quem se esconde assim como vc nao conhece absolutamente nada do amor, que para ser verdadeiro tem que ser muito, sem defesas, sem desconfiancas e muito menos sem rancores de historias passadas que nao deram certo....
nao tenha medo, moco, a gente ainda e muito novo! mas vc esta no caminho certo, voltando aos poucos a confiar mais nas pessoas...
********
ao que respondo:
acho que não me fiz claro. eu não me escondo, não tenho defesas nem desconfio das pessoas, apenas não fico desvairado de amor.
mas não quer dizer que eu jamais sonegue afeto. só que quando o assunto é amor -- e não paixão --, se o objetivo for uma convivência a dois, é preciso ficar atento a determinados sinais para saber se as coisas valem a pena ou não.
porque as pessoas se iludem em relação às outras, idealizam e acham que podem mudá-las, e quando isso não funciona (porque tal coisa nunca funciona, pela simples razão de ser impossível de realizar), elas passam o resto da vida se lamentando, martirizando, ou se questionando onde foi que erraram.
escolher parceiro é como escolher qualquer outra coisa, como por exemplo, comida num restaurante. é importante, e diria até necessário, provar algo novo ou muito diferente do seu paladar, mas se o gosto não for satisfatório, para que insistir no pedido ou repetir a dose?
marcelo.
"Essa ferida, meu bem, às vezes não sara nunca"
mais ou menos aos 14 anos deixei de ter ilusões a respeito do amor cortês. essa foi a época em que percebi que não chegaria a lugar nenhum passando noites em claro ouvindo as canções "mela-cueca" do good times 98 no rádio, fantasiando confissões de amor eterno no leito de morte a uma amada hipotética.
junto à percepção do senso de ridículo, a passagem dos anos se encarregou de me presentear com uma ou duas belas rasteiras no campo sentimental. e se é bem verdade que nessas ocasiões os joelhos e o coração saíram escalavrados, também me ajudaram a forjar uma armadura racional que, antes de me separar do mundo, me protege de golpes desnecessários.
uma vez me apontaram uma definição de geminiano (meu signo) como um sujeito que carrega dois corações: um na mão, o qual ele presenteia a todos, e outro trancado no armário do peito, cuja chave ele não dá para ninguém. e por muito tempo achei essa a imagem que me definia melhor emocionalmente. hoje sei que não é bem assim.
ainda não cheguei ao ponto de dizer, como maiakovski, que "comigo a anatomia ficou louca. sou todo coração", e nem sei se assim o quero. o importante é que os tropicões que levei ao longo dessa estrada serviram para destruir de vez o mito do amor romântico.
sou capaz de me apaixonar, sem no entanto perder a razão. e, com todo o respeito devido, discordo do houaiss em sua acepção de paixão como "sentimento, gosto ou amor intensos a ponto de ofuscar a razão". comigo, felizmente, não é mais assim.
amo sim, e não deixo de me entregar aos relacionamentos com intensidade. mas nunca sem pesar as variáveis. por exemplo, se logo nos primeiros momentos começarem a despontar muitas arestas estruturais, não adianta se iludir que a coisa não irá muito adiante. é melhor nem deixar a massa crescer, porque o bolo vai solar e o resultado será feio.
podem me chamar de frio, calculista e racional em excesso. mas sou totalmente favorável aos relacionamentos saudáveis. não sem diferenças e desavenças, porque essas fazem parte da convivência de quaisquer dois seres que se proponham a levar uma vida em comum, sob o mesmo teto ou não. mas evitarei ao máximo alimentar neuroses, competições ou recalques que identificar ao longo da jornada.
é graças a esse sentido apurado que hoje consigo ser amigo de todas as minhas ex-namoradas e eventuais casos. não, pensando bem, tinha uma que, há una anos, não podia sequer ouvir falar meu nome. mas hoje ela nem deve lembrar mais que eu existo. de qualquer forma, isso é outra história...
enfim, toda essa baboseira foi para dizer que tenho um renque de defeitos, entretanto, uma ou duas coisas a respeito do amor eu sei. e quero, antes de mais nada, que as pessoas brilhem, e que, se o amor não vingar, que pelo menos fique a amizade -- porque essa sim, vale ouro.
resumindo: o que tiver que ser, será. e o que não tiver, também. só que ao contrário.
18 janeiro 2008
pérolas do mundo corporativo
uma colega de trabalho estava à cata de um manual de redação e estilo da repartição, e topou com um que deve ser do ano de mil novecentos e guaraná com rolha. reparem (os grifos são meus):
3.3 - TELEX
Para comunicação cuja existência se justifica pela necessidade de passar informações em caráter de urgência.
3.3.1 - O TEXTO DO TELEX
Deverá obedecer aos seguintes critérios:
A. Redação com o mínimo de palavras possível, suprimidas as expressões de cortesia bem como as partículas gramaticais;
B. Não-utilização dos sinais de acentuação;
C. Supressão dos sinais de acentuação;
D. Não-divisão das sílabas das palavras;
E. Datilografia de todo o telex em letra maiúscula;
...e por aí vai.
detalhe, esse texto estava na intranet, o que prova que lá ninguém lê nada.
17 janeiro 2008
minhas férias (parte 1)
ia começar esse bostejo dizendo que ainda não tinha escrito nada em 2008 por preguiça. depois vi a inutilidade disso, já que preguiça é meu nome do meio. de maneira que achei melhor mudar de assunto e falar das coisas que vi e vivi nos curtos e intensos 15 de férias no nordeste, que, afinal, eram motivo mais que suficiente para bostejar.
embarquei para fortaleza no dia 26 de dezembro, ao meio dia e meia. com o atrasinho de praxe e a conexão em natal, cheguei ao meu destino lá pelas 17h. como tinha dormido pouquíssimo na noite anterior, e não havia conseguido pregar o olho na lata de sardinha voadora da gol, aproveitei a baldeação para beber um café com red bull, com o objetivo de alcançar aquele estado de espírito bacana, cujos sintomas visíveis são mãos trêmulas e olhos rútilos. talvez eu seja viciado em estimulantes, vai saber...
mas, à vera, nem precisaria de aditivos, porque a excitação de viajar já me deixava em estado de alerta.
fui, vi, e me venceram. pela cordialidade. a começar pela família de caroline caf(un)é, minha anfitriã. além de ter me adotado (na noite em que amanheci no boteco mais folclórico da cidade -- e o mais infecto onde jamais pisei -- os pais dela, ao darem por minha ausência na casa, perguntaram "cadê o nosso carioca?!"), me superalimentou com toda a espécie de delícias regionais. tive até a honra de provar a famosa tapioca de joão bandeira! sem falar na quantidade de marmotas que aprendi (mais tarde desenvolvo o tema).
além disso, todas as pessoas que conheci me trataram como amigos de infância, fazendo de tudo para me agradar. tanto carinho só reforçou minha resolução de retornar à suavidade e à gentileza, perdidas quando deixei a vida me afastar do convívio com qualquer atividade artística.
e aí também teve muita praia, cerveja, caranguejo, frutas e comidas típicas, jogo do fortaleza (mais um capítulo à parte!) dança e música de primeira (atenção, seu "janô"! alô, dijêis do rio! se liguem, que vocês estão comendo mosca... guga de castro e marquinhos, da "farra na casa alheia", são os caras. se eles baixam por essas bandas, passam o rodo em geral! não tem ninguém na cidade de são sebastião que bote som como esses dois).
e jericoacoara. ah, jericoacoara... qualquer descrição em palavras é pífia diante daquela explosão de natureza. só vendo para saber. o que posso dizer é que se deus existe, é lá que ele mora.
... mas esse capítulo fica para depois. aguardem!
é isso aí pe-pe-pessoal!
21 dezembro 2007
balanço do ano
chegamos há dez dias do fim de 2007. ouvi de uma amiga que, graças a soma dos algarismos dar 9, esse foi (é) um ano de decisões. morte, nascimento, gravidez, separação e casamento. aconteceu o que tinha que acontecer com quem devia e com quem não devia.
disseram que ano que vem vai ser o do infinito em pé, por causa do formato do número oito. prefiro acreditar em renovação, já que o somatório dá um. espero que seja um novo começo.
comigo, foi um ano mais de altos que de baixos. depois de seis mudanças de casa em nove anos, finalmente consegui um canto para chamar de meu.
uma situação estável à custa de um choque de realidade e uma dose de conformismo, mas com a certeza de que o único caminho para a redenção é através da arte.
o coração refestelou-se, deu uns pulinhos de susto, murchou aqui e acolá, e acabou o ano com ótimos prognósticos, crescendo a olhos vistos.
o fim do ano vai me levar de volta à fortaleza, depois de nove anos e meio. reencontrar um velho amigo, me aproximar de atuais e conhecer novos - amigos e horizontes.
é bem capaz de que essa seja a última vez que bosteje esse ano. pelo menos, aqui no rio. se assim for, que tudo dê certo ano que vem. ou coisa que o valha. tá tarde e tô com sono. meu quarto tá uma zona e amanhã cedo tem visita.
16 dezembro 2007
para não perder a piada...
...com a palavra, noel rosa.
Habeas Corpus
(Noel Rosa/Orestes Barbosa)
No tribunal da minha consciência
O teu crime não tem apelação
Debalde tu alegas inocência
Mas não terás minha absolvição
Os autos do processo da agonia
Que me causaste em troca
ao bem que fiz
Correram lá naquela pretoria
Na qual o coração foi o juiz
Tu tens as agravantes
da surpresa
E também as da premeditação
Mas na minh'alma tu não ficas presa
Por que o teu caso, é caso de expulsão
Tu vais ser deportada do meu peito
Por que teu crime encheu-me de pavor
Talvez o habeas corpus da saudade
Consinta o teu regresso ao meu amor
15 dezembro 2007
música para ninar moça
não testei, mas algo me diz que não falha.
se tudo o mais der errado, eu furo os olhos e vou tocar piano.
(siga a bolinha.)
13 dezembro 2007
i like ike
ike turner morreu.
dou risada quando vejo esses cantores de rap tirando onda de malandros e caftens (e nem me refiro apenas ao visual ridículo). penso com meus botões que esses caras nunca devem ter ouvido falar no velho ike. nem musicalmente, nem por sua reputação. porque esse, sim, era um bad motherfucker.
instrumentista de mão cheia, ele tocou piano no primeiro disco de roquenrrou da história, ainda em 1951. mas além do talento, o que o fez entrar para a história foi o fato de ter "descoberto" a tina turner, de quem foi parceiro de cama e palco durante anos, além de sentar o catiripapo nela sem dó.
depois da separação, ela começou a fazer uma musiquinha pop muito da sem-vergonha. eu sei. fui no show dela no maracanã. dormi no meio.
as mulheres vão querer me trucidar por isso, mas não há como não relacionar a queda na qualidade ao fim dos tabefes.
memória literária
aos 12 anos contraí caxumba, e como sói acontecer, fiquei impedido de brincar por um tempão, por medo de que os gânglios "descessem" e me deixassem estéril (até hoje não sei se esse papo é verdade).
para me distrair durante a convalescença, entupiram-me de livros. foi quando tomei contato com as aventuras de pedro malasartes, asterix, o pequeno nicolau, e fiquei íntimo do pessoal do sítio do picapau amarelo. tornei-me um leitor compulsivo.
desde 2000 passei a anotar todos os livros que leio, inspirado pela autobiografia do akira kurosawa, que no começo da carreira (ou quando ainda só era cinéfilo, não lembro ao certo) listou durante alguns anos todos os filmes a que assistiu.
no começo, minha tarefa tinha o propósito exclusivo de contabilizá-los. no entanto, logo descobri que, a partir da anotação dos livros, conseguia me lembrar com perfeição do que havia acontecido comigo durante o período de leitura.
para quem tem sérios problemas de organização cronológica de eventos, esse foi um achado e tanto.
agora posso dizer com precisão o que se passou em determinada época apenas consultando o livro da época. e vice-versa.
a desse ano, até agora é:
- o sol é para todos - harper lee (janeiro)
- a epopéia de gilgamesh - desconhecido (jan.)
- terror e êxtase - carlinhos oliveira (jan.)
- o pastelão, ou solitário nunca mais - kurt vonnegut (fev.)
- o espião americano - kurt vonnegut (fev.)
- barba azul - kurt vonnegut (fev.)
- zen e a arte de manutenção de motocicletas - robert pirsig (fev.)
- anaconda - alberto vázquez-figueroa (abr.)
- in cold blood - truman capote (mai.)
- guerra dentro da gente - paulo leminski (mai.)
- mundos perdidos de 2001 - arthur c. clarke (jun.)
- febeapá 1, 2, 3 - stanislaw ponte preta (jun.)
- roberto carlos em detalhes - paulo césar araújo (jun.)
- livro dos homens - ronaldo correia de brito (jun.)
- a man without a country - kurt vonnegut (jun.)
- jesus kid - lourenço muttarelli (jul.) releitura
- revolução no futuro - kurt vonnegut (ago.)
- the old times - harold pinter (ago.)
- bom dia, preguiça - corinne maier (ago.)
- la vie en close - paulo leminski (ago.)
- travessuras da menina má - mario vargas llosa (set.)
- o supermacho - alfred jarry (set.)
- à mão esquerda - fausto wolff (out.)
- deus o abençoe, dr. kevorkian - kurt vonnegut (out.)
- junky - william burroughs (nov.)
- vale tudo - nelson motta (dez.)
- o mundo louco - kurt vonnegut (dez.)
04 dezembro 2007
mais uma novidade...
enquanto não sai o tratado sobre a dança do acasalamento (calma, nego véio!), descobri mais uma maneira divertida de perder tempo.
fiz uma gambiarra que transforma todos os textos em inglês, com um porém: os resultados são os mais estapafúrdios e nonsense que se possa imaginar. até que saem coisas engraçadas, quando é possível entendê-las. talvez a culpa seja do meu estilo excessivamente informal. é só ver o link "tarzan's version" aí do lado.
fiz isso pensando na única pessoa a se expressar no vernáculo shakespeariano que sei ter interesse em ler minhas bobagens, mas acho que o resultado final vai confundir mais do que explicar.
28 novembro 2007
tudo de boa
faz anos que não escuto rádio. com isso, a taxa de atualização do meu gosto musical caiu muito. por exemplo, para eu saber das novidades hoje, só através de trilhas sonoras, dicas de (poucos) amigos, ou algum som captado em festas. mas de forma alguma isso representou prejuízo.
de vez em quando também topo com algum videoclipe na tevê a cabo. quando é homem, dois acordes bastam para saber se mudo de canal. entretanto, essas cantoras tipo jennifer lopez, beyoncé, mariah carey, e as aguileras da vida, esses troços todos, quando aparecem eu até assisto. mas tiro todo o volume. só faço apreciá-las se contorcendo como lagartixas profissionais. porque é isso que elas vendem: libido. não se enganem, a música é apenas a embalagem. e ruim, diga-se de passagem.
mas nem tudo está perdido. há algum tempo venho acompanhando com surpresa a shakira. das que estão na crista da onda, acho ela a única que tem feito uma musiquinha bem decente. além de cantar bem e ter um timbre bastante interessante, ela é um pitéu e possui o único par de coxas capaz de rivalizar com meu fetiche pelo sovaco cabeludo da madonna.
mas antes que as moças torçam seus lindos narizinhos me considerando uma espécie de sátiro babão (tenho certeza que os homens concordarão com cada vírgula do que bostejei), saibam que não estou só: tanto que a moça foi escolhida para cantar a trilha sonora do filme amor nos tempos de cólera, que aliás é bacana (vejam o trailer).
a propósito, o que me motivou a escrever foi o novo clipe dela. dá licença, que eu preciso ir lá dentro apanhar o babador...
24 novembro 2007
paul is not dead, he just smells funny
qualquer fã de beatles mais hidrófobo conhece a lenda de que o paul mccartney morreu e foi substituído por um sósia.
o que, vai dizer que nunca ouviu essa história? experimente digitar paul maccartney is dead no google para ver o que acontece. são mais de dois milhões de páginas sobre o assunto!
as evidências seriam inúmeras, e as pistas estariam espalhadas pela obra dos beatles, desde as capas do sgt. pepper's e de abbey road, até algumas músicas que, tocadas ao contrário, contariam a "verdade". de minha parte, nunca dei ouvidos a tais baboseiras, pela qualidade constante de seu trabalho posterior, e por considerá-las fruto de gente com bem pouca coisa pra fazer.
entretanto, outro dia confesso ter ficado com a pulga atrás da orelha ao ver a foto a seguir:
dê um clique e repare nas nas costeletas do homem. o verdadeiro sir paul mccartney, cavaleiro da rainha da inglaterra, assumiria os fios de cabelo branco com dignidade. essa tinta acaju na cabeça só pode ser obra de um impostor. socorro!
22 novembro 2007
entropia
a partir do nada, surge a semente em estado de latência, que nasce, cresce, atinge a maturidade, entra em decadência e morre. fim.
temos o privilégio de acompanhar de perto o milagre do ciclo inexorável da vida acontecendo a cada momento, conosco mesmo e com tudo à nossa volta, mas raramente nos damos conta disso.
além do meu próprio, um processo em especial tem me interessado ultimamente. entretanto, mau cientista que sou, a paixão pelo objeto leva-me a alterar os dados, como se interferindo no andamento da experiência eu fosse capaz de evitar os resultados. mas deus não joga dados e jesus não tem dentes no país dos banguelas.
não há força capaz de impedir o destino. por maior que seja o amor. "a única coisa a fazer é tocar um tango argentino", disse o poeta.
e não me venham chamar de cassandra.
11 novembro 2007
10 novembro 2007
quero ser cab calloway
...ou pelo menos, ter seu suíngue.
a animação do leão marinho foi toda feita em cima das imagens do próprio cab dançando.
a noite é uma criança
querido diário, há uma semana ando num ânimo péssimo, dando bronca até para bom-dia, mas ontem tava demais. nem eu estava me agüentando.
a salvação foi caroline café me convidar para a coisa mais legal do mundo, que é jogar conversa fora em mesa de bar. aí percebi o quanto estava com saudade das pessoas.
como não queria ter que pegar condução pra beber, rumamos para o capela. tracei uns oito chopes, que desceram como água. ela repetiu pela pentelhonésima vez que foi ali que madame satã matou geraldo pereira, e mais uma vez expliquei que não tinha sido naquele capela, e sim no antigo, no largo da lapa.
caroline café não estava bebendo, e queria comer alguma coisa láite, depois fazer mercado, faxina, sei lá, essas coisas que as mulheres adoram. então propus que dali seguíssemos para o mercadinho, onde chamamos outros dois outros comparsas de copo, nego véio e gabi.
nego véio levou metade da noite contando suas desventuras com outro amigo nosso para comprar um laptop nos subúrbios de roma, onde césar perdeu as botas. o mercadinho não estava rendendo, e posto que a sede era de anteontem, descemos até o lamas, para ficarmos idem.
lá entornamos mais uma fábula de chopes. mostrei para eles o machado de assis escondido na foto do pulmão que ilustra as costas dos maços de cigarros, e comemos um sei-que-lá à piamontese (ou será à piamontesa? cartas para esse endereço).
na saída, ainda encontrei a maffalda com um gringo a quem ela chamava "gringo", mas que falava português como se fosse gente grande. cheguei em casa sabe-se deus como, desabei na cama de luz acesa e as roupas espalhadas pelo chão.
de manhã fui botar a roupa para lavar e encontrei no bolso da minha camisa um bilhete escrito numa toalha de papel, com a minha própria letra, onde se lia:
por que você acha que só mulher pode ser mãe?
vai entender...
09 novembro 2007
frase pra inglês ver
deu no globo: 'Exterminador do Futuro' tem a frase preferida do cinema. sinceramente, "i'll be back"?
não posso considerar séria uma lista que exclui
- "i've always depended on the kindness of strangers" (um bonde chamado desejo);
- "i'm ready for my close-up, mr. de mille" (crepúsculo dos deuses);
- "it's good to be the king" (a história do mundo).
03 novembro 2007
diálogo de uma tarde de compras
ele - você reparou como era bonita a moça que atendeu a gente? parecia meio oriental, asiática...
ela - não reparei nela, não. só vi as unhas, pintadas de vermelho.
ele - as unhas? nem prestei atenção.
ela - isso mostra bem que você é homem e eu sou mulher.
31 outubro 2007
papa-anjo
acredito que todo mundo deve ter liberdade para fazer o que quiser com o próprio corpo, desde que assuma a responsabilidade por seus atos e depois não aporrinhe ninguém. por isso sou favorável à descriminalização das drogas e do aborto.
esse segundo assunto me chamou a atenção ontem, quando, na volta do trabalho, topo na cinelândia com uma manifestação nas escadarias da câmara dos vereadores de um suposto grupo "a favor da vida".
posso pensar em argumentos científicos, psicológicos, sociais, humanistas e até malthusianos para defender a interrupção de uma gravidez. entretanto, o único argumento em contrário é ordem divina. e contra crença e fé não há debate.
enquanto pensava nisso, escuto uma das manifestantes dizer:
-- as pessoas falam em direito da mulher, mas o que dizem do direito de um ser inocente e indefeso à vida?
peraí, se a questão é defender o direito à vida de seres indefesos, o que me dizem do tratamento cruel dispensado aos frangos, vacas, carneiros e outras delícias criadas apenas para o abate?
parece tratar-se de um caso de dois pesos e duas medidas. porque se emplaca a modesta proposta do escritor-patê jonathan swift, será que eles defenderiam a mesma posição com tanta veemência?
por via das dúvidas, a partir de agora só discutirei a legalização do aborto com vegetarianos.
29 outubro 2007
pérolas do mundo corporativo

em tom de galhofa, uma colega de batente me traz um texto que ela recebeu para divulgação interna, onde se lê:
"(...) o portal amplia, portanto, a visibilidade das atividades das unidades".
não merecia o primeiro prêmio no mundial de aliteração?
e ainda ousam questionar o porquê de contratarem tantos jornalistas...
25 outubro 2007
nós "semo" tatu!

há um mês e pouco tatuei meu braço direito.
lá em casa sempre se considerou tatuagem coisa de marginal. o assunto era tão distante de nossa realidade, que discuti-lo seriamente pareceria um absurdo risível.
até a adolescência, jamais havia pensado na possibilidade de me tatuar. a exceção foi quando os hormônios resolveram jogar pingue-pongue com meu raciocínio, e, influenciado por uma matéria na falecida revista "animal", pensei em tatuar meu rosto todo, a exemplo de horace ridler, vulgo "o grande omi" (sem trocadilho).
nessa mesma época, cultivei o desejo de pular de um avião sem pára-quedas, de modo que o que eu digo não se escreve.
lembro do meu pai dizendo, quando as meninas começaram a prestar atenção em mim (porque até então só eu as via), que "mulher tatuada, ou é perdida ou já se perdeu na vida". essa opinião acabou sendo revista anos depois, quando tanto minha mãe (já separada) quanto minha irmã pintaram os corpos, por motivos diferentes.
minha irmã, para completar, meteu até uns piercings no "embigo", nariz e orelha, para seu desespero. ao vê-la "furada como um índio", perguntou, desconsolado: "você está com algum problema, minha filha?" juro que fiquei emocionado.
a idéia de me tatuar voltou na época do mestrado, quando assolado pelo desespero de escrever minha dissertação, resolvi que se saísse de tal enrascada com a sanidade apenas um pouco (mais) avariada, marcaria o período na pele.
no começo de 2004 tive minhas primeiras idéias. mas no fim, achei o urobouros meio pretensioso, uma amiga comparou o "allah" ao desenho de um ralo, e o salsão, meu consultor para assuntos macumbísticos, com quem eu morava na época, disse que caveira é uma imagem carregada.
três anos depois, equivocadamente me sentindo dono do meu nariz, mas já capaz de pagar minha contas sozinho, resolvi concretizar o plano, e quando esbarrei com umas "calaveras" do dia dos mortos mexicano, tive a certeza do que buscava.
sempre me atraiu a idéia da morte como celebração, como acreditam os mexicanos. acho que há algo de anárquico em subverter a tristeza da perda, talvez porque ela traga implícita o fim da ilusão de posse. afinal, ninguém é de ninguém, nem é dono de nada. portanto, encontrar a morte seria libertar-se de todas as coisas terrenas, de todas as agruras da vida.
voltando ao assunto, perdi o medo e fui ao king seven tatoo, estúdio recomendado por nove entre dez tatuados responsas que conheço. além de gente finíssima, o pessoal de lá contou umas histórias engraçadíssimas (depois eu conto). mostrei umas referências pro nino, que sacou o espírito, acrescentou uns rococós em volta e ainda meteu um dentão de ouro. classe!
quem disse que tatuagem vicia, tava certo. se achar um desenho bacana, também rabisco o outro braço.
16 outubro 2007
nota mental
comentário de uma amiga sobre a sensação de se chegar aos 60 anos, no dia de seu aniversário:
não dói. mas dá um medo...
14 outubro 2007
à sinistra
li um troço bacana na "norótica", que resolvi imitar: trata-se de pegar o livro mais próximo de você (mas não pode escolher), abrir na página 161 e publicar a quinta frase. tem mais, mas como não gosto de alimentar correntes, não repasso para ninguém.
"Mas o dinheiro da venda dos jornais ele acabava invariavelmente gastando em gibis."
o trecho é de à mão esquerda, do fausto wollf. um dos melhores livros que já li, e arrisco dizer, um dos maiores romances da literatura brasileira recente. talvez um dos mais injustiçados, também. porque se não fosse leitor do "lobo", jamais teria ouvido falar nele, que foi até agraciado com o jabuti, em 96, se não me engano.
quanto à frase, se trocar "jornais" por "alma" e "gibis" por "livros", fica igualzinho a alguém que eu acho que conheço.
forma e conteúdo
dá pra resistir, não, camará. ó o suíngue do caboclo.
Ebony eyes - Stevie Wonder
She's a Miss Beautiful Supreme
A girl that other wish that they could be
If there's seven wonders of the world
Then I know she's gotta be number one
She's a girl that can't be beat
Born and raised on ghetto streets
She's a devastating beauty
A pretty girl with ebony eyes
She's the sunflower of nature's seeds
A girl that some men only
find in their dreams
When she smiles it seems the stars all know
Cause one by one they start
to light up the sky
She's a girl that can't be beat
Born and raised on ghetto streets
She's a devastating beauty
A pretty girl with ebony eyes
When she starts talking soft and sweet
Like birds of spring her
words all seem to sing
With a rhythm that is made of love
And the happiness that she only brings
She's a girl that can't be beat
Born and raised on ghetto streets
She's a devastating beauty
A pretty girl with ebony eyes
12 outubro 2007
valei-me pelos outros
hoje é sexta-feira de feriado (sei lá qual), acabei de chegar em casa para pegar um dinheiro e esticar o programa de praia em algum bar. ao dar um telefonema convidando uma amiga para se juntar à trupe, aprendo mais uma lição de um curso expresso de comportamento humano do qual nem me sabia inscrito.
já tive amores que me trocaram por outros homens, mas sempre mantive um mínimo de dignidade. nunca importunei ex-namorada que me largou. se tivesse do que me queixar dela -- coisa que sempre se faz quando se é "largado", mesmo que tenha sido eu o agente da separação -- tinha a decência de chorar minhas pitangas para os amigos, em mesa de bar. jamais liguei de madrugada ou chamei a própria na cara de puta sem-vergonha nem nada do gênero.
por isso não há como não sentir uma certa revolta quando vejo baixarias desse calibre acontecendo com uma amiga querida de longa data. acompanho a história à distância, e até aconselho quando acho que tenho abertura para tal.
filho de xangô que sou, não agüento injustiça, e poucas não são as vezes em que sinto o sangue ferver nas orelhas quando a vejo caluniada. a vontade que dá, mesmo fraquinho que sou, é ir até o camarada e sentar-lhe uma porrada nos cornos do qual ele nunca se esquecerá, e da qual se quiser se vingar, vai ter que contratar uns peemes para me dar uns tecos. torcendo para que acertem, porque se errarem, eu volto para encestá-lo com gosto.
nesse momentos, é preciso respirar muito fundo e lembrar que a demanda não é minha. não posso resolver os problemas dos outros. portanto, vou tomar uma ducha e encontrar os amigos. antes de sair de casa vou rezar para o diabo não me tentar, porque pode dar um merdê dos grandes.
então, só me resta apelar:
Justiça, Xangô, justiça!
Justiça, justiceiro de Oxalá!
Aqui se faz, aqui tem que pagar
Quem planta rosa não pode colher jasmim
Quem planta vento colhe tempestade
Quem faz o bem não pode fazer o mal
Quem faz o mal a si mesmo se destrói
Justiça, Xangô!
10 outubro 2007
"minhas férias"
não tenho escrito porque estou de férias. tirei quinze dias para dar uma acelerada na "montagem" da minha casa, e até que tive um relativo sucesso. salvo um ou outro sobressalto, os dias têm sido plácidos, como devem ser os dias de folga. poucas preocupações, livros, boa comida, alguma bebida, livros e descanso em demasia.
perdi um pouco do tom esverdeado, e talvez tenha ganhado peso, mas não posso dizer ao certo. desde que adotei o princípio de não subir em balanças, descobri que vivo mais feliz. hoje meu referencial para esses assuntos são as calças, e elas estão mais frouxas. dois cintos ganharam um furo extra cada.
nas minhas peregrinações em busca de móveis, descobri uma livraria na real grandeza, entre a voluntários e a visconde de caravelas, que está se desfazendo de grande parte de seu estoque. comprei uma pá de livros, a preços que variavam entre cinco, dez e quinze pilas. foi um estrago no bolso.
cheguei à conclusão que falei tanto em computador por dois motivos: primeiro, para um geminiano disperso e absorvente como eu, a internet foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. encontro de tudo, e quanto mais acho, mais procuro. é uma deliciosa corrida de ratos. segundo, meu computador novo é o primeiro que comprei, de maneira que pude, finalmente, formatá-lo do meu jeito. a primeira coisa que fiz foi me livrar do bill guêitis, daí a novidade. como é doce a ilusão de poder...
enfim, durante o tempo que fiquei sem bostejar, acumulei um monte de lixo para aporrinhar meus eventuais leitores, mas jacaré tá com disposição de escrever? nem eu.
como diria meu herói macunaíma, "ai, que preguiça..."
05 outubro 2007
brinquedinho novo
ninguém perguntou, mas digo assim mesmo. achei mais uma nova maneira de perder tempo online, e ainda dar dar uma melhorada no blog. o site abaixo tem acervo de música, vídeos e o escambau, e ainda deve dar para abrir no trabalho, onde o you tube não pega. saca só o frank zappa em "king kong":
mais uma daquelas listas
achei na tatipiv, meio sem entender o contexto, mas gostei. é sobre músicas apropriadas para diversos contextos:
1* pra dançar freneticamente: shout, otis day and the knights.
2* pra dirigir a toda numa estrada deserta: the grand wazoo, frank zappa.
3* pra adormecer: estate, com joão gilberto.
4* pra tocar diariamente no seu despertador: give me love, george harrison.
5* pra cantar num karaokê: a minha teimosia é uma arma pra te conquistar, jorge ben.
6* pra fornicar: apesar do péssimo termo, o bolero de ravel. deve ser meio lugar comum, mas não inventaram nada melhor.
7* pra fazer amorzinho: um pouco contrariado com outro termo indecente, e meio sem entender a diferença para o item anterior (seria mudança de intensidade?)... dindi, com a gal.
8* pra servir de trilha-sonora pro filme da sua vida: i'm feeling good, nina simone.
9* pra tocar no telefone enquanto você aguarda ser atendido por aquela maldita prestadora de serviço: blessed relief, frank zappa. pra ter paciência com os seres inferiores.
10* pro seu velório: in the mood, glenn miller. com direito a muito uísque e cachaça.
atualização:
correção nos itens 6 e 7: trilha sonora pra furunfar, calminho ou nervoso, é songs in the key of life, do stevie wonder. os dois álbuns, de preferência. de cabo a rabo.
03 outubro 2007
e por falar em plágio...
baixaria na rede. parece que a coluna do fausto wolff no jb em 30 de setembro teria sido plagiada de um texto publicado na rede há mais de cinco meses pelo marconi leal.
vítima de um plágio insignificante comparado a esse, me solidarizo com a indignação do marconi, de quem me tornei leitor há pouco tempo, graças ao sopa de tamanco (link na coluna da direita). por outro lado, acompanho o fausto há anos, e me dói imaginar que ele tenha sido capaz de (na melhor das hipóteses) um vacilo desses.
tomei conhecimento do assunto ontem, através de um editorial publicado no site do fausto. o marconi também tem comentado o assunto, em capítulos, desde 1o de outubro. recomendo a leitura de ambos.
atualização:
fausto explicou-se hoje, com a verve que lhe é peculiar. confesso que achei as desculpas meio canhestras, não sei se agradarão. de qualquer forma, este leitor agradece a consideração.
não falo, computo
marinho é um amigo de longa data. se algum dia houver juízo final (minha religiosidade, ou falta dela, variam de acordo com a conveniência), a única coisa que poderei alegar a meu favor diante de deus é que fiz uma pessoa gostar de ler. essa pessoa é o marinho.
o ritmo de nossas vidas fez com que nos vejamos pouco, mas hoje em dia ele me indica livros. e nossos papos regados a decalitros de café nunca são suficientes para atualizarmos nossas novidades literárias. no entanto, essas sessões de "filosofices escalafobéticas" são sempre muito divertidas.
programador de talento ímpar, marinho também me ensinou que existe beleza e criatividade na tecnologia. talvez se não fosse por ele, hoje eu ainda ficasse perguntando aos outros como se mexe no msn. mas ontem nos falamos rapidamente ao telefone, e ele reclamou que só ando escrevendo sobre o meu computador. vou isentá-lo de sua parcela de culpa, e ao mesmo tempo pedir-lhe desculpas por retornar ao assunto. pela última vez, juro.
é que a pancada, uma colega dessa categoria estranha que são as pessoas que só conheço através da internet, fez um comentário num bostejo abaixo que merece resposta. reproduzo:
Voce nao pediu opiniao, mas vc sabe como eu sou abelhuda....Segundo meu marido, o kurumim é mais pra ignorante, digo, amador. Pra cobra em informática (rasteja e leva paulada). Falando sério, pra ele os scrips do kurumim nao rodam perfeitamente... ele gostou mto do ubuntu pq nao tem tanta "porcariada" (entenda como quiser), mas diz que ambos rodam todos os aplicativos perfeitamente.
Voce vai particionar o disco e instalar um em cada partição?
pancada | 03.10.07 - 12:47 am |
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pancadinha,
para não desperdiçar trocadilho, botei (n)o ubuntu, mas num particionei nada, não. testei antes o kurumin, minha escolha inicial pela facilidade da língua, mas ao instalá-lo a resolução de tela apareceu errada, talvez por barbeiragem minha. as imagens ficaram descentralizadas, faltando de um lado e sobrando do outro. medrei. como o outro deu certo de cara, nem pestanejei.
o bicho é levinho, roda bem, mas de vez em quando tomo umas surras. o linux é uma mudança de mentalidade em relação à tecnologia. é sair do ostracismo de apenas olhar para a janela (windows), e meter a mão na massa.
nesse pouco tempo de uso, confesso já ter perdido um par de noites tentando instalar bobagens que, no sistema operacional antigo, seriam meros plug-and-play. mas é imensa a sensação de vitória que um leigo como eu sente ao desvendar os mistérios contidos nas linhas de código.
é bem verdade que, ao terminar, mal consigo descrever o que fiz (o que dirá repetir as mesmas coisas), mas quem se importa? eu não. apenas respiro fundo, à espera do novo desafio, com esperança de um dia entender o funcionamento desta joça.
pronto, falei. não encherei mais o saco de ninguém com esse assunto. só com outros.
01 outubro 2007
ctrl c ctrl v na mão grande
agora descobri o que é o sucesso. plagiaram meu blog. fiquei surpreso e até um pouco perplexo, mas no fundo vi a coisa como um atestado de qualidade. afinal, ninguém quer copiar a mediocridade (embora percebê-la seja difícil, e nesse caso, errado estaria eu. mas, parafraseando aquele filme clássico, dr. divago).
nem adianta espernearem, me oferecerem dinheiro e virgens em holocausto, que não dou o link. só digo que o autor identifica-se como madeira de dá (sic) em "DOIDO"(sic). para bom "googador", meia dica basta.
relutei, mas escrevi ao sujeito, porque ele também tarrou o subtítulo e o usou como perfil. sem nem ao menos lê-lo, porque o cabra parece ser baiano (pelo menos, escreve coisas sobre o estado), e o texto diz "carioca", e "botafoguense". é preguiça demais.
para os curiosos, segue a tônica do texto. perdi o original e não pude recuperá-lo, porque os comentários lá passam por moderação. se ele se sentir ofendido, talvez nunca consiga reler o que escrevi. foi mais ou menos assim:
meu caro amigo madeira,
percebo com orgulho que você utilizou um nome quase idêntico ao do meu blog para o seu. sinal de que os quatro anos de escritos na rede estão dando certo. ou que, pelo menos na hora do "batismo", fiz uma escolha feliz.
também fico lisonjeado ao ver meu subtítulo copiado como seu perfil. as definições vieram do dicionário houaiss, mas os números 3 e 4 foram criados por mim. o "carioca" não deve se aplicar a você, que parece ser baiano. talvez isso acabe por confundir seus leitores.
no mais, sucesso com o blog. mas da próxima vez use um pouco mais a criatividade, e não copie tudo dos outros.
um grande abraço,
marcelo.
atualização:
parece que o texto foi aprovado e está aqui. como não vi que tinha moderação, bostejei duas vezes.
26 setembro 2007
marcado na agenda
dia oito de dezembro não me convidem para nada.
Organizadores confirmam show do The Police no Brasil.
quem quiser se juntar a mim na empreitada será bem-vindo.
ps:a banda é a única exceção ao fiasco que foram os anos 80.
24 setembro 2007
brinquedo novo
até as pedras portuguesas do calçadão da atlântica sabem que estou sem computador. mas se tudo der certo, os verbos vão para o passado hoje à noite.
depois de acreditar que a compra de um computador de segunda mão iria me causar menos dor de cabeça do que um novo (e ainda ajudaria uma amiga), vi que a espera seria demasiada. de maneira que perdi os pudores, raspei o tacho e comprei um estalando de novo.
é verdade que ainda não pude usá-lo, porque como avisei, decidi mandar a microsoft pro espaço. consultei dois colegas de trabalho conhecedores de linux, e cada um gravou um cd com um sistema operacional de sua preferência: o luis escolheu o ubuntu, e o dudu, o kurumin. vou testá-los hoje à noite para saber qual adotar.
já vi que minha noite vai ser animadíssima. um dos pontos altos da vida de solteiro...
17 setembro 2007
vou ali e volto já...
computador só daqui a duas semanas.
até lá, divirtam-se com o povo aqui à direita, ou vão lamber sabão.
beijundas.
10 setembro 2007
aviso aos navegantes
não confundam o aparente descaso com abandono de domicílio.
é que o computador de casa morreu mesmo. agora não adianta nem ele cismar de ressuscitar, porque dessa vez perdi a paciência pra valer.
vou trocar por outro, e já tenho em vista uma proposta de escambo por um de segunda mão. o que não deixa de ser uma evolução, visto que do antigo fui o terceiro proprietário.
o bom é que, nesse meio tempo desconectado, redescobri as ruas, o mar, as leituras e os dias de sol, embora a pele ainda não tenha perdido de todo o tom esverdeado. acho que, por enquanto, o corpo está apenas repondo os enormes déficits nos meus estoques de vitamina d, para só depois impressionar os melanócitos.
me aguardem. vocês ainda não estão livres de mim.



